*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
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Teve início, na noite desta segunda-feira, 18/05, no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Sinop, a segunda edição do evento “Territórios Amazônicos – Educação, Direitos e Resistência”. Organizado pela subseção da Adufmat-Ssind, o encontro já é considerado um espaço fundamental para a reflexão crítica e a articulação política sobre a realidade da região que é porta de entrada da Amazônia no estado.
A mesa de abertura teve a presença da professora Luciane de Almeida Gomes, pró-reitora de Ensino de Graduação da UFMT, e do professor Elton Brito Ribeiro, Pró-reitor do Campus de Sinop, do diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, do coordenador-geral da subseção local, Juliano Santos, do representante Estudantil, Kleber Souza, e também dos servidores técnicos-administrativos, Éverton Dente.
“Como diria Che Guevara, a universidade precisa ser pintada de povo, das comunidades, para além dos interesses das diversas burguesias que operam na política aqui nessa cidade. Pintar de povo é estar aqui, junto com os companheiros e companheiras indígenas, com os estudantes, com os companheiros técnicos-administrativos que estão em greve hoje e têm toda a nossa solidariedade para que essa luta seja vitoriosa. É uma satisfação para nós estar realizando o II Territórios Amazônicos, e eu queria agradecer profundamente o trabalho dos companheiros de Sinop, da subseção, aqui na região, para mostrar, sem nenhuma sombra de dúvidas, que a universidade é da comunidade, é dos povos indígenas, porque Mato Grosso é terra indígena, Sinop é terra indígena e a UFMT é terra indígena. Fazer esse evento aqui mostra a potência que a UFMT Sinop tem para dizer, em alto e bom som, que os interesses que devem vigorar nessa universidade são os interesses da classe trabalhadora, dos povos e dos territórios que eles representam. Uma universidade precisa ser para o povo e do povo; se não for assim, é melhor que não tenha universidade, é melhor que a gente se enraíze em outros lugares”, disse o diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.

O professor Juliano Santos falou sobre o objetivo do evento, que vai até quinta-feira, 21/05. “Esse evento foi construído com muito carinho para nos proporcionar um espaço de reflexão sobre a universidade que queremos. Eu sou filho de pais trabalhadores, mãe solo, e consegui chegar na universidade, estou aqui hoje como professor. A universidade que a gente sonha tem essa capacidade de transformar a vida das pessoas para além de atender aos interesses do capital. Nessa perspectiva eu convido a todos para a gente fazer essa reflexão sobre onde nós queremos chegar e de que lado nós queremos estar nesse processo construtivo, desse futuro que a gente espera deste território”.

Dando continuidade às atividades, foi formada uma mesa para refletir a voz dos protagonistas da floresta e do campo, com a participação de representantes indígenas de diversas etnias, como Ikpeng, Panará, Kayabi, Kuikuru, Rikbaktsa, Enawene Nawe, Apiaká, Munduruku e Kamaiurá, além de lideranças de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat-Ssind), Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX), FUNAI em Juína e Liderança do povo Munduruku, Proteção Animal Mundial e Instituto Ecótono. As discussões centraram-se na defesa dos direitos territoriais, nas trocas possíveis entre as comunidades e a educação, especialmente por meio da universidade pública, além da unidade na resistência ao avanço das desigualdades promovidas por interesses particulares de grupos econômicos que visam apenas explorar.
Em seguida, o professor Waldir Bertúlio, primeiro presidente da Adufmat-Ssind, compartilhou sua trajetória de luta na construção do sindicato e da própria UFMT. A presença de lideranças históricas e movimentos de base reforça o objetivo do evento, de ser um espaço popular de diálogo entre a universidade e a sociedade. Na quarta-feira (20) haverá a exibição do filme “Waldir Bertúlio: Um griô Entre Nós”, que também conta um pouco dessa história.

Por fim, os participantes foram para a parte externa do sindicato e assistiram alguns curtas relacionados aos temas do evento, como alguns curtas da organização Proteção Animal Mundial e o documentário BR 163: Progresso para quem?, que mostra a agressiva expansão agropecuária ao longo da rodovia.
A programação do "Territórios Amazônicos II" segue até quinta-feira, 21/05, com mesas de debate, rodas de conversa e atividades culturais voltadas para a promoção do bem viver e a garantia de direitos nos territórios. O evento reafirma o papel estratégico da universidade pública, gratuita e socialmente referenciada como instrumento de resistência e transformação social.
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Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
“A humanidade depende da terra. No entanto, em todo o mundo, um coquetel tóxico de poluição, caos climático e dizimação da biodiversidade está transformando terras saudáveis em desertos e ecossistemas prósperos em zonas mortas. Eles estão aniquilando florestas e pastagens, e minando a força da terra para apoiar ecossistemas, agricultura e comunidades.” António Guterres, Secretário-Geral da ONU, mensagem por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, 05/06/2024.
“Não existe desenvolvimento sem cuidado com o meio ambiente”, frase atribuída a Chico Mendes, seringueiro, sindicalista e ativista ambiental brasileiro, assassinado por defender o meio ambiente e as florestas na Amazônia.
Li, há poucos dias, um artigo escrito pela médica Natasha Lhessarenko, pré-candidata a Governadora de MT, pelo PSD, com apoio da Frente Brasil Esperança (PT, PcdoB e PV), mais PSB e PDT, ou seja, partidos de Centro/Esquerda, sobre a viagem/caravana, juntamente com o ex-ministro e senador Fávaro, candidato à reeleição, feita à Região do Araguaia, considerada, há décadas, como “Vale dos Esquecidos”, tendo visitado 18 municípios, onde aborda vários assuntos, e o mesmo tem acontecido nas andanças dela por outras regiões do Estado de Mato Grosso.
Tem sido sempre corriqueiro que candidatos concentrem seus diagnósticos da realidade e suas propostas de ações governamentais em algumas áreas que, secularmente, têm se transformado nos grandes desafios para todas as gestões públicas, em todos os níveis: federal, estaduais e municipais.
São os problemas relacionados com a saúde pública sucateada, a ausência de uma educação pública de qualidade e socialmente referenciada; a insegurança pública e as várias formas de violência, principalmente a presença do crime organizado dominando territórios, pela ausência dos poderes públicos e infiltrando-se nas estruturas públicas; o drama da falta de moradia digna para a população pobre e classe média baixa; os problemas relacionados com a falta de oportunidade/trabalho digno e salário justo; e os desafios de uma administração pública distante dos cidadãos e contribuintes.
Mas, além desses desafios, não podemos esquecer o maior de todos os problemas, que é a crise climática, suas causas e consequências, ou seja, os desafios socioambientais, como fundamento para as demais políticas públicas, seguindo as exortações de cientistas e líderes do escopo de Chico Mendes, António Guterres, dos Papas Francisco e Leão XIV e outros mais.
Voltando ao artigo da médica Natasha, pré-candidata a Governadora de Mato Grosso, não podemos nos esquecer, também, que além da Região do Araguaia, o modelo de desenvolvimento seguido por governantes nas últimas décadas em Mato Grosso tem contribuído para que outras regiões também tenham se transformado em territórios esquecidos pelo Governo do Estado, como a Região Oeste/Grande Cáceres e, principalmente, a Baixada Cuiabana e o Pantanal.
Em relação à pré-candidata Natasha, apesar de seu empenho em favor de mudança de rumo na gestão pública do Estado, não tenho encontrado em seus pronunciamentos referências ou propostas de ação governamental, caso seja eleita, para realmente enfrentar os graves desafios socioambientais e ecológicos que Mato Grosso tem diante de si.
O mesmo pode-se dizer de todos os demais candidatos e candidatas, que pecam por ignorarem os desafios ambientais/ecológicos e outros de natureza estrutural que acabam criando dois Estados: um para os ricos e poderosos e outro para os pobres, excluídos e uma tímida classe média empobrecida.
Entre esses desafios/problemas podemos mencionar ou destacar a degradação e destruição dos Biomas Cerrado, Pantanal e Pré-Amazônia e sua rica biodiversidade; as questões e conflitos fundiários urbanos e rurais, principalmente em relação às terras e territórios indígenas; a grave questão da mineração e garimpos ilegais; a degradação de extensas áreas de solos; a destruição de nascentes; o uso abusivo de agrotóxicos que afetam os trabalhadores rurais, as populações no entorno das grandes áreas de cultivo que usam agrotóxicos até com drones e aviação agrícola, que também afetam a saúde dos consumidores; o desmatamento e as queimadas; outros desafios ambientais, como as PCHs que estão privatizando nossos rios, afetando a população ribeirinha e agricultores familiares e degradando o meio ambiente, principalmente o Pantanal, que corre sério risco de desaparecer, tornando-se uma região sem vida e sem atividades econômicas.
De forma semelhante, também precisamos pontuar os problemas ambientais urbanos, como degradação dos rios e córregos urbanos, transformados em verdadeiros esgotos a céu aberto, como ocorre com o Rio Cuiabá, seus afluentes e demais cursos d’água em todos os centros urbanos do Estado; a precariedade do saneamento básico; a falta de arborização urbana, principalmente na Grande Cuiabá, o maior aglomerado urbano do Estado, com mais de um milhão de habitantes, que a cada dia tem mais pavimentação e menos áreas arborizadas; as ondas de calor extremo; a questão da poluição urbana e a qualidade do ar. Enfim, parece que os desafios ambientais e ecológicos não estão presentes no diagnóstico da realidade de MT elaborado pelos candidatos tanto ao cargo de Governador quanto de parlamentares federais (Senadores e Deputados Federais) e deputados estaduais e, daí, não existem propostas concretas de ação governamental e/ou de legislação pertinente a esses desafios, a nível do Estado, seja do Poder Executivo, seja do Poder Legislativo.
Em relação aos demais candidatos, que fazem parte da vertente ou espectro ideológico da Direita, do Centrão ou Extrema Direita, tudo isso é mais do que verdadeiro, tendo em vista que representam, sem exceção, o mesmo modelo de desenvolvimento elitista, concentrador de renda, riqueza e propriedade, razão pela qual Mato Grosso tem índices de crescimento econômico que fazem “inveja” à China, à Índia e outros países mundo afora, mas tem deixado um rastro de destruição e um passivo socioambiental/ecológico imenso, impagável, além de um grande contingente de pobreza, exclusão, injustiça social e violência.
A degradação ambiental, a destruição dos Biomas e Ecossistemas afetam, de uma forma mais intensa, diretamente as camadas marginalizadas, os pobres e excluídos, daí ser necessário, imperativo, que os candidatos, principalmente a Governador/Governadora de Mato Grosso, digam aos eleitores quais são suas propostas concretas ou seus “famosos” Planos de Governo, mesmo que saibamos que tais planos, na maioria dos casos, são apenas letra morta, como se diz, “para inglês ver”.
Mas nem por isso as candidatas/os candidatos podem se omitir de, pelo menos, se pronunciarem sobre tais desafios e falarem sobre suas propostas para o enfrentamento desses problemas e desafios. Isto é o mínimo que os eleitores, as eleitoras e também os contribuintes têm o direito de ficar sabendo e, aí, poderem decidir, livremente, em quem votar de forma consciente, ao se dirigirem às urnas eletrônicas.
Esses são alguns dos pontos que ambientalistas e defensores da ecologia, dos direitos humanos e de um desenvolvimento integral e integrado, voltados ao bem comum e não apenas para as elites e os “donos do poder”, como tem sido até hoje em Mato Grosso e nos demais estados.
Por isso, gostaríamos e esperamos que todos os candidatos e candidatas levem em consideração esses aspectos em suas campanhas eleitorais, ao “dialogarem” com o povo, principalmente aqueles que pretendem romper com este modelo elitista de desenvolvimento para poucos, que vigora em Mato Grosso há muitas décadas, seja superado.
Muitos candidatos, principalmente os que fizeram parte do Governo do Estado desde 2019 e que defendem este modelo elitista e excludente, início da gestão Mauro Mendes, terão dificuldade em explicar para o povo como um Estado com tantos problemas socioambientais e de desigualdades sociais e econômicas, e também desigualdades setoriais e regionais, abriu mão de arrecadar, entre 2019 e 2026, a importância de 69,6 bilhões de reais, a título de “renúncia fiscal”, incluindo as estimativas até final de 2026, beneficiando apenas alguns setores e grupos econômicos poderosos em detrimento da população que mais precisa.
Conforme notícia veiculada no site Midia News em 30/09/2025, “Auditoria do TCE-MT aponta concentração dos incentivos fiscais em poucas empresas e regiões mais ricas e revela que esses incentivos fiscais não contribuem para reduzir desigualdades”.
Com certeza, esses incentivos também não contribuíram e nem contribuem para o enfrentamento aos desafios socioambientais, nem com a falta de recursos orçamentários para a educação, para a saúde, moradia popular digna e outras áreas importantes para a melhoria da qualidade de vida da população.
A conclusão do conselheiro do TCE/MT, Antônio Joaquim, é bem “cristalina”, muito bem sentida e percebida pela população, quando disse: “O primeiro e principal achado desta auditoria, em minha avaliação, trata-se da constatação de que as políticas de incentivos fiscais e a aplicação dos recursos dos Fundos Especiais não têm contribuído para a redução das desigualdades regionais em Mato Grosso”.
Diante de tudo isso, é fundamental não apenas uma renovação ampla e geral das “elites” governantes, tanto no plano federal, principalmente no Congresso Nacional, cuja avaliação divulgada recentemente ocupa o último lugar entre diversas instituições públicas avaliadas.
Esta renovação é necessária também nos estados, incluindo, também, uma nova forma que transforme, realmente, como a gestão pública vem sendo realizada, muito distante dos anseios, necessidades e aspirações do povo. Tudo isso precisa mudar, daí a importância do voto consciente, livre e responsável.
Lembrando sempre que voto não é mercadoria para ser comprado e vendido.
Está bem claro que precisamos romper, com urgência, este círculo vicioso em Mato Grosso e outros estados, onde governantes e candidatos, no período eleitoral, aproximam-se do povão, principalmente dos pobres e excluídos, e depois de eleitos governam para os ricos e poderosos. É fundamental uma mudança radical para inaugurarmos um novo tempo em nosso Estado e no Brasil.
Este é o significado, o sentido e o alcance dessas próximas eleições gerais de outubro de 2026.
Centenas de milhares de pessoas se manifestaram na terça-feira (12) em todas as províncias da Argentina, como parte da Quarta Marcha Universitária Federal. O protesto reuniu estudantes, docentes, técnicos e técnicas administrativos, representantes sindicais, de organizações sociais e população em geral.
Fotos: Conadu Histórica
As e os manifestantes foram às ruas em defesa da educação pública e para exigir que o governo de Javier Milei cumpra a Lei 27.795, sobre o financiamento das universidades. Aprovada em outubro de 2025 após a derrubada de um veto presidencial, a medida estabelece o financiamento das universidades nacionais e a reestruturação salarial dos professores e funcionários.
Em todo o país, as marchas denunciaram a política de desfinanciamento e desmantelamento implementada pelo Executivo Nacional. Cerca de 70% dos salários de docentes, de servidoras e de servidores da educação superior estão abaixo da linha da pobreza, com perda salarial equivalente a oito salários desde o início do governo de Milei.
Mais de 60 universidades em todo o país exigiram o cumprimento da lei e a destinação de verbas para garantir seu funcionamento. Segundo os organizadores, 1,5 milhão de pessoas se mobilizaram em diferentes partes do país.
Sob o lema “Pela educação, universidade pública e ciência nacional”, a mobilização em Buenos Aires foi organizada com o apoio da Federação Argentina de Universidades (FUA), da Frente Nacional de Sindicatos Universitários e do Conselho Interuniversitário Nacional (CIN), e teve seu epicentro na Plaza de Mayo, onde ocorreu o evento principal.

Durante o dia, também foram registradas mobilizações massivas em cidades como Córdoba, Rosário, Santa Fé, Mendoza, Neuquén, Salta, Jujuy, Mar del Plata, Corrientes e Resistencia, entre outras.
Segundo um relatório do Centro Ibero-Americano de Pesquisa em Ciência, Tecnologia e Inovação (Ciicti), o orçamento das universidades argentinas caiu este ano para 0,428% do Produto Interno Bruto (PIB), o nível mais baixo desde 1989. Esse número contrasta fortemente com os 0,526% do PIB registrados em 2025 e os 0,718% em 2023, antes da posse do atual governo.
O documento aponta que os fundos alocados pelo Ministério da Educação da Argentina para o desenvolvimento do ensino superior sofreram uma queda real de 21,8% em 2024, seguidos por um declínio de 3,5% em 2025. As projeções indicam uma queda adicional de 16,9% para 2026, intensificando as preocupações no setor.
Em Buenos Aires, os grupos organizadores denunciaram que a crise enfrentada pelas universidades “não é apenas orçamentária”. “O Poder Executivo, num ato sem precedentes de desprezo institucional, decidiu se insurgir contra os outros dois poderes: ignora a Lei de Financiamento das Universidades nº 27.795, aprovada e ratificada por ampla maioria no Congresso, e desconsidera as decisões judiciais que ordenam seu cumprimento imediato”, declararam membros da Confederação das Universidades Argentinas (FUA), durante a leitura de um documento no evento principal na Plaza de Mayo.

“Não podemos permitir que os pilares de nossas universidades — trabalhadores, docentes, funcionários, pesquisadores e estudantes — sejam expulsos do sistema. Se não defendermos nossas universidades hoje, o futuro de prosperidade do país não passará de um sonho. É aqui e agora. As universidades públicas devem ser defendidas. Por mais e melhor educação pública e ciência”, concluíram.
O acesso ao ensino superior público na Argentina é gratuito para os estudantes desde 1949, e muitas das 57 universidades nacionais, financiadas pelo Estado, gozam de sólida reputação acadêmica. Essa tradição de gratuidade e excelência está ameaçada por cortes orçamentários, o que motivou a grande manifestação desta terça em defesa do modelo nacional de educação.
Fonte: Telesur (com edição do ANDES-SN)
As e os docentes da Universidade de Brasília (UnB) se reuniram em assembleia geral nessa quinta-feira (14) para debater os desdobramentos mais recentes envolvendo a absorção da Unidade de Referência de Preços (URP), imposta pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). Ao final da assembleia, a categoria aprovou o indicativo de greve diante do agravamento do cenário e da postura intransigente do governo.
Foto: Adunb SSind.
Em março de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a URP como um direito das professoras e dos professores da UnB, o que sugeria um desfecho favorável à categoria. No entanto, o MGI já implementou, em abril, a absorção de 60% do valor do índice, mesmo sem a conclusão definitiva do processo no Judiciário. A manobra administrativa compromete diretamente os reajustes conquistados pelo movimento docente, incluindo os ganhos da greve de 2024.
Na prática, a chamada “absorção” da URP significa a diminuição ou até anulação de aumentos salariais a partir de abril. Isso ocorre porque reajustes, promoções e progressões passam a ser descontados do valor pago pela URP. Assim, com a absorção de 60%, por exemplo, parte do aumento recebido é abatido da parcela da URP. Já com a absorção de 100%, anunciada em maio, todo o acréscimo salarial é descontado da rubrica, fazendo com que servidoras e servidores deixem de perceber aumento real na remuneração. O objetivo do mecanismo é reduzir gradualmente o valor da URP até sua extinção.
Desde o dia 10 de abril, a Associação dos Docentes da UnB (ADUnB – Seção Sindical do ANDES-SN) está em estado de assembleia permanente diante das constantes atualizações e decisões relacionadas ao processo da URP. Além da negativa do MGI em suspender a absorção até o trânsito em julgado do processo no STF e de abrir um processo efetivo de negociação, o comunicado sobre a ampliação da absorção de 60% para 100% aprofundou o sentimento de insegurança entre as e os docentes.
No dia 12 de maio, o MGI encaminhou um ofício à Reitoria da UnB e a outras instituições informando que, após o Tribunal de Contas da União (TCU) não homologar a cláusula que permitia a extensão automática do acordo firmado com as servidoras e os servidores técnico-administrativos para outras categorias, como a docente, deverá ser aplicada a absorção integral dos reajustes. Durante a assembleia, foi informado que o cenário ainda é incerto sobre a aplicação da nova determinação já na folha de pagamento de maio.
Além das preocupações com a ampliação das absorções, a categoria também demonstrou solidariedade às e aos docentes ingressantes a partir de novembro de 2023, que, sem qualquer justificativa apresentada até o momento, nunca receberam a URP. A situação das aposentadas e dos aposentados também foi debatida, especialmente daquelas e daqueles que já vinham sofrendo cortes determinados pelo TCU e que agora enfrentam também a absorção dos reajustes. As e os docentes reforçaram a necessidade de respostas por parte do MGI diante dessas situações.
Segundo Pedro Gontijo, secretário-geral da ADUnB SSind., a deliberação da assembleia representa mais uma etapa do processo de organização da categoria. “O indicativo de greve é uma das etapas do processo de mobilização da categoria. É uma sinalização de que os docentes poderão entrar em greve, caso a intransigência do MGI continue e não seja estabelecido um processo de negociação”, afirmou.
Também foi aprovado que, nos próximos dias, o Comitê de Mobilização organizará uma série de ações até a convocação de uma nova assembleia. A diretoria da ADUnB SSind. orientou ainda que a comunidade acadêmica acompanhe os canais oficiais de comunicação da entidade para obter informações sobre as próximas atividades e ações da categoria em defesa da URP. Foi reforçado que a participação docente nas atividades realizadas desde o anúncio da absorção tem sido importante para pressionar institucionalmente e garantir avanços nas articulações políticas, administrativas e jurídicas em defesa da URP.
URP
Criada em 1987, durante o governo de José Sarney, a URP reajustava os salários das servidoras e dos servidores públicos federais para repor as perdas inflacionárias. O mecanismo foi revogado pela Lei nº 7.730, de 1989, no âmbito do Plano Verão. Ainda naquele ano, professoras e professores da UnB recorreram à Justiça e obtiveram decisão favorável pela manutenção da URP.
Em 1991, com base nos princípios da isonomia e da autonomia universitária, a Reitoria da UnB estendeu o benefício a todas e todos as servidoras e servidores da instituição, consolidando um direito que se tornaria o centro de uma disputa jurídica de décadas. Apesar da legitimidade histórica, a URP permanece sob constantes ataques de órgãos do governo federal.
Fonte: Andes-SN (com informações da AdunB SSind.)
A assembleia de docentes da Universidade de Campinas (Unicamp), realizada nesta sexta-feira (15), aprovou a deflagração de greve, por tempo indeterminado, a partir de segunda-feira (18). A decisão baseia-se na necessidade de reabertura das negociações entre a comunidade universitária das estaduais paulistas (USP, Unesp e Unicamp) - representadas pelo Fórum das Seis - e o Conselho de Reitores (Cruesp).
Foto: Adunicamp SSind.
As professoras e os professores lutam contra o arrocho salarial e cobram a aplicação de ajustes de 7,39% nos salários - correspondente ao IPCA do período acrescido de 3% para recomposição de perdas anteriores. A categoria defende a pauta unificada do Fórum das Seis, que traz demandas de docentes, estudantes e técnicas e técnicos administrativos. Entre as reivindicações estão ampliação das bolsas permanência - tanto em quantidade quanto em valores -, melhores condições de residência e restaurante estudantis, cotas para estudantes trans e vestibular para estudantes indígenas.
"Fizemos três rodadas e o Cruesp foi irredutível em não aprovar a pauta proposta pelos docentes de reajuste salarial, que é o índice do IPCA mais 3%. Então, a categoria decidiu, na Unicamp, deflagrar a greve hoje porque está cansada do arrocho salarial. Foi uma assembleia expressiva e a greve foi aprovada por ampla maioria”, contou Regina Célia Silva, 2ª vice-presidenta da Regional São Paulo do ANDES-SN e diretora da Associação de Docentes da Unicamp (Adunicamp Seção Sindical do ANDES-SN).
Regina lembrou que com a paralisação docente, as três categorias da universidade estarão em greve, a partir de segunda-feira (18). Técnicas e técnicos administrativos e estudantes já paralisaram as atividades pelo cumprimento da pauta de reivindicações do Fórum das Seis.
Conforme a diretora, também foi aprovada, na assembleia, a realização de um ato, na quarta-feira (20), em frente à Reitoria da Unicamp, pela retomada das negociações. A categoria decidiu ainda por participar do ato público em São Paulo (SP), também no dia 20, organizado por entidades sindicais e estudantis em defesa do serviço público e da educação pública. A assembleia constituiu, ainda, o Comando de Greve da ADunicamp SSind. Novas ações e a agenda de mobilização serão divulgadas em breve.
Repúdio
A assembleia de docentes deliberou por uma “Moção de Repúdio e Alerta à Comunidade Acadêmica” que, além de ser tornada pública, será encaminhada formalmente ao Conselho Universitário da Unicamp e ao Cruesp. A categoria manifesta seu absoluto repúdio ao Projeto de Lei 439/ 2026, que pretende criminalizar movimentos estudantis, greves, ocupações e manifestações políticas nas universidades públicas paulistas, impondo punições autoritárias a estudantes, docentes, reitores, diretores e servidores.
“Trata-se de uma proposta flagrantemente inconstitucional, autoritária e incompatível com os princípios fundamentais do Estado Democrático de Direito estabelecidos pela Constituição Federal de 1988. O projeto viola frontalmente a autonomia universitária, a liberdade de expressão, o direito de manifestação, o direito de greve, a liberdade de organização política e sindical, o devido processo legal e os direitos civis e políticos mais elementares”, afirma a moção. Confira aqui a íntegra do texto.
Fonte: Andes-SN (com informações da Adunicamp SSind.)
Na próxima sexta-feira (15), o Supremo Tribunal Federal irá julgar, em plenário virtual, dois recursos extraordinários com repercussão geral que envolvem a aplicação do Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério (Lei 11.738/2008).
Agora é a hora de pressionar STF para garantir que o Piso seja considerado vencimento inicial de carreira e sirva de base para a valorização profissional e que a Lei do Piso seja aplicada a todas as carreiras da educação pública de outros entes federativos, independentemente de legislação local.
O ANDES-SN disponibilizou um modelo de carta de cobrança a ser encaminhada aos Ministros e à Ministra do STF. Confira o texto abaixo e envie você também, até sexta-feira, a sua mensagem!
Além disso, no dia da votação no STF (15/5), vamos subir no X (antigo twitter) a hashtag #AprovaOPISoDoMagistérioSTF para mobilizar a opinião pública também na internet. Participe desta luta!
À Excelentíssima Ministra e Aos Excelentíssimos Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF)
Senhor Edson Fachin
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Senhor Gilmar Mendes
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Senhora Cármen Lúcia
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Senhor Dias Toffoli
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Senhor Luiz Fux
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Senhor Alexandre de Moraes
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Senhor Nunes Marques
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Senhor André Mendonça
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Senhor Cristiano Zanin
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Senhor Flávio Dino
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Assunto: Processo: RE 1326541/SP – Tema n° 1.218.
Excelentíssima Ministra e Excelentíssimos Ministros,
O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior - ANDES-SN, que representa docentes das instituições públicas federais, estaduais, municipais e distrital do ensino superior, dos Cefets e dos Institutos Federais do Brasil, vem a V. Exªs., mui respeitosamente, manifestar a preocupação com a informação do julgamento virtual, a ser realizado a partir de 15 de maio, que discutirá o tema de Repercussão Geral 1218.
O ANDES-SN é entidade de representatividade nacional que congrega docentes das instituições públicas de ensino superior no Brasil, com atuação histórica e consolidada na defesa da educação pública, gratuita, laica, de qualidade socialmente referenciada e na promoção da justiça social, equidade e acesso democrático ao ensino superior. Possui jurisdição em todo o território nacional e sede jurídica e administrativa em Brasília, contando com um total de 121 seções sindicais compreendidas em todo o território nacional brasileiro, possuindo aproximadamente 70 mil docentes sindicalizadas(os) de instituições de ensino superior e institutos de educação básica, técnica e tecnológica, restando clara sua efetiva representação e amplitude funcional para o debate de tema tão relevante para a carreira docente.
O tema que ora se discute é referente às conquistas inscritas na Lei nº 11.738/2008, que regulamenta o Piso Salarial Profissional Nacional do Magistério. Após muitas lutas, tornou-se um direito garantido legalmente, prevendo o vencimento inicial de carreira, conforme artigo 6º da Lei Federal, sendo, apesar da garantia legal conquistada, sistematicamente desrespeitado por administrações públicas em vários estados e municípios em nosso país.
Diante de tal descumprimento, esse Excelso Tribunal reconheceu, com grande relevância, a atuação jurisdicional para garantia do piso nacional, em dois momentos: 1) na Reclamação Constitucional nº 74.810/RN, sem que isso signifique quebra do equilíbrio entre poderes, e 2) ao tratar a ADI 4.848, reiterando a obrigatoriedade de observância do piso nacional do magistério pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, bem como a constitucionalidade de sua forma de atualização prevista na Lei nº 11.738/2008, compreendendo, portanto, pela legalidade das portarias emitidas pelo MEC anunciando os valores de atualização do piso, anualmente, conforme determina o artigo 5º, parágrafo único da Lei nº 11.738.
Ressalta-se que a luta pela valorização do magistério e da carreira docente continua na ordem do dia, mesmo após a aprovação da Lei do Piso da categoria, sendo fundamental reconhecer que a educação pública, com qualidade, com dignidade às e aos profissionais que atuam na formação da cidadania ativa, é forte pilar da construção cotidiana de nossa democracia.
Alerta-se que a educação em todos os níveis vem vivenciando ataques frequentes de saudosistas do regime de exceção vivenciado na ditadura empresarial-militar.
Nesse sentido, a decisão a ser tomada será essencial para a efetivação de uma educação pública de qualidade socialmente referenciada em todo o país.
Certas(os) de contarmos com o compromisso do STF com pauta tão fundamental ao desenvolvimento do Brasil e da garantia do direito à educação plena enviamos nossas mais cordiais saudações sindicais e universitárias!
Fonte: Andes-SN
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Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
“Muitas coisas devem reajustar o próprio rumo, mas, antes de tudo, é a humanidade que precisa mudar. Falta a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração”. Papa Francisco, Encíclica Laudato Si', Vaticano, 2015.
“Já se passaram oito anos desde a publicação da carta encíclica Laudato Si, quando quis partilhar com todos vós, irmãs e irmãos do nosso maltratado planeta, a minha profunda preocupação pelo cuidado da nossa casa comum. Mas, com o passar do tempo, dou-me conta de que não estamos a reagir de modo satisfatório, pois este mundo que nos acolhe está-se esboroando e talvez aproximando-se dum ponto de ruptura. Independentemente desta possibilidade, não há dúvida de que o impacto da mudança climática prejudicará cada vez mais a vida de muitas pessoas e famílias. Sentiremos os seus efeitos em termos de saúde, emprego, acesso aos recursos, habitação, migrações forçadas e noutros âmbitos”. Papa Francisco, 04/10/2023, na Exortação Laudate Deum, mensagem endereçada aos participantes da COP 28.
Promover uma educação ambiental radical envolve ir além de ações superficiais de reciclagem ou outras práticas de natureza mitigadora, mas sim ações com o objetivo de uma transformação mais profunda, focando nos comportamentos, nas atitudes, na mentalidade, nos valores, nos estilos de vida e, também ou principalmente, nas estruturas culturais, sociais, econômicas e políticas para enfrentar a crise ecológica, a cada dia mais grave, com consequências mais trágicas.
Por isso, também o Papa Leão XIV tem insistido que é preciso mudar as estruturas que geram a pobreza e a degradação ecológica e tem condenado o que seu antecessor (Papa Francisco) insistia dizendo tanto na “economia que mata”.
Neste sentido, a educação ambiental radical aproxima-se ou até mesmo passa a ser instrumento de “Conversão Ecológica”, mencionada e enfatizada pelo Papa Francisco na Encíclica Laudato Si'.
A conversão ecológica na Encíclica “Laudato Si”, prestes a completar onze anos de publicação no dia 24 deste mês de maio de 2026, é um chamado para uma transformação profunda nos corações, mentes, atitudes, comportamentos, enfim, no estilo de vida e nos sistemas econômicos que não respeitam a natureza, reconhecendo nossa contribuição para a crise socioambiental.
Não é apenas uma mudança técnica ou tecnológica, o chamado paradigma tecnocrático, mas um compromisso cristão mais profundo, de amor e da cidadania ecológica para um melhor cuidado com a “casa comum”, superando o consumismo, o desperdício, a degradação do planeta e a nossa indiferença diante da crise socioambiental e climática que estamos presenciando e sofrendo suas consequências.
Isso implica uma abordagem pedagógica, social, cultural, econômica, política e ética que questione os modelos, modos de produção e as relações de trabalho e de consumo/consumismo atuais.
Neste contexto, tanto os conceitos de conversão ecológica quanto os de educação ambiental/ecológica radical ou libertadora aproximam-se de dois outros conceitos tão enfatizados pelo Papa Francisco: economia da morte e economia da vida (Economia de Francisco e Clara).
Antes, porém, é fundamental identificarmos alguns aspectos importantes do conceito de conversão ecológica, entre os quais podemos mencionar: integração espiritual e ética, pois a conversão ecológica exige uma revisão profunda do estilo de vida, entendendo que o cuidado com o meio ambiente, com a natureza, é inseparável da dignidade humana, da justiça social, da justiça climática e dos direitos humanos e dos direitos das futuras gerações (justiça intergeracional).
Da mesma forma, é importante e fundamental termos em mente a dimensão da interconexão ou interligação entre todas as dimensões do viver humano e das relações entre natureza e humanidade, daí a ênfase de que “tudo está interligado”: fatores físicos, químicos, biológicos, sociais, políticos, econômicos e culturais. A degradação ambiental reflete também a degradação humana e as estruturas do pecado ecológico.
Outro aspecto a ser considerado é que precisamos, de fato, de uma grande mudança de paradigmas e, neste sentido, é imperioso rejeitar o paradigma tecnocrático e antropocêntrico, adotando uma “ecologia integral” que valoriza cada criatura e prioriza os mais frágeis, tendo sempre presente que “o gemido da terra” é também o gemido e grito dos pobres, excluídos e injustiçados.
Além disso, as ações concretas decorrentes de uma conversão ecológica precisam reconhecer a “dívida ecológica” de gerações e países e adotar comportamentos e ações solidárias, reparadoras, de responsabilidades coletivas nacionais e internacionais.
Feito isto, estaremos em condições de promover uma educação ambiental ou ecológica radical e libertadora, tanto nas residências e escolas, nas Igrejas, quanto em outros espaços, como nas comunidades, nos locais de trabalho, nas organizações públicas, privadas e não governamentais.
Os países ricos não podem continuar poluindo e destruindo o planeta impunemente e, em todos os países, é preciso definir responsabilidades em relação aos crimes ambientais/pecados ecológicos.
É neste contexto que emerge/surge a educação ambiental crítica e libertadora, ampliando e aprofundando o diálogo em relação...
Vejamos, por exemplo, algumas formas de promovermos uma educação ambiental/ecológica radical e libertadora em relação ao que está acontecendo com o planeta, a partir de cada território concretamente definido.
A primeira delas é a ênfase na importância e necessidade de uma transformação profunda, radical, de estilos de vida responsáveis pela degradação ambiental, pela destruição da natureza, da biodiversidade, combatendo os sistemas econômicos que não respeitam os “limites do planeta”, nem “nosso futuro comum”, e são orientados apenas por um imediatismo visando o lucro fácil, pouco se importando com a herança socioambiental a ser deixada para as futuras gerações, além das consequências já presentes na atualidade.
Esta é uma ação que visa despertar a consciência ambiental/ecológica em diferentes públicos e motivar as pessoas a promoverem mobilizações em busca da definição de políticas públicas tanto nas dimensões reparadoras quanto mitigadoras e também para a conservação e proteção dos biomas e ecossistemas.
Paralelamente a este despertar ecológico, através de um processo de mobilização coletiva, não podemos também ignorar a importância e o papel de ações de adaptação mitigadoras, tanto individuais quanto coletivas.
Essas são ações e mobilizações para combater o consumismo, os plásticos, o desperdício, todas as formas de degradação ambiental, a geração de lixo/resíduos sólidos, enfim, as diferentes formas de poluição do solo, das águas e do ar.
Despertar as pessoas, em todas as faixas etárias, para a necessidade de incentivarmos a economia circular, a reciclagem, a agroecologia, a arborização urbana, a importância das florestas, inclusive das florestas urbanas, a agricultura urbana, hortas domésticas, escolares e comunitárias para a produção orgânica; o incentivo às práticas de economia solidária; o uso de fontes renováveis de energia (incluindo sistemas cooperativos); a importância da moradia digna e o combate ao uso de combustíveis fósseis, responsáveis por 80% das emissões de gases de efeito estufa e que contribuem para a crise climática e suas consequências.
A educação ambiental radical, libertadora, neste sentido, é uma prática revolucionária, mas fundamentalmente de natureza pacífica, porque busca criar novas formas e estilos de vida baseados no respeito à natureza, em defesa da dignidade e dos direitos humanos, na valorização dos saberes tradicionais e ancestrais e na sustentabilidade plena, diferente dos atuais sistemas produtivos que ignoram a importância de uma mudança profunda dos paradigmas que os sustentam, distantes do bem comum e de uma espiritualidade ecológica que reconhece tudo como obras da criação.
Os conflitos que porventura surgem relacionados às questões socioambientais só existem devido à resistência de alguns setores políticos, econômicos e sociais que não reconhecem que só existe um planeta e que os chamados “recursos naturais” não são inesgotáveis e que todas as obras da criação, enfim, o planeta é um bem comum, ou seja, de todos, e não podem estar apenas sujeitos à lógica mercadológica e do lucro a ser acumulado “nas mãos” ou nas contas bancárias de uma minoria privilegiada, em detrimento do direito de todos/todas usufruírem desses bens e serviços produzidos.
A educação ambiental radical e libertadora é o único caminho que nos leva a uma cidadania ecológica plena e transformadora; por isso, vale a pena caminhar nesta direção.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
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Para quem perdeu a oportunidade de presenciar o incrível debate sobre trabalho realizado no auditório da Adufmat-Ssind entre os dias 05 e 08/05, organizado pelos Grupos de Trabalho Política e Formação Sindical (GTPFS) e Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), uma boa notícia: os vídeos do Seminário "SERÁ O FIM DO TRABALHO? Universidade, IA e Mundo do Trabalho: quais perspectivas?" já estão disponíveis.
Enquanto o capitalismo tenta nos convencer de que a Inteligência Artificial é uma espécie de divindade redentora — e não apenas mais uma ferramenta para espremer o que resta da nossa força de trabalho —, os Grupos de Trabalho e a Adufmat-Ssind reuniram mentes que avaliam vários aspectos deste processo. Abaixo, destacamos alguns pontos do necessário debate realizado em cada um dos dias, que indicam, primeiro, uma "barbárie previsível" e já visível, e segundo, que a saída para tudo isso só pode ser coletiva.
05/05 – Mesa: Análise de Conjuntura
A abertura do seminário refutou categoricamente a tese do "fim do trabalho". A professora Alair Silveira recebeu os convidados e demais participantes afirmando que não se pode pensar no futuro sem compreender o passado.
O professor Breno Santos (UFMT) pontuou que o que testemunhamos são novas formas de exploração sobre velhas relações capitalistas, agravadas pelo neofascismo e pela ofensiva imperialista. Santos provocou a audiência ao traçar paralelos entre o embargo econômico sofrido por Cuba há 65 anos e as "guerras não convencionais" do cotidiano brasileiro, como o arrocho fiscal que naturaliza a perda de direitos.
Em sua análise, a docente Lélica Lacerda (UFMT) trouxe a urgência da interseccionalidade, demonstrando como gênero, raça e classe são marcadores que hierarquizam a vida desde a Grécia Antiga. Citando Mészáros, ela discutiu a crise estrutural do capital iniciada na década de 1970 e como o discurso neoconservador substitui o debate racional pelo "pânico moral" para minar direitos.
Já Rodrigo Castelo (UNIRIO) resgatou autores clássicos para definir o fascismo como um projeto burguês que captura países dependentes, reforçando que a derrota da classe trabalhadora começa na própria organização da produção.
Clique aqui para assistir ao debate do dia 05/05/25
06/05 – Mesa: Mundo do Trabalho, Estado e Sociedade
No segundo dia, a centralidade da categoria Trabalho foi reafirmada.
A professora Patrícia Félix (UFMT) lembrou que a história brasileira não pode ignorar a escravidão e denunciou que mesmo a Inteligência Artificial depende de um "exército de microtarefas", precarizado e residente no sul global. “A Inteligência Artificial depende do trabalho humano precarizado, para testar as tecnologias de aplicativos e softwares, por meio de microtarefas que pagam milésimos de dólares aos trabalhadores do sul global”, afirmou.
O Estado, por sua vez, foi descrito pela convidada Patrícia Acs (Mulheres em Luta), numa perspectiva militantes, não como um mediador neutro, mas como um agente do capital que investe no aparato penal enquanto sucateia serviços públicos e avança na militarização das escolas, disseminando a ideia de que o trabalho deve ser alienado e disciplinado.
A professora Adriana Penna (UFF) aprofundou a análise a respeito da Educação, alertando para a "lógica da parceria público-privada" e a influência de organizações internacionais como o Banco Mundial na modelagem de um trabalhador "adaptável" à barbárie. Penna ironizou a valorização do perfil de "influencer" em detrimento da docência, enquanto o mercado monetiza a pobreza sob o verniz do "desenvolvimento sustentável" e do "empoderamento" individualista.
A docente da Federal Fluminense apresentou uma série de dados em um slide, que está disponível para consultas aqui.
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07/05 – Mesa: Universidade, Trabalho e Inteligência Artificial
O debate sobre tecnologia foi introduzido pela docente Josiane Oliveira (UFMT), que definiu a atual posição do Brasil como um "treinador" de IAs para economias centrais — um verdadeiro colonialismo de dados.
O professor Aldi Nestor de Souza (UFMT) reforçou a perspectiva marxista de que tudo o que “não dá no pé” é fruto do trabalho humano, denunciando o uso ideológico da IA para exercer coação e medo sobre os trabalhadores.
Encerrando a mesa, o presidente do IBGE, professor Márcio Pochmann, trouxe dados sobre a reconfiguração do território brasileiro, comparando o cenário atual de falta de planejamento e favelização com a realidade de um século atrás.
Pochmann destacou que a era digital eliminou as fronteiras entre casa e trabalho, fazendo com que o usuário realize, de forma não paga, tarefas que antes eram funções remuneradas, como os serviços bancários. “Nós estamos reproduzindo, nesta nova sociedade, instrumentos e formas do passado, com o aumento da exploração”, disse.
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08/05 – Mesa: Quais as perspectivas de futuro se constroem do passado e do presente?
O encerramento contou com a presença emblemática de Waldir Bertúlio, cuja trajetória se confunde com a própria história da UFMT. Como primeiro presidente da Adufmat-Ssind, Bertúlio foi peça central na resistência sindical e na organização docente durante os anos de chumbo da ditadura empresarial-militar.
Neste contexto, a professora Alair Silveira (UFMT) apresentou uma análise contundente sobre o refluxo organizativo da classe, enfatizando a urgência de uma campanha contra a naturalização do trabalho sem direitos, um fenômeno contemporâneo onde a precarização passa a ser aceita como um dado imutável da realidade.
Para a docente, o Movimento Sindical atravessa um momento de estreitamento político, no qual a luta tem se limitado perigosamente aos marcos da legislação, perdendo de vista o enfrentamento direto e a disputa de projeto de sociedade. A classe trabalhadora está, gradualmente, abrindo mão da radicalidade necessária para confrontar o capital, e é preciso recuperar essa radicalidade.
Por fim, Plínio de Arruda Sampaio Jr. (Unicamp) apresentou uma leitura implacável do "capitalismo da barbárie", alertando para o colapso ambiental iminente. Para o docente, o desafio da classe trabalhadora é romper com a lógica de escolher o "menos pior" e buscar uma direção estratégica que vá, efetivamente, além do capital. Sem ilusões, ele reafirmou o horizonte comunista como o único norte capaz de frear a devastação em curso
Clique aqui para assistir ao debate do dia 08/05/25
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
A Adufmat-Ssind está com inscrições abertas para a segunda edição do evento “Territórios Amazônicos – Educação, Direitos e Resistência”, que será realizado entre os dias 18 e 21/05, em Sinop. A programação reunirá representantes da comunidade acadêmica, movimentos sociais, povos indígenas, agricultores familiares, comunidades tradicionais e demais interessados em debater os desafios enfrentados pelos territórios amazônicos e o papel da educação pública na transformação social.
O encontro propõe reflexões sobre temas centrais para a região amazônica, como reforma agrária, agroecologia, degradação ambiental, justiça social, sustentabilidade, resistência popular e garantia de direitos. Segundo a organização, o evento busca fortalecer espaços democráticos de troca de saberes e construção coletiva diante do avanço das desigualdades sociais, territoriais e socioambientais.
A programação será realizada presencialmente na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop, e contará com mesas de debate, atividades culturais, rodas de conversa e participação de diversos segmentos sociais ligados às lutas em defesa dos territórios amazônicos.
O “Territórios Amazônicos II” pretende consolidar um espaço popular de diálogo entre universidade e sociedade, articulando educação pública, direitos humanos e resistência social em defesa da Amazônia e de seus povos.
As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pela plataforma oficial do evento. Haverá certificação para os participantes.
Faça aqui sua inscrição – Territórios Amazônicos II
Também haverá caravana saindo de Cuiabá no dia 18 de maio.
Interessados devem realizar a inscrição até 15/05 (Sexta-feira) às 13h.
Para fazer sua inscrição na caravana clique aqui.
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Entre os dias 11 e 14 de maio, o Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Públicos Federais (Fonasefe) articula em Brasília (DF) uma força-tarefa para pressionar os parlamentares. O objetivo é propor a inclusão de emendas e aprovar o Projeto de Lei 1.893/2026, enviado pelo Poder Executivo ao Congresso, que regulamenta o direito à negociação coletiva no serviço público.
Há mais de uma década, o ANDES-SN e as demais entidades que compõem o Fonasefe reivindicam uma lei que garanta a aplicação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O Estado Brasileiro validou este Tratado internacional em 2010, e, apesar de ter entrado em vigor em 2011, ainda não existe uma lei específica no Brasil para assegurar sua aplicação.
A Convenção 151 garante a servidoras e servidores públicos — sejam municipais, estaduais ou federais — o direito à liberdade sindical, com garantias básicas de proteção contra atos de discriminação e perseguição que possam prejudicar sua atividade sindical.
Para o Fonasefe, o PL 1.893/2026 é uma resposta à demanda histórica do funcionalismo público. O Fórum busca agora ampliar a mobilização para garantir que pontos cruciais sejam incorporados ao projeto, como o direito de greve regulamentado, e também que avanços já presentes no texto não sejam retirados pelos deputados e pelas deputadas.
Apesar dos limites, o Fonasefe considera o PL 1.893/2026 um avanço e destaca que a luta é pelo projeto completo de implementação da Convenção 151 da OIT. “Agora é hora de pressão total no Congresso Nacional para que, finalmente, possamos ter os mesmos direitos de organização que os trabalhadores do setor privado já possuem”, afirma o Fórum, em nota.
Fonte: Fonasefe (com edição do ANDES-SN)












