Terça, 28 Julho 2026 10:26

 

 

Em reunião híbrida, realizada na última quinta-feira (23), na sede do ANDES-SN, em Brasília (DF), representantes das entidades que compõem a Coordenação Nacional das Entidades em Defesa da Educação Pública (Conedep) avançaram na organização da Plenária Nacional em Defesa da Educação Pública. Além do ANDES-SN, participaram do debate representantes da Fasubra, Sinasefe, Ubes e CSP-Conlutas.

Foto: Raquel Thayse/Imprensa ANDES-SN


De acordo com Jacob Paiva, 3º secretário do ANDES-SN e da coordenação do Grupo de Trabalho de Política Educacional (GTPE), a agenda constante de reuniões da Conedep tem sido fundamental. “Conseguimos manter as reuniões com certa frequência, o que vem permitindo amadurecer o debate, tanto da questão da Plenária Nacional ainda este ano, no segundo semestre, e o debate do 4º ENE [Encontro Nacional da Educação], para 2027”, afirmou.


O diretor explicou que o ANDES-SN apresentou uma contraproposta de programação mais enxuta em relação ao que havia sido sugerido inicialmente por outras entidades. “A Fasubra apresentou uma proposta extensa, de três dias, que já era quase um 4º ENE. Nós produzimos uma contraproposta de ser uma plenária de um dia e meio, na primeira semana de dezembro, numa perspectiva de reunir as lideranças nacionais e locais e fazer um momento de ampliação da articulação política”, destacou Paiva.


Com base na deliberação do 69º Conad do ANDES-SN, realizado no início de julho, o Sindicato Nacional apresentou uma proposta que indica a realização da Plenária Nacional nos dias 4 e 5 de dezembro de 2026, em Brasília. Conforme o diretor do ANDES-SN, o objetivo é reunir direções e bases de entidades sindicais, estudantis, movimentos sociais e entidades científicas para refletir criticamente sobre a política educacional brasileira da última década e fortalecer a articulação em defesa da educação pública.


Entre os temas propostos para as mesas e oficinas de grupos temáticos estão o balanço do Plano Nacional de Educação (PNE) 2026-2036, o enfrentamento às opressões, a militarização das escolas públicas, a precarização do trabalho docente e o financiamento da educação superior. “O PNE que foi aprovado e o Sistema Nacional que foi aprovado não contemplam as reivindicações históricas do setor que defende a educação pública brasileira, por conta das várias interfaces com interesses privatistas, mercantilistas e gerencialistas”, exemplificou.


De acordo com o 3º secretário do ANDES-SN, as representações das entidades irão levar as propostas para debate junto às diretorias e aos espaços deliberativos e trazer retorno na próxima reunião, prevista para 13 de agosto. Na ocasião, serão definidos por consenso a programação, a infraestrutura e a divisão do orçamento da Plenária.


Jacob reforçou que a orientação para as seções sindicais do ANDES-SN é focar na reconstrução dos fóruns e comitês estaduais em defesa da educação pública. “Precisamos chamar reuniões nos estados para reconstruir politicamente os fóruns, para que realizem plenárias preparatórias à Plenária Nacional”, concluiu.

 

 

Fonte: Andes-SN 

Terça, 28 Julho 2026 09:37

 

Circular nº 308/2026

Brasília, 27 de julho de 2026.

Às Seções Sindicais, às Secretarias Regionais e às(aos) Diretoras(es) do ANDES-SN.

Assunto: Convocação para Reunião Conjunta do GTCeT e do GTPAUA — dias 25 a 27 de setembro de 2026.

 

Companheiras(os),

 

A Diretoria do ANDES-SN convoca as Seções Sindicais para participarem da Reunião Conjunta do Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia (GTCeT) e do Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA), que será realizada entre os dias 25 e 27 de setembro de 2026, na Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), localizada na Rua José Francisco Raposo, nº 1.140, Guararema (SP).

Esta atividade inaugura uma importante experiência para o Sindicato Nacional. Pela primeira vez, uma reunião dos Grupos de Trabalho será realizada na Escola Nacional Florestan Fernandes, reafirmando o compromisso histórico do ANDES-SN com os processos de formação política da classe trabalhadora e fortalecendo o diálogo e a construção conjunta com os movimentos sociais do campo e da cidade.

Mais do que uma mudança de espaço físico, a realização desta atividade na ENFF representa uma opção política e pedagógica. Ao integrar o ambiente formativo construído pela Escola, a reunião proporcionará aos(às) participantes uma experiência baseada na convivência coletiva, na solidariedade, no trabalho compartilhado e na educação popular, dimensões que dialogam profundamente com os princípios defendidos pelo ANDES-SN em sua trajetória de luta pela educação pública, pela soberania nacional e popular, pela justiça socioambiental e pelos direitos da classe trabalhadora.

A programação, que será detalhada em próxima Circular, atende às deliberações aprovadas no 69º CONAD, que definiram a realização de reuniões conjuntas entre os GTs para aprofundar os debates sobre inteligência artificial, soberania científica e tecnológica, mineração, energia, bens comuns e justiça climática.

 

Ø  INFORMAÇÕES GERAIS

 

A reunião observará a dinâmica pedagógica da Escola, incorporando os horários das refeições, os momentos de acolhida, a visita guiada, a convivência, o trabalho coletivo, as atividades culturais e a mística, elementos constitutivos de seu projeto político-pedagógico.

As orientações referentes à hospedagem, à alimentação, ao transporte, às normas de funcionamento da Escola e às demais informações organizativas serão encaminhadas em circular específica.

A confirmação da participação de até duas representações por seção sindical deverá ser feita por meio do preenchimento do formulário disponível no link emviado para as seções, até o dia 10 de setembro de 2026 (quinta-feira).

As seções sindicais que quiserem socializar seus informes deverão enviá-los até às 18h do dia 22 de setembro de 2026 (terça-feira), exclusivamente por meio do formulário disponível no link também enviado para as seções, para serem publicados junto ao relatório da Reunião Conjunta.

Ademais, solicitamos especial atenção ao prazo, em razão da necessidade de confirmar o quantitativo de participantes junto à ENFF.

Sem mais para o momento, aproveitamos a oportunidade para renovar nossas cordiais saudações.

 

 

Prof. Francisco Jacob Paiva da Silva

3º Secretário

Segunda, 27 Julho 2026 10:33

 

 

 ****
 
Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****


Alair Silveira

Professora e Pesquisadora do SOCIP e do PPGPS
Pós-doutoranda Universidad de Buenos Aires (UBA)
Membro do Grupo de Pesquisa MERQO/CNPq e do GTPFS/ADUFMAT-ANDES/SN
Miembro del Grupo de Trabajo Derechas Contemporaneas/CLACSO



            Primeiramente, gostaria de registrar meu prazer em receber a crítica qualificada do colega e amigo Danilo de Souza, publicada sob n. 51/2026, no Espaço Aberto do dia 21/07/2026. Embora eu tenha sido tentada a estabelecer, imediatamente, o diálogo proposto pelo autor, fui impedida por razões do trabalho cotidiano de ordem burocrática e acadêmica. Assim, aproveito este domingo ensolarado (que deveria ser de merecido descanso) para fazê-lo. Em segundo lugar, registro minha integral concordância com relação ao reconhecimento do importante papel que o Espaço Aberto desempenha “na Universidade ao possibilitar a manifestação de diferentes posições sobre os mais variados temas da vida acadêmica”.
            Se concordamos que o adoecimento docente é um grave problema que assola a categoria, e que este se deve às “contradições inerentes à realidade da educação” (dentre os quais a “burocratização da atividade acadêmica” e a sujeição à “racionalidade instrumental” e à “lógica de produtividade”), tenho muitas dificuldades para acompanhar as conclusões extraídas a partir daí, posto que elas reforçam a centralidade da minha crítica e não o contrário.
            Conforme depreendi da leitura atenta do artigo, dois eixos o sustentam: (a) as particularidades de cada área de conhecimento e (b) o reconhecimento da eficácia da métrica avaliativa estabelecida. Eventuais ressalvas são absorvidas pela reafirmação da lógica que organiza os Editais. Consequentemente, Souza rejeita a assertiva de que se trata de processos seletivos pautados pela irrazoabilidade da lógica gerencial-produtivista como métrica de produção acadêmica. Desta maneira, em que pese muitos exercícios de reflexão propostos, as próprias evidências apresentadas pelo autor, ou se projetaram como evidências contraditórias ou foram construídas sobre pressupostos equivocados quanto ao afirmado no artigo n. 49/2026, no Espaço Aberto. 
           Com relação às especificidades de cada área de conhecimento, temos plena e integral concordância. E, no caso das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, nossa produção científica tem como objeto não somente o estudo de fenômenos sociais e políticos, mas, consequentemente, uma perspectiva crítica quanto aos seus impactos sociais, políticos, econômicos e culturais. Neste sentido, a área também considera as relações econômicas e de mercado que atravessam o conjunto da vida societária capitalista, em suas múltiplas faces. E, por isto somos – concreta e recorrentemente – desprestigiados e/ou atacados pelo establishment. Afinal, questionar a ordem da vida material, desvelar os interesses que organizam as relações de poder político e econômico, problematizar a funcionalidade das instituições e das regras estabelecidas etc. não são convenientes para aqueles que se beneficiam desta organização societária.
           Neste sentido, não foi em desprestígio às demais áreas de conhecimento que o artigo n. 49/2026 foi escrito, mas, justamente o contrário. Foi em reconhecimento à diferença que constitui as distintas áreas que a isonomia no processo seletivo foi reclamada. Se as áreas são distintas, como é possível utilizar a mesma métrica estabelecida pelas áreas tecnológicas, exatas e engenharias? Não necessitamos de um exercício de abstração elaborado para evidenciar que o processo seletivo parte de realidades distintas como se iguais fossem! Consequentemente, não há isonomia alguma em uma grade de pontuação média que está organizada a partir da estrutura de algumas áreas específicas em detrimento de outras
           Porém, mesmo reconhecendo as especificidades de diferentes campos, pergunto: Qual a razoabilidade – do ponto de vista intelectual e acadêmico – de algum pesquisador publicar “mais de duas centenas de artigos em um ano”? Isto significa que este pesquisador produz (em média) um artigo em menos de dois dias. Como é isto possível? Ou seja, isto me permite ratificar minhas críticas e não o contrário. Aliás, independente da área de conhecimento, trata-se de uma esteira de produção fordista/taylorista.
           Neste aspecto, ainda sobre a lógica meritocrática produtivista, cabe refletir sobre alguns dos exercícios propostos pelo autor. Conforme informou, se os mesmos critérios de pontuação atribuídos à Ciências Humanas e Sociais Aplicadas fossem estendidos às Engenharia, “somente no primeiro dos quatro itens do Bloco”, ele teria obtido “aproximadamente 48 pontos”. Considerando que cada evento conta 3 pontos e o período selecionado corresponde a quatro anos, o professor realizou 16 eventos. Como resultado, tem-se que, em média, o pesquisador organizou dois eventos técnico-científicos por semestre. Trata-se de uma média bastante respeitável, principalmente levando-se em conta a quantidade de dificuldades que encontramos para realização de eventos técnico-científicos compatíveis com as exigências que lhes são inerentes, como calendário, recursos e público alvo.
           O segundo exercício diz respeito à bolsa ‘produtividade do CNPq’ que, como sublinha Souza, “decorre de um processo prévio de avaliação realizado pela própria comunidade científica de cada área”. Em total acordo com a lógica denunciada no artigo n. 49/2026, o pesquisador não somente a justifica, mas a naturaliza, recusando-se a analisar o que fora denunciado. Consequentemente, devolve para a pesquisadora a responsabilidade pessoal para angariar os ‘benefícios’ do reconhecimento sob a métrica gerencial-produtivista. Assim, em pleno acordo com a lógica meritocrática liberal, há que se dedicar mais, sujeitar-se mais, enquadrar-se mais...para alcançar a ’justa’ correspondência entre esforço/dedicação e reconhecimento (leia-se: pontuação) acadêmico. Porém, como ressalva Souza: “nenhum sistema de avaliação é isento de limitações ou críticas, e seu aperfeiçoamento deve ser contínuo”. Sim, é verdade. O problema é a partir de qual concepção de avaliação e razoabilidade partimos. E, registre-se: a adesão à lógica gerencial-produtivista não é prerrogativa exclusiva das Exatas, das Engenharias etc., pois há muitos colegas das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas que não apenas aderiram ao produtivismo acadêmico, mas o defendem, o estimulam e o reproduzem.
           Nesta mesma toada, o terceiro exercício refere-se à criação de uma “rubrica denominada “Prêmio Nobel” e atribuir-lhe 10.000 pontos”. Esta proposição abstrata foi um pouco mais difícil de compreender frente ao objeto em discussão: a falta de razoabilidade no produtivismo acadêmico que orienta os processos seletivos de Iniciação Científica. Primeiramente porque não compreendo que o que está em avaliação é a excelência individual dos docentes-pesquisadores, mas as oportunidades que devem ser asseguradas aos estudantes que manifestam desejo de realizar pesquisa científica, sob a orientação de algum docente da sua área de interesse. Neste sentido, pareceu-me descabida tal proposição. Se a questão é de excelência individual, os espaços de concorrência não deveriam ser aqueles que devem ter por propósito proporcionar a qualificação de estudantes-pesquisadores.
           Avançando para finalização deste artigo, reafirmo que a centralidade do artigo anterior (assim como deste) é o direito à Iniciação Científica de estudantes de todas as áreas de conhecimento e, como elas são distintas, não há possibilidade de garantir isonomia abstraindo suas diferenças e, tampouco, submetendo-se à irrazoabilidade do produtivismo acadêmico que, de forma nefasta, transforma docentes e pesquisadores em lutadores pela sobrevivência acadêmica, cada vez mais competitivos, hiperespecializados e, também, adoecidos.
           Não por acaso, assim como recebi esta crítica qualificada do prof. Danilo de Souza, também recebi muitas outras manifestações de apoio e endosso à denúncia feita, não somente de colegas e estudantes da UFMT, mas, inclusive, de outras universidades brasileiras. Então, este não é um problema pessoal. E é exatamente sobre esta compreensão que deveria ser enfrentado. Portanto, não se trata de apelar para que colegas “não se deixem desmotivar por generalizações que, ainda que formuladas com legítima preocupação, podem transmitir à comunidade universitária a impressão de que produzir ciência de elevada qualidade equivale a submeter-se a uma lógica de ‘vassalagem acadêmica’”. Retomemos, portanto, a pergunta: qual a razoabilidade de presumir que é possível produzir ‘ciência de elevada qualidade’ em menos de dois dias? É este o papel central da universidade pública? Resignar-se aos cortes orçamentários, absorvendo a lógica da esteira de produção compatível com “as prioridades definidas” pelo mercado?
           Sim, concordo plenamente com a afirmação: “Não dispomos de orçamento infinito e, por essa razão, toda política de fomento exige escolhas sobre onde investir recursos humanos, bolsas e financiamento”, porém, a partir da perspectiva do interesse público, não do mercado. E isto subverte toda a lógica que justifica o produtivismo acadêmico e os processos seletivos que o beneficia.
           Em tempo: as críticas feitas por mim não se dirigem à equipe e à pró-reitoria da PROPESQ, mas a aderência à lógica produtivista que orienta os processos seletivos. É disto que se trata e que precisa ser enfrentado.

 

Sexta, 24 Julho 2026 10:25

 

A Adufmat-Ssind informa que, em razão de complicações no abastecimento de água, não haverá expediente na tarde desta sexta-feira, 24/07.

As atividades administrativas serão retomadas normalmente na próxima segunda-feira, 27/07, em seu horário habitual de funcionamento - das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.

Agradecemos a compreensão de todas e todos.

Quinta, 23 Julho 2026 10:25

 

O ANDES-SN, por meio de suas Secretarias Regionais e Seções Sindicais, foi convidado a participar do 11º Seminário Nacional e 2º Seminário Internacional da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde. Os eventos ocorrerão entre os dias 12 e 15 de agosto, em Maceió (AL), com o tema central "A privatização da saúde e as ameaças ao sistema público e estatal: resistência à mercantilização da vida na América Latina e Caribe".

Os seminários pretendem reunir docentes, pesquisadores, pesquisadoras, estudantes, movimentos sociais e organizações da sociedade civil para debater os desafios da saúde pública na região. Segundo a organização, o evento constitui um espaço de deliberação, formação política e fortalecimento, reafirmando a necessidade de resgatar o projeto original da Reforma Sanitária Brasileira. O objetivo é articular estratégias de resistência para o fortalecimento das lutas em defesa da saúde pública e de um Sistema Único de Saúde público, 100% estatal, universal e de qualidade. 

Fernanda Mendonça, 1ª vice-presidenta da Regional Sul e da coordenação do Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria do ANDES-SN (GTSSA), destaca que a saúde pública enfrenta ameaças permanentes, que se expressam no financiamento público insuficiente e instável, na privatização e mercantilização da saúde, na precarização da força de trabalho e em desigualdades territoriais. Para a docente, a própria existência de um sistema público e universal, como o SUS, é um projeto contra-hegemônico em tempos de avanço neoliberal. 

A diretora do Sindicato Nacional também alerta para um fenômeno recente de enfraquecimento do planejamento sanitário: a captura do orçamento da saúde pelo Poder Legislativo. "Soma-se a esse conjunto de problemas a crescente captura de parcelas significativas do orçamento da saúde pelo Poder Legislativo, por meio das emendas parlamentares, muitas vezes orientadas por interesses locais e imediatos", afirma. Para ela, isso evidencia um processo contínuo de boicote ao SUS, que, apesar de tudo, segue como uma das maiores conquistas sociais do país.

De acordo com a coordenadora do GTSSA, a participação do ANDES-SN nos seminários reforça uma pauta histórica do Sindicato Nacional na defesa da saúde como um direito e não como mercadoria. Fernanda Mendonça ressalta que a defesa do SUS e da Educação Pública são faces da mesma moeda. "A defesa do SUS e da Educação Pública constituem dimensões de uma mesma luta, ou seja, em favor dos direitos sociais e do fortalecimento do Estado como garantidor de políticas públicas universais", pontua.

A diretora enfatiza que o movimento docente traz uma trajetória de produção crítica essencial para qualificar o debate sobre financiamento público e os impactos da austeridade. “Sua participação [do movimento docente] qualifica o debate político, fortalece a articulação entre diferentes categorias de trabalhadores e amplia a capacidade de incidência da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde. O Seminário também representa um espaço privilegiado para construir agendas comuns entre sindicatos, movimentos sociais, entidades científicas, conselhos profissionais e organizações populares”, afirma. 

O ANDES-SN reforça a importância da ampla divulgação do evento junto à base e incentiva a participação ativa das seções sindicais na construção coletiva de propostas em defesa de um SUS público, estatal e de qualidade. “Diante do avanço da privatização da saúde, da captura crescente do orçamento público por interesses privados e da precarização das condições de trabalho, torna-se fundamental fortalecer alianças capazes de defender o SUS como política pública universal, pública, estatal, integral e socialmente referenciada”, conclui Fernanda Mendonça.

Inscrições podem ser feitas aqui.

Mais informações no perfil da Frente no Instagram. Clique aqui.

Fonte: Andes-SN

Quarta, 22 Julho 2026 15:36

 

Entre os dias 10 e 13 de agosto, diversas entidades representativas das servidoras e dos servidores públicos federais realizarão uma jornada de luta, em Brasília (DF). A mobilização, organizada pelo Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), tem o objetivo de pressionar o Congresso Nacional a aprovar, entre outras propostas, o projeto de lei que regulamenta a negociação coletiva no setor público (PL 1893/26).

O ANDES-SN convocou a categoria docente a participar das atividades, através da circular 297/2026, divulgada na segunda-feira (20). Conforme o documento, além da regulamentação do amplo e irrestrito direito de greve e da Convenção 151 da OIT, a mobilização cobrará a recomposição orçamentária das Instituições Federais de Ensino; a correção das perdas salariais, com destinação de recursos orçamentários para a campanha salarial 2027; o reenquadramento e reposicionamento de aposentadas(os), a criação do auxílio nutrição e a cessação do pagamento de previdência por aposentadas e aposentados; e o fim da escala 6x1.


O Sindicato Nacional solicita às seções sindicais que empenhem esforços para enviar representantes para participar das atividades na capital federal, por meio de recursos próprios, considerando a chegada na sede do ANDES-SN na segunda-feira (10), às 8 horas, e a partida, depois das 16 horas da quinta-feira (13). As seções sindicais devem informar os dados dos e das representantes até o dia 06 de agosto, por meio do preenchimento do formulário online enviado às secretarias.

Entre as atividades previstas pela Jornada está uma Audiência Pública, no dia 11 de agosto, às 16h, intitulada “Por que não temos negociação coletiva para os servidores públicos no Brasil?”. De acordo com o Fonasefe, são mais de 20 anos, desde a Convenção da OIT, que o setor público vive um vácuo jurídico, dependendo da boa vontade política dos governos para ser ouvido em mesas de discussão sobre salários e condições de trabalho.

Confira a programação da Jornada de Luta:

10 de agosto
9h – Concentração no Anexo II, Câmara dos Deputados

11 de agosto
9h – Concentração no Anexo II, Câmara dos Deputados

16h – Audiência Pública “Por que não temos negociação coletiva para os servidores públicos no Brasil?”
(Local a definir)

12 de agosto
9h – Concentração no Anexo II, Câmara dos Deputados

8h às 13h – 20° Encontro de Aposentados/as e Pensionistas do MOSAP - Auditório Nereu Ramos, Câmara dos Deputados

13 de agosto
9h – Concentração no Anexo II, Câmara dos Deputados

 

Fonte: Andes-SN 

Quarta, 22 Julho 2026 15:20

 

PDL 171/2026, de autoria da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) tramita em regime de urgência na Câmara


Em meio à tramitação do Projeto de Decreto Legislativo 171/2026 que pretende suspender os efeitos da ampliação da Estação Ecológica Taiamã, em Cáceres (MT), decretada pela Presidência da República em março deste ano, uma nota técnica reforça evidências científicas, dados oficiais e análises técnicas sobre a viabilidade da proposta. O documento é assinado por um grupo de professores e pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).

A publicação "Ampliação da Estação Ecológica de Taiamã e Hidrovia Paraguai-Paraná: subsídios técnicos, econômicos e socioambientais para o debate público em Cáceres-MT", está organizada em 14 pontos. Entre os temas analisados estão a base legal da ampliação da unidade de conservação; as justificativas científicas para a inclusão de novas áreas; a importância da diversidade de macrohabitats para a conservação dos peixes; dados do MapBiomas que evidenciam o processo de redução das áreas alagadas do Pantanal; a estimativa do estoque de carbono protegido; o impacto positivo na arrecadação municipal por meio do ICMS Ecológico; além de um comparativo entre os benefícios da conservação ambiental e da pecuária extensiva.

A ampliação da Estação Ecológica de Taiamã é uma decisão construída sobre evidências técnicas, processo participativo e demanda histórica de pesquisadores e comunidades. Seus benefícios são verificáveis e de ampla distribuição: proteção dos berçários de peixes essenciais para a pesca de Cáceres, manutenção do pulso de inundação pantaneiro, conservação de um estoque de carbono de 11 milhões de toneladas de CO₂eq, cujo valor climático é global e cuja destruição seria irreversível, além de incremento direto de R$ 1,5 a 4 milhões anuais no ICMS Ecológico da Prefeitura, e base para o ecoturismo regional”, conclui a nota técnica.

Dos biomas brasileiros, o Pantanal é o que possui a menor área protegida, com cerca de 5%. Nos últimos anos, o território vem sofrendo com secas cada vez mais graves, incêndios, além do avanço do agronegócio e outras atividades econômicas exploratórias. Por esta razão, o anúncio da ampliação de 104 mil hectares este ano foi motivo de esperança para quem vive, estuda, respira e defende o Pantanal. A ampliação é fruto de anos de estudo e foi apresentada pelo ICMBio, entidade referência em Unidades de Conservação do país.

Ao reunir informações científicas, jurídicas, econômicas e socioambientais em um único documento, a nota técnica da equipe da UNEMAT é um reforço nas mobilizações locais e nacionais contrárias ao PDL 171/2026. De autoria da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), o projeto teve o regime de urgência aprovado no plenário da Câmara e corre o risco de ser votado antes do recesso parlamentar.  A pressão da sociedade civil é para que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), interrompa a tramitação da pauta. Além de tentar derrubar a ampliação da Estação Taiamã, a deputada mato-grossense, que não possui histórico de propostas em defesa do meio ambiente, também quer vetar o aumento de áreas protegidas no Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, com o PDL 170/26.

A mobilização conta com a participação pública e pode ser feita das seguintes formas:

  • Reenvio de cartas institucionais para a presidência da Câmara (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) e também O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. (com assinatura digital)
  • Marcação do perfil @hugomottapb nas redes sociais: "não paute o PDL 171/2026. Não toque na ESEC Taiamã".
  • Entre no site da Câmara e vote contra o projeto: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2612908
 
Confira a Nota Técnica no Arquivo Anexo abaixo. 
 
 
Fonte: Formad/MT
Terça, 21 Julho 2026 16:58

 

 

O reencontro e o espírito de coletividade que marcaram o 3º Arraiá da Resistência, realizado na última sexta-feira, 17/07, no Largo Pedro Casaldáliga da Adufmat-Ssind já podem ser revividos por meio da galeria de imagens do evento, já disponível no portal do sindicato.

A confraternização reuniu docentes, familiares e amigos na famosa Oca, em uma noite de música ao vivo, comidas típicas, muita dança e integração. Além de celebrar as tradições populares, o Arraiá da Resistência reafirmou a importância dos espaços de convivência para fortalecer os laços entre a categoria e valorizar a organização coletiva.

Os registros, feitos pela trabalhadora do sindicato, Catarina Lana, mostram diversos momentos da festa, desde a recepção dos participantes até as apresentações musicais, a quadrilha junina. karaokê e tudo que ocorreu neste momento de celebração, que marcou também o final do semestre letivo na UFMT.

A Adufmat-Ssind agradece a presença de todas e todos que prestigiaram mais esta edição do Arraiá da Resistência e já adianta: em agosto também tem motivo para celebrar.

Confira aqui a GALERIA DE IMAGENS e relembre os melhores momentos da festa!

Terça, 21 Julho 2026 14:42

 

 

Como parte das celebrações dos 45 anos do ANDES-SN, uma série mensal de reportagens resgata a trajetória da categoria e do movimento sindical docente. Neste mês, que marca o Julho das Pretas no Brasil, destacamos a atuação do Sindicato Nacional na pauta antirracista e a participação de docentes negras e negros dentro da entidade. 

 

Ancestralidade e a resistência como ferramentas de luta. Fotos: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN​​​​​

 

A história do ANDES-SN, fundado em 19 de fevereiro de 1981, é indissociável da luta pela democratização da universidade e da sociedade brasileira. Ao longo dessas quatro décadas e meia, o sindicato transitou da invisibilidade para a consolidação de uma pauta antirracista estruturante, que incorpora o combate às opressões como parte da defesa da educação pública de qualidade e socialmente referenciada.

Para a professora Jacyara Paiva, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a militância sindical e a antirracista são indissociáveis. “Minha trajetória no movimento docente não começou quando ingressei na universidade. Ela começou muito antes, nos movimentos populares, na defesa dos direitos de crianças e adolescentes em situação de rua, no movimento negro e na compreensão de que educação, justiça social e racial caminham juntas”, afirma.


Trajetória da luta antirracista no Sindicato Nacional


A organização interna da pauta racial no ANDES-SN avançou, especialmente, a partir dos anos 2000, com a institucionalização do combate às opressões no plano de lutas do Sindicato. Um marco foi a criação do Grupo de Trabalho Etnia, Gênero e Classe (GTEGC), em 2007, que depois foi expandido para o atual GT de Política de Classe para as Questões Étnico-Raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS). Com o GT, o debate sobre como o racismo estrutura as relações de trabalho e o acesso ao ensino superior passou a ser pautado nos espaços deliberativos da entidade. 

Em 2010, no 29º Congresso do ANDES-SN, a categoria docente manifestou posicionamento favorável às cotas como “política transitória para universalização do acesso à educação superior”. Já em 2016, em Cuiabá (MT), durante o 35º Congresso, o sindicato aprovou importantes resoluções relacionadas à questão étnico-racial, que buscavam intensificar a luta contra o racismo, a defesa e a ampliação das ações afirmativas, assim como continuar no engajamento da denúncia do genocídio da juventude negra.

Ainda no mesmo Congresso, importante resolução encaminhou que a Comissão da Verdade do ANDES-SN deveria engajar-se na luta, no registro e na denúncia dos genocídios enfrentados pela população negra, indígena, quilombola, cigana, camponesa, dos sem-teto e dos moradores das periferias. Desde então, o ANDES-SN tem avançado na inclusão, em seu plano de lutas, de ações que combatam o racismo e promovam uma educação e atuação antirracista.

Jacyara Paiva destaca que essa evolução resultou em mudanças na própria composição da diretoria. “Hoje, o ANDES SN tem pela primeira vez um presidente negro à frente da diretoria nacional. Isto não é um dado simbólico, mas é resultado de uma longa caminhada construída por muitas mãos e mentes”, afirma.


Coletivo de Docentes Negras e Negros


A organização de docentes negros e negras no ANDES-SN não foi um processo imediato, mas fruto de uma "reintegração de posse" política e subjetiva, como descrito no artigo “Quilombagem: a organização de docentes negras e negros no ANDES-SN”, publicado na revista Universidade e Sociedade número 78. Conforme o texto, durante décadas, o chamado "Pacto Narcísico da Branquitude" operou sob o manto de uma "unidade de classe" que, na prática, tornava invisíveis as especificidades da população negra na docência.

Em 2018, durante o 37º Congresso do ANDES-SN em Salvador (BA), ocorreu a primeira reunião do Coletivo de Docentes Negras e Negros. O grupo, conforme Jacyara, surgiu por iniciativa das professoras Dalva dos Santos, Rosineide Freitas e Cláudia Durans, motivadas pela baixa representatividade negra nas instâncias deliberativas da entidade. Naquele congresso, dos 500 participantes, menos de 30 eram docentes negros ou negras.

“[o coletivo] Nasceu das ausências, dos silenciamentos e da percepção de que muitas vezes as questões raciais apareciam como temas periféricos, quando, na verdade, estruturam profundamente a sociedade brasileira”, recorda a professora da Ufes. 

Desde então, o coletivo — carinhosamente chamado de Quilombo — cresceu significativamente e hoje conta com cerca de 300 integrantes. “O que nos une é a luta antirracista. Somos um coletivo auto-organizado, horizontalizado, sem presidentes, coordenadores ou hierarquias internas. (...) Talvez seja justamente essa horizontalidade que faça tantas pessoas dizerem que, quando chegam ao Quilombo sentem que encontraram um lugar de pertencimento”, explica a docente.


Combatendo o Epistemicídio


Um dos grandes embates travados pelo movimento negro é contra o epistemicídio — a deslegitimação e o apagamento de formas de conhecimento produzidas por pessoas negras. Historicamente, a intelectual negra e o intelectual negro foram tratados como "objetos de estudo" e não como sujeitos produtores de teoria.

“O epistemicídio não elimina apenas pessoas; ele elimina formas de produzir conhecimento. Durante séculos, intelectuais negros foram invisibilizados, suas contribuições deslegitimadas e suas experiências tratadas como objeto de estudo, nunca como produção de teoria. Não podemos negar que o pacto da branquitude ainda está em nossas seções sindicais, em nosso sindicato, mas hoje estamos aqui com nossos corpos, nossas existências questionando e denunciando este pacto”, conta Jacyara.

Para ela, o coletivo Quilombo não serve apenas para denunciar o racismo, mas também para "produzir conhecimento, formular políticas, escrever documentos (...) e demonstrar que o pensamento negro sempre fez parte da construção da universidade brasileira".

A docente ressalta que esse combate é urgente diante do cenário de branqueamento da docência. Dados indicam que, em muitos espaços universitários, a representação de mulheres negras é quase inexistente. 

Jacyara alerta para o impacto simbólico dessa ausência. “Quando uma jovem negra (...) atravessa toda sua formação sem encontrar uma professora negra, a mensagem transmitida é silenciosa, mas poderosa: aquele lugar talvez não tenha sido pensado para ela”, reflete. Segundo a professora, o sindicato, portanto, assume o papel estratégico de defender ações afirmativas, acompanhar concursos e combater o racismo institucional que adoece e exclui.

 


Perseguição institucional


A luta antirracista tem gerado retaliações, especialmente contra docentes negras e negros em posições de liderança. Casos de perseguição política e processos administrativos infundados atingiram docentes como Ilzver Matos, impedido de tomar posse na Universidade Federal de Sergipe (UFS); Iguatemi Rangel, que sofreu mudanças casuísticas em editais na Ufes; além de Lorena Pinheiro, Dayse Moura e Leonardo Peixoto, entre outras e outros, como denuncia o artigo da revista Universidade e Sociedade.

O caso da própria Jacyara Paiva, que enfrentou uma tentativa de exoneração na Ufes após sua atuação na defesa de cotas, tornou-se símbolo de resistência. A mobilização “Jacy fica!” demonstrou a importância da resposta sindical. “O racismo institucional produz uma violência muito particular: ele tenta transformar quem denuncia um problema, em algoz, em culpado”, revela. 

Para a professora da Ufes, a resposta do sindicato deve ser sempre coletiva, pois "o racismo se alimenta do silêncio". Jacyara aponta a criação de protocolos específicos de enfrentamento ao racismo e a oferta de assistência jurídica especializada como avanços que o ANDES-SN tem buscado consolidar.


“Sou Docente Antirracista”


O combate ao racismo nos marcos do Sindicato Nacional foi reforçado também com a campanha permanente “Sou docente Antirracista”, lançada em julho de 2024. Para Jacyara, a campanha representa uma mudança de paradigma e afirma algo que o movimento negro diz há décadas: “combater o racismo não é responsabilidade exclusiva das pessoas negras.”

A professora lembra que esta campanha nasceu a partir da luta do Coletivo de Negras e Negros e se tornou um marco na construção de uma cultura sindical verdadeiramente antirracista. “Hoje, o ANDES-SN é referência nacional de sindicato que se abre a esta luta”, afirma

Jacyara destaca que a campanha marca uma mudança de postura ao convocar docentes brancos para a responsabilidade ética do combate ao racismo. Para Jacyara, quando um docente se reconhece antirracista, “passa a questionar currículos, práticas institucionais, presença negra nos espaços de poder, concursos, relações de trabalho e formas de produção do conhecimento”.

 


Os próximos 45 anos


Entre as lutas para o próximo período no ANDES-SN está a mobilização contra a Instrução Normativa (IN) que prevê o sorteio de vagas para cotas em concursos públicos, medida considerada um retrocesso pelo Sindicato Nacional. Jacyara reforça que o movimento docente deve seguir em luta para garantir condições de permanência e desenvolvimento para docentes e estudantes negras e negros. “Defender ações afirmativas, defender a luta antirracista é defender uma universidade verdadeiramente pública, democrática e socialmente referenciada”, aponta.

Ao olhar para o futuro, Jacyara lembra que o movimento negro no ANDES-SN reafirma que a luta também se faz pela memória, pela cultura e pela celebração da vida. Conforme a docente, os atos nos congressos, repletos de tambores, danças e poesias, são formas de levar para o sindicato tradições de resistência que humanizam a política.

“O Coletivo Quilombo segue sempre em construção, com a chegada de mais docentes negras e negros às universidades públicas, fruto das políticas afirmativas e da luta histórica do movimento negro, nosso quilombo também cresce e ele cresce dentro de uma perspectiva contra colonial de práxis sindical, isto é absurdamente revolucionário”, afirma.

Para as novas gerações de docentes negras e negros que ingressam na carreira, o recado de Jacyara Paiva é de acolhimento e firmeza. “Cada docente negra e cada docente negro que hoje ocupa uma sala de aula (...) carrega consigo a luta de muitas gerações que sonharam com esse momento”, lembra. 

Ela convoca todos e todas ao aquilombamento. “Não tentem lutar sozinhos, é preciso se organizar (...) O racismo tenta nos isolar porque sabe que a coletividade é a nossa maior força”, afirma.

A professora da Ufes ressalta que os próximos 45 anos do ANDES-SN dependerão da capacidade de compreender que democracia, universidade pública e justiça racial são projetos inseparáveis, que não competem um com o outro, que não dividem o sindicato, ao contrário, fortalece cada vez mais. 

“Quando uma pessoa negra ocupa um espaço e transforma esse espaço para que outras também possam chegar, ela não está apenas construindo uma carreira. Está ampliando os horizontes da democracia brasileira. “Aquilombar é o caminho, o amanhã será nossa insubmissão”, conclui.

 

Fonte: Andes-SN 

Terça, 21 Julho 2026 14:36

 

 

****

Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****



Por Danilo de Souza*

 

 

 

 

 

Li com atenção o texto "Pesquisa Científica versus Esteira de Produção: vassalagem acadêmica ao gerencialismo empresarial?", publicado no Espaço Aberto da ADUFMAT. Antes de qualquer consideração, considero importante registrar que o Espaço Aberto desempenha um papel relevante na universidade ao possibilitar a manifestação de diferentes posições sobre os mais variados temas da vida acadêmica. Embora a intensa rotina universitária muitas vezes não permita acompanhar todos os textos ali publicados, este chamou minha atenção tanto pelo tema quanto, por sua autoria.

A autora do texto supracitado é uma pesquisadora cuja trajetória acompanho há muitos anos. Frequentemente leio seus textos e relatos de participação em eventos e tenho por ela profundo respeito e admiração profissional. Justamente por isso, escrevo estas reflexões com o máximo respeito, entendendo que a universidade se fortalece no debate das ideias, com rigor técnico e fundamentação crítica, como caminho para a superação das contradições e para a construção de um conhecimento emancipador.

De um lado, compartilho algumas das preocupações apresentadas no texto. O adoecimento docente constitui uma expressão concreta da alienação e da exploração do trabalho intelectual, evidenciando as contradições inerentes à realidade da educação. A crescente burocratização da atividade acadêmica expressa a submissão do trabalho intelectual às exigências da racionalidade instrumental e da lógica de produtividade impostas neste momento. Os sistemas nacionais de avaliação da pesquisa influenciam o comportamento institucional das universidades. Por isso, faz-se necessária uma discussão contínua e fundamentada sobre seus efeitos, desvelando as contradições da forma avaliativa vigente e de sua função social.

De outro lado, discordo das ideias apresentadas nas conclusões quando essas críticas são direcionadas ao Edital nº 03/2026 da PROPESQ e, principalmente, quando determinadas comparações quantitativas são utilizadas para demonstrar uma suposta ausência de razoabilidade nos critérios de avaliação.

Tal divergência se deve ao fato de ter acompanhado os editais da PROPESQ nos últimos anos e, inclusive, ter participado do processo como orientador candidato. Conheço a forma como são conduzidas as avaliações, os critérios adotados, a participação de pareceristas convidados e a transparência do processo. Como qualquer edital público, certamente pode e deve ser aperfeiçoado. Nenhum sistema de avaliação é perfeito. Contudo, daí concluir que se trata de um processo desprovido de razoabilidade ou comprometido com uma lógica puramente produtivista parece-me uma inferência que não encontra sustentação na realidade material.

Um dos exemplos apresentados no texto merece atenção especial. A autora questiona, por que, em determinadas áreas do conhecimento, uma patente licenciada recebe pontuação significativamente superior à da organização de eventos científicos, à da produção de material didático ou à de outras atividades acadêmicas. A comparação, à primeira vista, pode parecer intuitivamente convincente. Entretanto, é desconsiderado um aspecto fundamental: o trabalho de obtenção de cada um desses resultados, que não pode ser compreendido de forma abstrata, mas deve ser analisado à luz das condições materiais e históricas que estruturam a produção do conhecimento em cada campo.

Quem atua nas áreas das ciências exatas e das engenharias sabe que uma patente licenciada é um dos resultados mais raros e complexos da formalização do conhecimento produzido. Entre o desenvolvimento da pesquisa, o depósito do pedido de patente, a análise e concessão da proteção intelectual e, finalmente, sua efetiva licença para exploração econômica, transcorrem muitos anos de trabalho. Apenas entre o início da pesquisa e a concessão da patente, são comuns prazos médios de sete a doze anos, podendo esse período ser significativamente maior em função da complexidade tecnológica, das etapas de exame e do processo de transferência da tecnologia para a aplicação.

Sou professor da área das engenharias. Toda a minha formação foi construída nesse campo do conhecimento: curso técnico, graduação, especializações, mestrado e doutorado. Apesar disso, não possuo nenhuma patente licenciada e, sendo absolutamente realista, muito provavelmente eu, assim como a maioria absoluta dos meus colegas, dificilmente terei uma patente licenciada ao longo de toda a minha carreira como pesquisador.

A própria Universidade Federal de Mato Grosso possui um Escritório de Inovação Tecnológica que realiza um trabalho altamente qualificado no apoio à propriedade intelectual e à transferência de tecnologia. Ainda assim, ao longo de sua história, o número de patentes efetivamente licenciadas permanece reduzido. Não por deficiência institucional, mas porque conduzir uma pesquisa que avance rumo a uma patente não é um processo rápido nem trivial.

Comparar diretamente essas duas atividades apenas pelo valor numérico atribuído no edital equivale a desconsiderar completamente a probabilidade real de ocorrência de cada uma e o tempo dedicado pelo trabalhador a essa tarefa.

Eu próprio ilustro bem essa situação. Sendo pesquisador na área e tendo toda a minha produção científica nas engenharias, não obtenho pontuação no Bloco 1 do referido Edital - específico de Engenharias. Isso não decorre da ausência de produção científica, pois estamos obtendo bolsas de IC para os orientandos, mas sim do fato de que os itens previstos nesse bloco correspondem a resultados extremamente específicos e de difícil obtenção.

Por outro lado, se eu fosse avaliado pelos critérios do Bloco 1 das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, alcançaria aproximadamente 48 pontos somente no primeiro dos quatro itens do bloco – “Organização de eventos técnico-científicos”, no período considerado pelo edital. Desta forma, seria muito vantajoso para um pesquisador das engenharias ser avaliado pelo Bloco 1 das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.

Nesse contexto, também merece reflexão a observação feita no texto acerca dos pesquisadores bolsistas de produtividade do CNPq, que podem orientar um número maior de estudantes bolsistas de IC. Esse aspecto, entretanto, decorre de um processo prévio de avaliação realizado pela própria comunidade científica de cada área. Tome-se, por exemplo, uma pesquisadora cuja atuação se desenvolva na Grande Área de Ciências Humanas, na Área de Ciência Política, com pesquisas voltadas a temas como Estado, governo, democracia e partidos políticos. Caso essa pesquisadora solicite uma Bolsa de Produtividade do CNPq, sua produção científica não será submetida à avaliação por pesquisadores de engenharia, medicina ou física, mas sim por especialistas da própria comunidade científica em Ciência Política, atuantes exatamente na subárea de sua pesquisa. São, portanto, seus pares, investigadores que dominam os métodos, os tempos de maturação das investigações, as formas específicas de produção do conhecimento, a regionalidade da preponente e os critérios de excelência próprios desse campo, que, ademais, levam em conta as adversidades materiais e institucionais que marcam a produção científica no território brasileiro. O mesmo ocorre com os programas de pós-graduação, cuja avaliação também é conduzida por comissões compostas por especialistas das respectivas áreas. Evidentemente, nenhum sistema de avaliação é isento de limitações ou críticas, e seu aperfeiçoamento deve ser contínuo.

Façamos um exercício de raciocínio levado ao extremo: poderíamos criar uma rubrica denominada "Prêmio Nobel" e atribuir-lhe 10.000 pontos, nos blocos das áreas em que exista a referida premiação. A existência desse item tornaria o edital injusto em relação às eventuais áreas nas quais o prêmio não está previsto pela Academia Sueca? Evidentemente não. O fato de um resultado excepcional apresentar pontuação elevada não significa que, na prática, esse resultado determine a classificação dos candidatos como um todo. A pontuação precisa ser interpretada à luz da probabilidade material de se obter aquele resultado e do tempo de trabalho socialmente necessário para sua produção.

Aliás, esse exemplo leva a uma conclusão distinta daquela apresentada no texto. Se há algum aspecto do edital que mereça aperfeiçoamento, ele me parece caminhar justamente no sentido oposto. Atividades relevantes para a vida universitária, como a organização de eventos técnico-científicos, poderiam ser reconhecidas em todas as áreas do conhecimento, e não apenas em algumas. Essa me parece uma discussão consistente, que pode contribuir para o aperfeiçoamento futuro dos editais, mas certamente posso apresentá-la como sugestão ou mesmo durante o prazo de impugnação do edital.

Também é importante destacar que a política institucional de iniciação científica da UFMT está longe de se limitar a um processo de classificação baseado exclusivamente na pontuação do currículo dos orientadores. Além do edital geral (PIBIC), a Universidade mantém editais e modalidades específicas voltados à promoção da inclusão. Os editais de IC preveem reserva de vagas para jovens pesquisadores e para estudantes mães de crianças na primeira infância. Paralelamente, existe a modalidade PIBIC-Af, destinada exclusivamente a estudantes ingressantes por ações afirmativas, contemplando, entre outros grupos, estudantes indígenas (PROIND), quilombolas (PROINQ), pretos, pardos e indígenas, estudantes quilombolas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, estudantes com deficiência pertencentes a esses grupos, bem como candidatos contemplados tanto por critérios de renda quanto por modalidades de ingresso independentes da renda. Soma-se a isso o recente Edital Temático "Mulheres na Iniciação Científica", criado para ampliar a participação feminina na orientação de bolsistas, com medidas específicas para a redução das assimetrias de gênero, a reserva de vagas para orientadoras negras (pretas e pardas), procedimentos de heteroidentificação e mecanismos próprios de implementação das políticas de equidade.

Também considero importante dirigir algumas palavras aos colegas pesquisadores da UFMT que, diariamente, conciliam ensino, pesquisa, extensão, orientação de estudantes, atividades administrativas e responsabilidades familiares.

Não se deixem desmotivar por generalizações que, ainda que formuladas com legítima preocupação, podem transmitir à comunidade universitária a impressão de que produzir ciência de elevada qualidade equivale a submeter-se a uma lógica de "vassalagem acadêmica". Pontuações elevadas, de maneira nenhuma, constituem evidência de produtivismo vazio. Tal percepção, embora compreensível diante das pressões objetivas do sistema de avaliação, tende a abstrair as contradições reais que atravessam a produção do conhecimento. Em muitos casos, refletem trajetórias acadêmicas consolidadas, construídas ao longo de décadas de dedicação exclusiva à UFMT. Do mesmo modo, não considero justo que pesquisadores com trajetórias reconhecidas tenham seu trabalho reduzido à ideia de que seriam meros produtos de uma lógica produtivista. Essa interpretação pode homogeneizar as experiências concretas do trabalho intelectual.

Conheço inúmeros pesquisadores da UFMT que trabalham à noite, aos finais de semana, nos feriados e durante as férias para orientar estudantes, escrever projetos, revisar artigos, captar recursos e desenvolver pesquisas que projetam o nome da universidade nacional e internacionalmente.

Da mesma forma, considero importante registrar meu reconhecimento aos servidores da PROPESQ, que têm realizado um excelente trabalho. Nenhum edital agradará integralmente a todas as áreas do conhecimento, a todas as pessoas que produzem pesquisas, e a todas as concepções de universidade; eu mesmo observo que a área da engenharia está prejudicada pelo argumento já apresentado. Mas críticas somente produzem avanços quando dialogam com a realidade concreta e histórica dos diferentes campos científicos e com as peculiaridades, de cada modalidade de produção acadêmica.

O debate sobre o produtivismo acadêmico é necessário, assim como a discussão sobre os critérios utilizados para avaliar a pesquisa. Nas bases de dados científicas é possível encontrar pesquisadores que publicam mais de duas centenas de artigos em um único ano. Entretanto, essa realidade está muito distante do cenário retratado nos resultados do referido edital em discussão.

Essa discussão torna-se ainda mais importante em uma universidade pública, onde os recursos destinados à pesquisa são inevitavelmente limitados pela própria estrutura de financiamento do Estado em um contexto de restrição orçamentária e de prioridades definidas por uma “lógica de mercado”. Não dispomos de orçamento infinito e, por essa razão, toda política de fomento exige escolhas sobre onde investir recursos humanos, bolsas e financiamento.

 

*Danilo de Souza é professor na FAET/UFMT, pesquisador no NIEPE/FE/UFMT e no Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP).