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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Alair Silveira
Professora e Pesquisadora do SOCIP e do PPGPS
Membro do Grupo de Pesquisa MERQO/CNPq e
do GTPFS/ADUFMAT-ANDES/SN
Nomeado "Guarnicê a luta pela educação pública na terra da balaiada: contra o imperialismo e a extrema direita", o 69º CONAD foi realizado em São Luís/MA, entre os dias 03 e 05 de julho/2026. De acordo com dados oficiais, o Evento contou com a participação de 81 seções sindicais, 78 delegados, 167 observadores e três convidados.
Além da (1) Análise de Conjuntura, o CONAD dedicou-se à discussão e deliberação de dois temas: (2) Atualização dos Planos de Lutas dos Setores e Plano Geral de Lutas; e (3) Questões Organizativas e Financeiras. Conduzido conforme a distribuição das discussões em Grupos Mistos e/ou Plenária, as principais polêmicas foram concentradas sobre (a) eventual apoio à candidatura de Luís Inácio Lula da Silva (PT) já no primeiro turno; e (b) a Prestação de Contas de 2025.
Antes de adentrar tais polêmicas, cabe registrar algumas iniciativas que merecem atenção, não somente pelas implicações que têm, mas pelo que revelam quanto à cristalização de determinados movimentos dentro do Sindicato. Primeiramente cabe destaque à proposta de Regimento apresentada pela Diretoria, que no § 7º do artigo 8º estabelece: “Fica assegurado a qualquer delegado(a) credenciado(a) ter vista e cópias da totalidade dos documentos que credenciam os(as) demais delegados(as) e observadores(as) de qualquer SSind, AD-SSind ou secretaria regional, mediante requerimento à Comissão Diretora”. Este inciso - aprovado no rol dos demais relacionados ao artigo – nos permite questionar sob quais justificativas esta prerrogativa foi, regimentalmente, assegurada.
No artigo 39, a alínea ‘d’ (parágrafo III, inciso 2º) foi rejeitada. Amplamente discutida, esta proposta estabelecia que os “textos aprovados ou suprimidos integralmente, não entram na regra de votos minoritários. Esta regra será aplicada nas hipóteses de alteração do texto submetido ao grupo misto”. Sempre sob a métrica das metas e da ‘otimização’ do tempo, a Diretoria tem se esforçado para enquadrar as proposições oriundas da base em eventos compactados que restringem os espaços de discussão política. Desta maneira, ao invés de ampliar o período dos eventos para garantir que as polêmicas sejam amplamente discutidas, o movimento tem sido a compressão do tempo através da interposição de diversificados recursos que comprometem o debate e o contraditório. Especialmente quando se tem em conta que a composição dos Grupos Mistos é competência da Diretoria, da mesma sorte que a ordem dos TRs a serem discutidos em cada um deles.
Consoante com esta perspectiva, o tempo dedicado à Análise de Conjuntura foi significativamente restrito a alguns minutos, sob a justificativa que o Regimento aprovado não admitia prorrogação para o Tema 1. E, com atento rigor regimental, a responsabilidade pela contração das discussões foi atribuída à própria plenária, na medida em que inviabilizou o quórum exigido para dar início à Plenária. Consequentemente, mais uma vez, o direito à intervenção foi determinado pela sorte, já que depende do ‘sorteio’, cujo processo permite a visualização da retirada do crachá, mas não a ordem das inscrições sorteadas. Tampouco se todas as credenciais têm a mesma cor...
Assim, para além da incompreensão quanto à política deliberada de restringir o tempo dedicado à análise de conjuntura (imprescindível à avaliação da correlação de forças que deve fundamentar as deliberações do Sindicato), no 69º CONAD, das 18 intervenções inicialmente acordadas, a discussão resumiu-se a 10 intervenções (sorteadas). Questionada quanto ao inicialmente acordado, a Mesa respondeu que devido ao avanço do horário, foi necessário reduzir o número de intervenções. E assim, a Análise de Conjuntura do 69º CONAD resumiu-se à apresentação dos quatro textos de Análise de Conjuntura constantes no Caderno, e 10 inscrições sorteadas, de três minutos cada.
De forma geral, a Análise de Conjuntura foi concentrada nas eleições presidenciais que se avizinham. Conforme proponentes dos TRs dedicados à defesa do apoio à candidatura de Lula já no primeiro turno, as eleições de 2026 devem ser encaradas como uma escolha entre a“extrema direita neofascista” e a “esquerda”, segundo os quais, somente Lula poderá nos defender de todo o ‘mal’. Por isto, ainda de acordo com seus defensores, embora não seja possível ignorar os “erros” do atual Governo, não é oportuno – nestas circunstâncias – fazer críticas e denúncias públicas. Estas devem ser deixadas para outra oportunidade, já que os docentes não devem fortalecer os argumentos de neofascistas e da ‘extrema direita’.
Neste self-service político, cada qual acrescenta adjetivos que considera mais expressivos para demarcar suas opiniões. Ausentes desta salada, os elementos de classe sobre os quais os trabalhadores deveriam discernir as relações estruturalmente antagônicas, os movimentos do capital e as funcionalidades desorganizadoras de identidades políticas que oscilam conforme aproximações e/ou afastamentos de linhas imaginárias que associam ao campo da ‘esquerda’, do ‘centro’ ou da ‘direita’, a defesa de determinadas políticas específicas. Consequentemente, estes grandes (e fluídos) campos magnéticos da política permitem não somente a convergência pluriclassista e o esvaziamento da crítica e do compromisso de classe: eles permitem a divisão (funcional ao capital) entre os próprios trabalhadores em múltiplas associações identitárias supraclassistas.
Repetindo sempre o mesmo enredo, o ‘mal’ assume muitas faces: Collor, FHC; PSDB, Temer e/ou Bolsonaro. Em que pesem suas diferenças de grau quanto ao Neoliberalismo e de compromisso com o regime democrático, em todas as eleições, o projeto societário é escamoteado da discussão e a diferença eleitoral resume-se à face do candidato e/ou governante. Desta maneira, não somente isolamos PT e Lula da crítica quanto à implementação ininterrupta do Neoliberalismo no Brasil (iniciado nos anos 1990), senão que se constrangem os críticos, acusando-os de aliados das forças ‘do mal’.
Agregadas aos riscos internos das eleições brasileiras, as intervenções imperialistas de Donald Trump na América Latina serviram para justificar a urgência e a evidência de que a única alternativa de servir à classe é o apoio imediato do ANDES-SN à candidatura de Lula. Nestas perspectivas, não somente o ecossocialismo foi atrelado à vitória de Lula, mas todas as justificativas quanto aos impedimentos ‘do Congresso inimigo do povo’, que impedem ao Governo (‘bem-intencionado’) de cumprir promessas e avançar nas pautas populares.
Paradoxalmente, a memória seletiva que sustenta estes argumentos, ao mesmo tempo em que reclama que todos esqueçam as experiências governativas do PT, reivindica que o Partido das origens embale as esperanças de melhores dias. Nesta balada, é preciso justificar ou omitir o descumprimento de acordos de greve, a privatização (por dentro) da educação pública, os ataques à organização sindical, a contrarreforma da Previdência, a contrarreforma Administrativa, o reajuste ‘zero’ de 2024 etc. etc. etc. É também preciso esconder no baú da história as declarações de Lula, que não somente asseverou que nunca foi de ‘esquerda’, mas que desqualificou a própria trajetória afirmando que discursos inflamados e ações políticas diretas não passam de ‘bravatas’ de oposição.
Apesar do esforço de grande maioria daqueles que desfrutaram da ‘sorte’ de serem beneficiados com o direito de intervenção, estes argumentos não convenceram a maioria dos delegados. Em votação apertada, 35 delegados rejeitaram o apoio no primeiro turno, defendendo a autonomia sindical, a necessidade de enquadrar a discussão eleitoral nos marcos das ameaças ao regime democrático, assim como condicionar compromissos com pautas de interesse dos trabalhadores. Os defensores do apoio já no primeiro turno, sem quaisquer condicionantes, conquistaram 33 votos.
Mais uma vez, manifestações identitárias coletivas reivindicaram respeito, mas, também, evidenciaram as próprias contradições quanto à defesa da “autoidentificação” e o efetivo respeito por parte dos próprios movimentos quando discordam dos autoidentificados. Estas contradições assumiram forma de veto – e rechaço - àqueles que, socialmente, não são identificados como não binários. Questionados sobre a contradição, foi asseverado que não basta a autoidentificação, mas a atuação coletiva em movimentos LGBTQIA+. Esta nova exigência desvelou alterações na política até então defendida pelo ANDES-SN. E, parece-me, não alterada formalmente dentro do Sindicato.
Neste sentido, a cultura da flexibilização parece ter assumido predominância no espaço sindical. Já não se trata de uma prerrogativa patronal para defender a flexibilização das leis e dos direitos trabalhistas, mas de uma cultura sindical que flexibiliza suas próprias regras, de maneira a garantir os resultados esperados.
Assim se deu com a autoidentificação de um companheiro, como em relação ao direito regimental do 44º Congresso Nacional do ANDES-SN, no qual o Texto Resolução (TR) n. 92 cumpriu com as exigências para ser apreciada em Plenária, tal qual outros submetidos para discussão no II Seminário de Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas, realizado em maio/2026, na Unicamp.
À revelia do direito adquirido, os signatários do TR 92 (Coletivo GRAÚNA e Coletivo Militância Classista) foram ignorados para composição da Mesa dedicada à discussão no II Seminário supra indicado. Inconformados com tamanha arbitrariedade, os signatários do TR 92 denunciaram o fato não apenas no próprio Seminário, mas, também através de um Texto Resolução para o 69º CONAD, numerado como TR 39.
Mais uma vez, a flexibilização dos direitos e do princípio democrático que impõe respeito às regras do jogo, os argumentos apresentados pela Diretoria e por muitos dos delegados orgânicos ou simpatizantes com a ALB (Coletivo majoritário dentro do ANDES-SN) oscilaram entre: a) assumir que houve erro na confecção do Relatório, no 44º Congresso; b) negar que houve erro, reafirmando que o TR 92 não alcançou a condição de TR minoritário; c) responsabilizar os signatários por não ter se manifestado no próprio Congresso (como se a decisão de compor as delegações fosse um ato exclusivo de vontade individual!); d) minimizar o ocorrido, sugerindo a representação do TR no 45º Congresso; e) declarar o TR como irregular e improcedente, porque as ‘regras do ANDES-SN’ são claras quanto às atribuições do CONAD e do Congresso etc. etc. etc.
Porém, das múltiplas e criativas justificativas para rejeitar o TR 39, o argumento mais ‘empolgante’ para a plateia e mais desleal para com seus signatários, foi a deliberada atitude de desqualificar a denúncia e o pleito contido no TR, definindo-o como um “TR ressentido” de pessoas (“amigas dos nossos inimigos”) que atuam “contra os direitos das minorias”. Deslocando a centralidade do que estava em discussão no TR 92 e no 39 (ou seja, a denúncia contra a expansão da violência política e a interdição do contraditório, assim como o descumprimento das regras por parte da Diretoria), para o colega ovacionado, os signatários foram retratados como militantes sindicais ‘inimigos’ dos direitos das minorias e ‘amigos’ daqueles que oprimem, exploram e reprimem!
Realmente, participar das atividades do ANDES-SN tem se tornado um exercício de resistência sindical e equilíbrio emocional. À interdição da fala, podemos acrescentar a flexibilização das regras, a deslealdade retórica e a espetacularização das discussões.
Se a ‘democracia’ sindical pode ser realizada sem contraditório e sem cumprimento das regras estabelecidas - como uma espécie de democracia descarnada instituída sobre a ‘razão do pensamento único’ - resta ao ANDES-SN concentrar seus esforços na democracia das urnas. Seja no apoio [acrítico] de Lula já no primeiro turno, seja nas reflexões sobre o processo eleitoral das reitorias, considerando-se o fim da lista tríplice. Neste sentido, o 69º CONAD desencadeou a discussão sobre voto universal e/ou voto paritário, tendo em conta as implicações quanto ao equilíbrio e proporcionalidade entre as três categorias que conformam a comunidade acadêmica.
Por fim, outro ponto polêmico foi a Prestação de Contas do Exercício 2025. E em que pese as explicações oferecidas pela Diretoria (tanto nos Grupos Mistos quanto na Plenária), elas foram insuficientes para esclarecer as dúvidas relativas, por exemplo, ao valor registrado na rubrica “Material de Consumo”. Embora a Tesouraria do Sindicato Nacional tenha apresentado Notas Explicativas, elas foram consideradas insuficientes para responder a muitos dos questionamentos. E, por isto, foi aprovada a recomendação para que eventuais discrepâncias entre os valores orçados e os executados devam ser efetivamente procedidos de notas explicativas.
De maneira resumida, a análise do TR 35 (dedicado à Prestação de Contas) trouxe explicações insuficientes para convencer quanto às escolhas feitas com relação às rubricas e aos respectivos valores informados. Seguindo a ordem de apresentação do TR, a primeira dúvida diz respeito a inclusão de “contribuição S.Sind.” na rubrica “Outras Receitas”, considerando-se que há uma rubrica titulada “Receita de Contribuições” (2026, p. 168).
Na pág. 169, há duas rubricas com o mesmo nome: “Manutenção e Reparos Bens Móveis”. Em uma delas, o orçado era de R$ 50.000,00 e o executado foi de R$ 11.232,75. Na linha imediatamente abaixo, a mesma rubrica apresenta o valor orçado de R$ 290.000,00 e mais do que dobro executado: R$ 783.313,80.
Mas, não por acaso, foi a rubrica “Material de Consumo” aquela que causou maior estranhamento, pois o valor orçado foi multiplicado por quase 6 para sua execução: isto é, dos R$ 200.000,00 orçados, o executado alcançou os estratosféricos R$ 1.183.698,33. A explicação (Notas 20 e 21) remeteram a despesas com reformas da Sede Regional Planalto. Ora, não somente há rubrica adequada para este registro (como exposto acima), senão que o gasto informado com a reforma do Regional Planalto (Nota 20, p. 198) foi de R$ 542.090,23. Além da incompatibilidade entre a espécie de despesa e a rubrica correspondente, restam, no mínimo, três perguntas: a) por que as despesas com a reforma da Regional Planalto não foram registradas na rubrica “Obras em Andamento”, da mesma forma que as reformas da Regional NE I e Regional NE II, conforme informa a Nota 12 (p. 194-195)?; b) mesmo que se considere que as despesas com a reforma da Regional Planalto foram – indevidamente – registradas na rubrica “Material de Consumo”, ainda restariam a explicar R$ 641.608,10. Como gastos com material de consumo poderiam alcançar este valor em apenas um ano (2025)? De acordo com o diretor Diogo Marques - que foi prestar esclarecimentos pela Diretoria no Grupo Misto do qual fiz parte -, boa parte deste montante foi gasto com material das campanhas que o ANDES-SN desenvolveu em 2025 (como camisetas, materiais gráficos etc.). Estes esclarecimentos, entretanto, não foram suficientes. De um lado, porque existem outras rubricas que parecem absorver estas despesas, como “Serviços Gráficos (Banners/Folders/Cartazes)”, conforme consta na pág. 169, na qual o valor executado totaliza R$ 422.775,09. Por fim, comparando os valores apresentados na tabela da pág. 195, na qual consta o valor de aquisição da Regional Planalto (R$ 320.000,00), o valor da obra (R$ 1.637.468,36) e o valor atualizado do imóvel (R$ 1.957.468,36), deparamo-nos com uma obra que – supõe-se – deve equiparar-se às melhores obras de federações empresariais. Mas... é disso que nosso Sindicato necessita? Ou perguntando de outro modo: Qual a razão de estruturas sindicais deste porte e, especialmente, com estes custos? Registre-se, ainda, que nenhuma das outras Regionais apresentou tamanha desproporção entre o valor de aquisição, o valor da obra e o valor atualizado.
Não bastassem todas estas incompreensões, há que se acrescentar a este rol, o fato de que o “Patrimônio Líquido” (2026, Nota 19, p. 198), em 31/12/2024, totalizava R$ 28.096.076,94 e, em 31/12/2025, R$ 27.775.717,18. Como leiga, às vezes, é difícil entender a lógica da matemática e das ciências contábeis...
Concluindo, cabem dois registros neste longo Relatório: 1) o 70º CONAD será realizado na Unicamp; 2) aprovada a formação de uma Comissão, composta por dois membros da Diretoria e cinco sindicalizados, para a construção de uma proposta de formato e metodologia dos Congressos do ANDES-SN. Eleita no 69º CONAD, a Comissão é composta por: Antonio Gonçalves (APRUMA – [59 votos]); Jorgetânia Silva Ferreira (ADUFU – [43 votos]); Elaine da Silva Neves (ADUFPel – [41 votos]); Valdirio Cizo (UFABC [39 votos]); Fran Rebelatto (UNILA [51 votos]).
A Secretaria do ANDES-SN divulgou, nessa quarta-feira (15), por meio da Circular nº 287/2026, a Carta de São Luís, que reúne os principais debates e deliberações do 69º Conad, realizado entre os dias 3 e 5 de julho, no Centro Pedagógico Paulo Freire da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Com o tema "Guarnicê a luta pela educação pública na terra da Balaiada: contra o imperialismo e a extrema direita", o evento contou com mais de 300 docentes de diversas regiões do país e resgatou as memórias de luta do Maranhão, como a Balaiada.
O documento define como prioridade política a derrota das candidaturas de direita e extrema direita já no primeiro turno das eleições. “No Brasil, essa conjuntura de crise do capital e avanço global da direita e da extrema direita, nos desafia a atuarmos com firmeza para impedir esse avanço nas ruas e nas urnas. Torna-se necessário avançar nas mobilizações sociais contra os ataques fascistas, contra a política de austeridade que leva a cortes orçamentários na saúde, na educação e em tantas outras políticas públicas fundamentais, como moradia e reforma agrária, que paulatinamente estão sendo reduzidas. Ainda é imprescindível continuar na luta pela garantia dos direitos da classe trabalhadora e ampliar a pressão para a aprovação do fim da escala 6x1, com redução da jornada para 30 horas, sem redução salarial”, ressalta o texto.
A carta também reforça a campanha "Lutar não é crime", em resposta à criminalização da atuação docente e aos recorrentes ataques às universidades públicas. Como exemplo, cita a ação da Polícia Militar de São Paulo durante a greve de estudantes e docentes em defesa da educação pública, que culminou na invasão da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no Dia das Mães. A entrada do ANDES-SN no Fórum Nacional de Educação (FNE) e a adoção do ecossocialismo como uma bandeira central do Sindicato Nacional frente à crise ambiental e do capital também são destacadas no documento.
Em relação à conjuntura internacional, a carta reforça que o avanço do imperialismo estadunidense em países da América Latina exige uma atuação firme contra os projetos da extrema direita em países como Colômbia, Chile, Peru e Argentina. O documento também menciona as ações de solidariedade do ANDES-SN , como a participação no 1º de Maio em Cuba e a ajuda à Venezuela através do Fundo Único, em razão dos terremotos que atingiram o país.
O documento ainda informa que o 69º Conad atualizou o plano de lutas dos setores das Estaduais, Municipais, Distrital e Federais (Iees, Imes, Ides e Ifes), aprovou uma série de políticas voltadas para docentes aposentadas e aposentados, além de ações de combate ao feminicídio, entre outras.
Confira a Carta de São Luís na íntegra.
Moções
Nesta quinta-feira (16), a Secretaria do ANDES-SN divulgou também as moções aprovadas no 69º Conad. Acesse aqui.
Fonte: Andes-SN
Nesta terça-feira (14), representantes de entidades do funcionalismo federal, incluindo do ANDES-SN, intensificaram a mobilização em Brasília (DF) pela aprovação do Projeto de Lei 1.893/2026. Maria do Céu de Lima, 3ª tesoureira, Letícia Carolina, 2ª vice-presidenta, e Edmilson Aparecido da Silva, 2º vice-presidente da Regional Sul do Sindicato Nacional estiveram presentes nas atividades na Câmara Federal.
Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN
Além de garantir presença na manifestação em frente ao Anexo 2, o ANDES-SN participou de reunião no gabinete do relator da proposta, o deputado André Figueiredo (PDT/CE). O encontro contou, ainda, com representantes da liderança do PSOL.
A ação faz parte de uma força-tarefa de dois dias (14 e 15 de julho) articulada pelo Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe). O objetivo central é pressionar pela regulamentação do direito à negociação coletiva no setor público, em cumprimento à Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), uma demanda histórica das categorias do serviço público.
Durante a reunião, foram discutidos os entraves para o fechamento de uma proposta de substitutivo ao projeto. Um dos pontos de maior tensão é a pressão para a inclusão de associações no texto, algo que gera preocupação nas entidades sindicais, uma vez que associações não possuem as mesmas prerrogativas e funções dos sindicatos na defesa das categorias.
Segundo relato da diretora Maria do Céu de Lima, o relator André Figueiredo tem sinalizado que não pretende garantir às associações o mesmo status das entidades sindicais, mas a pressão externa para mantê-las no texto permanece alta. Além disso, uma segunda proposta de substitutivo chegou a ser elaborada, mas ainda não recebeu a validação do governo federal.
A 3ª tesoureira do ANDES-SN destacou que o Sindicato Nacional mantém uma postura de vigilância crítica em relação ao texto atual, pois não tem acordo com o texto protocolado pelo Executivo. "O ANDES-SN tem preocupação com alguns itens do texto, que não garantem o cumprimento efetivo do negociado com o governo. Estamos em diálogo com parlamentares para garantir ajustes no texto do novo substitutivo", afirmou a 3ª tesoureira.
Foto: Raquel Thayse / Imprensa ANDES-SN
Embora o PL 1.893/2026 seja visto como um passo importante para assegurar direitos como a liberação de dirigentes e proteção contra perseguições sindicais, o ANDES-SN reforça que o texto ainda não contempla integralmente as necessidades do funcionalismo. Para o Sindicato Nacional, a regulamentação da negociação coletiva é vital para que os servidores e as servidoras deixem de depender da "boa vontade política" dos governantes para discutir salários e condições de trabalho.
"É preciso seguir cobrando do governo respostas concretas e continuar mobilizados. Em 2027, só haverá reajuste salarial se o governo destinar recursos no orçamento para garantir as negociações", ressaltou Maria do Céu, referindo-se à sinalização governamental de reserva de recursos para o próximo ano.
Fonte: Andes-SN
Movimentos feministas e sociais aumentaram a mobilização para que o PL 896/23, que inclui a misoginia na Lei do Racismo e equipara o ódio às mulheres ao racismo e à homofobia, seja aprovado na Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar, que inicia no dia 18 e vai até 31 de julho. A lei prevê pena de 2 a 5 anos de reclusão e torna o crime inafiançável.
Manifestantes participam do ato Brasil sem Misoginia, no MASP na avenida Paulista. São Paulo (SP), 25/04/2026 | Crédito: Paulo Pinto/Agencia Brasil
“O PL da Misoginia precisa ser aprovado imediatamente porque a vida das mulheres em todo o país corre risco. Essa narrativa de ódio, marcada pela ‘machosfera’ e por aquilo que é chamado de cultura red pill intensificou a violência contra as mulheres. E a saída que o movimento social, o movimento de mulheres e o movimento feminista encontraram para que a gente barre essas práticas violentas, inclusive dentro do Parlamento, como a violência de gênero, é a criminalização da misoginia. É fundamental que esse projeto de lei avance”, destaca a 1ª vice-presidenta do ANDES-SN, Caroline Lima.
Para a docente, a Câmara dos Deputados vem se comportando como inimiga do povo, pois o PL 896/23 visa proteger a vida das mulheres, considerando os dados alarmantes e o aumento no número não só de feminicídios, mas de violência de gênero, de violência doméstica e da constituição de uma narrativa de ódio contra as mulheres. “E não só isso. Vem, inclusive, colocando em xeque os direitos conquistados pelas mulheres, como, por exemplo, o direito ao voto. O movimento de mulheres e o movimento feminista vêm ocupando as ruas na defesa dos seus direitos há mais de um século. Nesse último período, principalmente naquilo que nós chamamos de Primavera das Mulheres em 2015, em especial com a pauta central dos direitos sexuais reprodutivos”, afirma.
Caroline Lima reforça que o aumento da violência contra as mulheres é uma intensificação dos ataques à liberdade das mulheres. “Nossa presença no mercado de trabalho, nossa presença em espaços de direção, não só de sindicato, mas de movimentos sociais, à frente das universidades, à frente de grupos de pesquisa está sendo questionada. Estão usando a violência para nos tirar desses espaços e nos tirar os direitos conquistados. Precisamos ocupar as ruas. O ANDES Sindicato Nacional tem posição de defesa da vida das mulheres, do combate à violência de gênero e de defesa do PL que criminaliza a misoginia”, enfatizou a professora, que também integra a coordenação do Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual do ANDES-SN (GTPCEGDS).
Tramitação
A proposta foi aprovada no Senado Federal, em 24 de março, por 67 votos a favor e nenhuma contra. No dia 1º de julho, a Câmara dos Deputados aprovou a urgência do PL, com 293 votos a favor e 158 contrários. Com a medida, o projeto pode ser votado diretamente no plenário, sem que precise passar pelas comissões especiais. Manifestações foram realizadas na manhã desta terça-feira (14), para que a proposta seja incluída na pauta.
Violência contra a Mulher
A Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, do Instituto de Pesquisa DataSenado, revela que 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de violência doméstica ou familiar, em 2025. De acordo com o levantamento, as denúncias ao 180 subiram 33% no ano passado em relação ao mesmo período em 2024. A pesquisa mostrou uma mudança na percepção das agressões, sendo que até 2021 a maioria dos casos era de violência física. A violência psicológica passou a ser a mais relatada desde então.
Fonte: Andes-SN
Circular nº 276/2026
Brasília, 13 de julho de 2026.
Às Seções Sindicais, às Secretarias Regionais e às(aos) Diretoras(es) do ANDES-SN
Assunto: Convoca reunião do Setor das Federais (21 a 23/08/2026).
Companheiras(os),
A Coordenação do Setor das Federais convoca a categoria para reunião que ocorrerá nos dias 21, 22 e 23 de agosto de 2026, em Brasília (DF), na sede do ANDES- SN, com início às 18h30 do dia 21 de agosto (sexta-feira) e término previsto para domingo, 23 de agosto de 2026, às 12h. A pauta será enviada posteriormente, via circular.
As seções sindicais podem indicar inscrição das(os) representantes para a reunião do Setor das Federais até as 12h do dia 17 de agosto de 2026 (segunda-feira), por meio do formulário enviado para as seções.
As seções sindicais que desejarem enviar seus informes para constar no relatório da reunião do Setor das Federais deverão fazê-lo até o dia 19 de agosto de 2026 (quarta-feira), por meio do formulário também enviado para as seções.
Sem mais para o momento, enviamos nossas cordiais saudações sindicais e universitárias.
Prof.ª Fernanda Maria da Costa Vieira
Secretária-Geral
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para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Alair Silveira
Professora e Pesquisadora do SOCIP e do PPGPS
Pós-doutoranda Universidad de Buenos Aires (UBA)
Membro do Grupo de Pesquisa MERQO/CNPq e do GTPFS/ADUFMAT-ANDES/SN
Miembro del Grupo de Trabajo Derechas Contemporaneas/CLACSO
"Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. / E não dizemos nada. / Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. / Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. / E já não podemos dizer nada."
Eduardo Alves da Costa
Há muitos anos alguns colegas denunciam a cultura empresarial que tem avançado por dentro das instituições acadêmicas, transformando radicalmente a atividade docente e o desenvolvimento de pesquisas científicas. Portanto, não se trata de um problema novo. O que realmente impacta são as assustadoras proporções que o gerencialismo empresarial tomou dentro das universidades, vassalando a autonomia universitária e a capacidade crítica de parte muito significativa de professores e pesquisadores. Seja por adesão ideológica ou necessidade de sobrevivência acadêmica, docentes-pesquisadores foram sendo – progressivamente – submetidos à lógica quantitativa das “entregas”, ou seja, da quantidade de produtos que, ao final de cada período, têm que disponibilizar em ‘prateleiras’ que atendem por muitos nomes: Lattes, CAPES, CNPq, PROPESQ, Sucupira, Stella, QUALIS... Não por acaso, uma das frases mais comuns aos professores e pesquisadores é: ‘não tenho tempo’. Também não é por coincidência que os percentuais de adoecimento, ansiedade e/ou depressão têm alcançado números expressivos na categoria docente.
Porém, impõe-se reconhecer que a lógica gerencialista-produtivista não se impôs sem, antes, conquistar muitos corações e mentes dentro dos ambientes acadêmicos. Como o poema de Eduardo A. Costa[1] (em destaque), o processo de transformação da pesquisa acadêmica-científica em esteira de produção fordista não se consolidou sem a adesão e/ou resignação pessoal e institucional. Em sintonia com o modus operandi de organismos internacionais como o Banco Mundial e o FMI[2], o “convencimento” quanto às soluções gerenciais para aferir o desempenho e a produtividade acadêmica foi sendo construído sobre a dupla face do condicionamento da aprovação dos recursos à métrica dos números. Avaliados conforme o estoque quantitativo de produção em tempos estabelecidos, o trabalho docente e a pesquisa reduziram-se ao produto, desconsiderando-se todo o processo de coleta, sistematização e maturação empírica que antecede à elaboração intelectual.
A vassalagem à lógica gerencial-produtivista produziu uma multiplicidade de tipos que oscila entre indignados, resignados, indiferentes, desistentes, aderentes, ostentadores e multiplicadores. Mas, produziu também, estratégias de sobrevivência acadêmica: registrar toda e qualquer atividade, exposição, produção; limitar a elaboração intelectual a um número cada vez menor de páginas; ‘esquartejar’ dissertações e teses para multiplicar o número final de artigos e Papers; assinar vários artigos com outros autores para pontuar; moldar-se às classificações de rankings, nos quais livros pontuam menos do que artigos; hiperespecialização em determinados assuntos, a partir da qual é possível produzir múltiplos artigos sobre o mesmo tema etc. etc. etc. Seja qual for o recurso utilizado para projetar-se neste universo gerencial-produtivista, é a métrica da quantidade que se impõe.
Junto ao modus operandi dos organismos financeiros internacionais supracitados, a hegemonia da cultura pós-moderna dentro dos espaços universitários firmou o terreno fértil para a captura de mentes e corações acadêmicos. Sob o império das subjetividades descoladas das metateorias, do relativo, do fragmento e da bricolagem, do imagético e do volátil, o papel e a responsabilidade social da universidade pública, da autonomia da pesquisa científica e da proeminência dos critérios qualitativos foram sendo secundarizados pela naturalização da irrazoabilidade.
Afinal, sobre quais elementos da razão científica a produção intelectual rigorosa e qualificada eliminou o tempo de maturação dos dados, da confrontação com as hipóteses, dos desafios teóricos que muitas vezes se revelam no cruzamento dos dados? Sobre quais evidências qualitativas se hiper compactou o tempo de elaboração e revisão das boas análises? Mais ainda: em quais fundamentos razoáveis o trabalho intelectual foi subtraído de suas especificidades para se igualar ao trabalho mecânico dos processos embrutecedores da produção em massa e em série que marcaram o modelo fordista/taylorista? Ironicamente, enquanto os operários que operavam estas máquinas rebelaram-se contra este modelo de organização do trabalho e da produção, nós, trabalhadores intelectuais, não apenas aderimos às esteiras de produção científicas, mas, elaboramos rankings para premiar os mais ‘produtivos’, capazes de conquistar as ‘metas’ gerenciais da produtividade.
Sob estas condições, e considerando-se os termos do Edital n. 03/2026 da PROPESQ/UFMT, assim como a relação dos projetos habilitados para disputar as bolsas de iniciação científica para estudantes de graduação da Universidade, alguns aspectos evidenciam o atropelo à razoabilidade e à isonomia. De acordo com o Edital supracitado, a habilitação de orientadores/estudantes é extraída da quantificação de pontos atribuídos a cada uma das atividades (as quais, por sua vez, também estão submetidas ao ranking das quantidades de acesso e outros critérios hierárquicos de pontuação). Não bastasse a subordinação integral à métrica do desempenho gerenciado dos números, entre as áreas de conhecimento também foram estabelecidas pontuações completamente perversas para com as áreas de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas[3]. No Edital (Bloco 2 do Anexo) é possível identificar rubricas de pontuação dirigidas a áreas específicas, cuja contabilização agrega à lógica quantitativa mais um elemento de discriminação por área.Enquanto para docentes-pesquisadores de Ciências Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências Exatas e da Terra, Ciências da Saúde e Engenharias, as pontuações vão de 10 a 30 pontos, para a área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, as pontuações oscilam entre 2 e 3 pontos. Inclusive para aqueles que atuam na área de Linguística, Letras e Artes, a pontuação é um pouco mais elevada que aos pesquisadores que atuam na área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas: oscila entre 3 e 5.
Para além do desprestígio implícito à área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e do comprometimento da isonomia, há que observar que também no quesito da arrancada no ranking de pontuação, os chamados pesquisadores de ‘produtividade’ (CNPq) já desfrutam de condição privilegiada em relação aos demais. Ao fim e ao cabo, tem-se que aqueles que já estão consolidados mantêm-se no topo do ranking quantitativo, cabendo aos demais as sobras das bolsas de IC.
Entretanto, mesmo com todas estas condições desiguais e combinadas que evidenciam que a igualdade de oportunidade entre docentes-pesquisadores de áreas de conhecimento distintas não ultrapassa os limites de uma carta de intenções, a apresentação da Lista Geral de Ampla Concorrência (publicada em 23/06/2026) causa uma mescla de incredulidade e indignação.
Da análise da Lista de Ampla Concorrência é possível extrair que a pesquisa na UFMT é constituída de raríssimas excelências individuais, alguns poucos pesquisadores qualificados, alguns outros capazes de evoluir conforme a métrica qualitativa e muitos ‘aspirantes’ sem chances de ‘competir’. Para além da perversidade desta Lista que mensura número e não produção científica de acordo com a realidade das distintas áreas e a razoabilidade lógica, ela é ainda mais cruel com docentes que somam ‘zero’ ou que são classificados como ‘currículo não compatível’.
Diante disso, do que exatamente estamos falando? Com que tipo de Universidade e Pesquisa a UFMT está comprometida? Estamos, realmente, afirmando que alguns colegas não têm currículo compatível com a pesquisa? Baseado em quais pressupostos científicos-acadêmicos? Como a UFMT pretende estimular a pesquisa e a iniciação científica se reproduz uma lógica que, desde o Edital até a publicização, estabelece regras que vão ao encontro do produtivismo-gerencial? Qual a razoabilidade científica entre professores que totalizam quase 1.300 pontos enquanto outros somam zero ou são classificados como ‘incompatíveis’? Qual a média razoável de produção científica por ano, respeitando-se princípios como originalidade e tempo de coleta e maturação dos dados, rigor científico e elaboração teórica? Isto sem contar o processo de submissão às revistas especializadas e o tempo para avaliação e publicação.
Por fim, com tranquilidade, como pesquisadora da área de Ciências Humanas e Sociais, posso dizer que a pesquisa empírica, a sistematização de dados, a maturação, a análise e a elaboração permitiriam, no máximo, três artigos anuais. E isto sendo otimista, isto é, contando com a inexistência de obstáculos na pesquisa de campo, ainda mais para quem faz pesquisa na área de Ciência Política em MT, cujas dificuldades de acesso a dados oficiais nem sempre é tarefa fácil. Não por acaso, minha pontuação alcançou os surpreendentes 71 pontos! Em síntese, faço parte do grupo dos ‘aspirantes’ que não alcançou sequer 10% da pontuação dos pesquisadores considerados ‘qualificados’. Ironicamente, trata-se de um estimulante processo de produção científica docente e, especialmente, de fomento à pesquisa para aqueles estudantes que, todo semestre, nos procuram para a Iniciação Científica.
Em tempo: esclareço que este não é um artigo ressentido, mas, sim, revoltado! Sinceramente, espero que esta revolta e inconformidade não seja somente minha.
[1] Erroneamente, durante muitos anos, este poema foi atribuído ao poeta russo Maiakóvski.
[2] O livro de José Márcio M. Pereira, intitulado O Banco Mundial como ator político, intelectual e financeiro 1944-2008 [Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010], nos permite dimensionar suas consequências, estabelecendo uma analogia com o processo por dentro das universidades.
[3] Registre-se que o ataque à área de Ciências Humanas e Sociais não é recente, gratuita ou despretensiosa. Não somente as disciplinas da área, no ensino médio, foram substituídas durante a ditadura militar, senão que no processo de redemocratização brasileiro, a reestruturação curricular da esmagadora maioria dos cursos universitários de outras áreas de conhecimento foi feita com a redução e/ou extinção destas disciplinas de seus currículos, como se cursos da área de exatas, tecnologia, saúde etc. fossem factíveis à revelia da dinâmica das relações societárias.
O ANDES-SN defendeu o direito de migrar e a garantia da dignidade das pessoas frente às deportações em série dos Estados Unidos (EUA), durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, nessa quarta-feira (8). Com o tema "Pelo Direito de Migrar: Direitos Humanos, Trabalho Digno e Proteção das Pessoas Migrantes e Deportadas", o debate foi solicitado pelos deputados Reimont (PT-RJ) e Rui Falcão (PT-SP) e foi impulsionado pela Jornada Continental pelo Direito à Migração e Defesa da Soberania, ocorrida em março em 10 países simultaneamente, incluindo o Brasil.

“Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio e a esse regressar”, destacou a 2ª vice-presidenta da Regional Planalto do Sindicato Nacional, Muna Muhammad Odeh, citando o artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.
Professora de Saúde Coletiva na Universidade de Brasília (UnB), Muna informou que reside no Brasil desde 1992 e, como palestina, desenvolve pesquisas, estudos e orienta estudantes nessa temática. “Estamos falando aqui de uma proteção à circulação humana criada em 1948 e desmobilizada pela lógica neoliberal, que quer garantir a livre circulação de mercadoria enquanto seres humanos são cerceados”, criticou.
Segundo a docente, muitos trabalhadores e trabalhadoras migram, em grande medida, pelo modelo econômico. Ela citou a mineração como um dos empreendimentos econômicos mais responsáveis por expulsar pessoas dos seus territórios. “Nesse caso, a gente pode citar o trabalho da socióloga Saskia Sassen, que estuda esse deslocamento humano no período contemporâneo e nos coloca que, mesmo sendo da sedimentação do capitalismo desde seu nascimento, a circulação de seres humanos em decorrência da concentração nada se compara ao período atual, diante do avanço em escala global da mineração”, afirmou.

Para Muna, o ANDES-SN precisa fortalecer a presença nas discussões sobre o tema e propor políticas públicas no Legislativo. “Como faço parte da Comissão da Verdade existem interfaces temáticas que podemos potencializar”, citou. A professora reforçou o apoio do Sindicato Nacional ao trabalho do Comitê da Jornada Continental.
Confira a audiência na íntegra.
Fonte: Andes-SN
O ANDES-SN intensificou a luta pela revogação da Instrução Normativa (IN) Conjunta MGI/MIR/MPI nº 261/2025, especialmente o artigo 46, que trata do sorteio das vagas para cotas étnico-raciais em concurso público, o que configura um retrocesso histórico do movimento negro e das ações afirmativas.

Na Circular nº 267/2026, dessa terça-feira (7), o Sindicato Nacional reforça o pedido para que as seções sindicais, via os grupos de trabalho de Carreira, de Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual e de Política Educacional locais, constituam comissão para elaboração de propostas junto às Pró-reitorias de Gestão de Pessoas, aos setores responsáveis pelos concursos públicos e aos conselhos universitários, com o objetivo de evitar o fracionamento de vagas e outros mecanismos de burla, tendo em vista a efetividade da Lei de Cotas 15.142/2025.
A entidade solicita ainda que as seções sindicais enviem informações sobre a criação dessas comissões envolvendo os GTs, comuniquem se houve diálogo com as Pró-Reitorias de Gestão de Pessoas e quais ações vêm sendo desenvolvidas para combater os mecanismos de fraude à Lei nº 15.142/2025. As informações devem ser encaminhadas por meio do formulário Circular nº 267/2026 - Levantamento de Ações das Seções Sindicais sobre a IN nº 261/2025 e a Lei nº 15.142/2025, até o dia 27 de agosto de 2026.
A medida foi aprovada em resolução do 44º Congresso, realizado entre os dias 2 e 6 de março, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador (BA), e destaca que a IN impõe a lógica da aleatoriedade, baseada na sorte, para determinar quem merece ou não o acesso às cotas.
ADPF 1245/2025
Em 3 de setembro de 2025, o ANDES-SN foi admitido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como amicus curiae na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1245/2025, que questiona o sorteio como critério de distribuição de cotas em concursos públicos e processos seletivos da União, de universidades e de outros órgãos e entidades da administração pública federal.
Veja aqui a Circular nº 267/2026.
Confira a IN nº 261/2025 na íntegra.
Fonte: Andes-SN
O ANDES-SN iniciou um levantamento sobre a implementação do “Protocolo de combate, prevenção, enfrentamento e apuração de assédio moral e sexual, racismo, Lgbtfobia e qualquer discriminação e violência”, nas universidades, institutos federais e cefets. A solicitação foi encaminhada às seções sindicais, através da Circular nº 268/2026, nessa terça-feira (7).
O documento foi elaborado pela entidade e aprovado no 43º Congresso do Sindicato Nacional, em 2025. O material tem como objetivo, entre outras as ações, fortalecer as ações de prevenção, enfrentamento e apuração do aumento da violência contra mulheres, meninas e menines.
A entidade pede que as seções sindicais informem se já apresentaram a proposta de protocolo às administrações instituições e/ou se já existe alguma política institucional em curso que dialogue com a proposta. Solicita, também, informações sobre presença de militares ou de políticas a partir da militarização, sob a justificativa de garantir a segurança nas universidades, nos IFs e nos cefets.
Os dados devem ser encaminhados, até o dia 26 de agosto, por meio do formulário online (acesse aqui). O protocolo também foi encaminhado via circular e pode ser lido aqui.
O levantamento é resultado de deliberação do 69º Conad, realizado entre os dias 3 e 5 de julho, em São Luís (MA). Na atualização do plano de lutas geral, a categoria aprovou resolução para que o Sindicato Nacional e as seções sindicais intensifiquem as cobranças às administrações das Universidades, IFs e cefets por medidas que evitem feminicídios, agressões e qualquer tipo de violência contra trabalhadoras. A decisão também trata de investimentos em espaços formativos e da garantia de acolhimento às vítimas, preservando a autonomia universitária e a não militarização dos espaços das instituições.
Leia a Circular nº 268/2026.
Acesse aqui o “Protocolo de combate, prevenção, enfrentamento e apuração de assédio moral e sexual, racismo, Lgbtfobia e qualquer discriminação e violência”.
Confira a cobertura do 69º Conad
Fonte: Andes-SN
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Por Danilo de Souza*
Durante grande parte da história moderna, os Sapiens passaram a enxergar-se como algo separado da natureza. Essa transformação não ocorreu de forma repentina. Foi resultado de séculos de construção filosófica, religiosa, econômica e “científica” que consolidaram uma ideia poderosa: a de que os Sapiens ocupam uma posição singular no planeta e, por isso, não estariam submetidos às mesmas limitações que condicionam as demais espécies.
Essa visão, que a sociologia ambiental contemporânea passou a denominar excepcionalismo humano, sustenta que a sociedade humana existe de forma independente dos ecossistemas que a sustentam. A natureza seria fornecedora de recursos, absorvedora de resíduos e prestadora de serviços ambientais, mas a trajetória humana seria determinada principalmente pela cultura, pela economia, pela política e pela tecnologia. A biosfera, nesta perspectiva, aparece como um cenário externo à história humana, e não como sua condição fundamental de existência. Assim, esta visão gerou uma consequência profunda: a tendência a enxergar os limites ecológicos como obstáculos temporários que poderão ser superados por novas tecnologias.
No setor energético, esta crença é recorrente. Quando discutimos escassez de recursos, mudanças climáticas ou impactos ambientais, a resposta quase sempre se relaciona a alguma inovação tecnológica futura. Se houver escassez de petróleo, haverá novas fontes de energia. Se as emissões crescerem, haverá captura de carbono. Se a eletrificação aumentar a demanda por minerais críticos, encontraremos substitutos ou novas formas de exploração. Essa confiança na capacidade humana de adaptação é compreensível e, em certa medida, justificada pela própria história do desenvolvimento tecnológico. O problema surge quando ela se transforma na crença de que as leis ecológicas e biofísicas deixaram de existir.
Para compreender melhor essa questão, é útil observar a figura abaixo. Nela, os sistemas naturais e os sistemas humanos aparecem como entidades distintas, cada qual com seus próprios processos internos, conectados por mecanismos de acoplamento e interação. A representação é extremamente útil para demonstrar as influências mútuas entre a sociedade e a natureza. Entretanto, ela também mostra uma das marcas mais profundas do pensamento moderno: a ideia de que há dois sistemas separados que interagem entre si.
A crítica formulada por autores como William Catton, Riley Dunlap, Herman Daly, Carl Folke, Johan Rockström e Vaclav Smil vai além dessa interpretação. Para esses pesquisadores, o problema é que, além da necessidade de compreender as interações entre sociedade e natureza, precisamos reconhecer que a própria separação entre ambas é artificial. O sistema humano não existe fora da natureza. A economia não existe fora da biosfera. A política não existe fora das restrições impostas pela disponibilidade de energia, de materiais e de água, e pela estabilidade climática. A sociedade é, em última instância, um subsistema inserido em um sistema ecológico muito maior.
Essa constatação parece óbvia quando observamos os organismos vivos. Nenhum animal existe fora dos fluxos de energia e de matéria que sustentam os ecossistemas. Nenhuma espécie está desconectada dos ciclos biogeoquímicos que regulam a disponibilidade de nutrientes, de água e de condições ambientais. Entretanto, quando passamos a analisar fenômenos sociais, frequentemente abandonamos essa lógica. A pobreza passa a ser discutida apenas como um problema econômico ao longo de toda a história humana. O crescimento é tratado como uma variável financeira. A urbanização é compreendida como um processo essencialmente social. A segurança energética é reduzida a uma questão tecnológica. Em muitos casos, as bases biofísicas que sustentam todos esses fenômenos desaparecem do debate.
Talvez esse seja um dos aspectos mais curiosos da modernidade. A sociedade desenvolveu uma extraordinária capacidade de compreender sistemas complexos, mas frequentemente analisa os fenômenos humanos como se estivessem parcialmente desvinculados de sua base ecológica. O resultado é a fragmentação do conhecimento. As ciências sociais estudam a sociedade. As ciências naturais estudam a natureza. As engenharias estudam as tecnologias. E, muitas vezes, perde-se a compreensão de que todos esses elementos fazem parte de um mesmo sistema.
Essa desconexão se manifesta em diversos campos. Na economia, a riqueza é medida predominantemente por indicadores monetários, enquanto a degradação dos sistemas naturais costuma ser tratada como uma externalidade. Na política, os debates priorizam legitimamente emprego, renda, inflação e crescimento econômico, mas raramente discutem com a mesma intensidade a estabilidade climática, a disponibilidade hídrica ou a resiliência ecológica que tornam possível a própria atividade econômica. Na educação, a história costuma ser apresentada como uma sucessão de eventos humanos, com pouca atenção ao papel da energia, dos recursos naturais e das transformações ambientais na formação das civilizações, como por exemplo, falar em revolução industrial sem abordar o carvão e o petróleo como elemento possibilitante desta transformação.
As cidades oferecem outro exemplo emblemático. Frequentemente são apresentadas como espaços artificiais, independentes da natureza. Entretanto, nenhuma cidade produz sua própria água, seu próprio alimento, seus próprios materiais ou sua própria estabilidade climática. As áreas urbanas apenas tornam invisíveis os sistemas ecológicos dos quais dependem. Quanto mais sofisticada a infraestrutura, maior tende a ser essa ilusão de autonomia.
No campo energético, essa reflexão ganha especial importância. A energia é, talvez, a manifestação mais evidente da dependência humana em relação aos sistemas naturais. Toda sociedade depende de fluxos energéticos para produzir alimentos, movimentar mercadorias, construir infraestrutura, transportar pessoas e sustentar atividades econômicas. Os recursos energéticos podem mudar ao longo do tempo, mas a dependência física permanece.
A própria transição energética ilustra essa realidade. A substituição dos combustíveis fósseis por fontes de baixo carbono representa uma transformação tecnológica extraordinária e necessária. Contudo, ela não elimina a materialidade dos sistemas energéticos. Painéis fotovoltaicos exigem silício, alumínio, cobre e vidro. Aerogeradores exigem aço, concreto e minerais críticos. Baterias exigem lítio, níquel, grafite e cobalto. Redes elétricas exigem enormes quantidades de materiais, energia e território. Em outras palavras, a transição energética altera os fluxos materiais e energéticos da sociedade, mas não elimina sua dependência da biosfera.
Talvez seja justamente esse o principal avanço teórico construído a partir do debate em torno da sustentabilidade. Durante décadas, o debate energético concentrou-se em garantir a oferta, a confiabilidade e os custos competitivos. Esses objetivos continuam fundamentais. Entretanto, os desafios contemporâneos exigem uma visão mais ampla. Sustentabilidade não significa apenas utilizar tecnologias mais eficientes ou reduzir as emissões. Deveria reconhecer que a economia está inserida na sociedade e que esta é apenas um dos subsistemas da biosfera.
Essa percepção não reduz a importância da tecnologia. Pelo contrário. Ela permite compreender seu verdadeiro papel. A inovação tecnológica pode ampliar os limites, aumentar a eficiência, reduzir os impactos e melhorar a qualidade de vida. O que ela não pode fazer é eliminar a dependência humana dos processos biofísicos que sustentam a vida.
Ao discutir energia, sustentabilidade e desenvolvimento, talvez a pergunta mais importante não seja qual tecnologia desenvolveremos nas próximas décadas. Talvez a questão fundamental seja outra: continuaremos a enxergar a sociedade como algo separado da natureza ou passaremos a reconhecê-la como parte inseparável dela?
Para os leitores interessados em aprofundar essa discussão, recomenda-se a leitura do artigo "Conceptualizing Human–Nature Relationships: Implications of Human Exceptionalist Thinking for Sustainability and Conservation", de Kim et al., publicado na revista Topics in Cognitive Science (2023). O trabalho apresenta uma análise abrangente do conceito de excepcionalismo humano, suas origens cognitivas e culturais, e suas implicações para a sustentabilidade, a conservação ambiental e a formulação de políticas públicas, complementando e aprofundando as reflexões deste texto.
OBS: Coluna publicada mensalmente na revista - "O Setor Elétrico".
*Danilo de Souza é professor na FAET/UFMT, pesquisador no NIEPE/FE/UFMT e no Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP).











