** Por conta das fortes chuvas, a assembleia convocada para a quarta-feira (25/02) foi adiada para a quinta-feira (26/02).
A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na sede e subsedes da Adufmat-Ssind:
Data: 26 de fevereiro de 2026 (quinta-feira)
Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.
Pauta:
1. Informes;
2. Análise de conjuntura;
3. Caderno de textos do 44° Congresso do ANDES-SN.
A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da sede de Cuiabá e nos campi do Araguaia e SINOP.
Cuiabá, 20 de fevereiro de 2026
Gestão Adufmat é pra lutar!
O Senado da Argentina aprovou, na noite do dia 11/02, a proposta de Reforma Trabalhista apresentada pelo governo de Javier Milei. A medida foi aprovada por 42 votos a 30, mas ainda será analisada e votada pela Câmara dos Deputados para entrar em vigor.
Foto: CTA Autónoma
A votação ocorreu em um clima de forte tensão social. Do lado de fora do Congresso Nacional, em Buenos Aires, milhares de manifestantes se reuniram para protestar contra a reforma, considerada por amplos setores do movimento sindical e da sociedade argentina um grave retrocesso nos direitos das trabalhadoras e dos trabalhadores. E a mobilização continua.
Docentes universitários participaram ativamente das manifestações, somando-se a sindicatos e movimentos sociais na defesa dos direitos trabalhistas, do financiamento da educação pública e de condições dignas de trabalho e de vida.
Foto: TeleSur
O projeto governista altera aspectos centrais da legislação trabalhista vigente sob o argumento de “modernizar” as relações de trabalho e impulsionar a economia. Entre os pontos mais controversos estão o afrouxamento das regras de contratação, a redução das indenizações por demissão e a ampliação do período de experiência para novos empregados. Além disso, o texto limita o direito de greve, permite o fracionamento das férias e introduz outras mudanças classificadas pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) como um retrocesso social.
Entidades sindicais e organizações sociais alertam que a proposta representa um ataque direto às conquistas históricas da classe trabalhadora, ao fragilizar vínculos empregatícios e reduzir garantias legais.
As mobilizações contra a reforma se intensificaram e o governo se utilizou das forças policiais para reprimir as e os manifestantes. Segundo balanços divulgados por organizações sociais, mais de 300 pessoas ficaram feridas e ao menos 70 foram detidas durante os protestos.
A agenda neoliberal do presidente Javier Milei já eliminou cerca de 300 mil postos de trabalho formais, impactando especialmente setores como a construção civil, a indústria e as economias regionais.
Fonte: Andes-SN (com informações da Telesur e edição e acrescimo de informações da Adufmat-Ssind)
Entre os dias 30 de março e 2 de abril, o ANDES-SN promove a Semana de Memória de Lutas, com o tema “Democracia, Autonomia e Luta Antirracista”.
De acordo com a Circular 55/2026, a iniciativa tem como objetivo dar visibilidade às lutas históricas do Sindicato Nacional, acumuladas ao longo de seus 45 anos de existência, e reafirmar seu compromisso com a defesa da democracia, da autonomia universitária, dos direitos trabalhistas e do enfrentamento ao racismo estrutural. A proposta é fortalecer a memória coletiva do movimento docente como ferramenta política para a resistência a projetos autoritários e de defesa das liberdades públicas.
Segundo Fernanda Mendonça, 1ª vice-presidenta da Regional Sul e da coordenação do Grupo de Trabalho de História do Movimento Docente (GTHMD) do ANDES-SN, a definição do período para a realização da Semana de Memória de Lutas tem um contexto político por estar inserida no marco temporal do golpe empresarial-militar de 1964. “A rememoração desse acontecimento constitui um exercício de reflexão crítica sobre os impactos autoritários que ainda incidem sobre as instituições, os direitos sociais e a vida democrática brasileira”, afirmou.
Ao longo da semana, o ANDES-SN orienta que as seções sindicais realizem atividades políticas, formativas e de mobilização, além de promoverem a produção e a divulgação de materiais relacionados ao tema. A defesa da autonomia universitária e a luta antirracista aparecem como eixos centrais da programação, entendidas como dimensões indissociáveis da defesa da democracia e da missão pública das instituições de ensino superior.
A Circular 55 reforça ainda a importância de que as seções sindicais enviem à Secretaria do ANDES-SN registros das atividades realizadas, bem como materiais que sistematizem as lutas desenvolvidas durante a semana em defesa da democracia, da autonomia universitária e do enfrentamento ao racismo nas universidades, institutos federais e cefets. As contribuições podem ser enviadas até o dia 6 de abril, por meio de formulário eletrônico.
Além disso, o Sindicato também indica o envio de levantamentos sobre os trabalhos das Comissões da Verdade nas instituições de ensino superior, assim como registros de iniciativas de desomenagem e de revogação de títulos honoríficos concedidos a agentes e apoiadores da ditadura, com o objetivo de contribuir para a construção de uma memória institucional comprometida com a justiça, a verdade e a reparação histórica.
Por fim, a diretora do Sindicato Nacional enfatiza a relevância da constituição de GTHMD nas seções sindicais para o “acúmulo e a reflexão crítica sobre as trajetórias de luta do ANDES-SN, fortalecendo a identidade sindical e assegurando a transmissão intergeracional da memória do movimento docente”.
Acesse aqui a Circular 55/2026 para mais informações
Fonte: Andes-SN
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Roberto Boaventura da Silva Sá
Dr. em Ciências da Comunicação/USP
Docente aposentado da UFMT
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Em 2002, semanas antes de Lula ter sido eleito presidente da República pela primeira vez, defendi uma tese na Eca/USP sobre a campanha eleitoral de 89, quando o ex-operário/ex-sindicalista perdera o pleito para Collor, um empresário da comunicação e declarado representante das elites. Assim que os trabalhos da minha defesa foram encerrados, um dos docentes da banca examinadora, que, por coincidência, era assessor de Lula na campanha eleitoral então em curso, me perguntou se, em caso de vitória petista, minha tese teria a mesma aplicabilidade.
Sim. Respondi.
O professor, doravante, identificado por K, sem se despedir de ninguém, retirou-se da sala, não me deixando sequer explicar que o meu “sim” tinha como lastro e ponto de partida a “Carta ao Povo Brasileiro”, assinada por Lula, em junho/2002, assegurando que, em caso de sua vitória, os contratos nacionais e internacionais seriam respeitados. Leia-se: submissão às cartas dadas pelo capital.
Assim, sem nunca atrapalhar interesses das elites e, como contrapartida, para o povão, oferecer políticas compensatórias, como as cotas, p. ex., que jamais mexerão em estruturas sociais, Lula, com as benções e (a)braços do status quo, foi eleito por mais duas vezes; agora, almeja o quarto mandato. Sendo assim, ao invés da esperança, na verdade, foi aquela assinatura – que continua a ter valor de “palavra empenhada”, bem como ter tido como seu vice um empresário (José Alencar) – o que, de fato, venceu o medo. O resto é material pra jingle de campanha ou para algum novo samba-enredo no porvir.
Mas por que o professor K me fez aquela pergunta, já fora da arguição?
Penso que esperava por uma resposta negativa que o mantivesse crendo no PT e em seu mito mor, prestes a se tornar, como de fato ocorreu, presidente da República.
De minha parte, o que defendi que instigou a curiosidade política de K?
Começo respondendo pelo título de meu trabalho: “A Revista Veja na Campanha Eleitoral de 1989: anúncios publicitários como extensão de textos jornalísticos”.
Para contextualizar, o motivo desse meu trabalho surgiu por conta de um anúncio da Philips, em Veja de 30/04/86, ano do início da Constituinte/88. Ali, apresentava-se a lâmpada a vapor sódio (Son Phillips). Em seu título, à lá fake news de bolhas hodiernas, sem nenhum dado concreto, lia-se: “O prefeito da esquerda gasta mais que o da direita”.
No texto explicativo do “produto lâmpada”, havia indução ao voto a candidatos da direita. Detalhe: em 86, o país elegeu, além de governadores, os senadores e deputados federais que elaboraram nossa atual Constituição; logo, o termo “prefeito” foi o despiste às leis para induzir os (e)leitores a votarem em políticos conservadores.
Em suma, defendi que a mídia brasileira, com destaque à Veja e à Globo, em 89, escolhera Collor de Mello – um falso “caçador de marajás”, envolto ao cinismo moral – para derrotar o lulopetismo. Para isso, esses veículos – com base na recorrente tríade “Deus/Pátria/Família”, essência do conservadorismo, que escalou para o golpismo – serviram como norteadores de ações por parte de praticamente todos da elite.
De sua parte, a publicidade inaugurava nova forma de atuação discursiva, nutrindo-se das pautas jornalísticas para promover primorosas peças, não publicitárias stricto sensu, mas de propaganda eleitoral, e sem que assim fosse identificada; logo, antes, ou mais do que vender um produto, pretendia-se impor uma ideia, um estilo de vida, uma opção político-partidária, um determinado candidato. O jogo foi pesado. Desonesto.
Como exemplo disso, destaco o anúncio/propaganda da Biocolor: “Vamos colorir este país”, numa referência direta a Collor. Neste caso, por conta de enunciado inequivocamente explícito, o TSE impediu sua continuidade. Todavia, outros tantos anúncios continuaram a atuar na mesma agenda conservadora, mas com sutilezas discursivas (verbais e não verbais) que só análises muito cuidadosas poderiam auxiliar o (e)leitor a compreender o complexo processo de indução subjetiva. Em suma, a persuasão passou a ser feita de forma sofisticadíssima; e a sofisticação, por ser sutil, é sempre mais eficaz do que o dito de forma explícita.
E, aqui, “entro” no desfile da Acadêmicos de Niterói, que, ao homenagear Lula, impôs ao país discussões que passariam sem bocas no trombone. Agora, não dá mais, pois, como é materializado num intertexto – à lá Chico Buarque –, já passou “...nessa avenida mais um samba popular”; aliás, este é um dos únicos versos poeticamente bem elaborados no “samba-enredo” daquela escola. Nos demais, salvo uma ou outra alusão pouco mais criativa, tudo se encontra no plano do referencial/denotativo, como nas crônicas históricas, só que tudo disposto em versos, ainda que de rimas tão pobres quanto previsíveis. Claro que para algum “crítico” mais apaixonado, a própria pobreza dos versos e das rimas poderia estar dialogando com a origem do homenageado. De qualquer forma, paradoxalmente, essa fragilidade poética não tirou a beleza da criação do empolgante “samba-enredo”, que, reafirmo, não passa de uma bela e bem elaborada crônica histórica.
Mas essa beleza, sendo predominantemente denotativa, e não conotativa, como deveria ser, pois letras musicais estão no mesmo balaio de poemas propriamente ditos, levou a escola ao explícito em todos os demais quesitos; assim, metáforas visuais cederam lugar a encenações primárias e apelativas, a começar pela segunda parte da Comissão de Frente: artisticamente, um teatro de segunda linha. O rebaixamento era previsível.
Indignada, em sua autodefesa, a Acadêmicos está dizendo que “a arte não é para os covardes”.
Concordo e ainda acrescento: nem para aventureiros, principalmente quando o financiamento tem quinhão do erário. E só para arrematar, não há arte de qualidade que se sustente no plano da denotação, do referencial; e faltou conotação à Acadêmicos; logo, faltou-lhe o essencial: o artístico. E se lhe faltou a essência naquele desfile, ao que, exatamente, assistimos?
Para manter minha coerência, que tento mantê-la em quaisquer circunstâncias, e me lembrando novamente do questionamento do professor K, respondo dizendo que o desfile da Acadêmicos de Niterói está na mesma lógica do anúncio da Biocolor, acima comentado, mas com muito mais abrangência de público atingido. Assim, em algum momento, por meio de alguma medida, por menor que seja, o TSE terá de se posicionar, até para a manutenção de algum verniz às leis eleitorais vigentes, pois, se esteve ausente o predomínio da subjetividade da arte, sobrando manifestações referenciais, algo foi apresentado para além de uma homenagem artístico-cultural a alguém.
Mas pasmem!!! Tudo poderia ter sido pior! Não foi porque a direção editorial da Globo, em protocolo especial, solicitou aos profissionais envolvidos na transmissão que evitassem mostrar e/ou comentar qualquer gesto explícito que pudesse ser caracterizado como propaganda política; que os planos abertos, como os de sobrevoos de drones ou da câmera em plongée, prevalecessem sobre os closes e sobre os planos em contra-plongée. Agora, realmente, quem quiser pode dizer: “isso (e também aquilo) a Globo não mostra”.
No caso, não mostrou mesmo, o que, aliás, é condenável em termos de trabalhar com a realidade. Seja como for, sorte de Lula. Sorte do PT. Sorte de todos aqueles, dentre os quais me incluo, que não gostariam de ver de volta à presidência da República alguém que possa representar o extremismo da direita golpista deste país, afinal, como dizem Carlos Lyra e Vinícius de Moraes, “acabou o nosso carnaval...// E, no entanto, é preciso cantar/ Mais que nunca é preciso cantar...”
No dia 19 de fevereiro de 1981, no Teatro do Centro de Convivência Cultural de Campinas (SP), nascia a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (ANDES), entidade que hoje, como ANDES Sindicato Nacional, completa 45 anos de trajetória de luta em defesa da categoria docente, da educação pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada.
Durante essas mais de quatro décadas, o movimento docente, através do ANDES-SN, também esteve envolvido em diversos momentos políticos cruciais para o país e para a luta por direitos da classe trabalhadora, no Brasil e também internacionalmente.
Nos próximos meses, a imprensa do ANDES-SN irá divulgar, todo dia 19 do mês, matérias que resgatam trechos dessa história, contados por quem participou (e/ou ainda participa) ativamente dessa construção. Como frisou o primeiro presidente do ANDES-SN, Osvaldo de Oliveira Maciel, em texto publicado dez anos após o término de seu mandato (1981-1982), o resgate da história é um compromisso permanente.
“Lembrar as coisas do passado é, com frequência, um exercício comprometido com o futuro”, afirmou Maciel, no artigo “Trabalhando a luta, construindo (a) história (I)”, divulgado no número 2 da revista Universidade e Sociedade, de novembro de 1991.

Osvaldo de Oliveira Maciel, durante o 7º Congresso, em Juiz de Fora (MG).
Osvaldo de Oliveira Maciel foi professor titular do departamento de Ciências Fisiológicas, do Centro de Ciências Biológicas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Maciel ingressou na UFSC em janeiro de 1966 e se aposentou em fevereiro de 1994. Foi um dos fundadores da Apufsc, em 1975, e exerceu a presidência da associação entre 1979 e 1982. Participou do movimento que resultou na fundação do ANDES-SN em 19681, sendo o primeiro presidente da Associação (1981-1982), que depois se transformaria em Sindicato Nacional. Maciel faleceu em 12 de dezembro de 2005.
O Processo de Articulação Nacional
O surgimento da ANDES foi o resultado de um amadurecimento coletivo do movimento docente organizado em associações docentes (ADs) pelo país. Esse processo se consolidou através de diversos Encontros Nacionais de ADs (ENADs) até culminar no Congresso Nacional de Docentes Universitários, em Campinas (SP), em 1981.
Em julho de 1978, convocados por um cartaz colocado pela Associação de Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), na secretaria da 30° Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), 17 ADs de vários estados reuniram-se pela primeira vez. Conforme contou Maciel, alguns dos representantes ou associados de Ads , que lá se encontravam para apresentar trabalhos científicos, traziam, na bagagem, o patrimônio político forjado nas lutas do movimento estudantil.
“A reunião das Ads, em julho de 1978, foi o catalisador que deu início a uma reação em cadeia, no sentido da revitalização política do trabalho das Associações e do crescimento do movimento docente, par e passo com o crescimento da luta de resistência democrática contra o autoritarismo”, relatou.
Dali surgiu a convocatória para o I ENAD. Realizado em fevereiro de 1979, também em São Paulo, o encontro reuniu 24 ADs. Após fazer uma análise crítica da Reforma Universitária e do autoritarismo vigente na Universidade, da instabilidade funcional e do arrocho salarial imposto à maioria dos docentes, os participantes aprovaram propostas que, segundo Maciel, iriam “nortear a trajetória do Movimento Docente”.
O I ENAD afirmou que a democratização da universidade era indissociável da redemocratização do país e exigiu a eliminação de mecanismos repressivos. Pautou a necessidade da articulação nacional das Ads e a coordenação das lutas pela autonomia universitária, a luta sistemática e organizada contra o expurgo, a triagem e a discriminação ideológica, pela reintegração dos docentes afastados do trabalho por expurgo, cassação ou aposentadoria.
Foram aprovadas, ainda, a luta pela extinção das figuras de Professor Voluntários e Horistas, com realização anual de Concurso, extensivo aos colaboradores para admissão na categoria funcional equivalente à sua titulação acadêmica; contra a expansão do ensino particular e pela contínua expansão da gratuidade do ensino; pelo aumento de verbas para a Educação; pela defesa da educação pública e contra a ampliação da educação privada; e pela defesa da liberdade, autonomia e unidade sindical, e a colaboração com o Movimento Brasileiro pela Anistia, entre outras.
Outra decisão importante foi a de formar um Grupo de Trabalho para elaborar um documento acerca de um projeto alternativo de Reforma Universitária a ser "objeto de ampla discussão a ser travada pela Comunidade Universitária Nacional". Também foi convocado o II ENAD, para 1980.
Acontecendo esse encontro, foi realizada uma reunião extraordinária, em setembro de 1979, em Salvador (BA), que marcou a resistência contra o "Pacote Portella" e o arbítrio, reafirmando a luta pelo ensino público e gratuito. O II ENAD, aconteceu no ano seguinte, em fevereiro, na cidade de João Pessoa (PB). O encontro representou um avanço qualitativo com a participação de 180 docentes, de 38 ADs, consolidando a unificação da luta em torno do reajuste salarial e da carreira.
Em julho de 1980, no Rio de Janeiro, ocorreu o Encontro Nacional Extraordinário (ENEx AD). Com um recorde de 49 ADs, foi tomada a decisão histórica de convocar o Congresso Nacional de Docentes Unificados (CNDU), para ocorrer após o III ENAD, tendo como pauta única a para criação da entidade nacional.
Conforme Maciel, um fator determinante para a unificação da categoria foi a experiência da primeira greve nacional dos docentes das instituições federais autárquicas, realizada em novembro de 1980, que confrontou a legislação autoritária da época.
“Éramos colegas; hoje somos companheiros de lutas”
A criação da ANDES ocorreu, então, durante o I Congresso Nacional dos Docentes Universitários, em um contexto marcado pela ditadura empresarial-militar e pela efervescência de movimentos sociais que buscavam a redemocratização do país. Como recordou o primeiro presidente da entidade, a associação “surgiu porque era uma necessidade objetiva orgânica, sentida pelos professores universitários".
O I CNDU reuniu cerca de 300 delegados e delegadas, representando mais de 30.000 professores. O clima era de absoluta vibração. Maciel descreveu o momento da decisão, tomada por unanimidade. “O momento é empolgante, o Plenário agitado, em pé, saudando o nascimento da ANDES. Foi naquele instante que se consolidou a frase que se tornaria o lema eterno da nossa luta: ‘Éramos colegas; hoje somos companheiros de lutas’”, lembrou.
A ANDES nascia com a missão de ser autônoma em relação ao Estado e às administrações universitárias, defendendo um ensino público, gratuito, laico e de qualidade. Para Maciel, assumir a presidência naquele momento foi aceitar o desafio de "provar que era possível" construir algo novo em plena ditadura. “Afinal, antes de fundarmos a ANDES, pouca gente acreditava que desse certo. E a minha tarefa, como seu primeiro presidente, foi provar que era possível”, relatou em entrevista à revista Universidade e Sociedade n° 10, de fevereiro de 1996.
Nessa entrevista, Maciel destacou ainda que, embora o movimento enfrentasse a repressão externa e interna, o aprendizado político ocorria na prática diuturna da luta. Ele ressaltou a solidariedade como marca do movimento. “Se há uma coisa que esse movimento mostrou é que se pode ser muito solidário, muito amigo. É necessário, no sindicalismo, ter bons amigos, bons companheiros. Isso tudo, sem falar que, quando a luta para construir uma coisa que dá certo, a vitória passa a ser o seu patrimônio de realização”, afirmou.
Participaram da fundação da ANDES 21 ADs de Instituições de Ensino Superior (IES) Federais Autárquicas (FA), 17 ADs de lES Particulares (P), 13 ADs de lES Federais Fundações (FF), 5 ADs de lES Estaduais (E), 3 ADs de lES Regionais (R) e 1 AD de Pesquisadores e Tecnologia (P).

I CONGRESSO DA ANDES
A consolidação institucional ocorreu em Florianópolis, entre 1 e 5 de fevereiro de 1982, no I Congresso da ANDES, que ratificou os princípios fundamentais de defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade. Para Osvaldo Maciel, aquele momento exigiu "força e lucidez" para enfrentar os processos de privatização e reestruturação autoritária da universidade.
O I Congresso reuniu 270 delegadas e delegados e teve como pauta: Avaliação do movimento; Programa de luta; Estatuto definitivo; e Eleição da 1ª diretoria. “Foi possível, então, refletir coletivamente sobre os resultados obtidos pelo movimento no decorrer de 1981. O ponto de partida para a discussão foi o documento ‘Pontos para uma avaliação do Movimento’ apresentado pela diretoria da ANDES”, resgatou Maciel, em texto extraído do número 4 da revista Universidade e Sociedade, de novembro de 1992.
"No decorrer do seu primeiro ano, a ANDES teve que assumir, através de suas diferentes instâncias de decisão, algumas tarefas fundamentais. Entre estas a de coordenar e orientar a nível nacional as diferentes lutas que se colocavam para o movimento, garantido, ao mesmo tempo, um mínimo de organização e infraestrutura interna, ao lado da necessidade de favorecer o processo de expansão do movimento. Como seria de esperar, tais tarefas não foram cumpridas na sua plenitude. Vários fatores contribuíram para isso, entre eles a pouca experiência nacional do movimento, a identificação do Congresso de Campinas em certos aspectos, em especial no que diz respeito a elaboração de um programa de lutas claro e objetivo, as limitações da própria diretoria e sérias dificuldades de ordem financeira, devido a uma arrecadação irregular e bem aquém das necessidades que se impunham", afirmava o documento da primeira diretoria da entidade.
“Mesmo assim, um balanço realista deste ano mostra que a ANDES se consolidou nacionalmente, mesmo sem ter ocupado todos os espaços disponíveis”, ponderou Maciel.

“Ao contrário do que ocorrera no Congresso de Campinas, o primeiro congresso registra a multiplicação de discussões políticas que se prolongam madrugada adentro, com amplo debate sobre concepções e formas de organizar e dirigir a ANDES e o movimento nacional dos docentes. Isto ocorre sem que se esvaziem os trabalhos de pauta oficial do congresso, o que obriga dirigentes e delegados a um ritmo intenso e desgastante, mas que permite produzir uma apreciável soma de resultados. Entre esses cabe destacar a aprovação do Estatuto da ANDES, deliberação de realizar eleições diretas para escolha da diretoria, definição das pautas de lutas setoriais, a escolha de 1982 como ano de defesa do ensino público e gratuito e a aprovação da Carta de Florianópolis, que expressa a declaração política do primeiro congresso”, contou o docente.
Organização sob vigilância
A organização dos e das docentes foi acompanhada de perto pelos órgãos de repressão do governo militar. Arquivos do Serviço de Informações da Polícia Federal, como o Relatório Confidencial nº 057/82-SI/SR/DPF/SC, comprovam a monitoração sistemática do movimento. Agentes do regime acompanharam o I Congresso da entidade, registrando a presença de "militantes do movimento estudantil e do Partido dos Trabalhadores" e monitorando convidados internacionais, como Daniel Retureau, da Federação Internacional Sindical do Ensino (FISE).
Os relatórios detalhavam as discussões e até as moções de cunho político aprovadas pela categoria, como o apoio aos trabalhadores da Polônia e a solidariedade ao povo de El Salvador, evidenciando que o Estado via a organização sindical docente como uma ameaça à ordem estabelecida. Além disso, registravam a lista de presença do I Congresso e a Carta de Florianópolis.

Compromisso com o Futuro
Ao refletir sobre a fundação, Maciel destacou que “lutar pela democracia na sociedade e na Universidade significa lutar em conjunto com os segmentos democráticos da Nação”.
“Lembrar as coisas do passado é, com frequência, um exercício comprometido com o futuro. Esse é o sentimento que me domina ao lembrar que hoje, dez anos depois de haver deixado a presidência da ANDES, a conquista da democracia na sociedade e na Universidade e a transformação da educação são objetivos plenamente atuais. "Acelerar o futuro" é uma palavra de ordem que está plenamente colocada para os militantes do MD, muito mais fortalecida quando nos damos conta de que hoje estamos mais armados para lutar por ela, porque fomos capazes de construir uma entidade feita de lutas, princípios e valores”, concluiu, no texto “Trabalhando a luta, construindo (a) história(II)”, publicado em 1992.
Preservando a memória
Esta matéria foi produzida com apoio do Centro de Documentação (Cedoc) Professor Osvaldo de Oliveira Maciel do ANDES-SN. O Cedoc é o setor responsável por preservar e custodiar os documentos e materiais resultantes das atividades de luta desde sua fundação. Seu acervo possui uma vasta documentação sobre a atuação e as conquistas do Sindicato Nacional.
O Centro foi criado a partir de uma deliberação do 41º Conad, em 2000, com o objetivo de assegurar o trato permanente da documentação do ANDES-SN e a garantia da perspectiva histórica de sua trajetória, com vistas à pesquisa pública. Em 2011, o 30º Congresso do ANDES-SN deliberou que o espaço passaria a se intitular Cedoc Professor Osvaldo de Oliveira Maciel, em homenagem ao primeiro presidente do Sindicato Nacional.
O Cedoc fica localizado em Brasília, na sede do ANDES-SN, no 3º andar. No espaço, existem duas exposições permanentes: “Espaço Memória” e “Memorial dos docentes perseguidos na ditadura empresarial militar” - esta última inaugurada em 2024. Caso você tenha interesse em pesquisar os arquivos ou visitar o Cedoc, basta entrar em contato pelo email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..
O Centro também recebe arquivos digitais que sejam relacionados à história do ANDES-SN e do movimento docente, que podem ser encaminhados através do mesmo email.
ANDES-SN: 45 anos de autonomia, democracia e defesa da educação pública!
Juntos somos mais forte! Sindicalize-se!
Fonte: Andes-SN
Você consegue lembrar de quando tinha 16, 17 anos? Pode ser uma das fases mais decisivas na vida de uma pessoa. Nesta idade, os brasileiros que cumprem a trajetória escolar conforme determina o Estado estão concluindo a educação básica, mais especificamente o Ensino Médio. É um momento de escolha. O que fazer depois disso?
Apesar de a grade curricular ter passado por transformações no sentido de preparar esses jovens já para o mercado de trabalho, especialmente com o chamado “Novo Ensino Médio”, a escola pública ainda estimula a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), porta de entrada para o ensino superior, tanto público quanto privado – estes por meio de programas como Prouni e Fies. Ou seja, quem não consegue nota para entrar em algum curso oferecido por instituição pública, pode conseguir uma bolsa. As opções vão desde curso superior presencial até tecnólogo totalmente online, passando por modelos semipresenciais.
Mesmo assim, com todas essas “facilidades” e “incentivos” para cursar o ensino superior, a evasão escolar e a ociosidade das vagas ainda são grandes problemas a serem enfrentados. O governo brasileiro afirma que está havendo uma recuperação pós pandemia, mas os dados do próprio Censo da Educação Superior 2024 (veja aqui) ainda apontam evasão em torno de 40% nos cursos presenciais, e chegam a ultrapassar 60% nos modelos de Ensino à Distância (EaD).
A Adufmat-Ssind fez um levantamento desses dados em meados de 2024 e apontou as questões econômicas no centro da questão (leia a matéria aqui). Em 2026, a conclusão é a mesma: os filhos da classe trabalhadora precisam trabalhar, por isso têm dificuldade para continuar com os estudos. Eles entendem a importância de cursar o ensino superior, sabem que isso pode fazer diferença em suas vidas, mas não têm apoio em casa, porque a prioridade são as condições materiais.
Dessa vez, as informações foram obtidas por meio de entrevistas realizadas com estudantes de uma escola, localizada no Bairro Pedra 90, em Cuiabá. O diálogo foi presencial e devidamente autorizado e orientado pela coordenação e direção da escola. Como são menores de idade, os nomes dos entrevistados não serão citados.
As percepções, no entanto, reafirmam o diagnóstico de que não se trata de desvalorização do ensino superior, de desprestígio das universidades, mas de falta de condições concretas para seguir esta etapa de formação.
Foram entrevistados quatro estudantes. É um número pequeno, mas representativo diante da turma: uma sala de ensino em período integral, que concentra não mais do que 15 jovens. Diante desse número, o sindicato dialogou com quase 30% dos presentes, uma amostra considerável. Os quatro foram os únicos que se colocaram à disposição para falar sobre o tema proposto: perspectivas para depois do ensino médio.
O fato de a turma ser tão pequena se mostrou indicativo precoce das respostas que obtivemos a partir das perguntas, realizadas individualmente. Os estudantes que ainda não trabalham têm perspectiva de começar a trabalhar ainda este ano – ou seja, durante o último ano do ensino básico. Todos responderam que não têm incentivo necessário em casa para seguir com os estudos. Um dos entrevistados disse que os pais consideram uma “perda de tempo” estudar, enquanto ele poderia estar trabalhando.
Outro justificou “não que eles não me apoiem, mas não apoiam tanto quanto eu preciso [...] dizem para eu focar primeiro em trabalhar, depois, mais para a frente, pensar no curso”, compartilhou.
Nenhum dos entrevistados tem pai ou mãe graduados, apenas um deles disse que a irmã está cursando o ensino superior numa universidade pública. Diferentemente dos colegas, ele foi o único que já pisou na Universidade Federal de Mato Grosso, e disse ter gostado do que viu.
Sobre os olhares para as instituições públicas e privadas de ensino superior, todos acreditam que a qualidade de ensino na pública é igual ou superior, apenas um indicou uma possível desvantagem física das instituições públicas, de forma generalizada – mesmo que nunca tenha entrado numa universidade pública. Nenhum comentário que desqualifique moralmente a universidade pública. Pelo contrário, mesmo quando não souberam justificar o motivo, disseram que pretendem cursar a universidade pública porque é a melhor opção. Outro entrevistado disse que, entre faculdade particular e pública, pretende entrar na universidade federal porque isso depende de “mérito” e ele quer ter esse reconhecimento.
Revoga o Novo Ensino Médio

Em conjunto com o Movimento Estudantil e outros sindicatos, o Andes – Sindicato Nacional e suas seções sindicais realizaram eventos e mobilizações contra o Novo Ensino Médio - aprovado em 2017, reformado em 2022 e implementado integralmente em 2024. A crítica é justamente o perfil do curso, que passa a ser voltado aos interesses do mercado. Numa das imagens que a Adufmat-Ssind fez na escola aparece a tela “Makerspace profissão 4.0”, que é um espaço de aprendizado desenvolvido pelo governo em parceria com instituições interessadas na formação mais tecnológica dos estudantes.
Saem as disciplinas mais teóricas, reflexivas, cobradas no vestibular e exploradas nos cursos de ensino superior, e entram disciplinas mais voltadas ao improviso pela sobrevivência, como projetos e oficinas, que envolvem especialmente ideias de empreendedorismo e educação financeira.
Para os movimentos de trabalhadores organizados, o Novo Ensino Médio representa claramente um desmonte da educação e, consequentemente, o rebaixamento do futuro dos seus filhos.
A ideia é ensinar os estudantes a se adequarem a determinada realidade e sobreviver dentro dela. Mas eles ainda resistem.
Pode ser que o próprio perfil desses jovens, que ainda desejam fazer o curso superior, mude com o passar do tempo, estimulados pelo que impõe o Novo Ensino Médio e os pais. Resta aos movimentos sociais persistirem na luta, na expectativa de que esses e outros milhares de jovens consigam atravessar as barreiras que os cercam e, daqui a cinco anos, estejam onde afirmaram que pretendem estar: exercendo atividades nas áreas de Economia, Educação Física, Engenharia de Software, Engenharia Robótica, Medicina ou Direito.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
A Adufmat-Ssind informa que, devido ao recesso de carnaval, não haverá expediente na sede e subsedes do sindicato nos dias 16, 17 e 18/02. Retomaremos as atividades na quinta-feira, 19/02.
Adufmat-Ssind
O início de 2026 marca mais um capítulo dos ataques do governo de Mato Grosso aos direitos históricos do funcionalismo público estadual. Em meio à mobilização das servidoras e dos servidores públicos pela recomposição das perdas acumuladas da Revisão Geral Anual (RGA), o Executivo encaminhou à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) o Projeto de Lei Complementar (PLC) 01/2026, que pretende limitar a possibilidade de afastamento remunerado de servidoras e servidores públicos para o exercício de cargo de direção em sindicatos ou associações de classe.
Sob o discurso de “modernização” e “racionalização administrativa”, o PLC impõe limites à liberação remunerada de servidoras e servidores para o exercício de mandatos em sindicatos e entidades representativas. Para o movimento sindical, a proposta atinge diretamente a autonomia das organizações e a liberdade sindical.
A proposta altera dispositivos da Lei Complementar nº 04/1990 (Estatuto dos Servidores Públicos do Estado) e modifica o artigo 115, que assegura o direito à licença para o desempenho de mandato em confederações, federações, sindicatos e associações de classe.
Entre as mudanças está a inclusão do parágrafo 3º, que veda a concessão de licença remunerada após uma reeleição consecutiva. Na prática, dirigentes que cumprirem dois mandatos consecutivos passam a ser obrigados a “conciliar” a atividade sindical com as atribuições do cargo efetivo, sem afastamento do trabalho.
Além disso, mesmo que a servidora e o servidor sejam eleitos ou reeleitos para continuar na direção do sindicato ou de uma associação, não poderão mais se afastar do trabalho para exercer o mandato. O projeto prevê apenas a possibilidade de “flexibilização de horário” para participação em assembleias, reuniões ou atos, condicionada à autorização da chefia imediata.
Para as entidades, ao restringir o afastamento e dificultar a dedicação integral à atividade sindical, o PLC compromete o funcionamento dos sindicatos e enfraquece a capacidade de mobilização coletiva, interferindo no direito constitucional à livre organização sindical. A avaliação é de que a medida incide justamente em um momento de intensificação das lutas pela garantia de direitos.
Contexto de mobilizações
A proposta não surge de forma isolada. No início do ano, servidoras e servidores lotaram as galerias da ALMT durante a votação da RGA, reivindicando o pagamento de 19,52% de perdas salariais não quitadas pelo governo, parte de um passivo acumulado ao longo dos anos.
Atualmente, as perdas salariais somam 18,38%. Soma-se a esse cenário o escândalo envolvendo descontos em folha referentes a empréstimos consignados, denunciado por sindicatos, que apontaram irregularidades, cobranças abusivas e falta de transparência nos contratos firmados com instituições financeiras.
Audiência Pública
A tramitação do PLC 01/2026 motivou a realização de uma audiência pública na ALMT, na terça-feira (10). O encontro reuniu dirigentes de mais de 50 sindicatos, federações e associações de servidoras e servidores estaduais e municipais. O projeto foi duramente criticado por representantes das entidades e por parlamentares presentes.
O tesoureiro-geral da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat – Seção Sindical do ANDES-SN), Domingos Sávio Garcia, avaliou que o PLC surge em um contexto de mobilizações recentes. “Esse projeto chega num momento em que os sindicatos mostram força. Quando os sindicatos se fortalecem, o governo busca alterar regras que impactam a organização coletiva”, afirmou.
Na mesma linha, a presidenta da Adunemat SSind., Luciene Neves, ressaltou que o PLC 01/2026 não pode ser tratado como um ajuste técnico na legislação. “O governo atinge o funcionalismo ao alterar regras que afetam diretamente sindicatos e associações que atuam na defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do serviço público em Mato Grosso”, destacou.
Representantes sindicais alertaram ainda para os possíveis impactos da proposta no âmbito municipal. Em diversos municípios, a legislação local reproduz dispositivos do Estatuto dos Servidores do Estado, o que pode levar à aplicação indireta das mesmas restrições.
Tramitação e mobilização
Ao final da audiência pública, as entidades deliberaram intensificar a mobilização e acompanhar de perto a tramitação do PLC na assembleia, pressionando pela retirada do projeto da pauta. Parlamentares indicaram que, caso a proposta não seja retirada, será disputada a apresentação de emendas ou de um substitutivo integral para descaracterizar os pontos mais nocivos ao direito de organização sindical.
O PLC 01/2026 já recebeu parecer favorável da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da ALMT, sob relatoria do deputado Dilmar Dal Bosco (União), e está apto para votação em plenário. Para ser aprovado, necessita do voto favorável de, no mínimo, 13 das e dos 24 deputados estaduais.
Fonte: Adunemat SSind. (com edição e acréscimo de informações do ANDES-SN)
Governo federal suspende edital de drenagem, mas mobilização cobra revogação de decreto
Representantes de povos indígenas do Baixo Tapajós e de movimentos sociais mantêm a ocupação da área da Cargill no porto de Santarém (PA), iniciada em 22 de janeiro. Após muita pressão da mobilização, inclusive com o fechamento do aeroporto de Santarém (PA) no último dia 4, o governo federal suspendeu o Pregão Eletrônico nº 90515/2025, cujo objeto é a contratação de empresa especializada para a execução do Plano Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária (PADMA) na Hidrovia do Rio Tapajós, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Foto: Cita / @vittiin_silva2006
Em nota publicada na sexta-feira (6), o governo informou que irá instituir um Grupo de Trabalho Interministerial, com a participação de órgãos e entidades da administração pública federal, bem como de representantes indicados pelos povos indígenas da região do Rio Tapajós com a finalidade de discutir, sistematizar e orientar os processos de consulta livre, prévia e informada; e apresentar, em diálogo com os povos indígenas, o cronograma dos processos de consulta livre, prévia e informada referente à Concessão da Hidrovia do Tapajós. Também já foram realizadas reuniões entre representantes do Executivo Federal e dos povos indígenas.
Porém, as e os manifestantes permanecem ocupando a área e comunicaram que só encerrarão a ocupação após a publicação, em diário oficial, da revogação do Decreto nº 12.600/2025, que incluiu trechos hidroviários no rio Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND) e pretende transformar o rio em um canal industrial para o agronegócio. Segundo o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), além da revogação, o grupo também pede a anulação do pregão e a publicação dos atos no Diário Oficial.
No domingo (8), foi realizada uma caminhada na orla de Santarém, reunindo o movimento indígena e diversos movimentos sociais comprometidos com a defesa da vida e do território. “Seguimos nas ruas e na orla de Santarém porque o rio não é mercadoria, é ser vivo, é ancestralidade, é existência. Contra a dragagem e contra os decretos que ameaçam nossos territórios, seguimos firmes, com coragem e coletividade. Defender o Tapajós é defender a vida”, afirmou o Cita em suas redes sociais.
Foto: Cita / @kamsampaio
Nesta segunda-feira (9), 19º dia de ocupação do porto da Cargill, manifestantes foram à Câmara Municipal de Santarém para protocolar o pedido de impeachment do vereador Malaquias Mottin (PL). Na última quinta-feira (5), o vereador avançou com seu automóvel contra indígenas que estavam na barreira de contenção da ocupação. “Não aceitaremos violência, intimidação ou criminalização da luta indígena. Quem ataca o nosso povo não pode nos representar. Nossa presença é resistência. Nossa luta é pela vida, pelo Rio Tapajós e pelo respeito aos povos indígenas”, afirmou o Cita.
Fonte: Andes-SN (com informações do Cita e Tapajós de Fato)
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
Priscilla Alyne Sumaio**
“Os direitos individuais e coletivos dos povos indígenas são inegociáveis. Nem hoje e nem nunca.” (GUTERRES, António. Secretário-Geral da ONU, discurso de abertura da 24ª Sessão do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas, 18 abr. 2023).
Em homenagem e lembrança do assassinato do líder indígena guarani Sepé Tiarajú, ocorrido em 1756 na região das antigas Missões, no atual estado do Rio Grande do Sul, foi instituído, por meio da Lei Federal nº 11.696, de 2 de junho de 2008, o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, celebrado em 7 de fevereiro. Trata-se de uma data que simboliza resistência, memória e a denúncia histórica das violências sofridas pelos povos originários no Brasil.
A luta dos povos indígenas no Brasil, ao longo de mais de 525 anos desde a chegada dos colonizadores, tem sido marcada por um processo contínuo de expropriação territorial, violência sistemática e extermínio de diversos povos originários. Esse processo envolve a invasão e grilagem de terras, a destruição de territórios, a contaminação de rios por mercúrio e a perseguição de lideranças indígenas, podendo ser compreendido como um genocídio contínuo, que se manifesta em dimensões físicas, culturais e simbólicas.
Segundo registros históricos, estima-se que, à época da chegada dos colonizadores europeus, a população indígena no território brasileiro era de aproximadamente cinco milhões de pessoas. Atualmente, esse número é de cerca de 1,7 milhão. Esses dados evidenciam a magnitude do impacto demográfico, social e cultural da colonização, bem como das políticas de extermínio e assimilação forçada implementadas ao longo da história.
Embora a chamada “questão indígena” esteja presente em diferentes Constituições e legislações nacionais, a atuação dos governantes e dos poderes públicos, com raras exceções, tem sido marcada por práticas autoritárias, desrespeitosas ou por políticas assistencialistas e paternalistas. Tais práticas negam aos povos indígenas o reconhecimento de sua autonomia, de seu protagonismo político e de seu direito à autodeterminação.
Adicionalmente, a ideologia dominante amplamente disseminada, inclusive pelos meios de comunicação, contribuiu para a construção de estereótipos que retratam os povos indígenas como preguiçosos, privilegiados ou como entraves ao progresso nacional. Essas representações desumanizantes ignoram as formas próprias de organização social, os sistemas de conhecimento tradicionais e a relação sustentável que os povos indígenas mantêm com seus territórios ancestrais.
A partir da década de 1960, com a expansão das fronteiras agrícolas e a ocupação intensiva das regiões Centro-Oeste e Norte do país — especialmente após a transferência da capital federal para Brasília e a abertura de grandes rodovias — os conflitos fundiários envolvendo povos indígenas passaram a ocorrer de forma sistemática. Grandes projetos econômicos, latifúndios financiados pelo Estado, bem como o avanço do garimpo, da exploração madeireira e da grilagem de terras, aprofundaram esse cenário de violência estrutural.
Outro elemento central desses conflitos foi a titulação de terras classificadas como “devolutas”, desconsiderando a presença histórica de povos indígenas nesses territórios. Essa prática resultou em expulsões forçadas, assassinatos, destruição cultural e inúmeras violações de direitos humanos.
Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, especialmente por meio do artigo 231, foram reconhecidos aos povos indígenas seus direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, bem como o direito à preservação de suas línguas, culturas, crenças e formas de organização social. Esses direitos são anteriores à própria formação do Estado brasileiro e, portanto, devem ser plenamente respeitados.
Apesar desse avanço constitucional, surgiram ataques recentes aos direitos indígenas, como a tese do Marco Temporal, posteriormente convertida na Lei nº 14.701, de 20 de outubro de 2023. Essa tese desconsidera expulsões, massacres e deslocamentos forçados ocorridos antes de 1988, aprofundando a insegurança jurídica nos territórios indígenas.
A luta dos povos indígenas constitui, portanto, uma luta pela vida, pela memória, pela diversidade cultural e pela justiça histórica. Defender os direitos indígenas é, simultaneamente, defender o meio ambiente, a democracia e o futuro do Brasil.
SOBRE OS AUTORES
*Juacy da Silva – Professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista e articulador da Pastoral da Ecologia Integral da Região Centro-Oeste.
**Priscilla Alyne Sumaio – Professora doutora em Linguística, docente da Universidade Federal de Goiás (UFG), com atuação nas áreas de Libras, Línguas Indígenas de Sinais e Ensino. Pesquisadora no campo das línguas indígenas de sinais, com trabalhos voltados à documentação, descrição e valorização das línguas e culturas de povos indígenas surdos. Atua na formação de professores, na defesa dos direitos linguísticos e na promoção de uma educação intercultural.












