Circular nº 276/2026
Brasília, 13 de julho de 2026.
Às Seções Sindicais, às Secretarias Regionais e às(aos) Diretoras(es) do ANDES-SN
Assunto: Convoca reunião do Setor das Federais (21 a 23/08/2026).
Companheiras(os),
A Coordenação do Setor das Federais convoca a categoria para reunião que ocorrerá nos dias 21, 22 e 23 de agosto de 2026, em Brasília (DF), na sede do ANDES- SN, com início às 18h30 do dia 21 de agosto (sexta-feira) e término previsto para domingo, 23 de agosto de 2026, às 12h. A pauta será enviada posteriormente, via circular.
As seções sindicais podem indicar inscrição das(os) representantes para a reunião do Setor das Federais até as 12h do dia 17 de agosto de 2026 (segunda-feira), por meio do formulário enviado para as seções.
As seções sindicais que desejarem enviar seus informes para constar no relatório da reunião do Setor das Federais deverão fazê-lo até o dia 19 de agosto de 2026 (quarta-feira), por meio do formulário também enviado para as seções.
Sem mais para o momento, enviamos nossas cordiais saudações sindicais e universitárias.
Prof.ª Fernanda Maria da Costa Vieira
Secretária-Geral
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Alair Silveira
Professora e Pesquisadora do SOCIP e do PPGPS
Pós-doutoranda Universidad de Buenos Aires (UBA)
Membro do Grupo de Pesquisa MERQO/CNPq e do GTPFS/ADUFMAT-ANDES/SN
Miembro del Grupo de Trabajo Derechas Contemporaneas/CLACSO
"Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim. / E não dizemos nada. / Na segunda noite, já não se escondem; pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada. / Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. / E já não podemos dizer nada."
Eduardo Alves da Costa
Há muitos anos alguns colegas denunciam a cultura empresarial que tem avançado por dentro das instituições acadêmicas, transformando radicalmente a atividade docente e o desenvolvimento de pesquisas científicas. Portanto, não se trata de um problema novo. O que realmente impacta são as assustadoras proporções que o gerencialismo empresarial tomou dentro das universidades, vassalando a autonomia universitária e a capacidade crítica de parte muito significativa de professores e pesquisadores. Seja por adesão ideológica ou necessidade de sobrevivência acadêmica, docentes-pesquisadores foram sendo – progressivamente – submetidos à lógica quantitativa das “entregas”, ou seja, da quantidade de produtos que, ao final de cada período, têm que disponibilizar em ‘prateleiras’ que atendem por muitos nomes: Lattes, CAPES, CNPq, PROPESQ, Sucupira, Stella, QUALIS... Não por acaso, uma das frases mais comuns aos professores e pesquisadores é: ‘não tenho tempo’. Também não é por coincidência que os percentuais de adoecimento, ansiedade e/ou depressão têm alcançado números expressivos na categoria docente.
Porém, impõe-se reconhecer que a lógica gerencialista-produtivista não se impôs sem, antes, conquistar muitos corações e mentes dentro dos ambientes acadêmicos. Como o poema de Eduardo A. Costa[1] (em destaque), o processo de transformação da pesquisa acadêmica-científica em esteira de produção fordista não se consolidou sem a adesão e/ou resignação pessoal e institucional. Em sintonia com o modus operandi de organismos internacionais como o Banco Mundial e o FMI[2], o “convencimento” quanto às soluções gerenciais para aferir o desempenho e a produtividade acadêmica foi sendo construído sobre a dupla face do condicionamento da aprovação dos recursos à métrica dos números. Avaliados conforme o estoque quantitativo de produção em tempos estabelecidos, o trabalho docente e a pesquisa reduziram-se ao produto, desconsiderando-se todo o processo de coleta, sistematização e maturação empírica que antecede à elaboração intelectual.
A vassalagem à lógica gerencial-produtivista produziu uma multiplicidade de tipos que oscila entre indignados, resignados, indiferentes, desistentes, aderentes, ostentadores e multiplicadores. Mas, produziu também, estratégias de sobrevivência acadêmica: registrar toda e qualquer atividade, exposição, produção; limitar a elaboração intelectual a um número cada vez menor de páginas; ‘esquartejar’ dissertações e teses para multiplicar o número final de artigos e Papers; assinar vários artigos com outros autores para pontuar; moldar-se às classificações de rankings, nos quais livros pontuam menos do que artigos; hiperespecialização em determinados assuntos, a partir da qual é possível produzir múltiplos artigos sobre o mesmo tema etc. etc. etc. Seja qual for o recurso utilizado para projetar-se neste universo gerencial-produtivista, é a métrica da quantidade que se impõe.
Junto ao modus operandi dos organismos financeiros internacionais supracitados, a hegemonia da cultura pós-moderna dentro dos espaços universitários firmou o terreno fértil para a captura de mentes e corações acadêmicos. Sob o império das subjetividades descoladas das metateorias, do relativo, do fragmento e da bricolagem, do imagético e do volátil, o papel e a responsabilidade social da universidade pública, da autonomia da pesquisa científica e da proeminência dos critérios qualitativos foram sendo secundarizados pela naturalização da irrazoabilidade.
Afinal, sobre quais elementos da razão científica a produção intelectual rigorosa e qualificada eliminou o tempo de maturação dos dados, da confrontação com as hipóteses, dos desafios teóricos que muitas vezes se revelam no cruzamento dos dados? Sobre quais evidências qualitativas se hiper compactou o tempo de elaboração e revisão das boas análises? Mais ainda: em quais fundamentos razoáveis o trabalho intelectual foi subtraído de suas especificidades para se igualar ao trabalho mecânico dos processos embrutecedores da produção em massa e em série que marcaram o modelo fordista/taylorista? Ironicamente, enquanto os operários que operavam estas máquinas rebelaram-se contra este modelo de organização do trabalho e da produção, nós, trabalhadores intelectuais, não apenas aderimos às esteiras de produção científicas, mas, elaboramos rankings para premiar os mais ‘produtivos’, capazes de conquistar as ‘metas’ gerenciais da produtividade.
Sob estas condições, e considerando-se os termos do Edital n. 03/2026 da PROPESQ/UFMT, assim como a relação dos projetos habilitados para disputar as bolsas de iniciação científica para estudantes de graduação da Universidade, alguns aspectos evidenciam o atropelo à razoabilidade e à isonomia. De acordo com o Edital supracitado, a habilitação de orientadores/estudantes é extraída da quantificação de pontos atribuídos a cada uma das atividades (as quais, por sua vez, também estão submetidas ao ranking das quantidades de acesso e outros critérios hierárquicos de pontuação). Não bastasse a subordinação integral à métrica do desempenho gerenciado dos números, entre as áreas de conhecimento também foram estabelecidas pontuações completamente perversas para com as áreas de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas[3]. No Edital (Bloco 2 do Anexo) é possível identificar rubricas de pontuação dirigidas a áreas específicas, cuja contabilização agrega à lógica quantitativa mais um elemento de discriminação por área.Enquanto para docentes-pesquisadores de Ciências Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências Exatas e da Terra, Ciências da Saúde e Engenharias, as pontuações vão de 10 a 30 pontos, para a área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, as pontuações oscilam entre 2 e 3 pontos. Inclusive para aqueles que atuam na área de Linguística, Letras e Artes, a pontuação é um pouco mais elevada que aos pesquisadores que atuam na área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas: oscila entre 3 e 5.
Para além do desprestígio implícito à área de Ciências Humanas e Sociais Aplicadas e do comprometimento da isonomia, há que observar que também no quesito da arrancada no ranking de pontuação, os chamados pesquisadores de ‘produtividade’ (CNPq) já desfrutam de condição privilegiada em relação aos demais. Ao fim e ao cabo, tem-se que aqueles que já estão consolidados mantêm-se no topo do ranking quantitativo, cabendo aos demais as sobras das bolsas de IC.
Entretanto, mesmo com todas estas condições desiguais e combinadas que evidenciam que a igualdade de oportunidade entre docentes-pesquisadores de áreas de conhecimento distintas não ultrapassa os limites de uma carta de intenções, a apresentação da Lista Geral de Ampla Concorrência (publicada em 23/06/2026) causa uma mescla de incredulidade e indignação.
Da análise da Lista de Ampla Concorrência é possível extrair que a pesquisa na UFMT é constituída de raríssimas excelências individuais, alguns poucos pesquisadores qualificados, alguns outros capazes de evoluir conforme a métrica qualitativa e muitos ‘aspirantes’ sem chances de ‘competir’. Para além da perversidade desta Lista que mensura número e não produção científica de acordo com a realidade das distintas áreas e a razoabilidade lógica, ela é ainda mais cruel com docentes que somam ‘zero’ ou que são classificados como ‘currículo não compatível’.
Diante disso, do que exatamente estamos falando? Com que tipo de Universidade e Pesquisa a UFMT está comprometida? Estamos, realmente, afirmando que alguns colegas não têm currículo compatível com a pesquisa? Baseado em quais pressupostos científicos-acadêmicos? Como a UFMT pretende estimular a pesquisa e a iniciação científica se reproduz uma lógica que, desde o Edital até a publicização, estabelece regras que vão ao encontro do produtivismo-gerencial? Qual a razoabilidade científica entre professores que totalizam quase 1.300 pontos enquanto outros somam zero ou são classificados como ‘incompatíveis’? Qual a média razoável de produção científica por ano, respeitando-se princípios como originalidade e tempo de coleta e maturação dos dados, rigor científico e elaboração teórica? Isto sem contar o processo de submissão às revistas especializadas e o tempo para avaliação e publicação.
Por fim, com tranquilidade, como pesquisadora da área de Ciências Humanas e Sociais, posso dizer que a pesquisa empírica, a sistematização de dados, a maturação, a análise e a elaboração permitiriam, no máximo, três artigos anuais. E isto sendo otimista, isto é, contando com a inexistência de obstáculos na pesquisa de campo, ainda mais para quem faz pesquisa na área de Ciência Política em MT, cujas dificuldades de acesso a dados oficiais nem sempre é tarefa fácil. Não por acaso, minha pontuação alcançou os surpreendentes 71 pontos! Em síntese, faço parte do grupo dos ‘aspirantes’ que não alcançou sequer 10% da pontuação dos pesquisadores considerados ‘qualificados’. Ironicamente, trata-se de um estimulante processo de produção científica docente e, especialmente, de fomento à pesquisa para aqueles estudantes que, todo semestre, nos procuram para a Iniciação Científica.
Em tempo: esclareço que este não é um artigo ressentido, mas, sim, revoltado! Sinceramente, espero que esta revolta e inconformidade não seja somente minha.
[1] Erroneamente, durante muitos anos, este poema foi atribuído ao poeta russo Maiakóvski.
[2] O livro de José Márcio M. Pereira, intitulado O Banco Mundial como ator político, intelectual e financeiro 1944-2008 [Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010], nos permite dimensionar suas consequências, estabelecendo uma analogia com o processo por dentro das universidades.
[3] Registre-se que o ataque à área de Ciências Humanas e Sociais não é recente, gratuita ou despretensiosa. Não somente as disciplinas da área, no ensino médio, foram substituídas durante a ditadura militar, senão que no processo de redemocratização brasileiro, a reestruturação curricular da esmagadora maioria dos cursos universitários de outras áreas de conhecimento foi feita com a redução e/ou extinção destas disciplinas de seus currículos, como se cursos da área de exatas, tecnologia, saúde etc. fossem factíveis à revelia da dinâmica das relações societárias.
O ANDES-SN defendeu o direito de migrar e a garantia da dignidade das pessoas frente às deportações em série dos Estados Unidos (EUA), durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, nessa quarta-feira (8). Com o tema "Pelo Direito de Migrar: Direitos Humanos, Trabalho Digno e Proteção das Pessoas Migrantes e Deportadas", o debate foi solicitado pelos deputados Reimont (PT-RJ) e Rui Falcão (PT-SP) e foi impulsionado pela Jornada Continental pelo Direito à Migração e Defesa da Soberania, ocorrida em março em 10 países simultaneamente, incluindo o Brasil.

“Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio e a esse regressar”, destacou a 2ª vice-presidenta da Regional Planalto do Sindicato Nacional, Muna Muhammad Odeh, citando o artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.
Professora de Saúde Coletiva na Universidade de Brasília (UnB), Muna informou que reside no Brasil desde 1992 e, como palestina, desenvolve pesquisas, estudos e orienta estudantes nessa temática. “Estamos falando aqui de uma proteção à circulação humana criada em 1948 e desmobilizada pela lógica neoliberal, que quer garantir a livre circulação de mercadoria enquanto seres humanos são cerceados”, criticou.
Segundo a docente, muitos trabalhadores e trabalhadoras migram, em grande medida, pelo modelo econômico. Ela citou a mineração como um dos empreendimentos econômicos mais responsáveis por expulsar pessoas dos seus territórios. “Nesse caso, a gente pode citar o trabalho da socióloga Saskia Sassen, que estuda esse deslocamento humano no período contemporâneo e nos coloca que, mesmo sendo da sedimentação do capitalismo desde seu nascimento, a circulação de seres humanos em decorrência da concentração nada se compara ao período atual, diante do avanço em escala global da mineração”, afirmou.

Para Muna, o ANDES-SN precisa fortalecer a presença nas discussões sobre o tema e propor políticas públicas no Legislativo. “Como faço parte da Comissão da Verdade existem interfaces temáticas que podemos potencializar”, citou. A professora reforçou o apoio do Sindicato Nacional ao trabalho do Comitê da Jornada Continental.
Confira a audiência na íntegra.
Fonte: Andes-SN
O ANDES-SN intensificou a luta pela revogação da Instrução Normativa (IN) Conjunta MGI/MIR/MPI nº 261/2025, especialmente o artigo 46, que trata do sorteio das vagas para cotas étnico-raciais em concurso público, o que configura um retrocesso histórico do movimento negro e das ações afirmativas.

Na Circular nº 267/2026, dessa terça-feira (7), o Sindicato Nacional reforça o pedido para que as seções sindicais, via os grupos de trabalho de Carreira, de Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual e de Política Educacional locais, constituam comissão para elaboração de propostas junto às Pró-reitorias de Gestão de Pessoas, aos setores responsáveis pelos concursos públicos e aos conselhos universitários, com o objetivo de evitar o fracionamento de vagas e outros mecanismos de burla, tendo em vista a efetividade da Lei de Cotas 15.142/2025.
A entidade solicita ainda que as seções sindicais enviem informações sobre a criação dessas comissões envolvendo os GTs, comuniquem se houve diálogo com as Pró-Reitorias de Gestão de Pessoas e quais ações vêm sendo desenvolvidas para combater os mecanismos de fraude à Lei nº 15.142/2025. As informações devem ser encaminhadas por meio do formulário Circular nº 267/2026 - Levantamento de Ações das Seções Sindicais sobre a IN nº 261/2025 e a Lei nº 15.142/2025, até o dia 27 de agosto de 2026.
A medida foi aprovada em resolução do 44º Congresso, realizado entre os dias 2 e 6 de março, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador (BA), e destaca que a IN impõe a lógica da aleatoriedade, baseada na sorte, para determinar quem merece ou não o acesso às cotas.
ADPF 1245/2025
Em 3 de setembro de 2025, o ANDES-SN foi admitido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como amicus curiae na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1245/2025, que questiona o sorteio como critério de distribuição de cotas em concursos públicos e processos seletivos da União, de universidades e de outros órgãos e entidades da administração pública federal.
Veja aqui a Circular nº 267/2026.
Confira a IN nº 261/2025 na íntegra.
Fonte: Andes-SN
O ANDES-SN iniciou um levantamento sobre a implementação do “Protocolo de combate, prevenção, enfrentamento e apuração de assédio moral e sexual, racismo, Lgbtfobia e qualquer discriminação e violência”, nas universidades, institutos federais e cefets. A solicitação foi encaminhada às seções sindicais, através da Circular nº 268/2026, nessa terça-feira (7).
O documento foi elaborado pela entidade e aprovado no 43º Congresso do Sindicato Nacional, em 2025. O material tem como objetivo, entre outras as ações, fortalecer as ações de prevenção, enfrentamento e apuração do aumento da violência contra mulheres, meninas e menines.
A entidade pede que as seções sindicais informem se já apresentaram a proposta de protocolo às administrações instituições e/ou se já existe alguma política institucional em curso que dialogue com a proposta. Solicita, também, informações sobre presença de militares ou de políticas a partir da militarização, sob a justificativa de garantir a segurança nas universidades, nos IFs e nos cefets.
Os dados devem ser encaminhados, até o dia 26 de agosto, por meio do formulário online (acesse aqui). O protocolo também foi encaminhado via circular e pode ser lido aqui.
O levantamento é resultado de deliberação do 69º Conad, realizado entre os dias 3 e 5 de julho, em São Luís (MA). Na atualização do plano de lutas geral, a categoria aprovou resolução para que o Sindicato Nacional e as seções sindicais intensifiquem as cobranças às administrações das Universidades, IFs e cefets por medidas que evitem feminicídios, agressões e qualquer tipo de violência contra trabalhadoras. A decisão também trata de investimentos em espaços formativos e da garantia de acolhimento às vítimas, preservando a autonomia universitária e a não militarização dos espaços das instituições.
Leia a Circular nº 268/2026.
Acesse aqui o “Protocolo de combate, prevenção, enfrentamento e apuração de assédio moral e sexual, racismo, Lgbtfobia e qualquer discriminação e violência”.
Confira a cobertura do 69º Conad
Fonte: Andes-SN
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Por Danilo de Souza*
Durante grande parte da história moderna, os Sapiens passaram a enxergar-se como algo separado da natureza. Essa transformação não ocorreu de forma repentina. Foi resultado de séculos de construção filosófica, religiosa, econômica e “científica” que consolidaram uma ideia poderosa: a de que os Sapiens ocupam uma posição singular no planeta e, por isso, não estariam submetidos às mesmas limitações que condicionam as demais espécies.
Essa visão, que a sociologia ambiental contemporânea passou a denominar excepcionalismo humano, sustenta que a sociedade humana existe de forma independente dos ecossistemas que a sustentam. A natureza seria fornecedora de recursos, absorvedora de resíduos e prestadora de serviços ambientais, mas a trajetória humana seria determinada principalmente pela cultura, pela economia, pela política e pela tecnologia. A biosfera, nesta perspectiva, aparece como um cenário externo à história humana, e não como sua condição fundamental de existência. Assim, esta visão gerou uma consequência profunda: a tendência a enxergar os limites ecológicos como obstáculos temporários que poderão ser superados por novas tecnologias.
No setor energético, esta crença é recorrente. Quando discutimos escassez de recursos, mudanças climáticas ou impactos ambientais, a resposta quase sempre se relaciona a alguma inovação tecnológica futura. Se houver escassez de petróleo, haverá novas fontes de energia. Se as emissões crescerem, haverá captura de carbono. Se a eletrificação aumentar a demanda por minerais críticos, encontraremos substitutos ou novas formas de exploração. Essa confiança na capacidade humana de adaptação é compreensível e, em certa medida, justificada pela própria história do desenvolvimento tecnológico. O problema surge quando ela se transforma na crença de que as leis ecológicas e biofísicas deixaram de existir.
Para compreender melhor essa questão, é útil observar a figura abaixo. Nela, os sistemas naturais e os sistemas humanos aparecem como entidades distintas, cada qual com seus próprios processos internos, conectados por mecanismos de acoplamento e interação. A representação é extremamente útil para demonstrar as influências mútuas entre a sociedade e a natureza. Entretanto, ela também mostra uma das marcas mais profundas do pensamento moderno: a ideia de que há dois sistemas separados que interagem entre si.
A crítica formulada por autores como William Catton, Riley Dunlap, Herman Daly, Carl Folke, Johan Rockström e Vaclav Smil vai além dessa interpretação. Para esses pesquisadores, o problema é que, além da necessidade de compreender as interações entre sociedade e natureza, precisamos reconhecer que a própria separação entre ambas é artificial. O sistema humano não existe fora da natureza. A economia não existe fora da biosfera. A política não existe fora das restrições impostas pela disponibilidade de energia, de materiais e de água, e pela estabilidade climática. A sociedade é, em última instância, um subsistema inserido em um sistema ecológico muito maior.
Essa constatação parece óbvia quando observamos os organismos vivos. Nenhum animal existe fora dos fluxos de energia e de matéria que sustentam os ecossistemas. Nenhuma espécie está desconectada dos ciclos biogeoquímicos que regulam a disponibilidade de nutrientes, de água e de condições ambientais. Entretanto, quando passamos a analisar fenômenos sociais, frequentemente abandonamos essa lógica. A pobreza passa a ser discutida apenas como um problema econômico ao longo de toda a história humana. O crescimento é tratado como uma variável financeira. A urbanização é compreendida como um processo essencialmente social. A segurança energética é reduzida a uma questão tecnológica. Em muitos casos, as bases biofísicas que sustentam todos esses fenômenos desaparecem do debate.
Talvez esse seja um dos aspectos mais curiosos da modernidade. A sociedade desenvolveu uma extraordinária capacidade de compreender sistemas complexos, mas frequentemente analisa os fenômenos humanos como se estivessem parcialmente desvinculados de sua base ecológica. O resultado é a fragmentação do conhecimento. As ciências sociais estudam a sociedade. As ciências naturais estudam a natureza. As engenharias estudam as tecnologias. E, muitas vezes, perde-se a compreensão de que todos esses elementos fazem parte de um mesmo sistema.
Essa desconexão se manifesta em diversos campos. Na economia, a riqueza é medida predominantemente por indicadores monetários, enquanto a degradação dos sistemas naturais costuma ser tratada como uma externalidade. Na política, os debates priorizam legitimamente emprego, renda, inflação e crescimento econômico, mas raramente discutem com a mesma intensidade a estabilidade climática, a disponibilidade hídrica ou a resiliência ecológica que tornam possível a própria atividade econômica. Na educação, a história costuma ser apresentada como uma sucessão de eventos humanos, com pouca atenção ao papel da energia, dos recursos naturais e das transformações ambientais na formação das civilizações, como por exemplo, falar em revolução industrial sem abordar o carvão e o petróleo como elemento possibilitante desta transformação.
As cidades oferecem outro exemplo emblemático. Frequentemente são apresentadas como espaços artificiais, independentes da natureza. Entretanto, nenhuma cidade produz sua própria água, seu próprio alimento, seus próprios materiais ou sua própria estabilidade climática. As áreas urbanas apenas tornam invisíveis os sistemas ecológicos dos quais dependem. Quanto mais sofisticada a infraestrutura, maior tende a ser essa ilusão de autonomia.
No campo energético, essa reflexão ganha especial importância. A energia é, talvez, a manifestação mais evidente da dependência humana em relação aos sistemas naturais. Toda sociedade depende de fluxos energéticos para produzir alimentos, movimentar mercadorias, construir infraestrutura, transportar pessoas e sustentar atividades econômicas. Os recursos energéticos podem mudar ao longo do tempo, mas a dependência física permanece.
A própria transição energética ilustra essa realidade. A substituição dos combustíveis fósseis por fontes de baixo carbono representa uma transformação tecnológica extraordinária e necessária. Contudo, ela não elimina a materialidade dos sistemas energéticos. Painéis fotovoltaicos exigem silício, alumínio, cobre e vidro. Aerogeradores exigem aço, concreto e minerais críticos. Baterias exigem lítio, níquel, grafite e cobalto. Redes elétricas exigem enormes quantidades de materiais, energia e território. Em outras palavras, a transição energética altera os fluxos materiais e energéticos da sociedade, mas não elimina sua dependência da biosfera.
Talvez seja justamente esse o principal avanço teórico construído a partir do debate em torno da sustentabilidade. Durante décadas, o debate energético concentrou-se em garantir a oferta, a confiabilidade e os custos competitivos. Esses objetivos continuam fundamentais. Entretanto, os desafios contemporâneos exigem uma visão mais ampla. Sustentabilidade não significa apenas utilizar tecnologias mais eficientes ou reduzir as emissões. Deveria reconhecer que a economia está inserida na sociedade e que esta é apenas um dos subsistemas da biosfera.
Essa percepção não reduz a importância da tecnologia. Pelo contrário. Ela permite compreender seu verdadeiro papel. A inovação tecnológica pode ampliar os limites, aumentar a eficiência, reduzir os impactos e melhorar a qualidade de vida. O que ela não pode fazer é eliminar a dependência humana dos processos biofísicos que sustentam a vida.
Ao discutir energia, sustentabilidade e desenvolvimento, talvez a pergunta mais importante não seja qual tecnologia desenvolveremos nas próximas décadas. Talvez a questão fundamental seja outra: continuaremos a enxergar a sociedade como algo separado da natureza ou passaremos a reconhecê-la como parte inseparável dela?
Para os leitores interessados em aprofundar essa discussão, recomenda-se a leitura do artigo "Conceptualizing Human–Nature Relationships: Implications of Human Exceptionalist Thinking for Sustainability and Conservation", de Kim et al., publicado na revista Topics in Cognitive Science (2023). O trabalho apresenta uma análise abrangente do conceito de excepcionalismo humano, suas origens cognitivas e culturais, e suas implicações para a sustentabilidade, a conservação ambiental e a formulação de políticas públicas, complementando e aprofundando as reflexões deste texto.
OBS: Coluna publicada mensalmente na revista - "O Setor Elétrico".
*Danilo de Souza é professor na FAET/UFMT, pesquisador no NIEPE/FE/UFMT e no Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP).
Música ao vivo, comidas típicas, espaço kids e entrada gratuita vão animar a confraternização da categoria
A Adufmat-Ssind convida toda a categoria para encerrar as atividades do semestre letivo no próximo dia 17/07 (sexta-feira), a partir das 18h30, durante a 3º edição do Arraiá da Resistência. O evento será na Oca da Adufmat-Ssind, mais especificamente no Largo Pedro Casaldáliga, com entrada gratuita.
Além de celebrar as tradições populares, o Arraiá da Resistência será um espaço para fortalecer os laços de convivência entre os(as) docentes e proporcionar um momento de integração e descontração em um ambiente de confraternização, mas também de exaltação à organização e mobilização sindical.
A programação contará com música ao vivo, comidas típicas, espaço kids, entre outras atrações e brincadeiras.
Este ano, a organização do Arraiá da Resistência também convida os participantes a entrarem no clima da festa, preparando o chapéu de palha e o traje caipira para participar da celebração a caráter.
Serviço
3º Arraiá da Resistência
Data: 17 de julho (sexta-feira)
Horário: 18h30
Local: Oca da Adufmat-Ssind – Largo Pedro Casaldáliga
Entrada gratuita
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Plenária também aprovou a criação de uma comissão para elaborar proposta de alteração da organização dos Congressos e Conads do ANDES-SN

No final da manhã de domingo (5), delegadas e delegados reunidos na Plenária do Tema III do 69º Conad votaram importantes deliberações sobre as questões organizativas e financeiras do sindicato, que reafirmam o compromisso do ANDES-SN com a democracia interna e a organização de base.
Entre as resoluções, foram aprovadas as prestações de contas do exercício de 2025. Durante a apreciação do tema, a plenária também acolheu recomendações para aperfeiçoar a apresentação das informações contábeis, entre elas a inclusão de uma nota explicativa nos gastos de consumo, informando que parte desses desembolsos foi financiada pelo Fundo Único.
As delegadas e os delegados do 68º Conad votaram favoráveis à previsão orçamentária do ANDES-SN para 2027. Também foi deliberado que a diretoria do Sindicato Nacional deverá apresentar, no próximo Conad, as premissas que orientam a elaboração do orçamento de 2027, procedimento que deverá ser adotado nas previsões orçamentárias dos anos seguintes. Além disso, as futuras prestações de contas deverão trazer notas explicativas sempre que houver discrepâncias entre os valores orçados e os efetivamente executados.
Durante a discussão, a plenária acolheu recomendações para aprimorar a transparência e a apresentação das informações orçamentárias. Entre elas, a inclusão de indicadores de variabilidade dos custos de receitas e despesas no quadro dos cadernos de textos dos Conads e Congressos; a criação de uma coluna com a previsão orçamentária do exercício anterior para facilitar comparações; a apresentação dos gastos e das despesas em percentuais em relação à receita total; entre outras.
Comissão
Foi votada, ainda, a criação de uma comissão para elaborar uma proposta de alteração no formato e na metodologia dos Congressos e Conads do ANDES-SN. A proposta será apresentada no 16º Conad Extraordinário, que acontecerá em novembro em Brasília (DF), e submetida à avaliação e deliberação do 45º Congresso do Sindicato Nacional. A comissão é composta por sete docentes sindicalizadas e sindicalizados, sendo dois integrantes da diretoria do ANDES-SN e cinco representantes da base, que foram eleitas e eleitos na mesma plenária do Tema III do 69º Conad.

Para representar a base: Antônio Gonçalves, diretor da Apruma SSind.; Fran Rebelatto, diretora da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana. Integração Latino-Americana (Sesunila SSind.); Jorgetânia Ferreira, presidenta da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Uberlândia (Adufu SSind.); Elaine Neves, da base da Associação Docentes Universidade Federal Pelotas (Adufpel SSind.); e Waldílio Siso, da base da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí (Adufpi SSind.). As duas representações da diretoria do ANDES-SN serão definidas posteriormente.
O grupo terá prazo de até 15 dias antes da data-limite para envio dos textos ao Caderno do 16º Conad Extraordinário para apresentar sua proposta, com imediata divulgação à base.
Sede do 70ª Conad
Ainda na Plenária do Tema III, as e os docentes escolheram, por aclamação, a cidade de Campinas (SP) como sede do 70º Conad do ANDES-SN, que será organizado pela Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Campinas (Adunicamp SSind.).
Foi exibido um vídeo institucional de divulgação da cidade que receberá o próximo Conad. O material destacou a cidade como um dos principais polos de ciência, tecnologia e inovação do país, espaço de produção científica, diversidade cultural e hospitalidade. Ressaltou ainda que a seção sindical completará 50 anos, em 2027, e que foi na Unicamp que nasceu o ANDES-SN, em 1981.
Complementando a apresentação, Emília Rutkowski, vice-presidenta da Adunicamp SSind., destacou o compromisso da seção com a sustentabilidade e a economia solidária, informando que o 70º Conad contará com lanches produzidos por cozinhas solidárias e hortas parceiras, além da adoção de práticas voltadas à redução do uso de plástico.

Foram aprovadas alterações regimentais das seções sindicais dos docentes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (Sindifpi SSind.) e da universidade estadual de Maringá (Sesduem SSind.); e das associações dos docentes das universidades federais de Itajubá (Adunifei SSind.) e de São Carlos (Adufscar SSind.).
Avaliação
Segundo Virgínia Viana, 2ª vice-presidenta da Regional Nordeste I e que coordenou a mesa, a plenária do Tema III teve como referência os Textos de Resolução (TRs) 33 a 40. “Esses TRs trouxeram a perspectiva de aprovação das nossas contas e da projeção daquilo que vamos construir para o próximo ano. Tivemos um debate muito profícuo, com TRs que apresentaram recomendações. Todas as nossas contas foram aprovadas e, também, foram construídos novos itens para aprimorar o processo de prestação e aprovação das contas, considerando que o Conad é a nossa instância de conselho fiscal. É essa avaliação importante e positiva que levamos para o encerramento do 69º Conad”, disse.
A diretora do Sindicato Nacional também destacou a criação da Comissão que irá elaborar uma proposta de reformulação do formato e da metodologia dos Congressos e Conads do ANDES-SN. “Essa deliberação foi resultado dos debates que acumulamos nos dois últimos seminários sobre as questões organizativas, financeiras e administrativas do sindicato. A criação dessa comissão, composta por sete membros – com cinco deles eleitos aqui no Conad –, será importante para dar continuidade a esse processo de discussão e sistematizar as propostas construídas coletivamente”, ressaltou.
Também compuseram a mesa Lívia Santos, 1ª vice-presidenta da Regional Planalto; Edmilson, 2º vice-presidente da Regional Sul; e Marcelo Barreira, 2º vice-presidente da Regional Leste.
Ode à luta
Antes do início da plenária, o professor Domício Magalhães Maciel resgatou a trajetória das lutas estudantis e docentes no Maranhão, destacando a greve de 1979, que garantiu o desconto de 50% no transporte coletivo após intensa mobilização em São Luís. Também relembrou sua participação nas greves docentes de 2015 e 2024, enfatizando a greve como instrumento legítimo de organização, resistência e conquista de direitos. Durante a exposição, intercalou o relato histórico com poemas de sua autoria, inspirados nos movimentos grevistas, defendendo a mobilização coletiva, a valorização da docência e o papel do ANDES-SN na organização da categoria.

GTSSA
Antes do início da Plenária do Tema III, as delegadas e os delegados do 69º Conad retomaram a atualização do Plano Geral de Lutas, para votar os TRs que haviam sido remetidos à plenária. No que tange à Política de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria, foi reafirmada a defesa dos direitos das servidoras e dos servidores aposentados e da seguridade social.
Entre as deliberações está o fortalecimento das lutas conjuntas das categorias do serviço público pelo fim da contribuição previdenciária das aposentadas e dos aposentados. Também foi aprovada a continuidade da mobilização em defesa da paridade e da integralidade para as aposentadas e os aposentados, incluindo a implementação de auxílios como medida de isonomia entre docentes da ativa e aposentados, e temporárias, temporários, substitutas e substitutos, quando esses benefícios não tiverem sido incorporados ao vencimento básico.
As delegadas e os delegados referendaram a retomada do debate no ANDES-SN, bem como no Fonasefe, para fortalecer a luta contra o Projeto de Lei Complementar 189/2021, que propõe transferir ao INSS a competência para conceder e manter aposentadorias e pensões das servidoras e dos servidores das autarquias e fundações públicas federais.
Outro encaminhamento aprovado prevê a ampla divulgação dos resultados da enquete sobre as condições de trabalho e saúde da categoria, com o objetivo de aprofundar as análises e evidenciar o avanço da precarização. As seções sindicais também deverão trabalhar os dados em âmbito local, avaliando a necessidade de ampliar a pesquisa.
Foi deliberada, ainda, a resolução que orienta o ANDES-SN, em conjunto com o Fonasefe, a intensificar a luta pela equiparação do auxílio-saúde das servidoras e dos servidores públicos federais do Poder Executivo aos valores praticados pelos demais poderes da República, independentemente da contratação de planos de saúde, conforme as normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com contrapartida do governo de, no mínimo, 50%.
Fonte: Andes-SN
Fotos: Eline Luz
Delegação da Adufmat-Ssind, indicada em assembleia geral, foi formada pelos docentes Einstein Aguiar, Raimundo Sousa, Alair Silveira, Breno Santos, Maria Salete Ribeiro e Juliano Santos (da esquerda para a direita)
Terminou, neste domingo, 05/07, o 69° Conselho do Andes – Sindicato Nacional (Conad), em São Luís do Maranhão, com a tarefa cumprida: foram atualizados o plano de lutas da categoria e avaliadas as questões financeiras e organizativas. Em três dias intensos de muito trabalho, representantes das seções sindicais, vindos de todas as regiões do país, decidiram sobre temas que orientarão os grupos de trabalho (GT’s), ações políticas e financeiras, metodologia de trabalho, além de compartilhar suas leituras sobre a conjuntura.
Os números oficiais de participação divulgados pelo sindicato são: 81 seções sindicais presentes, 78 delegados, 167 observadores, três convidados, três acompanhantes, 12 crianças, 34 diretores, 13 assessores de imprensa, uma Assessoria Jurídica, dez trabalhadores das entidades organizadoras (Andes-SN e Seção Sindical da Universidade Federal do Maranhão - Apruma) e 45 monitores, somando 366 presentes.
Entre as ações aprovadas no Plano de Lutas do Setor das Federais (Tema 2) estão intensificar a pressão sobre o governo para que se efetive o reenquadramento e reposicionamento dos aposentados, o auxílio-nutrição e a cessação do pagamento de previdência por aposentados, por meio de marchas e jornadas nacionais de mobilização; lutar, em conjunto com outras entidades de servidores, pela correção das perdas salariais e destinação de recursos orçamentários para a campanha salarial de 2027; lutar pela democratização das universidades, incluindo a possibilidade de os docentes EBTT se candidatarem a reitor(a) sem restrições de titulação ou nível de carreira para este cargo; além da intensificação das lutas contra as propostas de Reforma Administrativa (PEC 38) e pela recomposição orçamentária das universidades.
Uma das decisões mais disputadas foi pela autonomia do sindicato durante o período eleitoral, foi a de não manifestar apoio direto a nenhuma candidatura no primeiro turno das eleições, mas de fortalecer a posição pela derrota das candidaturas de direita e extrema direita.

Plano Geral de Lutas - Grupos de Trabalho
Para os GT’s, alguns dos principais encaminhamentos foram acompanhar, de forma crítica, o desenvolvimento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, sua regulamentação e impactos no setor público, considerando o aprofundamento da privatização digital, da vigilância e da transferência de poder decisório às big techs, assim como o acompanhamento da atuação do Comitê Interministerial para a Transformação Digital, do Governo Federal, legislações e políticas públicas nesse sentido, no que compete ao GT Ciência e Tecnologia (GTC&T).
O GT Políticas Agrárias, Urbanas e Ambientais (GTPAUA) deverá, entre outras coisas, promover o reconhecimento e incorporação da luta ecossocialista, denunciar a falsa sustentabilidade incorporada de forma acrítica nos currículos de graduação e pós-graduação das universidades que reforçam a lógica do capitalismo verde.
Dentre as ações debatidas para o GT Política Educacional (GTPE) ficou decidido que o Andes-SN deve solicitar a entrada no Fórum Nacional de Educação (FNE) para atuar de forma crítica, que as seções sindicais avaliem a possibilidade de participar das conferências e comissões de elaboração dos planos estaduais e municipais de educação, levando propostas e projetos de defesa de investimento em Ciência e Tecnologia, formação de professores e valorização docente; que realize ainda no primeiro semestre de 2027 o IV Encontro Nacional da Educação (ENE) e que apresente, na primeira reunião após o 69º Conad, uma proposta para orientar a revisão do Caderno 2 – maior referência de atuação do Sindicato Nacional (disponível na versão atual aqui).
O GT Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) deverá intensificar a promoção de espaços formativos e cobranças institucionais por medidas que eduquem e previnam com relação às opressões e violências diversas, como xenofobia, feminicídio e todos os tipos de assédio, além de elaborar um protocolo de atendimento a vítimas dessas violências que garanta orientação técnica e jurídica para as seções sindicais formalizarem as denúncias e encaminhamento à rede de enfrentamento.

Algumas das tarefas do GT Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA) serão continuar a luta pela paridade e integralidade de direitos, como medida de isonomia entre aposentados e trabalhadores da ativa, bem como efetivos e temporários; divulgar amplamente os dados da enquete realizada sobre a saúde docente e incentivar análises desses resultados em âmbito local.
O GT Política e Formação Sindical (GTPFS) atuará na defesa do fim da Escala 6X1, em defesa de melhores condições de trabalho, sem perdas de direitos e sem redução salarial; intensificará a luta contra a Federação Proifes; e combaterá todas as formas de ameaça à laicidade dentro das instituições de ensino superior.
O GT Multicampia e Fronteiras deverá promover debates sobre a carreira docente no contexto da multicampia, além de um Dia Nacional de Luta da Multicampia e Fronteira, em defesa da garantia orçamentária e de melhores condições de trabalho nessas instituições, ainda este ano.
Também foram definidas ações para os grupos de trabalho Comunicação e Arte (GTCA) e Carreira. Todos esses encaminhamentos serão disponibilizados integralmente no relatório final do Conad, que será divulgado nos próximos dias.
Com relação à política internacional, o 69° Conad aprovou a realização de um Dia de Luta em Defesa de Cuba e da Soberania dos Povos para o dia 13/08, a construção de uma agenda de trabalho com representações da Central de Trabalhadores(as) de Cuba e do Sindicato Nacional de Trabajadores de la Educación, la Ciencia y el Deporte (SNTECD) e o convite para o 45º Congresso do ANDES-SN, que será em Curitiba em 2027 e, em conjunto com a Embaixada da Venezuela e entidades de luta, o Andes-SN articule iniciativas que garantam o envio de apoio material aos hospitais das regiões atingidas pelo desastre.
Por fim, os presentes aprovaram a sede do 70° Conad, que será Campinas – SP.

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
Um dos grandes desafios socioambientais, principalmente nas últimas décadas, tem sido a produção e o uso de embalagens plásticas, incluindo sacolas, sacos, garrafas PET e outros produtos e embalagens que aumentam a geração de lixo e provocam um grande impacto tanto nos solos quanto em todos os cursos d'água, como córregos, rios, lagos, lagoas, mares e oceanos, enfim, em todos os biomas e ecossistemas.
Para despertar a consciência em relação a este problema, foi criado o DIA INTERNACIONAL SEM SACOLAS PLÁSTICAS, por iniciativa da “Global Bag Free World”, com o objetivo de conscientizar a população sobre os impactos socioambientais negativos do uso de embalagens plásticas em geral e das sacolas plásticas em particular, e promover alternativas sustentáveis, como o uso de sacolas produzidas com material reciclado ou de outros materiais, como pano e papel etc. A data é celebrada anualmente em 3 de julho, em diversos países, inclusive no Brasil.
Para orientar e massificar a campanha pelo fim das embalagens plásticas em geral e das sacolas e sacos plásticos em particular, a cada ano é escolhido um tema, em torno do qual essas reflexões e ações são realizadas. Em 2026, o tema é “Libertação dos plásticos de uso único: rumo a um futuro sustentável”.
No entanto, apenas incentivar as pessoas a deixarem de usar sacolas/sacos plásticos por um dia, com certeza, não vai resolver este problema sério e grave se, ao longo dos demais 364 dias, continuarmos a usar todos os tipos de plásticos que estão degradando e destruindo todos os biomas e ecossistemas ao redor do mundo.
Em 2026, por exemplo, em todos os países, enfim, no mundo inteiro, está mais do que caracterizado e comprovado, por dados e estatísticas confiáveis e atualizadas, que estamos vivendo uma grave crise dos plásticos e que este assunto precisa ser tratado como uma emergência global.
O desafio principal é a falta de consciência e a resistência do mundo empresarial, que lucra bilhões de dólares por ano, tendo em vista que a produção anual de plásticos, em 2026, deverá ultrapassar 516 milhões de toneladas, ou seja, 500 bilhões de kg de plásticos, em torno de 60 kg per capita (por pessoa), em média; em alguns países “desenvolvidos”, muito mais do que este volume.
Em apenas um quarto de século, entre 2000 e 2026, a produção de plásticos no mundo passou de 200 milhões de toneladas para 516 milhões de toneladas, um crescimento exponencial em um período considerado curtíssimo da história humana.
Outro aspecto que demonstra a gravidade é o aumento espantoso dos plásticos em todos os tipos de atividade humana, além do fato de que, no máximo, 10% do lixo plástico gerado no mundo são reciclados corretamente, e 90% deste imenso volume vai parar nos bueiros, terrenos desocupados, córregos, rios, lagos, lagoas, mares e oceanos, poluindo, degradando e destruindo irreparavelmente o meio ambiente.
Até bem pouco tempo, mas em alguns países pobres continuam “importando” lixo, principalmente lixo plástico produzido pelos países ricos/desenvolvidos, mas isto apenas transfere o problema de um país para outro, tendo em vista que não existe alternativa de enviar o lixo produzido no planeta Terra para outro planeta.
O volume do lixo plástico existente, digamos, “estocado”, no planeta, pelo acúmulo de 90% deste lixo que não é reciclado, ano após ano, representava, em 2025, mais de 8 mil megatoneladas, e a tendência tem sido piorar no futuro próximo, tendo como destino os oceanos, razão pela qual o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, há poucos anos, em um pronunciamento oficial, alertava que, se nada de concreto for feito para acabar com o uso dos plásticos (subproduto do petróleo, combustível fóssil responsável por grande parte das emissões de gases de efeito estufa): “Se nada for feito, em 2050, em diversas partes do mundo, os oceanos terão mais lixo plástico do que peixes”.
Inúmeros estudos e pesquisas, em diversos países, inclusive no Brasil, têm demonstrado o impacto negativo do lixo plástico na vida animal lacustre, ribeirinha e marítima e na vida terrestre também.
Em Mato Grosso, por exemplo, com frequência, inúmeras reportagens têm demonstrado a presença de muito lixo, inclusive lixo plástico, em todos os rios, principalmente os que alimentam o Pantanal, transformando esta maravilha, reconhecida como “patrimônio natural da humanidade”, em um grande depósito de lixo, afetando todas as formas de vida ali existentes.
Uma outra consequência do lixo plástico, também demonstrada por diversos estudos em inúmeros países, novamente incluindo o Brasil, é em relação à saúde humana. Por exemplo, a presença de microplástico no corpo das pessoas, na corrente sanguínea e até no cérebro é um fato concreto e real.
Microplásticos são partículas minúsculas de plástico, com menos de 5 mm, invisíveis a olho nu, e são derivados das embalagens, inclusive presentes em inúmeros supermercados para embalar legumes, carnes e outros alimentos, garrafas PET e também do lixo plástico ou de roupas sintéticas. Eles podem entrar no corpo pela respiração ou alimentação. A ciência indica que eles se espalham pelo sangue e se acumulam nos órgãos, podendo afetar o corpo de várias formas.
Os microplásticos afetam a saúde humana em geral, inclusive aumentando os riscos de agravamento de doenças crônicas e até mesmo afetando diretamente a fertilidade humana.
Os microplásticos agravam problemas cardiovasculares, aumentam o risco de infarto, derrame e outras doenças cardíacas; provocam danos e inflamações nas células, envelhecimento celular, desregulação hormonal, doenças neurológicas, problemas no desenvolvimento fetal, contribuindo para diversas doenças degenerativas e, também, doenças ósseas e renais.
Conforme dados de um relatório de 8 de agosto de 2025 do “Environment Texas Research & Policy Center”, mencionando matéria publicada em “The Lancet”, o custo financeiro anual das doenças geradas pelo lixo plástico no mundo ultrapassa US$ 1,5 trilhão de dólares ou aproximadamente R$ 8 trilhões, importância maior do que o PIB de 95% dos países do globo terrestre. Esse valor colossal representa o impacto na saúde global, cobrindo desde despesas com hospitais até mortes precoces e perda de qualidade de vida.
Tendo em vista a gravidade da situação do lixo plástico no mundo e as perspectivas sombrias a longo prazo, na Assembleia Geral da ONU sobre questões ambientais, em março de 2022, representantes de 175 países conseguiram aprovar uma resolução com o objetivo de criar um Comitê Intergovernamental de Negociação, visando à aprovação de um acordo global/internacional contra a poluição plástica, ou seja, pondo fim à produção e ao uso de plástico, uma luta hercúlea, da mesma forma que a luta que vem sendo travada nas últimas COPs, para pôr um fim à produção e ao uso de combustíveis fósseis, incluindo petróleo e seus derivados.
Apesar da gravidade dos problemas oriundos do uso e do lixo plástico em escala internacional e do esforço de diversos países, atualmente, em 2026, as negociações visando à aprovação, em Assembleia Geral da ONU, de um Tratado Global sobre os Plásticos estão praticamente paralisadas, por pressão dos países produtores e exportadores de petróleo e também dos países onde estão instaladas as grandes indústrias de produção de todos os tipos de plásticos, basicamente os integrantes do G7 e do G20, dos quais o Brasil também participa.
Em 2026, as negociações do Tratado Global sobre Plásticos enfrentam um grande impasse. A divisão ocorre entre os países que defendem o corte na produção de plástico virgem e aqueles focados apenas no controle do lixo e na reciclagem.
Esses países tentam desvirtuar as discussões colocando como alternativa concreta, em lugar do fim da produção e do uso dos plásticos (que geram bilhões de toneladas de lixo plástico e seus impactos no planeta), repito, colocando a reciclagem como a “grande saída”, o que não irá resolver o problema, tendo em vista que há países, como o Brasil, em que a reciclagem de plásticos não atinge sequer 4% do lixo plástico gerado. O Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do planeta, gerando anualmente mais de 11 milhões de toneladas.
Em relação às discussões sobre o Tratado Global sobre os Plásticos, a posição do Brasil tem sido dúbia, mas, conforme matéria publicada no site A Pública, em 13 de agosto de 2025: “A diplomacia brasileira fez uma guinada conservadora nas negociações que buscam criar um tratado de combate à poluição por plásticos. O país deixou de se posicionar sobre as questões críticas do acordo, ao mesmo tempo em que adotou argumentos similares aos grandes produtores de petróleo”. Essa dubiedade do Brasil também tem ocorrido nas COPs quando a discussão gira em torno do fim do uso dos combustíveis fósseis.
Isto significa que, anualmente, 10,6 milhões de toneladas de lixo plástico (96% não reciclado) não têm a destinação correta. A cada ano, em apenas uma década, serão 106 milhões de toneladas, só no Brasil. Diante disso, estaremos convivendo com montanhas e montanhas de lixo plástico ao redor de nosso país.
O pior em tudo isto, em meio a esta verdadeira tragédia ecológica e socioambiental, é constatarmos que não existe consciência ambiental nem por parte da população em geral e muito menos por parte de nossos governantes, em todos os níveis, e também no mundo empresarial, que sempre coloca a busca do lucro e a acumulação de capital acima dos danos causados pelo lixo plástico e outros crimes contra o meio ambiente.
Também a passividade e a falta de consciência ecológica estão presentes em todas as demais entidades da chamada sociedade civil organizada/desorganizada, como os estabelecimentos educacionais, as Igrejas, os movimentos sindical e comunitário e os clubes de serviço.
Assim, diante do imenso volume de lixo plástico gerado no mundo e em todos os países, e que tem aumentado muito todos os dias e anos, diante da passividade, alienação e falta de um despertar da consciência ecológica sobre este desafio e diante da resistência dos sistemas produtivos/empresários em colocar o bem comum e a saúde das pessoas e do planeta acima do lucro e da acumulação de capital, e também diante da omissão generalizada de governantes em todos os países sobre esta realidade, com certeza, o mundo tem pouco a celebrar neste DIA INTERNACIONAL SEM SACOLAS PLÁSTICAS.
Continuamos como o beija-flor que imaginava conseguir apagar um enorme incêndio florestal com apenas algumas gotinhas que carregava em seu biquinho.
Para terminar, gostaria de relembrar a exortação feita pelo Papa Francisco, em 2015, quando da publicação da Encíclica Laudato Si’: "A Terra, nossa casa comum, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo". Do volume global de lixo produzido no mundo, o lixo plástico já representa, em média, 10% deste total, com previsões de, como já acontece em alguns países, chegar a 20% dentro de poucas décadas, sabendo que o lixo plástico pode continuar poluindo o planeta por mais de 500 anos, média de "vida" do lixo plástico.
O combate ao lixo plástico, portanto, é também uma maneira de defendermos todas as formas de vida, inclusive a vida humana, e isto passa pela necessidade de mudança de hábitos, de estilo de vida e de estruturas sociais, políticas, econômicas, culturais e religiosas no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Convenhamos, uma grande luta, uma verdadeira revolução ecológica.
A nossa luta é pelo fim do uso das sacolas e de todas as embalagens de plástico em todo o Brasil, como já acontece em diversos países e cidades mundo afora.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy












