Sexta, 31 Julho 2026 11:51

GAZA: MAIS MIL DIAS DE SOFRIMENTO DAS CRIANÇAS - Valfredo da Mota Menezes

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 

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Valfredo da Mota Menezes*
 
 
 
Embora tenha sido exaustivamente enfatizado que o conflito começou em sete de outubro de 2023, todos nós sabemos que, na realidade, começou com a NAKBA, em 1948 (sugiro o documentário produzido pela TV Al Jazeera sobre o acontecimento, que pode ser encontrado no YouTube, em português), e que o ataque do Hamas, em 7/10/23, foi apenas mais uma reação contra a ocupação. Em resposta, Israel lançou uma ampla campanha de terra arrasada em Gaza, cujo objetivo, segundo o governo israelense, era o de desmantelar o Hamas. Entretanto, sempre deixou a impressão de que toda a população palestina é o Hamas.
 
O massacre continua até hoje e, o último episódio, completou mil dias em junho passado. As crianças estão entre as principais vítimas. Milhares foram mortas, mutiladas, separadas das famílias ou ficaram órfãs.
 
Diversas organizações internacionais, como a UNICEF e a ONU, já mostraram que a maioria das crianças em Gaza passa fome, tem acesso limitado a água potável e teve interrupção dos serviços de saúde e da educação por destruição ou pelo funcionamento precário de escolas e hospitais. Além do prejuízo da educação regular, essas crianças sofreram traumas profundos causados pela perda de familiares, pela exposição constante a bombardeios, pelo fato de “viverem” em abrigos improvisados ou tendas, com dificuldades para obter alimentos, medicamentos, saneamento básico e proteção contra o frio e o calor extremos. As consequências psicológicas serão duradouras.
 
Atualmente, as informações não são mais “conforme o Ministério da Saúde”, “controlado pelo Hamas”, como costumava ser dito pela grande mídia. Agora o relatório é da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, incluindo Jerusalém Oriental e Israel, divulgado em junho de 2026, que apresentou conclusões sobre crimes cometidos durante o conflito.
 
As principais são: 
 
  • a Comissão concluiu que autoridades e forças de segurança israelenses atacaram, deliberadamente, crianças palestinas e que esses atos configuram genocídio, crimes contra a humanidade e crimes de guerra;
  • o relatório afirma que houve uso de força letal contra crianças, ataques a áreas densamente povoadas, destruição de hospitais, escolas e outras infraestruturas essenciais, além de restrições a entrada de ajuda humanitária, com graves consequências para a sobrevivência da população infantil;
  • a Comissão documenta impactos de longo prazo sobre as crianças, incluindo traumas psicológicos generalizados, desnutrição, interrupção da educação e dificuldades de acesso a serviços médicos;
  • o relatório também aborda a situação na Cisjordânia, apontando a ocorrência de detenções arbitrárias, maus-tratos e violência contra menores palestinos.
Na mesma linha, levantamentos divulgados pela Al Jazeera, mostram que: “ao menos 73.066 palestinos foram mortos e cerca de 9.500 estão desaparecidos, muitos possivelmente sob escombros ou com destino ainda desconhecido”. “Entre as vítimas, mais de 21.500 são crianças, incluindo 1.022 bebês com menos de um ano”. O levantamento também registra a “morte de 262 jornalistas, 145 profissionais da Defesa Civil palestina e 928 atletas”, evidenciando o impacto amplo do conflito sobre diferentes setores da sociedade civil.
 
 A Al Jazeera também relata que, mesmo após o chamado “cessar-fogo” anunciado em outubro de 2025, os ataques aéreos e de artilharia continuam ocorrendo quase diariamente. Desde então, “pelo menos, mais 1.053 palestinos foram assassinados, incluindo mais de 350 mulheres e crianças, além de mais de 3.400 feridos no mesmo período”.
 
Estamos assistindo tudo isso ao vivo. Como tudo isso é uma repetição de massacres contínuos e cíclicos, vou também enfatizar o que já escrevi em outros artigos sobre o mesmo tema: o que é que estamos fazendo sobre isso? O que as pessoas, com algum senso de humanidade, estão fazendo? O que os Estados nacionais estão fazendo? Cadê a ONU? Nenhuma retaliação, nenhuma sanção, nenhuma suspensão de relação diplomática, nenhum boicote às atividades comerciais ou esportivas com o estado sionista.
 
Assim, espero que alguma ação e/ou, pelo menos, alguma indignação contra essas atitudes racistas em relação ao povo palestino ou a qualquer povo, deve ser tomada por todas as pessoas, com alguma sensibilidade, com algum sentimento de revolta. Deve ser tomada por todas as pessoas que defendem a paz e a solidariedade entre todos os povos, inclusive por aqueles judeus que não concordam com a política sionista de Apartheid e de massacre desenvolvida pelo carrasco Netanyahu.
 
*Médico, Professor Associado/UFMT (aposentado), Doutor em Medicina Interna e Terapêutica
 
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