Terça, 02 Junho 2026 15:32

RELATÓRIO POLÍTICO II SEMINÁRIO NACIONAL DE QUESTÕES ORGANIZATIVAS, ADMINISTRATIVAS, FINANCEIRAS e POLÍTICAS - Alair Silveira

Escrito por 
Avalie este item
(1 Votar)

 

 

****

Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
****

 

 

Alair Silveira
Professora e Pesquisadora SOCIP e PPGPS/ICHS/UFMT
Membro GTPFS/ADUFMAT/ANDES-SN


              O II Seminário Nacional de Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas ocorreu no período de 22 a 24 de maio/2026, no campus da Unicamp, em Campinas/SP. Este Seminário – sequência daquele realizado em novembro/2025 – teve como objetivo debater os TRs aprovados sobre o tema nos Grupos Mistos do 44º Congresso Nacional do ANDES-SN (março/2026, Salvador), de forma a subsidiar o 69º CONAD, que ocorrerá entre 02 e 05 de julho/2026, em São Luís/MA.

              O II Seminário, entretanto, não cumpriu integralmente as deliberações congressuais, na medida em que – seletivamente – excluiu o TR 92 do direito de participar da exposição e discussão assegurado aos demais TRs na mesma condição. Organizado sobre cinco Mesas dedicadas às questões organizativas, administrativas, financeiras e políticas, em nenhuma delas os signatários do TR 92 foram convidados a expor o conteúdo do seu Texto-Resolução e, tampouco, a debatê-lo. Questionada sobre as razões pelas quais descumpriu deliberação congressual e subtraiu direito assegurado, a Diretoria Nacional do ANDES-SN silenciou, ignorando os dois pedidos de esclarecimentos feitos por uma das signatárias do TR 92. Ironicamente, o II Seminário foi generoso com a utilização da palavra democracia como ‘princípio’ sindical inarredável!

              Também o estudo detalhado sobre as finanças do ANDES-SN, com projeções sobre o impacto de algumas das proposições aprovadas nos Grupos Mistos do 44º Congresso, não foi feito pela Diretoria, apesar da determinação congressual. Em seu favor, justificou-se pelo excesso de atividades e o curto espaço de tempo entre o Congresso e o II Seminário. Contudo, apesar das justificativas e diante da insatisfação manifesta dos presentes, no transcurso do dia 22 e o dia 24, foi apresentado um estudo preliminar, com algumas projeções de impacto.

              Nestas circunstâncias – e apesar delas – o II Seminário não foi somente prejudicado pela ausência de uma radiografia quanto às seções sindicais (número de filiados, critérios e percentuais de contribuição, arrecadação etc.), mas, também, por projeções agrupadas, que impediram uma análise qualificada e profícua.
              Conforme relatos foram sendo feitos, foi se descortinando um quadro de enormes disparidades entre as seções sindicais, comprometendo qualquer política uniforme que desconsidere as particularidades. Consequentemente, a aprovação do número de 350 filiados como critério para garantir uma política de apoio às pequenas seções sindicais (para participação em eventos nacionais) já se mostrou inadequada.

              Além disto, muitas propostas sugeridas pela Diretoria e/ou apresentadas pelos participantes, evidenciaram um processo de naturalização da cultura empresarial por dentro do Sindicato. Assim, sob a lógica da “otimização” do tempo, ouviu-se intervenções que, há alguns anos, seria impensável: a) “excesso” de TRs que impedem a deliberação nos eventos nacionais (Congressos e CONADs); b) inconveniência política de dividir tempo de intervenção com observadores (que não votam) e o custo que representam (impacto sobre o rateio); c) necessidade de limitar o número de intervenções (talvez a um único bloco); d) avaliar a possibilidade de reduzir tempo para discussão reservado à Análise de Conjuntura; e) aprofundamento da fragmentação política, com existência de muitos Coletivos (em torno de 10), em oposição ao ANDES-SN que, anteriormente, se aglutinava em torno da ANDES-AD; f) aumentar a exigência de 40% de aprovação nos Grupos Mistos para diminuir o número de TRs para Plenária; g) aumentar o número de exigências para apresentação de TR etc.

              Com relação à proporcionalidade eleitoral para composição da Diretoria, percebeu-se um aumento nas intervenções favoráveis ou mais sensíveis à proposição. A proposta com maior número de posições contrárias foi apresentada pelo Coletivo POR, defendendo que a eleição das Regionais tenha como colégio eleitoral os filiados das seções sindicais da Regional.

              No mesmo tópico, a eleição virtual foi defendida a partir de uma concepção cindida de democracia, na qual as discussões, debates e campanha seriam presenciais, mas, a eleição seria virtual, como um ‘momento’ separado do processo. Nesta perspectiva, a eleição estimularia a participação de muitos docentes que não querem participar... afinal, segundo seus proponentes, não somente as seções sindicais conhecem melhor sua base sindical, senão que o ANDES-SN não pode manter uma atitude tecnofóbica, recusando-se a incorporar a conveniência das eleições virtuais. Ainda de acordo com seus defensores, as eleições presenciais representam “gastos mal-feitos”.

              Ao final, sob a métrica da otimização do tempo, a política sindical e a democracia interna parecem cada vez mais incompatíveis pelo tempo que demandam para ouvir, debater e deliberar. Desta maneira, vamos progressivamente nos afastando do Sindicato que construímos para nos aproximar da política que condenávamos. Realmente, são tempos sombrios estes!

 

Ler 24 vezes