Terça, 22 Setembro 2026 16:10

 

Como parte das celebrações dos 45 anos do ANDES-SN, a reportagem especial de setembro resgata a luta da entidade em defesa da Seguridade Social, da aposentadoria e da saúde públicas. Tendo como fio condutor a entrevista e trajetória de Marina Barbosa Pinto, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), de 1993 a 2010, e da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) desde 2010, abordamos o enfrentamento às contrarreformas da Previdência, o embate da categoria contra os fundos de pensão para servidores e servidoras - em especial o Funpresp -, a resistência à criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares e à adesão dos Hospitais Universitários à Ebserh.

 

Marina durante 55º Conad do ANDES-SN, em 2009. Foto: Acervo / ANDES-SN

 

Ao contar sobre a importância da mobilização em torno dessas pautas, a ex-presidenta do Sindicato Nacional por duas gestões (2004-2006 e 2010-2012) reflete também sobre o papel da militância no ANDES-SN na formação da identidade docente. Para Marina Barbosa, a trajetória militante no ANDES-SN é indissociável de sua própria biografia e do desenvolvimento de sua consciência política.

 

A professora relata, no entanto, que sua militância não se iniciou no meio docente. Ao migrar do interior fluminense para a capital do Rio de Janeiro, com a necessidade de estudar e trabalhar, ela atuou, na juventude, como comerciária e, posteriormente, como bancária. Foi nessas categorias, altamente exploradas, que ela vivenciou as primeiras experiências de organização sindical de base.

 

Na categoria bancária, especialmente nos bancos privados, a docente recorda-se de uma militância exercida na clandestinidade, sob severa repressão, com greves marcantes que confrontaram o poder dos banqueiros. No comércio, enfrentou jornadas exaustivas e condições precárias de trabalho, travando batalhas difíceis para assegurar os direitos trabalhistas mais elementares.

 

Essas primeiras lutas pavimentaram seu caminho. Mas foi o ingresso no ANDES-SN, após iniciar a carreira acadêmica, que consolidou sua identidade como professora universitária. "Foi nesse espaço que aprendi muito mais sobre o exercício profissional da docência e sobre a luta necessária para garantir que esse exercício pudesse ser realizado da melhor forma possível", conta.

 

Marina destaca a singularidade democrática da estrutura organizativa do ANDES-SN, caracterizada pela atuação de base, nos locais de trabalho, pelas instâncias deliberativas coletivas e pela elaboração de sínteses respeitando a pluralidade de opiniões da categoria. Para ela, a luta do ANDES-SN não se encerra nos muros das instituições de ensino. O Sindicato adota uma perspectiva classista na qual não há dicotomia entre as demandas específicas dos professores e as lutas gerais da classe trabalhadora pela transformação social.

 

Manifestação em frente ao Ministério do Planejamento, em 2011. Foto: Renata Maffezoli / Imprensa ANDES-SN

 

Em defesa da Previdência Pública

 

A defesa dos direitos de aposentadoria representa um dos eixos históricos mais consolidados do ANDES-SN, cujas origens remontam à fundação da entidade, em 1981, na luta intransigente pela paridade e integralidade entre docentes da ativa, aposentados, aposentadas e pensionistas. O primeiro grande marco de desestruturação ocorreu em 2003, no primeiro ano do primeiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com a Emenda Constitucional 41. Naquele momento, o ANDES-SN liderou uma das greves mais combativas de sua história — que durou 59 dias — em oposição à PEC 40/03, que resultou na EC 41/03, demarcando sua independência de classe em relação ao governo.

 

A mudança instituiu a cobrança de contribuição previdenciária de servidores aposentados, servidoras aposentadas e pensionistas e eliminou a integralidade e a paridade nas novas aposentadorias. “A partir desse momento, passaram a coexistir diferentes regimes previdenciários dentro das universidades, produzindo uma profunda fragmentação da carreira docente, impactando diretamente o papel social das instituições de ensino superior públicas. A quebra da paridade e da integralidade, iniciada de forma mais drástica na contrarreforma de 2003 e aprofundada nos governos seguintes, desferiu um golpe duplo no funcionalismo público e, consequentemente, no projeto de universidade que defendemos”, contou a docente. Em 2004, Marina assumiu pela primeira vez a presidência do ANDES-SN.

 

A professora da UFJF divide os impactos da contrarreforma de 2003 em duas frentes: a destruição da dignidade de aposentados, aposentadas e pensionistas e a divisão da categoria. Ela aponta que houve uma corrosão salarial imediata e histórica. Para quem ingressou a partir de 2004, a aposentadoria deixou de equivaler ao último salário da ativa (fim da integralidade). Além disso, sem a paridade, o poder de compra de aposentados, aposentadas e pensionistas foi sendo corroído anualmente pela inflação, desvinculando-os dos reajustes conquistados após essa data para quem está na ativa.

 

A ex-presidenta do Sindicato Nacional destaca também a fragmentação da categoria, com a criação de regras distintas para diferentes gerações de servidores e servidoras. Com isso, segundo ela, o Estado busca fraturar a unidade sindical intracategoria. “A luta salarial da ativa perde, em parte, o apelo direto para quem já se aposentou sob o novo regime, alimentando um divisionismo que enfraquece a mobilização conjunta”, avalia.

Manifestação em Brasília (DF) contra a Reforma da Previdência em 2003. Foto: Acervo / ANDES-SN

 

“Lembro-me das análises feitas pelo Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA) do ANDES-SN e por vários militantes estudiosos do tema, à época da reforma, quando já apontavam que haveria uma diferença significativa entre aqueles que se aposentaram antes de 2003 e os que passariam a se aposentar posteriormente. Na prática, os docentes ingressantes após essa reforma passaram a ter aposentadorias substancialmente inferiores às das gerações anteriores”, recorda.

 

Posteriormente, a aprovação da Lei 12.618, em 2012, instituiu o regime de previdência complementar (RPC) e autorizou a criação da Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal (Funpresp). O ANDES-SN posicionou-se firmemente contra o fundo, denunciando-o como uma mercantilização de direitos sociais e "garantia de incertezas" para o futuro das novas gerações.

 

O engodo da Financeirização

Como explica Marina Barbosa, a rejeição ao modelo do Funpresp sustenta-se em princípios éticos e políticos inegociáveis. "O Funpresp não garante aposentadoria, garante incerteza", afirma. Por basear-se na modalidade de Contribuição Definida, quem adere ao fundo sabe exatamente quanto contribui no presente, mas não tem qualquer garantia do valor do benefício que receberá na velhice, cujo montante ficará submetido às oscilações do mercado financeiro, às crises econômicas globais e à especulação.

 

"O Funpresp funciona, na prática, como uma correia de transmissão que drena recursos públicos e a poupança do trabalhador para alimentar a especulação financeira. É o Estado se desobrigando da seguridade social e entregando a gestão da vida dos servidores ao mercado", denuncia.

 

As maciças campanhas pedagógicas promovidas pelo ANDES-SN, por meio do GTSSA, foram vitoriosas em manter taxas extremamente reduzidas de adesão voluntária entre docentes federais. O impacto da resistência foi tão profundo que incomodou as altas esferas governamentais.

 

Representantes do governo foram à sede do ANDES-SN para discutir a campanha do ANDES-SN contra o Funpresp. Foto: Renata Maffezoli / Imprensa ANDES-SN 
 

Marina recorda um episódio emblemático em que o Secretário de Planejamento da época e seus técnicos visitaram a sede nacional do ANDES-SN, em Brasília, para tentar convencer a diretoria de que a campanha do sindicato contra o Funpresp estava equivocada. "Foi uma demonstração evidente do nosso acerto e do golpe que causamos no projeto governamental", ressalta.

 

Incapaz de convencer a categoria pelo diálogo, o governo federal alterou as regras em 2015, por meio da Lei 13.183/2015. A medida tornou a adesão automática (compulsória) para quem ingressasse no serviço público, a partir de então, com remuneração acima do teto do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), restando-lhe apenas o curto prazo de 90 dias para solicitar formalmente a saída do fundo.

 

Novos ataques à Previdência

Em 2017, meses após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, o então presidente Michel Temer tentou pautar uma nova reforma da Previdência. A mobilização contrária foi intensa.

 

No dia 24 de maio daquele ano, a categoria docente se somou a centena de milhares de manifestantes na capital federal, em um ato que ficou conhecido como Ocupa Brasília. Mais de 100 mil trabalhadoras, trabalhadores e estudantes protestaram contra mais um ataque aos direitos de aposentadoria. A pressão conseguiu barrar a mudança, naquele momento.

 

Em 2019, já sob o governo de Jair Bolsonaro, o Congresso Nacional aprovou, apesar de muita resistência, a Proposta de Emenda Constitucional 06/2019 - uma nova contrarreforma da Previdência.

 

Além de aumentar o tempo de contribuição (40 anos) para acesso ao benefício integral e estabelecer idade mínima para a aposentadoria, a nova previdência trouxe vários outros ataques às trabalhadoras e aos trabalhadores. Um deles foi a diminuição do valor da aposentadoria com a alteração do cálculo do benefício, que agora será sobre todos os salários de contribuição e não mais sobre as 80 maiores remunerações. Além disso, a reforma reduziu o valor da pensão por morte, limitou o acúmulo do benefício com a aposentadoria e diminuiu o benefício por incapacidade, entre outros ataques.

 

“As contrarreformas subsequentes — como a de 2012/2013 (governo Dilma), que impôs o teto do Regime Geral (RGPS) e criou o Funpresp, e a de 2019 (governo Bolsonaro) — transformaram profundamente a dinâmica do trabalho docente. Incerteza e adoecimento na ativa, sem a perspectiva de uma aposentadoria digna e segura, docentes da ativa são empurrados para uma lógica de acumulação individualista de recursos para o futuro, fomento ao produtivismo e à privatização interna: essas inseguranças atuam como um forte indutor do ‘salve-se quem puder’, exemplifica.

 

Ato contra a tentativa de novo ataque à Previdência, em 2017. Foto: Renata Maffezoli / Imprensa ANDES-SN

 

Segundo a ex-presidenta do ANDES-SN, parcela da categoria acaba seduzida por parcerias público-privadas para complementar renda, pela flexibilização da Dedicação Exclusiva (DE), pelo aligeiramento da carreira e pela busca desenfreada por bolsas e projetos sob a lógica do produtivismo acadêmico. “Em suma, ao mercantilizar a aposentadoria do trabalhador, as contrarreformas da previdência não apenas precarizam a vida de quem dedicou anos à educação, mas também corroem as bases da autonomia universitária, do trabalho e da carreira docente”, acrescenta.

 

“Hoje, convivemos com diferentes gerações de docentes submetidos a regimes previdenciários distintos. Aqueles que ingressaram após 2003, e especialmente depois de 2013, já iniciam sua trajetória profissional sabendo que sua aposentadoria estará limitada ao teto do INSS, o que representa uma ruptura profunda entre o salário da ativa e os rendimentos após a aposentadoria. Essa realidade faz com que muitos docentes mais jovens não percebam imediatamente a importância das lutas em defesa da aposentadoria pública. Para eles, as perdas já fazem parte das regras sob as quais ingressaram na carreira, o que dificulta, muitas vezes, sua identificação com essa pauta”, pondera.

 

Marina considera extremamente importante a atuação do Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria do ANDES-SN. Segundo ela, o GT é o responsável por organizar Seminários Nacionais de Assuntos de Aposentadoria, dando maior densidade à compreensão de que a defesa da aposentadoria, com paridade e integralidade, não diz respeito apenas aos aposentados e às aposentadas, mas constitui uma luta de toda a categoria.

 

Para a docente, essa compreensão é fundamental porque os ataques continuam ocorrendo. “Permanecem ameaças de novas mudanças, inclusive propostas que podem ampliar ainda mais a vinculação das aposentadorias ao regime geral do INSS, aprofundando a perda de direitos dos servidores públicos. Na minha avaliação, esse talvez seja hoje um dos maiores desafios do ANDES-SN: conseguir mobilizar toda a categoria em torno da compreensão de que a defesa da aposentadoria pública interessa tanto aos atuais aposentados quanto aos docentes no início do seu caminho profissional”, completa.

 

Atualmente, o ANDES-SN mantém ativa a campanha nacional "Funpresp: garantia de incertezas", exigindo a revogação da adesão compulsória, o direito ao resgate imediato dos valores investidos por desistentes e o fim da contribuição previdenciária sobre os proventos de aposentados e aposentadas. E, neste mês, realiza o X Seminário Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Docente e a IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria, entre os dias 18 e 22 de setembro.

 

Em defesa da Saúde e dos HUs

 

Outra frente de forte atuação do ANDES-SN é a defesa da Saúde pública. Essa pauta materializa-se, entre outras ações, na luta contra a privatização dos Hospitais Universitários (HUs). Marina destaca que a mobilização do sindicato em relação aos HUs baseia-se na compreensão de que estes espaços são vitais tanto para o trabalho docente, pesquisa, extensão e formação médica e de residentes, quanto para a garantia do direito universal à saúde pública pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

 

Manifestação em 2013, na UFRJ.  Foto: Renata Maffezoli / Imprensa ANDES-SN

 

A criação da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), no final de 2011, como uma empresa pública de direito privado vinculada ao Ministério da Educação, inaugurou um processo sistemático de desmonte da autonomia universitária e de precarização do tripé ensino-pesquisa-extensão. O ANDES-SN, que participou de embates históricos em favor do SUS público e gratuito, nos debates da Assembleia Constituinte (1987/88) e nas Conferências Nacionais de Saúde, colocou-se na linha de frente contra a entrega da gestão dos HUs à Ebserh.

 

“O ANDES-SN travou uma intensa luta contra a implantação da empresa nos hospitais universitários, mas, infelizmente, não conseguiu impedir seu avanço. Um exemplo significativo foi a adesão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) à Ebserh em 2023, encerrando um importante ciclo de resistência. Hoje, praticamente todos os hospitais universitários federais estão sob gestão da empresa, atualmente reconhecida pela marca HU BRASIL (empresa pública de direito privado), o que representa profundas consequências para o ensino, a pesquisa, a extensão e a autonomia universitária”, avalia a docente.

 

O Sindicato Nacional compreende que a administração por meio da Ebserh desfigura o papel educacional dos hospitais-escola ao subordiná-los a metas mercantilizadas de contratualização de serviços assistenciais. Na prática, as restrições impostas limitaram as atividades de ensino e pesquisa, geraram assédio moral, terceirização e quarteirização das contratações de pessoal e romperam a autonomia didático-científica das universidades em relação aos seus próprios hospitais.

 

“Observamos mudanças importantes na organização das residências, que passaram a ser reguladas pelos processos seletivos conduzidos pela própria Ebserh. Ao mesmo tempo, percebe-se uma redução na realização de concursos públicos e uma ampliação significativa das vagas de residência, fazendo com que os residentes assumam parcela crescente das atividades assistenciais dos hospitais. Esse processo também vem sendo ampliado para além das universidades. No Rio de Janeiro, por exemplo, alguns hospitais federais passaram igualmente a ser administrados pela Ebserh, ampliando sua presença na gestão da saúde pública”, denuncia.

 

De acordo com a ex-presidenta do ANDES-SN, os hospitais universitários tornaram-se cada vez mais distantes da comunidade acadêmica. O acesso de docentes, técnicos, técnicas e estudantes tornou-se mais restrito, modificando profundamente a relação histórica entre universidade, formação profissional, pesquisa e assistência à população.

 

“Embora essa continue sendo uma pauta permanente de mobilização, os avanços obtidos até o momento foram muito limitados, por isso segue sendo pauta necessária. A luta contra as organizações sociais e contra a privatização do Sistema Único de Saúde está profundamente articulada ao projeto de universidade pública defendido pelo ANDES-SN. Na realidade, trata-se de processos inseparáveis. A privatização da saúde ocorre simultaneamente ao avanço da privatização da educação pública”, alerta Marina.

 

A docente ressalta que esse cenário interfere diretamente na formação profissional. Nos cursos da área da Saúde, por exemplo, os campos de estágio passam a depender da autorização das organizações sociais responsáveis pela gestão das unidades, fazendo com que instituições privadas assumam crescente protagonismo na organização da formação realizada pelas universidades públicas.

 

“Nesse contexto, torna-se evidente a profunda relação entre a defesa da universidade pública e a defesa do Sistema Único de Saúde. Ambas fazem parte do mesmo projeto político de garantia de direitos sociais universais. O avanço das privatizações, o subfinanciamento das políticas públicas e a crescente precarização dos serviços representam um processo contínuo de desmonte tanto da educação quanto da saúde públicas, reforçando a necessidade de manter articuladas essas duas frentes de luta”, afirma.

 

A ex-presidenta do ANDES-SN no 32º Congresso do Sindicato, na UFRJ, em 2013. Foto: Renata Maffezoli / Imprensa ANDES-SN

 

Marina lembra que a totalidade da ação sindical do ANDES-SN se assenta nas análises e formulações do Caderno 2, documento que ela descreve como base sólida para a categoria organizada, nos diferentes espaços de atuação, poder avançar em definições argumentativas e propositivas frente aos projetos e medidas governamentais e do Capital. Segundo ela, o documento permite dar volume às táticas e às estratégias de luta em defesa da categoria e de seus interesses e do projeto maior de sociedade democrática na defesa intransigente da educação pública e dos direitos sociais.

 

Lançado originalmente em 1982, o Caderno 2 constitui a referência de princípios da militância do Sindicato Nacional, pautando o financiamento público exclusivo para a educação pública, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão e a autonomia universitária real perante os interesses mercantis. A publicação sistematiza a "Proposta do ANDES-SN para a universidade brasileira".

 

Como alerta a professora, o atual cenário impõe imensos desafios táticos para o sindicato na transmissão desse patrimônio político para as novas gerações de docentes. A categoria sofreu profundas transformações socioculturais nas últimas décadas. Os novos professores e as novas professoras ingressam na carreira sob o impacto da racionalidade neoliberal e da "universidade 4.0", caracterizada pelo produtivismo acadêmico desenfreado, competitividade individual por financiamentos e métricas rígidas de desempenho e avaliações mercantilizadas.

 

Marina Barbosa lembra que é nesse processo que o Caderno 2 assume um papel central. “Ele nos permite não perder a direção estratégica, não nos desviar da concepção que orienta nossa atuação e garantir que exista, efetivamente, uma articulação entre aquilo que propomos, aquilo que defendemos no cotidiano das lutas e o objetivo geral que pretendemos alcançar”, destaca.

 

Luta Permanente pela transformação social

Ao celebrar 45 anos de existência, o ANDES-SN consolida-se como um patrimônio de resistência democrática e classista dos trabalhadores e das trabalhadoras das universidades públicas, institutos federais e cefets. Desde os combates históricos contra a ditadura empresarial-militar e a luta unificada nas greves federais e estaduais, ao longo das quatro décadas e meia, o Sindicato Nacional manteve-se independente de patrões, governos e partidos políticos.

 

Os ataques e as contrarreformas das últimas décadas deixaram marcas profundas e retiraram direitos conquistados historicamente. Entretanto, para a ex-presidenta do ANDES-SN, ao se dedicar coletivamente a olhar essa realidade de maneira mais cuidadosa, compreendê-la e desvendá-la em maior profundidade e unidade, a categoria docente pode encontrar as melhores formas de atuar sobre essa realidade. “Fazer isso de forma coletiva e priorizando os interesses da categoria e os direitos da nossa classe é condição para alcançarmos vitórias”, aponta.

 

“É evidente que os ataques que temos sofrido atingem diretamente esse projeto e essas propostas. Entretanto, eles não o destruíram e não destruirão, porque a defesa da educação pública, da saúde pública e do projeto de sociedade assentado na democracia e nos direitos assegurados pelo Estado, constitui uma luta permanente da categoria docente, em unidade com outros segmentos da sociedade que estão neste lado da trincheira. A categoria, organizada no ANDES-SN, segue sendo protagonista nesse processo. É justamente essa articulação entre a concepção de educação pública, o projeto societário, a organização sindical e de a luta concreta que permite manter viva a perspectiva de transformação da universidade, da educação e da saúde públicas e da própria sociedade”, conclui Marina Barbosa.

Assista ao vídeo sobre o GTSSA nos 45 anos do ANDES-SN.

 

Fonte: Andes-SN 

Terça, 22 Setembro 2026 16:08

 

 

A inclusão de docentes e servidoras e servidores técnico-administrativos em educação das instituições federais de ensino entre as categorias beneficiadas pelo adicional de fronteira foi aprovada nessa terça-feira (1º) pela comissão mista do Senado que analisa a Medida Provisória (MP) 1.375/2026. O texto amplia o alcance da indenização e inclui municípios da Amazônia Legal entre as localidades consideradas estratégicas e segue agora para votação na Câmara dos Deputados.

A medida é uma reivindicação defendida pelo ANDES-SN e busca contribuir para a atração e a permanência de servidoras e servidores públicos federais em regiões de fronteira e de difícil fixação de profissionais.

O projeto de lei de conversão (PLV) apresentado pelo relator, senador Eduardo Gomes (PL-TO), ampliou o número de carreiras contempladas e elevou o valor da indenização. A MP enviada pelo governo federal previa o pagamento de R$ 91 por dia de efetivo trabalho. Pelo texto aprovado na comissão, o valor passa para R$ 191. O novo valor terá efeitos financeiros a partir de 1º de janeiro de 2027 e poderá ser corrigido periodicamente pelo Poder Executivo.

Para o ANDES-SN, a inclusão do magistério federal representa um avanço importante diante das dificuldades enfrentadas por docentes que atuam em regiões de fronteira e na Amazônia Legal.

“Algumas categorias de servidores públicos federais, inclusive dos ex-territórios federais, foram contempladas, entre elas docentes e técnico-administrativos em educação das instituições federais de ensino. A Amazônia Legal também está incluída no escopo do benefício a ser concedido aos servidores que atuarem nessa região. No entanto, não foi contemplada a deliberação do ANDES-SN que propunha a inclusão do semiárido nordestino entre as áreas abrangidas pelo benefício”, destacou Jacob Paiva, 3º secretário do ANDES-SN e integrante do Grupo de Trabalho de Política Educacional (GTPE) da entidade.

Segundo o diretor, a atuação das entidades sindicais foi fundamental para a ampliação do alcance da medida. “Também ficou evidente a participação muito ativa dos sindicatos para que essa ampliação do benefício avançasse e obtivesse consenso na comissão”, afirmou.

Amazônia Legal

Uma das principais mudanças aprovadas pela comissão é a possibilidade de que municípios da Amazônia Legal sejam classificados como localidades estratégicas mesmo quando não estiverem situados na faixa de fronteira. Para definir as localidades, serão considerados critérios como a localização em região de fronteira ou na Amazônia Legal e a dificuldade de fixação de servidoras e servidores. A lista dos municípios será elaborada e divulgada pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

A inclusão da Amazônia Legal é especialmente relevante para instituições federais de ensino localizadas em áreas que enfrentam dificuldades para atrair e manter profissionais. Com a aprovação do texto, docentes, técnicas e técnicos que estejam em exercício em unidades situadas nos municípios considerados estratégicos poderão receber a indenização.

O texto estabelece ainda que não poderá haver tratamento diferenciado entre órgãos ou entidades localizados em uma mesma cidade e dispensa a comprovação individual de atuação direta, permanente ou ostensiva em atividades de campo, fiscalização externa ou repressão.

A indenização poderá ser acumulada com diárias, mas não com outro adicional de mesma natureza. O PLV também prevê o pagamento em determinadas situações de deslocamento, operações, missões e atividades temporárias realizadas em localidades estratégicas.

Ex-territórios  

O PLV também altera regras para servidoras e servidores dos antigos territórios federais. Técnicas e técnicos em educação do Amapá, de Roraima e de Rondônia poderão ser enquadrados na carreira das servidoras e servidores técnico-administrativos em educação.  

O texto amplia ainda as possibilidades de enquadramento de pessoas que comprovem determinados vínculos com a administração pública dos antigos territórios, dos estados e dos municípios do Amapá e de Roraima, além de empresas públicas e sociedades de economia mista, desde que cumpridos os requisitos previstos em lei.  

Tramitação

Após a aprovação na comissão mista, a proposta precisa ser analisada pela Câmara dos Deputados. Ao final da votação, o presidente da sessão destacou a responsabilidade do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso, de acompanhar a tramitação da matéria e contribuir para que ela avance até a sanção pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para o diretor do ANDES-SN, a aprovação na comissão representa um passo importante e a entidade seguirá acompanhando a tramitação da proposta para garantir a manutenção da inclusão do magistério federal e a efetivação do benefício para docentes que atuam nas localidades contempladas.

Fonte: Andes-SN (com informações da Agência Senado)

Sexta, 18 Setembro 2026 16:43

 

A Adufmat-Ssind torna público o resultado final da seleção de estagiário da área de Ciências Contábeis, 2026 (leia aqui o edital).

Classificação final: 

1º Sofia Vitória de Souza Oliveira

2º Maria Luiza da Silva Oliveira

 

A primeira colocada deve entrar em contato com a Adufmat-Ssind, em horário regular de funcionamento - segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30 -, presencialmente ou pelo telefones (65) 9814-0745 (Contabilidade) ou (65) 99686-8732 e (65) 99696-9293 (Secretaria), para informações sobre a documentação necessária. 

Quinta, 17 Setembro 2026 11:10

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Juacy da Silva*

 

“Os desafios ambientais e climáticos não são apenas problemas ecológicos, mas ameaças diretas à estabilidade social, política, econômica, demográfica e financeira das nações. Esses desafios devem ser integrados no planejamento nacional e regional dos países e na tomada de decisões estratégicas do desenvolvimento integral.” António Guterres, Secretário-Geral da ONU.

O artigo 225 da Constituição Federal de 1988 é claro: o meio ambiente equilibrado é direito de todos, inclusive das próximas gerações, e dever do Poder Público zelar para que isto seja uma realidade concreta.

Em Mato Grosso, esse dispositivo praticamente nunca tem sido tão desrespeitado como atualmente estamos presenciando. Somos campeões em crescimento econômico e também em degradação ambiental e bolsões de pobreza em meio a muita opulência econômica e financeira.

Somos o único estado que tem três biomas em seu território: Pantanal, Cerrado e Amazônia, e, justamente por isso, temos uma responsabilidade maior diante da crise climática que já sentimos no calor extremo que a cada dia se torna mais insuportável, na fumaça, na poluição do ar e na falta d'água, entre tantas outras mazelas socioambientais.

A poucos dias do primeiro turno das eleições gerais de 2026, é alarmante o silêncio dos candidatos sobre tais desafios, representado pela ausência da pauta ambiental nos planos de governo e propostas de ação política, em caso de serem eleitos.

Essa omissão dos candidatos transformar-se-á em omissão de políticas públicas e em recursos orçamentários para os próximos quatro anos, agravando ainda mais os problemas ambientais e suas consequências que enfrentamos.

Sem incluir a ecologia integral no PPA, LDO e LOA de 2027-2030, continuaremos destruindo a base material da vida, da economia e do bem-estar da população. É urgente, por exemplo, criar o Observatório do Clima de Mato Grosso, como instrumento técnico e participativo de monitoramento das mudanças climáticas.

Como nos ensina o Papa Francisco nas Encíclicas Laudato Si' e Fratelli Tutti, e agora o Papa Leão XIV ao afirmar que "a ecologia integral exige uma conversão ecológica profunda individual e comunitária", não há como separar grito da terra e grito dos pobres.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil - DGAE 2026-2032 (Doc. 114 CNBB) nos convocam a sermos uma Igreja sinodal, samaritana e profética. Apresentamos aqui a síntese dos desafios socioambientais de Mato Grosso, mantendo a estrutura territorial proposta pelos biomas.

O Coração da Crise - Pantanal - Patrimônio em Colapso

O MapBiomas mostra que o Pantanal perdeu 75% de sua área permanentemente alagada em 40 anos e opera com 56% menos água. Com aquecimento de 1,9°C, o maior entre os biomas, aproxima-se do ponto de não retorno, também porque os rios voadores da Amazônia foram reduzidos. Integra-se aqui o desafio do fogo: mais de 95% antrópico, dizimando fauna e flora. A segunda dimensão é externa: o Planalto da Bacia do Alto Paraguai, onde nascem os rios pantaneiros, foi convertido em soja e milho, gerando erosão e assoreamento. A terceira é a infraestrutura predatória: PCHs que retêm o pulso de inundação e projetos de hidrovias no Rio Paraguai.

Cerrado - Berço das Águas Ameaçado

Enquanto o país reduziu o desmatamento, o Cerrado mato-grossense cresceu 5,5% em 2025 (ICV) e concentrou 69% da área queimada no Brasil. Essa destruição compromete sua função de caixa d'água do Brasil, extinguindo nascentes e assoreando rios.

O terceiro desafio integra a dimensão humana e legal: pressão sobre territórios indígenas como Sararé e Wedezé e a tentativa da ALMT de reclassificar biomas para reduzir Reserva Legal, fragilizando a legislação federal.

Amazônia Mato-grossense - Contramão Perigosa

Mato Grosso foi o único estado da Amazônia Legal com aumento de 25% no desmatamento em 2025 (1.572 km², INPE). A essa resiliência do ilegal soma-se a degradação por fogo e garimpo de ouro em UCs e TIs.

O segundo desafio é de saúde pública: a poluição por queimadas responde por 70% das internações respiratórias na seca, com custo milionário ao SUS. O terceiro é a violência: grilagem e conflitos por terra e água que colocam nosso Estado entre os líderes em registros da Comissão Pastoral da Terra e outros estudos.

Um problema sério que está presente nos três biomas e que precisa ser considerado seriamente é a questão do uso abusivo e às vezes criminoso de agrotóxicos, muitos já proibidos em diversos países, que afetam tanto o meio ambiente quanto a saúde pública e a qualidade de vida das pessoas, poluindo as águas, os solos e o ar em nosso Estado.

Centros Urbanos: O Progresso que Não Chega a Todos

O tão decantado PIB do agronegócio não tem se convertido em cidades sustentáveis e com uma justa distribuição de renda, riqueza e oportunidades; mais da metade da população urbana de Mato Grosso vive na pobreza ou pouco acima deste limite. O saneamento básico, apesar de avanços pontuais em algumas cidades, na maioria dos centros urbanos tem baixa cobertura de esgoto, poluindo córregos e mananciais como os Rios Cuiabá e Coxipó, que aos poucos estão se transformando no maior esgoto a céu aberto do Centro-Oeste, com redes antigas e perdas imensas de água que deixam de fora do abastecimento dezenas de milhares de famílias.

O crescimento demográfico acelerado de algumas cidades como Sinop, Sorriso, Rondonópolis, Primavera do Leste, Várzea Grande e Cuiabá, entre outras, gera um déficit habitacional e ocupações irregulares, enquanto a falta de arborização cria ilhas de calor e agrava a fumaça de queimadas em terrenos baldios.

A vulnerabilidade social, com o aumento de 12% da população em situação de rua, principalmente em Cuiabá e Várzea Grande, tanto nas áreas centrais quanto nas periferias urbanas, e a pressão do crime organizado e tráfico de drogas representam um sério desafio que não pode ser ignorado.

Aglomerado Urbano Cuiabá/Várzea Grande e Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá sofrem com uma verdadeira calamidade socioambiental bem conhecida, tornando-se um dos territórios mais críticos do Estado e um dos maiores bolsões de pobreza e exclusão socioeconômica do Estado.

Primeiro, temas importantes, a questão da água: o Rio Cuiabá e seus córregos já se transformaram em esgoto a céu aberto por falta de tratamento; Várzea Grande vive há décadas de falta d'água, entre os piores índices nacionais.

Segundo, o uso do solo: expansão desordenada sobre as áreas verdes e de proteção ambiental, várzeas e nascentes, destruindo a vegetação e ampliando o risco de alagamentos e erosão.

Terceiro, a qualidade de vida tem se tornado extremamente precária em decorrência do descarte incorreto e às vezes criminoso de resíduos sólidos/lixo urbano em margens de rios, córregos, estradas e terrenos baldios, somando-se à redução drástica da arborização, gerando ondas de calor intenso.

Diante desta realidade de degradação socioambiental, chegamos à triste conclusão: não há desenvolvimento integral sem ecologia integral, crescimento econômico que gera concentração de renda em poucas mãos não é desenvolvimento humano e integral.

A opção preferencial pelos pobres, a justiça social e a plenitude dos direitos humanos exigem defender nossos biomas e centros urbanos de nosso Estado. A Carta Aberta que será entregue aos candidatos e partidos políticos em evento a ser realizado proximamente em Cuiabá não é denúncia vazia, é proposta para: incluir os desafios ambientais de Mato Grosso na definição de políticas públicas, com metas ambientais e, principalmente, climáticas no PPA, LDO e LOA do Estado de Mato Grosso, da União e dos Municípios e implantar o Observatório do Clima em Mato Grosso.

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

 

 

Terça, 15 Setembro 2026 16:17

 

 

As universidades públicas brasileiras estão no centro de uma ofensiva que combina violência política, intimidação, campanhas de desinformação e ataques à legitimidade da ciência e do pensamento crítico. Em ano eleitoral, os episódios registrados em diversas instituições mostram que a disputa não se limita às redes sociais. Grupos e políticos de extrema direita têm ocupado espaços universitários, provocado confrontos e transformado os episódios em conteúdo de repercussão política. A ofensiva também alcança a autonomia, o financiamento e a definição das pesquisas realizadas nas instituições públicas.

Acervo UFU. Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN 


Na avaliação de Roberto Leher, professor e ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), trata-se de uma estratégia da chamada guerra cultural. “As ações performáticas da extrema direita não têm qualquer relação com o debate de ideias”, afirma. Para ele, os ataques têm como foco a legitimidade das universidades, justamente em um momento de transformação do perfil socioeconômico e racial de suas comunidades e de ampliação de pesquisas sobre temas como imperialismo, racismo, plataformização do trabalho, sexualidade, clima e vacinas.


Segundo o professor, a ofensiva combina a atuação da extrema direita com a austeridade neoliberal, em um processo de desqualificação das instituições públicas e de pressão para que elas se submetam a interesses externos. “As pesquisas de opinião que hoje registram desconfiança em relação às universidades não medem a realidade das salas de aula: medem o êxito dessa campanha. Umberto Eco advertiu que a recusa da racionalidade e do pensamento crítico é a essência do fascismo, que usa o debate apenas como tática”, disse.


Para Leher, a intolerância não vem da esquerda, mas sim das think tanks, que são aparelhos ideológicos privados (Atlas Network, FIRE, Heterodox Academy, Instituto Manhattan), que buscam a hegemonia neoliberal e a desestruturação do Estado de bem-estar social por meio de seus aparelhos locais (Instituto Sivis, MBL, Brasil Paralelo, editoriais dos grandes grupos de imprensa), que, conforme ele, “forjam uma imagem negativa para, a seguir, tentar silenciá-la por meio da neutralidade institucional, em detrimento de sua autonomia”.


Ataques


Nas últimas décadas, a educação se tornou um dos principais alvos da extrema direita, que passou a associar escolas e universidades a ideias como “esquerdismo”, “ideologização” e “antipatriotismo”. Com raízes em movimentos como o ‘Escola sem Partido’, essa ofensiva ganhou força a partir de 2013 e se intensificou durante o ciclo bolsonarista, atingindo especialmente as ciências humanas e a liberdade de cátedra. Desde então, docentes e instituições públicas de ensino passaram a ser apresentados como inimigos políticos, enquanto as redes sociais ampliaram a circulação de acusações contra a educação e a ciência. 


Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) analisaram invasões à Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e identificaram uma dinâmica de “performances políticas e simbólicas”, nas quais ações presenciais são registradas e posteriormente convertidas em conteúdo para as redes. De acordo com o artigo publicado este ano, o conflito ultrapassa o espaço físico do campus e passa a alimentar narrativas que apresentam a universidade como território de uma suposta disputa ideológica.


Ciência, pesquisa e autonomia


A ofensiva, porém, não se limita à imagem das instituições. Ela envolve também a disputa sobre financiamento, autonomia e finalidade da produção científica. “As universidades públicas brasileiras são responsáveis por mais de 90% do conhecimento produzido e registrado no campo da ciência e da tecnologia”, segundo o docente da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Rodrigo Pereira. Para ele, essa capacidade está diretamente relacionada à autonomia da comunidade universitária para definir objetos de pesquisa e produzir conhecimento socialmente referenciado. “O volume desse conhecimento advém exatamente da autonomia que os professores e a comunidade universitária têm de produzir conhecimentos que interessem à sociedade”, afirma.


Segundo Pereira, propostas que alteram a autonomia, a gestão e o financiamento das universidades podem significar uma tentativa de tutelar o conhecimento produzido em seu interior. O contingenciamento de recursos públicos acrescenta uma dimensão material ao problema. Em junho, o ANDES-SN denunciou o bloqueio de cerca de R$ 300 milhões do orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de um total de R$ 23,6 bilhões do Orçamento da União. Também foram bloqueados R$ 1,6 bilhão do Ministério da Educação e R$ 490,1 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Apesar do descontingenciamento de R$ 5,7 bilhões no fim do mês, cerca de R$ 17,9 bilhões permanecem bloqueados no Orçamento Federal de 2026.


É nesse terreno que aparecem propostas de alteração do papel das universidades, como a do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), que prevê retirar as universidades federais da estrutura do MEC e transferi-las para o MCTI. O documento também defende que as agências de fomento priorizem pesquisas com impacto produtivo e maior aproximação com as demandas das empresas.


“A tarefa-mãe das universidades é a produção e a socialização desse conhecimento. E isso se faz com financiamento robusto, que advém da vinculação constitucional de, no mínimo, 18% do que é arrecadado da cesta de impostos no Brasil para a educação pública. Nesse sentido, é fundamental a luta em defesa não só da manutenção do financiamento das universidades vinculadas ao MEC, como também a luta pela ampliação dos investimentos em educação, como diz o PNE, de, no mínimo, 10% do PIB para a educação”, ressaltou Rodrigo.


O docente também chamou atenção para mecanismos que já influenciam a definição das agendas de pesquisa. Segundo ele, projetos submetidos ao CNPq e à Capes precisam, em determinadas chamadas, estabelecer relação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que contém 17 metas da ONU.


Na avaliação de Pereira, esse tipo de direcionamento, assim como a vinculação crescente das pesquisas aos interesses da iniciativa privada, pode reduzir o espaço para a pesquisa básica e para áreas como as ciências humanas. “O direcionamento das pesquisas representa uma ameaça, não só para a pesquisa básica, para a educação, para as ciências humanas, como para a própria concepção da função social da educação pública no nosso país”, afirma.


Leia aqui a matéria completa do InformANDES-SN de Setembro/2026

 

Fonte: Andes-SN 

Terça, 15 Setembro 2026 15:27

 

O ANDES-SN realiza, entre os dias 18 e 22 de setembro, em Brasília (DF), o X Seminário Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Docente e a IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria. A programação também inclui a reunião do Grupo de Trabalho Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA), que acontece no dia 18, na sede do Sindicato Nacional.


A programação foi divulgada por meio da Circular 374/2026, em complementação à Circular 278/2026. As atividades vão abordar temas relacionados às condições de trabalho, saúde e adoecimento da categoria docente, além de questões previdenciárias e os desafios enfrentados por professoras e professores aposentados.


A reunião do GTSSA será realizada na sexta-feira (18), das 14h às 21h, com informes, discussão das deliberações do 69º Conad e elaboração de propostas para o 45º Congresso do ANDES-SN, que ocorrerá em janeiro do próximo ano.


No sábado (19), terá início o X Seminário Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Docente, com a primeira mesa “A defesa do SUS e o compromisso com a determinação social da Saúde”. No período da tarde, serão apresentados e debatidos alguns resultados da Enquete Nacional do ANDES-SN. Encerrando o dia, a mesa “Intensificação do trabalho e direito à desconexão” discutirá os impactos da organização e das condições de trabalho sobre a saúde da categoria.


No domingo (20), o seminário terá uma roda de conversa sobre experiências de luta da categoria docente. À tarde, a mesa “Relação entre tempo de carreira, adoecimento e qualidade de vida na aposentadoria” tratará dos impactos das condições de trabalho ao longo da trajetória profissional e de suas repercussões na aposentadoria.


Na segunda-feira (21), será realizada a IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria. A programação começa com a mesa “Idadismo no contexto do trabalho docente”, seguida de um painel sobre o diagnóstico do acolhimento e suporte a docentes aposentados e aposentadas. À tarde, a mesa “Fim da contribuição previdenciária: necessidades e desafios da luta sindical” discutirá a pauta e os desafios para a organização e mobilização sindical.


As atividades serão encerradas na terça-feira (22), com um ato em defesa da revogação das contrarreformas da Previdência e pelo fim da contribuição previdenciária de docentes aposentados e aposentadas. O ato será realizado das 10h às 12h.


Confira a programação das atividades:

Sexta-feira (18)
14h às 21h - Reunião do GTSSA.

Sábado (19)
X Seminário Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Docente

9h às 10h – Mesa de abertura;

10h às 12h – Mesa 1: “A defesa do SUS e o compromisso com a determinação social da Saúde”;

12h às 14h – Almoço;

14h às 16h – Mesa 2: “Enquete Nacional do ANDES-SN: debatendo alguns resultados”;

16h30 às 18h – Mesa 3: “Intensificação do trabalho e direito à desconexão”.

Domingo (20)
X Seminário Nacional de Saúde do(a) Trabalhador(a) Docente

9h às 12h – Roda de conversa sobre as experiências de luta da categoria docente;

12h às 14h – Almoço;

14h às 16h – Mesa 4: “Relação entre tempo de carreira, adoecimento e qualidade de vida na aposentadoria”;

16h às 18h – Confraternização.

Segunda-feira (21)
IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria

9h às 10h30 – Mesa 1: “Idadismo no contexto do trabalho docente”;

10h30 às 12h – Painel: “Diagnóstico sobre o acolhimento e suporte aos docentes aposentadas(os)”;

12h às 14h – Almoço;

14h às 17h – Mesa 2: “Fim da contribuição previdenciária: necessidades e desafios da luta sindical”.

Terça-feira (22)
IV Jornada de Assuntos de Aposentadoria

10h às 12h – Ato em defesa da revogação das contrarreformas da Previdência e pelo fim da contribuição previdenciária das(os) aposentadas(os).

 

Fonte: Andes-SN 

Segunda, 14 Setembro 2026 16:39

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Juacy da Silva*

“A Igreja é realidade humana e divina, sinal da presença de Cristo na história humana. A Igreja não nasce da perfeição ideal dos seus membros, mas do desígnio de amor de Deus para a humanidade”, Papa Leão XIV, pronunciamento na Praça São Pedro, ao refletir sobre a natureza da Igreja à luz da Constituição dogmática Lumen Gentium, documento do Concílio Vaticano II, em 05/03/2026.

O presente artigo sintetiza aspectos fundamentais sobre o pontificado de Leão XIV, iniciado em maio de 2025. Analisa sua eclesiologia a partir da centralidade da opção pelos pobres, da sinodalidade, do clericalismo e do protagonismo do laicato. Fundamentado em suas principais intervenções — Exortação Apostólica Dilexi Te e Encíclica Magnifica Humanitas — e em fontes como Canção Nova, Vatican News e CNBB, demonstra como Leão XIV consolida a Doutrina Social da Igreja em resposta aos desafios contemporâneos.

Palavras-chave: Leão XIV. Sinodalidade. Laicato. Dilexi Te. Reino de Deus. Clericalismo. Cultura da paz e Civilização do amor.

Introdução

A visão eclesial de Leão XIV destaca-se pela continuidade orgânica com o Concílio Vaticano II e com o magistério do Papa Francisco, seu antecessor, sua formação agostiniana e sua experiência como missionário em um país do Sul Global (Peru) e como Superior da Ordem de Santo Agostinho, porém com enfoque próprio na forma como pretende que a Igreja seja diante dos atuais desafios mundiais.

Seu pontificado pode ser entendido e observado a partir de uma tríade inseparável: Igreja sinodal, samaritana e profética, como manifestação histórica do Reino de Deus.

A Natureza da Igreja: Humana e Divina

Leão XIV retoma Lumen Gentium para afirmar que a Igreja possui dupla dimensão: visível e humana, feita de pessoas reais com alegrias, tristezas, esperanças e pesos cotidianos, e força divina, como sinal visível da ação de Deus no mundo. Desta compreensão decorre uma exigência ética: a comunidade eclesial deve ser espaço seguro, acolhedor e livre de todo abuso — sexual, de autoridade e espiritual — com tolerância zero.

É a eclesiologia do “Para vós sou Bispo, convosco sou cristão” (Santo Agostinho).

O Magistério Social: a Exortação Apostólica Dilexi Te

Primeiro grande marco do pontificado, a Dilexi Te (“Eu te amei”), elaborado a partir do esforço do Papa Francisco nos últimos tempos de sua vida, insere o magistério de Leão XIV na reflexão e pensamento teológico latino-americano, com destaque para os seguintes aspectos: a) Pobreza como estrutura excludente: A pobreza não é fatalidade, mas fruto de modelos econômicos e políticos injustos e opressores, especulação financeira, idolatria do lucro e degradação socioambiental; b) Crítica à falsa meritocracia: O Papa classifica as narrativas que culpabilizam os pobres por sua condição como discursos de “cegueira e crueldade”, desmascarando a meritocracia como falácia; c) Critério de justiça: A legitimidade de qualquer modelo econômico e de desenvolvimento é medida pelo seu impacto real, distribuição justa de seus resultados e respeito à dignidade dos mais frágeis.

O Protagonismo dos Leigos e a Superação do Clericalismo

Este é o núcleo teológico central do pontificado, representado pela dignidade igualitária: Leão XIV desconstrói a definição negativa de leigo como “quem não é padre”. Pelo batismo, todos, clero, religiosos/religiosas e leigos possuem a mesma dignidade intrínseca.

Os leigos não são segunda ou terceira categorias, nem acessórios passivos, mas também discípulos missionários e cumprem um papel importante e fundamental na ação evangelizadora da Igreja.

Missão no mundo:

A verdadeira missão do laicato (leigos e leigas) não ocorre apenas dentro da paróquia, mas no trabalho, nas pastorais, na família, na comunidade, na política, na escola, na economia e nas periferias territoriais e existenciais.

Os papéis mais importantes atribuídos ao laicato dividem-se em três dimensões: a) na dimensão Sinodal (Caminhar Juntos); b) dimensão Samaritana (Igreja Servidora) e c) na dimensão Profética (Testemunho e Transformação estrutural). Em sua dimensão de discípulos missionários, leigos e leigas são o rosto da Igreja em saída no mundo e na história, “sal da terra e luz do mundo”.

Combate ao clericalismo

Desde o magistério do Papa Francisco, a Igreja vem combatendo insistentemente o clericalismo, para quem o mesmo é “uma perversão da Igreja”.

Para Leão XIV, no contexto de uma Igreja Sinodal, “o clericalismo é um desvio de função, que pode se manifestar no clero e no comportamento de leigos que o reforça”. Ele considera que os fiéis leigos e os ministros ordenados possuem a mesma dignidade, alertando contra os extremos do clericalismo e reforça que a imensa maioria do povo de Deus é formada por leigos, a cujo serviço estão o clero, religiosos e religiosas.

O Papa afirma: “na Igreja, a hierarquia existe em função do serviço, não do poder”. O clericalismo se manifesta quando clérigos usam a posição para subjugar consciências, exercitar poder ou cometer abusos. Para combatê-lo, propõe: transparência institucional e cultura de prevenção e do cuidado; do serviço, através do diálogo direto com vítimas e sobreviventes de abusos e intolerância.

A importância da formação do laicato

Tendo em vista os papéis e a importância do laicato na vida da Igreja, Leão XIV insiste, exorta e enfatiza a importância da formação continuada do laicato, tanto nos aspectos gerais quanto na dimensão teológica como vocação universal, gerando pensamento crítico para neutralizar a indiferença, evitar tanto a passividade do leigo quanto sua clericalização.

A Igreja Sinodal, Samaritana e Profética como Manifestação do Reino de Deus na história humana

Para Leão XIV, estas três dimensões são fundamentais, interligadas, inseparáveis e, ao mesmo tempo, a forma concreta da presença do Reino de Deus na história humana.

Igreja Sinodal (Caminhar Juntos): Não é método burocrático, mas modo de vida e uma forma concreta de evangelização; implica corresponsabilidade eclesial, exercício do Sensus Fidei pelos leigos nos conselhos pastorais e transformação de tensões em discernimento comum e supera a dependência exclusivista de estruturas centralizadas no clero.

Igreja Samaritana (Servidora e Acolhedora): Inspirada na dimensão de uma Igreja Samaritana, defende ações pastorais solidárias, acolhedoras e sem julgamentos prévios.

Cabe aos leigos, coração das pastorais sociais, estender a mão aos vulneráveis, pobres e excluídos, ir às periferias territoriais e existenciais, como favelas, prisões, hospitais, mundo do trabalho, pessoas e grupos em crises existenciais ou emocionais, onde a estrutura clerical muitas vezes não consegue chegar.

Igreja Profética (Testemunho e Transformação): Exige formação sólida na Doutrina Social, nos Direitos Humanos e na Ecologia Integral, para denunciar as estruturas que geram injustiças, fome, pobreza, miséria e violência e propor soluções estruturais, superando o mero assistencialismo voluntarista.

Uma Igreja profética manifesta-se na coragem de dialogar com novos tempos, inclusive a Inteligência Artificial, como proposto na Encíclica Magnifica Humanitas e na Exortação Apostólica Dilexi Te.

O Reino de Deus na História Humana

Leão XIV rejeita visão espetacular e de poder. Apoiado nas parábolas do grão de mostarda, fermento e trigo e joio, ensina que o Reino de Deus cresce de forma silenciosa, humilde e paciente, a partir de dentro, pelo amor e misericórdia.

A história é campo onde coexistem o bem e o mal. Em Magnifica Humanitas: sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial, alerta que a humanidade deve escolher entre erguer uma nova “Torre de Babel” (fechamento autorreferencial, tecnocrático e instrumento de poder e domínio) ou construir a “cidade onde Deus e a humanidade habitem juntos”.

A cultura da Paz e Civilização do Amor

Este é o aspecto central do magistério de Leão XIV, detalhado na Encíclica Magnifica Humanitas, insistindo na necessidade de uma transição de uma cultura do poder, domínio e opressão para uma cultura da paz como resposta à desumanização e automação dos conflitos.

Na sinodalidade, ele insiste na paz desarmada e desarmante, que é tecida pela escuta mútua e pelo diálogo amplo, inclusive ecumênico e inter-religioso, desarmando palavras e superando narrativas amigo-inimigo pelo espírito da fraternidade e da não violência.

A cultura da paz, base para a civilização do amor, deve estar na base de todas as nossas relações: na família, na Igreja, no mundo do trabalho, na escola, na comunidade, na política e nas relações internacionais.

Na dimensão samaritana, Leão XIV insiste na superação da indiferença técnica e da idolatria do lucro, verdadeiros “bezerros de ouro”, assumindo o “olhar das vítimas” da violência e da exclusão econômica, social e política, oferecendo perdão e reconciliação.

Na dimensão profética, insiste na denúncia da indústria bélica (complexo industrial militar) e do comércio da desinformação e violência institucional.

Leão XIV insiste e exorta em relação à necessidade da superação definitiva da teoria da “guerra justa”, pois a paz não é apenas a ausência de guerra, mas “fruto da justiça, do diálogo e do amor”, e isto exige desarmar os corações e responsabilizar quem cria tecnologias destrutivas, a serviço do mal, bases da economia da morte.

Considerações Finais

Leão XIV propõe uma Igreja em saída, rumo às periferias territoriais e existenciais, onde leigos e leigas, engajados/engajadas, formados e com espírito crítico e coragem são os principais agentes de transformação estrutural, na busca de um mundo de fraternidade, justiça e dignidade humana, ligando fé, cidadania, espiritualidade libertadora, justiça social e defesa da Casa Comum, em prol das atuais e futuras gerações.

Sua visão do Reino de Deus na história humana articula ecologia integral, opção preferencial pelos pobres, defesa de todas as formas de vida, inclusive e, principalmente, da vida humana, e sinodalidade, cuidado e profetismo, convocando a Igreja a ser sinal visível e histórico do amor de Deus por todos os seres humanos, no cotidiano da sociedade.

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

 

Segunda, 14 Setembro 2026 16:30

 

A Adufmat-Ssind informa, conforme publicado no edital de seleção de estagiário na área de Ciências Contábeis (leia aqui), a relação de candidatas aprovadas para a fase de entrevistas, que serão realizadas na quarta-feira, 16/09, nos seguintes horários: 

 

08h - Amanda Chaves e Silva

08h30 - Ana Karolina Celestina de Amorim

09h - Clara Garcia Catarino

09h30 - Maria Luiza da Silva Oliveira

10h - Raíny Kedilla da Cruz Canavarros

10h30 - Sofia Vitória de Souza Oliveira


As entrevistas serão realizadas presencialmente, na sede da Adufmat-Ssind (oca), localizada dentro do campus da UFMT em Cuiabá. 

Sexta, 11 Setembro 2026 17:25

 

A violência contra manifestantes que participavam da organização do 32º Grito das Excluídas e dos Excluídos, realizado em Vitória da Conquista (BA), no último dia 7 de setembro, foi repudiada pelo ANDES-SN. Entre as pessoas atingidas estavam docentes da base e da diretoria das associações dos docentes das universidades Estadual do Sudoeste da Bahia (Adusb – Seção Sindical do ANDES-SN) e do Estado da Bahia (Aduneb SSind.).


O episódio culminou na agressão do diretor da Aduneb SSind., Marcelo Neves, que foi atingido por um golpe na nuca enquanto participava da manifestação. Segundo o ANDES-SN, o docente precisou ser hospitalizado e permaneceu em observação na UTI.


Em nota, a diretoria do ANDES-SN afirma que o episódio ocorre em um cenário de avanço da violência promovida pelo campo fascista e pela extrema direita contra militantes sociais, do campo progressista e de esquerda. O documento destaca que trabalhadoras e trabalhadores das instituições de ensino superior também têm sido alvos desse projeto conservador e antidemocrático.


Para o Sindicato Nacional, a violência contra um representante sindical e docente de uma universidade pública constitui um ataque à entidade e às instituições de ensino superior. “Exigimos a célere apuração desse crime, a identificação do agressor e os devidos encaminhamentos legais”, diz a nota.


A Aduneb SSind. também publicou manifestou solidariedade a Marcelo e reivindicou a investigação rápida do ocorrido e a responsabilização pelo dano causado. A entidade ressaltou que o direito à liberdade de expressão e à manifestação política é assegurado pela Constituição Federal.


De acordo com a seção sindical do ANDES-SN, a violência não atinge apenas o professor, mas também a comunidade universitária de Ipiaú, os 27 campi da Uneb e o conjunto de militantes dos movimentos sindicais, sociais e de organizações políticas que defendem pautas progressistas.


32º Grito


A agressão ocorreu durante o 32º Grito das Excluídas e dos Excluídos, mobilização que reuniu movimentos sociais, organizações populares e entidades sindicais em diferentes cidades do país no dia 7 de setembro.


O ANDES-SN convocou a categoria a participar dos atos pelo fim da escala 6x1, a defesa da moradia digna, da reforma agrária e da educação pública de qualidade, além da defesa do SUS, do enfrentamento ao feminicídio e a todas as formas de violência contra mulheres, e do combate ao racismo e à LGBTI+fobia

Fonte: Andes-SN 

Sexta, 11 Setembro 2026 16:36

 

O ANDES-Sindicato Nacional de Docentes das Instituições de Ensino Superior lança, no dia 16 de setembro, o documentário “Educação e Ciência por um Brasil que dá certo”. Com produção da Cajuína Filmes e direção de André Manfrim, o filme será exibido às 17h, na Casa de Cultura Japonesa da USP (Campus Butantã), na cidade de São Paulo. Posteriormente, será lançado regionalmente em outras cinco capitais brasileiras.

A obra é uma iniciativa da Campanha “Lutar não é Crime!” do Sindicato Nacional, para combater os ataques ideológicos e orçamentários à educação superior e à ciência públicas e para reforçar o papel fundamental de ambas na transformação da realidade no país. O filme conta com a participação de lideranças estudantis e sindicais, personalidades públicas e com o depoimento de brasileiras e brasileiros, cujas vidas são impactadas, cotidianamente, pelo ensino superior e pela ciência.

“O documentário pretende ser um instrumento contra a desesperança alimentada pela extrema direita e pelo realismo cínico de quem só defende cortes. Queremos chamar a atenção da população brasileira para a esperança, para a defesa desses patrimônios nacionais tão importantes para nossa classe trabalhadora, que são as instituições de ensino e pesquisa públicas”, explicou o presidente do ANDES-SN, Cláudio Mendonça.

Dados da educação e ciência

Mais de 95% da produção científica brasileira provém das Universidades públicas. Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Intelectual (Inpi), quatro das seis maiores requisitantes de patentes no país são universidades públicas.

A presença de estudantes negros e negras nas Universidades públicas brasileiras cresceu mais de 22%, nos últimos 20 anos, chegando a 51,2% do total de matrículas. Atualmente, 64,7% dos estudantes das Universidades públicas vieram, integral ou majoritariamente, de escolas públicas; 70,1% dos estudantes pertencem a famílias com renda mensal per capita de até 1,5 salário-mínimo.

Segundo o IBGE, a taxa de emprego informal é 45% menor entre pessoas com ensino superior completo, em comparação com quem cursou apenas o ensino médio. Trabalhadoras e trabalhadores com ensino superior ganham, em média, 148% mais do que aquelas e aqueles com apenas ensino médio. Os dados demonstram o que o documentário reforça: a Educação e Ciência públicas são fundamentais para o Brasil dar certo.

Serviço:

EDUCAÇÃO E CIÊNCIA POR UM BRASIL QUE DÁ CERTO

Documentário, 2026. 25’ min.

Classificação etária: Livre.

Direção: André Manfrim.

Uma produção ANDES-SN e Cajuína Filmes

 

Lançamento Nacional:

16 de setembro (quarta-feira), às 17h, FFLCH/USP – Casa da Cultura Japonesa – Campus Butantã/SP.

 

Lançamentos outras capitais:

17/09 – Rio de Janeiro (RJ) – Salão Nobre IFCS/UFRJ - 17h.

23/09 – Brasília (DF) - Auditório da Adunb/Campus Darci Ribeiro - 17h.

24/09 – Salvador (BA) – Praça das Artes UFBA - Campus Ondina - 17h.
30/09 – Manaus (AM) - Largo de São Sebastião, em frente ao Teatro Amazonas - 17h.
07/10 – Curitiba (PR) - Cine Passeio - 17h.

 

Fonte: Andes-SN