COBRA ENGOLINDO COBRA
JUACY DA SILVA*
Este artigo não trata de uma questão ambiental, como à primeira vista pode parecer, como aquelas notícias em que uma anaconda ou sucuri devora suas presas, jacarés e também outras cobras menores. Poderia ser classificado como uma reflexão sobre a ecologia política brasileira, a partir das cenas que já se tornaram rotineiras através das constantes ações da Polícia Federal, cumprindo ordens do Poder judiciário, correndo atrás não de bandidos comuns, traficantes de drogas , de armas e de seres humanos ou contrabandistas; mas sim prendendo, algemando políticos e gestores públicos, vasculhando suas casas, seus escritórios e até mesmo gabinetes parlamentares, em Câmaras municipais, Assembleias Legislativas ou da Câmara Federal, como ocorreu há poucos dias em Brasília e em diversos Estados.
A cada dia as investigações do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça, divulgadas amplamente pelos meios de comunicação, possibilitam ao povo, ao eleitor e ao contribuinte, constatarem que estamos sendo governados, ainda bem que apenas uma parcela menor, por verdadeiros bandidos de colarinho branco, verdadeiras quadrilhas que usam o mandato e os cargos públicos para roubarem, bilhões de reais que fazem falta para a implementação das políticas públicas voltadas `a solução de graves problemas que afetam a população, principalmente as camadas mais humildes.
Mas vamos ao que interessa nesta reflexão, a operação catilinárias, executada pela Polícia Federal há poucos dias, tendo como alvo mais de 53 mandados de busca e apreensão, nas residências oficial e particular do Presidente da Câmara Federal; de dois ministros do Governo Dilma, de um ex-ministro e senador da República, na sede do PMDB em Alagoas, de deputados e senadores, enfim, um montão de gente importante, tendo ficado de fora o Presidente do Senado, devido a não autorização ao pedido do procurador Geral da República, por parte do Ministro Teori Zavaski, relator da Operação Lava Jato , no Supremo Tribunal Federal. Todos os pedidos de busca e apreensão tiveram como alvos políticos e dirigentes ou ex-dirigentes públicos, ligados ou pertencentes ao PMDB e que estão na famosa “Lista do Janot”.
Da referida lista constam 14 senadores, 28 deputados federais, além de 14 ex-deputados federais e a ex-governadora do Maranhão e o Ex-Governador do Rio de Janeiro, no caso dos ex-governadores, todos do PMDB. Mais da metade dos deputados que estão sendo investigados pertencem ou pertenciam ao PP. Entre os senadores investigados fazem parte uma ex-ministra, um ex-ministro, um ex-presidente da República. Cabe destaque também que tanto o Presidente da Câmara quanto do Senado estão sendo investigados, além de já estarem presos o ex-líder do Governo Dilma no Senado e o ex-ministro chefe da casa civil de Lula, e mais um ex-tesoureiro do PT e diversos empresários de peso, que tinham livre acesso no palácio do Planalto, onde o povo jamais pode entrar, apesar de pagar impostos que mantém a máquina pública e os privilégios e mordomias dos donos do poder.
Diante disso, parece que ao dirigir as operações dos últimos dias apenas contra pessoas investigadas ligadas ou pertencentes aos quadros do PMDB, pode, sim, representar um certo direcionamento que também beneficia o Governo Dilma, na medida que deixa de fora políticos suspeitos e investigados por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes de colarinho branco, pertencentes ao PT, ao PP, ao PTB e de outros partidos que fazem parte da base do governo Dilma.
Todos sabem que a aliança entre PT e PMDB, é um ajuntamento fisiológico, afinal o PDMB participou durante 08 anos do Governo FHC e chegou a indicar a candidata na Chapa de Serra, quando a coligação PSDB/PMDB perdeu as eleições em 2002 para Lula.
Todavia, tão logo Lula foi eleito, o PMDB aderiu ao Governo petista e desde então não largou mais o osso, era e continua a fase do “toma lá, dá cá”, participando do balcão de negócios dirigidos pelos governos Lula/Dilma, onde a moeda de troca para o apoio politico são as nomeações de ministros, ocupantes de segundo, terceiro escalão, dirigentes de Estatais, inclusive na Petrobrás, que foi roubada durante esses últimos 15 anos, de uma maneira vil e também as famosas emendas parlamentares.
Como os ratos que percebem quando o navio está afundando e pulam na água na esperança de se salvarem, também os políticos trocam de lado, pulam do barco politico, sem a mínima cerimônia, quando percebem que um determinado governo está afundando, como é o caso do Governo Dilma, que, segundo pesquisas do início desta semana, em que 70% da população consideram seu governo ruim ou péssimo e apenas 9% avaliaram como ótimo ou bom. Pior ainda quando os entrevistados são indagados se confiam ou não na Presidente. O resultado indica o que o povo está sentindo: 78% não confiam na Presidente e apenas 18% confiam. Este sentimento é o mesmo em ambos os sexos, faixas etárias, regiões do país, níveis de renda e de escolaridade e tamanho das cidades. Ou seja, Dilma é a presidente mais rejeitada ao longo dos últimos 30 anos, desde o início do Governo Sarney.
Diante disso, vendo que se continuar atrelado ao PT poderá ir ao naufrágio político, o PMDB está iniciando o desembarque do Governo Dilma e tem imposto várias derrotas `a mesma nos últimos meses. A opinião pública sabe muito bem que hoje, o maior inimigo do PT não são os partidos de oposição, mas sim o PMDB que caminha a passos rápidos para bandear-se para o outro lado, com vistas as eleições municipais de 2016 e as eleições gerais de 2018.
Tudo isso depende da velocidade da operação Lava jato, principalmente as sob a responsabilidade do STF, que está muito devagar, diferente das investigações e condenações em Curitiba, sob a batuta do juiz Sérgio Moro que correm rápido, as que tem como investigados parlamentares e outras figuras importantes que gozam de “foro especial”, um privilégio só existente no Brasil, pode ajudar a enjaular mais gente importante ou engrossar o rol da impunidade, beneficiando, como sempre, os criminosos de colarinho branco.
Essas operações contra políticos acusados de corrupção são importantes e devem continuar, mas não pode escolher investigados que pertencem a um determinado partido, deixando outros de fora; deve ir mais a fundo e pegar todos os que ,comprovadamente , roubaram dinheiro público.
Da mesma forma, não pode embaralhar o foco principal que é a questão do impeachment. O povo quer tanto que os políticos e demais corruptos investigados na operação Lava Jato sejam punidos, quanto a Presidente Dilma encerre o seu mandato o mais breve possível. Todas as pesquisas de opinião pública indicam isso. Impeachment ou renúncia é a chave para desatar este nó em que o PT colocou o Brasil.
Em Brasília, tanto no Congresso, quanto nos Poderes Executivo e Judiciário, só existem cobras criadas, vorazes e a luta entre essas cobras é muito grande, cada uma querendo engolir as demais, incluindo gente importante que age como eminências pardas e desejam retornar ao poder, afinal do poder emana privilégios e muitas mutretas, o que menos conta são os interesses e as necessidades do povo brasileiro.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog http://www.professorjuacy.blogspot.com/ Twitter@profjuacy
O TEMPO PASSA MUITO RÁPIDO!
JUACY DA SILVA*
Hoje é o último domingo de novembro de 2015. De amanhã até dia 11 de Dezembro estará sendo realizada a COP 21 – Conferência do Clima em Paris, já estamos entrando no clima do Natal e da festividades de final de ano. Como o tempo está passando tão rápido.
No mundo inteiro e também no Brasil muitas coisas tem acontecido, a operação LAVA-JATO, a prisão de empresários importantes e de políticos poderosos marcaram o país, ao lado da corrupção, da crise econômica e financeira, do desemprego, da violência, do caos na saúde, da recessão e das crises setoriais.
Nos Estados também o combate à corrupção corre celeremente e tem muita gente importante com as “barbas” de molho, além de outr@s que estão pres@s. O Governo Dilma segue acuado e paralisado, nada funciona em Brasília, tudo gira em torno das operações policiais e do MP que vasculha gabinetes de parlamentares e de ministérios.
Os presidentes da Câmara Federal e do Senado, juntamente com vários deputados e senadores, estão na berlinda e na “Lista do Janot”, suspeitos e investigados por corrupção, alguns por suposto envolvimento na roubalheira da PETROBRÁS.
Os partidos estão em polvorosa, principalmente os três grandes que ao longo desses 26 anos estiveram no comando do país: PMDB, PSDB e PT. Parece que o fio que liga tudo isso é a corrupção, a demagogia, a mentira e a manipulação das massas pela propaganda e o “marketing” politico, custeado com o suado dinheiro do contribuinte.
O povo perplexo diante de tanta corrupção começa a se indagar, será que o Brasil merece esta democracia corrompida no lugar da tão odiada ditadura que levou milhões `as ruas? Esta sensação está refletida nas pesquisas de opinião quando as Forças Armadas e os militares no topo das avaliações e os partidos políticos, classe políticas e o Governo beirando a zero!
Oxalá, no NOVO ANO que se aproxima, Deus ouça as preces do povo brasileiro e se apiede do nosso sofrimento e que PAPAI NOEL nos traga de presente novos governantes que atuem com eficiência, eficácia, efetividade e,
acima de tudo, com honradez , lisura e ética no uso dos recursos públicos e que os corruptos sejam guardados na cadeia por vários anos.
O tempo passa rápido e o sofrimento do povo não pode esperar.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de Jornais, Sites e Blogs. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
REVERÊNCIA A MILHÕES DE MORTOS
JUACY DA SILVA*
No ultimo dia 15 deste mês de novembro, no Brasil comemoramos a Proclamação da República, quando civis e militares positivistas colocaram fim ao Império, forma de governo já naquela época denunciada por muitos, inclusive por Rui Barbosa, como a quintessência da corrupção.
Passados exatamente 126 anos de vida republicana, a praga da corrupção parece estar muito maior do que quando do fim do Império. Mas esta é outra estória que pode estimular melhores reflexões de como a corrupção é o fio de Ariadne, tecendo o pano de fundo da vida nacional por vários séculos, desde o descobrimento até os escândalos do MENSALAO, DO PRETOLÃO/LAVA-JATO, e outros que ainda estão aguardando que sejam decifrados pelas investigações nos Estados e no país como um todo.
O dia 15 de novembro também é dedicado, pela ONU, através da Organização Mundial da Saúde, para reverenciar milhões de mortos cujas vidas preciosas são ceifadas todos os anos em acidentes de trânsito, nas estradas, rodovias, ruas e avenidas do mundo todo, inclusive em nosso pais, como bem atestam as estatísticas tanto de organismos internacionais quanto de entidades brasileiras.
De acordo com o relatório mais recente, de 2015, da OMS-Organização Mundial de Saúde, intitulado Rodovias seguras, os acidentes de trânsito foram responsáveis em 2014 por 1,25 milhões de mortes, ou seja, 3.425 pessoas perderam a vida nesses acidentes. Enquanto o mundo todo, principalmente a grande mídia ficaram consternados pelos atentados do último final de semana quando foram assassinados pelo terrorismo 129 pessoas, todos os dias, todos os anos, os acidentes de trânsito matam 26,6 vezes mais do que atentados terroristas. Isto é como se todos os dias, durante vários anos seguidos acontecessem 27 atentados como os últimos ocorridos em Paris, mas pouca ou praticamente nenhuma comoção é notada quando milhões de pessoas são mortas em acidentes de trânsito.
Só no Brasil, que está entre os cinco países com maiores taxas e número de mortes, verdadeiros assassinatos ao volante, em 2013 morreram 46.935 pessoas. Entre 1980 e 2013, o total de mortes no trânsito em nosso país chega a 1.070.773, uma verdadeira chacina que não comove nem nossas autoridades e nem a opinião pública, deixando apenas sofrimento e saudades para as famílias que tenham perdido seus entes queridos e a certeza de que a impunidade para este tipo de crime vai continuar seu caminho.
Cabe também destacar que as taxas de mortalidade em acidentes de trânsito são maiores nos países e nas regiões mais pobres e subdesenvolvidas do que em países e regiões do mundo mais rico e desenvolvidos, tomando-se como referências o PIB , população e número de veículos. A média mundial de mortes em acidentes de trânsito por 100 mil habitantes é de 17,4; sendo a maior na África com 26,6 e a menor na Europa com 9,3. Neste aspecto, o Brasil está muito mais próximo dos países africanos do que dos europeus, pois tem uma taxa de 23,4 para cada grupo de 100 mil habitantes.
Segundo o relatório da ONU/OMS as mortes por acidente em trânsito representam uma grande perda em termos de vidas humanas, principalmente se considerarmos que a maioria das vítimas estão em plena juventude ou idade produtiva, além de perdas econômicas, em torno de 3% do PIB mundial e , no caso do Brasil, essas perdas representam 5% do PIB.
Considerando o ano de 2015, quando o PIB mundial nominal deverá ser de US$78,28 trilhões de dólares as perdas ou custos por mortes em acidentes de trânsito deverão ser US$ 2,35trilhões de dólares. Tais custos para o Brasil neste ano (2015), tendo em vista a recessão nosso PIB, mesmo assim, será de US$1,8 trilhões de dólares, caindo para a nona posição no ranking mundial, os custos das mortes por acidente de trânsito serão de US$ 90 bilhões de dólares ou R$ 350 bilhões de reais, mais do que a soma dos orçamentos dos ministérios da saúde, da educação e do desenvolvimento social.
Uma última informação, os dados do relatório da OMS deste ano indicam que os acidentes de trânsito representam a principal causa de mortalidade para pessoas com idade entre 15 e 29 anos, seguindo-se pelos suicídios, a Terceira HIV/AIDS e a quarta assassinatos. Todas essas causas passíveis, principalmente de mortes no transito, de serem reduzidas e evitadas, desde que existam leis com penalidades mais pesadas, maior fiscalização, menos corrupção e maior responsabilidade, principalmente por parte de condutores, além, é claro de infra estrutura urbana e nas rodovias para garantirem um tráfego seguro.
Convenhamos. além de reverenciarmos mais de um milhão de pessoas que morreram em acidentes de trânsito no Brasil nas últimas três décadas, e mais de 12 milhões no mundo nos últimos dez anos, devemos fazer um grande esforço para que essas taxas absurdas de mortalidade em nosso país sejam reduzidas drasticamente como fizeram vários países como a China, os EUA, a Austrália, a Coréia do Sul, o Japão e praticamente todos os países europeus.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de jornais, sites e blogs.
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A VIRTUDE DA GRATIDÃO
JUACY DA SILVA*
Em um mundo marcado pelo egoísmo, pelo descaso em relação às outras pessoas, pela falsidade, pelo engodo, manipulação, pela mentira, pelas “amizades” superficiais e interesseiras, pela virtualidade enganosa, onde a “lei de Gerson” é a base de valores imediatistas, sempre é bom a gente refletir sobre o sentido e significado desta virtude, tão pouco praticada ou quase fora de moda, que é a gratidão.
Nesta reflexão me vem à mente uma passagem relatada na Bíblia Sagrada que registra uma estória/parábola interessante contada por Jesus sobre a questão da GRATIDÃO. É a estória dos dez leprosos.
Indo o Mestre de Samaria para a Galiléia, ao passar por uma aldeia dez leprosos, que era a pior doença física e social de todos os tempos, correram em sua direção mas não se aproximaram tanto devido os costumes e proibições em relação a quem sofria daquela doença, que deviam se manter longe das demais pessoas, e, aos gritos e lamentos, imploravam a Jesus que os curasse.
O Mestre compadecido e amoroso como eram duas de suas características, disse-lhes…”ide e apresentai-vos aos sacerdotes” e eles assim o fizeram. Ao caminharem perceberam que estavam curados. Um deles, então, decidiu retornar para agradecer a Jesus.
Ao ver este leproso que fora curado e vinha em sua direção, Jesus perguntou-lhe: “não eram dez? Onde estão os outros nove”. Isto demonstra que ainda hoje 90% das pessoas que recebem algum tipo de ajuda, de apoio, seja material, financeiro, moral ou até mesmo espiritual são tão egoístas que jamais tem sequer uma palavra de agradecimento. De seus dicionários não constam as expressões: MUITO OBRIGADO, valeu, você me tirou do sufoco quando eu mais precisava e por isso sou-lhe grato ou grata.
Por isso existe um provérbio que diz…”faça o bem e não olhe a quem”. Pessoas que cultivam virtudes como justiça, solidariedade, amor ao próximo, altruísmo, sinceridade, lealdade, jamais podem esquecer que existe também uma outra grande e importante virtude que é a GRATIDÃO.
Todavia, essa virtude precisa ser cultivada e cuidada como uma plantinha, desde nossa infância, para que quando chegamos a idade adulta possamos praticá-la como algo corriqueiro em nosso dia-a-dia. Gratidão ajuda a construir relações de amizade sincera e de amor verdadeiro, não meras palavras vazias para impressionarem com quem mantemos contato, virtual ou real.
Por ultimo, gostaria de fazer referência a uma outra estória que escutei de uma pessoa referindo-se como foi importante uma ajuda financeira que recebeu em meio a um problema difícil que estava passando de um amigo recente, quase desconhecido que veio em seu apoio, tirando-a do sufoco.
Essa pessoa disse a outra que havia lhe ajudado: “Eu não me canso e jamais deixarei de reconhecer e agradecer o que você fez por mim no momento em que eu mais precisava, quando eu estava no maior sufoco, quando eu desesperada pedia por socorro, e a maioria de meus amigos e amigas viraram as costas. Você me ajudou, por isso sou-lhe muito e eternamente grata”
Esta é uma atitude digna de registro, apesar de representar exatamente igual aquele único leprozo que voltou para agradecer a Jesus, enquanto os outros nove rapidamente esqueceram de agradecer. Existem muito mais casos de falta de Gratidão do que de pessoas que agradecem a quem lhes ajudam ou apoiam.
Talvez a vida, em novos momentos de dificuldades e sufoco, acabe sensibilizando essas pessoas que não costumam praticar ou cultivar a virtude da gratidão. E você, caro leitor ou leitora, como anda em termos da prática da gratidão? Faça um exame em sua consciência e responda a si próprio ou própria. Talvez você tenha recebido algo e tenha se esquecido ou esquecida de dizer muito obrigado, muito obrigada meu amigo, minha amiga.
Pense nisso. O mundo seria muito mais belo se todos nós praticássemos esta virtude que se chama Gratidão, vale a pena tentar, comece hoje mesmo. Se você recebeu apoio, compreensão, atenção, solidariedade e, por alguma razão, não tenha agradecido ou agradecida, ainda é tempo de corrigir esta falha e restabelecer pontes que possam ter sido danificadas. Gratidão está para uma amizade verdadeira como alimento está para uma pessoa faminta.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de jornais, sites e blogs. EmailO endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
NOVEMBRO AZUL 2015
JUACY DA SILVA*
Há poucos dias foi encerrada a CAMPANHA OUTUBRO ROSA, que representa um alerta para as mulheres e seus familiares quanto aos riscos do CÂNCER DE MAMA e a importância dos exames preventivos para diagnosticar precocemente este tipo de doença, que a cada ano mata quase 20 mil mulheres em nosso país
Agora, com o estímulo da OMS - Organização Mundial da Saúde, estamos no início do NOVEMBRO AZUL, mês dedicado ao alerta mundial quanto aos perigos e riscos que o CÂNCER DE PRÓSTATA oferece aos homens que, principalmente por machismo ou ignorância, se recusam a realizar os exames preventivos, incluindo o famoso, detestável e temido TOQUE RETAL, fundamental, além do exame de sangue PSA, para detectar com muita precocidade a existência de câncer de próstata. Outro exame nesta bactéria de prevenção contra o câncer de próstata e outros mais é a ultrassonografia do abdome.
Em 2015 estão previstas 245.641 mortes por câncer no Brasil, incluindo todos os tipos da doença, ambos os sexos e todas as faixas etárias. Desse total pouco mais da metade , 132.126 das vítimas serão homens, mais do que o dobro de todos os assassinatos que tanta notícia e medo infunde na população brasileira que vive a mercê da bandidagem.
Isto demonstra que além da violência percebida e denunciada pelos diversos meios de comunicação, também existe uma enorme violência oculta que está vitimando centenas de milhares de pessoas todos os anos . Muitas, talvez a grande maioria, dessas mortes poderiam ser evitadas, se a saúde pública funcionasse a contento e não fosse o caos que atualmente a caracteriza, principalmente pela incompetência e incúria de nossas autoridades. Em dez anos o Ministério de saúde deixou de aplicar mais de R$185 bilhões , apesar de que o OGU – Orçamento Geral da União contemplasse recursos para vários programas que não funcionam a contento, isto é um crime contra a população perpetrado pelos nossos governantes.
Voltando ao NOVEMBRO AZUL, neste ano - 2015 – o câncer de próstata deve ser a causa de morte para 18.850 homens, um aumento de 9,5% na mortalidade por este tipo de câncer em 3 anos, pois em 2012 morreram 17.218 homens por esta causa. As previsões do Globocan – organismo de pesquisa e monitoramento de câncer , ligado a OMS, indica que entre 2015 e 2035, o número de mortes por câncer de próstata no Brasil deve aumentar em 105,1%, passando de 18.850 mortes neste ano para 41.469 óbitos dentro de 20 anos. O mais alarmante é que a cada ano, devido ao envelhecimento da população brasileira, o percentual de mortes por câncer de próstata vai atingir muito mais homens com mais de 65 anos de idade, passando de 89,4% em 2015 para 92,8% em 2035.
Segundo dados e estimativas do Globocan, entre 2012 e 2035 só de câncer de próstata deverão morrer nada menos do que 658.303 homens no Brasil, número igual a 3,5 vezes mais do que todas as pessoas mortas em Hiroshima e Nagasaki devido ao bombardeio atômico feito pelos EUA em 1945 e fato que ainda hoje causa tanta consternação no mundo todo.
Todavia, diante de tantas mortes por todos os tipos de câncer e principalmente de câncer de próstata em nosso país, este sofrimento de milhares de pessoas , seus familiares e amig@s, parece nada representar, principalmente para nossas autoridades públicas que relegam a um plano secundário as necessidades e o sofrimento do povo, principalmente as camadas mais pobres, mais humildes e excluídas da sociedade e que precisam aguardar meses ou anos nas filas dos serviços especializados do SUS, um Sistema falido pelo descaso de nossos governantes. Este descaso é um verdadeiro crime contra o povo e um desrespeito incabível contra os direitos dos pacientes, principalmente os portadores de câncer, que merecem não apenas nossa solidariedade, mas fundamentalmente, terem seus direitos reconhecidos.
Nossa Constituição, a chamada Constituição Cidadã e a Lei de criação do SUS estabelecem que “saúde é um direito de todos e dever do Estado”. Todavia, como tantos dispositivos legais em nosso país, para milhares de pessoas que sofrem, mesmo recorrendo à justiça para garantirem o direito a vida, acabam sucumbindo, tudo isto é letra morta ou apenas belas frases de efeito, longe da realidade de quem enfrenta esta vergonha que é a nossa saúde pública.
A burocracia, o descaso de nossas autoridades, a incompetência dos organismos públicos, principalmente de saúde e a corrupção estão matando, assassinando milhares de pessoas inocentes no Brasil, diversas vezes mais do que todos os assassinatos e mortes no trânsito que tanto aterrorizam a população.
Que este NOVEMBRO AZUL sirva para uma reflexão mais profunda sobre esta questão do câncer de próstata e a saúde pública em nosso pais e que, fruto dessas reflexões, possamos dar novos rumos `a política e programas de saúde pública antes que a mortalidade aumente ainda mais.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de jornais, sites e blogs. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
G20 E O TERRORISMO
JUACY DA SILVA*
Líderes do G20, grupo formado pelos 20 países com as maiores economias do mundo estão reunidos em Antalya, na Turquia para discutir e analisar os principais desafios que afetam não apenas esses países, mas o mundo todo.
Diversos temas constam da pauta dessas reuniões do G20, incluindo a situação da economia mundial, com destaque para a recessão ainda presente em vários países, inclusive o Brasil; a inflação que começa a acelerar em vários países; o desemprego, os subsídios que ainda são oferecidos para as fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis e dificultam a viabilidade econômica das fontes limpas e alternativas, fundamentais para um desenvolvimento sustentável.
Na segunda feira, 16 de novembro, o Presidente OBAMA concedeu uma longa entrevista a mais de cem profissionais de imprensa de vários países quando destacou alguns aspectos, considerados por ele como importantes e que foram discutidos na reunião de cúpula do G20.
Além das questões econômicas já mencionadas Obama destacou três temas que mereceram uma discussão mais aprofundada: a) a questão do espaço cibernético, guerra e segurança cibernéticas; b) a questão das mudanças climáticas e a conferência do clima que deverá ser realizada em Paris dentro de duas semanas e a necessidade de um avanço para não apenas controlar as emissões de gases que provocam o efeito estufa, mas para conseguir um acordo para a sua redução significativa, e, finalmente, c) o combate ao terrorismo, principalmente a partir dos atentados praticados pelo Estado Islâmico no último final de semana em Paris.
Praticamente todos os questionamentos dos profissionais de imprensa presentes na coletiva versavam sobre este ultimo tema. Os principais questionamentos apresentados ao presidente Americano estavam direcionados principalmente sobre a estratégia do governo Obama que se recusa a enviar tropas americanas para combates terrestres.
Além de caracterizar o Estado Islâmico como a face do demônio, Obama enfatizou alguns aspectos importantes nesta Guerra. Primeiro, a necessidade de uma maior cooperação entre os diversos países, principalmente os que integram o G20,tanto em relação aos meios militares, inteligência quanto no estrangulamento econômico e diplomático, bem como reduzir até extinguir o espaço do que pretende o ISIS que deseja transformar-se em um califado, com território definido e governo constituído.
Obama fez questão de defender também que o mundo ocidental seja solidário e apoie uma solução para mais de um milhão de imigrantes sírios que estão sendo perseguidos e mortos pelo ISIS, independente de que esses refugiados sejam mulçumanos, cristãos ou de outras religiões. Reafirmou também que o ISIS não representa o islamismo, mas apenas um grupo terrorista composto de fanáticos e assassinos.
Finalmente OBAMA disse que em face do terrorismo seu governo tem dois grandes objetivos estratégicos: primeiro, manter a segurança física do território Americano, incluindo a população e os interesses nacionais dos EUA ao redor do mundo e, segundo, negar espaço de ação para o ISIS tanto na Síria e Iraque, destruindo suas bases de treinamento, suprimentos de armas e sua base econômica e financeira, procurando também eliminar seus líderes como aconteceu com a Al Qaeda, principalmente após o assassinato de seu líder maior, Osama Bin Laden, praticamente o fim do referido grupo terrorista.
Como última mensagem Obama disse que com certeza à medida que tanto curdos, quanto outros grupos insurgentes que lutam contra o Governo sírio conseguirem reconquistar esses territórios, com certeza o ISIS irá se transformar em apenas um grupo terrorista sem território e com toda a certeza não terá espaço para planejar suas ações e treinar seus membros e que o governo Americano e outros países aliados irão combater o ISIS ao redor do mundo até que o mesmo seja totalmente derrotado e desapareça.
Neste sentido OBAMA afirmou que até o momento 65países já se comprometeram a juntarem-se aos esforços Americanos e europeus para que esta Guerra, que tem seus objetivos e estratégias diferentes de uma Guerra convencional, que será de longa duração, possa ter êxito e devolver a paz tanto ao Oriente médio, norte da África quanto na Europa e em outros países, enfim, levar este combate decisivo a todos os locais em que o terrorismo tente impor suas práticas e ações suicidas. A paz verdadeira e duradoura somente será possível com a eliminação do terrorismo que tanto medo e pavor acarreta às pessoas e à população em geral.
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O AMANHÃ PODE NÃO CHEGAR!
JUACY DA SILVA*
“A verdadeira amizade, que também é uma forma de amor, duplica as alegrias e divide as tristezas, as angústias e as incertezas da vida” Francis Bacon.
Muitas pessoas vivem em uma correria sem parar. Falta-lhes tempo para refletir sobre o sentido da vida, sobre os valores mais duradouros e não percebem a beleza de cada momento, o canto de um pássaro, a alegria de uma criança que corre solta, o desabrochar de uma flor, uma brisa que entra pela janela, não conseguem sonhar, não tem esperanças e, de uma hora para outra percebem que o presente já é quase passado e o futuro, o amanhã, pode não chegar, para si ou para quem está tão perto, sua família, seus amig@s, vizinhos, colegas de trabalho, de escola ou de igreja
A vida é uma caminhada, para alguns pode ser longa, às vezes chega aos cem anos ou até mais, para outros pode ser breve, poucos anos, poucos meses, não importa. Nesta caminhada vamos acumulando coisas, objetos, entulhando nossas casas, muitas talvez desnecessárias, isto é muito próprio para quem se apega `as coisas materiais e não percebem que ao fim da jornada neste planeta nada vão levar, nem riqueza, bens materiais, prestígio, fama, poder, opulência, riqueza, prepotência, luxúria, futilidades e coisas do gênero.
Enquanto caminhamos pela vida vamos encontrando pessoas com as quais compartilhamos ideias, ideais, sonhos, desilusões, certezas, angústias, esperanças e realizações. De repente chegamos a uma encruzilhada, onde os caminhos se bifurcam, tomando rumos e destinos diferentes, as vezes opostos ou as vezes apenas atalhos que acabam se encontrando novamente.
Da mesma forma que os encontros, nas encruzilhadas da vida o importante é que a escolha do caminho seja feita sem mágoas, sem conflitos, sem destruição, para que novas pontes possam ser construídas devemos cultivar a amizade verdadeira, fundada na compreensão, no amor, na solidariedade, na fé e também no diálogo. Somos apenas viajantes planetários nesta caminhada rumo `a uma nova realidade desconhecida.
William Shakespeare fala um pouco sobre a caminhada de cada pessoa quando diz que “A alegria e a paz interior evitam os males que destroem as nossas vidas, prolonga a própria vida e indica o caminho do amor eterno e da felicidade duradoura”.
Mahatma Gandhi, o artífice da libertação da Índia do jugo colonial inglês e o profeta da não violência nos deixa uma reflexão muito inspiradora quando afirma“ Não existe um caminho para a felicidade pois a felicidade é o caminho que devemos trilhar ao longo de nossas vidas”
Vivamos o hoje, o aqui e agora com alegria e esperanças renovadas, como se o amanhã possa não chegar para nós ou para aqueles a quem tanto amamos! Perder coisas materiais é ruim, mas muito pior é perder as pessoas, parentes ou amig@s verdadeir@s, principalmente aquelas que são importantes para cada um de nós, com as quais compartilhamos tantas coisas boas, momentos felizes ou até mesmo angústias e desafios.
Que nesse dia 02 de novembro,, dia de finados, dedicado aos entes queridos e amig@s que nos deixaram possamos ter o conforto de suas lembranças e dos momentos felizes junto aos quais passamos! No silêncio de seu coração e no âmago de sua alma faça uma prece de agradecimento à vida e esteja feliz sempre!
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VIOLÊNCIA ABERTA E OCULTA (2)
JUACY DA SILVA*
Dando continuidade à reflexão contida no artigo anterior sob o mesmo título, quando, além de apresentar uma classificação geral das formas de violências e as pessoas ou grupos sociais mais susceptíveis de serem vítimas das mesmas, fiz um destaque bem rápido para a violência contra a mulher, um tema bem atual nas discussões em todas as esferas de poder, organizações públicas e privadas e pela população em geral.
Neste segundo artigo, gostaria de mencionar um outro tipo de violência contra as mulheres e que seus autores não são alcançados pela Lei Maria da Penha. As consequências deste tipo de violência é bem maior e mais cruel do que todos os crimes incluídos pela violência doméstica, no trabalho ou em locais públicos. Pouca gente percebe a gravidade desta violência que é muito sentida pelas mulheres e familiares, mas que fica quase oculta aos olhos da sociedade, dos poderes públicos e, principalmente, pelas nossas autoridades, que, na verdade são os perpetradores desta crueldade contra as mulheres.
Estamos findando o mês dedicado ao alerta sobre o Câncer de Mama, o OUTUBRO ROSA. À parte da campanha publicitária, as discussões não chegam ao âmago da questão, ou seja, o direito que todas as mulheres, a partir de 30 anos tem de fazerem diagnósticos precoces, principalmente aquelas que tem familiares que foram diagnosticadas com câncer de mama ou outro tipo de câncer ou que vieram a morrer decorrente desta doença.
Enquanto mulheres das classes alta e média possuem recursos financeiros ou planos de saúde para buscarem atendimento médico, hospitalar ou ambulatorial, as mulheres pobres, integrantes de grupos excluídos social e economicamente em nosso país, dependem única e exclusivamente do Sistema único de saúde, o SUS, que é bonito, lindo em sua concepção, mas um verdadeiro caos e vergonha nacional. Alguém deveria sugerir que nossas autoridades fossem obrigadas a serem atendidas pelo SUS e ficarem em filas por meses, em corredores fétidos de unidades de saúde e hospitais públicos como os que os meios de comunicação de massa mostram diariamente. Só assim, iriam prceber o nível de violência e humilhação que os usuários do SUS sofrem, principalmente as mulheres.
Pouco se diz de que em torno de 85% dos municípios brasileiros não tem um mamógrafo sequer, ou laboratórios para que seja possível a realização de outros exames como papa nicolau ou outros que possam contribuir para diagnósticos precoces da doença.
Enquanto 4.500 mulheres são assassinadas no Brasil e isto causa uma grande comoção, o que é justo e correto quando nos indignamos contra esta barbárie, em 2012 nada menos do que 103.606 mulheres foram a óbito tendo como causa todos os tipos de câncer, com destaque para o Câncer de mama que ceifou 16.412 mil mulheres. Dados estatísticos da Globocan, instituição de pesquisa e alerta sobre o câncer, vinculada à Organização Mundial da Saúde, demonstram que a situação relacionada com o câncer é extremamente grave e sua tendência é muito alarmante no Brasil.
As projeções da Globocan para o Brasil indicam que, `a medida que a população envelhece e a saúde pública continua vivendo um verdadeiro caos, entre 2012 e 2025 as mortes por câncer deverão atingir 1.76.376 mil mulheres e 2.070.474 mil homens. Isto representa uma média de mortalidade anual geral de 274.12; a média anual para homens é de 147.891 e para as mulheres 126.241.
No caso das mulheres as mortes por câncer representam 28 vezes mais do que a média dos feminicídios – assassinatos de mulheres. Enquanto os assassinos de mulheres podem ser alcançados pela justiça e levados `as barras dos tribunais e condenados, tendo como instrumentos de defesa a Lei Maria da Penha, e os códigos penal e de processo penal, as mortes de centenas de milhares de mulheres por câncer, seus autores jamais serão pegos, pois estão a salvo nas entranhas burocráticas e na corrupção que rouba o dinheiro público necessário para construir e equipar hospitais, laboratórios, contratar e pagar profissionais capacitados para atendimento nesta área, prover tratamento, medicamentos para as pacientes.
Em 2015 o câncer de mama deverá ceifar a vida de 17..872 mil mulheres, o de útero mais 9.100; de ovário 4.211; de pulmão 12.233; de coloretal mais 9..974 e de estômago 6.072. Apenas esses seis tipos de câncer serão responsáveis por quase 60 mil mortes de mulheres, principalmente a partir da faixa etária dos 30 anos, agravando-se mais a partir da faixa de 49 anos.
Somente durante esses cinco anos de mandato da Presidente Dilma, a primeira presidente mulher do Brasil e que só neste ano cortou mais de 11 bilhões de reais do Ministério da Saúde, o câncer e o caos na saúde pública deverão matar mais de 265 mil mulheres. Com certeza esta é a maior violência que está sendo cometida contra as mulheres brasileiras. Enquanto isso os Governos Lula/Dilma/PT seus aliados vem cortando sistematicamente bilhões de reais da saúde pública, com a justificativa de um equilíbrio fiscal que, na verdade, é um engodo para não dizer que a grande prioridade do Governo Federal é o pagamento de juros, encargos e a rolagem da dívida pública que em setembro ultimo atingiu mais de 2,7 trilhões de reais. Só de juros sobre esta dívida impagável o Governo Dilma tem gasto mais de 300 bilhões por ano, enquanto para o combate ao câncer e a saúde pública sobram praticamente migalhas depois da parte que vai para alimentar os lucros e acumulação de capital dos grandes bancos e instituições financeiras nacionais e internacionais.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de jornais, sites e blogs de MT e de alguns outros estados. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
VIOLÊNCIA ABERTA E OCULTA
JUACY DA SILVA*
A questão da violência é um tema recorrente nas discussões acadêmicas e também entre autoridades, gestores públicos, entidades da sociedade civil organizada e de representações profissionais, o Sistema judiciário e os operadores do direito. Enfim, é uma realidade que ronda e amedronta milhões de famílias pelo mundo afora e também está muito presente em nosso Brasil, país que ostenta um dos maiores índices de violência do planeta, contrapondo-se aos discursos da cordialidade do brasileiro.
A violência se manifesta das mais variadas formas, incluindo contra o patrimônio, com roubos, furtos, invasões de propriedade e domicílios ou contra a pessoa com ameaças de mortes, estupros, assassinatos, sequestros, latrocínio, espancamentos, lesões corporais, cárcere privado. Existe também a violência psicológica, a violência econômica, como o trabalho escravo, a falta de comida, a pobreza, a miséria ou até mesmo a violência religiosa marcada por imposição de dogmas, lavagem cerebral e outras manipulações psicológicas.
Costuma-se dizer que a violência é democrática, ou seja, atinge todas as camadas socioeconômicas ou classes sociais, todos os estados e regiões, faixas etárias, ambos os sexos e diferentes orientações ou opções sexuais e cidades de todos os tamanhos.
Todavia, os números da violência apresentam um quadro um pouco diferente, não confirmando que a mesma seja tão democrática. Dados do Mapa da Violência, em suas diversas apresentações e também de diversos estudos e fontes oficiais, dos Governos Federal e Estaduais demonstram que alguns grupos são mais vulneráveis e susceptíveis à violência do que outros. Entre esses grupos podemos destacar: crianças, adolescentes, mulheres, pessoas negras e pardas, afrodescendentes, idosos, integrantes da comunidade LGBT, pobres, moradores de favelas e outros mais, incluindo minorias étnicas como indígenas e imigrantes.
Em decorrência, existe uma grande mobilização por parte desses grupos que mais sofrem com a violência para que suas demandas sejam incluídas nas pautas políticas ou agenda nacional, estadual e municipal dos poderes públicos, principalmente buscando a definição de políticas públicas e ações que reduzam a violência, bem como outras ações que tenham alcance de longo prazo, no sentido de prevenir que a violência venha a ocorrer.
Diversas propostas para reduzir ou acabar com a violência acabam gerando polêmicas, como, por exemplo, a pena de morte , prisão perpétua, aumento do tempo de encarceramento ou para a progressão de regime prisional, redução da maioridade penal e assim por diante.
Um dos debates mais presentes nos últimos dez anos tem sido a violência contra a mulher, principalmente após a promulgação da Lei 11.340, de 07/08/2006, popularmente conhecida como Lei Maria da Penha. A importância desta Lei, principalmente em seu sentido simbólico é reconhecida por toda a sociedade, tanto é verdade que, prestes a completar uma década de sua promulgação, no próximo ano, foi o tema da redação do ENEM realizado no último final de semana, quando mais de sete milhões de estudante tiveram a oportunidade de refletir pelo menos por alguns minutos sobre esta questão.
Alguns números indicam a magnitude desta modalidade de violência. Só no primeiro semestre deste ano o telefone 180, que recebe nacionalmente denúncias e pedidos de Socorro de vítimas da violência contra a mulher registrou mais de 32 mil chamadas. Por ano são assassinadas, em média, no Brasil 4.500 mulheres, com índices que variam do Espírito Santo com 9,8 assassinatos para cada grupo de 100 mil mulheres ao menor índice registrado no Piauí com 2,5. O Brasil apresenta um índice de 5,9 , ocupando a 7a. posição na incidência de violência contra a mulher, entre 84 países cujos dados são monitorados pela ONU e outras organizações internacionais.
Entre 1980 e 2011 foram registrados 96.612 assassinatos de mulheres, representando 17,4% do total de assassinatos que foram registrados no Brasil, algo quase inimaginável: 556 mil pessoas foram assassinadas em nosso país nesse período, número muito maior do que em muitas guerras e conflitos sangrentos pelo mundo afora.
Oportunamente voltarei a este tema da violência contra a mulher, abordando outros aspectos que também são relevantes e às vezes acabam passando despercebidos.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia. Articulista de Jornais, Sites e Blogs. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
PARADÍGMAS ULTRAPASSADOS
JUACY DA SILVA*
Depois de publicar na última semana o artigo “ Desenvolvimento: em busca de novos paradigmas” recebi diversas mensagens sugerindo que aprofundasse um pouco mais a discussão sobre esta questão dos modelos ou paradigmas que tem servido de base para o processo de desenvolvimento de nosso país, ao longo de séculos. É importante dizer que o Brasil nunca teve um grande projeto nacional de desenvolvimento, no sentido de uma visão estratégica de longo prazo; apenas projetos de governo que sofreram e ainda sofrem descontinuidade com as sucessivas trocas dos grupos de poder.
A ideia e as práticas de planejamento, bem como a continuidade de ação de governo representam a exceção enquanto a descontinuidade, a improvisação , o voluntarismo e personalismo passam a ser as regras. Prova disso são as milhares e obras públicas paralisadas, ou retomadas tardiamente, que representam bilhões de reais ou dólares desperdiçados.
Assim, vou apenas pontuar alguns desses velhos e ultrapassados paradigmas, a começar pelo sistema produtivo e as relações de trabalho que ainda afetam, negativamente, a nossa economia e sociedade. O modelo de desenvolvimento que vem praticamente desde o descobrimento, passando pelo Império e chegando por vias indiretas até o século XXI, é de base primária, extrativista e agropastoril, baseado no latifúndio, na exportação de matérias primas com pouco valor agregado e a importação de bens acabados.
As relações de trabalho por quase quatro séculos foram o trabalho escravo, semiescravo e a falta de garantia de direitos mínimos, chegando até a atualidade, com as novas regras para definir as relações do trabalho doméstico, mais de 70 anos após o surgimento da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, no início da década de quarenta, mas que deixou de fora milhões de trabalhadores rurais, autônomos e empregados domésticos.
O latifúndio e a grilagem de terras em todos os estados faziam parte do Sistema econômico e político, onde o trabalhador rural e moradores de pequenas cidades estavam muito mais próximos dos servos de gleba da idade média na Europa do que dos cidadãos livres como fonte primeira do poder. As mulheres só tiveram o direito de votar e serem votadas a partir dos anos trinta do século passado e os analfabetos há poucas décadas.
Outro paradigma presente tem sido a concentração da população, inicialmente ao longo da costa litorânea, em uma faixa de, no máximo 250 km, deixando o interior praticamente desabitado, a não ser por pequenas ilhas de ocupação como Cuiabá, bem no coração do Brasil. Somente a partir do Governo JK com a construção de Brasília e da abertura da Belém Brasília e depois da ligação de Brasília com o Acre e da Cuiabá –Santarém, é que ocorreu um avanço acelerado da expansão das fronteiras agrícolas rumo à Amazônia e ao Centro – Oeste.
As migrações rural urbana de forma acelerada durante o final dos anos quarenta até a década de sessenta, moldaram o surgimento de cidades onde a ocupação desordenada das periferias e áreas impróprias para a moradia humana determinaram o perfil de uma urbanização, onde as favelas e loteamentos clandestinos definiram o perfil de nossas cidades atualmente, com problemas de infra- estrutura, falta de regularização fundiária e a exclusão socioeconômica de milhões de famílias.
Podemos, então, mencionar a concentração econômica, demográfica, a industrialização tardia e no momento a desindustrialização, uma economia de base primária e agroexportadora, com baixo valor agregado, o rodoviarismo, uma estrutura agrária baseada nas grandes propriedades, no latifúndio improdutivo, a degradação ambiental, ainda presente nos dias atuais no desmatamento da Amazônia e do Centro-Oste, com a degradação dos solos e o uso excessivo de agrotóxico, na baixa produtividade e falta de competitividade da economia brasileira no contexto internacional e na importação de bens acabados, principalmente na atualidade de bens tecnológicos e ainda de petróleo, trigo, insumos agrícolas e industriais.
Ou seja, nossos paradigmas de desenvolvimento não mudaram ao longo de séculos e estão sendo e serão os responsáveis pelo atraso de nossa caminhada rumo a uma sociedade moderna, competitiva e que possibilite um melhor bem-estar e níveis de vida mais elevados para a sua população. Com isso continuamos com dois ou vários Brasis, um moderno e rico, representado pelo centro-sul, apesar da exclusão de uma grande parcela de sua população e outro atrasado, pobre e dependente representado pelas regiões norte, nordeste e parte do Centro-oeste, onde apenas uma elite usufrui dos frutos do crescimento econômico, boa parte graças às benesses distribuídas pelo governo e pelos bancos oficiais, como crédito subsidiado e renúncia fiscal aos grandes grupos econômicos, enquanto a grande maioria da população recebe migalhas dos programas assistencialistas.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com












