Quinta, 17 Dezembro 2015 13:16

 

JUACY DA SILVA*

Este artigo não trata de uma questão ambiental, como à primeira vista pode parecer, como aquelas notícias em que uma anaconda ou sucuri devora suas presas, jacarés  e também outras cobras menores. Poderia ser classificado como uma reflexão  sobre a ecologia política brasileira, a partir das cenas que já se tornaram rotineiras através  das constantes ações da Polícia Federal,  cumprindo ordens do Poder  judiciário,  correndo atrás não de bandidos comuns, traficantes de drogas , de armas e de  seres humanos ou contrabandistas; mas sim prendendo, algemando políticos e gestores públicos, vasculhando suas casas, seus escritórios e até mesmo gabinetes parlamentares, em Câmaras municipais, Assembleias Legislativas ou da Câmara Federal, como ocorreu há poucos dias em Brasília e em diversos Estados.

A cada dia as investigações  do Ministério Público, da Polícia Federal e da Justiça, divulgadas amplamente pelos meios de comunicação,  possibilitam ao povo, ao eleitor e ao contribuinte,  constatarem que  estamos sendo governados, ainda bem que apenas uma parcela menor,  por verdadeiros bandidos  de colarinho branco, verdadeiras quadrilhas que usam o mandato e os cargos públicos para roubarem, bilhões de reais  que fazem  falta para a implementação  das políticas públicas voltadas `a solução de graves problemas que afetam a população, principalmente as camadas mais humildes.

Mas  vamos ao que  interessa nesta reflexão, a operação catilinárias, executada pela Polícia Federal  há poucos dias, tendo como alvo mais de 53 mandados de busca e apreensão,  nas  residências  oficial e particular do Presidente da Câmara Federal; de dois ministros do Governo Dilma, de  um ex-ministro e senador da República, na sede do PMDB em Alagoas, de deputados e senadores, enfim, um montão de gente importante, tendo ficado de fora o  Presidente do Senado, devido a não autorização ao pedido do procurador Geral da República, por parte do Ministro Teori Zavaski,  relator da Operação Lava Jato , no Supremo Tribunal Federal. Todos os pedidos de busca e apreensão tiveram como alvos políticos e dirigentes ou ex-dirigentes públicos, ligados ou pertencentes ao PMDB  e  que estão  na famosa “Lista do Janot”.

Da referida lista constam 14 senadores, 28 deputados federais,  além de 14 ex-deputados federais e a ex-governadora do Maranhão  e o Ex-Governador do Rio de  Janeiro, no caso dos ex-governadores, todos do PMDB.  Mais da metade dos deputados que estão  sendo investigados pertencem ou pertenciam ao PP. Entre os senadores investigados fazem parte uma  ex-ministra, um ex-ministro, um ex-presidente da República. Cabe  destaque também que tanto o Presidente da Câmara quanto do  Senado  estão sendo investigados, além de já  estarem presos o ex-líder do Governo Dilma no Senado e o ex-ministro chefe da casa civil de  Lula, e mais um ex-tesoureiro do PT e diversos empresários de peso, que tinham livre  acesso no palácio do  Planalto, onde o povo jamais pode entrar, apesar de pagar impostos  que mantém a máquina pública e os privilégios e mordomias dos donos do poder.

Diante disso, parece que ao dirigir as operações dos últimos dias apenas contra pessoas investigadas ligadas ou pertencentes aos quadros do PMDB, pode, sim, representar  um  certo direcionamento que também beneficia o Governo Dilma, na medida que deixa de fora políticos suspeitos e investigados por corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e outros crimes de colarinho branco, pertencentes  ao PT, ao PP, ao PTB  e de outros partidos que  fazem parte da base do governo Dilma.

Todos sabem que a aliança  entre PT e PMDB, é  um ajuntamento fisiológico, afinal o PDMB  participou durante 08  anos do Governo FHC e chegou a indicar a candidata na Chapa de Serra, quando a coligação PSDB/PMDB  perdeu as eleições  em 2002 para Lula.

Todavia, tão logo Lula foi eleito, o PMDB  aderiu ao  Governo petista e desde então não largou mais o osso, era e continua a fase do “toma lá,  dá cá”, participando do balcão  de negócios dirigidos pelos governos Lula/Dilma, onde a moeda de troca para o apoio politico  são  as nomeações de ministros, ocupantes de segundo, terceiro escalão, dirigentes de Estatais, inclusive na Petrobrás, que foi roubada durante esses últimos 15 anos, de uma maneira vil e também as famosas emendas parlamentares.

Como os ratos que percebem quando o navio está afundando  e pulam na água na esperança  de se salvarem, também os políticos  trocam de lado, pulam do barco politico, sem a mínima cerimônia, quando percebem que um determinado governo está afundando, como é o caso do Governo Dilma, que, segundo pesquisas do início desta semana, em que 70% da população consideram seu governo ruim ou péssimo e apenas 9% avaliaram  como ótimo ou bom. Pior ainda quando os entrevistados são indagados se confiam ou não na Presidente. O  resultado indica  o  que o povo está sentindo: 78% não confiam na Presidente e apenas 18% confiam. Este sentimento é o mesmo  em  ambos os sexos, faixas  etárias, regiões do país, níveis de renda e de escolaridade e tamanho das cidades. Ou seja,  Dilma é  a   presidente mais rejeitada  ao longo dos últimos 30 anos, desde o início do Governo Sarney.

Diante disso, vendo que se continuar atrelado ao PT poderá  ir ao naufrágio político, o PMDB  está iniciando o desembarque do Governo Dilma e tem imposto várias  derrotas `a mesma nos últimos meses. A opinião pública sabe muito bem que hoje, o maior inimigo do PT não são os partidos de oposição, mas sim o PMDB que caminha a passos rápidos para bandear-se para o outro lado, com vistas as eleições municipais de 2016 e as eleições gerais de 2018.

Tudo isso depende da velocidade da operação Lava jato, principalmente  as sob a responsabilidade do STF, que está muito devagar, diferente  das investigações e condenações  em Curitiba, sob a batuta do juiz Sérgio  Moro que correm rápido, as que tem como investigados  parlamentares e outras figuras importantes  que gozam de “foro especial”, um privilégio só existente no Brasil, pode ajudar a  enjaular mais  gente importante ou engrossar o rol da impunidade, beneficiando, como sempre, os criminosos de colarinho  branco.

Essas  operações contra   políticos acusados de corrupção são importantes e devem continuar, mas não pode escolher investigados que pertencem a um determinado partido, deixando outros de fora;  deve ir mais a fundo e pegar todos os que ,comprovadamente , roubaram dinheiro público.

Da mesma forma, não pode embaralhar o foco principal que é a questão do impeachment.  O povo quer tanto que os políticos e demais corruptos investigados na operação  Lava  Jato sejam punidos, quanto a Presidente Dilma encerre  o seu mandato o mais  breve possível.  Todas as pesquisas de opinião pública indicam isso. Impeachment  ou renúncia é  a chave para desatar este nó em que o PT colocou o Brasil.

Em Brasília, tanto  no Congresso, quanto nos Poderes Executivo e   Judiciário,  só  existem cobras criadas, vorazes e a luta entre  essas cobras é muito grande,  cada uma querendo engolir  as demais, incluindo gente importante que  age como eminências pardas  e desejam retornar ao poder,  afinal do poder emana privilégios e muitas mutretas, o que menos conta  são  os interesses e as necessidades do povo brasileiro.

*JUACY  DA SILVA,  professor universitário, titular e aposentado UFMT,  mestre em sociologia. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog  http://www.professorjuacy.blogspot.com/ Twitter@profjuacy

Quinta, 10 Dezembro 2015 18:35

 

JUACY DA SILVA*
 
Hoje é o último domingo de novembro de 2015. De amanhã até dia 11 de Dezembro estará sendo realizada a COP 21 – Conferência do Clima em Paris,  já  estamos  entrando no clima do Natal e da festividades  de final de ano. Como o tempo está passando tão rápido.

No mundo inteiro e também no Brasil muitas  coisas  tem acontecido, a operação LAVA-JATO, a prisão  de empresários importantes e de políticos poderosos marcaram o país, ao lado da corrupção, da crise econômica e financeira, do desemprego, da violência, do caos na saúde, da recessão  e das crises setoriais.

Nos Estados  também o combate à corrupção corre celeremente  e tem muita gente importante com as “barbas” de molho, além  de outr@s que estão pres@s. O Governo Dilma segue acuado e paralisado, nada funciona em Brasília, tudo gira em torno das operações policiais e do MP  que vasculha gabinetes de parlamentares  e  de ministérios.

Os presidentes da Câmara Federal e do Senado,  juntamente  com vários deputados e senadores, estão na berlinda e na “Lista do Janot”,  suspeitos e investigados por corrupção, alguns por suposto envolvimento na roubalheira da PETROBRÁS.

Os partidos  estão em polvorosa, principalmente os três  grandes que ao longo desses 26 anos estiveram no comando do país: PMDB, PSDB e PT. Parece que o fio que liga tudo isso é a corrupção, a demagogia, a  mentira e a manipulação das massas pela propaganda  e o “marketing” politico, custeado com o suado dinheiro do contribuinte.

O povo perplexo  diante de tanta corrupção  começa a se indagar, será que o Brasil merece esta democracia corrompida no lugar da tão odiada ditadura que levou milhões  `as ruas? Esta  sensação  está refletida nas pesquisas de opinião quando as Forças Armadas e os militares  no  topo das  avaliações  e os partidos políticos, classe políticas e o Governo beirando a zero!

Oxalá, no NOVO ANO que se aproxima, Deus ouça as preces do povo brasileiro e se apiede do nosso sofrimento e que PAPAI NOEL nos traga de presente novos governantes que atuem com eficiência, eficácia, efetividade e,

acima de tudo, com honradez , lisura e ética no uso dos recursos públicos  e que os corruptos  sejam guardados na  cadeia por vários anos.
O tempo passa rápido e o sofrimento do povo não pode esperar.

*JUACY DA SILVA, professor universitário,  fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de Jornais, Sites e Blogs. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog  www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

Sexta, 04 Dezembro 2015 14:27

 

JUACY DA SILVA*
 
No ultimo dia 15 deste mês de novembro, no Brasil comemoramos  a Proclamação da República, quando civis  e militares positivistas colocaram fim ao Império, forma de governo já naquela  época denunciada por muitos, inclusive por Rui Barbosa,  como a quintessência  da corrupção.

Passados exatamente 126 anos de vida republicana, a praga da corrupção parece  estar muito maior do que quando do fim do Império. Mas  esta é outra estória que pode estimular  melhores reflexões  de como a corrupção é o fio de Ariadne, tecendo o pano de fundo da vida nacional por vários séculos, desde o descobrimento até os escândalos do MENSALAO, DO PRETOLÃO/LAVA-JATO,  e outros que ainda  estão aguardando que sejam  decifrados pelas investigações nos Estados e no país como um todo.

O dia 15  de novembro  também é dedicado, pela ONU, através  da Organização Mundial da Saúde, para reverenciar milhões  de mortos cujas vidas preciosas são ceifadas todos os anos em acidentes de trânsito, nas estradas, rodovias, ruas e avenidas do mundo todo, inclusive em  nosso pais, como bem atestam as estatísticas tanto de organismos internacionais quanto de entidades brasileiras.

De  acordo  com o relatório mais  recente, de 2015, da OMS-Organização Mundial de Saúde,  intitulado Rodovias seguras, os acidentes de trânsito foram  responsáveis em 2014 por 1,25 milhões de mortes, ou seja,  3.425 pessoas perderam a vida nesses acidentes. Enquanto o mundo todo, principalmente a grande mídia  ficaram  consternados pelos atentados do último final de semana quando foram assassinados pelo terrorismo 129  pessoas, todos os dias, todos os anos, os  acidentes de trânsito matam 26,6  vezes mais do que atentados terroristas. Isto é como se todos os dias, durante vários anos seguidos acontecessem 27 atentados como os últimos ocorridos em Paris, mas pouca ou praticamente nenhuma comoção é notada quando milhões de pessoas são mortas em acidentes de trânsito.

Só no Brasil, que  está  entre os cinco países com  maiores taxas e número de mortes, verdadeiros assassinatos ao volante, em 2013  morreram 46.935 pessoas. Entre  1980  e 2013,  o total de mortes no trânsito em nosso país chega a 1.070.773,  uma verdadeira chacina que não comove nem nossas autoridades e nem a opinião pública, deixando apenas sofrimento  e saudades para as famílias que tenham perdido seus entes queridos  e  a certeza de que a  impunidade para  este tipo de crime vai  continuar seu caminho.

Cabe também destacar que as taxas de mortalidade em  acidentes de trânsito são maiores nos países e nas  regiões mais pobres e subdesenvolvidas do que em países  e  regiões do mundo mais rico e desenvolvidos, tomando-se como referências  o PIB , população e número de veículos. A média mundial de mortes em  acidentes de trânsito por 100 mil habitantes é de 17,4; sendo a maior na África com 26,6 e a menor na Europa com 9,3. Neste aspecto, o Brasil está muito mais próximo dos países africanos do que dos europeus, pois tem uma taxa de 23,4 para cada grupo de 100 mil habitantes.

Segundo o relatório da ONU/OMS  as mortes por acidente em trânsito representam uma  grande perda em termos de vidas humanas, principalmente se considerarmos que a maioria das vítimas estão  em plena juventude ou idade produtiva, além  de perdas econômicas, em torno de 3% do PIB mundial e , no caso do Brasil, essas perdas representam 5% do PIB. 

Considerando o ano de 2015, quando o PIB mundial nominal deverá ser de US$78,28 trilhões de dólares  as perdas ou custos por mortes em acidentes de trânsito deverão ser US$ 2,35trilhões  de dólares. Tais custos para o Brasil neste ano (2015), tendo em vista a recessão nosso PIB, mesmo assim, será de US$1,8 trilhões de dólares,  caindo para a nona posição no ranking mundial, os custos das mortes por acidente de trânsito serão de US$ 90 bilhões de dólares ou R$ 350 bilhões  de reais, mais do que a soma dos orçamentos dos ministérios da saúde, da educação e do desenvolvimento social.

Uma  última informação, os  dados do relatório da OMS deste ano indicam que os acidentes de trânsito representam a principal  causa de mortalidade para pessoas com idade entre 15 e 29 anos, seguindo-se pelos suicídios, a  Terceira HIV/AIDS e a quarta assassinatos. Todas essas causas passíveis, principalmente de mortes no transito, de serem reduzidas e evitadas, desde que existam leis com penalidades mais pesadas, maior fiscalização, menos corrupção e maior responsabilidade, principalmente por parte de condutores, além, é claro de infra estrutura urbana e nas rodovias para garantirem um tráfego seguro.

Convenhamos. além de reverenciarmos mais de um milhão de pessoas que morreram em acidentes de trânsito no Brasil nas últimas três décadas, e mais de 12 milhões no mundo nos últimos dez anos, devemos fazer  um grande esforço para que essas taxas  absurdas de mortalidade em nosso país sejam reduzidas drasticamente como fizeram vários países como a China, os EUA, a Austrália, a Coréia do Sul, o Japão e praticamente todos os países europeus.

 

*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT,  mestre em sociologia, articulista de jornais, sites e blogs.

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Terça, 01 Dezembro 2015 14:46

 

JUACY DA SILVA*
 
Em um mundo marcado pelo egoísmo, pelo  descaso em  relação às outras pessoas, pela falsidade, pelo  engodo, manipulação, pela mentira, pelas “amizades” superficiais e interesseiras, pela virtualidade enganosa, onde a “lei de Gerson” é a base de valores  imediatistas, sempre é bom a gente refletir sobre o sentido e  significado  desta virtude, tão pouco praticada ou quase fora de moda, que é a gratidão.

Nesta  reflexão me  vem à mente uma passagem relatada na Bíblia  Sagrada que registra uma  estória/parábola interessante contada por Jesus  sobre a questão  da GRATIDÃO. É a estória dos  dez leprosos.

Indo o Mestre de Samaria para a Galiléia, ao passar por uma aldeia dez leprosos, que era a pior doença física e social de todos os tempos, correram  em sua direção mas não  se aproximaram  tanto devido os costumes e proibições em relação  a quem  sofria daquela  doença, que deviam se manter longe das demais pessoas,  e, aos gritos e lamentos, imploravam a Jesus que os curasse.
O Mestre compadecido e amoroso como eram duas de suas características,  disse-lhes…”ide  e apresentai-vos aos  sacerdotes”  e eles  assim o fizeram. Ao  caminharem  perceberam  que estavam curados. Um deles, então, decidiu  retornar para agradecer a Jesus.

Ao  ver este leproso que fora curado e vinha em sua direção, Jesus perguntou-lhe: “não  eram  dez? Onde estão os outros nove”. Isto demonstra que ainda hoje 90%  das pessoas que  recebem algum tipo de ajuda, de apoio, seja material, financeiro, moral ou até  mesmo espiritual são  tão  egoístas que jamais tem sequer  uma palavra de agradecimento. De seus dicionários não constam as expressões: MUITO OBRIGADO, valeu, você me tirou do sufoco quando eu mais precisava e por isso sou-lhe grato ou grata.

Por isso existe um provérbio que diz…”faça o bem  e não  olhe a quem”.  Pessoas  que  cultivam virtudes  como justiça, solidariedade,  amor ao próximo, altruísmo, sinceridade, lealdade,  jamais podem  esquecer  que existe também uma outra grande e importante virtude  que é a GRATIDÃO.

Todavia, essa virtude precisa ser  cultivada e cuidada como  uma plantinha, desde nossa infância, para que quando chegamos  a idade adulta possamos praticá-la como algo corriqueiro  em nosso dia-a-dia. Gratidão ajuda a construir relações  de amizade sincera e de amor verdadeiro, não meras  palavras vazias para impressionarem com quem mantemos contato, virtual ou real.
Por ultimo,  gostaria de fazer  referência  a uma outra estória que escutei de uma pessoa referindo-se  como foi importante uma ajuda financeira que  recebeu em meio a um problema difícil que  estava passando  de um amigo recente, quase desconhecido que veio  em seu apoio, tirando-a do sufoco.

Essa pessoa disse a outra que havia lhe ajudado: “Eu não me canso e jamais deixarei de  reconhecer e agradecer o que você fez por mim no momento em que eu mais precisava, quando eu estava no maior sufoco, quando  eu desesperada pedia por socorro, e a maioria de meus amigos e amigas viraram as costas. Você me ajudou, por isso sou-lhe muito e eternamente grata”

Esta é  uma atitude digna de registro, apesar de representar exatamente igual aquele único leprozo que  voltou para agradecer a Jesus, enquanto os outros nove  rapidamente esqueceram  de agradecer. Existem muito mais casos de falta de Gratidão  do que de pessoas que agradecem  a quem lhes ajudam  ou apoiam.

Talvez  a vida, em novos momentos de dificuldades e sufoco, acabe sensibilizando essas pessoas que não costumam praticar  ou cultivar  a virtude da gratidão. E você, caro leitor ou leitora,  como anda em termos da prática da gratidão? Faça um exame em sua consciência e responda a si próprio ou própria. Talvez você  tenha  recebido algo  e tenha  se esquecido ou esquecida de dizer muito obrigado, muito obrigada meu amigo, minha amiga.
Pense  nisso. O mundo seria muito mais belo se todos nós praticássemos esta virtude que se chama Gratidão, vale a pena tentar, comece  hoje mesmo. Se você recebeu apoio, compreensão, atenção, solidariedade e, por alguma razão, não  tenha agradecido ou agradecida,  ainda é tempo de corrigir esta falha  e restabelecer pontes que possam ter sido danificadas. Gratidão  está para uma amizade  verdadeira como alimento está para uma pessoa faminta.

*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de  jornais, sites e blogs. EmailO endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

Quarta, 25 Novembro 2015 19:45

 

JUACY DA SILVA*
 
Há poucos  dias  foi encerrada a CAMPANHA OUTUBRO ROSA, que  representa um alerta para as mulheres  e seus familiares quanto aos riscos do CÂNCER DE MAMA e a importância dos  exames  preventivos para diagnosticar  precocemente este  tipo de doença, que a cada ano mata quase 20 mil mulheres em  nosso país

Agora, com  o estímulo da OMS - Organização Mundial da Saúde,  estamos no início do NOVEMBRO AZUL, mês  dedicado ao alerta mundial quanto aos perigos  e riscos que  o CÂNCER DE PRÓSTATA oferece  aos homens que, principalmente por machismo ou ignorância, se recusam  a realizar os exames  preventivos, incluindo o famoso,  detestável  e temido TOQUE  RETAL,  fundamental, além  do exame de sangue PSA, para detectar com muita precocidade a existência  de câncer de próstata.  Outro exame  nesta bactéria de prevenção  contra o câncer de próstata e outros mais é a ultrassonografia do abdome.

Em 2015 estão previstas 245.641 mortes por câncer no Brasil, incluindo todos os tipos  da doença, ambos os sexos  e todas as faixas  etárias. Desse  total pouco mais da  metade , 132.126 das vítimas serão homens, mais do que o dobro de todos os assassinatos que tanta notícia  e  medo  infunde na população brasileira  que vive a mercê da bandidagem.

Isto demonstra que além da violência percebida e denunciada pelos diversos meios de comunicação, também existe uma enorme violência oculta que está vitimando centenas de milhares de pessoas  todos os anos .  Muitas, talvez a grande maioria,  dessas  mortes poderiam ser evitadas, se a saúde pública funcionasse a contento  e não fosse  o caos que atualmente a  caracteriza, principalmente pela incompetência e incúria de nossas autoridades. Em dez  anos o Ministério de saúde deixou de aplicar mais de R$185 bilhões , apesar  de que o  OGU – Orçamento Geral da União contemplasse  recursos para vários programas que  não  funcionam a contento, isto é um crime contra a população perpetrado pelos  nossos governantes.

Voltando ao NOVEMBRO AZUL,  neste ano  - 2015 – o câncer  de próstata  deve ser a causa de morte para 18.850 homens, um aumento de 9,5% na mortalidade por este tipo de câncer  em 3 anos, pois em 2012 morreram 17.218 homens  por  esta causa. As  previsões  do Globocan – organismo de pesquisa e monitoramento de câncer , ligado a OMS, indica que entre 2015 e 2035, o número de mortes  por câncer de próstata no Brasil deve aumentar em 105,1%, passando de 18.850 mortes  neste ano para 41.469  óbitos  dentro de 20 anos.  O mais alarmante é que a cada ano, devido ao envelhecimento da população  brasileira, o percentual de mortes por câncer  de próstata vai atingir muito mais  homens  com mais de 65 anos  de idade, passando de 89,4% em 2015 para 92,8% em 2035.

Segundo dados e estimativas do Globocan, entre 2012  e 2035  só de câncer  de próstata deverão morrer nada menos do que 658.303  homens no Brasil, número igual a  3,5 vezes  mais do que todas as pessoas mortas  em  Hiroshima e Nagasaki  devido ao bombardeio atômico feito pelos EUA em 1945 e fato que ainda hoje causa tanta  consternação no mundo todo.

Todavia, diante  de tantas mortes por todos os tipos de câncer e principalmente de câncer  de próstata em nosso país, este sofrimento de milhares de pessoas , seus familiares e amig@s, parece nada representar, principalmente para nossas  autoridades públicas que relegam a um plano secundário  as necessidades e o  sofrimento do povo, principalmente as camadas mais pobres, mais humildes e excluídas da sociedade  e que precisam  aguardar meses ou anos nas filas dos  serviços  especializados  do SUS, um Sistema falido pelo descaso de nossos governantes.  Este descaso é um verdadeiro crime contra o povo e um desrespeito incabível contra os direitos dos pacientes, principalmente os portadores  de câncer, que merecem não  apenas  nossa solidariedade, mas fundamentalmente, terem  seus direitos reconhecidos.

Nossa Constituição, a chamada Constituição Cidadã e a Lei de criação do SUS estabelecem que “saúde é um direito de todos e dever do Estado”. Todavia, como tantos dispositivos legais em nosso país, para milhares de pessoas que sofrem, mesmo  recorrendo à  justiça para  garantirem  o direito a vida, acabam sucumbindo, tudo  isto é letra morta ou apenas belas frases de  efeito, longe  da realidade de quem enfrenta esta vergonha que é  a nossa saúde pública.

A burocracia, o descaso de nossas autoridades, a incompetência dos organismos públicos, principalmente de saúde e a corrupção estão matando, assassinando milhares de pessoas inocentes no Brasil, diversas vezes mais do que todos os assassinatos e mortes no trânsito que tanto aterrorizam a população.

Que   este  NOVEMBRO  AZUL  sirva para uma reflexão mais profunda sobre esta questão  do câncer de próstata  e a saúde pública em nosso pais  e que, fruto dessas reflexões,  possamos  dar novos rumos `a política  e programas de saúde  pública antes que a  mortalidade aumente  ainda  mais.

 

*JUACY DA SILVA,  professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista  de jornais, sites e blogs. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

Segunda, 23 Novembro 2015 16:11

 

JUACY DA SILVA* 

Líderes do G20, grupo formado pelos 20 países com as maiores economias do mundo estão  reunidos em Antalya, na Turquia para discutir  e analisar os principais desafios que afetam não  apenas esses países, mas  o mundo todo.

Diversos temas  constam da pauta dessas  reuniões do G20, incluindo a situação  da economia mundial,  com  destaque para a  recessão ainda presente em vários países, inclusive o Brasil; a  inflação  que começa a acelerar em vários países; o desemprego, os subsídios que ainda são  oferecidos para as fontes de energia baseadas em combustíveis fósseis e dificultam a viabilidade econômica das fontes limpas e alternativas, fundamentais para um desenvolvimento sustentável.

Na  segunda feira, 16 de novembro, o Presidente OBAMA concedeu uma longa entrevista  a mais de cem profissionais de imprensa de  vários países quando destacou  alguns  aspectos, considerados por ele como importantes e que foram discutidos na reunião de cúpula do G20.

Além das questões  econômicas  já mencionadas Obama  destacou três temas que mereceram uma discussão  mais aprofundada: a)  a questão  do espaço cibernético,  guerra  e segurança  cibernéticas; b) a questão  das mudanças climáticas  e a conferência  do clima que deverá  ser realizada em Paris dentro de duas semanas  e a necessidade de um avanço para não apenas controlar as emissões de gases que provocam o efeito estufa, mas para conseguir um acordo para a sua redução significativa, e, finalmente, c) o combate ao terrorismo, principalmente  a partir  dos atentados  praticados pelo Estado Islâmico no último final de semana em Paris.

Praticamente  todos os questionamentos dos profissionais de imprensa  presentes na  coletiva versavam sobre  este ultimo tema. Os principais  questionamentos apresentados ao presidente Americano estavam direcionados principalmente  sobre a  estratégia do governo Obama que se recusa a enviar tropas americanas para combates terrestres.

Além de  caracterizar o Estado Islâmico  como a face do demônio, Obama enfatizou alguns aspectos importantes nesta Guerra. Primeiro, a necessidade de uma maior cooperação entre os diversos países, principalmente os que integram o G20,tanto em relação aos meios militares, inteligência quanto no estrangulamento econômico e diplomático, bem como reduzir até extinguir o espaço do que pretende o ISIS que deseja transformar-se  em um califado,  com território definido e governo constituído.

Obama fez questão de defender também que o mundo ocidental seja solidário e apoie uma solução para mais de um milhão  de imigrantes sírios que estão  sendo perseguidos e mortos pelo ISIS, independente de que  esses  refugiados sejam mulçumanos, cristãos ou de outras religiões. Reafirmou também que o ISIS  não  representa o islamismo, mas apenas  um  grupo  terrorista composto de fanáticos e assassinos.

Finalmente OBAMA disse que em face do terrorismo seu governo tem dois grandes objetivos  estratégicos: primeiro, manter a segurança física do território Americano, incluindo a população e os interesses nacionais dos EUA  ao redor do mundo e, segundo, negar  espaço de ação para o ISIS  tanto na Síria e Iraque,  destruindo suas bases de treinamento, suprimentos de armas e sua base econômica e financeira, procurando também  eliminar seus líderes  como aconteceu com a Al Qaeda, principalmente após o assassinato de seu líder maior, Osama Bin Laden, praticamente o fim do  referido grupo terrorista.

Como última mensagem Obama disse que com certeza à medida que tanto curdos, quanto outros grupos insurgentes  que lutam contra o Governo sírio conseguirem reconquistar esses territórios, com certeza o ISIS  irá se transformar em apenas um grupo terrorista sem território e com toda a certeza não  terá espaço  para planejar suas ações e treinar seus membros e que o governo Americano e outros países aliados irão combater  o ISIS ao redor do mundo  até que o mesmo seja totalmente derrotado e desapareça.

Neste sentido OBAMA  afirmou que até o momento 65países já se comprometeram  a juntarem-se aos esforços Americanos e europeus para que  esta Guerra, que tem seus objetivos  e estratégias diferentes de uma Guerra convencional, que  será de longa duração,  possa ter  êxito e devolver a paz tanto ao Oriente médio, norte da África quanto na Europa e em outros países, enfim, levar este combate decisivo a todos os locais em que o terrorismo tente impor suas práticas e ações suicidas. A paz verdadeira e duradoura somente será possível com a eliminação do terrorismo que tanto medo e pavor acarreta às pessoas e à população em geral.

*JUACY  DA SILVA,  professor  universitário, fundador, titular e aposentado UFMT,  mestre  em sociologia, articulista e colaborador  de jornais, sites e blogs.  Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

Segunda, 16 Novembro 2015 11:14

 

JUACY DA SILVA*
 
“A verdadeira amizade, que também  é uma forma de  amor, duplica as alegrias e divide as tristezas, as angústias e as incertezas da vida” Francis Bacon.

Muitas pessoas vivem  em  uma correria sem  parar. Falta-lhes  tempo para  refletir  sobre o sentido da vida, sobre os valores mais duradouros e não percebem a beleza de cada momento, o canto de um pássaro, a alegria de uma criança que corre solta, o desabrochar de uma flor, uma brisa que entra pela janela, não conseguem sonhar, não tem  esperanças e, de uma hora para outra percebem que o presente  já é quase passado e o futuro, o amanhã, pode não chegar, para si ou para quem está  tão perto, sua família, seus amig@s, vizinhos, colegas de trabalho, de escola  ou de igreja

A vida é  uma caminhada, para  alguns pode ser longa, às vezes chega aos cem anos ou até mais, para outros pode ser breve, poucos anos, poucos meses, não importa. Nesta caminhada vamos acumulando coisas, objetos, entulhando nossas casas, muitas   talvez  desnecessárias, isto é muito próprio  para quem se apega `as  coisas materiais  e não percebem  que ao fim da jornada neste planeta nada vão levar, nem riqueza, bens materiais, prestígio, fama, poder, opulência, riqueza, prepotência, luxúria, futilidades e coisas do gênero.

Enquanto caminhamos pela vida vamos  encontrando pessoas  com as quais compartilhamos  ideias, ideais, sonhos,  desilusões, certezas, angústias, esperanças  e  realizações. De repente  chegamos a uma encruzilhada, onde os caminhos se bifurcam, tomando rumos e destinos diferentes, as vezes opostos ou as vezes  apenas atalhos que acabam se encontrando novamente.

Da mesma forma que os encontros, nas encruzilhadas da vida  o importante é que a escolha do caminho seja feita sem mágoas, sem conflitos, sem destruição, para que  novas pontes possam ser construídas devemos  cultivar a amizade verdadeira, fundada na  compreensão, no amor, na solidariedade,  na fé e também no diálogo. Somos apenas viajantes  planetários nesta caminhada rumo `a uma nova realidade desconhecida.

William Shakespeare fala um pouco sobre a caminhada de cada pessoa quando diz  que “A alegria e a paz interior evitam os males que destroem as  nossas vidas, prolonga a própria vida e indica o caminho do amor  eterno e da felicidade duradoura”.

Mahatma Gandhi, o artífice da libertação da Índia do jugo colonial inglês e o profeta da não violência nos deixa  uma  reflexão muito inspiradora quando afirma“ Não  existe um  caminho para a felicidade pois a felicidade é o caminho que devemos trilhar ao longo de nossas vidas”

Vivamos  o hoje, o aqui e agora com alegria e esperanças renovadas,  como se o amanhã possa não chegar para nós  ou para aqueles a quem tanto amamos! Perder coisas materiais é ruim, mas muito pior é perder as pessoas, parentes ou amig@s verdadeir@s, principalmente aquelas que são importantes para cada um de nós, com  as quais  compartilhamos tantas coisas boas, momentos felizes ou até mesmo angústias  e desafios.

Que nesse dia 02 de novembro,, dia de finados, dedicado aos entes queridos e amig@s  que nos deixaram possamos ter o conforto de  suas lembranças e dos momentos felizes junto aos quais passamos! No silêncio de seu coração e no âmago de sua alma faça uma prece de agradecimento à vida e esteja feliz sempre!

 

*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de jornais, sites e blogs. EmailO endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

Quarta, 11 Novembro 2015 16:09

 

JUACY DA SILVA*

Dando continuidade à reflexão contida no artigo anterior sob o mesmo título, quando, além de apresentar uma classificação  geral das formas de violências e as pessoas ou grupos sociais mais susceptíveis de serem vítimas das mesmas, fiz um destaque bem rápido para a violência contra a mulher, um tema bem atual nas discussões em todas as esferas de poder, organizações públicas e privadas e pela população em geral.

Neste segundo artigo, gostaria de mencionar um outro tipo de violência contra as  mulheres  e que seus autores não  são alcançados pela Lei Maria da Penha. As consequências  deste  tipo de violência é bem maior e mais cruel do que todos os crimes incluídos pela violência  doméstica, no trabalho ou em locais públicos. Pouca gente percebe a gravidade desta violência que é muito sentida pelas mulheres e familiares, mas que fica quase oculta aos olhos da sociedade, dos poderes públicos e, principalmente, pelas nossas autoridades, que, na verdade são os perpetradores desta crueldade contra as mulheres.

Estamos findando o mês dedicado ao alerta sobre o Câncer de Mama, o OUTUBRO ROSA. À parte  da campanha publicitária, as discussões não  chegam ao âmago da questão, ou seja, o direito que todas as mulheres, a partir de 30 anos tem de fazerem diagnósticos precoces, principalmente aquelas que tem familiares que foram  diagnosticadas com câncer  de mama ou outro tipo de câncer  ou que vieram a morrer  decorrente  desta doença.

Enquanto mulheres  das classes alta e média possuem  recursos financeiros ou planos de saúde para buscarem atendimento médico, hospitalar ou ambulatorial, as mulheres pobres,  integrantes de grupos excluídos social e economicamente em nosso país, dependem única e exclusivamente do Sistema único de saúde, o SUS, que é bonito, lindo em sua concepção, mas  um verdadeiro caos e vergonha nacional. Alguém  deveria sugerir que nossas autoridades  fossem  obrigadas a serem atendidas pelo SUS  e ficarem em filas por meses, em corredores fétidos de unidades de saúde e hospitais públicos  como os que os meios de comunicação de massa  mostram diariamente. Só assim, iriam prceber o nível de violência e humilhação que os usuários do SUS  sofrem,  principalmente  as mulheres.

Pouco se diz de que em torno de 85% dos municípios brasileiros não tem um mamógrafo sequer, ou laboratórios para que seja possível a realização de outros exames como papa nicolau  ou outros que possam contribuir  para diagnósticos precoces da doença.

Enquanto 4.500 mulheres são assassinadas no Brasil e  isto causa uma grande comoção, o que é justo e correto quando nos indignamos contra  esta barbárie,  em 2012 nada menos do que 103.606  mulheres  foram a óbito tendo como causa todos os tipos de câncer, com destaque  para o Câncer  de mama que ceifou 16.412 mil mulheres. Dados estatísticos da Globocan, instituição de pesquisa e alerta sobre o câncer, vinculada à  Organização Mundial da Saúde, demonstram que a  situação relacionada com o câncer é  extremamente grave e sua tendência é muito alarmante  no Brasil.

As projeções da Globocan  para o Brasil indicam que, `a  medida que a população envelhece e a saúde pública continua  vivendo um verdadeiro caos,  entre 2012  e 2025 as  mortes por câncer  deverão atingir 1.76.376 mil mulheres e 2.070.474 mil homens.  Isto representa  uma média  de mortalidade anual geral  de 274.12; a média anual para homens é de 147.891   e para as mulheres 126.241.

No caso das mulheres as mortes por câncer  representam 28 vezes mais do que a média dos feminicídios – assassinatos de mulheres. Enquanto os assassinos de mulheres podem ser alcançados pela justiça e levados `as  barras dos tribunais e condenados, tendo como instrumentos  de defesa a Lei Maria da Penha, e os códigos penal   e de processo penal, as mortes de centenas  de milhares  de mulheres  por câncer, seus autores  jamais serão pegos, pois  estão  a salvo nas entranhas burocráticas e na corrupção  que rouba o dinheiro público necessário para construir e equipar hospitais, laboratórios, contratar e pagar profissionais capacitados para atendimento nesta área, prover tratamento, medicamentos para as pacientes.

Em 2015 o câncer  de mama deverá  ceifar a vida de 17..872  mil mulheres, o de útero mais 9.100; de ovário 4.211; de pulmão 12.233; de coloretal mais 9..974 e de estômago 6.072. Apenas  esses seis  tipos de câncer  serão  responsáveis por quase 60 mil mortes de mulheres, principalmente a partir da faixa  etária dos 30 anos, agravando-se mais a partir da faixa  de 49 anos.

Somente durante esses cinco anos de mandato da Presidente  Dilma, a primeira presidente mulher do Brasil e que só neste ano cortou mais de 11 bilhões de reais do Ministério da Saúde, o câncer e o caos na saúde pública  deverão matar mais  de 265 mil mulheres. Com  certeza  esta é a maior violência  que  está sendo cometida contra as mulheres brasileiras. Enquanto isso os Governos Lula/Dilma/PT seus aliados vem cortando sistematicamente bilhões  de reais da saúde pública, com  a justificativa de um equilíbrio  fiscal que, na verdade, é um  engodo para não dizer   que  a grande prioridade do Governo Federal é o pagamento  de juros, encargos e a rolagem da dívida pública que  em setembro ultimo atingiu mais de 2,7  trilhões de reais.  Só de juros sobre  esta dívida impagável  o Governo Dilma tem gasto  mais de  300  bilhões por ano, enquanto para o combate ao câncer e a saúde pública sobram praticamente  migalhas  depois da parte que vai para alimentar os lucros e acumulação de capital dos grandes bancos e instituições financeiras nacionais e internacionais.

 

*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de jornais, sites e blogs de MT e de alguns outros estados. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

 

Segunda, 09 Novembro 2015 17:52

 

JUACY DA SILVA*
 
A questão da violência é um tema recorrente nas discussões  acadêmicas e também entre autoridades, gestores públicos, entidades da sociedade civil organizada e de representações profissionais,  o Sistema judiciário e os operadores do direito. Enfim, é  uma  realidade que ronda e amedronta milhões de famílias pelo mundo afora e também está muito presente em nosso Brasil, país que ostenta um dos maiores índices de violência do planeta, contrapondo-se aos discursos da cordialidade do brasileiro.

A violência se manifesta das mais variadas formas, incluindo contra o patrimônio, com roubos, furtos, invasões de propriedade e domicílios ou contra a pessoa com ameaças de mortes, estupros, assassinatos, sequestros, latrocínio, espancamentos, lesões  corporais, cárcere privado. Existe  também  a violência psicológica, a violência  econômica, como o trabalho escravo, a falta de comida, a pobreza, a miséria ou até mesmo a violência religiosa marcada por imposição de dogmas, lavagem cerebral e outras manipulações psicológicas.

Costuma-se dizer que a violência é democrática, ou seja, atinge todas as camadas socioeconômicas ou classes sociais, todos os estados e regiões, faixas  etárias, ambos os sexos e diferentes orientações ou opções sexuais  e cidades  de todos os tamanhos.

Todavia,  os números da violência apresentam  um quadro um pouco diferente, não  confirmando  que a mesma  seja  tão democrática. Dados do Mapa da Violência, em suas diversas apresentações e também de diversos estudos e fontes oficiais, dos Governos Federal e Estaduais  demonstram que alguns grupos são mais vulneráveis e susceptíveis à violência do que outros. Entre  esses grupos podemos destacar: crianças, adolescentes, mulheres, pessoas negras  e  pardas, afrodescendentes, idosos, integrantes da comunidade LGBT, pobres, moradores  de favelas e outros mais, incluindo minorias étnicas como indígenas  e  imigrantes.

Em  decorrência, existe uma  grande mobilização por parte  desses grupos que mais sofrem  com a violência para que suas demandas sejam incluídas nas pautas políticas ou agenda nacional, estadual e municipal dos poderes públicos, principalmente buscando a definição  de políticas públicas e ações  que reduzam  a violência, bem como outras ações que tenham alcance de longo prazo, no sentido de prevenir que a violência  venha a ocorrer.

Diversas propostas para  reduzir ou acabar com a violência  acabam gerando polêmicas, como, por  exemplo, a pena de  morte , prisão perpétua,  aumento do tempo de encarceramento ou para a progressão de regime prisional, redução  da maioridade penal e assim por diante.

Um dos debates mais presentes nos últimos dez anos tem sido a violência contra a mulher, principalmente após a promulgação da Lei 11.340, de 07/08/2006, popularmente  conhecida como Lei Maria da Penha. A importância  desta Lei, principalmente  em seu sentido simbólico é reconhecida por toda a sociedade, tanto é verdade que, prestes  a completar uma década de sua  promulgação, no próximo ano,  foi  o tema da redação do ENEM  realizado no último final de semana, quando mais de sete milhões  de estudante tiveram a oportunidade de refletir pelo menos por alguns minutos sobre esta questão.

Alguns números indicam a magnitude desta modalidade de violência. Só no primeiro semestre  deste ano o telefone 180, que  recebe nacionalmente denúncias e pedidos de Socorro de vítimas  da violência contra  a mulher registrou mais  de 32 mil chamadas.  Por ano  são assassinadas, em média, no Brasil 4.500 mulheres, com índices que  variam do Espírito Santo com  9,8  assassinatos para cada grupo de 100 mil mulheres  ao  menor índice  registrado no Piauí  com 2,5.  O Brasil apresenta um índice de 5,9 , ocupando a 7a. posição na incidência de violência contra a mulher, entre 84 países cujos dados são  monitorados pela ONU e outras organizações  internacionais.

Entre  1980 e 2011  foram  registrados 96.612 assassinatos de mulheres, representando  17,4% do  total de assassinatos que foram registrados no Brasil, algo quase inimaginável: 556 mil pessoas foram  assassinadas em nosso país nesse período, número muito maior do que em muitas guerras e conflitos sangrentos pelo mundo afora.

Oportunamente voltarei a este tema da violência contra a mulher, abordando outros aspectos que também  são  relevantes e às vezes acabam passando despercebidos.

 

*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre  em sociologia. Articulista de Jornais, Sites e Blogs. E-mail  O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com  Twitter@profjuacy

Terça, 03 Novembro 2015 10:54

 

JUACY DA SILVA*
 
Depois de publicar na última semana o artigo “ Desenvolvimento: em busca de novos paradigmas”  recebi diversas mensagens sugerindo que aprofundasse um pouco mais a discussão  sobre  esta questão dos modelos ou paradigmas que  tem servido de  base para o processo de desenvolvimento de nosso país, ao longo de séculos. É importante dizer  que o Brasil nunca teve um grande projeto nacional de desenvolvimento, no sentido  de  uma visão estratégica  de longo prazo; apenas projetos de governo que sofreram  e ainda sofrem descontinuidade com as sucessivas trocas dos grupos de poder.

A ideia  e as práticas de planejamento, bem  como a continuidade de ação de  governo representam a exceção enquanto a descontinuidade, a improvisação , o voluntarismo e personalismo passam  a ser as regras. Prova disso são as milhares e obras públicas paralisadas, ou retomadas tardiamente, que representam bilhões  de reais ou dólares desperdiçados.

Assim, vou apenas pontuar alguns desses  velhos e ultrapassados paradigmas, a começar  pelo sistema produtivo e as relações de trabalho que ainda afetam, negativamente, a nossa economia e sociedade. O modelo  de desenvolvimento que vem praticamente desde o descobrimento, passando pelo Império e chegando por vias indiretas até o século  XXI,  é de base primária, extrativista e agropastoril, baseado no latifúndio, na exportação de matérias primas com  pouco valor agregado e a importação de bens acabados.

As  relações de trabalho por  quase  quatro  séculos foram  o trabalho escravo, semiescravo e a falta  de garantia de direitos mínimos, chegando até a atualidade, com  as novas  regras para definir  as relações do trabalho doméstico, mais de 70  anos após  o surgimento da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, no início da década de quarenta, mas que deixou de fora  milhões de trabalhadores rurais, autônomos e empregados domésticos.

O latifúndio  e a grilagem de terras  em  todos os estados faziam  parte do Sistema econômico e  político, onde o  trabalhador rural e moradores de pequenas cidades estavam muito mais próximos dos servos de gleba da idade média na Europa do que dos cidadãos  livres como  fonte primeira do poder. As  mulheres só tiveram o direito de votar e serem votadas a partir dos anos trinta do século passado   e  os analfabetos há poucas décadas.

Outro paradigma presente tem sido a concentração  da população, inicialmente  ao longo da costa litorânea, em  uma faixa  de, no máximo 250 km, deixando o interior praticamente desabitado, a não ser por pequenas  ilhas de ocupação  como Cuiabá, bem no coração  do Brasil. Somente a partir do Governo JK com a construção de Brasília e da abertura da Belém Brasília e depois da ligação  de Brasília com o Acre  e da Cuiabá –Santarém, é que ocorreu um avanço acelerado da expansão das fronteiras agrícolas rumo à Amazônia e ao Centro – Oeste.

As migrações  rural urbana  de forma acelerada durante  o final dos anos quarenta  até  a década de sessenta, moldaram o surgimento de cidades onde a ocupação  desordenada das periferias e áreas impróprias para a moradia humana  determinaram o perfil de uma urbanização, onde as favelas e loteamentos clandestinos definiram o perfil  de nossas cidades atualmente, com problemas de infra- estrutura, falta  de regularização fundiária e a exclusão socioeconômica de milhões de famílias.

Podemos, então, mencionar a concentração econômica, demográfica, a industrialização  tardia e no momento a desindustrialização, uma  economia de base primária e agroexportadora, com baixo  valor agregado, o rodoviarismo, uma  estrutura agrária baseada nas grandes propriedades, no latifúndio improdutivo, a degradação ambiental, ainda presente nos dias atuais no desmatamento da Amazônia e do Centro-Oste,  com a degradação dos solos e o uso excessivo de agrotóxico, na  baixa produtividade e falta de competitividade da economia brasileira no contexto internacional  e na importação de bens acabados, principalmente na atualidade de  bens tecnológicos e ainda de petróleo, trigo, insumos agrícolas e industriais.

Ou seja, nossos paradigmas de desenvolvimento não mudaram ao longo de séculos e estão sendo e serão os responsáveis pelo atraso de nossa  caminhada rumo a  uma sociedade moderna, competitiva e que possibilite um melhor bem-estar e níveis de vida mais elevados para a sua população. Com isso continuamos com dois ou vários Brasis, um moderno e rico, representado pelo centro-sul, apesar da exclusão de uma grande parcela de sua população e outro atrasado, pobre e dependente representado pelas regiões norte, nordeste e parte do Centro-oeste, onde apenas  uma elite usufrui dos frutos do crescimento econômico, boa parte graças às  benesses distribuídas pelo governo e pelos bancos oficiais, como crédito subsidiado e renúncia fiscal aos grandes grupos econômicos, enquanto a grande maioria da população recebe migalhas dos programas assistencialistas.

*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com