Quinta, 29 Outubro 2026 16:56

 

Docentes, técnicos-administrativos e estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) avaliaram, na última terça-feira, 27/10, o resultado das eleições presidenciais. A partir de dados concretos, baseados nas propostas de Flávio Bolsonaro e na experiência do mandato de seu pai, Jair Bolsonaro, que retirou R$ 8 bilhões das Instituições de Ensino Superior e R$ 113 bilhões da pasta do Ministério da Educação ao longo de seu mandato, a comunidade aprovou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (saiba mais aqui).

 

O clima da reunião foi de alívio, no sentido de que os ideais de democracia e de humanidade prevaleceram, mas também de certeza de que muitos desafios ainda estão por vir. Isso se deve, em grande parte, ao fato de o orçamento destinado às instituições, prejudicado pela gestão de Bolsonaro, ainda não ter sido totalmente restabelecido.

 

“A mobilização deste ano mostrou que nós temos força para cobrar a consolidação das nossas conquistas, inclusive nas ruas. Isso porque nós teremos um parlamento muito conservador, que não está interessado em investir na universidade. Será difícil recompor o orçamento e até receber emendas parlamentares”, disse a pró-reitora de Assistência Estudantil, Liliane Capilé.

 

Para o diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, a universidade cumpriu sua tarefa de derrotar um projeto violento, financiado por interesses imperialistas. “As primeiras manifestações logo após o primeiro turno foram de universidades. Derrotamos lindamente o fascismo com a força das ruas, dizendo que a gente não aceita retrocesso. Essa angústia é real, nós vivíamos antes mesmo das eleições. Nós cumprimos nossa tarefa ao derrotar esse projeto violento, financiado pelo imperialismo, uma tarefa mundial, transcontinental. Esse é o papel da universidade, enquanto docentes, técnicos e estudantes nós devemos fazer essa disputa desde aqui, com os trabalhadores”, afirmou.

 

Santos ressaltou, ainda, que lutar pelo orçamento da universidade é o que vai definir seu futuro. “Após derrotar a besta fera num dos países mais importantes das américas, nós vamos lidar com as contradições desse Governo. Vamos disputar o orçamento, porque isso é disputar o futuro da universidade, a nossa estrutura de funcionamento. Nós não podemos ficar reféns de emendas parlamentares”, concluiu.

 

O representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Rafael Ribeiro, lembrou da importância das universidades para a história do país, citando nomes de estudantes que foram assassinados enquanto lutavam pela democracia durante momentos de intensa mobilização política, como a ditadura militar. Além disso, exaltou a organização popular que, dentre outras conquistas, conseguiu driblar as ações da empresa multinacional norte-americana Meta, que claramente tentou privilegiar a campanha da extrema-direita.

 

A coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação (Sintuf-MT), Marilin Castro, afirmou que a comunidade foi para a luta porque entendeu que a existência da universidade estava em perigo. “Foi um momento histórico. As universidades estavam nas ruas, porque era tudo ou nada, a eleição da extrema-direita poderia ser o fim da universidade, e a proporção da mobilização foi muito maior do que o esperado. As pessoas sentiram essa necessidade pelos ataques aos direitos, às mulheres, aos negros, aos indígenas e à população LGBTQIAPN+. E a sociedade tem que vir para dentro da universidade. Nos últimos anos a gente se fechou, e esse muro tem que cair, porque nós não formamos apenas profissionais, nós formamos cidadãos do mundo, então precisamos debater política, sim”.

 

Sobre a batalha das universidades públicas pela recomposição do orçamento, a Adufmat-Ssind realizará, ainda este ano, um debate com a contribuição de especialista convidado.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quinta, 29 Outubro 2026 11:01

 

 

Por Juacy da Silva*

 

O povo nas ruas em defesa da democracia e da soberania nacional

 

Para alguns, foi um verdadeiro milagre; para outros, nada mais do que o despertar das massas diante da possibilidade de um grande retrocesso político, institucional e até mesmo da ameaça e possibilidade de um golpe de Estado. Foram às ruas e às “redes sociais” para garantir a nossa soberania e a estabilidade das instituições democráticas em nosso país.


Diante de uma vitória do candidato Flávio Bolsonaro, representando boa parte do “centrão”, da direita tradicional e, o pior de todos os cenários, de uma extrema direita raivosa, revanchista, subserviente aos interesses de grandes potências e de grandes corporações econômicas e financeiras, principalmente das “big techs”, que descaradamente interferiram no processo eleitoral, parece que esses fatos e a possibilidade de um governo direitista, autoritário e corrupto se instalar no Brasil acordaram milhões de brasileiros.


Aconteceu o que muitos, tanto da esquerda quanto do centrão e também da extrema direita, jamais acreditavam que seria possível: uma “virada” no 2º turno. Jamais, na história política recente ou passada do Brasil, um candidato a presidente derrotado, que tivesse ficado em 2º lugar no primeiro turno, venceu no 2º turno. Isto era algo inimaginável, mas acabou acontecendo.


A euforia no entorno de Flávio Bolsonaro era enorme, principalmente após uma grande vitória da direita, da extrema direita e do bolsonarismo ao eleger a maior bancada no Senado da República e na Câmara Federal, e de governadores. A euforia era tanta que só falavam na composição do ministério, em “tesouraço”, com certeza nos direitos dos trabalhadores, dos aposentados, de milhões que passaram a ter um pouquinho de dignidade através das políticas e programas sociais do Governo Lula, da entrega de nossos recursos naturais, terras raras e minerais estratégicos a grupos econômicos internacionais, para os quais estavam planejando “vender” a soberania e o futuro de nosso país.


Do lado do centro e da esquerda, também a sensação, com raras exceções, como para o Deputado Janones e a jovem deputada negra mineira Ana Elisa e para milhões de defensores de um projeto de país soberano, democrático, justo, digno e inclusivo, não era de tristeza e espírito derrotista.


Foi aí que, em menos de três semanas, tempo entre o 1º e o 2º turnos, aparentemente muito curto para uma virada, mesmo que apertada, com uma vitória de Lula com uma margem muito pequena de votos, esses eram os temas em discussão nas hostes democratas de “esquerda” e das massas.


Foi aí, repito, que surgiu uma grande ONDA VERMELHA, que passou a ocupar as praças, as ruas, avenidas e estradas do Brasil, e também a mesma ONDA VERMELHA ganhou as redes sociais, antes território bolsonarista, da extrema direita e da direita adesista a um projeto autoritário e elitista de governo, enfim, de um projeto antidemoníaco de poder, prestes a se instalar no Brasil. Um verdadeiro retrocesso democrático.


O surgimento do “EXÉRCITO” DE LULA, iniciativa do Deputado Janones, da Rede de Minas Gerais, deu um novo e grande ânimo à campanha de Lula, e a certeza da virada, da vitória de Lula, já era antevista, apesar da manipulação dos institutos de pesquisa, dos grandes grupos empresariais de comunicação, do famoso e famigerado “mercado”, a “Faria Lima”, todas as forças conservadoras e retrógradas apostando abertamente em um governo de direita e extrema direita.


A adesão dos candidatos “nanicos”, mas que, em seu conjunto, abocanharam mais de 7,58% dos votos válidos (do total de 120 milhões de votos válidos no 1º turno), ou seja, somando essa votação desses candidatos da chamada Terceira Via, atingiram pouco mais de 9 milhões de votos.


Como Flávio Bolsonaro conseguiu, no primeiro turno, 56,1 milhões de votos (47,03%) e Lula, 53,8 milhões de votos (45,15%), a diferença percentual foi “pequena”, mas a diferença numérica, de mais de 2,3 milhões de votos, era enorme.


Além dessa diferença entre os dois candidatos, a adesão de três candidatos da “terceira” via, com seus mais de 9 milhões de votos, alimentava a sensação de que Flávio Bolsonaro já estava eleito.


Ledo engano: a extrema direita “raivosa” e revanchista, que só falava nas promessas e mentiras do seu candidato, não contava com esta virada eleitoral histórica. A campanha de Lula conseguiu “reverter” a derrota no 1º turno e, neste 2º turno histórico, tornar-se vitoriosa em 213 municípios onde havia perdido, inclusive vários de grande porte em termos eleitorais. Além disso, mesmo nos demais municípios e em todos os estados, Lula conseguiu, tanto onde venceu quanto onde foi derrotado no 1º turno, abocanhar mais de 11 milhões de votos, inclusive revertendo o resultado no Estado de Minas Gerais.


Resumindo, Lula ampliou a votação no 2º turno em todas as 27 Unidades da Federação e em 5.410 municípios, ampliando em mais de 11 milhões de votos entre os dois turnos, e Flávio Bolsonaro, que já só pensava na instalação de seu governo, com quem iria subir a rampa do Palácio do Planalto, mesmo com a adesão oportunista dos três candidatos nanicos (Caiado, Zema e Cury), aumentou a votação entre os dois turnos em apenas três milhões de votos.


Isto significa que milhões de eleitores que votaram nesses candidatos da 3ª via não seguiram a opção de adesismo de seus candidatos e, inclusive, segundo algumas estimativas, diante das mentiras e do desempenho pífio de Flávio Bolsonaro nos dois debates (Rede Band e Rede Globo), acabaram migrando para Lula, o que explica a vitória de Lula no 2º turno, com mais de 4,4 milhões de votos, passando de um quase derrotado para o maior vitorioso na história política brasileira desde a redemocratização e a vigência da Constituição de 1988.


Depois de amargar uma derrota acachapante no 2º turno, no último domingo, com mais de 4,4 milhões de votos de diferença e com medo desta grande ONDA VERMELHA que coloriu o Brasil e de investigações que tramitam na Justiça, o candidato Flávio Bolsonaro, que dizia a todo momento que subiria a rampa do Palácio do Planalto com o pai, condenado a mais de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, a quem iria conceder perdão e de quem “receberia” a faixa presidencial, simplesmente amarelou e, na surdina, deixando seus correligionários mais próximos e quase 60 milhões de eleitores que acreditaram em suas bravatas, mentiras e “fake news” a verem nuvens que se dissiparam, simplesmente fugiu do Brasil.


Líder de verdade não foge, não abandona seus seguidores e liderados para salvar a própria pele. O que Flávio Bolsonaro fez assemelha-se ao que faria um general que, diante de inimigos poderosos, simplesmente abandona o campo de batalha, o teatro de operações, deixando seus soldados e comandados entregues à própria sorte, abandonados, sem direção.


A pergunta que não quer calar: por que Flávio Bolsonaro, o “herdeiro” político e ungido pelo chefe do clã Bolsonaro, ao perceber que, a partir de fevereiro de 2027, pela primeira vez em mais de 20 anos, não vai ter mais a proteção do manto da imunidade/impunidade parlamentar, por não ter mais “foro privilegiado”, poderia responder na Justiça, correndo o risco de ser condenado e preso, igual ao pai, diante de alguns processos que investigam práticas de corrupção e outros crimes, simplesmente, na surdina, abandonou o país?


Ao invés de utilizar todas as garantias constitucionais e legais existentes no ordenamento jurídico brasileiro, da “ampla defesa”, da presunção de inocência, e provar sua inocência, acabou passando recibo de culpa antecipada.


Existe um provérbio (sabedoria popular) que diz: “quem não deve não teme”. Assim fizeram líderes verdadeiros, como Mahatma Gandhi, que liderou o movimento da não violência diante da opressão colonialista da Inglaterra e lutou como ninguém pela libertação da Índia, ou Nelson Mandela, que, mesmo tendo sido preso por mais de 28 anos injustamente pelo governo racista e opressor da África do Sul, saiu da prisão para tornar-se presidente e devolver os direitos e a dignidade à população negra daquele país e acabar com um regime racista, desumano e autoritário, implantando uma democracia que reconheceu os direitos humanos e fundamentais de todas as raças e pessoas, ou mesmo o exemplo de Lula, que, mesmo tendo amargado 518 dias de prisão ilegal e injusta, resistiu bravamente, voltando a ocupar pela 3ª vez o cargo de presidente da República e, novamente, sendo consagrado por mais de 64 milhões de votos soberanos para um feito histórico em nosso país: ser reeleito para um quarto mandato à frente dos destinos de nosso país.


Diante de todos esses acontecimentos e da expectativa da posse dos eleitos em primeiro ou no segundo turno das eleições gerais de 2026, incluindo presidente e vice-presidente da República, governadores/governadoras de Estado, deputados federais e estaduais e dois terços dos senadores, o que o Brasil espera e precisa é de paz, de justiça, de diálogo, reconciliação, novas e renovadas políticas públicas, programas de desenvolvimento econômico e socioambientais para construirmos um país justo, inclusivo, solidário, sustentável, onde todos e todas possamos viver com liberdade, segurança e sob a égide da democracia, da harmonia institucional e da soberania nacional.


Que os derrotados, sejam de esquerda, de centro, de direita, de extrema direita, inclusive os bolsonaristas, aceitem e respeitem a decisão dos eleitores que, de forma soberana e democrática, através das urnas eletrônicas, demonstram sua vontade através do voto, o instrumento da democracia.


Neste particular, vale a pena refletir sobre uma parte do pronunciamento de Lula na Avenida Paulista, diante de milhões de apoiadores, ao dizer: “Não fui eu quem elegeu o Congresso, foi o povo e vou governar com este novo Congresso eleito, com muito diálogo e respeito”.


Aos vencedores, que governem para todos. Afinal, é o povo quem paga os impostos que “alimentam” os cofres públicos e a “máquina” governamental, tendo como parâmetros as necessidades, os anseios e as aspirações do povo, principalmente dos pobres e excluídos, com ética, que a corrupção seja banida para sempre do exercício das funções governamentais e empresariais, e que o Estado brasileiro volte ou continue voltando suas atenções e ações principalmente para os pobres, excluídos, famintos, desempregados, cuidando de nossos territórios, combatendo a violência e o domínio do crime organizado, defendendo o meio ambiente e as populações, inclusive os povos originários, e não apenas as elites e os donos do poder!

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

 

Terça, 27 Outubro 2026 16:23

 

 

O ANDES-SN convoca professoras e professores a participar da Jornada de Lutas das servidoras e dos servidores da Educação Federal, que será realizada em Brasília (DF), de 26 a 30 de outubro. A programação inclui atividades em defesa do sindicalismo classista, cobrança pelo cumprimento integral dos acordos firmados com o governo federal e mobilizações no Congresso Nacional. O dia 27 de outubro, Dia de Luta do Sindicalismo Classista, contará com atividades organizadas pelo ANDES-SN, pela Fasubra e pelo Sinasefe.

A convocação foi encaminhada às seções sindicais, às secretarias regionais e às Oposições Pró-ANDES-SN, por meio da Circular nº 431/2026, divulgada nessa terça-feira (20). O Sindicato Nacional orienta as seções a enviarem representantes para as atividades na capital federal.


Programação


Na próxima segunda-feira (26), às 14h, a Comissão Nacional de Mobilização (CNM) se reunirá, no Auditório Marielle Franco, na sede do ANDES-SN, para organizar as atividades do Dia de Luta em Defesa do Sindicalismo Classista e discutir a campanha pela aprovação do Projeto de Lei de Conversão (PLV) nº 12/2026, originado da Medida Provisória nº 1.375/2026, que trata do adicional de fronteira para servidoras e servidores.


Na terça-feira (27), às 9h, haverá uma atividade em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) para cobrar o cumprimento integral dos Termos de Acordo nº 10/2024, referente à carreira docente, e nº 11/2024, relativo às servidoras e aos servidores técnico-administrativos em educação. Às 18h, será realizado o painel “Em Defesa do Sindicalismo Classista”, no auditório do ANDES-SN, com transmissão ao vivo e participação das entidades organizadoras da Jornada.


Atos no Congresso


A Jornada de Lutas também prevê mobilizações em frente aos anexos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Na quarta-feira (28), às 9h, será realizado um ato em frente ao Anexo II da Câmara. Na quinta-feira (29), também às 9h, a mobilização ocorrerá em frente ao Anexo do Senado. Nas duas datas, estão previstas visitas a gabinetes parlamentares no período da tarde.


Na sexta-feira (30), às 9h, serão realizadas visitas a gabinetes parlamentares. Após a atividade, a CNM se reunirá para avaliar os resultados da Jornada de Lutas e fazer um balanço da mobilização. De acordo com a Circular 431, a programação poderá sofrer alterações de acordo com a pauta do Congresso Nacional.


O ANDES-SN reforça a importância da participação da categoria docente na Jornada de Lutas, em defesa dos direitos das servidoras e dos servidores públicos federais e do sindicalismo classista.


Confira a programação

26 de outubro (segunda-feira)

  • 14h – Reunião da Comissão Nacional de Mobilização, no Auditório Marielle Franco, na sede do ANDES-SN.

27 de outubro (terça-feira)

  • 9h – Atividade em frente ao MGI pelo cumprimento integral dos Termos de Acordo nº 10/2024 e nº 11/2024.

  • 14h – Visita a gabinetes parlamentares (CNM + SSIND que enviarem representantes).

  • 18h – Painel em Defesa do Sindicalismo Classista, no Auditório Marielle Franco, na sede do ANDES-SN, com transmissão ao vivo.

28 de outubro (quarta-feira)

  • 9h – Ato em frente ao Anexo da Câmara dos Deputados.

  • 14h – Visitas a gabinetes parlamentares.

29 de outubro (quinta-feira)

  • 9h – Ato em frente ao Anexo do Senado Federal.

  • 14h – Visitas a gabinetes parlamentares.

30 de outubro (sexta-feira)

  • 9h – Visitas a gabinetes parlamentares e, em seguida, reunião da CNM para avaliação e encerramento das atividades.

Terça, 27 Outubro 2026 16:20

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Roberto Boaventura da Silva Sá

Dr. em Ciências da Comunicação/USP

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Calma, (e)leitor! O “demos”, do título, de origem grega, refere-se à primeira parte da palavra “demo/cracia”, e significa “povo”. “Cracia”, de “kratos”, indica a forma de “poder”. Na aglutinação, a completude da ideia é a do “poder que emana do povo”.

Essa incrível construção para a convivência regrada dos seres humanos adveio, paradoxalmente, das ações de duas divindades gregas, ambas associadas à fundação e aos debates da democracia em Atenas: 1ª) Zeus Agoraios, protetor da ágora e da assembleia livre. “Ágora” era o coração político, econômico, social e cultural da Grécia Antiga); 2º) Peitho, deusa da persuasão e da retórica. Logo, o título acima poderia ser “Vitória da Democracia”, mas achei isso óbvio e insuficiente para este momento, pois vivemos em um Estado laico, no qual as ações humanas devem prevalecer sobre quaisquer intervenções atribuídas a entes sobrenaturais, sejam quais forem eles. Sempre o “povo”, portanto, o “demos”, é quem deve estar acima de tudo. Nada e ninguém mais.
  

Isso posto, agora, confesso: com a retumbante, inquestionável e merecida derrota de Flávio/Jair Bolsonaro para os 64.256.232 de eleitores que puderam e foram votar pela manutenção de nossa Democracia, reafirmo que: a) sou um conservador convicto, mas não na perspectiva do vil conservadorismo da violenta e mentirosa extrema-direita, sempre ancorada na cínica “tríade dogmática” Deus/Pátria/Família (DPF); b) sou um conservador da Democracia, à lá ensinamentos da Grécia Antiga, atualizados pela Revolução Francesa (1789), que elaborou as bases teóricas e práticas fundamentais do moderno Estado Democrático de Direito; c) sou um conservador que luta, junto com outros brasileiros – patriotas de verdade, e não estúpidas marionetes de um ardiloso jogo político internacional – pela manutenção do status quo constitucional contra qualquer autoritarismo, seja em nosso país ou alhures; d) sou um conservador que abomina aquelas criaturas ignorantes até a raiz do cabelo que clamam, em vias públicas e em redes sociais, por intervenção dos EUA em “Terras Brasilis”.

E para sustentar esse tipo de conservadorismo que sempre abracei, há de se fazer de tudo e um pouco mais do que for necessário. Fazer apenas o possível, diante de tantos e explícitos riscos, pode ser pouco. Mas por que, na contramão do que optou a maioria, o clã bolsonarista, preterindo todos os aliados, tentou voltar ao topo do poder por meio de um dos filhotes do mito golpista, ora condenado e presidiário, ainda que em domicílio?

Antes de uma resposta, vale relembrar que o lema DPF foi trazido à nossa “pauta política” por Jair Bolsonaro, que o encontrou nos ensinamentos antidemocráticos de Giuseppe Mazzini (final do séc. 19), e, posteriormente, apropriada pelo fascismo italiano, sob comando de Benito Mussolini, no início do séc. 20. No Brasil, Plínio Salgado, em outubro de 1932, também o utilizou como lema da Ação Integralista Brasileira, um movimento de extrema-direita inspirado no fascismo europeu.

Agora, sim, começo respondendo à lá Lula, único presidente eleito democraticamente quatro vezes para presidir um dos países mais complexos do planeta, conforme já registrava Roger Bastides em seu livro “Brasil, terra de contrastes”: “nunca como antes na história deste país”, faz-se necessário recorrer a cada instante à história, mas não sem observar um detalhe crucial: a “sincronia” – visão focalizada e descontextualizada de tudo – será sempre insuficiente para nossas reflexões hodiernas, que demandam embasamentos na “diacronia”, ou seja, na perspectiva que não desconsidera o passado em relação a um determinado foco/recorte a ser pensado no presente, tampouco se exime de reflexionar (e não especular/palpitar) sobre o porvir.

Isso posto, para a indagação que propus há pouco, vale saber que o lema DPF encontra-se na mesma linha ideológica da Tradição/Família/Propriedade (TFP), onde, de fato, estão os camuflados objetivos dos Bolsonaro; aliás, foi com base na TFP – que Jair pôde conhecê-la desde a infância – que houve a reatualização política do lema DPF.

A título de contextualizar, a TFP nasceu em São Paulo/1960, amparada nos estatutos da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade, sob comando de Plínio Corrêa de Oliveira, próximo de um grupo católico responsável pelo O Legionário, jornal que se propunha ser a voz do anticomunismo. Para isso, envolto a contornos quase paramilitares, a TFP cooptava jovens, principalmente das periferias, internando-os na organização, sob rigoroso controle ideológico. Em tais espaços, que nos remetem às clausuras medievais, eram treinados em artes marciais para a luta contrarrevolucionária, anticomunista e inimiga da reforma agrária.

Assim, das siglas DPF e TFP, por mais irônico que possa ser, apenas o “F”, de Família, encontra-se em ambas, desobrigando-nos de qualquer exercício de reflexão. Contudo, as demais letras estão em correspondência direta entre si: o “D”, de Deus, é proporcional ao “T”, de Tradição, posto que a religiosidade do bolsonarismo raiz, ou seja, do que cheira a enxofre, é o que se vincula à lógica do Antigo Testamento, em nada cristão; ao invés do “amai-vos uns aos outros”, reafirma-se a apologia do “dente por dente, olho por olho”. Em suma, é a prevalência do ódio, tal como o reconhecemos no comportamento desumano da maioria dos bolsonaristas assumidos. “Vade-retro”.

Já o “P”, de Pátria, está em correspondência ideológica com o “P”, mas de Propriedade. E é este “P” que é o “X” da questão. Quando Jair perde para Lula (2022) e se recusa a passar a faixa presidencial ao vencedor, orquestrando e incentivando um golpe militar no país, ele nos dá a certeza de querer se apropriar (ser proprietário) do Estado, que embute, pelo menos no imaginário popular, a ideia do “P”, de Pátria.

Nas eleições de agora, Flávio, cujo intelecto pouco se alarga em relação ao do pai, já havia dado a senha para um golpe, mas por dentro: mudar a Constituição em diversos pontos. Com um Congresso e um Senado, que receberão muitos agentes do crime organizado e das milícias como nunca antes na história deste país, nossa condição democrática seria aniquilada em tempo recorde. Contudo, a maioria do “demos” brasileiro entendeu isso, e muitos, dentre os quais me incluo, mesmo tendo críticas ao lulopetismo, não teve dúvidas e votou em Lula/13, que apenas corporificou uma coletividade que se deu conta de que não podia abrir mão de tudo que a democracia nos oferece e, na contramão, o autoritarismo nos subtrai.

Mas dias difíceis virão. As adversidades serão imensas. Em nome da Democracia, precisamos permanecer vigilantes. Aquela adesão às redes e, principalmente, às ruas deverá ter continuidade, pois ganhamos a batalha, não a luta, que, assim como o show, deve continuar.

Parabéns, “demos” brasileiro! Orgulhosamente, acabamos de ofertar a mais linda, emocionante e brava lição aos mais diferentes países do mundo, inclusive e principalmente aos EUA: como um povo, em pouquíssimo tempo, pode se reorganizar para barrar a chegada de um líder da extrema-direita ao poder máximo de uma República.  

Terça, 27 Outubro 2026 14:01

 

 

Camaradas,

Na nossa última nota política, publicada imediatamente após o resultado do primeiro turno, dissemos que a classe trabalhadora estava diante da tarefa histórica de disputar o futuro frente à ameaça existencial representada pela extrema-direita miliciana, que havia saído na dianteira naquele momento eleitoral. No último dia 25, ao final da apuração do segundo turno, assistimos, emocionados(as), ao sucesso histórico de parte dessa tarefa. Derrotamos, nas ruas e nas urnas, parte da ofensiva do setor mais violento e atrasado da história política brasileira! Vencemos, pois foi o povo, com os pés nas ruas e as mãos nas redes, que garantiu essa vitória histórica!

Os trabalhadores e trabalhadoras em Mato Grosso, em especial a sua juventude trabalhadora, lotaram as ruas, disputaram as redes e não arredaram o pé da disputa da consciência até que nos sagrássemos vencedores em uma virada antológica contra as forças do atraso. A Diretoria da Adufmat-Ssind gostaria de saudar os e as fazedoras de história pela generosidade com nosso passado, nosso presente e nosso futuro!

Nas últimas três semanas, a classe trabalhadora brasileira agarrou o futuro com as duas mãos e bradou, de punhos cerrados e com o sorriso no rosto, que não aceitaria mais um governo de retrocessos democráticos, de negacionismo científico, de ataque à educação e aos direitos sociais e de violência miliciana - violência esta que se expressa na escalada de ataques, agressões e assassinatos cometidos pelos fascistas após o resultado das urnas, que reclamam não apenas nossa denúncia, mas também nossa organização e vigilância.

Que o contundente recado dos milhões de brasileiros e brasileiras nas ruas todos os dias em todo o país seja apenas um ensaio inicial da necessária conformação de uma nova maioria engajada, fundamental para enfrentar o difícil e tenebroso inverno congressual que teremos nos próximos quatro anos e da difícil tarefa de garantir a nossa soberania popular diante do avanço do neofascismo e do imperialismo, que certamente tentarão, de todas as formas, fazer com que o governo que o povo reelegeu se conforme à posição de vassalagem. Mas se o povo elegeu, o povo é quem mais ordena, já dizia a canção. Então, que não esqueçamos o caminho das ruas! A Adufmat certamente não irá esquecer e estará ombro a ombro com o conjunto da nossa classe para fazer valer a vontade popular e sua necessária soberania.

Viva a classe trabalhadora!
Por soberania e direitos sociais, é povo na rua e nas redes!
Venceremos!

 


Cuiabá, 27 de outubro de 2026
Diretoria Colegiada da Adufmat-Ssind: “Adufmat é pra lutar!” (2025-2027)

Sexta, 23 Outubro 2026 10:11

 

Atualizada às 14h50 de 27/10/26 para alteração do horário de funcionamento na subsede de Sinop*

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) informa à categoria que, em razão da suspensão das atividades da UFMT, por decisão do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), nos dias 23, 26 e 28/10, haverá alterações no funcionamento das sedes da entidade.

Nesta sexta-feira, 23/10, o expediente na sede de Cuiabá será mantido até as 11h30, para encaminhamento das questões relacionadas à mobilização prevista para o período da tarde e para a retirada de ingressos do Baile da Adufmat-Ssind.


Na segunda-feira, 26/10, e na quarta-feira, 28/10, não haverá expediente na sede, em Cuiabá, e na subsede do Araguaia. Na subsede de Sinop haverá expediente normal. 

Na quinta e sexta-feira, dias 29 e 30/10, o expediente será normal, das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.   


A Adufmat-Ssind agradece a compreensão de todos e todas.

Sexta, 23 Outubro 2026 10:07

 

O ANDES-SN esteve presente, ao lado do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) — do qual o Sindicato Nacional é entidade filiada — e de diversas organizações da sociedade civil, em uma manifestação realizada na tarde de segunda-feira (19) em frente à sede da multinacional Meta, no bairro Itaim Bibi, na zona sul de São Paulo (SP).

 

Foto: Sergio Borelli

 

O protesto reuniu cerca de 500 manifestantes sob o slogan “Meta, não se meta na nossa eleição”. A mobilização denunciou o uso do poder econômico, técnico e tecnológico da gigante das redes sociais — proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp — para manipular o debate público e favorecer candidaturas da extrema direita, prejudicando de forma direta o alcance da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de diversas entidades populares. Para o Sindicato Nacional, a defesa da integridade democrática e da soberania nacional está diretamente atrelada ao pleno direito à comunicação e ao enfrentamento da manipulação promovida pelas grandes corporações de tecnologia.

 

“A presença do ANDES-SN nessa mobilização é coerente com a luta que o Sindicato Nacional vem desenvolvendo em defesa da soberania digital, da autonomia universitária e da educação, da ciência e da tecnologia públicas. O poder das grandes empresas de tecnologia ultrapassa o controle das plataformas de comunicação: envolve a apropriação e o processamento de dados, o domínio das infraestruturas digitais e a capacidade de interferir na circulação de informações e no debate público. Quando esse poder alcança os processos eleitorais, está em jogo também a soberania política do país e o direito da população de decidir democraticamente seus rumos”, afirma Regina Célia da Silva, 2ª vice-presidenta da Regional São Paulo, que esteve na manifestação.

 

A docente destaca que essa disputa tem implicações diretas para as universidades públicas. Segundo Regina, que também é da coordenação do Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia do ANDES-SN (GTC&T), a produção científica e tecnológica brasileira depende cada vez mais de plataformas, serviços de nuvem e sistemas controlados por corporações estrangeiras. “O acesso, o armazenamento e o processamento de dados produzidos nas instituições públicas não podem ficar subordinados aos interesses privados de grandes empresas transnacionais. Defender a soberania digital significa fortalecer a capacidade tecnológica nacional, as infraestruturas públicas, o software livre e as redes públicas de dados e repositórios, assegurando autonomia científica e universitária”, alerta.

 

Foto: Arquivo Pessoal

 

A coordenadora do GTC&T lembra que o ANDES-SN vem discutindo criticamente esse modelo de desenvolvimento, seus impactos socioambientais e a dependência tecnológica que aprofunda a posição subordinada do Brasil na divisão internacional do trabalho. Em defesa da soberania, o Sindicato Nacional também tem questionado as políticas de incentivo a essas infraestruturas quando não estão subordinadas ao interesse público, à proteção ambiental e ao desenvolvimento de capacidades tecnológicas próprias.

 

“Por isso, a participação do ANDES-SN no ato contra a Meta não constitui uma pauta isolada: expressa o compromisso do movimento docente com a luta antimperialista, a defesa da democracia e a construção de um projeto de país soberano. É necessário enfrentar a concentração de poder das big techs, proteger os dados e os direitos da população e fortalecer uma política pública de ciência e tecnologia orientada pelas necessidades sociais, e não pela acumulação de lucros das grandes corporações”, conclui.

 

A atividade foi articulada por diversas entidades como CTRL+Z, DiraCom, Artigo 19 e Sleeping Giants Brasil, contando também com a participação da União Nacional dos Estudantes (UNE) e de outros movimentos sociais e populares. Durante o ato, manifestantes exigiram o fim imediato dos banimentos e suspensões arbitrárias de contas, transparência total sobre o funcionamento dos algoritmos e reparação pelos prejuízos causados na reta final do segundo turno.

 

Demonstrando o controle exercido sobre o debate público, ativistas denunciaram ainda que a própria Meta dificultou a busca pela hashtag oficial do ato (#MetaNãoSeMeta) em suas ferramentas ao longo do dia da manifestação. Em nota enviada à imprensa, a corporação negou favorecimento político e afirmou que suas regras e algoritmos seriam aplicados de forma isonômica a todos os usuários.

 

“O que ocorre hoje nas eleições brasileiras expõe ao mundo inteiro a centralidade do enfrentamento à concentração econômica e de poder em torno das plataformas digitais. Muito longe de serem espaços neutros, na verdade, esses são agentes que funcionam a serviço do imperialismo, que fazem parte do projeto imperialista e que têm utilizado novas formas de manipulação social, como a censura, a criação de bolhas, para impedir que o debate público aconteça de uma maneira mais transparente”, avalia Helena Martins, 2ª secretária da Regional Nordeste 1 do Sindicato Nacional e do Grupo de Trabalho de Comunicação e Arte (GTCA).

 

ONU cobra Meta por interferência na eleição

As diversas denúncias da sociedade civil em relação à interferência da Meta nas eleições brasileiras tiveram forte repercussão e respaldo internacional. Em comunicado oficial divulgado nessa quarta-feira (21), um grupo de especialistas independentes da Organização das Nações Unidas (ONU) cobrou formalmente a Meta pela imposição de restrições desproporcionais e injustificadas contra a expressão política legítima no Brasil durante o período eleitoral.

 

O documento foi assinado por relatores especiais do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que manifestaram profunda preocupação com relatórios de monitoramento que comprovam a suspensão de contas, redução drástica de alcance e limitações de compartilhamento impostas a jornalistas, defensores de direitos humanos, lideranças sociais e perfis vinculados à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Ressaltaram, ainda, que algoritmos e sistemas de moderação privatizados não podem atuar como "árbitros invisíveis" da discussão política nacional, sublinhando que reparações tardias tomadas durante o período eleitoral provocam danos irreversíveis à democracia.

 

Para Helena Martins, o fato de a ONU manifestar preocupação com a atuação das plataformas no Brasil durante o período eleitoral é algo inédito e sinaliza o quão grave é a situação. “Em outros momentos históricos, como no caso do Brexit ou das eleições dos Estados Unidos de 2016, demorou-se muito tempo para se confirmar a atuação manipuladora das plataformas digitais, a utilização de dados de forma criminosa e outras práticas nocivas ao debate público e à própria democracia. Agora, o que a gente está vivendo realmente é uma explicitação dessa utilização, o que na verdade pode ser interpretado como uma expressão do grau da disputa imperialista no tempo presente”, avalia a diretora do ANDES-SN.

 

Fonte: Andes-SN 

Sexta, 23 Outubro 2026 10:06

 

 

O ANDES-SN divulgou, esta semana, a carta pública “Cientistas brasileiros se manifestam em defesa da democracia e do futuro do Brasil”, que reúne pesquisadoras e pesquisadores, docentes, estudantes, técnicas e técnicos em defesa da democracia, da soberania nacional e do sistema público de educação, ciência e tecnologia. A iniciativa ocorre na semana decisiva do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.


Por meio da Circular nº 429/2026, o Sindicato Nacional orienta que as seções sindicais assinem a carta, ampliem a sua divulgação e convoquem a categoria a subscrever o documento, que foi construído por entidades representativas da educação e da ciência no Brasil, entre elas o ANDES-SN.


“Defendemos a Constituição de 1988: o pacto que assegura eleições livres, imprensa sem censura, autonomia universitária, direito de greve, educação, Sistema Único de Saúde e limites ao poder de quem governa. Nenhuma dessas conquistas caiu do céu — cada uma tem uma história, resulta de lutas concretas e foi construída com mobilização e resistência. Por isso nenhum grupo, partido ou família é dono da nação, nem pode monopolizar valores como pátria, família, liberdade e fé, que pertencem a milhões de brasileiros honestos e trabalhadores”, diz um trecho da carta. 


O texto também alerta para os riscos do autoritarismo e critica ataques às universidades, à produção científica e às instituições democráticas. As signatárias e os signatários relembram episódios ocorridos na gestão de Jair Bolsonaro (2019-2022), como a desqualificação de dados científicos sobre o desmatamento, a promoção de tratamentos sem eficácia comprovada durante a pandemia de Covid-19, os cortes e bloqueios de recursos para a educação e a ciência e os ataques à credibilidade das urnas eletrônicas. O documento menciona, ainda, os atos de 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes foram invadidas e depredadas.


A defesa da democracia, segundo a carta, está diretamente relacionada à garantia de direitos, ao combate às desigualdades e à valorização dos serviços públicos. O texto destaca a importância da ciência e da tecnologia para o desenvolvimento nacional e para a construção da soberania brasileira. “Nosso compromisso permanece sendo com a democracia, com a população brasileira e com o futuro do país”, aponta o documento.


Leia e assine a carta pública:


Carta dos 10 mil

 

Fonte: Andes-SN 

Quinta, 22 Outubro 2026 17:05

 

 

A essa altura, já não há mais dúvidas de que o bolsonarismo é uma expressão do fascismo à brasileira no século XXI e, como tal, busca se impor pelo pânico moral, medo e intimidação.

 

Nesta quinta-feira, dia 22 de outubro de 2026, tomamos conhecimento de prints de um grupo de bolsonaristas que, frustrados com o esvaziamento do ato da extrema direita realizado na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) na última semana, e com o levante estudantil em defesa da democracia e contra a extrema-direita que tomou o Brasil, prometeram vir armados à Universidade para intimidar estudantes e professores, colocando a vida da comunidade acadêmica em risco.

 

Quando se naturaliza o fascismo, ele avança. Nós não iremos nos intimidar, não iremos naturalizar as ameaças e muito menos nos calar diante da escalada de violência autoritária que os fascistas propõem.

 

A Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind) sempre lutou pela democracia e pluralidade, desde a ditadura, e vai seguir cumprindo sua missão.

 

Tomaremos todas as medidas cabíveis para a responsabilização das pessoas envolvidas e clamamos à comunidade acadêmica que tomem as ruas amanhã, dia 23 de outubro, a partir das 16 horas na praça Ipiranga para nosso ato em defesa da educação e da democracia.

 

Façamos da intervenção popular o freio à ascensão do horror fascista nas urnas e nas ruas!

 

 

Mato Grosso, 22 de outubro de 2026
Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind)
Gestão Adufmat é pra Lutar!

Quarta, 21 Outubro 2026 12:27

 

 

Comunidade também convocou um ato público para a sexta-feira, 23/10, às 16h, na Praça Ipiranga, em Cuiabá

 

Estudantes, docentes e técnicos administrativos da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) se reuniram em assembleia geral unificada nesta terça-feira, 20/10, no ginásio de esportes da UFMT, para debater e encaminhar ações contra o avanço da extrema-direita, em defesa da democracia e da educação pública.

 

Durante o debate, dirigentes das entidades representativas das categorias falaram sobre a experiência do Governo Bolsonaro para a Educação e dos riscos de um eventual segundo mandato na mesma perspectiva.

 

Estavam presentes na mesa a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o Sindicato dos Trabalhadores Técnicos Administrativos em Educação da UFMT (Sintuf-MT), o Sindicato Nacional dos(as) Servidores(as) Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), a Associação de Pós-graduandos da UFMT (APG-UFMT) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFMT), além da União Estadual dos Estudantes (UEE) e da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet).

 

O diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, abriu a assembleia dando boas-vindas aos presentes. “Gostaria de saudar o conjunto de lutadoras e lutadores que, de forma aguerrida, generosa como o povo brasileiro, hoje se organiza para dar um recado enfático: não aceitaremos ataques à educação, não aceitaremos retrocesso, não aceitaremos ditadura e autoritarismo, e defenderemos, sim, a educação pública gratuita e de qualidade”, pontuou.

 

Os representantes discentes Rafael Ribeiro, coordenador-geral do DCE, e Layan Moura (UEE) lembraram dos ataques ideológicos às universidades, que ainda continuam ocorrendo por parte da extrema-direita, e que o Governo Bolsonaro foi marcado pelo desmonte da educação. “Nós devemos eleger quem investe na universidade pública, como o Lula”, disse Moura.

 

Somente no ensino superior, os cortes orçamentários realizados por Bolsonaro entre 2019 e 2022 chegaram a R$ 8 bilhões. Na Educação, em geral, entre cortes de recursos, contingenciamento e cancelamentos destinados ao Ministério da Educação (MEC), a redução ultrapassou R$ 113 bilhões. Além de dizer que seguirá com as políticas realizadas pelo pai, Flávio Bolsonaro propõe retirar as universidades do MEC e inseri-las no Ministério da Ciência e Tecnologia, o que inevitavelmente levará à redução do orçamento que, muito embora o Governo Lula tenha aumentado o aporte nos últimos quatro anos, ainda não voltou ao patamar de 2018 — já era considerado insuficiente.

 

A coordenadora-geral do Sintuf-MT, Marilin Castro, afirmou que a luta da educação federal, para além de derrotar o fascismo nas ruas, será para reavivar o papel social da universidade. “Nós temos que reacender o papel que essa universidade tem para acabar com o fascismo. A gente vai enterrar o fascismo nesse país. Fascismo aqui não se cria”.

 

Outras entidades que não fazem parte diretamente da comunidade universitária contribuíram com o debate, destacando, no mesmo sentido, que a tarefa da classe trabalhadora será educar a sociedade para que, nos próximos anos, a ideia de um projeto de sociedade que representa o autoritarismo e ataques aos direitos não consiga repercutir.

 

Ao final, foi aprovada uma moção de solidariedade a um estudante que está sendo ameaçado por bolsonaristas que entraram na universidade para retirar cartazes e a todos que sofram perseguição por parte da extrema-direita.

 

O encaminhamento aprovado na assembleia foi: para derrotar o fascismo, defender a educação pública e as liberdades democráticas, a educação federal de Mato Grosso vota Lula 13!

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

 

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