Quinta, 29 Outubro 2026 16:56

Comunidade acadêmica da UFMT avalia resultado das eleições 2026 Destaque

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Docentes, técnicos-administrativos e estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) avaliaram, na última terça-feira, 27/10, o resultado das eleições presidenciais. A partir de dados concretos, baseados nas propostas de Flávio Bolsonaro e na experiência do mandato de seu pai, Jair Bolsonaro, que retirou R$ 8 bilhões das Instituições de Ensino Superior e R$ 113 bilhões da pasta do Ministério da Educação ao longo de seu mandato, a comunidade aprovou apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva (saiba mais aqui).

 

O clima da reunião foi de alívio, no sentido de que os ideais de democracia e de humanidade prevaleceram, mas também de certeza de que muitos desafios ainda estão por vir. Isso se deve, em grande parte, ao fato de o orçamento destinado às instituições, prejudicado pela gestão de Bolsonaro, ainda não ter sido totalmente restabelecido.

 

“A mobilização deste ano mostrou que nós temos força para cobrar a consolidação das nossas conquistas, inclusive nas ruas. Isso porque nós teremos um parlamento muito conservador, que não está interessado em investir na universidade. Será difícil recompor o orçamento e até receber emendas parlamentares”, disse a pró-reitora de Assistência Estudantil, Liliane Capilé.

 

Para o diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, a universidade cumpriu sua tarefa de derrotar um projeto violento, financiado por interesses imperialistas. “As primeiras manifestações logo após o primeiro turno foram de universidades. Derrotamos lindamente o fascismo com a força das ruas, dizendo que a gente não aceita retrocesso. Essa angústia é real, nós vivíamos antes mesmo das eleições. Nós cumprimos nossa tarefa ao derrotar esse projeto violento, financiado pelo imperialismo, uma tarefa mundial, transcontinental. Esse é o papel da universidade, enquanto docentes, técnicos e estudantes nós devemos fazer essa disputa desde aqui, com os trabalhadores”, afirmou.

 

Santos ressaltou, ainda, que lutar pelo orçamento da universidade é o que vai definir seu futuro. “Após derrotar a besta fera num dos países mais importantes das américas, nós vamos lidar com as contradições desse Governo. Vamos disputar o orçamento, porque isso é disputar o futuro da universidade, a nossa estrutura de funcionamento. Nós não podemos ficar reféns de emendas parlamentares”, concluiu.

 

O representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Rafael Ribeiro, lembrou da importância das universidades para a história do país, citando nomes de estudantes que foram assassinados enquanto lutavam pela democracia durante momentos de intensa mobilização política, como a ditadura militar. Além disso, exaltou a organização popular que, dentre outras conquistas, conseguiu driblar as ações da empresa multinacional norte-americana Meta, que claramente tentou privilegiar a campanha da extrema-direita.

 

A coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação (Sintuf-MT), Marilin Castro, afirmou que a comunidade foi para a luta porque entendeu que a existência da universidade estava em perigo. “Foi um momento histórico. As universidades estavam nas ruas, porque era tudo ou nada, a eleição da extrema-direita poderia ser o fim da universidade, e a proporção da mobilização foi muito maior do que o esperado. As pessoas sentiram essa necessidade pelos ataques aos direitos, às mulheres, aos negros, aos indígenas e à população LGBTQIAPN+. E a sociedade tem que vir para dentro da universidade. Nos últimos anos a gente se fechou, e esse muro tem que cair, porque nós não formamos apenas profissionais, nós formamos cidadãos do mundo, então precisamos debater política, sim”.

 

Sobre a batalha das universidades públicas pela recomposição do orçamento, a Adufmat-Ssind realizará, ainda este ano, um debate com a contribuição de especialista convidado.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Ler 60 vezes Última modificação em Sexta, 30 Outubro 2026 08:29