Você consegue lembrar de quando tinha 16, 17 anos? Pode ser uma das fases mais decisivas na vida de uma pessoa. Nesta idade, os brasileiros que cumprem a trajetória escolar conforme determina o Estado estão concluindo a educação básica, mais especificamente o Ensino Médio. É um momento de escolha. O que fazer depois disso?
Apesar de a grade curricular ter passado por transformações no sentido de preparar esses jovens já para o mercado de trabalho, especialmente com o chamado “Novo Ensino Médio”, a escola pública ainda estimula a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), porta de entrada para o ensino superior, tanto público quanto privado – estes por meio de programas como Prouni e Fies. Ou seja, quem não consegue nota para entrar em algum curso oferecido por instituição pública, pode conseguir uma bolsa. As opções vão desde curso superior presencial até tecnólogo totalmente online, passando por modelos semipresenciais.
Mesmo assim, com todas essas “facilidades” e “incentivos” para cursar o ensino superior, a evasão escolar e a ociosidade das vagas ainda são grandes problemas a serem enfrentados. O governo brasileiro afirma que está havendo uma recuperação pós pandemia, mas os dados do próprio Censo da Educação Superior 2024 (veja aqui) ainda apontam evasão em torno de 40% nos cursos presenciais, e chegam a ultrapassar 60% nos modelos de Ensino à Distância (EaD).
A Adufmat-Ssind fez um levantamento desses dados em meados de 2024 e apontou as questões econômicas no centro da questão (leia a matéria aqui). Em 2026, a conclusão é a mesma: os filhos da classe trabalhadora precisam trabalhar, por isso têm dificuldade para continuar com os estudos. Eles entendem a importância de cursar o ensino superior, sabem que isso pode fazer diferença em suas vidas, mas não têm apoio em casa, porque a prioridade são as condições materiais.
Dessa vez, as informações foram obtidas por meio de entrevistas realizadas com estudantes de uma escola, localizada no Bairro Pedra 90, em Cuiabá. O diálogo foi presencial e devidamente autorizado e orientado pela coordenação e direção da escola. Como são menores de idade, os nomes dos entrevistados não serão citados.
As percepções, no entanto, reafirmam o diagnóstico de que não se trata de desvalorização do ensino superior, de desprestígio das universidades, mas de falta de condições concretas para seguir esta etapa de formação.
Foram entrevistados quatro estudantes. É um número pequeno, mas representativo diante da turma: uma sala de ensino em período integral, que concentra não mais do que 15 jovens. Diante desse número, o sindicato dialogou com quase 30% dos presentes, uma amostra considerável. Os quatro foram os únicos que se colocaram à disposição para falar sobre o tema proposto: perspectivas para depois do ensino médio.
O fato de a turma ser tão pequena se mostrou indicativo precoce das respostas que obtivemos a partir das perguntas, realizadas individualmente. Os estudantes que ainda não trabalham têm perspectiva de começar a trabalhar ainda este ano – ou seja, durante o último ano do ensino básico. Todos responderam que não têm incentivo necessário em casa para seguir com os estudos. Um dos entrevistados disse que os pais consideram uma “perda de tempo” estudar, enquanto ele poderia estar trabalhando.
Outro justificou “não que eles não me apoiem, mas não apoiam tanto quanto eu preciso [...] dizem para eu focar primeiro em trabalhar, depois, mais para a frente, pensar no curso”, compartilhou.
Nenhum dos entrevistados tem pai ou mãe graduados, apenas um deles disse que a irmã está cursando o ensino superior numa universidade pública. Diferentemente dos colegas, ele foi o único que já pisou na Universidade Federal de Mato Grosso, e disse ter gostado do que viu.
Sobre os olhares para as instituições públicas e privadas de ensino superior, todos acreditam que a qualidade de ensino na pública é igual ou superior, apenas um indicou uma possível desvantagem física das instituições públicas, de forma generalizada – mesmo que nunca tenha entrado numa universidade pública. Nenhum comentário que desqualifique moralmente a universidade pública. Pelo contrário, mesmo quando não souberam justificar o motivo, disseram que pretendem cursar a universidade pública porque é a melhor opção. Outro entrevistado disse que, entre faculdade particular e pública, pretende entrar na universidade federal porque isso depende de “mérito” e ele quer ter esse reconhecimento.
Revoga o Novo Ensino Médio

Em conjunto com o Movimento Estudantil e outros sindicatos, o Andes – Sindicato Nacional e suas seções sindicais realizaram eventos e mobilizações contra o Novo Ensino Médio - aprovado em 2017, reformado em 2022 e implementado integralmente em 2024. A crítica é justamente o perfil do curso, que passa a ser voltado aos interesses do mercado. Numa das imagens que a Adufmat-Ssind fez na escola aparece a tela “Makerspace profissão 4.0”, que é um espaço de aprendizado desenvolvido pelo governo em parceria com instituições interessadas na formação mais tecnológica dos estudantes.
Saem as disciplinas mais teóricas, reflexivas, cobradas no vestibular e exploradas nos cursos de ensino superior, e entram disciplinas mais voltadas ao improviso pela sobrevivência, como projetos e oficinas, que envolvem especialmente ideias de empreendedorismo e educação financeira.
Para os movimentos de trabalhadores organizados, o Novo Ensino Médio representa claramente um desmonte da educação e, consequentemente, o rebaixamento do futuro dos seus filhos.
A ideia é ensinar os estudantes a se adequarem a determinada realidade e sobreviver dentro dela. Mas eles ainda resistem.
Pode ser que o próprio perfil desses jovens, que ainda desejam fazer o curso superior, mude com o passar do tempo, estimulados pelo que impõe o Novo Ensino Médio e os pais. Resta aos movimentos sociais persistirem na luta, na expectativa de que esses e outros milhares de jovens consigam atravessar as barreiras que os cercam e, daqui a cinco anos, estejam onde afirmaram que pretendem estar: exercendo atividades nas áreas de Economia, Educação Física, Engenharia de Software, Engenharia Robótica, Medicina ou Direito.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
A Adufmat-Ssind informa que, devido ao recesso de carnaval, não haverá expediente na sede e subsedes do sindicato nos dias 16, 17 e 18/02. Retomaremos as atividades na quinta-feira, 19/02.
Adufmat-Ssind
O início de 2026 marca mais um capítulo dos ataques do governo de Mato Grosso aos direitos históricos do funcionalismo público estadual. Em meio à mobilização das servidoras e dos servidores públicos pela recomposição das perdas acumuladas da Revisão Geral Anual (RGA), o Executivo encaminhou à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) o Projeto de Lei Complementar (PLC) 01/2026, que pretende limitar a possibilidade de afastamento remunerado de servidoras e servidores públicos para o exercício de cargo de direção em sindicatos ou associações de classe.
Sob o discurso de “modernização” e “racionalização administrativa”, o PLC impõe limites à liberação remunerada de servidoras e servidores para o exercício de mandatos em sindicatos e entidades representativas. Para o movimento sindical, a proposta atinge diretamente a autonomia das organizações e a liberdade sindical.
A proposta altera dispositivos da Lei Complementar nº 04/1990 (Estatuto dos Servidores Públicos do Estado) e modifica o artigo 115, que assegura o direito à licença para o desempenho de mandato em confederações, federações, sindicatos e associações de classe.
Entre as mudanças está a inclusão do parágrafo 3º, que veda a concessão de licença remunerada após uma reeleição consecutiva. Na prática, dirigentes que cumprirem dois mandatos consecutivos passam a ser obrigados a “conciliar” a atividade sindical com as atribuições do cargo efetivo, sem afastamento do trabalho.
Além disso, mesmo que a servidora e o servidor sejam eleitos ou reeleitos para continuar na direção do sindicato ou de uma associação, não poderão mais se afastar do trabalho para exercer o mandato. O projeto prevê apenas a possibilidade de “flexibilização de horário” para participação em assembleias, reuniões ou atos, condicionada à autorização da chefia imediata.
Para as entidades, ao restringir o afastamento e dificultar a dedicação integral à atividade sindical, o PLC compromete o funcionamento dos sindicatos e enfraquece a capacidade de mobilização coletiva, interferindo no direito constitucional à livre organização sindical. A avaliação é de que a medida incide justamente em um momento de intensificação das lutas pela garantia de direitos.
Contexto de mobilizações
A proposta não surge de forma isolada. No início do ano, servidoras e servidores lotaram as galerias da ALMT durante a votação da RGA, reivindicando o pagamento de 19,52% de perdas salariais não quitadas pelo governo, parte de um passivo acumulado ao longo dos anos.
Atualmente, as perdas salariais somam 18,38%. Soma-se a esse cenário o escândalo envolvendo descontos em folha referentes a empréstimos consignados, denunciado por sindicatos, que apontaram irregularidades, cobranças abusivas e falta de transparência nos contratos firmados com instituições financeiras.
Audiência Pública
A tramitação do PLC 01/2026 motivou a realização de uma audiência pública na ALMT, na terça-feira (10). O encontro reuniu dirigentes de mais de 50 sindicatos, federações e associações de servidoras e servidores estaduais e municipais. O projeto foi duramente criticado por representantes das entidades e por parlamentares presentes.
O tesoureiro-geral da Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat – Seção Sindical do ANDES-SN), Domingos Sávio Garcia, avaliou que o PLC surge em um contexto de mobilizações recentes. “Esse projeto chega num momento em que os sindicatos mostram força. Quando os sindicatos se fortalecem, o governo busca alterar regras que impactam a organização coletiva”, afirmou.
Na mesma linha, a presidenta da Adunemat SSind., Luciene Neves, ressaltou que o PLC 01/2026 não pode ser tratado como um ajuste técnico na legislação. “O governo atinge o funcionalismo ao alterar regras que afetam diretamente sindicatos e associações que atuam na defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do serviço público em Mato Grosso”, destacou.
Representantes sindicais alertaram ainda para os possíveis impactos da proposta no âmbito municipal. Em diversos municípios, a legislação local reproduz dispositivos do Estatuto dos Servidores do Estado, o que pode levar à aplicação indireta das mesmas restrições.
Tramitação e mobilização
Ao final da audiência pública, as entidades deliberaram intensificar a mobilização e acompanhar de perto a tramitação do PLC na assembleia, pressionando pela retirada do projeto da pauta. Parlamentares indicaram que, caso a proposta não seja retirada, será disputada a apresentação de emendas ou de um substitutivo integral para descaracterizar os pontos mais nocivos ao direito de organização sindical.
O PLC 01/2026 já recebeu parecer favorável da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da ALMT, sob relatoria do deputado Dilmar Dal Bosco (União), e está apto para votação em plenário. Para ser aprovado, necessita do voto favorável de, no mínimo, 13 das e dos 24 deputados estaduais.
Fonte: Adunemat SSind. (com edição e acréscimo de informações do ANDES-SN)
Governo federal suspende edital de drenagem, mas mobilização cobra revogação de decreto
Representantes de povos indígenas do Baixo Tapajós e de movimentos sociais mantêm a ocupação da área da Cargill no porto de Santarém (PA), iniciada em 22 de janeiro. Após muita pressão da mobilização, inclusive com o fechamento do aeroporto de Santarém (PA) no último dia 4, o governo federal suspendeu o Pregão Eletrônico nº 90515/2025, cujo objeto é a contratação de empresa especializada para a execução do Plano Anual de Dragagem de Manutenção Aquaviária (PADMA) na Hidrovia do Rio Tapajós, sob responsabilidade do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
Foto: Cita / @vittiin_silva2006
Em nota publicada na sexta-feira (6), o governo informou que irá instituir um Grupo de Trabalho Interministerial, com a participação de órgãos e entidades da administração pública federal, bem como de representantes indicados pelos povos indígenas da região do Rio Tapajós com a finalidade de discutir, sistematizar e orientar os processos de consulta livre, prévia e informada; e apresentar, em diálogo com os povos indígenas, o cronograma dos processos de consulta livre, prévia e informada referente à Concessão da Hidrovia do Tapajós. Também já foram realizadas reuniões entre representantes do Executivo Federal e dos povos indígenas.
Porém, as e os manifestantes permanecem ocupando a área e comunicaram que só encerrarão a ocupação após a publicação, em diário oficial, da revogação do Decreto nº 12.600/2025, que incluiu trechos hidroviários no rio Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND) e pretende transformar o rio em um canal industrial para o agronegócio. Segundo o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), além da revogação, o grupo também pede a anulação do pregão e a publicação dos atos no Diário Oficial.
No domingo (8), foi realizada uma caminhada na orla de Santarém, reunindo o movimento indígena e diversos movimentos sociais comprometidos com a defesa da vida e do território. “Seguimos nas ruas e na orla de Santarém porque o rio não é mercadoria, é ser vivo, é ancestralidade, é existência. Contra a dragagem e contra os decretos que ameaçam nossos territórios, seguimos firmes, com coragem e coletividade. Defender o Tapajós é defender a vida”, afirmou o Cita em suas redes sociais.
Foto: Cita / @kamsampaio
Nesta segunda-feira (9), 19º dia de ocupação do porto da Cargill, manifestantes foram à Câmara Municipal de Santarém para protocolar o pedido de impeachment do vereador Malaquias Mottin (PL). Na última quinta-feira (5), o vereador avançou com seu automóvel contra indígenas que estavam na barreira de contenção da ocupação. “Não aceitaremos violência, intimidação ou criminalização da luta indígena. Quem ataca o nosso povo não pode nos representar. Nossa presença é resistência. Nossa luta é pela vida, pelo Rio Tapajós e pelo respeito aos povos indígenas”, afirmou o Cita.
Fonte: Andes-SN (com informações do Cita e Tapajós de Fato)
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
Priscilla Alyne Sumaio**
“Os direitos individuais e coletivos dos povos indígenas são inegociáveis. Nem hoje e nem nunca.” (GUTERRES, António. Secretário-Geral da ONU, discurso de abertura da 24ª Sessão do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas, 18 abr. 2023).
Em homenagem e lembrança do assassinato do líder indígena guarani Sepé Tiarajú, ocorrido em 1756 na região das antigas Missões, no atual estado do Rio Grande do Sul, foi instituído, por meio da Lei Federal nº 11.696, de 2 de junho de 2008, o Dia Nacional de Luta dos Povos Indígenas, celebrado em 7 de fevereiro. Trata-se de uma data que simboliza resistência, memória e a denúncia histórica das violências sofridas pelos povos originários no Brasil.
A luta dos povos indígenas no Brasil, ao longo de mais de 525 anos desde a chegada dos colonizadores, tem sido marcada por um processo contínuo de expropriação territorial, violência sistemática e extermínio de diversos povos originários. Esse processo envolve a invasão e grilagem de terras, a destruição de territórios, a contaminação de rios por mercúrio e a perseguição de lideranças indígenas, podendo ser compreendido como um genocídio contínuo, que se manifesta em dimensões físicas, culturais e simbólicas.
Segundo registros históricos, estima-se que, à época da chegada dos colonizadores europeus, a população indígena no território brasileiro era de aproximadamente cinco milhões de pessoas. Atualmente, esse número é de cerca de 1,7 milhão. Esses dados evidenciam a magnitude do impacto demográfico, social e cultural da colonização, bem como das políticas de extermínio e assimilação forçada implementadas ao longo da história.
Embora a chamada “questão indígena” esteja presente em diferentes Constituições e legislações nacionais, a atuação dos governantes e dos poderes públicos, com raras exceções, tem sido marcada por práticas autoritárias, desrespeitosas ou por políticas assistencialistas e paternalistas. Tais práticas negam aos povos indígenas o reconhecimento de sua autonomia, de seu protagonismo político e de seu direito à autodeterminação.
Adicionalmente, a ideologia dominante amplamente disseminada, inclusive pelos meios de comunicação, contribuiu para a construção de estereótipos que retratam os povos indígenas como preguiçosos, privilegiados ou como entraves ao progresso nacional. Essas representações desumanizantes ignoram as formas próprias de organização social, os sistemas de conhecimento tradicionais e a relação sustentável que os povos indígenas mantêm com seus territórios ancestrais.
A partir da década de 1960, com a expansão das fronteiras agrícolas e a ocupação intensiva das regiões Centro-Oeste e Norte do país — especialmente após a transferência da capital federal para Brasília e a abertura de grandes rodovias — os conflitos fundiários envolvendo povos indígenas passaram a ocorrer de forma sistemática. Grandes projetos econômicos, latifúndios financiados pelo Estado, bem como o avanço do garimpo, da exploração madeireira e da grilagem de terras, aprofundaram esse cenário de violência estrutural.
Outro elemento central desses conflitos foi a titulação de terras classificadas como “devolutas”, desconsiderando a presença histórica de povos indígenas nesses territórios. Essa prática resultou em expulsões forçadas, assassinatos, destruição cultural e inúmeras violações de direitos humanos.
Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, especialmente por meio do artigo 231, foram reconhecidos aos povos indígenas seus direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, bem como o direito à preservação de suas línguas, culturas, crenças e formas de organização social. Esses direitos são anteriores à própria formação do Estado brasileiro e, portanto, devem ser plenamente respeitados.
Apesar desse avanço constitucional, surgiram ataques recentes aos direitos indígenas, como a tese do Marco Temporal, posteriormente convertida na Lei nº 14.701, de 20 de outubro de 2023. Essa tese desconsidera expulsões, massacres e deslocamentos forçados ocorridos antes de 1988, aprofundando a insegurança jurídica nos territórios indígenas.
A luta dos povos indígenas constitui, portanto, uma luta pela vida, pela memória, pela diversidade cultural e pela justiça histórica. Defender os direitos indígenas é, simultaneamente, defender o meio ambiente, a democracia e o futuro do Brasil.
SOBRE OS AUTORES
*Juacy da Silva – Professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista e articulador da Pastoral da Ecologia Integral da Região Centro-Oeste.
**Priscilla Alyne Sumaio – Professora doutora em Linguística, docente da Universidade Federal de Goiás (UFG), com atuação nas áreas de Libras, Línguas Indígenas de Sinais e Ensino. Pesquisadora no campo das línguas indígenas de sinais, com trabalhos voltados à documentação, descrição e valorização das línguas e culturas de povos indígenas surdos. Atua na formação de professores, na defesa dos direitos linguísticos e na promoção de uma educação intercultural.
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Por Danilo de Souza*
Chegamos, assim, à sexta revolução energética dos Sapiens: o domínio da eletricidade. Diferentemente das revoluções anteriores, a eletricidade não se estabelece como uma fonte primária de energia, mas como uma forma singular de representar, converter e transportar energia. O papel histórico da eletricidade foi atuar como intermediária altamente eficiente entre diferentes fontes primárias e seus usos finais, reorganizando profundamente a forma como a energia é produzida, distribuída e utilizada.
Até o domínio dos estoques, a humanidade já dispunha de meios para produzir luz, calor e movimento. O domínio da eletricidade consolidou-se como um desenvolvimento em camada técnica superior, capaz de tornar essas conversões mais flexíveis, controláveis e eficientes. Em si mesma, a eletricidade não tem utilidade direta: precisa ser convertida em luz, calor, torque ou sinal. Seu valor está justamente na capacidade de se transformar em quase qualquer forma de energia útil.
É nesse ponto que a eletricidade se consolida como uma revolução no transporte da energia, ao permitir desacoplar, de forma técnica e operacional, o local de geração do local de consumo. O carvão no subsolo, o petróleo em campos distantes, a água em bacias remotas e os ventos em regiões pouco habitadas podem ser convertidos em eletricidade nos seus “berços”, enquanto a carga se concentra predominantemente nas cidades, nas fábricas e nas residências. A eletricidade conecta esses dois mundos por meio de condutores, transportando energia sem transporte macroscópico de matéria, o que produz consequências estruturais profundas: desloca a “sujeira”, afastando fumaça, ruído e resíduos associados à geração do ponto de uso final; desloca o risco, retirando processos industriais dos centros das cidades ou dos ambientes domésticos; e transfere parte relevante do impacto ambiental do local de consumo para o local de geração, que pode estar distante e tecnicamente mais controlado.
A eletricidade também apresenta uma característica singular entre as mercadorias energéticas: em condições normais, precisa ser produzida e consumida quase simultaneamente. Embora o armazenamento venha avançando, o sistema elétrico se organiza como um sistema de equilíbrio dinâmico. Geração, consumo, frequência e tensão precisam estar continuamente coordenadas.
Historicamente, os primeiros usos sistemáticos da eletricidade ocorreram no século XIX, inicialmente associados à telegrafia e à iluminação. A lâmpada incandescente, comercializada em larga escala a partir da década de 1880, transformou radicalmente a vida urbana. Ruas, fábricas e residências passaram a ser iluminadas de forma contínua, previsível e relativamente segura. A iluminação elétrica ampliou as horas produtivas do dia, reorganizou os turnos de trabalho e alterou os hábitos sociais. A noite deixou de ser um limite para a atividade humana.
Pouco depois, a eletricidade passou a desempenhar um papel central na produção de força motriz, transformando profundamente a organização industrial. Como ilustrado na Figura 1a) e na Figura 1b), nos arranjos baseados, respectivamente, em energia hidráulica (dependente dos fluxos naturais) e em máquinas a vapor (baixíssima eficiência na distribuição de força), a força mecânica era gerada de forma centralizada e distribuída fisicamente por eixos, correias e engrenagens ao longo das fábricas, o que implicava elevadas perdas por atrito, limitações espaciais, ruído intenso, vibrações e riscos significativos à segurança dos trabalhadores. A introdução dos motores elétricos, apresentada na Figura 1c), rompe com esse paradigma. A energia passa a ser transportada na forma elétrica por condutores, enquanto a conversão em força mecânica ocorre localmente, junto à carga. Cada máquina passa a dispor de seu próprio motor, acionado de forma independente, com controle preciso de velocidade e torque. A grande vantagem dessa transição não reside apenas no ganho de eficiência, mas também no fracionamento da força motriz e na eliminação dos complexos sistemas mecânicos de distribuição. Esse desacoplamento entre geração, transmissão e uso final da energia reduz perdas, amplia a flexibilidade operacional, permite a reorganização do layout das fábricas e eleva significativamente a produtividade industrial. Mais do que uma inovação técnica pontual, a eletrificação redefine o próprio conceito de organização produtiva, ao transformar a energia em um fluxo distribuído, modular e controlável, fundamento da moderna indústria eletromecanizada.

No transporte, a eletricidade também provocou rupturas significativas. Bondes elétricos, metrôs e trens eletrificados transformaram a mobilidade urbana a partir do final do século XIX e do início do século XX. Ao deslocar a geração para fora do espaço urbano, o transporte elétrico reduziu a poluição local, o ruído e os riscos associados à combustão direta. Mesmo quando alimentados por fontes fósseis, esses sistemas reorganizaram o espaço das cidades e viabilizaram a expansão metropolitana.
Outro aspecto central do domínio da eletricidade é o controle. A energia elétrica permite que o controle se torne mais barato. Sensores simples, circuitos elementares e dispositivos de proteção permitem medir, comparar, acionar e desligar sistemas com baixo custo adicional. Esse fator foi decisivo para a difusão da automação industrial e, posteriormente, para a automação doméstica. Quando o controle se torna acessível, a automação deixa de ser exceção e passa a ser regra.
Na indústria, esse controle viabilizou sistemas de comando, proteção e intertravamento, elevando os padrões de segurança e confiabilidade. No cotidiano doméstico, permitiu a substituição progressiva de usos térmicos baseados em chamas abertas por dispositivos elétricos automaticamente controlados. Não se trata apenas de conforto, mas de uma reorganização técnica do risco e da previsibilidade dos processos.
Essa capacidade de controle também é o elo entre a eletricidade e a computação. Chavear circuitos, comparar sinais, amplificar correntes e temporizar eventos são operações energéticas e informacionais simultâneas. A eletricidade tornou possível representar informação em forma física, o que permitiu o desenvolvimento de calculadoras, computadores e sistemas digitais. A partir desse momento, energia e informação passam a compartilhar a mesma infraestrutura material.
Do ponto de vista produtivo, a eletricidade também redefiniu a relação entre energia e tempo. Ao permitir iluminação mais eficiente e confiável, ela ampliou a disponibilidade de horas produtivas. Ao permitir força motriz fracionada, elevou a eficiência do trabalho. Ao permitir controle barato, reduziu desperdícios e falhas. Esses fatores combinados explicam por que o domínio da eletricidade está diretamente associado aos grandes ganhos de produtividade observados entre o final do século XIX e o século XX.
Outro elemento decisivo é a capacidade da eletricidade de integrar diferentes fontes de energia em um mesmo sistema. Uma vez eletrificados os usos finais, torna-se possível substituir as fontes de geração sem modificar profundamente os equipamentos consumidores. Essa característica confere à eletricidade um papel estratégico na reorganização das matrizes energéticas ao longo do tempo, permitindo incorporar fontes de baixo carbono e explorar potenciais energéticos distantes das cargas.
Como sexta revolução energética, o domínio da eletricidade não se define pela descoberta ou pelo desenvolvimento de uma nova fonte, mas pela construção de sistemas de conversão, transporte e controle da energia. A eletricidade possibilitou a reorganização do espaço, o deslocamento de impactos, redefiniu o tempo produtivo e transformou a energia em elemento estruturante da vida econômica e social.
A eletricidade consolida uma civilização na qual energia, técnica e organização passam a operar de forma integrada. Mais do que fornecer potência, ela fornece coordenação. Esse talvez seja seu legado mais profundo: transformar a energia em algo distribuído, controlável e articulado em rede, preparando o terreno para as revoluções tecnológicas que se seguiram.
OBS: Coluna publicada mensalmente na revista - "O Setor Elétrico".
*Danilo de Souza é professor na FAET/UFMT, pesquisador no NIEPE/FE/UFMT e no Instituto de Energia e Ambiente IEE/USP.
A invasão dos Estados Unidos à Venezuela, em 3 de janeiro deste ano, resultando na captura do então presidente Nicolás Maduro e de Cilia Flores, deu início a uma grave crise política e diplomática que vai além do petróleo. Nesse contexto, o professor venezuelano Luis Bonilla-Molina analisa, em entrevista à imprensa do ANDES-SN*, o papel estratégico da Venezuela na geopolítica internacional e os impactos da ofensiva dos EUA sobre a soberania nacional e regional, diante do avanço de novas potências globais. Parte da entrevista foi publicada na edição do InformANDES de fevereiro e a íntegra pode ser conferida abaixo.
Luis Bonilla-Molina em evento na sede do ANDES-SN, em Brasília (DF). Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN
InformANDES: Como a Venezuela se tornou um ponto estratégico central para os Estados Unidos na atual disputa entre grandes potências e na redefinição de zonas de influência na América Latina?
Luis Bonilla-Molina: A Venezuela ocupa uma posição geográfica estratégica do ponto de vista militar, com acesso ao Mar do Caribe e ao Oceano Atlântico, a poucos quilômetros do Canal do Panamá — que o conecta ao Pacífico —, o que a torna fundamental para as rotas comerciais e de transporte na região. Além disso, o país possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, abundância de ouro, presença de terras raras e outros minerais estratégicos para a inovação tecnológica, além de reservas significativas de água e biodiversidade.
Historicamente, os Estados Unidos invocaram a Doutrina Monroe e intervieram como mediadores quando o então presidente da Venezuela, Cipriano Castro (1899–1908), em 1902, decidiu ignorar a dívida externa do país, contraída com potências imperiais europeias — Alemanha, Inglaterra e Itália —, fato que gerou um bloqueio naval na costa venezuelana, semelhante ao aplicado hoje pela Marinha dos EUA.
Aplicando o princípio de “América para os americanos”, os Estados Unidos não apenas queriam impedir que a Europa se apoderasse de territórios na região, mas também garantir que Castro não escapasse impune, pois isso seria um mau precedente para a dominação que estavam construindo. Esse episódio abriu o capítulo da relação dependente e neocolonial da Venezuela com os Estados Unidos, algo que se tornaria ainda mais tenso quando Hugo Chávez [ex-presidente da Venezuela, 1999–2013] lançou sua proclamação anti-imperialista: “Yankees de mierda, váyanse al carajo” (tradução: “Ianques de merda, vão se ferrar”).
Ao longo do século XX, para controlar a indústria petrolífera, os Estados Unidos organizaram golpes de Estado e influenciaram a formação da democracia representativa que se desenvolveu após a revolução burguês-democrática de 1958.
Com a eclosão da crise estrutural venezuelana em 1983, que é a gênese da situação atual, ficou evidenciado o colapso do modelo de acumulação rentista, do sistema multiclassista de controle social e de suas instituições de intermediação, bem como dos instrumentos políticos de representação. Esses fatores, embora não tenham rompido com a dominação dos Estados Unidos na política e economia locais, convenceram o império de que o controle à distância não era mais suficiente e de que seria necessário migrar para um controle mais direto.
A chegada de Chávez ao poder sempre foi desconfortável para eles. Por isso, colaboraram com a tentativa de golpe de Estado em 2002, que fracassou graças à ampla mobilização popular. No entanto, a Venezuela nunca deixou de ser fornecedora de petróleo para o norte imperialista durante o período chavista.
Mas o início da redefinição da ordem mundial decorrente da Segunda Guerra Mundial, com o surgimento da China como potência econômica e da Rússia como bastião militar global, fez com que a Venezuela adquirisse uma importância incomum para o norte imperialista. Barack Obama [ex-presidente dos EUA, 2009–2017], em seu segundo mandato, declarou que a terra natal de Simón Bolívar era um perigo à segurança estratégica dos Estados Unidos, criando um precedente para que Trump implementasse sanções contra o país em seu primeiro mandato [2017-2021]. Isso evidenciou a convergência entre democratas e republicanos na reconfiguração do papel da Venezuela na geopolítica dos EUA, ainda que com diferenças nas formas.
Nesse contexto, chegamos ao bloqueio naval de 2025, com o desdobramento de navios militares e armamentos de última geração, que se intensificou em 3 de janeiro de 2026 com a intervenção militar no território venezuelano e o sequestro do presidente Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, evento que causou mais de 100 mortes.
InformANDES: Que mensagem política e simbólica os EUA buscam transmitir ao capturar um presidente em exercício e declarar que estão “no comando” de outro país?
LBM: O governo de Nicolás Maduro Moros havia iniciado, anos atrás, negociações com os Estados Unidos com a intenção de distensionar o conflito e aliviar as sanções. Essa tentativa tornou-se pública em 2021, mesmo ano em que a relação com a associação empresarial venezuelana Fedecámaras — que participou ativamente do golpe de Estado de 2002 — foi reconstruída e ampliada após a guerra na Ucrânia, o que permitiu que a Venezuela voltasse a ser um fornecedor confiável de petróleo para os EUA.
No entanto, a má gestão da indústria petrolífera e o impacto das sanções na aquisição de suprimentos e peças de reposição levaram a produção de petróleo venezuelana ao seu nível mais baixo em décadas. Os Estados Unidos queriam mais petróleo, mas isso implicava investimentos elevados, difíceis de realizar diante da crise econômica venezuelana e do receio das corporações transnacionais de investir em um país declarado ameaça à segurança dos EUA.
Delcy Rodríguez, presidenta interina da Venezuela, foi um fator decisivo na recomposição da relação com a velha burguesia, o que abriu espaço para um eventual acordo interburguês. Em 2024, o governo de Maduro vivia o melhor momento das relações com os Estados Unidos, a ponto de a então vice-presidenta Kamala Harris, na noite de 28 de julho daquele ano, ter sido excessivamente cautelosa diante dos resultados eleitorais venezuelanos, mesmo diante de questionamentos.
Então, por que essa mudança na política dos EUA? Por que passamos de uma crítica limitada ao discurso político para a maior ofensiva militar contra a América do Sul em sua história? Porque uma nova ordem mundial está emergindo e os Estados Unidos querem ser protagonistas centrais em sua construção, ampliando seu controle energético e reafirmando o “Hemisfério Ocidental” como área de influência exclusiva.
Sequestram Maduro para tentar dissolver a República e impor uma relação colonial com a Venezuela, facilitando a aplicação da Estratégia de Segurança Nacional e o relançamento da Doutrina Monroe sob o corolário Trump, que passa a tratar a região como seu quintal, estendendo as fronteiras imperiais a todo o continente. E, ainda, alcançar o controle direto das reservas de petróleo da Venezuela.
O ataque à Venezuela, o sequestro de Maduro e a tentativa de construir um protetorado no século XXI são apenas a ponta do iceberg do que pode vir para toda a região.
Nesse processo, desde agosto de 2025, foi implementada a maior operação de uso de tecnologia de ponta, voltada à coleta massiva de dados produzidos a partir das respostas da população do continente a ataques contra pequenas embarcações e a anúncios de escalada do conflito.
Essa coleta de dados permite, hoje, que os Estados Unidos possuam informações atualizadas, segmentadas e geograficamente direcionadas para planejar ações conforme a Estratégia de Segurança Nacional, identificando simpatias e focos de resistência.
Não é estranho que, duas semanas após o ataque à Venezuela e o sequestro de Maduro, os barcos que supostamente transportavam drogas tenham simplesmente desaparecido e nenhum outro ataque tenha ocorrido?
Os Estados Unidos farão o que quiserem, vão violar toda a ordem jurídica internacional e a soberania de qualquer país para manter sua hegemonia na nova ordem mundial.
InformANDES: De que forma o controle da Venezuela pode ampliar a influência dos EUA para além do petróleo, alcançando dimensões militares, diplomáticas e econômicas na região?
LBM: Os Estados Unidos levaram seu plano colonial para a Venezuela às últimas consequências. O que estamos vendo é uma transição controlada da condição de República para a de Colônia, um processo que pode incluir a instalação de bases militares estadunidenses no país, sob o pretexto de proteger a produção de petróleo.
Nos dias seguintes ao ataque militar à Venezuela e ao sequestro de Maduro e de sua esposa, os Estados Unidos declararam o confisco de cerca de 50 milhões de barris de petróleo e a intenção de vendê-los diretamente no mercado mundial. Os recursos seriam depositados em contas bancárias no Catar, para evitar ações de credores, e uma parte desses valores seria devolvida à Venezuela para que os dólares fossem leiloados por um banco privado, e não pelo Banco Central venezuelano, com o objetivo declarado de custear salários e infraestrutura.
Embora a presidenta interina Delcy Rodríguez afirme que o que está sendo retomado é a relação comercial histórica com os Estados Unidos, o que vem ocorrendo é preocupante. Há reformas aceleradas nas legislações comercial, de hidrocarbonetos e trabalhista, com o objetivo de criar condições para ampliar o investimento e a participação de transnacionais na exploração do petróleo, relegando a estatal venezuelana a um papel secundário.
Na verdade, Trump reuniu-se com gestores e proprietários das principais empresas petrolíferas transnacionais com o objetivo de criar um fundo de 100 bilhões de dólares para “recuperar” a infraestrutura petrolífera venezuelana e aumentar a produção de cerca de um milhão para mais de quatro milhões de barris diários. Esse esquema parece colocar a companhia petrolífera estatal venezuelana como coadjuvante na ofensiva petrolífera americana.
Isso é grave, pois busca legitimar o direito dos Estados Unidos de usar todo o seu poder para garantir o próprio bem-estar. Se, para isso, for necessário destruir repúblicas e transformá-las em colônias, dinamitar Estados-nação para criar protetorados, demonstrar superioridade militar e tecnológica, eliminar infraestruturas de defesa nacional ou assassinar soldados de países da região, isso acontecerá.
Trump parece afirmar que, para evitar esse destino, os países do chamado Hemisfério Ocidental devem abrir mão de sua riqueza e soberania, acostumar-se à desapropriação e se contentar com um esquema de retorno de lucros controlado, supervisionado e determinado pelo Norte imperial. O que está acontecendo na Venezuela ameaça todo o continente.
InformANDES: E quais os riscos essa ofensiva representa para países da América Latina que mantêm projetos políticos autônomos ou alianças fora do eixo de Washington?
LBM: Há tensões e contradições entre blocos capitalistas pelo controle do poder e pela acumulação mundial. Nessa dinâmica, surgem blocos como os BRICS**, nos quais a China, adversária comercial dos Estados Unidos, desempenha um papel de liderança.
A Estratégia de Segurança Nacional, publicada em novembro de 2025 pelo governo Trump, estabelece que toda a América Latina e o Caribe são sua zona de influência direta, parte do Hemisfério Ocidental que consideram o anel de segurança econômica, política e militar dos Estados Unidos. Consequentemente, esses blocos econômicos com a China tornam-se um alvo, seja para forçar os países da região a abandoná-los ou para que eles façam parte da estratégia estadunidense, tentando implodí-los internamente.
Nesse cenário, é esperado que a administração Trump busque intervir, aberta ou secretamente, nas próximas eleições de países como Brasil, Colômbia e México, ao mesmo tempo em que avança na recolonização econômica, como ocorre no Panamá, na Argentina e no Chile, ou na recolonização territorial, como nos casos de Cuba e Nicarágua.
A Venezuela é a vanguarda dessa estratégia de recolonização do Hemisfério Ocidental. É necessário encontrar formas de resistência. Isso ocorre em dois níveis: o institucional e o popular.
No institucional, os governos da região deveriam pactuar uma agenda mínima capaz de conter a ofensiva imperial. O problema é que a direita iliberal e protofascista já ocupa muitos desses governos. O outro é a mobilização popular continental para despertar e se conectar com o movimento social norte-americano para derrotar a ofensiva trumpista de recolonização. Esse caminho é mais viável e depende da capacidade de articulação entre movimentos sociais e partidos políticos não alinhados com a estratégia dos EUA. O desafio é seguir nessa direção.
InformANDES: E qual é o papel da esquerda venezuelana?
LBM: O centro da política revolucionária na região é de caráter anti-imperialista, não há dúvidas. Mas é necessário esclarecer que nem o governo Maduro nem o atual, liderado por Delcy Rodríguez, são revolucionários. Pelo contrário, Nicolás Maduro liquidou os avanços sociais conquistados durante a revolução liderada por Hugo Chávez. No entanto, não hesitamos nem por um segundo em denunciar seu sequestro e exigir sua liberdade, porque o destino do povo venezuelano deve ser decidido pelos venezuelanos, não por qualquer império.
A autêntica esquerda venezuelana está passando por uma situação muito séria. Todos os partidos de esquerda foram judicialmente intervencionados pelo governo Maduro. Atualmente, não existe na Venezuela um único partido de esquerda autônomo legalizado.
Mesmo assim, as forças da esquerda que não dependem da legalidade burguesa denunciaram o ataque imperialista e o sequestro de Maduro e defenderam a articulação de uma frente anti-imperialista internacional baseada nos interesses da classe trabalhadora.
Infelizmente, tanto os governos de Maduro e Delcy Rodríguez quanto setores da esquerda internacional seguiram o caminho de esconder a existência de uma oposição de esquerda na Venezuela, que carrega a tradição histórica da resistência anticapitalista.
O governo venezuelano bloqueia a construção de um amplo acordo nacional anti-imperialista porque isso implicaria reconhecer que há uma oposição de esquerda. Do meu ponto de vista, é urgente superar esse obstáculo por meio da construção de uma ampla frente anti-imperialista que coloque a defesa da soberania nacional em primeiro plano, sem silenciar as críticas às políticas antioperárias do madurismo, das quais integrantes do atual governo foram coautores.
Estamos comprometidos com essa tarefa de articulação ampla, especialmente a partir do chamado da plataforma global em solidariedade à Venezuela e ao anti-imperialismo, lançada em 17 de janeiro. Todos os caminhos levam à unidade na luta anti-imperialista.
*Entrevista realizada em 21 de janeiro. Eventuais mudanças na conjuntura política descrita podem ter ocorrido após essa data.
**BRICS: bloco formado por economias emergentes — Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, além de outros seis países — voltado à cooperação política, ao desenvolvimento econômico e à articulação do Sul Global.
Fonte: Andes-SN
A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições, torna público o presente Edital para a seleção de 1 (um/uma) Assistente de Subseção para atuar na Subsede Sinop da Adufmat-Ssind.
A vaga se destina a um(a) profissional que desempenhará suas atividades na Subdsede da Adufmat-Ssind, situada na cidade de Sinop (MT), em regime presencial de 40 horas semanais, períodos matutino e vespertino. A vaga será de ampla concorrência, com primazia para perfis de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+, quilombolas e/ou com deficiência. As provas e entrevistas serão realizadas na cidade de Sinop (MT).
1. DO CARGO E ATRIBUIÇÕES
Cargo: Assistente de Subseção
Modelo de Contrato: CLT
Carga Horária: 40 horas semanais
Horário do Expediente: 7h30 às 11h30; 13h30 às 17h30
Local de atuação: Subsede da Adufmat-Ssind em Sinop (MT)
Remuneração Inicial: R$ 2.651,90 + VT + VA
Atribuições:
● Organizar o seu local de trabalho, mantendo-o limpo e funcional;
● Recepcionar visitantes de toda e qualquer natureza e manter contatos de interesse do sindicato, realizando o seu acolhimento tanto nas atividades ordinárias como nos eventos;
● Redigir e distribuir correspondências;
● Digitar e reproduzir correspondências e outros documentos, dentre eles ofícios, informes, relatos de reuniões, de Assembleias Gerais ou de outros eventos de interesse do sindicato;
● Expedir correspondências;
● Receber, selecionar, ordenar, encaminhar e arquivar documentos;
● Preparar e secretariar reuniões e assembleias;
● Controlar entrada e saída de documentos, organizando o seu fluxo;
● Organizar e acompanhar o sistema de recebimento e divulgação das comunicações verbais e não verbais do Sindicato;
● Atender as demandas dos docentes durante reuniões, Assembleias Gerais e votações, atuando ainda na organização de encontros, congressos, colóquios, atos políticos, dentre outros;
● Organizar a agenda do Sindicato;
● Realizar tarefas de comunicação digital;
● Executar outras tarefas para atender necessidades do Sindicato e inerentes à sua função;
● Executar outras tarefas de mesma natureza e mesmo nível de dificuldade.
● Atendimento ao público em geral, seja ele presencial ou virtual.
2. REQUISITOS MÍNIMOS
● Ensino Médio completo;
● Conhecimento de informática;
● Conhecimento de aspectos técnicos de redação de correspondência oficial.
3. ETAPAS DO PROCESSO SELETIVO
3.1. Inscrições
● Período: 10/02/2026 a 19/02/2026;
● Por e-mail, com envio da ficha de inscrição e documentação exigida, para o email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.;
● Documentos necessários:
○ Ficha de Inscrição devidamente preenchida (baixe aqui);
○ Currículo atualizado;
○ Documento de identificação;
3.2. Homologação das Inscrições
Divulgação das candidaturas homologadas: 20/02/2026 (no site da Adufmat-Ssind)
3.3. Análise de currículo (Eliminatória)
Resultado: 23/02/2026 (no site da Adufmat-Ssind)
3.4. Prova prática e entrevista, por ordem de inscrição (Eliminatória e classificatória)
Data: 24/02/2026, manhã ou tarde.
● Prova Prática: Elaboração de comunicação formal para docentes com base em um tema fornecido.
● Entrevista
● Local: Subsede Sinop (Campus Sinop da UFMT)
3.5. Resultado Final
Divulgação: 25/02/2026, pelo site da Adufmat-Ssind (https://www.adufmat.org.br/)
4. DISPOSIÇÕES FINAIS
● A(o) candidata(o) aprovada(o) assumirá o cargo imediatamente após a conclusão do processo de admissão.
● A Adufmat-Ssind reserva-se o direito de, a seu critério, alterar o cronograma ou cancelar o processo seletivo, caso necessário.
● Dúvidas e informações adicionais podem ser esclarecidas através do e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
Durante a agenda do ministro da Educação, Camilo Santana, em Cuiabá, nesta quarta-feira, 04/02, a Adufmat - Seção Sindical do Andes Sindicato Nacional entregou uma carta, reiterando algumas das principais reivindicações da categoria docente em âmbito nacional e local.
O encontro ocorreu durante a inauguração simbólica do Centro Cultural que funcionará em frente à sede do sindicato, dentro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Entre as reivindicações nacionais estão o cumprimento integral do acordo de greve assinado em 2024 – com muitos pontos ainda em aberto, e a recomposição orçamentária real – também não efetivada, considerando os cortes sistemáticos dos últimos anos. A reivindicação local é o fortalecimento do modelo multicampi, para evitar o desmembramento do campus da UFMT Sinop.
“Para a UFMT, é de extrema importância o tema sobre a possibilidade de desmembramento do campus de Sinop. Nós entendemos que o processo, como ocorre hoje, com diálogos que passam ao largo da democracia universitária, da autonomia universitária, que não envolve o debate no seio da universidade, é muito danoso, porque é não é aquilo em que acreditamos como universidade. O que nós temos hoje é a possibilidade de emancipar um campus sem passar pelo diálogo, para atender a interesses de uma elite econômica local. Por isso, é fundamental que o MEC [Ministério da Educação] possa seguir neste processo para que, se houver qualquer discussão sobre o futuro da UFMT, que passe por toda a UFMT, e não seja exclusividade das elites locais do norte de Mato Grosso”, disse o diretor-geral do sindicato, Breno Santos.
Também foram entregues as manifestações dos povos indígenas que vivem em Mato Grosso sobre a possibilidade de desmembramento do campus, encaminhadas pela Assembleia Geral da Associação Terra Indígena Xingu – ATIX (disponível aqui) e Instituto Raoni (leia aqui). Os três documentos foram assinados por Santana como forma de registro de recebimento.
Leia, abaixo, a íntegra da Carta entregue pela Adufmat-Ssind:




Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Convoca reunião do Setor das Federais.
Companheiras(os),
A Coordenação do Setor das Federais convoca a categoria para reunião que ocorrerá nos dias 10 e 11 de abril de 2026, em Brasília (DF), na sede do ANDES-SN, com início às 9h do dia 10 de abril (sexta-feira) e previsão de término às 19h do dia 11 de abril (sábado). A pauta será enviada posteriormente, via circular.
As seções sindicais podem indicar inscrição das(os) representantes para a reunião do Setor das Federais até o dia 7 de abril de 2026 (terça-feira), por meio do formulário enviado para as secretarias.
As seções sindicais que desejarem enviar seus informes para constar no relatório da reunião do Setor das Federais deverão fazê-lo até o dia 8 de abril de 2026 (quarta-feira), por meio do formulário também enviado às secretarias.
Sem mais para o momento, renovamos nossas cordiais saudações sindicais e universitárias.
Prof. Herrmann Vinicius de Oliveira Muller
2º Secretário












