Quinta, 25 Junho 2026 17:06

 

A Adufmat-Ssind vem a público alertar, mais uma vez, sobre uma tentativa de fraude identificada nesta quinta-feira, 25/06, envolvendo supostas liberações de pagamentos judiciais. Criminosos estão utilizando documentos falsos e o nome da associação para tentar enganar os docentes, apresentando informações que buscam dar aparência de legitimidade ao crime.

Como funciona a fraude atual: A mensagem fraudulenta enviada a sindicalizados apresenta um "Ofício de Comunicação e Orientação Processual" referente aos índices de 3,17% e 28,86%. O documento falso cita nomes de advogados e solicita contato urgente via telefone, incluindo dados pessoais como o CPF da vítima para pressionar o docente a realizar procedimentos indevidos.

A Adufmat-Ssind reafirma com veemência:

  • O sindicato NUNCA realiza abordagens individuais por aplicativos de mensagens ou telefone para tratar de liberações de pagamentos, alvarás ou solicitar dados pessoais.
  • Toda e qualquer informação jurídica legítima é transmitida exclusivamente durante assembleias gerais, reuniões presenciais com a assessoria jurídica ou por meio do site oficial da entidade.
  • Os golpistas utilizam nomes de advogados reais, termos técnicos e logos da entidade para criar uma falsa sensação de urgência e veracidade.

O que fazer se você for alvo da tentativa de golpe:

  1. Não responda e não forneça dados: Jamais envie fotos de documentos, dados bancários ou realize pagamentos de supostas "taxas de cartório" ou custas processuais.
  2. Cuidado com áudios: Não envie mensagens de voz, pois estas podem ser manipuladas por criminosos usando Inteligência Artificial.
  3. Bloqueie e denuncie: Reporte o número de origem no próprio aplicativo de mensagens e informe imediatamente o sindicato sobre o ocorrido.
  4. Registre um Boletim de Ocorrência: A orientação da Assessoria Jurídica é que cada docente registre individualmente um BO, o que pode ser feito pela Delegacia Virtual (DEVIR).

Canais Oficiais de Contato: Na dúvida, ignore contatos suspeitos e utilize apenas os meios oficiais da Adufmat-Ssind para confirmar qualquer informação:

  • Site oficial: www.adufmat.org.br
  • E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
  • Telefones: (65) 99686-8732 e (65) 99696-9293



Imprensa Adufmat-Ssind

 

Quinta, 25 Junho 2026 14:52

 

Ocorreu entre os dias 19 e 21 de junho, na unidade Maracanã do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), o Seminário Memória, Verdade, Justiça e Reparação. Organizado pelo Grupo de Trabalho de História do Movimento Docente (GTHMD) e pela Comissão da Verdade do ANDES-SN, o evento reuniu docentes, pesquisadores, pesquisadoras e representantes de movimentos sociais para debater o enfrentamento ao golpismo, à violência de gênero, ao racismo estrutural e às violações de direitos humanos.

A mesa de abertura, realizada na manhã de sexta-feira (19), contou com representantes da diretoria do ANDES-SN, da Comissão da Verdade do Sindicato, da Associação de Docentes do Cefet-RJ (Adcefet-RJ SSind.) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

O tom inicial foi de solidariedade à comunidade do Cefet-RJ devido aos feminicídios de Allane de Souza Pedrotti Matos, diretora e coordenadora da equipe pedagógica, e Layse Costa Pinheiro, psicóloga da instituição. Ambas foram assassinadas, dentro do Cefet-RJ, por um colega de trabalho que não aceitava ser chefiado por mulheres, ocorridos em 2025.


Golpe, anistia e violência de gênero


Na sequência, a mesa 1 "Golpe é Crime: Sem perdão, nem anistia aos golpistas de 8 de janeiro" debateu a seletividade do sistema penal brasileiro. O historiador Marcelo Badaró analisou o peso da anistia de 1979, classificando-a como um acordo que garantiu a impunidade de torturadores e construiu uma narrativa de "benevolência" militar. O docente questionou ainda a pressão dos setores da extrema direita pela anistia das pessoas envolvidas na tentativa de golpe de 2023.

“Nós estamos com essa disposição, de ceder à chantagem e anistiar os golpistas de 8 de janeiro de 2023? O processo de apuração da tentativa de golpe colocou generais no banco dos réus e condenou à prisão alguns golpistas. Mas, o processo corre numa linha de repactuação, a partir dos movimentos do congresso inimigo do povo”, afirmou.

Fernanda Vieira, secretária-geral do ANDES-SN, complementou que a defesa da punição dos golpistas de 2023 não é um apoio ao punitivismo cego, mas um combate à seletividade da justiça, que historicamente encarcera corpos negros enquanto protege articuladores fascistas. “Precisamos combater a chantagem e a forma que o fascismo no Brasil tenta nos impor a legitimidade das ações violentas que marcaram o início de 2023”, acrescentou.

“O seminário foi extremamente importante por abordar temas atuais e urgentes, que demandam nossa atenção e mobilização permanente. Um dos destaques foi o debate sobre a dosimetria das penas relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro, especialmente diante da derrubada, pelo Congresso Nacional, do veto do presidente Lula às vésperas do Dia do Trabalhador. Trata-se de uma questão que suscita reflexões importantes sobre democracia, justiça e responsabilização”, avaliou Fernanda Mendonça, diretora do ANDES-SN e da coordenação do GTHMD.

A parte da tarde foi dedicada à Mesa 2, que discutiu o feminicídio, a misoginia e a ascensão da cultura "red pill", com a participação de Raquel Garcia, Camila Galleti e Tarcila Formiga.  Segundo Fernanda Mendonça, esse foi um tema central, devido à crescente violência contra as mulheres, que tem alcançado níveis alarmantes e se manifestado de forma cada vez mais brutal no cotidiano.



“Discutir essa temática no Cefet-RJ foi particularmente marcante e emocionante, considerando que a instituição foi palco de um dos episódios mais trágicos de violência contra as mulheres recentemente. Foi possível perceber que docentes, estudantes e servidores ainda se encontram profundamente abalados pelos acontecimentos. Nossa presença naquele espaço teve um significado político e simbólico importante, ao reafirmar que o enfrentamento à violência de gênero também é uma pauta do ANDES-SN e integra as lutas da categoria docente”, acrescentou.

Após o debate, foi realizado um ato em memória às vítimas de feminicídio no Cefet-RJ e às vítimas de chacinas estaduais. “O primeiro dia foi encerrado com um ato de grande relevância. Além de homenagearmos Layse e Allane, tivemos a oportunidade de nos dirigir à diretoria do Cefet-RJ para dialogar sobre os encaminhamentos institucionais relacionados ao caso. Contudo, fomos informados de que o diretor havia deixado o local ao tomar conhecimento de nossa intenção de procurá-lo, o que gerou indignação entre os e as participantes”, relatou a diretora do ANDES-SN.

Lutas camponesas, indígenas e antirracistas

O sábado (20) iniciou com a Mesa 3 “A luta dos movimentos por Memória, Verdade, Justiça e Reparação”. Em sua fala, Leonilde Servolo de Medeiros ressaltou que a democracia no campo permanece um desafio inacabado. A docente destacou que a repressão ao campesinato muitas vezes não passou por mecanismos formais, sendo o medo um fator que dificultou a preservação dessa memória. Leonilde criticou o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e questionou onde está, de fato, a redemocratização do país diante da permanência da violência estatal e do apoio a grandes empresas em territórios tradicionais.


Já a representante do grupo Rio Tortura Nunca Mais, Lívia Salgado, criticou a Lei de Anistia de 1979, por instituir uma "política de esquecimento" que não atendeu às demandas sociais. Lívia pontuou que, embora legislações posteriores tenham reconhecido mortes e desaparecimentos, os critérios eram restritivos e não contemplavam todas as vítimas. Salgado avaliou que, mesmo com os avanços da CNV impulsionados por condenações internacionais ao Brasil, a Comissão apresentou limitações, como o registro de apenas 434 vítimas e o não reconhecimento de testemunhas como vítimas de repressão.

Paulino Montejo, coordenador da Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), abordou a exclusão sistemática dos povos indígenas da categoria de vítimas políticas. Ele denunciou que, no relatório da CNV, os indígenas foram tratados apenas como mortos em decorrência da ditadura, e não como alvos diretos de perseguição política. O representante da Apib defendeu também a criação de uma Comissão Nacional da Verdade Indígena e relatou oficinas em territórios para resgatar memórias de violações que persistem com a expansão do agronegócio e do garimpo.

Ao concluir, Paulino mencionou ainda a criação de um fórum com mais de 60 instituições, incluindo o ANDES-SN. Nesse espaço, foram constituídos grupos de trabalho voltados à investigação de casos, à análise de aspectos jurídicos e à articulação com organismos internacionais. Segundo Montejo, existe respaldo internacional para o avanço dessa agenda.

A tarde de sábado foi dedicada ao painel “Racismo e violações continuadas”, que aprofundou a análise sobre como o racismo estrutura as instituições brasileiras. Foram discutidos temas como a violência policial, o encarceramento em massa e a importância de pautar a reparação histórica para a população negra como base para uma democracia real.


As reflexões sobre memória, verdade e reparação constituíram um dos eixos centrais da mesa. Os e as participantes defenderam que o reconhecimento da escravidão como crime contra a humanidade, posição já assumida por organismos internacionais, deve servir de base para a construção de políticas efetivas de reparação. Destacou-se que a abolição da escravidão não representou uma ruptura com as estruturas de desigualdade racial, mas apenas uma mudança formal das condições jurídicas da população negra. Por essa razão, a luta por reparação permanece atual e necessária.

Um dos expositores, Henrique Cunha Júnior apresentou uma profunda reflexão sobre a trajetória histórica das populações negras, sugerindo o uso desse termo em substituição ao conceito de raça para enfatizar a diversidade de experiências desse grupo. Em diálogo com a obra de Clóvis Moura, o docente caracterizou a escravização como um sistema criminoso, baseado na violência, e não apenas em relações econômicas. Cunha Júnior ressaltou o papel de instituições como os quilombos e as Irmandades do Rosário dos Homens Pretos na formação de intelectuais como Luiz Gama e na construção da autonomia negra. Ele criticou duramente o período pós-abolição pela ausência de políticas de reparação e pelo incentivo ao branqueamento populacional.

Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do ANDES-SN, analisou as formas contemporâneas do racismo estrutural, destacando como práticas institucionais produzem desigualdades e morte. Ela lembrou que a primeira vítima da Covid-19 no Brasil foi uma trabalhadora doméstica negra, simbolizando a subordinação histórica desse grupo. A diretora do Sindicato Nacional denunciou a lógica do modelo de segurança pública, que foca no controle social de periferias e populações negras, por meio de chacinas e encarceramento em massa, afirmando que a segurança não pode ser dissociada do debate sobre racismo e democracia.


“No segundo dia, as mesas deram visibilidade às múltiplas formas de violência historicamente praticadas contra populações camponesas, indígenas, negras e outros grupos socialmente vulnerabilizados. Os debates evidenciaram o quanto o país ainda avançou pouco nos processos de memória, verdade, reparação e justiça de transição, permanecendo importantes lacunas no reconhecimento das violações cometidas e na responsabilização dos seus autores”, avaliou Fernanda.

Lançamento do Caderno 30 “60 anos do Golpe”

Durante o sábado (20), houve também o lançamento do Caderno 30 do ANDES-SN “Memória, Verdade, Justiça e Reparação - 60 anos do Golpe”, apresentado pela representante da Comissão da Verdade do ANDES-SN, Maria Ceci Misoczky.

“Tivemos a satisfação de realizar o lançamento do caderno “60 Anos do Golpe Militar”, fruto das discussões e reflexões produzidas durante o I Seminário de Memória, Verdade, Justiça e Reparação, realizado em Porto Alegre, em 2024. A publicação representa uma importante contribuição para a preservação da memória histórica e para o fortalecimento das lutas em defesa da democracia”, contou a coordenadora do GTHMD.

Fortalecimento da memória docente e resoluções

O encerramento, no domingo (21), foi dedicado aos informes das seções sindicais e ao encaminhamento das resoluções do 44º Congresso do ANDES-SN. Diversas seções, compartilharam o andamento de seus projetos de preservação de arquivos e recuperação da memória institucional de perseguições durante a ditadura.

Entre os principais encaminhamentos aprovados estão a realização de um módulo de formação sindical sobre violência de Estado e luta antirracista no segundo semestre de 2026; a continuidade do projeto “Memória Viva”, com a produção de registros audiovisuais sobre os 45 anos do ANDES-SN; o apoio político à Comissão Nacional Indígena da Verdade; e o fortalecimento do Centro de Documentação (Cedoc) do ANDES-SN, com a criação de uma nova página institucional para facilitar o acesso público a documentos históricos.

Para Fernanda Mendonça, a presença de representantes de diferentes seções sindicais garantiu um bom resultado ao encontro. “O seminário contou com a participação de quase 20 seções sindicais, o que ampliou a diversidade de experiências compartilhadas e qualificou, significativamente, os debates realizados ao longo dos dois dias de atividades”, concluiu a diretora do ANDES-SN.

Fonte: Andes-SN
Fotos: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN

Quinta, 25 Junho 2026 11:30

 

 

A segunda rodada de negociação, deste ano, entre o Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Federais (Fonasefe) e o governo federal ocorrerá nesta quinta-feira (25), em Brasília (DF). A reunião foi confirmada dias após o Fonasefe cobrar, via ofício, urgência na convocação da Mesa Central da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP).

Às vésperas da mesa de negociação, o Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) enviou a pauta da reunião dividida em três pontos: Novas Tecnologias de Governo Digital (SGD); Entregas relacionadas às demandas da pauta da Mesa Central; e Demandas da pauta em estudo.

Para o Fonasefe, o governo precisa trazer respostas sobre a reserva de recursos para recomposição salarial, a serem implementada no primeiro semestre de 2027. Estes recursos precisam estar previstos na Lei Orçamentária para, de fato, serem efetivados. Além disso, o Fonasefe espera que o MGI avance na pauta geral de reivindicação dos servidores e das servidoras federais.

A pauta de reivindicação foi protocolada em janeiro deste ano (veja aqui), e a primeira rodada de negociação aconteceu no dia 26 de março.

Fonte: Fonasefe (com edição do ANDES-SN)

Terça, 23 Junho 2026 15:42

 

Caros(as) docentes,

Seguindo a prática nacional de redução da carga horária de atendimento em dias de jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de Futebol, informamos que, nesta quarta-feira, 24/06, a Adufmat-Ssind encerrará o expediente às 11h30.

O atendimento será retomado normalmente na quinta-feira, 25/06, nos horários habituais: das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.

Agradecemos a compreensão.

 

 

Adufmat-Ssind

Terça, 23 Junho 2026 14:37

 

O Ministério de Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI) agendou, para o dia 25 de junho, às 14h30, em Brasília (DF), a segunda rodada de negociação de 2026. A confirmação da reunião ocorreu três dias após o Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Públicos Federais (Fonasefe) entregar ofício ao secretário de Relações de Trabalho do MGI, José Lopez Feijóo, cobrando urgência na convocação da Mesa Central da Mesa Nacional de Negociação Permanente (MNNP).

Primeira Mesa Central do ano ocorreu no dia 26 de março (Foto: Thamires Barreto/ANDES-SN)


A pauta da reunião ainda não foi encaminhada pelo MGI, mas as entidades esperam respostas sobre a reserva de recursos para recomposição salarial, no primeiro semestre de 2027, e que precisam estar previstos na Lei Orçamentária para serem efetivados. As entidades que compõem o Fonasefe, entre as quais o ANDES-SN, esperam ainda que a reunião avance também na pauta geral de reivindicação dos servidores e das servidoras, protocolada em janeiro deste ano.

Confira a pauta de reivindicação completa aqui. 

 

Fonte: Fonasefe (com edição do ANDES-SN)

Segunda, 22 Junho 2026 11:10

 

A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes de Sinop e Araguaia:

 

Data: 26 de junho de 2026 (sexta-feira)

Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.

 

Pauta:


1. Informes;
2. Análise de conjuntura;
3. Campanha de sindicalização;
4. Comissão de Plano de Saúde;
5. Comissão para o Baile 2026 em Sinop;
6. Caderno de textos do 69º CONAD.

A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes dos campi de Sinop e Araguaia.

 

 

Cuiabá, 22 de junho de 2026

Gestão Adufmat é pra lutar!

Segunda, 22 Junho 2026 11:00

 

 

Como parte das celebrações dos 45 anos do ANDES-SN, resgatamos no mês de junho - que marca o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa (7/6) - a trajetória da comunicação do Sindicato Nacional, compreendida não apenas como suporte administrativo, mas como uma pauta política estratégica, uma ferramenta de luta e um direito fundamental. Desde o uso de mimeógrafos, na década de 1980, até os desafios impostos pela Inteligência Artificial (IA), a entidade consolidou uma comunicação contra-hegemônica, voltada para a disputa de consciência na sociedade e a defesa da educação pública.

Luiz Henrique Schuch, ex-presidente e ex-encarregado de Imprensa e Divulgação do ANDES-SN. Fotos: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN


A história do Informandes, jornal mensal da entidade, é um pilar central desse percurso, sendo resgatada na edição nº 23 da revista Universidade e Sociedade, que celebrou os 20 anos do ANDES-SN, como o principal registro da memória docente e das lutas da categoria. Lançado em 1981, o informativo nasceu junto com o próprio sindicato, para garantir a comunicação direta com as bases, evoluindo de boletins artesanais para um projeto gráfico moderno e de circulação nacional. 

O ex-presidente e ex-encarregado de Imprensa e Divulgação do ANDES-SN, Luiz Henrique Schuch, conta que a sua trajetória na Comunicação da entidade é marcada por um aprendizado rico. “Está na matriz da nossa organização, a ideia de comunicação em particular com a categoria, com interfaces com a comunicação com outros setores da sociedade e também em cada seção sindical e no ANDES Sindicato Nacional. Marcar, através dos instrumentos de comunicação, os grandes passos que estavam acontecendo. No início, foi um processo mais militante, que, inclusive, não envolvia jornalistas”, conta, com a voz embargada.

“Eu lembro de passar a noite num mimeógrafo (...) que tinha que botar um avental, porque ele saía todo cheio de tinta, para ter um boletim para sair o outro dia de manhã, distribuindo pelas unidades, conversando com os professores”, continua.

De acordo com o ex-diretor do Sindicato Nacional, houve, então, a compreensão de que era necessário trabalhar a comunicação de uma forma mais profissionalizada. Segundo ele, foi uma caminhada que as seções sindicais e o Sindicato Nacional percorreram, cada qual em seu próprio tempo, dada a importância de superar aquele momento de uma comunicação necessária, porém mais militante e artesanal, por uma organização mais profissionalizada do processo de comunicação. 


Comunicação como pauta de luta


A inserção do ANDES-SN no debate nacional sobre a democratização da comunicação remonta à Assembleia Nacional Constituinte (1987-1988), quando se percebeu que a disputa pela educação pública era indissociável da disputa pelos meios de comunicação. 

Conforme o docente, embora já houvesse a compreensão da importância da Comunicação no processo educacional, durante os debates na Constituinte sobre o conteúdo da Constituição apareceram alguns temas que mobilizaram muito o ANDES-SN naquele momento, além da educação e do serviço público. Um deles foi a questão do Sistema Único de Saúde (SUS), o outro a Comunicação. 

“Participamos muito no debate com nomes que, hoje, a gente coloca na história da construção do SUS no Brasil. Mas a questão da comunicação, em particular, teve um elemento a mais. A parte inicial da Constituinte, que foi a maior parte do tempo de trabalho, debate, oitivas, disputas, se deu através de subcomissões. As grandes temáticas foram organizadas em subcomissões. E a Educação ficou na mesma subcomissão que a Comunicação”, recorda.

Schuch relembra que, nessa subcomissão, a articulação de setores conservadores e das empresas de mídia, por exemplo da Rede Globo, barrou avanços propostos por figuras como Florestan Fernandes, que era deputado constituinte. “O nosso representante máximo nas interlocuções [com o relator deputado Artur da Távola] era o Florestan Fernandes, que era deputado constituinte na época. O relator produziu um relatório, vamos dizer, minimamente palatável. Mas não foi palatável suficiente para a bancada evangélica e para os representantes da Rede Globo”, lembra.

O ex-diretor do ANDES-SN afirma que foi um desfecho único e dramático na Constituinte, pois aquela foi a única comissão da Constituinte que não conseguiu produzir um relatório para oferecer à Comissão Geral de Relatoria da Constituinte. Esse episódio impulsionou o sindicato a inserir a democratização da comunicação em sua pauta permanente de lutas . 

“Um pouco nesse embalo nós entramos nos anos 90, já com a Constituição em vigor, muito pululantes em torno desse tema. O GTCA [Grupo de Trabalho de Comunicação e Arte] passou a ter força política dentro do ANDES-SN, e apontou para a necessidade de uma grande mexida no Sindicato em torno da comunicação. Eu assumi a presidência do sindicato, em 1994, exatamente nesse momento, quando já estava marcado o 1º Encontro Nacional de Comunicação do ANDES-SN, em Salvador”, conta.

De acordo com o docente, o encontro foi um evento amplo, que garantiu discussões muito aprofundadas. De lá, saíram dois eixos de disputa: a organização da comunicação do Sindicato Nacional e das seções sindicais e a luta pela democratização das comunicações, com a construção de um processo contra-hegemônico. Esse debate deu origem a diversas iniciativas, entre elas a percepção, que depois se materializa no Plano de Comunicação, da possibilidade do ANDES-SN atuar em rede, devido à sua capilaridade através das seções sindicais, com jornalistas em várias regiões do país. 

“Tem que pensar no ambiente em que nós estávamos naquele momento. Foi naquela gestão que apareceu, pela primeira vez, a possibilidade do ANDES-SN ter um aparelho celular para o seu presidente. E também, pela primeira vez, se conseguiu colocar os quatro computadores da sede do sindicato em rede, conectados com um computador externo. A questão da informática, das plataformas, estava praticamente na estaca zero. Nesse ambiente, percebemos que era preciso fazer alguma coisa”, relembra. 


Experiências ousadas e o choque com a mídia comercial


Nos anos 90, o sindicato viveu um período de experimentações intensas, incluindo anúncios em horário nobre na televisão. Schuch classifica essas tentativas como "meio ousadas", citando a campanha do "homem das cavernas" sobre o futuro da universidade, que a entidade veiculou na Rede Globo.

Segundo o ex-diretor, o custo era altíssimo e a eficácia era frequentemente neutralizada pelos apresentadores. “Uma cara feia do âncora do próprio jornal, logo depois dos nossos 30 segundos, desmoralizava ou neutralizava pelo menos uma boa parte da nossa mensagem. Daí para frente, passou-se a repensar muito essa ideia de ‘vamos fazer uma campanha de mídia’. Porque quem está na outra perspectiva de comunicação têm muito recurso e instrumentos para neutralizar a eventual movimentação positiva de um material nosso”, avalia. 

Outro projeto ambicioso foi a Agência de Notícias ANDES, criada em 1995, para pautar a grande imprensa com a perspectiva da classe trabalhadora. Segundo Schuch, foi montada uma estrutura própria, com profissionais para produzir conteúdo jornalístico para ser distribuído para veículos de imprensa em todo o país, na expectativa de burlar a barreira das empresas às pautas de luta do Sindicato Nacional.

Apesar da contratação de jornalistas experientes e visitas a redações como as da Folha de S. Paulo e do jornal O Globo, a experiência revelou novamente os limites da mídia comercial. "Chegamos à conclusão de que tinha sido um pouco utópico pensar que, se nós resolvêssemos o problema na geração das notícias, elas iam aparecer. Foram uma ou duas matérias que saíram com créditos", admite Schuch.

O planejamento e a rede de comunicação

Durante a primeira década dos 2000, o ANDES-SN fortaleceu sua atuação externa participando ativamente do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), em 2009, e da coleta de assinaturas para o Projeto de Lei de Iniciativa Popular (PLIP) por uma mídia democrática.

Impulsionado pelo 1º Encontro Nacional de Comunicação e pelas atuações políticas na pauta, o debate sobre a estruturação e profissionalização da comunicação do ANDES-SN ganhou força e culminou na aprovação do Plano Nacional de Comunicação, em 2011, no 30º Congresso de Uberlândia (MG), no marco dos 30 anos do Sindicato Nacional. Esse plano estruturou a comunicação em três eixos: a disputa pela democratização da comunicação, a ampliação dos espaços próprios do ANDES-SN e a integração com arte e cultura. 

Nesse percurso, a parceria de três décadas com o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC) foi fundamental para a formação crítica e prática de dirigentes e profissionais de comunicação da entidade. A colaboração permite construir uma comunicação popular questionadora, essencial para que as pautas docentes ressoem na sociedade e enfrentem as velozes transformações tecnológicas.

Schuch lembra que o Sindicato voltou à temática da comunicação em 2013, no 32º Congresso do Rio de Janeiro, devido à necessidade de avançar no debate sobre a presença digital do Sindicato. “Em 2013, conseguimos levar para o Rio de Janeiro, a partir da produção do GTCA e da discussão da diretoria, uma plataforma de grandes eixos que nortearam o âmbito das questões digitais nessa disputa pela democratização das comunicações. Então, lá aprovamos nove ou dez eixos que nos orientam até hoje. Certamente insuficientes no atual momento, mas que nos direcionaram em relação a essa disputa na época”, recorda.

Os canais históricos, como o Informandes (lançado em 1981) e a Revista Universidade e Sociedade (1991), seguem como registros da memória e instrumentos de "presença física" do sindicato nas bases. Com o tempo, foram incorporados canais de vídeo, redes sociais e matérias diárias no site.

 

 

Desafios da Inteligência Artificial e Soberania Digital

Hoje, aos 45 anos, o sindicato enfrenta a precarização intensificada pela Inteligência Artificial (IA) e pelos grandes conglomerados digitais, conhecidos como big techs. Schuch destaca que o ambiente digital de "lacração" e algoritmos dificulta debates profundos.O docente alerta para o perigo de um sindicalismo à distância e para o "empapamento" da opinião pública por robôs e fake news. “É um desafio extremamente difícil (...) Nós não escapamos disso sem trabalhar um eixo da notícia, do fato político, mas com um eixo de grande debate, também é responsabilidade da comunicação produzir elementos para o grande debate, que nos permitam a politização, a formação de quadros, com percepção para organizar essa relação tática-estratégica”, afirma. 

O plano de Comunicação do Sindicato Nacional foi atualizado novamente em 2023 e reforça a importância de disputar a hegemonia e trabalhar em rede, integrando as assessorias das seções sindicais para combater a desinformação e fomentar o uso de software livre. Também defende a soberania digital e tecnologias que favoreçam a classe trabalhadora contra o domínio econômico e a manipulação política.

O debate em torno da comunicação também pauta a importância do desenvolvimento, nas universidades públicas, de tecnologias da informação e comunicação gratuitas e nacionais, em detrimento da pactuação de contratos com grandes conglomerados internacionais de tecnologia da informação e comunicação.

No 44º Congresso, realizado este ano em Salvador (BA), a diretoria nacional apontou a necessidade de retomar, fortalecer e ampliar a participação docente no Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Para Luiz Henrique, essa deliberação é fundamental para manter o Sindicato Nacional atuante e participante nos principais embates da atualidade.

“Eu compreendo que seja muito importante a articulação em um movimento presente, amplo, de baixo para cima, lá das seções sindicais até a direção nacional, [...] com a construção da possibilidade de estarmos enraizando esse debate em todo o país, através das seções sindicais, e influindo no que pode ser hoje uma força política e social do campo classista, do campo dos trabalhadores para a construção desse embate”, analisa. 

“Eu falei do embate da pré-Constituinte, o embate da Constituinte, o embate dos anos 2000, e o embate agora talvez seja mais radicalizado ainda, e nós não podemos ficar fora disso. Então, precisamos sim colocar isso no centro da atuação do nosso Sindicato. [...] É responsabilidade do ANDES-SN e das seções sindicais intervir nisso com força e  disposição”, acrescenta.

Para o ex-presidente do ANDES-SN, a possibilidade de acompanhar “de perto” o processo de desenvolvimento e evolução da comunicação da entidade permitiu grandes aprendizados. Luiz Henrique avalia que a criação, manutenção e profissionalização da comunicação do Sindicato Nacional, ao longo das décadas, foi uma decisão política acertada, para garantir a “presença física” da entidade junto à categoria docente em todo o país. 

Segundo Schuch, ter um meio físico sobre a mesa do docente — seja o jornal ou a revista Universidade e Sociedade — e, hoje, no whatsapp e no feed da categoria, são formas de materializar a relação do ANDES-SN com a categoria. “Pela opção que se fez de ser uma organização por local de trabalho, mas, ao mesmo tempo, uma Sindicato Nacional num país do tamanho do Brasil, o ANDES-SN tem que tomar o cuidado para não parecer abstrato para a categoria docente. E uma das maneiras de não ser abstrato é ter um meio físico, um canal de comunicação, que chegue ao sindicalizado e à sindicalizada, que esteja em cima da mesa, no celular, no e-mail. Esses materiais servem para mostrar também como a minha seção sindical, que me visita, tem uma relação com o Sindicato Nacional, que não é meramente abstrata, etérea, que existe. Então, me parece que a comunicação cumpriu, e segue cumprindo, um papel muito importante”, conclui.

 

Fonte: Andes-SN 

Sexta, 19 Junho 2026 17:24

 

 

O auditório da Adufmat-Ssind recebeu, nos dias 10 e 11/06, militantes e pesquisadores que realizaram profundas e necessárias reflexões acerca dos rumos do chamado “desenvolvimento” brasileiro. Sob o título "Minerais Estratégicos, Energia e Sustentabilidade", o seminário teve como centralidade uma pergunta essencial: vivemos uma verdadeira transição energética ou estamos diante de uma mera transação que prioriza o lucro em detrimento da vida e do meio ambiente?

Organizado pelo Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA), o evento reuniu vozes da academia e de movimentos sociais para confrontar a lógica da exploração mineral. Na abertura, o professor Charles Trocate, da coordenação nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), trouxe para o centro da roda a luta pelo controle do subsolo e a defesa dos territórios. Complementando a urgência do tema, o representante da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), Edmar Rodrigues Kajejeu, expôs as cicatrizes deixadas pela mineração nas terras indígenas de Mato Grosso.

A financeirização da natureza e o "Capitalismo Verde"

O professor José Gilberto de Souza (UNESP) trouxe uma análise sobre o que chamou de "financeirização da natureza". Segundo o docente, o neoliberalismo capturou o conceito de sustentabilidade, chamou de "capitalismo verde", mas concretamente, a natureza é tratada como um ativo financeiro. Ele destacou exemplos alarmantes, como a perfuração de mais de 250 metros de profundidade em busca de água em São Paulo e o avanço da retirada de minerais em Terras Indígenas.

Para o professor, esse debate exige, de início, um olhar atento para a dimensão ontológica do ser. "Se você não conhece o ser, você não sabe com quem está lidando. Se não olhar para o ser, você não enxerga o território", afirmou. O docente defendeu, ainda, que a universidade é a instituição que tem o papel crucial de realizar a crítica desses processos.

Agroecologia como Projeto Político

Representando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Valdeir Souza apresentou a agroecologia não apenas como técnica, mas como uma síntese entre as ciências agrárias e sociais voltada para a transformação social e o próprio socialismo. O coordenador ressaltou que, na avaliação do MST, a agroecologia é um projeto político fundamental tanto para dentro quanto para fora do campo.

Souza também falou sobre as contradições vividas nos assentamentos e apontou desafios de sobrevivência das famílias e a pressão pela titulação privada da terra, que segue uma lógica privatizante muitas vezes apoiada pela sociedade, mas que dificulta a resistência coletiva.

“A reforma agrária realizada hoje, no Brasil, é feita para dar errado. Quando a gente vai para um assentamento, nosso objetivo principal é saber se a pessoa está viva e se permanece na terra. Nós realizamos o processo de luta permanente e de formação permanente, sim, mas sabemos que, na prática, ninguém vai ser socialista passando fome”, afirmou.

Ele enfatizou que o acesso à educação em todos os níveis e a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA), realizada todos os anos pelas universidades do país, são caminhos essenciais para romper com essa estrutura.

Para aqueles que não puderam comparecer ou desejam rever as discussões, as gravações completas dos debates já estão disponíveis no canal da Adufmat-Ssind do Youtube. Confira: 

Clique aqui para assistir à Mesa do dia 10/06, com o professor Charles Trocate (MAM) e Edmar Rodrigues Kajejeu (FEPOIMT)

Clique aqui para assistir à Mesa do dia 11/06, com o professor José Gilberto de Souza (UNESP) e Valdeir Souza (MST)

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

 

Sexta, 19 Junho 2026 16:12

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato

para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.

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Cuiabá viverá nos próximos dias um importante momento de participação democrática e construção coletiva da saúde pública - nos dias 29 e 30 de junho, será realizada a 16ª Conferência Municipal de Saúde, que neste ano traz como tema "Brasil das Brasileiras e dos Brasileiros: SUS e Soberania - Cuidar do Povo é Cuidar do Brasil". 

As conferências de saúde constituem uma das mais importantes conquistas da sociedade brasileira após a Constituição Federal de 1988. Foi a partir delas que se consolidou o entendimento de que as políticas públicas não devem ser construídas apenas por especialistas e em reuniões de alta cúpula e, sim, a partir das necessidades, experiências e demandas da população. A Constituição definiu que as políticas de saúde devem ser construídas de forma ascendente, ou seja, partindo dos territórios, das comunidades e das pessoas que vivenciam cotidianamente os desafios relacionados à saúde. Esse mecanismo pauta-se no entendimento de que são as pessoas, vivendo a vida no território, que sabem indicar quais são os problemas prioritários de saúde que vivenciam, tanto quanto os profissionais de saúde e gestores. 

Ao longo da história do Sistema Único de Saúde (SUS), muitas das diretrizes que orientam as políticas municipais, estaduais e nacionais nasceram dos debates e deliberações realizados nesses espaços. Usuários, trabalhadores da saúde, gestores, movimentos sociais, entidades representativas e instituições de ensino têm a oportunidade de refletir coletivamente sobre os desafios da saúde e propor caminhos para sua superação, ou seja, a Conferência é de todos nós. 

A conferência é um exercício permanente de democracia, é nela que diferentes experiências, opiniões e visões de mundo se encontram para debater problemas, formular propostas e construir consensos em torno do interesse coletivo que, à priori, é um sistema de saúde público que atenda a todos nós sem distinção e considerando nossas diferenças. Portanto, um espaço privilegiado de escuta, diálogo e respeito à diversidade, valores indispensáveis para o fortalecimento da vida democrática. 

As conferências de saúde também são arenas legítimas de debate sobre diferentes projetos para a saúde pública e é nessa cena, marcada pela pluralidade de ideias e interesses, que se disputam os princípios que sustentam o SUS, como a universalidade, a integralidade, a equidade e a participação social. Por isso, é fundamental que esses espaços sejam preservados como ambientes democráticos, plurais e acolhedores, onde todas as pessoas possam se expressar livremente, apresentar suas propostas e defender seus pontos de vista com respeito mútuo. Este espaço deve garantir que todos e todas tenham oportunidade de inclusão de suas pautas; é um espaço, originalmente, de discordâncias e consensos. Proteger a conferência é proteger o direito à participação social e fortalecer os mecanismos democráticos que permitem à população influenciar as decisões que afetam diretamente sua saúde e sua qualidade de vida. 

Mas a importância da conferência não está apenas em seu caráter democrático. Ela se torna ainda mais necessária diante dos desafios concretos que Cuiabá enfrenta diariamente na área da saúde,  entre esses desafios destacam-se o crescimento das doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares e câncer; as recorrentes epidemias de dengue e chikungunya; as dificuldades de acesso a consultas, exames e cirurgias especializadas; a sobrecarga dos serviços de urgência e emergência; os problemas relacionados à saúde mental; a persistência da mortalidade materna e infantil; e as desigualdades sociais e territoriais que fazem com que as pessoas de diferentes regiões da cidade vivam realidades muito distintas em relação ao acesso à saúde e às oportunidades de viver com qualidade.

É justamente para enfrentar desafios como esses que a conferência existe - mais do que um espaço para discursos ou disputas estéreis, ela deve ser um ambiente de reflexão crítica e de construção de propostas capazes de melhorar a vida da população. O foco das discussões precisa estar nos problemas que afetam os cuiabanos todos os dias e nas estratégias necessárias para fortalecer o SUS, ampliar o acesso aos serviços, reduzir desigualdades e produzir respostas efetivas às necessidades da população.

Ao eleger a soberania como tema central, a 16ª Conferência Municipal de Saúde reafirma que o cuidado com a população é um dos pilares de um país democrático e socialmente justo. Não há soberania sem a garantia de direitos, sem a redução das desigualdades e sem a participação ativa da sociedade nas decisões que afetam sua vida. Fortalecer o SUS e ampliar os espaços de participação popular significa fortalecer a própria democracia e a capacidade da população de construir coletivamente seu futuro.

Esse compromisso também convoca as universidades, faculdades, escolas técnicas e demais instituições de ensino a assumirem um papel ativo na formação cidadã. Mais do que estudar o SUS em sala de aula, é fundamental que estudantes tenham a oportunidade de vivenciar os espaços de participação social e compreender como as políticas públicas são construídas coletivamente. A participação em conferências, conselhos e outros fóruns de debate fortalece a formação de profissionais mais sensíveis às necessidades da população e mais comprometidos com os princípios democráticos que sustentam o sistema público de saúde.

Que a 16ª Conferência Municipal de Saúde de Cuiabá seja um espaço de aprendizado, diálogo e construção coletiva. Um momento em que diferentes vozes possam ser ouvidas, propostas possam ser construídas e o compromisso com a saúde pública seja renovado. Afinal, cuidar do povo é também fortalecer a democracia, ampliar a participação social e construir respostas concretas para os desafios que impactam a vida dos cuiabanos todos os dias.


Dra. Maria Angela Conceição Martins, conselheira estadual de saúde e docente no Instituto de Saúde Coletiva/UFMT

Dra. Elyana Teixeira Sousa – Docente do Instituto de Saúde Coletiva/UFMT  

Sexta, 19 Junho 2026 11:13

 

 

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Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Dirceu Grasel
Prof. UFMT

 

I. Introdução

Antes de entrar na questão central deste artigo de opinião, provavelmente sem nenhuma contribuição original ou inédita, gostaria de esclarecer que reconheço que o tema abordado é complexo, mas também extremamente importante. Destaco ainda que o objetivo deste artigo não é prever o futuro, embora aborde cenários possíveis, mas apresentar uma inquietação crescente diante da passividade institucional sobre o tema, de alguém que acredita que a instituição está reagindo lentamente a mudanças profundas, ou seja, de alguém que gostaria que este artigo de opinião fosse visto como um esforço para provocar um debate produtivo, dentro de uma instituição, que vejo passiva e acomodada. Destaco também que não há intencionalmente nenhuma crítica a instituição ou tentativa de convencimento, mas apenas e somente um esforço em provocar um debate necessário. 

II. As universidades contemporâneas: características, limitações e sinais de esgotamento do modelo atual

As universidades modernas foram estruturadas a partir de um paradigma institucional consolidado ao longo do século XX, fortemente baseado na centralidade física do campus, na autoridade epistemológica do professor, na fragmentação disciplinar do conhecimento e na lógica industrial de formação em massa. Esse modelo foi eficiente para atender às demandas da sociedade industrial e da economia baseada em profissões relativamente estáveis, produzindo avanços científicos, tecnológicos e sociais incontestáveis. 

Todavia, as transformações aceleradas da sociedade contemporânea têm revelado sinais evidentes de esgotamento desse arranjo institucional. O primeiro grande problema refere-se ao custo estrutural das universidades e ao consequente custo médio de formação. A manutenção de grandes infraestruturas físicas, estruturas administrativas complexas, regimes rígidos de contratação docente e modelos pedagógicos presenciais intensivos tornou o ensino superior progressivamente mais caro e, em muitos casos, economicamente insustentável, especialmente em cursos que formam pouquíssimos alunos. 

Paralelamente, emerge uma crescente desconexão entre formação universitária e as dinâmicas contemporâneas do mercado de trabalho. Em diversas áreas, observa-se que os currículos permanecem excessivamente lentos, atrasados, burocráticos e pouco responsivos às transformações tecnológicas e econômicas. O tempo institucional de atualização curricular frequentemente é incompatível com a velocidade de transformação das competências demandadas pela economia digital, por exemplo. 

Outro aspecto crítico refere-se à qualidade da formação. Embora as universidades continuem sendo centros fundamentais de produção de conhecimento científico, há questionamentos crescentes acerca da efetividade pedagógica de modelos baseados predominantemente em aulas expositivas, avaliações padronizadas e transmissão verticalizada de conteúdo. A disponibilidade quase ilimitada de informação em ambientes digitais reduz progressivamente o monopólio informacional historicamente exercido pela universidade. Hoje já é possível uma formação igual ou superior, por estes meios digitais, desde que se tenha capacidade de distinguir o que é útil e inútil. Habilidade que também vem se tornando sempre mais importante no modelo atual e, pode ser uma excelente pista para entender a falta de interesse generalizada dos alunos. 

Além disso, observa-se uma crise de legitimidade social do ensino superior. O diploma universitário, outrora símbolo quase automático de mobilidade social, já não garante inserção profissional estável nem diferenciação competitiva significativa em diversos 2 setores. Em consequência, cresce o debate sobre o custo-benefício da educação superior tradicional. 

As universidades também enfrentam desafios relacionados à evasão estudantil, dificuldades de internacionalização, baixa integração interdisciplinar, lentidão decisória, resistência institucional à inovação e crescente competição com novos atores educacionais privados, plataformas digitais e sistemas alternativos de certificação profissional.

Nesse contexto, torna-se evidente que o modelo universitário atual ainda existe e resiste, porém seus fundamentos estruturais começam a apresentar sinais de fadiga sistêmica. O problema central talvez não seja apenas tecnológico, mas civilizacional, já que as universidades foram concebidas para um modelo de sociedade que já não existe integralmente. 

Portanto, estamos basicamente falando de sobrevivência institucional e da profissão de professor universitário. Neste ponto está a minha angústia crescente, pois não vejo preocupação significativa, nem qualquer atitude para entender a questão e definir uma estratégia para se preparar ao que virá.  

Qual questão exatamente? Todos os que possuem bom senso vivem a angústia de saber que o modelo atual apresenta evidências crescentes de esgotamento e que, ao mesmo tempo, ainda não sabemos o que será a universidade do futuro e nem o que será da nossa profissão de professores do ensino superior. Esta angústia é generalizada, dos professores, alunos e da própria sociedade de forma geral. Hoje um professor que se diz fazendo um bom trabalho, ainda não compreendeu a realidade ou se engana a si mesmo.

Precisamos sair desta passividade e tentar responder ou entender essas questões. Diante deste contexto, não seria prudente formar uma comissão de especialistas para realmente entender o problema e se preparar para o que está por vir? Esta comissão poderia ter um tempo determinado para conclusão dos trabalhos, ser composta por membros das áreas envolvidas, com as capacidades acadêmicas necessárias e inquestionáveis para sair da superficialidade e ir na raiz da questão, que sejam capazes de distinguir o que é realidade e alarmismo, atribuindo-se uma carga horária generosa para se debruçar sobre o tema ou, no mínimo coletar as informações disponíveis, organizá-las e coordenar um debate institucional. 

Questões que precisam ser respondidas:
1) O que está acontecendo?
2) Quais são as expectativas dos alunos atuais?
3) Qual será o ensino superior no futuro? 
4) O que já existe de novo no mundo?
5) Como podemos nos preparar para enfrentar a nova realidade?  Afinal, precisamos nos preparar para o que está por vir.   


III. As novas tecnologias e seu potencial impacto sobre as universidades

As tecnologias emergentes possuem potencial disruptivo sem precedentes sobre o ensino superior. Inteligência Artificial generativa, computação em nuvem, big data, realidade aumentada, realidade virtual, sistemas adaptativos de aprendizagem, biotecnologia, interfaces homem/máquina e automação cognitiva tendem a alterar profundamente os processos de ensino, pesquisa, gestão universitária e certificação. 

A Inteligência Artificial, em particular, representa talvez a transformação mais radical para o ensino superior. Sistemas baseados em modelos avançados de linguagem já conseguem produzir sínteses bibliográficas instantâneas, gerar conteúdos didáticos, criar avaliações, oferecer tutoria personalizada e apoiar atividades de pesquisa em níveis anteriormente inimagináveis. Tudo indica que isto deslocará profundamente o papel tradicional do professor como principal transmissor de informação. 

Ao mesmo tempo, algoritmos de aprendizagem adaptativa permitem trajetórias formativas altamente personalizadas, ajustando conteúdos, ritmos e metodologias conforme o perfil cognitivo individual do estudante. Tal transformação desafia diretamente o modelo padronizado de ensino em turmas homogêneas, com vários alunos.

A expansão da educação digital síncrona e assíncrona também rompe a dependência da presencialidade física como elemento central da experiência universitária. Plataformas globais de ensino tornam possível o acesso a especialistas internacionais, laboratórios virtuais e sistemas de aprendizagem distribuídos geograficamente, que facilitarão o ensino/aprendizado e reduzirão drasticamente os custos médios e marginais de formação. 

No campo da pesquisa científica, a automação computacional acelera drasticamente análise de dados, revisão sistemática de literatura, modelagem preditiva e experimentação simulada. Consequentemente, a produção científica tende a tornar-se mais rápida, colaborativa e interdisciplinar, mas com sérios riscos, que ainda não entendemos plenamente.

Contudo, talvez o aspecto mais importante não seja a substituição pontual de ferramentas, mas a transição paradigmática em curso. As universidades vivem hoje uma situação peculiar, o modelo tradicional claramente já não responde integralmente às necessidades contemporâneas; mas ainda não existe consenso sobre qual será o novo modelo institucional dominante.

Estamos, portanto, em um período de transição entre um paradigma educacional que perde progressivamente sua eficácia e outro que ainda está em formação. Essa condição produz elevada instabilidade institucional, profissional e essa inquietação mencionada no início. O ensino superior encontra-se em uma espécie de “zona intermediária” entre a universidade industrial do século XX e uma futura universidade, pós-digital, cuja configuração ainda é incerta. 

IV. O que provavelmente será a universidade do futuro?

É claro que alguém que nem especialista na área é, somente pode especular ou construir cenários possíveis. É isto que pretendo fazer abaixo, pois é exatamente o que acredito que deve ser feito no estágio atual de incertezas. 

A universidade do futuro provavelmente será muito menos definida por espaços físicos e muito mais por estratégias digitais de aprendizagem contínua. Em vez de instituições centradas em cursos longos, rígidos e altamente padronizados, tende a emergir um modelo modular, flexível, interdisciplinar e orientado por competências, definidas pelo próprio aluno ou exigidas pelo mercado.

Os currículos deverão tornar-se dinâmicos e continuamente atualizáveis. A distinção clássica entre graduação, pós-graduação e educação progressiva e continuada tende a perder relevância diante da necessidade permanente de requalificação profissional ao longo da vida.

A formação universitária provavelmente migrará de uma lógica centrada na transmissão de conteúdo para uma lógica baseada em resolução de problemas complexos, pensamento crítico, criatividade, capacidade analítica, colaboração interdisciplinar e integração humanomáquina.

A personalização educacional deverá ampliar-se significativamente. Ambientes inteligentes de aprendizagem poderão construir trajetórias formativas individualizadas, utilizando dados em tempo real sobre desempenho, interesses, dificuldades e competências dos estudantes.

A internacionalização também tende a se intensificar. As universidades mais competitivas provavelmente funcionarão em redes globais de cooperação acadêmica, compartilhamento de disciplinas, mobilidade digital e pesquisa compartilhada e distribuída, já que estes custos deverão ser drasticamente reduzidos. 

Por outro lado, o campus físico não necessariamente desaparecerá, entretanto, sua função poderá mudar substancialmente. Em vez de espaço prioritariamente destinado à transmissão de conteúdo, poderá tornar-se um ambiente voltado à convivência intelectual e social, experimentação prática, inovação, interação social, empreendedorismo e desenvolvimento de capacidades socioemocionais. 

V. O que provavelmente mudará na profissão dos professores universitários

Lembrando novamente que, também neste tema, o objetivo é somente especular ou construir cenários possíveis e provocar o debate absolutamente necessário e urgente. 

A profissão de professor universitário provavelmente sofrerá uma das maiores transformações de sua história. O professor deverá deixar gradualmente de exercer predominantemente o papel de transmissor de conteúdo, para assumir funções mais complexas relacionadas à curadoria do conhecimento, mentoria intelectual, mediação cognitiva, orientação ética e desenvolvimento de competências humanas não automatizáveis.

Com a crescente disponibilidade de sistemas inteligentes capazes de fornecer informações instantâneas e personalizadas, o diferencial do professor tenderá a deslocar-se para dimensões interpretativas, críticas e relacionais, bem como para a capacidade de selecionar e focar em informações úteis.

Também deverá se tornar cada vez mais necessário que os docentes desenvolvam competências digitais avançadas, compreendam ambientes híbridos de aprendizagem, integrem ferramentas de Inteligência Artificial aos processos pedagógicos e atuem em contextos interdisciplinares.

Ao mesmo tempo, deverá haver crescente pressão institucional por produtividade, inovação pedagógica, internacionalização e adaptação contínua. Isso poderá gerar tensões relevantes relacionadas à precarização do trabalho acadêmico, redefinição de carreiras e necessidade permanente de atualização profissional.

Em muitos aspectos, a docência universitária provavelmente deixará de ser uma atividade relativamente estável para tornar-se uma profissão em constante reinvenção. 

VI. A necessidade de as instituições de ensino superior se prepararem para sobreviver

Diante desse cenário, a preparação institucional para o impacto das novas tecnologias deixa de ser uma questão opcional e passa a constituir um imperativo estratégico de sobrevivência. 

Instituições que permanecerem excessivamente presas a modelos burocráticos, currículos rígidos, estruturas administrativas lentas e resistência cultural à inovação tendem a perder competitividade acadêmica, relevância social e sustentabilidade financeira, mesmo que sejam públicas.

A transformação digital não deve ser compreendida apenas como aquisição de equipamentos ou adoção superficial de plataformas tecnológicas. Tudo indica que se trata de alterações estruturais da própria lógica institucional universitária.

As universidades precisarão desenvolver capacidades para se adaptar rapidamente aos novos cenários, construir culturas organizacionais orientadas à inovação, ampliar articulações com sistemas tecnológicos e incorporar metodologias mais experimentais de ensino, pesquisa e gestão.

Além disso, será necessário repensar modelos de governança universitária, processos decisórios e estruturas curriculares historicamente marcadas por elevada rigidez institucional, geralmente impostas pelos “donos do saber”, mesmo que esse conteúdo não tenham nenhuma relação com a realidade e na verdade sejam muito mais reserva de domínio, que permita ao professor se manter no conforto. 

A velocidade das mudanças tecnológicas sugere que a necessidade de gerar capacidades de adaptação tem prazo definido e não é longo.

Diante deste contexto, do cenário descrito, possível e provável, que sugere mudanças estruturais na UFMT, como questão de sobrevivência, bem como mudanças estruturais de seus colaboradores, além das reiteradas tentativas de mostrar a necessidade deste debate nos ambientes institucionais em que convivo, finalizo este relato com perguntas que, ao meu ver, salvo melhor juízo de especialistas, se tornam sempre mais relevantes:

1) Por que, apesar da inquietação generalizada, ninguém ou quase ninguém, discute a questão?
2) Estamos nos preparando para estas mudanças profundas ou estamos simplesmente supondo que tudo continuará funcionando como sempre?
3) Estamos discutindo seriamente como a IA e outras tecnologias podem transformar a universidade e a profissão docente?
4) Se estamos diante de um cenário que pode até comprometer a existência da instituição, por que este assunto não é eixo central do debate na instituição?

Não sabemos exatamente o que o futuro nos reserva, mas sabemos que nada será igual.