Terça, 07 Julho 2026 16:32




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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Juacy da Silva*


Um dos grandes desafios socioambientais, principalmente nas últimas décadas, tem sido a produção e o uso de embalagens plásticas, incluindo sacolas, sacos, garrafas PET e outros produtos e embalagens que aumentam a geração de lixo e provocam um grande impacto tanto nos solos quanto em todos os cursos d'água, como córregos, rios, lagos, lagoas, mares e oceanos, enfim, em todos os biomas e ecossistemas.

Para despertar a consciência em relação a este problema, foi criado o DIA INTERNACIONAL SEM SACOLAS PLÁSTICAS, por iniciativa da “Global Bag Free World”, com o objetivo de conscientizar a população sobre os impactos socioambientais negativos do uso de embalagens plásticas em geral e das sacolas plásticas em particular, e promover alternativas sustentáveis, como o uso de sacolas produzidas com material reciclado ou de outros materiais, como pano e papel etc. A data é celebrada anualmente em 3 de julho, em diversos países, inclusive no Brasil.

Para orientar e massificar a campanha pelo fim das embalagens plásticas em geral e das sacolas e sacos plásticos em particular, a cada ano é escolhido um tema, em torno do qual essas reflexões e ações são realizadas. Em 2026, o tema é “Libertação dos plásticos de uso único: rumo a um futuro sustentável”.

No entanto, apenas incentivar as pessoas a deixarem de usar sacolas/sacos plásticos por um dia, com certeza, não vai resolver este problema sério e grave se, ao longo dos demais 364 dias, continuarmos a usar todos os tipos de plásticos que estão degradando e destruindo todos os biomas e ecossistemas ao redor do mundo.

Em 2026, por exemplo, em todos os países, enfim, no mundo inteiro, está mais do que caracterizado e comprovado, por dados e estatísticas confiáveis e atualizadas, que estamos vivendo uma grave crise dos plásticos e que este assunto precisa ser tratado como uma emergência global.

O desafio principal é a falta de consciência e a resistência do mundo empresarial, que lucra bilhões de dólares por ano, tendo em vista que a produção anual de plásticos, em 2026, deverá ultrapassar 516 milhões de toneladas, ou seja, 500 bilhões de kg de plásticos, em torno de 60 kg per capita (por pessoa), em média; em alguns países “desenvolvidos”, muito mais do que este volume.

Em apenas um quarto de século, entre 2000 e 2026, a produção de plásticos no mundo passou de 200 milhões de toneladas para 516 milhões de toneladas, um crescimento exponencial em um período considerado curtíssimo da história humana.

Outro aspecto que demonstra a gravidade é o aumento espantoso dos plásticos em todos os tipos de atividade humana, além do fato de que, no máximo, 10% do lixo plástico gerado no mundo são reciclados corretamente, e 90% deste imenso volume vai parar nos bueiros, terrenos desocupados, córregos, rios, lagos, lagoas, mares e oceanos, poluindo, degradando e destruindo irreparavelmente o meio ambiente.

Até bem pouco tempo, mas em alguns países pobres continuam “importando” lixo, principalmente lixo plástico produzido pelos países ricos/desenvolvidos, mas isto apenas transfere o problema de um país para outro, tendo em vista que não existe alternativa de enviar o lixo produzido no planeta Terra para outro planeta.

O volume do lixo plástico existente, digamos, “estocado”, no planeta, pelo acúmulo de 90% deste lixo que não é reciclado, ano após ano, representava, em 2025, mais de 8 mil megatoneladas, e a tendência tem sido piorar no futuro próximo, tendo como destino os oceanos, razão pela qual o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, há poucos anos, em um pronunciamento oficial, alertava que, se nada de concreto for feito para acabar com o uso dos plásticos (subproduto do petróleo, combustível fóssil responsável por grande parte das emissões de gases de efeito estufa): “Se nada for feito, em 2050, em diversas partes do mundo, os oceanos terão mais lixo plástico do que peixes”.

Inúmeros estudos e pesquisas, em diversos países, inclusive no Brasil, têm demonstrado o impacto negativo do lixo plástico na vida animal lacustre, ribeirinha e marítima e na vida terrestre também.

Em Mato Grosso, por exemplo, com frequência, inúmeras reportagens têm demonstrado a presença de muito lixo, inclusive lixo plástico, em todos os rios, principalmente os que alimentam o Pantanal, transformando esta maravilha, reconhecida como “patrimônio natural da humanidade”, em um grande depósito de lixo, afetando todas as formas de vida ali existentes.

Uma outra consequência do lixo plástico, também demonstrada por diversos estudos em inúmeros países, novamente incluindo o Brasil, é em relação à saúde humana. Por exemplo, a presença de microplástico no corpo das pessoas, na corrente sanguínea e até no cérebro é um fato concreto e real.

Microplásticos são partículas minúsculas de plástico, com menos de 5 mm, invisíveis a olho nu, e são derivados das embalagens, inclusive presentes em inúmeros supermercados para embalar legumes, carnes e outros alimentos, garrafas PET e também do lixo plástico ou de roupas sintéticas. Eles podem entrar no corpo pela respiração ou alimentação. A ciência indica que eles se espalham pelo sangue e se acumulam nos órgãos, podendo afetar o corpo de várias formas.

Os microplásticos afetam a saúde humana em geral, inclusive aumentando os riscos de agravamento de doenças crônicas e até mesmo afetando diretamente a fertilidade humana.

Os microplásticos agravam problemas cardiovasculares, aumentam o risco de infarto, derrame e outras doenças cardíacas; provocam danos e inflamações nas células, envelhecimento celular, desregulação hormonal, doenças neurológicas, problemas no desenvolvimento fetal, contribuindo para diversas doenças degenerativas e, também, doenças ósseas e renais.

Conforme dados de um relatório de 8 de agosto de 2025 do “Environment Texas Research & Policy Center”, mencionando matéria publicada em “The Lancet”, o custo financeiro anual das doenças geradas pelo lixo plástico no mundo ultrapassa US$ 1,5 trilhão de dólares ou aproximadamente R$ 8 trilhões, importância maior do que o PIB de 95% dos países do globo terrestre. Esse valor colossal representa o impacto na saúde global, cobrindo desde despesas com hospitais até mortes precoces e perda de qualidade de vida.

Tendo em vista a gravidade da situação do lixo plástico no mundo e as perspectivas sombrias a longo prazo, na Assembleia Geral da ONU sobre questões ambientais, em março de 2022, representantes de 175 países conseguiram aprovar uma resolução com o objetivo de criar um Comitê Intergovernamental de Negociação, visando à aprovação de um acordo global/internacional contra a poluição plástica, ou seja, pondo fim à produção e ao uso de plástico, uma luta hercúlea, da mesma forma que a luta que vem sendo travada nas últimas COPs, para pôr um fim à produção e ao uso de combustíveis fósseis, incluindo petróleo e seus derivados.

Apesar da gravidade dos problemas oriundos do uso e do lixo plástico em escala internacional e do esforço de diversos países, atualmente, em 2026, as negociações visando à aprovação, em Assembleia Geral da ONU, de um Tratado Global sobre os Plásticos estão praticamente paralisadas, por pressão dos países produtores e exportadores de petróleo e também dos países onde estão instaladas as grandes indústrias de produção de todos os tipos de plásticos, basicamente os integrantes do G7 e do G20, dos quais o Brasil também participa.

Em 2026, as negociações do Tratado Global sobre Plásticos enfrentam um grande impasse. A divisão ocorre entre os países que defendem o corte na produção de plástico virgem e aqueles focados apenas no controle do lixo e na reciclagem.

Esses países tentam desvirtuar as discussões colocando como alternativa concreta, em lugar do fim da produção e do uso dos plásticos (que geram bilhões de toneladas de lixo plástico e seus impactos no planeta), repito, colocando a reciclagem como a “grande saída”, o que não irá resolver o problema, tendo em vista que há países, como o Brasil, em que a reciclagem de plásticos não atinge sequer 4% do lixo plástico gerado. O Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do planeta, gerando anualmente mais de 11 milhões de toneladas.

Em relação às discussões sobre o Tratado Global sobre os Plásticos, a posição do Brasil tem sido dúbia, mas, conforme matéria publicada no site A Pública, em 13 de agosto de 2025: “A diplomacia brasileira fez uma guinada conservadora nas negociações que buscam criar um tratado de combate à poluição por plásticos. O país deixou de se posicionar sobre as questões críticas do acordo, ao mesmo tempo em que adotou argumentos similares aos grandes produtores de petróleo”. Essa dubiedade do Brasil também tem ocorrido nas COPs quando a discussão gira em torno do fim do uso dos combustíveis fósseis.

Isto significa que, anualmente, 10,6 milhões de toneladas de lixo plástico (96% não reciclado) não têm a destinação correta. A cada ano, em apenas uma década, serão 106 milhões de toneladas, só no Brasil. Diante disso, estaremos convivendo com montanhas e montanhas de lixo plástico ao redor de nosso país.

O pior em tudo isto, em meio a esta verdadeira tragédia ecológica e socioambiental, é constatarmos que não existe consciência ambiental nem por parte da população em geral e muito menos por parte de nossos governantes, em todos os níveis, e também no mundo empresarial, que sempre coloca a busca do lucro e a acumulação de capital acima dos danos causados pelo lixo plástico e outros crimes contra o meio ambiente.

Também a passividade e a falta de consciência ecológica estão presentes em todas as demais entidades da chamada sociedade civil organizada/desorganizada, como os estabelecimentos educacionais, as Igrejas, os movimentos sindical e comunitário e os clubes de serviço.

Assim, diante do imenso volume de lixo plástico gerado no mundo e em todos os países, e que tem aumentado muito todos os dias e anos, diante da passividade, alienação e falta de um despertar da consciência ecológica sobre este desafio e diante da resistência dos sistemas produtivos/empresários em colocar o bem comum e a saúde das pessoas e do planeta acima do lucro e da acumulação de capital, e também diante da omissão generalizada de governantes em todos os países sobre esta realidade, com certeza, o mundo tem pouco a celebrar neste DIA INTERNACIONAL SEM SACOLAS PLÁSTICAS.

Continuamos como o beija-flor que imaginava conseguir apagar um enorme incêndio florestal com apenas algumas gotinhas que carregava em seu biquinho.

Para terminar, gostaria de relembrar a exortação feita pelo Papa Francisco, em 2015, quando da publicação da Encíclica Laudato Si’: "A Terra, nossa casa comum, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo". Do volume global de lixo produzido no mundo, o lixo plástico já representa, em média, 10% deste total, com previsões de, como já acontece em alguns países, chegar a 20% dentro de poucas décadas, sabendo que o lixo plástico pode continuar poluindo o planeta por mais de 500 anos, média de "vida" do lixo plástico.

O combate ao lixo plástico, portanto, é também uma maneira de defendermos todas as formas de vida, inclusive a vida humana, e isto passa pela necessidade de mudança de hábitos, de estilo de vida e de estruturas sociais, políticas, econômicas, culturais e religiosas no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Convenhamos, uma grande luta, uma verdadeira revolução ecológica.

A nossa luta é pelo fim do uso das sacolas e de todas as embalagens de plástico em todo o Brasil, como já acontece em diversos países e cidades mundo afora.

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

 

 

Domingo, 05 Julho 2026 09:03

 

 

Na manhã de terça-feira (30), o ANDES-SN participou de uma reunião da Mesa Setorial de Negociação Permanente no Ministério da Educação (MEC) para avançar no debate sobre a democratização das Instituições Federais de Ensino (IFE). Esta foi a segunda reunião sobre o tema neste ano.

Foto: Thamires Barreto


A secretária-geral do Sindicato, Fernanda Maria Vieira, informou que o encontro focou na formalização de dois Grupos de Trabalho (GTs): um para tratar do processo de democratização das IFE e outro para aprofundar o debate e pensar ações sobre saúde do trabalhador e da trabalhadora.

A portaria do GT Democratização já foi publicada, sob o número 549/2026. A diretora do ANDES-SN destaca a inclusão do movimento estudantil no debate, uma reivindicação apresentada pelas entidades sindicais na primeira reunião, realizada em abril. “Nós apontamos e o MEC reconheceu que seria impossível fazer o debate sobre democratização das instituições sem a presença dos três segmentos que compõem a comunidade acadêmica: docentes, técnicos e estudantes”, observou.

De acordo com a portaria, este grupo terá 90 dias, prorrogável por igual período, para “definir sua metodologia e cronograma de trabalho; realizar diagnóstico sobre práticas e mecanismos de gestão, participação institucional e transparência nas Ifes, com vistas à identificação de desafios, limitações e oportunidades de melhoria; elaborar propostas voltadas ao aprimoramento das práticas institucionais de gestão, participação e transparência nas Ifes; e elaborar relatório final contendo diagnóstico, conclusões e propostas relacionadas ao objeto do GT”.

Apesar do avanço com o fim da lista tríplice e a criação do GT, a secretária-geral do ANDES-SN ressaltou pontos que ainda preocupam a categoria docente, como a manutenção da ideia de um colegiado para “tirar as regras no respeito à autonomia das instituições". Fernanda Maria criticou duramente a desigualdade imposta pela legislação atual na composição desses colegiados.

Conforme a dirigente, a Lei 9192/95, do governo Fernando Henrique Cardoso, mantém a composição profundamente desigual desses colegiados, com o mínimo de 70% de membros do corpo docente no total de sua composição. "Para efetividade democrática não é possível que você mantenha tamanha desigualdade na participação dos rumos das nossas universidades", alertou. Ela lembrou que o ANDES-SN defende a participação universal ou paritária de todos os segmentos acadêmicos nos processos decisórios.


Outras pautas


Além da democratização, o Sindicato Nacional cobrou ainda o cumprimento de pautas do acordo de greve, especialmente o fim do controle de ponto para docentes da carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT), uma pauta histórica que gera uma profunda desigualdade na categoria docente.

Foto: Thamires Barreto


Sobre este ponto, a secretária-geral do ANDES-SN disse que o MEC sinalizou a publicação de um decreto, pelo governo federal, transferindo ao ministério a competência para decidir sobre a questão. Segundo ela, a Pasta compartilha do entendimento de que "a manutenção desse controle é uma assimetria não aceitável dentro das instituições de ensino federal".

A reunião também serviu para que o ANDES-SN cobrasse a recomposição orçamentária das instituições, em especial para a recuperação do prédio histórico do Colégio de Aplicação João 23, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), visando garantir a segurança e o retorno adequado das atividades escolares após os danos causados pelas chuvas no início do ano.

Também foi pontuada a necessidade de uma reunião urgente entre a Secretaria de Educação Profissional do MEC (Setec) e a direção do Cefet Rio de Janeiro, para discutir a situação de insegurança e a presença de policiais armados no ambiente educacional, após o feminicídio de duas trabalhadoras do colégio, no final de 2025.

”Nós não conseguimos avançar nos outros pontos pendentes do nosso acordo, mas, pelo menos, conseguimos garantir que o registro de ponto para docentes EBTT seja extinto o mais rápido possível”, concluiu Fernanda Maria.

Fonte: Andes-SN 

Domingo, 05 Julho 2026 08:45

 

Após uma rodada de assembleias realizada nas seções sindicais do Setor das Instituições Federais de Ensino (Ifes) do ANDES-SN, as e os docentes aprovaram a proposta de realização de uma paralisação de um dia a cada dois meses, como forma de pressionar o governo federal pelo cumprimento integral do Acordo de Greve nº 10/2024. A proposta será debatida com a Fasubra e o Sinasefe, para a construção de um calendário unificado de mobilizações.

Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN


A consulta às seções sindicais foi definida durante a reunião conjunta dos Setores das Ifes e das Instituições Estaduais, Municipais e Distrital de Ensino Superior (Iees/Imes/Ides) e do Grupo de Trabalho Verbas e Fundações (GT Verbas), realizada nos dias 10 e 11 de abril. Na ocasião, foi indicada a realização de assembleias, até 20 de maio, para que a categoria avaliasse a proposta de paralisações periódicas até o cumprimento integral do acordo firmado com o governo.

Ao todo, 21 seções sindicais se manifestaram sobre a proposta. Destas, 11 aprovaram a paralisação de um dia a cada dois meses, sete votaram contra, duas não obtiveram quórum e uma aprovou paralisações, mas sem periodicidade bimestral.

A iniciativa integra a estratégia de intensificação das mobilizações aprovada durante o 44º Congresso do ANDES-SN, realizado de 2 a 6 de março deste ano, em Salvador (BA). Durante o evento, as e os docentes deliberaram pela construção de um calendário unificado de lutas com a Fasubra e o Sinasefe para pressionar o governo federal a implementar integralmente os acordos de greve, firmados em 2024. O 44º Congresso também aprovou o fortalecimento das ações de mobilização e comunicação sobre os itens ainda pendentes, articulando essa luta com o conjunto das servidoras e dos servidores do Poder Executivo Federal, diante do descumprimento de acordos firmados com diversas categorias em 2024 e 2025.

De acordo com a Circular 254/2026, a diretoria do ANDES-SN orienta as seções sindicais a dialogarem com as representações locais do Sinasefe e das entidades da base da Fasubra, em greve há mais de 120 dias, para fortalecer a construção de uma agenda conjunta de mobilização em defesa do cumprimento dos acordos de greve.

Acesse aqui a Circular 254/2026

 

Fonte: Andes-SN 

Sábado, 04 Julho 2026 10:20

 


Evento vai até domingo, 05/07, e conta com seis representantes da Adufmat-Ssind


Começou, nesta sexta-feira, 03/07, em São Luís (MA), o 69º Conselho do Andes-SN (Conad), que este ano tem como tema "Guarnicê: a luta pela educação pública na terra da Balaiada, contra o imperialismo e a extrema direita".

A expressão de origem indígena "Guarnicê" é usada popularmente no contexto do bumba meu boi e significa preparar-se, organizar-se ou aprontar-se para entrar em ação. Nesse clima, a organização deu boas-vindas a cerca de 360 participantes, entre docentes, convidados, monitores e trabalhadores de todo o país. Ao longo de três dias, eles debatem a conjuntura nacional, o plano de lutas da categoria e as questões organizativas do Sindicato Nacional, pautas fundamentais para a defesa da educação e ciência públicas e gratuitas.

A Adufmat-Ssind participa do encontro, que termina no domingo, 05/07, com uma delegação formada por seis docentes. Cinco deles foram indicados em Assembleia Geral para atuar como observadores: Maria Salete Ribeiro, Einstein Aguiar, Alair Silveira, Juliano Santos e Raimundo Sousa. O delegado da seção sindical é Breno Santos, indicado pela Diretoria.





"Espero que a gente possa, ao final, ter uma direção, um horizonte para enfrentar o contexto em que vivemos, esse cenário de caos. Nossa vida é de luta!", afirmou a professora Maria Salete, diretora de Comunicação da Adufmat-Ssind, que participa pela primeira vez do Conad.

Na manhã da sexta-feira, após a "limpeza do terreiro", realizada pelos cazumbás — figuras míticas do bumba meu boi que simbolizam os espíritos da floresta —, foram realizadas as mesas de Abertura e de Instalação.

 

 

 

Para a mesa de Abertura, tradicionalmente, o Andes-SN convida entidades e instituições parceiras para uma breve saudação aos participantes. Neste Conad, além das entidades diretamente ligadas ao Sindicato Nacional, participaram representantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – Maranhão (MST-MA), do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe), do Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual do Maranhão – Seção Sindical (Sinduema), do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de São Luís (Sindeducação), do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal do Maranhão (DCE-UFMA), da Federação Nacional dos Estudantes do Ensino Técnico (Fenet), do Movimento em Defesa da Ilha (MDI), do Conselho Gestor da Reserva Extrativista Tauá-Mirim, do Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom) e do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Maranhão (Sintema).

Na mesa de Instalação, realizada em seguida, a categoria definiu as regras e a metodologia que serão utilizadas durante o Conad, além de aprovar o calendário de atividades, que precisou ser ajustado em razão da partida da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo de Futebol.

 

 

À tarde, o debate concentrou-se na análise de conjuntura, abordando a polarização política e o avanço do imperialismo no mundo, especialmente na América Latina. Segundo os participantes, a extrema direita, fortalecida por esse contexto, desempenha papel importante na política nacional, sobretudo em ano eleitoral, tendo a retirada de direitos como eixo central de sua atuação.

Nesse sentido, uma das principais lutas nacionais da classe trabalhadora neste momento, destacada durante o debate, é o fim da escala 6x1, que tramita no Congresso Nacional.

Na noite desta sexta-feira tiveram início os trabalhos dos grupos mistos, nos quais delegados, observadores e diretores do Sindicato Nacional são distribuídos em diferentes salas para aprofundar os debates sobre os textos e propostas apresentados no Caderno de Textos (disponível aqui). As propostas que forem aprovadas com indicativos de alteração voltarão à discussão nas plenárias do Conad.

 

 



Acompanhe as notícias do 69º Conad das redes sociais oficiais da Adufmat-Ssind no Instagram e Facebook


Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

Sexta, 26 Junho 2026 17:51

 

 

A Adufmat-Ssind realizou, nesta sexta-feira, 26/06, assembleia geral ordinária para debater, conforme convocação, além os informes e da análise de conjuntura, comissão da Unimed, campanha de sindicalização 2026, comissão para o Baile 2026 em Sinop e caderno de textos do 69º CONAD. A pedido dos docentes sindicalizados lotados em Sinop, foi incluído o ponto de pauta sobre informes e leitura da Carta do II Territórios Amazônicos, realizado entre os dias 18 e 21/05.  

 

Durante os informes da diretoria, o professor Breno Santos falou sobre a preparação da festa julina da resistência e da sindicalização, que simbolicamente fechará o semestre e deverá ser realizada no 17/07. O docente também falou sobre a participação no Grupo de Trabalho Política Educacional (GTPE), em Brasília.

 

Comissão Unimed

Sobre o ponto de pauta que debateu a questão dos planos da Unimed, referentes aos contratos coletivos 6890 a 6893, 6900 a 6903 e 6910 a 6912, o professor Carlos Emílio explicou que a sinistralidade (o uso) da categoria é alta, mas o lucro para a Unimed também tem sido muito grande. A ideia é formar uma comissão que trabalhe para conseguir reduzir o valor das mensalidades, em conjunto com trabalhadores técnicos administrativos (por meio do Sintuf-MT) e também do Tribunal de Justiça (TJMT), que também têm grande número de usuários nestes contratos.

 

Os presentes concordaram que precisam fazer um estudo amplo e para além do financeiro, incluindo docentes da base e da diretoria, para conseguir fazer uma negociação que não prejudique os trabalhadores.

Após o debate, se disponibilizaram para compor a comissão, além do professor Carlos Emílio, o professor Claudio Vieira (de Sinop) e dois membros da diretoria - a serem definidos conforme agenda.

 

Análise de conjuntura

 

O imperialismo que sustenta a extrema direita ao redor do mundo voltou a abrir a análise de conjuntura desta sexta-feira. “Talvez no que diz respeito aos índices eleitorais, o avanço da extrema direita não pareça tão evidente, mas nas sociabilidades ele ainda é muito presente, especialmente a partir do aumento das violências contra imigrantes, contra as mulheres e contra a classe como um todo”, apontou o professor Breno Santos.

 

A professora Lélica Lacerda afirmou que o momento é de barbárie explicita. “Não é apenas uma avaliação da esquerda, é discurso oficial. Os Estados Unidos defendem publicamente os absurdos que fazem. O Trump falou com todas as letras que o Brasil será o próximo teste. Eu estou muito preocupada. O fascismo destrói os instrumentos da classe trabalhadora para implementar ditadura sem resistência e nós estamos vendo esse processo”, afirmou.

 

Outras intervenções trouxeram críticas a inação do sindicato nacional, que não vai para a rua denunciar, por exemplo, o não cumprimento do acordo de greve assinado em 2024, mas propõe campanha de apoio à reeleição de Lula já no primeiro turno.

 

Os presentes destacaram que o governo Lula 3 pode até ter tido ações tímidas na política internacional, em apoio a Cuba e à Palestina, mas internamente tem assumido políticas neoliberais, como a de transferência de riqueza da população (como o Desenrola), não realizou a recomposição do orçamento das universidades e, recentemente, congelou parte desses recursos ainda escassos e falou abertamente, acordando com Fundo Monetário Internacional (FMI) de que nunca teve posição de “esquerdista”.  

Diante disso, os presentes destacaram que aqueles que deveriam orientar a classe trabalhadora, boa parte das entidades de trabalhadores organizados, têm falhado nesse sentido.

 

Também houve críticas a intervenção direta de parlamentares na UFMT, por meio de promessas de emendas parlamentares para o seu funcionamento, que deveria estar sendo garantido por recursos públicos via Ministério da Educação, e não ações de políticos.   


Campanha de sindicalização

 

Neste ponto de pauta, a Diretoria da Adufmat-Ssind afirmou que há uma campanha de sindicalização elaborada pelo Andes-SN, mas a Adufmat-Ssind sentiu necessidade de imprimir a própria identidade ao material. A ideia central e o conceito da campanha foram apresentados com auxílio da equipe de Comunicação.

Em seguida, a diretor geral, Breno dos Santos, complementou: “não queremos atrair novos sindicalizados por vaidade, mas porque a análise de conjuntura que acabamos de fazer indica que é fundamental fortalecer o sindicato para atuar contra esse cenário de retirada de direitos e avanço da extrema direita.”

 

A Diretoria seguiu afirmando que para manter um sindicato forte é preciso levar o sindicato para o cotidiano dos trabalhadores – neste caso, professores. A ideia foi apresentar a parte visual e já algumas ações, como participação nas agendas de reuniões de colegiados, fazer uma campanha que abarque o conjunto da universidade, com artes em Sinop, Cuiabá e Araguaia, montar uma banquinha da Adufmat-Ssind, demonstrando as lutas em defesa da recomposição orçamentária, contra as opressões, por salário e carreira dignos, além de participação em reuniões e espaços diversos da universidade e construir debates com grandes nomes nacionais. Entre os primeiros produtos pensados estão panfleto, camisetas, botons, faixas e banners.

 

O professor José Domingues de Godoi Filho sugeriu que a campanha faça, também denúncias públicas dos ataques sofridos pelas universidades, utilizando outdoors, por exemplo.  

 

Os presentes reivindicaram também cores mais vivas nas artes, com as imagens das lutas e pessoas reais (e não geradas por IA).  


Comissão do Baile Docente em Sinop


Para a comissão do Baile Docente em Sinop, se colocaram à disposição e foram aprovados pela assembleia os nomes dos professores Mauro Dresch, Daniel Simoes e Jhonny Maciel.

 

Caderno de textos do 69º Conselho do Andes-SN

 

Sobre o Caderno de Textos do 69º Conselho do Andes, que será realizado entre os dias 03 e 05/07 em São Luiz do Maranhão, os docentes que representarão o sindicato, indicados na assembleia do dia 06/05 (leia aqui), apresentaram os textos resolução (TRs), isto é, as propostas que serão debatidas no evento, destacaram pontos que consideraram polêmicos de alguma forma – como as já citadas defesas pela reeleição de Lula no primeiro turno -, e afinaram quais serão os encaminhamentos e votos da Adufmat-Ssind no evento.

 

Nesse sentido, os representantes devem atuar no sentido de não deixar o sindicato nacional estreitar o conceito de democracia a mera participação eleitoral. “Uma coisa é decidir, de forma crítica, votar no Lula para defender a permanência do regime democrático. Outra coisa é trazer a ideia acrítica, de que este é um governo que defende a pauta dos trabalhadores. Isso é absurdo, deseduca a classe”, afirmou a professora Alair Silveira.

 

A participação do Andes-SN no Fórum Nacional da Educação (FNE) também é um ponto polêmico, já que o fórum defende os interesses governamentais. Dessa forma, a presença do Andes-SN neste espaço só se justifica se for para garantir a presença das lutas históricas da categoria de forma muito firme.   


Além disso, também foram problematizadas propostas que podem reduzir as dinâmicas de debate e tomada de decisões dentro do Andes-SN, como o de número 38, que propõe a formação de uma comissão para pensar alteração na metodologia atual.

O Caderno de textos do 69º Conselho do Andes-SN (Conad) tem 40 propostas (textos resolução) e está disponível para leitura aqui.  

 

 

Informe qualificado e leitura da Carta do II Territórios Amazônicos

 

Devido ao avanço do horário, este ponto de pauta foi remetido para a próxima assembleia.

 

 

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Sexta, 26 Junho 2026 15:24

 

O ANDES-SN publicou, nessa quarta-feira (24), a Circular 256/26, que dá continuidade ao levantamento nacional sobre universidades públicas, institutos federais e cefets, da base do Sindicato Nacional, que possuem estruturas multicampi e/ou estão localizados em regiões de fronteira. O prazo para envio das informações vai até 4 de setembro de 2026.

Docentes durante o II II Seminário de Multicampia e Fronteira, em 2025. Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN


Desenvolvida pelo Grupo de Trabalho Multicampia e Fronteira (GT-MultiFront), a iniciativa tem o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a realidade dessas instituições e subsidiar a atuação sindical. Atende, ainda, a deliberações congressuais do ANDES-SN.

Realizado pela última vez em 2025, o levantamento será atualizado após registrar baixo índice de participação. Por isso, o Sindicato Nacional reforça o chamado para que as seções sindicais e as instituições da base preencham o formulário disponível em https://forms.gle/6pL9KDzTSL9LtuxR7.

O documento também orienta que as solicitações de informações às reitorias sejam realizadas com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) - Lei 12.527/2011. A legislação estabelece que os órgãos e entidades públicas devem conceder acesso imediato às informações disponíveis e, quando isso não for possível, têm prazo de até 20 dias para responder à solicitação.

Acesse aqui a Circular 256/26

 

Fonte: Andes-SN

Sexta, 26 Junho 2026 14:53

 

A diretoria do ANDES-SN divulgou, nessa quarta-feira (24), uma nota de repúdio aos cortes promovidos pelo governo federal no orçamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A medida integra o bloqueio orçamentário anunciado por meio do Decreto nº 12.990, de 29 de maio de 2026, que elevou para R$ 23,6 bilhões o total de recursos contingenciados no Orçamento da União.

O bloqueio já havia atingido outras áreas, como o Ministério da Educação (MEC), que teve R$ 1,6 bilhão contingenciado. O orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) sofreu o bloqueio de R$ 490,1 milhões. Desse total, cerca de R$ 300 milhões correspondem ao CNPq, órgão vinculado ao MCTI.

De acordo com a nota do ANDES-SN, os cortes atingem diretamente o financiamento da pesquisa científica e tecnológica no país. Para a entidade, o bloqueio orçamentário "não só coloca em risco o financiamento de pesquisas fundamentais para o desenvolvimento social, humano e tecnológico brasileiro, mas serve como gasolina na fogueira neofascista".

O Sindicato Nacional também destacou que o contingenciamento ocorre em um contexto de sucessivos ataques à ciência e às instituições públicas de ensino. "Mais do que nunca, fortalecer nossas instituições é fundamental para enfrentar o escalonamento de ações de ódio contra a comunidade acadêmica", afirmou a nota.

Na avaliação do ANDES-SN, é imperativo que a decisão seja revertida. "É fundamental que o governo Lula reverta tal decisão imediatamente, visto que tal bloqueio pode afetar mais de 80% das bolsas, como tem alertado a presidência do CNPq", ressaltou.

O Sindicato Nacional cobrou a recomposição imediata dos recursos destinados à ciência e à tecnologia e defendeu a construção de políticas permanentes de financiamento, que garantam estabilidade às atividades de ensino, pesquisa e extensão, sem submissão às políticas de austeridade fiscal.

Impactos na Educação

Além dos impactos sobre a pesquisa, o bloqueio orçamentário já afeta o funcionamento das instituições federais de ensino. Após a publicação do decreto, o MEC suspendeu os repasses financeiros semanais às universidades, institutos federais e cefets na primeira quinzena de junho. Embora os recursos tenham voltado a ser liberados posteriormente, os valores disponibilizados são considerados insuficientes para atender às demandas das instituições.

Bolsas e projetos científicos

A Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG) manifestou preocupação com os efeitos do bloqueio. Em nota, a entidade afirmou que a ciência deve ser tratada como investimento estratégico e alertou para os impactos que o bloqueio pode provocar no sistema nacional de pesquisa.

Segundo a ANPG, além de possíveis atrasos no pagamento de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado financiadas pelo CNPq, a medida pode comprometer a contratação e a execução de projetos científicos estratégicos, chamadas públicas de fomento, convênios, manutenção de laboratórios e unidades de pesquisa. "O enfraquecimento desses instrumentos significa menor capacidade nacional de produzir conhecimento, desenvolver tecnologias e responder aos desafios econômicos, sociais, sanitários, ambientais e produtivos do país", destacou a entidade.

 

Fonte: Andes-SN 

Sexta, 26 Junho 2026 14:44

 

Devido ao jogo da seleção brasileira na Copa do Mundo de Futebol na próxima segunda-feira, 29/06, informamos que não haverá expediente na sede e subsedes da Adufmat-Ssind. 

Retomaremos o atendimento normalmente na terça-feira, 30/06.  

Quinta, 25 Junho 2026 17:06

 

A Adufmat-Ssind vem a público alertar, mais uma vez, sobre uma tentativa de fraude identificada nesta quinta-feira, 25/06, envolvendo supostas liberações de pagamentos judiciais. Criminosos estão utilizando documentos falsos e o nome da associação para tentar enganar os docentes, apresentando informações que buscam dar aparência de legitimidade ao crime.

Como funciona a fraude atual: A mensagem fraudulenta enviada a sindicalizados apresenta um "Ofício de Comunicação e Orientação Processual" referente aos índices de 3,17% e 28,86%. O documento falso cita nomes de advogados e solicita contato urgente via telefone, incluindo dados pessoais como o CPF da vítima para pressionar o docente a realizar procedimentos indevidos.

A Adufmat-Ssind reafirma com veemência:

  • O sindicato NUNCA realiza abordagens individuais por aplicativos de mensagens ou telefone para tratar de liberações de pagamentos, alvarás ou solicitar dados pessoais.
  • Toda e qualquer informação jurídica legítima é transmitida exclusivamente durante assembleias gerais, reuniões presenciais com a assessoria jurídica ou por meio do site oficial da entidade.
  • Os golpistas utilizam nomes de advogados reais, termos técnicos e logos da entidade para criar uma falsa sensação de urgência e veracidade.

O que fazer se você for alvo da tentativa de golpe:

  1. Não responda e não forneça dados: Jamais envie fotos de documentos, dados bancários ou realize pagamentos de supostas "taxas de cartório" ou custas processuais.
  2. Cuidado com áudios: Não envie mensagens de voz, pois estas podem ser manipuladas por criminosos usando Inteligência Artificial.
  3. Bloqueie e denuncie: Reporte o número de origem no próprio aplicativo de mensagens e informe imediatamente o sindicato sobre o ocorrido.
  4. Registre um Boletim de Ocorrência: A orientação da Assessoria Jurídica é que cada docente registre individualmente um BO, o que pode ser feito pela Delegacia Virtual (DEVIR).

Canais Oficiais de Contato: Na dúvida, ignore contatos suspeitos e utilize apenas os meios oficiais da Adufmat-Ssind para confirmar qualquer informação:

  • Site oficial: www.adufmat.org.br
  • E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.
  • Telefones: (65) 99686-8732 e (65) 99696-9293



Imprensa Adufmat-Ssind

 

Quinta, 25 Junho 2026 14:52

 

Ocorreu entre os dias 19 e 21 de junho, na unidade Maracanã do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), o Seminário Memória, Verdade, Justiça e Reparação. Organizado pelo Grupo de Trabalho de História do Movimento Docente (GTHMD) e pela Comissão da Verdade do ANDES-SN, o evento reuniu docentes, pesquisadores, pesquisadoras e representantes de movimentos sociais para debater o enfrentamento ao golpismo, à violência de gênero, ao racismo estrutural e às violações de direitos humanos.

A mesa de abertura, realizada na manhã de sexta-feira (19), contou com representantes da diretoria do ANDES-SN, da Comissão da Verdade do Sindicato, da Associação de Docentes do Cefet-RJ (Adcefet-RJ SSind.) e do Diretório Central dos Estudantes (DCE).

O tom inicial foi de solidariedade à comunidade do Cefet-RJ devido aos feminicídios de Allane de Souza Pedrotti Matos, diretora e coordenadora da equipe pedagógica, e Layse Costa Pinheiro, psicóloga da instituição. Ambas foram assassinadas, dentro do Cefet-RJ, por um colega de trabalho que não aceitava ser chefiado por mulheres, ocorridos em 2025.


Golpe, anistia e violência de gênero


Na sequência, a mesa 1 "Golpe é Crime: Sem perdão, nem anistia aos golpistas de 8 de janeiro" debateu a seletividade do sistema penal brasileiro. O historiador Marcelo Badaró analisou o peso da anistia de 1979, classificando-a como um acordo que garantiu a impunidade de torturadores e construiu uma narrativa de "benevolência" militar. O docente questionou ainda a pressão dos setores da extrema direita pela anistia das pessoas envolvidas na tentativa de golpe de 2023.

“Nós estamos com essa disposição, de ceder à chantagem e anistiar os golpistas de 8 de janeiro de 2023? O processo de apuração da tentativa de golpe colocou generais no banco dos réus e condenou à prisão alguns golpistas. Mas, o processo corre numa linha de repactuação, a partir dos movimentos do congresso inimigo do povo”, afirmou.

Fernanda Vieira, secretária-geral do ANDES-SN, complementou que a defesa da punição dos golpistas de 2023 não é um apoio ao punitivismo cego, mas um combate à seletividade da justiça, que historicamente encarcera corpos negros enquanto protege articuladores fascistas. “Precisamos combater a chantagem e a forma que o fascismo no Brasil tenta nos impor a legitimidade das ações violentas que marcaram o início de 2023”, acrescentou.

“O seminário foi extremamente importante por abordar temas atuais e urgentes, que demandam nossa atenção e mobilização permanente. Um dos destaques foi o debate sobre a dosimetria das penas relacionadas aos atos golpistas de 8 de janeiro, especialmente diante da derrubada, pelo Congresso Nacional, do veto do presidente Lula às vésperas do Dia do Trabalhador. Trata-se de uma questão que suscita reflexões importantes sobre democracia, justiça e responsabilização”, avaliou Fernanda Mendonça, diretora do ANDES-SN e da coordenação do GTHMD.

A parte da tarde foi dedicada à Mesa 2, que discutiu o feminicídio, a misoginia e a ascensão da cultura "red pill", com a participação de Raquel Garcia, Camila Galleti e Tarcila Formiga.  Segundo Fernanda Mendonça, esse foi um tema central, devido à crescente violência contra as mulheres, que tem alcançado níveis alarmantes e se manifestado de forma cada vez mais brutal no cotidiano.



“Discutir essa temática no Cefet-RJ foi particularmente marcante e emocionante, considerando que a instituição foi palco de um dos episódios mais trágicos de violência contra as mulheres recentemente. Foi possível perceber que docentes, estudantes e servidores ainda se encontram profundamente abalados pelos acontecimentos. Nossa presença naquele espaço teve um significado político e simbólico importante, ao reafirmar que o enfrentamento à violência de gênero também é uma pauta do ANDES-SN e integra as lutas da categoria docente”, acrescentou.

Após o debate, foi realizado um ato em memória às vítimas de feminicídio no Cefet-RJ e às vítimas de chacinas estaduais. “O primeiro dia foi encerrado com um ato de grande relevância. Além de homenagearmos Layse e Allane, tivemos a oportunidade de nos dirigir à diretoria do Cefet-RJ para dialogar sobre os encaminhamentos institucionais relacionados ao caso. Contudo, fomos informados de que o diretor havia deixado o local ao tomar conhecimento de nossa intenção de procurá-lo, o que gerou indignação entre os e as participantes”, relatou a diretora do ANDES-SN.

Lutas camponesas, indígenas e antirracistas

O sábado (20) iniciou com a Mesa 3 “A luta dos movimentos por Memória, Verdade, Justiça e Reparação”. Em sua fala, Leonilde Servolo de Medeiros ressaltou que a democracia no campo permanece um desafio inacabado. A docente destacou que a repressão ao campesinato muitas vezes não passou por mecanismos formais, sendo o medo um fator que dificultou a preservação dessa memória. Leonilde criticou o relatório final da Comissão Nacional da Verdade (CNV) e questionou onde está, de fato, a redemocratização do país diante da permanência da violência estatal e do apoio a grandes empresas em territórios tradicionais.


Já a representante do grupo Rio Tortura Nunca Mais, Lívia Salgado, criticou a Lei de Anistia de 1979, por instituir uma "política de esquecimento" que não atendeu às demandas sociais. Lívia pontuou que, embora legislações posteriores tenham reconhecido mortes e desaparecimentos, os critérios eram restritivos e não contemplavam todas as vítimas. Salgado avaliou que, mesmo com os avanços da CNV impulsionados por condenações internacionais ao Brasil, a Comissão apresentou limitações, como o registro de apenas 434 vítimas e o não reconhecimento de testemunhas como vítimas de repressão.

Paulino Montejo, coordenador da Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), abordou a exclusão sistemática dos povos indígenas da categoria de vítimas políticas. Ele denunciou que, no relatório da CNV, os indígenas foram tratados apenas como mortos em decorrência da ditadura, e não como alvos diretos de perseguição política. O representante da Apib defendeu também a criação de uma Comissão Nacional da Verdade Indígena e relatou oficinas em territórios para resgatar memórias de violações que persistem com a expansão do agronegócio e do garimpo.

Ao concluir, Paulino mencionou ainda a criação de um fórum com mais de 60 instituições, incluindo o ANDES-SN. Nesse espaço, foram constituídos grupos de trabalho voltados à investigação de casos, à análise de aspectos jurídicos e à articulação com organismos internacionais. Segundo Montejo, existe respaldo internacional para o avanço dessa agenda.

A tarde de sábado foi dedicada ao painel “Racismo e violações continuadas”, que aprofundou a análise sobre como o racismo estrutura as instituições brasileiras. Foram discutidos temas como a violência policial, o encarceramento em massa e a importância de pautar a reparação histórica para a população negra como base para uma democracia real.


As reflexões sobre memória, verdade e reparação constituíram um dos eixos centrais da mesa. Os e as participantes defenderam que o reconhecimento da escravidão como crime contra a humanidade, posição já assumida por organismos internacionais, deve servir de base para a construção de políticas efetivas de reparação. Destacou-se que a abolição da escravidão não representou uma ruptura com as estruturas de desigualdade racial, mas apenas uma mudança formal das condições jurídicas da população negra. Por essa razão, a luta por reparação permanece atual e necessária.

Um dos expositores, Henrique Cunha Júnior apresentou uma profunda reflexão sobre a trajetória histórica das populações negras, sugerindo o uso desse termo em substituição ao conceito de raça para enfatizar a diversidade de experiências desse grupo. Em diálogo com a obra de Clóvis Moura, o docente caracterizou a escravização como um sistema criminoso, baseado na violência, e não apenas em relações econômicas. Cunha Júnior ressaltou o papel de instituições como os quilombos e as Irmandades do Rosário dos Homens Pretos na formação de intelectuais como Luiz Gama e na construção da autonomia negra. Ele criticou duramente o período pós-abolição pela ausência de políticas de reparação e pelo incentivo ao branqueamento populacional.

Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do ANDES-SN, analisou as formas contemporâneas do racismo estrutural, destacando como práticas institucionais produzem desigualdades e morte. Ela lembrou que a primeira vítima da Covid-19 no Brasil foi uma trabalhadora doméstica negra, simbolizando a subordinação histórica desse grupo. A diretora do Sindicato Nacional denunciou a lógica do modelo de segurança pública, que foca no controle social de periferias e populações negras, por meio de chacinas e encarceramento em massa, afirmando que a segurança não pode ser dissociada do debate sobre racismo e democracia.


“No segundo dia, as mesas deram visibilidade às múltiplas formas de violência historicamente praticadas contra populações camponesas, indígenas, negras e outros grupos socialmente vulnerabilizados. Os debates evidenciaram o quanto o país ainda avançou pouco nos processos de memória, verdade, reparação e justiça de transição, permanecendo importantes lacunas no reconhecimento das violações cometidas e na responsabilização dos seus autores”, avaliou Fernanda.

Lançamento do Caderno 30 “60 anos do Golpe”

Durante o sábado (20), houve também o lançamento do Caderno 30 do ANDES-SN “Memória, Verdade, Justiça e Reparação - 60 anos do Golpe”, apresentado pela representante da Comissão da Verdade do ANDES-SN, Maria Ceci Misoczky.

“Tivemos a satisfação de realizar o lançamento do caderno “60 Anos do Golpe Militar”, fruto das discussões e reflexões produzidas durante o I Seminário de Memória, Verdade, Justiça e Reparação, realizado em Porto Alegre, em 2024. A publicação representa uma importante contribuição para a preservação da memória histórica e para o fortalecimento das lutas em defesa da democracia”, contou a coordenadora do GTHMD.

Fortalecimento da memória docente e resoluções

O encerramento, no domingo (21), foi dedicado aos informes das seções sindicais e ao encaminhamento das resoluções do 44º Congresso do ANDES-SN. Diversas seções, compartilharam o andamento de seus projetos de preservação de arquivos e recuperação da memória institucional de perseguições durante a ditadura.

Entre os principais encaminhamentos aprovados estão a realização de um módulo de formação sindical sobre violência de Estado e luta antirracista no segundo semestre de 2026; a continuidade do projeto “Memória Viva”, com a produção de registros audiovisuais sobre os 45 anos do ANDES-SN; o apoio político à Comissão Nacional Indígena da Verdade; e o fortalecimento do Centro de Documentação (Cedoc) do ANDES-SN, com a criação de uma nova página institucional para facilitar o acesso público a documentos históricos.

Para Fernanda Mendonça, a presença de representantes de diferentes seções sindicais garantiu um bom resultado ao encontro. “O seminário contou com a participação de quase 20 seções sindicais, o que ampliou a diversidade de experiências compartilhadas e qualificou, significativamente, os debates realizados ao longo dos dois dias de atividades”, concluiu a diretora do ANDES-SN.

Fonte: Andes-SN
Fotos: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN