JUACY DA SILVA*
Ao longo de décadas e séculos, sem que tenha havido uma intenção deliberada, muito mais fruto do acaso, das ações e omissões, alguns acertos e muitos erros, por parte de nossos governantes em todos os níveis de poder e também pelo instinto de empresários, negociantes, do suor dos trabalhadores, inclusive de escravos que eram tratados de forma desumana, o Brasil foi se desenvolvendo, aos trancos e barrancos.
Se nossas elites governantes, tanto no passado quanto no presente fossem melhor preparadas, agissem com mais transparência, ética e zelo pela coisa pública, com certeza o nosso desenvolvimento teria sido muito mais dinâmico, menos excludente, harmonioso e teria, também, reduzido as mazelas que nosso país foi acumulando ao longo de sua história e ainda hoje afetam milhões de pessoas que jazem à margem da sociedade.
Mesmo que não tenha havido planejamento estratégico, um projeto de país e, por extensão de macro regiões, de estados e municípios, graças ao esforço coletivo do povo brasileiro, conseguimos ocupar um lugarzinho, quase sem destaque no cenário internacional, muito menor e mais acanhado do que o tamanho de nosso país, de sua dimensão geográfica, de seu peso populacional, de suas riquezas naturais e outras vantagens comparativas que poderiam nos colocar, sem dúvida alguma, entre as quatro ou cinco maiores potências mundiais neste início de século 21.
Países com muito menor potencial, com território acanhado, dependente de tudo e de todos, com população diminuta, sem grandes recursos naturais e ainda com obstáculos ou óbices de toda natureza, conflitos, guerras, desastres naturais conseguiram vencer todos esses desafios e hoje são olhados com certa inveja e, ao mesmo tempo admiração, por nós brasileiros e por outros povos. Basta citar os casos da Alemanha, do Japão, de Taiwan, da Coréia do Sul, dos países nórdicos e outros mais.
Nesses países, seus governantes em um determinado momento da história tiveram a capacidade de visualizar um futuro melhor para sua gente e resolveram definir uma única e grande prioridade , por décadas. Esta prioridade foi a educação, a inovação, o despertar da criatividade e como resultado o desenvolvimento da ciência e da tecnologia. Enquanto isso o Brasil se manteve um país exportador de matérias primas, produtos in natura e só, muito tardiamente, desenvolveu uma incipiente indústria, que atualmente está em crise permanente. Hoje o Brasil está se desindustrializando e exportando apenas “commodities” com baixo valor agregado. Somos o quarto maior Mercado usuário de tecnologias importadas.
Há quase um século naqueles países o analfabetismo desapareceu, a educação de qualidade , de tempo integral, universal e gratuita, inicialmente até o ensino fundamental e, depois nos demais níveis, chegando até a universidade permitiu que os resultados desta revolução na educação também atingissem outros setores como a qualidade da mão de obra, a integração social, a melhoria dos níveis salariais, a melhoria da qualidade de vida e a redução das disparidades e desníveis regionais, setoriais, sociais, econômicos, principalmente de renda.
Enquanto isso o nosso Brasil continua patinando com elevados índices de analfabetismo, baixa qualidade do ensino que gera o analfabetismo funcional, evasão escolar nas primeiras séries, repetência, docentes mal preparados e mal pagos, enfim, uma educação que faz vergonha a qualquer pessoa que sonhe com um país decente, desenvolvido , com melhor distribuição de renda e melhores oportunidades para todos.
Os resultados do ENEM nos últimos anos dão uma demonstração desta catástrofe e vergonha que tem sido o ensino médio, principalmente nas escolas públicas e a crise nas universidades e institutos federais de educação , dos hospitais universitários também atestam esta lástima. Apesar desta situação vexatória, o slogan do atual governo é “Brasil, pátria educadora”.
Como pode um país ser uma pátria educadora quando nossos governantes demonstram uma incapacidade permanente, corrupção que envergonha a sociedade brasileira perante os olhos do mundo, degradação ambiental apoiada, estimulada e financiada pelos poderes públicos? Índices de violência que a todos amedrontam, a péssima qualidade de todos os serviços públicos e o caos permanente que ronda nossas instituições?
É fundamental, mais do que urgente que o Brasil encontre novos paradigmas para nortear seu desenvolvimento, caso isso não aconteça, se ficarmos nas mãos de uma elite do poder como a que nos governa atualmente, dentro de poucas décadas teremos perdido o bonde da história e faremos companhia para países que estão em crise e conflitos internos permanentes.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
DESENVOLVIMENTO E RENÚNCIA FISCAL
JUACY DA SILVA*
Quando empresas recebem incentivos/renúncia fiscal por parte da União, dos Estados e municípios, a lógica da concessão é que tais empresas apliquem corretamente e de forma eficiente o dinheiro que deveriam recolher aos cofres públicos na forma de impostos. Na sequência, imaginam os idealizadores do sistema de renúncia/incentivos fiscais é que a empresa privada seja mais eficiente na aplicação de tais recursos do que os entes públicos.
Em troca, além da criação de empregos devem gerar outros sub-produtos como inovação tecnológica, respeito ao meio ambiente, compromisso social, cumprir corretamente todas as leis trabalhistas, recolher devidamente os encargos sociais e assim por diante.
Geralmente o incentivo/renúncia fiscal é por um período relativamente longo, em torno de dez anos ou mais, para que as empresas possam amadurecer seus processos produtivos e assim um dia deixarem de mamar nas tetas do tesouro/cofres públicos, evitando ou reduzindo a concorrência desleal com milhares ou milhões de outras empresas que não contam com tais privilégios.
Ao longo dos tempos, principalmente após meados da década de sessenta, vários programas de incentivos fiscais foram criados pelo Governo Federal, para vários setores da economia e regiões do país. Cabe ressaltar, por exemplo, o programa para estimular a ocupação e desenvolvimento da Amazônia, principalmente pela “aplicação” de parcela do imposto de renda de pessoas físicas e jurídicas em projetos agropecuários ou industriais. Os agentes financeiros e de desenvolvimento regional eram o BASA – Banco da Amazônia e a SUDAM – Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia, nos mesmos moldes da SUDENE. Essas políticas e programas abriram, na verdade, as portas para a corrupção , ajudaram a enriquecer muitos empresários, políticos e gestores públicos, sem que jamais tivesse sido feito um pente fino para coibir as práticas corruptas , levar os criminosos de colarinho branco para a cadeia ou recuperar o dinheiro público usado de forma fraudulenta. A impunidade perdurou por décadas e, em parte, ainda perdura até hoje.
Este também foi o caso do PRODEIC em MT, ao longo de anos sempre surgiram boatos e até mesmo indícios de que a renúncia fiscal/incentivos fiscais estariam alimentando uma rede de corrupção envolvendo empresários e agentes públicos/políticos com ou sem mandato e gestores de altos escalões do Governo.
Voltando um pouco na estória. Ao conceder incentivo a uma determinada empresa ou a todas as empresas, o que também está e sempre esteve implícito é que cabe ou caberia ao Governo, seja federal, estadual ou municipal, ou, enfim, a quem concede este privilégio empresarial, acompanhar e avaliar periodicamente, deveria ser anualmente, se as empresas beneficiadas estão ou estariam cumprindo com suas obrigações pactuadas com o Estado quando foram aprovadas para participarem do programa, ou seja, qual ou quais os retornos que estariam oferecendo ao país, ao estado ou ao munícipio que lhe deu/deram tais incentivos.
Sabemos que esta avaliação não é feita ou é feita de forma superficial, ou como o povo diz, “nas coxas" e, mesmo que as empresas não gerem os resultados que figuravam na origem dos incentivos fiscais aprovados, continuam ou continuavam recebendo, de mão beijada, esses privilégios.
Ai também surge uma ponta do iceberg da corrupção, onde técnicos , gestores de escalões inferiores deixam de fazer as avaliações ou as fazem de forma superficial e incorretamente, tudo isso a mando ou conivência dos escalões superiores, como acabou sendo constatados recentemente no Estado e que motivou a prisão do ex-governador, dois secretários de Estado e outros servidores.
No caso do PRODEIC, em MT, somente com a posse do novo governo e a troca da maior parte do staff e gestores, tem sido possível desmontar os esquemas criminosos que envolviam tais concessões e levantar o véu que encobria esse programa de renúncia fiscal.
Em minha opinião, não basta desqualificar e retirar empresas que fraudaram o programa. É necessário que seja feita uma avaliação mais a fundo caso a caso e, em constatando, fraudes e o não cumprimento do que foi estabelecido quando da concessão dos incentivos, obrigar a empresa a devolver aos cofres públicos o montante, corrigido monetariamente, reparando concessões fraudulentas.
Já passa do tempo dos entes públicos , União, Estados e municípios, acabarem com essa prática criminosa de incentivos fiscais que pouco ou nenhum retorno oferece ao desenvolvimento do país, dos estados e municípios.
Não tem sentido o poder público ou seja , os contribuintes ajudarem a acumulação de capital nas mãos do setor empresarial, enquanto faltam recursos para a educação, para a saúde, para a segurança pública, para o meio ambiente e saneamento, para a infraestrutura e tantos outros setores.
No Brasil são mais de RS$200 bilhões de renúncia fiscal concedidos pela União, pelos Estados mais RS$85 bilhões e pelos municipios mais de RS$50 bilhões a cada ano, totalizando , mais de RS$335 bilhões por ano, algo em torno de 8% do PIB, para um número extremamente pequeno de empresas, quando comparado com o universe total dasempresas existentes no país, que acabam lucrando as custas dos cofrespúblicos e do povo.
Só em MT o PRODEIC em doze anos concedeu mais de RS$15 bilhões ou mais de RS$1,5 bilhões de reais por ano que o Estado de forma deliberada deixou e continua deixando de arrecadar, ajudando falsos empresários, políticos e gestores corruptos. Está na hora de ser feita uma revisão profunda e criteriosa deste programa e, por que não, submete-lo ao crivo de um debate público , quando a população possa ser ouvida e a opinião do povo ser levada em consideração. Criar programas que acabam sendo lesivos aos interesses do Estado e da população, em gabinetes que são frequentado por políticos influentes e empresários poderosos, onde o povo que paga imposto e sofre jamais tem acesso é um atentado contra a democracia e a transparência pública.
Talvez esta seja a maior responsabilidade da CPI que foi criada e está em funcionamento na Assembleia Legislativa de MT. Além de fazer um raio “x” do PRODEIC, deveria também ouvir a população quanto ao fim deste programa que foi e tem sido desvirtuado, gerando sérios prejuízos ao nosso Estado e a população, que clama por serviços públicos de melhor qualidade, os quais necessitam de recursos orçamentários e financeiros que estão sendo mal aplicados.
Quantos leitos hospitalares, medicamentos, investimento em segurança pública, escolas, postos de saúde, obras de infraestrutura o Governo de MT poderia ter feito ou continuar fazendo com mais de RS$1,5 bilhões do por ano ou RS$15 bilhões em doze anos? Foi e continua sendo muito dinheiro público saindo pelo ralo, enquanto o povo sofre e clama desesperadamente.
Com a palavra nossos representantes políticos, nossos governantes, integrantes do TCE, do Ministério Público ou do próprio Judiciário, a quem sempre deveria caber o papel de zelar pelo planejamento, pela transparência, eficiência e eficácia dos gastos públicos.
O povo clama por ética, transparência e justiça fiscal. Isto sim, pode ser considerado tempo de mudança ou no slogan do Governo do Estado “MT, estado de transformação”, transformar também é acabar com com corrupção, com privilégios, com mamatas, com programas ineficientes! Desenvolvimento só existe quando todos participam e usufruem de seus resultados!
*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista e colaborador de vários veículos de comunicação – jornais, sites e blogs de MT e outros Estados. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com
O BRASIL NÃO AGUENTA MAIS IMPOSTOS
JUACY DA SILVA*
Como mencionei em meu artigo da última semana, o aumento da carga tributária está chegando a um nível insuportável em nosso país. No período compreendido entre o início do Governo Sarney em 1.986 e o fim do primeiro mandato da Presidente Dilma, em 2014, a carga tributária total passou de 22,4% do PIB para 37,2%, podendo chegar a 38% até o final deste ano.
Isto representa um aumento de 66,1% e indica que a cada ano os brasileiros precisam trabalhar mais para pagar impostos aos governos federal, que fica com 65% do total da arrecadação nacional, cabendo aos Estados 24% e aos municípios com apenas 11%. Em 1986 cada contribuinte precisava trabalhar 111 dias para pagar impostos e em 2015 são necessários 155 dias de trabalho.
Segundo estudos da OECD – União Europeia, em 2014 o Brasil tinha a maior carga tributária entre os países do BRIC e a segunda maior da América Latina, com 36,6%, enquanto a Rússia vinha em segundo lugar com 23%, seguindo-se a China com 20%, a África do Sul com 18% e por ultimo a Índia com 13%, mesmo patamar em que o Brasil estava em meados dos anos quarenta do século passado.
Alguns países europeus tem carga tributária superior a 40%, todavia, tais países devolvem o que os contribuintes pagam na forma de impostos, taxas e contribuições na forma de serviços públicos de qualidade e totalmente universais e gratuitos como segurança pública, educação desde o maternal até a universidade, saúde, cuidados com o meio ambiente e assim por diante; diferente do Brasil que tem carga tributária praticamente igual a tais países e em troca oferece serviços semelhantes aos países mais pobres da Ásia, África , América Latina e Caribe, ou então, nem serviços públicos são oferecidos.
Diante disto, o Sistema tributário acaba sendo, na verdade, uma extorsão institucionalizada pelo Estado e pelos diferentes níveis de governo e, ao mesmo tempo, servindo para alimentar uma estrutura que tem na corrupção, nos privilégios e nos famosos esquemas que contribuem para o enriquecimento ilícito de uns poucos e acumulação de capital nas mãos dos grandes grupos econômicos e financeiros.
No período considerado, aos poucos a União foi transferindo diversos encargos como educação, saúde, meio ambiente, segurança, assistência social, meio ambiente, outras áreas e políticas públicas aos Estados e municípios, mas mantendo uma grande concentração de recursos no âmbito do poder central. Com isso, o crescimento da carga tributária nos Estados e Municípios tem crescido em percentual maior do que da União e muito maior do que o crescimento do PIB nacional, estaduais ou municipais.
No período considerado de 1986 e 2014, o aumento da carga tributária federal foi de 53,3%, dos estados de 78,7% e dos municípios 195,2%, indicando que está havendo uma verdadeira sangria dos recursos gerados pelos contribuintes, principalmente pelas classes trabalhadora e média, enfim, os mais pobres da sociedade. O Estado brasileiro a cada ano cresce mais e demanda mais recursos para manter uma máquina ineficiente, burocratizada e corrupta.
Apesar dos baixos níveis de crescimento econômico, o aumento do desemprego e do subemprego, da inflação, ocorridos nos últimos cinco anos, incluindo um certo empobrecimento por parte da população, razão do elevado número de pessoas que estão dependentes de programas assistencialistas do governo, mesmo assim, o Governo Dilma, a título de equilibrar o orçamento da União para 2016, acaba de abrir um verdadeiro saco de maldades que terá como vítimas o chamado andar de baixo, ou seja, os trabalhadores e a classe média.
Deseja promover a volta da CPMF, o congelamento dos salários dos servidores públicos, mais cortes nos recursos de diversos ministérios e programas do governo, redução nos níveis de investimentos e um corte de oito bilhões do Sistema S – Senai, Senac, Senar, que atendem fundamentalmente filhos de trabalhadores e da classe média baixa que não tem acesso as universidades, principalmente as públicas e de melhor qualidade, e precisam se qualificar melhor para um Mercado de trabalho cada vez mais tecnificado e competitivo. Esta é uma verdadeira facada nas costas de milhões de crianças, adolescentes e jovens que sempre encontraram no Sistema S uma porta para o progresso individual. Dilma vai fechar mais esta porta como está fechando as portas do FIES e de outros programas sociais.
Enquanto isto, os banqueiros e os grandes grupos econômicos batem palmas para este pacote draconiano, como eu mencionei em meu ultimo artigo, faz como um Robin Wood as avessas, tira dos pobres para dar aos ricos. Literalmente dar através da renúncia fiscal de mais de 250 bilhões que o Governo Federal concede a grandes grupos econômicos por ano, juros subsidiados, como os concedidos pelo BNDES e por outros bancos oficiais como Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Ou então pela leniência com os grandes sonegadores que devem mais de 1,5 trilhões de reais, além da defasagem na correção da tabela do imposto de renda ao longo dos últimos 20 anos, escorchando principalmente as pessoas físicas.
A volta da CPMF, os cortes orçamentários como já ocorreram neste ano em mais de 80 bilhões e que estão afetando diversos setores, principalmente a educação e saúde, se somam ao peso dos gastos com juros e financiamento/rolagem da dívida pública, que a cada ano consomem mais de 45% dos recursos do Orçamento Geral da União. Este ano só de juros serão gastos 225,2 bilhões com juros e 1,131 trilhões na rolagem da dívida. A LOA para 2016 que deverá ser de 3,0 trilhões, reserva 1,184 trilhões para juros , encargos e rolagem da dívida, ou seja, 39,5% do orçamento.
Somente durante os quatro anos do primeiro mandato de Dilma, o Governo Federal gastou R$3,157 trilhões de reais com juros, encargos e rolagem da dívida pública interna e externa. A tendência dessa situação é piorar muito nos próximos anos, pois a dívida pública continua crescendo, igual a uma agiotagem, principalmente porque parte do endividamento do Brasil é atrelado ao dólar e com a desvalorização brutal do real que está ocorrendo nos últimos anos e meses, mais dia menos dias, vamos chegar `a situação da Grécia que foi estrangulada por uma dívida pública impagável. Atualmente o total da dívida pública brasileira corresponde a 64,1% do PIB. Aí reside, de fato, o grande estrangulamento das finanças públicas e da crise que estamos vivendo. O resto é apenas uma cortina de fumaça para desviar a atenção do povo, que vive alheio `a real situação em que vive o país.
Diante dessas distorções, não sentido fazer um verdadeiro terrorismo fiscal sobre a sociedade, afinal, um déficit de 31 bilhões em um orçamento de três trilhões, representa apenas 1%, convenhamos, o buraco é mais em baixo. Enquanto o Governo Federal não realizar uma auditoria cidadã na dívida pública e estabelecer um percentual menor, digamos no máximo de 20% do orçamento da união para os juros e encargos da dívida publica, iremos assistir um verdadeiro desastre fiscal e orçamentário como o que o governo Dilma enfrenta no momento, agravando ainda mais a crise.
Não tem sentido jogar nas costas dos contribuintes e da população em geral, principalmente das camadas mais humildes o peso desta incompetência, insensibilidade, engodo e da corrupção que são as marcas do atual governo.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
CHEGA DE IMPOSTOS
JUACY DA SILVA*
Um dos motivos da Inconfidência Mineira, que acabou levando Tiradentes à forca , mas que solidificou o sentimento libertário dos habitantes do Brasil, então colônia de Portugal, foi a chamada “derrama”, ou seja, o aumento exagerado da carga tributária que era imposta ao povo brasileiro.
Ao longo das últimas sete décadas, desde o início dos anos quarenta, os sucessivos governos foram e continuam aumentando uma abusiva carga tributária sobre todos os setores econômicos e diferentes camadas sociais. Uma constante em todos os governos tem sido a implementação de um sistema tributário regressivo, ou seja, as camadas mais humildes e os consumidores pagam proporcionalmente um montante mais pesado de impostos.
O sistema tributário brasileiro além de extremamente injusto, recai muito mais sobre o consumo, enquanto diversos outros países tributam menos o consumo e mais a renda, a riqueza e a propriedade de forma progressiva. Além deste aspecto, o nosso sistema tributário cria uma série de mecanismos que abre brechas para que grandes empresas e camadas de alta renda, os milionários e ultimamente os bilionários, acabem sendo ajudados pelo Estado no processo de acumulação de capital. O Estado brasileiro é um “Robin wood” as avessas, tira dos pobres para ajudar os ricos e isto é a maior contradição no atual governo Dilma/Lula, que tem uma retórica trabalhista e socialista, apenas de fachada.
Diversos incentivos fiscais, a título de alavancar investimentos para o desenvolvimento de algumas regiões ou setores econômicos, acabam gerando enormes distorções no sistema tributário, principalmente pela falta de transparência e falta de fiscalização pelas estruturas governamentais. Exemplos típicos, bilhões de cruzeiros ou ultimamente reais, que foram desviados sob o manto dos incentivos fiscais concedidos pela SUDAM, SUDENE e outros setores.
Agora mesmo, em Mato Grosso, uma CPI instalada na Assembleia Legislativa do Estado está retirando um verdadeiro véu que ao longo dos últimos 20 anos encobria uma política opaca de incentivos fiscais que a cada ano subtraia bilhões de reais que seriam melhor empregados na saúde, na educação, na segurança, no saneamento, na infraestrutura urbana e rodoviária, do que para beneficiar uma minoria privilegiada que tem acesso a tais recursos graças `a sua aproximação com o poder e ao tráfico de influência.
Outra distorção que afeta o sistema tributário brasileiro é a prática da renúncia fiscal adotada pela União, pelos Estados e Municípios, quando o poder público , deliberadamente, abre mão de uma parcela da arrecadação a que faz jus. Só o Governo Federal a cada ano abre mão de arrecadar mais de 250 bilhões de reais, afetando não apenas o OGU –Orçamento Geral da União, mas também os Estados e municípios, através da redução dos recursos a serem transferidos constitucionalmente através do FPE e FPM, respectivamente, Fundo de Participação dos Estados e Fundo de Participação dos Municípios.
Outra sangria nas receitas públicas tem sido a enorme parcela de tributos que são sonegados, graças à incompetência no processo de arrecadação e de recebimento de impostos sonegados, além da corrupção que acaba criando mais uma distorção no sistema. A cada ano só a União perde mais de 350 bilhões com a sonegação. O montante acumulado de tributos federais sonegados até julho ultimo, já ultrapassava R$ 1,1 trilhões, sendo que723,3 bilhões (65,7%) deste valor são de grandes sonegadores, que representam apenas 1% do universo das empresas sonegadoras.
Finalmente, para completar o quadro dessa distorção do sistema tributário/fiscal são os subsídios que acabam sendo pagos pelo tesouro nacional, onerando de uma forma generalizada os contribuintes. Os empréstimos do BNDES, por exemplo, são captados pelo Tesouro pagando juros pela taxa Selic, que no momento está acima de 14% ao ano e aquele Banco empresta a outros organismos públicos como estados e municípios e principalmente a grandes grupos econômicos a juros que mal chegam a metade dessas taxas.
Diante dessas distorções chegamos a conclusão de que não é preciso nenhum aumento da carga tributária para buscar-se o equilíbrio orçamentário e fiscal como deseja o Governo Dilma, que está praticando um verdadeiro terrorismo sobre os contribuintes. Basta ter mais eficiência na arrecadação, acabar com os favores que o governo concede, seletivamente, a grupos influentes e poderosos, reduzir a corrupção e melhorar a qualidade da gestão pública, combatendo a incompetência generalizada da administração pública.
O povo não aguenta mais tantos impostos e em troca serviços públicos de baixíssima qualidade e uma corrupção enorme. Está na hora de um basta nesta extorsão institucionalizada. Voltarei a este tema oportunamente!
*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
UM EXEMPLO QUE VEM DA GUATEMALA
JUACY DA SILVA*
A Guatemala é o terceiro maior país da América Central, com 108.9 mil km2, pouco maior do que o Estado de Pernambuco que tem 98.300 km2, com uma população de 15,5 milhões de habitantes, sendo que na área metropolitana da cidade de Guatemala, a capital, estão concentrados aproximadamente 4,8 milhões de habitantes, 31% do total da população, que em sua grande maioria , mais de 80% são descendentes dos Maias.
Apesar de ser um país subdesenvolvido, como tantos outros da América Central, Caribe e do Sul, tem uma das mais fortes economias da região, o PIB deste ano está previsto em 90,0 bilhões de dólares ou aproximadamente 340 bilhões de reais, pouco menos do que o PIB de Minas Gerais ou quase cinco vezes o PIB de Mato Grosso.
Este é um país marcado por revoluções, golpes de estado e que viveu em Guerra civil entre 1960 e 1996, tendo de um lado grupos que recebiam apoio dos EUA e de outro grupos de esquerda. Durante este período mais de cem mil pessoas foram mortas, incluindo alguns massacres contra indígenas e quase um milhão deixaram o país, fugindo da Guerra civil, a maioria com destino aos EUA.
Em 1990, como integrante do Inter-American Defense College, tive a oportunidade de visitar a Guatemala e a Costa Rica por duas semanas em viagem de estudos. Apesar do clima de violência e medo decorrente da Guerra civil, como observadores podíamos ver que a esperança de um futuro sem violência, com desenvolvimento e democracia era a energia que movia aquele povo humilde e sofrido da Guatemala.
Todavia, os atuais governantes traíram as esperanças do povo ao transformarem a corrupção em instrumento de gestão pública, podendo lançar novamente o país em um novo período de conflito e instabilidade econômica, política, institucional e social.
O atual governo que teve inicio em 2012 e tudo levava a crer que a Guatemala iria passar por um período de estabilidade democrática. Todavia, aos poucos vários integrantes do governo passaram a ser acusados de corrupção, muitos dos quais acabaram renunciando, até que há poucas semanas a vice-presidente da República foi afastada do cargo e presa, por envolvimento com a corrupção, conforme organismos vinculados a ONU que combatem a corrupção constataram que tais práticas estavam alastradas pelas diversas instâncias do Governo.
Inconformada com a situação, há meses, bem mais de um ano, a população da Guatemala está saindo às ruas em protestos contra a corrupção no Governo. Atendendo aos reclamos populares, o Congresso há poucas semanas cassou a imunidade do Presidente e iniciou um processo de investigação quanto ao envolvimento do mesmo em casos de corrupção e por considerar que o Presidente sabia e na verdade comandava um grande esquema de corrupção, responsável por verdadeiras quadrilhas que dilapidavam os cofres públicos e faziam tráfico de influência.
Como as pressões populares aumentaram não restou ao Presidente Otto Molina, agora ex-presidente, outra alternativa a não ser a renúncia, na esperança de que seu ato pudesse trazer a tão sonhada paz social e política e estancar as acusações de corrupção contra o seu governo, as vésperas das eleições gerais, incluindo para Presidente da República.
O que o Presidente não imaginava é que tão logo deixasse o cargo seria preso e iria ter que prestar contas à justiça e ao povo guatemalteco e poderá ser condenado a décadas na cadeia, local de residência de todos os corruptos tanto naquele país quanto em outros abaixo ou acima do linha do equador.
Qualquer semelhança da situação da Guatemala e o que tem sido revelado no MENSALÃO, no PETROLÃO/LAVA JATO e em outros setores da Administração brasileira, pode não ser mera coincidência, já que a corrupção é uma verdadeira epidemia que está muito presente em todos os países, principalmente na América Latina.
Oxalá também no Brasil, como está acontecendo na Guatemala, os corruptos possam pagar pelos seus crimes e ver o sol nascer quadrado por vários anos e que isto possa servir de exemplo para que outros ladrões de colarinho branco ou outras vestimentas também sejam demovidos de roubar o dinheiro público!
*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
O AGRAVAMENTO DA CRISE
JUACY DA SILVA*
Parece que nossas autoridades, governantes em todos os níveis e poderes, não conseguem encontrar um rumo para que o Brasil possa sair de uma das mais graves crises em que se encontra atualmente. Não bastassem as crises econômica, social, moral, financeira, orçamentária que estão destruindo a economia e as esperanças do povo brasileiro, aos poucos também está vindo à tona uma crise institucional que pode lançar o país em um caos maior do que imaginamos, com sérios riscos para a estabilidade institucional e a democracia.
A inflação acumulada de janeiro a agosto já chegou a 7,35% e ainda temos mais sete meses pela frente, tudo leva a crer que a inflação em 2015 deva superar os 10%, sendo que nos últimos doze meses já chegou a 9,04%. Como normalmente a inflação penaliza mais as camadas mais pobres e a classe média baixa, além de aposentados, cujos ganhos estão abaixo de dois salários mínimos, isto deverá fomentar mais insatisfação não apenas nessas camadas, mas também e principalmente junto aos servidores públicos, cujos salários estão muito defasados em relação à inflação acumulada nos últimos dez anos, próximo de 45% e isto é sentido por todas as categoriais de trabalhadores, que recorrem às greves não por aumento salarial mas sim pela recomposição das perdas inflacionárias, ocorridas nos governos Lula e Dilma.
Em um cenários como este não é difícil prever que o Brasil irá enfrentar uma das maiores fases de greves e manifestações populares, cuja origem da insatisfação é a perda do poder aquisitivo, a queda da renda dos trabalhadores e aposentados a que se somarão mais de 12 milhões de desempregados e o dobro de subempregados por este Brasil afora. São mais de 90 milhões de pessoas insatisfeitas com o atual governo e nossas instituições que estão aquém das necessidades e das aspirações do povo.
Neste contexto começam também a surgir rusgas entre autoridades como integrantes do STF, TSE, Procurador de Justiça, Tribunal de Contas da União, Senadores, Deputados Federais, Governadores e a Presidência da República.
O que está acontecendo no Rio Grande do Sul pode ser uma amostra do que poderá vir a acontecer em diversos estados e municípios. Lá o atual governo eleito há pouco mais de seis meses, herdou um estado falido, com um nível de endividamento acima do que se consegue administrar. Esta é a herança deixada pelo governo do PT que o antecedeu.
Sem recursos para pagar salários o atual governo só encontrou duas alternativas, deixar de pagar parcelas da dívida com a União e, ainda mesmo assim, ter que parcelar em duas ou até quatro vezes os salários dos servidores, gerando mais greves e o caos, agravado ainda mais pelo bloqueio que o Governo Federal fez em relação aos repasses para o Estado. Se o atual governo, que não se alinha com o gestão Dilma , fosse do PT com certeza o governo federal seria mais “compreensivo”, como tem sido com vários grandes grupos econômicos que continuam mamando nas tetas dos bancos oficiais.
Outro dado ilustrativo da gravidade da atual crise é o fato de que o Governo Dilma, pela primeira vez na história recente, em mais de 50 anos, apresentou ao Congresso um orçamento deficitário para o ano seguinte (LOA para 2016), em mais de 30 bilhões, mas que para muitos analistas este déficit pode ser muito maior, atingindo a casa dos 70 ou 80 bilhões de reais. O mesmo foi feito pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, LOA para 2016 com mais de 15 bilhões de déficit.
Se ao longo de décadas o Governo Federal apresentava “superavit primário” para poder pagar parte dos juros e encargos da dívida pública, que mesmo assim, durante os governos Lula e Dilma passou de 586 bilhões de dólares para algo em torno de 2,4 trilhões em dezembro vindouro, podemos imaginar o impacto que este caos orçamentário e financeiro terá sobre a dívida pública, que já consome quase 50% do OGU – Orçamento Geral da União, apesar do aumento descomunal da carga tributária brasileira, que já beira 40%, uma das maiores do mundo e serviços públicos semelhantes aos países mais pobres da África, Ásia e América Latina e Caribe.
Em um cenário como este não é difícil prognosticar que os protestos, movimentos de massa e a pressão para que a presidente Dilma renuncie ou sofra o impeachment vai ficar cada vez mais forte. O FORA DILMA, FORA PT, FORA LULA vão estar ecoando com mais vigor pelos próximos meses e no ano que vem quando serão realizadas eleições municipais.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.profeessorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
VIAGENS E MENSAGENS DE FRANCISCO
JUACY DA SILVA*
Em pouco mais de dois anos e quase quatro meses, o Papa Francisco faz mais uma viagem internacional, desta vez aos três países com maiores índices de pobreza, indígenas e seus descendentes da América do Sul: Equador, Bolívia e Paraguai, bem no coração do continente.
Nessas viagens Francisco tem aproveitado tanto para dialogar com a própria igreja, que sofre quanto para levar suas mensagens de fé, de esperança, de justiça, de equidade e caridade; avivando a fé de milhões de católicos, quanto para abrir e aprofundar um diálogo inter-religioso e intersocial.
Suas recentes cartas apostólicas e Encíclicas não deixam dúvida que aos poucos está revolucionando tanto as estruturas da Igreja quanto as práticas de evangelizar. No diálogo interno, com o mundo católico, tem estimulado a discussão sobre temas até então proibidos ou que eram tratados de forma velada, jamais com a coragem e ao mesmo tempo com a humildade que Francisco trata dos mesmos.
Temas como o sacramento da comunhão para os separados ou recasados; a questão do homossexualismo, do celibato, a questão dos padres casados, o papel dos leigos e leigas na igreja, a pedofilia que denigre clérigos e a Igreja, a corrupção no Banco Vaticano e na própria Igreja não tem escapado aos olhares e orações de Francisco, este papa que veio do fim do mundo, como ele mesmo o disse ao ser escolhido para ocupar o Trono de São Pedro.
Depois do papado de Gregório III, que governou a Igreja Católica entre 731 e 741, nascido na Síria, são mais de 1.270 anos que um papa não europeu é escolhido. Francisco foi o primeiro papa do continente Americano, da América Latina e do Sul e também o primeiro papa jesuíta a assumir o trono de São Pedro, escolhendo muito apropriadamente o nome em homenagem a São Francisco de Assis, o santo dos pobres e do meio ambiente.
Talvez por todas essas razões podemos entender a urgência que Francisco trabalha para dar uma nova cara para a Igreja, um pouco mais comprometida com o destino dos pobres, dos excluídos, sua condenação às práticas de violência e preconceitos, as guerras, os conflitos e a prepotência dos governantes e o materialismo dos portentados. De nada adianta amealhar poder e riqueza, nada disso é levado ao final de nossa vida aqui na terra, parece querer dizer Francisco em suas mensagens, por isso sua ênfase na caridade, na equidade , na justiça social e na solidariedade e nos cuidados com a natureza.
Aos líderes nacionais e internacionais ele os exorta às boas práticas da governança, o uso do poder para promover ações voltadas aos pobres e não para enriquecerem ainda mais os ricos. Por tabela faz uma condenação constante a corrupção no governo, na sociedade e na Igreja. Aos ricos ele os exorta para que sejam mais humildes, menos prepotentes, menos egoístas, menos materialistas e a ajudarem a cuidar das obras da criação, onde o meio ambiente merece um grande destaque. Foi neste sentido que escreveu recentemente a chamada ENCÍCLICA VERDE, para que todos tenhamos um pouco mais de respeito e cuidado com o meio ambiente, reduzindo o consumismo e a degradação ambiental.
Nesta viagem a América do Sul, em um de seus pronunciamentos na Bolívia, talvez movido pela compaixão frente à pobreza e exclusão social, econômica e política, Francisco enviou um duro recado tanto aos países ricos quanto aos ricos que exploram os pobres ao condenar de forma explícita o capitalismo, pela forma como o mesmo continua explorando o povo e disse que a economia precisa ser mais solidária e humana, ou seja, precisamos colocar limites na busca desenfreada pelo lucro. Neste contexto voltou a condenar a destruição do meio ambiente na busca desenfreada por resultados imediatistas, esquecendo-se de que o passivo ambiental acabará sendo pago por todos, principalmente, pelos mais pobres e as gerações futuras.
Francisco fala mais diretamente ao coração dos pobres, razão pela qual é tão aplaudido em todas as suas viagens, inclusive a que fez ao Brasil e nesta atual aos países mais pobres da América do Sul. Oxalá também os poderosos, os governantes e as elites que se dizem cristãos e a maioria desses que se dizem católicos ouvissem e praticassem o que Francisco tem dito. Com certeza o mundo, nossos países e nossas sociedades seriam muito melhores, livres das mazelas que tanto infelicitam o povo, principalmente os menos afortunados.
Suas mensagens também são dirigidas diretamente à Igreja para que volte-se mais voltem- aos pobres, os humildes e excluídos, razão maior de seu pontificado. Nossos países , o mundo e a Igreja tem muito a aprender com Francisco.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com
DILMA E SUAS BRAVATAS
JUACY DA SILVA*
Seguindo a mesma “escola” e formas de mistificar a realidade que seu criador e antecessor ex-presidente Lula, a atual presidente Dilma, sempre que acuada pelas notícias, pelos meios de comunicação e pela opinião pública tenta desqualificar tanto as acusações quanto seus acusadores.
Parece que ambos são mestres na arte de dissimulação e enrolação através de muitas lorotas e bravatas como a que a mesma acaba de proferir em entrevistas durante sua atual viagem aos EUA. Indagada e bombardeada pelos jornalistas brasileiros e alguns estrangeiros quanto às denúncias feitas no andamento da operação LAVA-JATO, que apura o maior escândalo de corrupção na história brasileira, Dilma não se fez de rogada e disse “não respeitar delatores”.
Na sequência tentou comparar as denúncias do Presidente da UTC , uma das grandes empreiteiras, que é acusado de ser o ‘presidente do clube das empreiteiras” que até pouco tempo tinha livre acesso a gabinetes palacianos e ministeriais, com as tentativas que os agentes dos governos militares no DOI/CODI tentavam transformar presos políticos em delatores de “companheiros” que lutavam contra o governo e o Estado naquela época.
Ninguém ignora que após deixar a presidência da República Lula viajou algumas vezes em jatinhos da empreiteira Odebrecht a outros países onde a referida empreiteira e outras mais tinham atividades e recebiam financiamentos do BNDES, os quais ainda estão encobertos por um manto de sigilo, verdadeiras operações secretas, que Dilma vetou para que não se tornassem públicas e transparentes.
Tal comparação não tem nenhuma relação e representa uma distorção da história política e institucional brasileira e, ao mesmo tempo, é uma agressão ao ordenamento jurídico estabelecido democraticamente, que oferece aos criminosos tanto de colarinho branco quanto os bandidos cujos colarinhos são de outras cores, a colaborarem com a justiça, mediante um acordo livre e assistido por seus advogados, apresentando dados e informações que facilitem a justiça chegar a atos praticados por outros criminosos que ainda não prestaram contas à justiça.
Com certeza a OPERAÇÃO LAVA-JATO, presidida pelo Juiz Federal Sergio Moro, tendo o apoio do Ministério Público Federal e as ações investigativas da Polícia Federal deverão ir a fundo nessas denúncias, doa a quem doer, como costuma dizer a Presidente Dilma, e a verdade deverá vir a tona.
As denuncias feitas pelo Presidente da UTC e de outros presos pela operação LAVA-JATO, não foram feitas sob tortura ou qualquer constrangimento, mas amparadas pela legislação e princípios legais, constitucionais, não precisando a Presidente diga que caberá a Justiça, ao Ministério Público e a Polícia Federal fazer, pois cabe a essas instituições apenas cumprirem suas missões, investigarem e punirem os culpados.
Se houve dinheiro sujo nas campanhas de Lula, de Dilma e de outros políticos, isso é crime e como tal deverá ser tratado e os responsáveis punidos com os rigores da Lei, afinal vivemos em um Estado de direito e democrático, em uma República, onde todos devem ser tratados de forma igual, sem privilégios. Está mais do que na hora de o Brasil acabar com a imunidade, o foro privilegiado, os privilégios dos governantes e portentados. Só assim o combate `a corrupção será algo verdadeiro e não apenas para “inglês ver”. A denúncia foi feita formalmente pelo presidente da UTC, cabe agora essas entidades irem a fundo nas investigações.
Desde a década de noventa, portanto há quase vinte anos, o Brasil é signatário de vários tratados internacionais aprovados pela ONU, OEA, OECD e outros mais, para que o combate `a corrupção seja uma prática efetiva por parte dos governos nacionais.
Apesar disso, diversos casos escabrosos de corrupção, onde o MENSALÃO e o PETROLÃO – LAVA JATO são os símbolos maiores, ocorreram e continuam a ocorrer durante os mandatos de Lula e Dilma, atingindo figuras importantes de seus governos e do PT e outros partidos aliados no Congresso.
Com certeza não será com bravatas e lorotas que os atuais donos de poder irão intimidar o Ministério Público, a Polícia Federal e muito menos juízes íntegros como o ex-Ministro Joaquim Barbosa e o Juiz Federal Sérgio Moro. Estamos em plena fase da operação “mãos limpas” tupiniquim. Praza Deus que possamos passar nosso país a limpo e banir os corruptos e as práticas de corrupção no Governo e meio empresarial como aconteceu na Itália há algumas décadas.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta, Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy
MEIO AMBIENTE E SAÚDE
JUACY DA SILVA*
No ultimo dia 08 deste mês de junho foi comemorado em todos os países o DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE, instituído pela ONU durante a primeira conferência do meio ambiente realizada em Estocolmo na Suécia, em 1972. Portanto, lá se vão 43 anos desde que o mundo acordou para este desafio que é cuidar melhor do meio ambiente e preservar a vida no planeta.
O tema deste ano para comemorar o DIA MUNDIAL DO MEIO AMBIENTE é: “ Sete bilhões de sonhos, um planeta: consuma com cuidado”. Este tema chama a atenção para os limites de crescimento, de um lado o aumento populacional mundial, hoje somos sete bilhões e dentro em breve seremos nove bilhões de pessoas e de outro os riscos da degradação ambiental. O problema não está apenas em relação `a pressão que a população exerce sobre os ecossistemas em termos de produção de alimentos, de energia, de matérias primas, de água e do solo, mas principalmente o que isto significa para o futuro da humanidade.
Para efeito de reflexão e das ações que devem ser realizadas pelos governos de todos os países e em todos os níveis de poder em cada país e também pela população, mas também na questão do desperdício que o consumismo esta estimulando. O tema é desdobrado em quatro dimensões: água, energia, uso do solo e o consumo acelerado de bens e serviços que acabam representando uma pressão muito grande sobre o meio ambiente. Para alimentar uma população de bilhões de pessoas os sistemas econômicos gastam água, solo e energia, que são fatores escassos e acabam também sendo degradados com a erosão, o assoreamento dos rios e lagos, o desmatamento continua acelerado em vários países e essa dinâmica econômica, em busca de um lucro a qualquer preço deixa um rastro de destruição ou o que é modernamente chamado de passivo ambiental.
Pior em tudo isto é perceber de um lado o consumismo que leva a um desperdício de alimentos, cujo custo mundial é superior a 750 bilhões de dólares por ano. . Mas o desperdício de alimentos também representa o desperdício de água, de solo e de energia que foram usados para a sua produção.
Estamos em pleno período da realização das conferências municipais de saúde, quando a população de todos os municípios do Brasil está discutindo a situação e os rumos da saúde pública em nosso país. Qual o tamanho do CAOS em que se encontra a saúde e quais os rumos que devem ser tomados para que este direito constitucional possa deixar de ser letra morta em nossa Carta Magna para se transformar em uma realidade concreta do dia-a-dia das pessoas?
Boa parte das doenças que a população enfrenta têm suas origens na degradação ambiental. As queimadas urbanas e rurais, os sistemas de produção agrícola assentado sobre o uso exagerado de agrotóxicos, onde o Brasil é o segundo maior consumidor mundial, a falta de saneamento básico, os lixões, os esgotos escorrendo a céu aberto, tudo isso afeta a saúde da população, principalmente das camadas mais empobrecidas do país.
O SUS gasta anualmente mais de 400 milhões de reais para tratrar pessoas que são internadas em decorrência de diarreias, além de muitos outros milhões com doenças respiratórias e outras mais decorrentes da falta de cuidado com o meio ambiente. Costuma-se dizer que para cada real investido em saneamento e cuidados ambientais poderiam ser economizados quatro reais no tratamento de doenças. Saneamento, neste sentido, também é saúde.
Mais de 61% da população brasileira, ou seja, 124 milhões de habitantes não tem tratamento de esgoto. Na região norte esta é a realidade de 83,4% da população; no Nordeste 76%; no Sudeste 61,; na região Sul 68%e no Centro Oeste 55,1%. Ou seja, milhões de brasileiros convivem com valões, córregos, rios e oceanos estão morrendo devido `a falta de saneamento. Na verdade são grandes esgotos a céu aberto, onde animais, lixo e toda sorte de dejetos produzem mal cheiro e riscos para a saúde da população.
Em nosso maior aglomerado urbano de Mato Grosso, por exemplo, Cuiabá tem apenas 39,9% de esgotos tratados e Várzea Grande 21% e a média no restante do Estado é de menos de 20%. Neste aglomerado que tem pouco mais de 820 mil habitantes 66% da população não é servida por tratamento de esgoto, são aproximadamente 540 mil habitantes, convivendo com uma das formas de degradação ambiental.
A pergunta que se faz, isto é correto, é digno? Qual a qualidade de vida dessas pessoas? Qual a saúde que tem? Qual o futuro que nos espera? Com a palavra nossos representantes eleitos, nossos gestores públicos, enfim, nossos governantes que continuam insensíveis a este drama que afeta dezenas de milhões de brasileiros/as.
*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta.
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AGENDA VERDE E DESENVOLVIMENTO
JUACY DA SILVA*
Desde os escritos de Malthus, principalmente com a publicação intitulada “Ensaios sobre o crescimento populacional” em 1.798, existe um debate entre a capacidade de produção de alimentos e matérias primas no planeta e o crescimento demográfico.
Observando o crescimento populacional, a produção de alimentos e a melhoria dos níveis de bem estar nos quatro séculos que antecederam suas pesquisas, Malthus resumiu sua teoria afirmando que enquanto a capacidade de produção de alimentos e matérias primas crescia em uma progressão aritmética, o crescimento populacional seguia um projeção geométrica. Se nada fosse feito, com certeza a fome e a mortalidade acabariam se encarregando de restaurar um equilíbrio entre estes dois vetores.
Em 1800, dois anos após a publicação da obra de Malthus, a população mundial era de aproximadamente UM BILHÃO de habitantes. Cinco décadas depois, em 1.850, a população mundial havia atingido o patamar de 1.265 bilhões, ou seja, foram necessários 50 anos para que o mundo tivesse este aumento populacional.
Em 2000 a população mundial atingiu 6.090 bilhões de pessoas e no dia 01 de julho próximo (2015) seremos 7.325 bilhões de habitantes no planeta terra. Em apenas 15 anos a população mundial cresceu em 1.163 bilhões de habitantes, ou seja, 4,4 vezes o crescimento de cinco décadas no período após a publicação dos estudos de Malthus.
As previsões de Malthus não se concretizaram de forma tão catastróficas como ele imaginava, principalmente pelo avanço da ciência e da tecnologia que permitiram uma verdadeira revolução na produção agrícola, pecuária e de diversas matérias primas animais, vegetais e minerais. A fome, mesmo muito presente em diversas partes do mundo, que afeta mais de dois bilhões de pessoas, ocorre muito mais pelos desníveis socioeconômicos e exclusão dessas pessoas do que propriamente pela falta de produção.
Todavia, desde a publicação da obra “Os limites do crescimento” pelo Clube de Roma em 1972, além da primeira conferência do meio ambiente realizada pela ONU em junho de 1972, em Estocolmo na Dinamarca até a próxima conferência sobre mudanças climáticas, a ser realizada entre 30 de novembro e 11 de dezembro deste ano (2015), tanto a ONU quanto diversos organismos internacionais , universidades e instituições de pesquisas governamentais e não governamentais tem batido na tecla dos limites e hiato entre um crescimento acelerado da população e como consequência imediata o aumento rápido do consumo, seja decorrente do aumento demográfico em si, seja pelo aumento do poder aquisitivo de grandes massas até então alijadas do Mercado e também pelo enorme desperdício que ocorre em todos os países.
A ampliação da produção e oferta de alimentos e matérias primas de forma rápida tem ocorrido em total desrespeito ao meio ambiente, razão pela qual a ONU tem enfatizado ao longo dos últimos 43 anos a importância de serem incluídas a ideia e as práticas de sustentabilidade, ou seja, o crescimento econômico tem um prêco ambiental. Não é justo e nem ético que as atuais gerações deixem esta fatura para as próximas gerações. A maior parte dos recursos naturais são finitos e a sua exploração sem critérios de sustentabilidade e respeito ambiental vai aumentar os problemas em todos os países. Recursos como água, solo, subsolo, fontes energéticas e mesmo o ar, devem ser tratados com parcimônia e respeito pelas gerações atuais, principalmente o setor produtivo e os consumidores.
Entre 1972 e os dias atuais vários alertas já foram dados na forma de estudos, conclusões e recomendações de inúmeros eventos, principalmente sob os auspícios da ONU, valendo destacar: A Eco-92, conferência sobre meio ambiente realizada em nosso país; o Simpósio sobre desenvolvimento sustentável realizado em Johanesburgo, África do Sul em dezembro de 2002; o Protocolo de Kyoto, sobre o Clima, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada em dezembro de 2009, em Copenhagen, Dinamarca; a Rio + 20, sobre desenvolvimento sustentável, realizada novamente no Brasil em 2012 e no ano de 2014, os simpósios e pré-conferência sobre as mudanças climáticas em New York e Lima, como preparação do que poderá ser a grande conferência de Parias no final deste ano.
Percebe-se que o desenvolvimento mundial e de cada país, cada estado/província e municípios tem que estar articulado com uma grande agenda verde, onde as questões ambientais diretas ou indiretas precisam estar no âmago das diversas políticas públicas, sob pena dos problemas que enfrentamos hoje tornarem-se mais graves e de difícil solução.
A pergunta que não quer se calar: Será que nossos governantes, empresários, universidades, ONGs, enfim , a população em geral, tem consciência das catástrofes que poderão afetar bilhões de pessoas, o nosso futuro planetário e também nosso futuro imediato como pessoas?
*JUACY DA SILVA, professor universitário, fundador, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, articulista de A Gazeta. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com












