Terça, 26 Maio 2026 14:34

 

Mais de 100 docentes de diferentes regiões do país participaram, entre os dias 22 e 24 de maio, em Campinas (SP), do II Seminário Nacional de Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas do ANDES-SN. O encontro se consolidou como um importante espaço de debate coletivo sobre os desafios organizativos, financeiros e democráticos do Sindicato Nacional e aprofundou discussões que irão subsidiar o Conad Extraordinário, previsto para novembro em Brasília (DF).

Realizada no Auditório Milton Santos, no Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a atividade tratou dos Textos de Resolução (TRs) do Tema IV - Questões Organizativas e Financeiras, que não foram apreciados no 44º Congresso do ANDES-SN, realizado em março deste ano.

 

Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN

 

Antes do início dos debates, na manhã de sexta-feira (22), ocorreu o lançamento oficial do Painel “Mais Verbas”, plataforma interativa do ANDES-SN voltada ao acompanhamento dos dados sobre o financiamento das instituições públicas federais e estaduais de ensino superior no Brasil. Durante a apresentação, Diego Marques, 2º tesoureiro e encarregado de Imprensa e Divulgação do ANDES-SN, destacou que o portal foi criado para ampliar o debate público e fortalecer a mobilização em defesa da educação superior pública. “O portal é bastante intuitivo e vai ajudar nossos colegas pesquisadores, vai ampliar o debate com a categoria e permitir que a sociedade brasileira conheça melhor a situação do financiamento das instituições públicas de ensino superior no país”, afirmou. Acesse aqui o painel aqui.

Fundo Único e rateio 
A primeira plenária discutiu o Fundo Único e o sistema de rateio dos eventos deliberativos da entidade. Entre as propostas apresentadas, o TR 80 sugere a suspensão temporária das contribuições ao Fundo Único quando as reservas financeiras do Sindicato Nacional ultrapassarem determinado limite em relação à arrecadação anual. Já o TR 87 propõe utilizar parte do “superávit financeiro”, quando houver, para reduzir os custos de participação das seções sindicais em Congressos e Conads. O TR 88, por sua vez, defende que o caixa nacional assuma integralmente os custos dos eventos deliberativos, extinguindo o atual modelo de rateio.

Na abertura do debate, Sérgio Barroso, 1º tesoureiro do ANDES-SN, afirmou que a discussão envolve não apenas aspectos financeiros, mas também princípios históricos de solidariedade e autofinanciamento da entidade. Segundo ele, o atual sistema — com 80% da arrecadação destinada às seções sindicais e 20% ao caixa nacional — é fundamental para garantir a sustentação política e organizativa do ANDES-SN. Para o tesoureiro, a criação de um teto ou o fim do Fundo Único comprometeria a capacidade de luta e resistência do sindicato diante dos ataques à educação pública.

 

 

Em contraponto, Michele Schultz, docente da Universidade de São Paulo (USP) e uma das signatárias do TR 80, argumentou que a proposta não busca extinguir o Fundo Único, mas revisar sua metodologia diante das dificuldades financeiras enfrentadas por diversas seções sindicais. De acordo com ela, o objetivo é estabelecer critérios proporcionais à arrecadação da entidade, preservando o funcionamento das bases locais.

As intervenções evidenciaram posições distintas sobre o modelo de financiamento do Sindicato Nacional. Parte das falas defendeu a manutenção do Fundo Único e do rateio como expressão de uma concepção sindical baseada na solidariedade e no fortalecimento coletivo das bases. Outras intervenções cobraram maior flexibilização das contribuições, transparência nos gastos e revisão das metodologias de arrecadação e distribuição dos recursos.

De acordo com Virgínia Assunção, 2ª vice-presidenta da Regional Nordeste 1 do ANDES-SN, o debate foi marcado por ampla participação da categoria e ajudou a aprofundar a reflexão sobre a organização financeira da entidade. “A plenária foi muito participativa e evidenciou o papel do Conad como espaço de fiscalização e transparência do Sindicato Nacional. Todas as prestações de contas e investimentos da direção nacional são públicas e debatidos coletivamente”, afirmou.

Fundo eleitoral e custeio

A segunda plenária abordou o financiamento das eleições do ANDES-SN, o custeio dos processos eleitorais nas seções sindicais e o uso da virtualidade nas eleições.

O TR 79, apresentado pela diretoria, propõe a elaboração de estudos e debates sobre o financiamento das chapas nas eleições nacionais e sobre formas de reduzir o impacto do rateio dos eventos para as seções sindicais.

Maria do Céu, 3ª tesoureira do Sindicato Nacional, destacou que o debate envolve não apenas os custos das eleições, mas também os desafios da multicampia e da autonomia das seções sindicais. Para a diretora, diferentes realidades convivem no sindicato, com bases que realizam eleições simultâneas às da diretoria nacional e outras que adotam calendários próprios.

 

 

Já o TR 86 propõe que os custos das eleições da diretoria nacional sejam financiados pelo caixa nacional, além da criação de um modelo de financiamento público e igualitário para as campanhas das chapas.

Na defesa da proposta, Fran Rebellato, diretora da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Sesunila SSind.), argumentou que as questões organizativas e financeiras estão diretamente ligadas à política sindical e apontou a existência de um “déficit de democracia interna” no Sindicato Nacional. Ela defendeu um percentual da arrecadação anual do ANDES-SN para o financiamento igualitário das chapas eleitorais, sob coordenação da comissão eleitoral. No entanto, ressaltou que os percentuais e formatos ainda devem ser construídos coletivamente nos espaços deliberativos do sindicato.

Parte das intervenções manifestou preocupação com o uso de recursos do caixa nacional para financiar campanhas eleitorais, argumentando que isso poderia estimular a fragmentação política e ampliar disputas burocráticas internas. Também houve críticas ao uso da virtualidade nas eleições, considerada por algumas intervenções um fator de enfraquecimento da participação sindical presencial.

“Foram relatadas as dificuldades financeiras das seções sindicais e a possibilidade de ampliar a democracia do sindicato com o financiamento pelo caixa nacional. Por outro lado, foram expostas dúvidas de que o caixa nacional tenha condições de arcar com todos esses custos e de que essa política esteja de acordo com algumas questões, que são muito caras para nós, como a concepção de Sindicato Nacional, em que as seções sindicais compartilham essa responsabilidade com a diretoria nacional, assim como o fazem no processo de elaboração e implementação da política do Sindicato Nacional”, avaliou Daniele Cunha, 1ª vice-presidenta da Regional Rio Grande do Sul do ANDES-SN.

Democracia e proporcionalidade

Os debates continuaram na manhã de sábado (23) com a plenária sobre composição da diretoria nacional e das secretarias regionais.

O TR 83 defende o aperfeiçoamento da democracia interna, propondo que a constituição da Diretoria Nacional do ANDES-SN passe a adotar o critério da proporcionalidade qualificada. Com isso, a composição da diretoria passaria a refletir os votos obtidos por cada chapa nos processos eleitorais, remetendo ao 69º Conad a tarefa de construir as mudanças estatutárias necessárias para serem objeto de deliberação no 45º Congresso do ANDES-SN.

Welbson Madeira, docente da Universidade Federal do Maranhão (Ufma) e um dos signatários da proposta, afirmou que o modelo atual, baseado em chapas majoritárias, já não responde à diversidade política existente na categoria e defendeu a adoção da proporcionalidade na composição da diretoria e das secretarias regionais para ampliar a democracia interna e garantir maior representação das diferentes correntes políticas na direção do ANDES-SN.

Ele argumentou que o sindicato deve funcionar como uma “frente única”, assegurando espaço para que todas as forças políticas possam expressar suas posições nas instâncias e diretorias. O docente questionou a estrutura atual da direção nacional e das secretarias regionais, defendendo que o modelo foi concebido em outro contexto histórico e precisa ser atualizado diante da fragmentação política existente hoje no movimento docente.

 

 

Já o TR 85, que propõe que as secretarias regionais sejam eleitas em chapas separadas da direção nacional dentro do mesmo processo eleitoral, foi defendido pela docente Soraya de Carvalho, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Segundo ela, há uma “crise organizativa” no ANDES-SN com o excesso de centralização e dificuldades para a expressão de posições minoritárias nos espaços deliberativos. A docente também defendeu o fortalecimento político das secretarias regionais, com maior protagonismo na articulação das lutas locais e nacionais, e afirmou que mudanças organizativas podem contribuir para “oxigenar” a direção do sindicato e ampliar a participação democrática da base.

Márcio Ribeiro, presidente da Associação de Docentes da USP (Adusp Seção Sindical), defendeu o TR 93, que abre a possibilidade para o voto não presencial exclusivamente para eleições de diretorias e conselhos de representantes, desde que aprovada em assembleia local e respeitados os princípios de sigilo e transparência.

Para Ribeiro, a proposta trata exclusivamente da autonomia das seções sindicais para definir a forma de realização de suas eleições internas, sem alterar o caráter presencial das instâncias deliberativas do sindicato. O docente destacou que o texto diferencia os momentos de debate político e formulação coletiva — que, segundo ele, devem permanecer presenciais — do momento específico da votação eleitoral, que poderia ocorrer de forma eletrônica. Conforme ele, as eleições presenciais têm se tornado cada vez mais complexas e custosas, especialmente em seções sindicais multicampi, como a Adusp SSind., diante das dificuldades para garantir voluntários, urnas e logística em unidades espalhadas geograficamente.

Já o TR 89 propõe eleições mais inclusivas, ao exigir que o regulamento eleitoral seja aprovado em Congresso e que a Comissão Eleitoral tenha constituição proporcional às forças presentes. Sugere ainda a implementação de votação secreta e individual por ferramentas digitais acessíveis, visando garantir a participação de docentes aposentados e aposentadas, de pessoas com deficiência e daquelas com mobilidade reduzida.

Marcos Soares, 1º vice-presidente da Regional São Paulo do ANDES-SN, defendeu que o debate sobre proporcionalidade ou majoritariedade deve partir do princípio da democracia sindical, mas considerar também a “materialidade” da organização do sindicato. Segundo ele, mecanismos como o rateio solidário, os comandos nacionais de greve e as assembleias de base já expressam uma concepção democrática construída historicamente no ANDES-SN.

O diretor argumentou ainda que as chapas representam programas políticos distintos e avaliou que uma direção proporcional poderia gerar dificuldades de implementação política, diante da existência de diferentes programas na mesma gestão. Soares também se posicionou contra a proposta de eleições separadas para diretorias regionais e nacional, afirmando que isso fragmentaria a concepção de Sindicato Nacional e criaria uma cisão entre as estruturas regionais e a direção nacional.

 

 

Já Diego Marques, 2º tesoureiro do Sindicato Nacional, destacou que o ANDES-SN surgiu em um contexto de forte unidade de ação da classe trabalhadora durante a redemocratização e a resistência ao neoliberalismo, mas avaliou que o cenário atual é marcado por maior fragmentação política, tanto no sindicato quanto no conjunto da esquerda e do movimento sindical.

Marques afirmou que o principal desafio é preservar o sindicato como instrumento de unidade de ação da categoria, independentemente do modelo de direção adotado. Para ele, o fundamental é garantir que o ANDES-SN continue expressando os diferentes níveis de consciência política da categoria e seja capaz de construir direção coletiva da classe trabalhadora. Segundo o diretor, o debate organizativo deve buscar formas de enfrentar a fragmentação política sem comprometer a unidade sindical.

Em seguida, o debate foi aberto às e aos presentes, que apresentaram suas defesas sobre democracia interna, proporcionalidade e virtualidade nas eleições das seções sindicais. 

 

 

Uma parte das intervenções defendeu que o ANDES-SN já possui uma estrutura profundamente democrática, baseada nas decisões de congressos, assembleias e instâncias de base, avaliando que a proporcionalidade poderia ampliar a fragmentação política, burocratizar o funcionamento da entidade e enfraquecer a unidade do Sindicato Nacional. Também houve críticas às propostas de eleições virtuais e separadas para as regionais, consideradas fatores de desagregação política e afastamento do trabalho de base.

Por outro lado, docentes favoráveis à proporcionalidade argumentaram que o modelo atual já não responde à diversidade política existente na categoria e que mudanças organizativas poderiam ampliar a participação democrática, oxigenar a direção e enfrentar práticas consideradas hegemonistas ou autoritárias. Algumas falas também defenderam a necessidade de atualizar o modelo organizativo do sindicato diante das transformações históricas do movimento sindical e da fragmentação política da esquerda.

As intervenções ainda recuperaram aspectos históricos da fundação do ANDES-SN, das disputas entre modelo federativo e sindicato nacional, da relação com outras entidades sindicais e da defesa da autonomia sindical frente aos governos e ao Estado. Também foram levantadas preocupações com o risco de aparelhamento político, os desafios da participação em seções multicampi e os impactos do uso de ferramentas digitais sobre a organização coletiva da categoria.

De acordo com Jacqueline Magalhães Alves, 1ª vice-presidenta da Regional Leste do ANDES-SN, a mesa contribuiu para aprofundar a reflexão sobre os desafios organizativos e políticos do Sindicato Nacional. “O debate evidenciou diferenças de posicionamento, mas também o compromisso coletivo com a construção dos próximos espaços deliberativos, a partir de propostas amadurecidas à luz da trajetória histórica do ANDES-SN, que segue fortalecendo a luta há 45 anos, e da defesa da educação pública e dos direitos da classe trabalhadora”, afirmou.

Projeções

Ainda no sábado (23), antes do início dos debates, o 1º tesoureiro do ANDES-SN, Sérgio Barroso, apresentou projeções financeiras sobre as propostas em debate no seminário, como a ampliação do apoio às seções sindicais menores para participação em atividades nacionais, o financiamento das eleições e a criação de um fundo eleitoral.

Segundo Barroso, com a ampliação do critério de apoio para seções com até 350 filiadas e filiados, já aprovada no 44º Congresso, o custo estimado anual seria de cerca de R$ 1,5 milhão, o que representaria aproximadamente 38% da arrecadação do Fundo Único em 2025. Ele alertou que, somadas às demais despesas já custeadas pelo fundo — como apoio a greves, jornadas de luta e mobilizações nacionais —, novas ampliações poderiam ultrapassar a capacidade financeira do sindicato.

 

 

O tesoureiro também apresentou estudos sobre o impacto de assumir parte dos custos das eleições das seções sindicais e da criação de um fundo eleitoral para financiamento das chapas. De acordo com as simulações da Tesouraria, levando em conta a destinação de 5% da receita do ano anterior, com média de R$ 20 mil por seção sindical, o ANDES-SN não teria condições de sustentar a medida sem comprometer suas reservas financeiras.

Formato dos eventos

A plenária seguinte debateu os formatos dos eventos do ANDES-SN. Três textos de resoluções tratam do tema.

O TR 79, da diretoria do ANDES-SN, propõe reorganizar o formato do Conad para adequá-lo ao que prevê o Estatuto do Sindicato Nacional, com debates distribuídos em três temas centrais, criação de grupos mistos para os temas organizativos e de plano de lutas, redefinição do tempo das plenárias e fim do mecanismo de remessa automática de pendências entre eventos deliberativos.

Já o TR 88 sugere que os custos de participação de observadores e observadoras sejam limitados às despesas efetivas do evento, como materiais e coffee break, com cobrança específica às seções sindicais apenas para esses participantes.

O TR 91 propõe uma ampla reformulação dos métodos organizativos do sindicato, incluindo planejamento bianual dos Grupos de Trabalho, realização de congressos a cada dois anos, reorganização das plenárias e grupos mistos, redução das jornadas consideradas exaustivas e revisão dos formatos de debate e tramitação dos TRs. O texto também prevê mudanças no funcionamento dos Conads, com encontros prévios dos GTs, sínteses políticas e reformulação dos métodos deliberativos para garantir maior fluidez e participação nos debates.

Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do ANDES-SN, afirmou que as discussões acumuladas desde o I Seminário de Questões Organizativas evidenciam que os atuais formatos do Congresso e do Conad já não conseguem dar conta do volume de TRs, das demandas políticas e do tempo necessário para os debates. 

A diretora destacou que, desde 2022, os espaços deliberativos do sindicato vêm encerrando suas atividades com pendências acumuladas, fazendo com que um Congresso ou Conad comece discutindo temas não finalizados da edição anterior. De acordo com a diretora, o crescimento do número de TRs — intensificado mesmo após o fim do caderno anexo — e o pouco tempo destinado às questões organizativas no Tema IV revelam um “esgotamento” do modelo atual.

 

 

Ela também chamou atenção para os impactos das longas jornadas dos eventos sobre as e os docentes, especialmente diante do aumento da pressão das administrações universitárias sobre a participação sindical após o período de intervenções nas instituições federais. Segundo ela, permanecer até dez dias fora das atividades acadêmicas para participar de congressos e conads tem gerado dificuldades para as e os docentes, que não possuem licença sindical.

Entre as reflexões apresentadas para o debate coletivo, Caroline mencionou a possibilidade de rever quóruns, limitar ou reorganizar a tramitação de TRs, ampliar o percentual de destaque de propostas minoritárias nas plenárias e discutir novos formatos para os eventos deliberativos. Também foram levantadas hipóteses como a realização de dois congressos por ano, com duração reduzida, ou mudanças na estrutura das plenárias e grupos mistos.

Ao final, a diretora ressaltou que a direção nacional não apresentou respostas fechadas às questões debatidas e defendeu a construção coletiva de propostas para o Conad Extraordinário, por meio de uma comissão composta por diretoria e base sindical. Sobre o TR 91, que propõe alterações mais profundas no calendário dos eventos, incluindo congressos bianuais, Caroline avaliou que a proposta é inviável nos moldes apresentados, sobretudo pela sobrecarga organizativa que geraria ao concentrar GTs, setores e Congresso em um mesmo período.

Após a fala da diretora, foi aberto o debate e docentes puderam opinar sobre o formato dos eventos deliberativos e divergiram sobre o funcionamento das plenárias e organização dos espaços do sindicato. Parte das intervenções defendeu a manutenção da livre apresentação de TRs, sem exigência de aprovação prévia em assembleias, como forma de garantir a pluralidade política da categoria.

 

 

Outras falas apontaram dificuldades práticas no funcionamento das instâncias, como excesso de textos, atrasos, falta de leitura prévia dos cadernos e sobrecarga das plenárias, defendendo mudanças metodológicas para otimizar os debates. Também houve posições favoráveis à limitação do temário do Conad, para evitar que o espaço funcione como um segundo congresso anual, enquanto outras defenderam mais tempo para aprofundar as discussões políticas.

As intervenções ainda abordaram a necessidade de reorganizar os grupos mistos, os impactos da longa duração dos eventos sobre a saúde e as condições de trabalho das e dos docentes, além dos limites financeiros e estruturais para realização de congressos.

Segundo Annie Hsiou, 3ª vice-presidenta do ANDES-SN, a plenária 4 foi “muito importante por tratar de questões relacionadas ao formato do Conad e, consequentemente, ao funcionamento dos GTs e das plenárias, bem como ao tempo de duração desses espaços, no sentido de melhorar a dinâmica desse importante espaço de debate das questões organizativas, financeiras e administrativas do ANDES-SN”.

A diretora destacou ainda que, ao longo do tempo, o Conad passou a concentrar TRs que não conseguiram ser debatidos nos congressos anteriores. “Repensar o formato do Congresso do Sindicato Nacional torna-se uma tarefa essencial da nossa categoria, na tentativa de otimizar o tempo, qualificar ainda mais o debate político e organizar as lutas da categoria”, afirmou.

 

Pequenas seções e a virtualidade


A última plenária, realizada neste domingo (24), debateu as políticas de apoio para seções sindicais pequenas e o uso da virtualidade nos espaços do ANDES-SN, a partir dos TRs 90,94 e 95.

O TR 94 propõe a realização de seminários específicos sobre a política financeira do ANDES-SN, com o objetivo de discutir formas de apoio às seções sindicais com menor capacidade financeira, além da elaboração de estudos técnicos sobre possíveis limites para o Fundo de Mobilização.

Já o TR 90 defende a adoção de tecnologias híbridas nas reuniões de GTs, encontros temáticos e reuniões de setores, permitindo participação virtual individual e identificada das pessoas sindicalizadas. O TR 95 propõe a criação de uma política permanente de apoio às seções sindicais com até 500 filiadas e filiados, garantindo infraestrutura mínima de funcionamento, como sede, serviços de secretaria, comunicação, contabilidade e assessoria jurídica.

Edson Franco, presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal da Paraíba (Adufpb SSind.) e um dos signatários do TR 94, defendeu a realização de um seminário específico para discutir a política financeira do sindicato e avaliar formas de ampliar o apoio às seções sindicais com menor capacidade financeira.

Segundo Franco, muitas seções enfrentam dificuldades para manter estruturas básicas, como sede, assessoria jurídica e comunicação. Ele argumentou que os superávits registrados pelo sindicato poderiam ser parcialmente utilizados para reduzir os custos das seções sindicais com participação em congressos e Conads, sem comprometer a sustentabilidade financeira do ANDES-SN. O docente também cobrou maior planejamento financeiro, defendendo estudos técnicos e projeções de longo prazo para subsidiar as decisões políticas e orçamentárias da entidade.

Já Lívia Santos, 1ª vice-presidenta da Regional Planalto do ANDES-SN, reconheceu as dificuldades financeiras enfrentadas pelas seções sindicais, mas ponderou que as propostas de financiamento amplas, apresentadas no seminário, são inviáveis do ponto de vista orçamentário. Ela apresentou estimativas da Tesouraria, que apontam custos exorbitantes para subsidiar infraestrutura mínima, aluguel e contratação de funcionários para dezenas de seções sindicais.

A docente defendeu a busca de alternativas mais sustentáveis, como novos critérios de rateio, compartilhamento de experiências administrativas e suporte técnico entre as entidades. Sobre a virtualização das atividades, defendida pelo TR-90, alertou que a ampliação da participação online pode gerar esvaziamento político, dificuldades organizativas e sobrecarga decorrente do tempo excessivo em frente às telas, exigindo mudanças estruturais no formato dos GTs e reuniões do sindicato.

Os debates reuniram diferentes avaliações sobre os desafios organizativos e financeiros do ANDES-SN. Parte das falas defendeu maior apoio às seções sindicais menores, diante das desigualdades de estrutura e arrecadação, enquanto outras alertaram para os limites orçamentários e os altos custos das mobilizações nacionais. Também houve divergências sobre o funcionamento dos congressos e GTs e sobre o uso da virtualidade nas atividades sindicais.

 

 

Surgiram defesas da virtualidade como instrumento formativo e de democratização, contrapostas por preocupações com a precariedade tecnológica, o esvaziamento político e os impactos organizativos das atividades híbridas. Outro eixo importante do debate foi a necessidade de fortalecer as campanhas de sindicalização e reorganizar a atuação das seções sindicais diante da redução de filiadas e filiados.

Para Marcos Soares, diretor do Sindicato Nacional, a plenária foi marcada por um debate amplo e diverso sobre as políticas de apoio às pequenas seções sindicais e o uso da virtualidade nos espaços do ANDES-SN. “As seções têm uma saúde financeira diferente umas das outras”, afirmou, destacando que há entidades sem sede ou funcionários, enquanto outras possuem estrutura própria e maior arrecadação.

Um encaminhamento importante, apontado por ele, foi a proposta de envio de circulares às seções sindicais para levantar dados sobre número de sindicalizadas e sindicalizados e a arrecadação mensal, permitindo à diretoria construir um “raio-x” financeiro que subsidie propostas “exequíveis” para o sindicato.

Encerramento

Na plenária de encerramento, Regina Célia da Silva, 2ª vice-presidenta da Regional São Paulo do ANDES-SN e da direção da Associação dos Docentes da Unicamp (Adunicamp Ssind.), destacou a coragem do ANDES-SN em enfrentar coletivamente os desafios organizativos e financeiros do sindicato e ressaltou a importância da unidade e organização das seções sindicais em suas bases.

 

 

O presidente do ANDES-SN, Cláudio Mendonça, agradeceu à Regional São Paulo, à Adunicamp SSind. e a todas e todos que participaram do seminário. Em sua avaliação, o espaço demonstrou a riqueza e a legitimidade dos debates construídos pelas seções sindicais, mesmo diante de divergências. O presidente destacou ainda os desafios que estarão colocados para o próximo período, especialmente no Conad Extraordinário, quando o Sindicato Nacional deverá aprofundar o debate sobre sustentabilidade financeira, fortalecimento das seções sindicais e possíveis mudanças na estrutura organizativa, para preservar e fortalecer o ANDES-SN.

“Hoje, nós temos seções sindicais que passam por situações muito delicadas, não só pequenas seções sindicais, mas médias e grandes. E a gente vai ter que debater coletivamente como preservar a saúde financeira do nosso Sindicato Nacional e, ao mesmo tempo, como permitir que as seções sindicais, que são a materialidade cotidiana do ANDES-SN nas universidades, possam aplicar a política do nosso Sindicato Nacional”, afirmou.

Fonte: Andes-SN
Fotos: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN

 

Terça, 26 Maio 2026 11:14




Publicamos a pedido da professora Patrícia Osório - Departamento de Antropologia/UFMT

 

É com muita tristeza que informamos o falecimento da professora Carmen Lúcia da Silva, professora aposentada do Departamento de Antropologia - Instituto de Ciências Humanas e Sociais. A professora Carmen Lúcia da Silva ingressou na UFMT, por meio de concurso público, no ano de 2006. Neste mesmo ano, começou a se dedicar à criação e à implementação das ações afirmativas na instituição, especialmente àquelas voltadas à inclusão de estudantes indígenas no ensino superior. Com formação em Antropologia nos níveis de mestrado e doutorado, Carmen em suas pesquisas sempre se dedicou à reflexão sobre temáticas voltadas aos povos indígenas. Foi uma das idealizadoras e gestora do PROIND – Programa de Inclusão Indígenas: Guerreiros da Caneta. A docente ao longo de sua trajetória na UFMT atuou junto à PRAE e à PROEG como Coordenadora do PROIND e Supervisora de Políticas de Inclusão, tendo também assessorado a Reitoria com reflexões e ações voltadas às políticas de ação afirmativa. Importante ressaltar que a UFMT foi uma das universidades pioneiras na proposição de mecanismos que permitissem o ingresso de estudantes indígenas no ensino superior, mesmo antes da Lei de Cotas, Lei 12.711 de 2012. Sem dúvida, a professora Carmen contribuiu para este pioneirismo da UFMT nas políticas de ação afirmativa no estado de Mato Grosso e no Brasil.

Sua inserção e protagonismo nas políticas de ações afirmativas foram reconhecidos pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA), tendo sido a representante da associação científica na Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena do MEC – CNEEI.

Há que se relatar também seu papel na formação de novos quadros para pesquisa em Mato Grosso e de formação profissional qualificada, tendo atuado como docente no Programa de Pós-graduação em Antropologia e no Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva. Foi significativa sua participação no PIBIC AF e sua condução como coordenadora do PET Indígena na UFMT.

O sepultamento será realizado em sua cidade natal, Juiz de Fora, em 26 de maio de 2026, às 15h30.

 

Terça, 26 Maio 2026 08:47

 

Prezadas(os) professores,

Informamos que o expediente na sede da Adufmmat-Ssind será normalizado a partir da tarde desta terça-feira, 26/05.

Ficamos sem atendimento presencial desde a segunda-feira, 25/05, em razão de problemas no abastecimento de água. No entanto, a administração da UFMT informou que a ligação da rede já foi feita.  

Agradecemos a compreensão de todas(os).

Atenciosamente,
Adufmat-Ssind

Sexta, 22 Maio 2026 20:49

 

A Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (ADUFMAT, Seção Sindical do ANDES-SN), o Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado de Mato Grosso (SINTUF-MT) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) divulgaram nota oficial de repúdio em resposta aos ataques feitos pela enfermeira Ivina Angélica Ferreira Dodô contra a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e sua comunidade.

No documento, as entidades classificam as declarações como caluniosas e afirmam que as falas representam um ataque à universidade pública, aos serviços públicos e à comunidade formada por estudantes, docentes, técnico-administrativos(as) e trabalhadores(as) que constroem diariamente a instituição.

A nota destaca que a UFMT é patrimônio histórico do povo mato-grossense e tem papel central na produção científica, na formação de profissionais e no desenvolvimento de pesquisas e serviços fundamentais para a sociedade. Para as entidades, tentar desqualificar a universidade pública demonstra desconhecimento sobre a importância da instituição para Mato Grosso.

As entidades também apontam que os ataques à UFMT fazem parte de uma ofensiva recorrente contra a educação pública e os serviços públicos. O texto afirma ainda que a liberdade de expressão não pode ser utilizada como justificativa para declarações ofensivas e defende que a Universidade se posicione de forma firme, inclusive buscando a responsabilização jurídica pelas falas.

Ao final da nota, ADUFMAT, SINTUF-MT e DCE reafirmam a defesa da universidade pública, gratuita, democrática e socialmente referenciada, além do compromisso com a valorização da educação, da ciência e dos serviços públicos.

Confira abaixo a íntegra da nota oficial:

 

 

Sexta, 22 Maio 2026 19:57

 

 

O terceiro dia do evento Territórios Amazônicos II foi marcado pela escuta. A quarta-feira, 20/05, foi dedicada a ouvir aqueles que estão em Mato Grosso desde muito antes de ele ser um estado, com municípios nomeados por sociedades imobiliárias. Os povos indígenas do estado, presentes no evento, relataram como era a região e como foram as relações com não indígenas desde o primeiro contato até os dias atuais.

 

Após intervenções poéticas e reflexivas dos professores Einstein Aguiar e Alexandra Valentim, sentaram-se à mesa o cacique do povo Kawaiwete (Kaiabi), Tuiaraiup Kaiabi, seu sobrinho, Yapariwa Kaiabi, e a cacica Wisio Kaiabi. Então, a aula começou.

 

Na língua Kawaiwete, o cacique foi relatando, pela primeira vez, como era a vida no território antes de se chamar Sinop. O professor Yapariwa Kaiabi foi traduzindo o relato sobre os lugares onde os Kaiabi faziam suas festas e rituais, de onde retiravam insumos para suas bordunas e cocares, das cachoeiras, rios, do contato traumático e devastador com os seringueiros, que mataram, escravizaram e violentaram os indígenas que encontravam pela frente.

 

“Os seringueiros usavam arma de fogo, e isso foi muito assustador, traumático. Os indígenas começaram a se espelhar desde esse momento”, traduziu o sobrinho do cacique. Em seguida, contaram como foi o processo de convencimento para que deixassem seu território e começassem nova vida no Xingu por intervenção dos irmãos Vilas Boas, em 1949. “Irmãos Vilas Boas fizeram promessa que seria cumprida, porque a vida não tinha mais sossego. Parte de nós nasceu no Xingu, mas ainda tem gente que saiu do território e lembra como era. Eles não esquecem, nossa terra tradicional vive dentro da gente. Foi uma mudança trágica com relação à alimentação, bem-viver, cultura. A riqueza que o meu povo tinha já não era mais a mesma”, disse, explicando que no Xingu não encontram, por exemplo, material tradicional para confecção dos cocares e bordunas.

 

Um dos locais citados no território que hoje chamamos de Sinop foi a região do centro, antiga rodoviária, onde o povo Kawaiwete fazia suas festas.

 

“Nunca viemos cobrar nada apesar de tudo isso. Muitas vezes nós não somos bem-vindos na cidade, mas nós fizemos parte dessa história. Não estamos aqui dizendo que vocês devem para nós, apenas que todos devem ser tratados do mesmo jeito. Não estamos invadindo terras, estamos apenas indo fazer o reconhecimento de onde nasceram nossos antepassados. Tratores estão construindo em cima de túmulos de pessoas importantes para nós. Eu peço que vocês me ouçam, que minha fala chegue às autoridades, e que vocês não falem sobre o que não sabem”, disse o cacique, reivindicando melhorias no atendimento à saúde da população indígena na região, além do direito de realizar as chamadas “expedições de verificação” in loco – onde acabam sendo ameaçados por fazendeiros.  

 

Por fim, num momento emocionante e extremamente importante em meio à disputa política que envolve a UFMT em Sinop – em que o agronegócio e outros setores econômicos se movimentam para desmembrar a universidade e ter maior poder sobre ela – o cacique falou sobre a atualidade na relação com pesquisadores, que tem sido marcada pela troca de saberes e informações, e perguntou: nós poderíamos ter a liberdade de nossos filhos estudarem nessa universidade?    

 




É preciso conhecer o outro

 

No meio da manhã, representantes de outras oito etnias, todos professores, sentaram-se à mesa para compartilhar também um pouco das suas histórias com foco na importância da educação pública. A professora Darlene Yaminalo Taukane (Kurâ-Bakairi), primeira mestra indígena do estado, e talvez do Brasil, também fez um breve histórico de momentos importantes para o Movimento Indígena e destacou que a parceria na educação permitiu que hoje ninguém mais fale em nome da população indígena. Além disso, reforçou que a UFMT deve ser uma das sedes da Faculdade Intercultural Diferenciada (FAIND), assim como a Unemat.

 

O professor Kavisgo Txicão (etnia Ikpeng) destacou que a educação convencional ainda não contempla as necessidades da população indígena, que o Avalia MT, por exemplo, envia questionários com perguntas sobre a Revolução Francesa, o Nazismo, e os avaliadores reclamam, dizendo que a educação indígena está atrasando Mato Grosso.

 

Para Jones Crixí (etnia Munduruku), o incentivo dos pais para que as crianças da etnia estudassem foi fundamental e, além disso, o Projeto Tucum de formação de professores indígenas, que teve início em 1995, representa um grande marco.

 

Sati-i Panará (etnia Panará) ressaltou a importância da educação no processo de demarcação e reconhecimento dos territórios ao longo dos anos. Ele falou também que os primeiros contatos entre seu povo e os seringueiros foram traumáticos, com muitas mortes provocadas por ataques e também doenças. História da qual também partilham os Rikbaktsa, representado no evento pelo professor Huberto Mytsikzi Rikbakta. Ele contou que, na década de 1970, devido aos ataques iniciados 30 anos antes, chegaram a ser cerca de 200 pessoas apenas, mas que hoje conseguiram aumentar a população para cerca de 3.100 pessoas. Há escolas convencionais dentro de dois dos três territórios da etnia no estado e, apesar de isso ser muito importante, o fato de não levarem em consideração as especificidades dos povos indígenas está fazendo as crianças se acostumarem a seguir os horários da cidade, e não do território.

 

Para Mateus Rondon (etnia Terena), o apoio de outros movimentos sociais foi e ainda é importante para a conquista do reconhecimento do território, e ainda há muito a se construir. A professora Ivanete Krixi falou sobre como os povos indígenas se uniram e formaram famílias multiétnicas para sobreviver aos ataques e tentar preservar sua cultura. Ela pediu mais apoio da UFMT às causas indígenas e reforçou a importância de estabelecer, na universidade federal, um campus da Faculdade Intercultural Diferenciada.

 

O representante da etnia Enawenê-Nawê, professor Wahtere Enawenê, falou da importância da preservação da língua, considerando que sua etnia é uma das que teve contato mais recente com não indígenas. Dialogando com os parentes, o representante da etnia Manoki, Edivaldo Mampuche finalizou a mesa afirmando que a educação contribui para que as pessoas conheçam o diferente. “Ninguém respeita aquilo que não conhece, então é preciso conhecer o outro, o diferente”, concluiu.    

 

 

 

Parcerias e compromissos

 

A troca que existe hoje entre as universidades públicas de Sinop (UFMT e Universidade do Estado de Mato Grosso - Unemat) foram expostas na tarde de quarta-feira.  

 

Representantes de projetos como Ação Saberes Indígenas da Escola (valorização das culturas e línguas), UFMT-Xingu (área da Saúde), Gaia (incentivo à produção agroflorestal), Arborecer e outras iniciativas de educação ambiental foram apresentados.

 

O professor Gustavo Canale destacou que o agronegócio afirma que produz ao mesmo tempo que preserva o meio ambiente. No entanto, os mapas de conservação ambiental registram que as únicas áreas preservadas em Mato Grosso são justamente onde estão localizadas as terras indígenas. “Quem preserva 60% das terras em Mato Grosso? As terras indígenas. Se a gente ainda tem floresta em Mato Grosso é por causa das terras indígenas”.

 

O diretor da Adufmat-Ssind, Breno Santos, ressaltou que o papel da universidade não é só para escrever artigos e publicar em revistas; é para estar junto com o povo, ter compromisso político e social. Nesse sentido, todo o trabalho realizado nos três dias do evento resultará num documento que, a princípio, seria elaborado ao final do encontro, mas a pedido do Movimento Indígena será, antes, avaliado em suas comunidades. A ideia é justamente estreitar essa relação com as comunidades.  

 

 

Na quinta-feira pela manhã, dia 21/05, os participantes do evento foram para as ruas defender que a UFMT não seja desmembrada, e sim que fortaleça sua política multicampi. Na Praça da Bíblia, afirmaram que só assim esse compromisso entre os povos tradicionais e originários, isto é, da população em si, poderá ser de fato construído.


Confira as fotos do evento nas redes sociais oficiais da Adufmat-Ssind no instagram e facebook.   

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Sexta, 22 Maio 2026 15:53



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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Informações coletadas e compiladas por Prof Juacy da Silva*

 

Estamos em plena Semana LAUDATO SI, celebrando ONZE ANOS da publicação desta Encíclica pelo nosso saudoso Papa Francisco, exortando a humanidade, principalmente os cristãos em geral e os católicos em particular, sobre a gravidade da degradação socioambiental, da destruição do Planeta, nossa Casa Comum, apontando ser tudo isto resultado de uma “ECONOMIA QUE MATA”, uma economia da morte, e que precisamos, de forma urgente, mudar radicalmente os parâmetros desta economia da morte por outros que possibilitem a existência de uma nova economia, a ECONOMIA DA VIDA, a economia de Francisco e Clara, um novo modelo que respeite a natureza, os trabalhadores, os consumidores e, principalmente, as futuras gerações.

Mato Grosso é um estado privilegiado por ter em seu vasto território a presença de três dos seis biomas brasileiros: o Pantanal, o Cerrado e a Amazônia Mato-grossense.

Todavia, apesar da riqueza contida nesses três biomas, os mesmos vêm sofrendo um processo intenso de degradação, seja pelo desmatamento, pelas queimadas, mas, principalmente, pela destruição das nascentes, córregos e rios, afetando tanto o regime de chuvas quanto a degradação dos solos.

Dos mais de 140 milhões de hectares de áreas degradadas, em Mato Grosso estima-se que existam cerca de 20 milhões de hectares de pastagens plantadas com algum grau de degradação, afora outras áreas ocupadas com agricultura e que também estão em algum processo de degradação.

A recuperação deste passivo ecológico para garantir a sustentabilidade é um grande desafio para o agronegócio, para a agricultura familiar e para os governos federal, estadual e municipais, exigindo políticas públicas para o seu enfrentamento.

Sob os territórios de Mato Grosso, de boa parte do Cerrado, dos estados de Minas Gerais, de São Paulo e partes da região Sul do Brasil e também de países vizinhos como Bolívia, Paraguai e Argentina, encontra-se um dos maiores reservatórios subterrâneos de água das Américas, que é o AQUÍFERO GUARANI.

Na verdade, o Aquífero Guarani é uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do mundo, de importância estratégica para a segurança hídrica, garantindo o abastecimento de mais de 100 milhões de pessoas no Brasil e nos referidos países vizinhos e sustentando atividades econômicas essenciais na América do Sul.

Eu fiz uma pergunta a sites de buscas (IA) e encontrei um conjunto valioso de informações, parte das quais compilei e resolvi compartilhar com diversas pessoas e instituições com as quais mantenho contato e com o público em geral, com o objetivo de despertar o interesse em relação a esses desafios ecológicos e socioambientais que dizem respeito de perto ao nosso presente e ao nosso futuro.

Além disso, tendo em vista a proximidade das eleições gerais de 2026, esperamos também que candidatos e candidatas, tanto a cargos eletivos federais quanto estaduais, despertem para a necessidade de que precisamos definir políticas públicas federais, estaduais e municipais, de caráter preventivo e urgente, para evitar que uma verdadeira catástrofe, já amplamente anunciada e denunciada por cientistas e estudiosos dos desafios socioambientais, possa ser evitada.

Caso nossos governantes continuem se omitindo e fazendo de conta que tais problemas e desafios, já amplamente demonstrados, principalmente a grave crise climática, com suas causas e consequências, não existam, com certeza dentro de algumas décadas tanto partes da Amazônia Mato-grossense quanto do Cerrado e, principalmente, o Pantanal poderão ser transformados em áreas extremamente degradadas e até em desertificação.

Cabe ressaltar que o Pantanal não produz água; as águas que garantem o regime das cheias e vazantes no Pantanal têm origem nos rios que nascem em suas cabeceiras ou em seu entorno e que estão sendo destruídos pela ganância e falta de cuidado com a natureza.

Pergunta: O AQUÍFERO GUARANI PODE ACABAR?

Resposta: Sim, o Sistema Aquífero Guarani (SAG) corre sérios riscos. Pesquisas revelam que a retirada de água está superando a recarga natural, e as mudanças climáticas ameaçam secar os reservatórios subterrâneos. A superexploração por cidades, indústrias e agricultura torna urgente a necessidade de gestão e preservação.

O alerta de esgotamento e a degradação do sistema são impulsionados por fatores críticos:

- Extração Excessiva: A quantidade de água bombeada é muito superior à capacidade de reposição da chuva. Em áreas como Ribeirão Preto (SP), por exemplo, já foi retirada até 30 vezes mais água do que o volume que o sistema consegue reabastecer.

- Emergência Climática: Pesquisas lideradas pela USP e INPE apontam que mudanças climáticas severas podem reduzir a recarga natural de aquíferos brasileiros até o ano 2100. A irregularidade das chuvas e o aumento das temperaturas diminuem a taxa de infiltração da água no solo.

- Lentidão na Recarga: Grande parte da água subterrânea é "fóssil" e pode levar de centenas a milhares de anos para percorrer desde as áreas de afloramento até os poços de captação.

- Impacto nas Populações: Estima-se que os aquíferos abasteçam cerca de milhões de pessoas no Brasil. O rebaixamento do nível do aquífero encarece a captação e força o aprofundamento ou a desativação de poços.

Para evitar o colapso, especialistas defendem o monitoramento rigoroso das extrações. Você pode acompanhar a evolução desses estudos e as diretrizes de preservação nos artigos divulgados pelo Jornal da USP. Para entender os impactos a longo prazo, confira os relatórios e análises disponíveis na CNN Brasil e na Revista Pesquisa Fapesp.

Outubro 25, 2024 — Mudanças climáticas podem reduzir recarga de aquíferos.

Agosto 19, 2025 — Águas subterrâneas são aquelas que se acumulam abaixo da superfície terrestre, em formações geológicas chamadas aquíferos.

Maio 29, 2024 — O Estado de São Paulo é responsável por 80% das extrações do Aquífero Guarani.

O nível do Aquífero Guarani está diminuindo, e estudos apontam que o volume retirado para consumo humano e agropecuário supera a capacidade de reposição natural. Embora parte dessa redução climática esteja associada à perda de cobertura vegetal na Amazônia, as áreas de recarga do aquífero também sofrem com a diminuição das chuvas e o aumento da evaporação.

Para compreender a fundo essa dinâmica, veja os impactos que ameaçam o reservatório subterrâneo:

- Queda de pressão: O rebaixamento do nível da água subterrânea já atinge metros em algumas regiões, especialmente no interior de São Paulo, onde a extração é mais intensa.

- Recarga insuficiente: Pesquisas mostram que a chuva concentrada escoa mais na superfície e infiltra muito menos no solo do que o necessário para repor o estoque.

- Fator Amazônico: A redução das chuvas no Centro-Oeste e o prolongamento da estação seca na Amazônia impactam o transporte de umidade regional, agravando o déficit hídrico.

O entendimento do ciclo hidrológico e a preservação dessas reservas são temas de grande debate regional e global. Você pode verificar os dados destas pesquisas nos links abaixo:

- Leia sobre as pesquisas de mudanças nas chuvas na região amazônica no artigo da Agência FAPESP.

- Acompanhe as análises sobre o risco de rebaixamento dos níveis subterrâneos na cobertura da Forbes Brasil.

- Entenda a exposição da biodiversidade e do clima tropical no portal The Conversation.

O PANTANAL PODE SECAR E VIRAR DESERTO?

Sim. O Pantanal corre o risco de perder suas características originais e passar por um processo de desertificação caso o ciclo severo de secas e queimadas continue avançando. O bioma enfrenta reduções drásticas nos níveis de água a cada década, afetando sua capacidade de inundação e regeneração.

Conforme dados recentes do MAPA BIOMAS, entre 1980 e 2024, “o Pantanal é o bioma que mais perdeu superfície de água em relação à média histórica: 61%”, razão pela qual a hipótese de que o Pantanal, caso esta trajetória não seja alterada, corre o risco de secar é altamente provável.

O risco da desertificação

Especialistas apontam que as repetidas crises hídricas e o calor extremo estão empurrando o Pantanal para o chamado "ponto de não retorno", inviabilizando todas as atividades produtivas e até mesmo a permanência dos aglomerados humanos em seu território.

- Redução da área alagada: As superfícies permanentemente alagadas chegaram a registrar quedas de até 75% em um período de 40 anos, tornando o solo extremamente seco e suscetível ao fogo.

- Savana ou deserto: A destruição da cobertura vegetal, aliada à degradação ambiental nas cabeceiras dos rios (incluindo biomas vizinhos), diminui drasticamente a quantidade de água que chega à planície. Se o pulso de inundação for perdido, a região tende a se transformar em uma savana (semelhante ao Cerrado) ou, em cenários mais extremos de degradação, avançar para uma área de desertificação.

A rápida expansão e a gravidade dessa situação no Brasil são discutidas em detalhes e documentadas pelos seguintes artigos:

Em meio a incêndios, desertificação avança no Pantanal, diz biólogo.

O grande deserto brasileiro criado pelo agronegócio.

Impacto das mudanças climáticas globais

As alterações no clima e o aquecimento global estão encurtando os períodos de chuva e aumentando as temperaturas médias, o que desequilibra o ritmo natural de cheias e secas. A preocupação com essas alterações em áreas secas e ecossistemas do país é abordada no estudo:

- Aquecimento global faz surgir primeira zona árida e expande clima semiárido e áreas secas no Brasil.

Por que o bioma está secando

A ameaça não vem apenas do que acontece dentro da planície pantaneira, mas também dos fatores climáticos externos. Para compreender melhor a conexão entre o desmatamento, o ciclo de chuvas e o risco ao bioma, assista aos vídeos abaixo:

Para entender como a degradação do Cerrado e a alteração dos 'rios voadores' da Amazônia contribuem para a escassez de água no Pantanal, veja este vídeo: https://www.youtube.com/shorts/vv4REm-Y6K4?feature=share



*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

Sexta, 22 Maio 2026 15:20

 

O ANDES-SN lançou, nesta sexta-feira (22), o Painel Mais Verbas, uma plataforma interativa voltada para o acompanhamento detalhado dos dados de financiamento das instituições públicas de ensino superior no Brasil. A ferramenta, que pode ser acessada pelo endereço http://maisverbas.andes.org.br, permite a consulta de dados orçamentários tanto de instituições federais quanto estaduais, oferecendo um panorama nacional e informações específicas por universidade.

O painel foi desenvolvido para consolidar informações sobre a execução orçamentária, permitindo que usuários e usuárias explorem séries históricas, comparem indicadores entre estados e visualizem gráficos que apontam tendências de crescimento ou redução de recursos ao longo do tempo. Além da visualização interativa, o sistema disponibiliza relatórios detalhados para download, com o objetivo de apoiar pesquisas, debates e atividades sindicais em defesa da educação pública.

"O Painel de Financiamento das Instituições Públicas de Ensino Superior no Brasil é uma importante ferramenta, que vai permitir, não apenas à categoria docente, mas ao conjunto da sociedade brasileira, conhecer a realidade do desfinanciamento da educação pública, que tem sido uma tônica, pelo menos, dos últimos dez anos. Através do painel, é possível discriminar essa situação universidade a universidade, entender desigualdades regionais, e também ter um panorama mais completo de qual é a situação nacional, tanto nas instituições federais, ligadas à União, quanto no nível dos estados brasileiros”, explicou Diego Marques, 2º tesoureiro do ANDES-SN.

O dirigente, que também integra a coordenação do Grupo de Trabalho de Verbas e Fundações do Sindicato Nacional, ressalta que painel disponibiliza uma ferramenta inédita na pesquisa sobre orçamento das universidades públicas, que é reunir dados de diferentes universidades estaduais em uma mesma plataforma. “Isso permite realizar análises amplas, sobre o financiamento da educação superior pública neste Setor. O sistema apresenta uma visão consolidada das instituições estaduais, reunindo dados gerais”, acrescenta.

Diagnóstico do financiamento

A base de dados do painel e os relatórios associados trazem um diagnóstico preocupante sobre o financiamento das Instituições Federais (Ifes) e Estaduais (Iees) de Ensino Superior. No caso das universidades federais, os dados mostram que, após um período de expansão entre 2007 e 2014, houve uma inflexão a partir de 2015 com a transição para um regime de restrição fiscal e compressão de gastos, marcada por incertezas devido a bloqueios orçamentários.

Já nas instituições estaduais, o estudo identifica o chamado "hiato da promessa política", onde os valores efetivamente executados são sistematicamente inferiores aos autorizados, prejudicando especialmente os investimentos e o custeio das universidades.

Para o 2º tesoureiro do ANDES-SN, a plataforma será um mecanismo essencial de transparência, para denunciar o desfinanciamento e fortalecer a luta pela recomposição real dos orçamentos das universidades públicas. “O ANDES-SN acredita que essa ferramenta vai contribuir para a mobilização da nossa categoria e para ampliar os nossos diálogos com a sociedade em defesa da educação pública", conclui Marques.

Acesse aqui o Painel:  http://maisverbas.andes.org.br

Assista aqui ao vídeo e saiba como utilizar a nova plataforma.

 

Fonte: Andes-SN 

Terça, 19 Maio 2026 17:55

 

 


O segundo dia de atividades do evento Territórios Indígenas MT II foi marcado por debates profundos, orientados pelos movimentos sociais de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de Atingidos por Barragens (MAB). Novamente, o papel da universidade em meio às questões sociais, políticas e econômicas que envolvem as disputas pela terra entre os movimentos sociais e o agronegócio foi o ponto central das reflexões.     

 

A coordenadora estadual do MST, Dê Silva, iniciou sua intervenção com a poesia “A fala da terra”, de Pedro Tierra, que ressalta: a paz no campo tem nome, é Reforma Agrária (leia a íntegra aqui).

 

Em seguida, relatou as dificuldades de falar de Reforma Agrária, uma política realizada em dezenas de países, incluindo Estados Unidos da América e outros europeus, num país que ainda não fez, e da importância da educação neste processo, em parceria com os movimentos sociais de trabalhadores organizados e as comunidades tradicionais, sem as imposições estabelecidas pelo governo – já orientado pelos interesses econômicos.


“A agroecologia é um modelo antagônico ao modelo hegemônico do capital, ela vai contra o capitalismo e o agronegócio. Se a universidade pensa em discutir agroecologia em paridade com o agronegócio, ela está fora da realidade do mundo. É preciso compreender a agroecologia como um modelo de enfrentamento a esse setor e ao capital”, pontuou.

 

Segundo Silva, neste debate, uma informação fundamental é quanto o setor hegemônico e o próprio Governo investem na instituição. “Assim, nós vamos saber que quem sustenta, de fato, a universidade é o povo, não é o agronegócio, porque esse modelo só expropria e explora. Para que de fato nós tenhamos demarcação de terras, os direitos que reivindicamos, a democratização da educação contextualizada será nossa ferramenta. Nós não queremos apenas o acesso à educação clássica e bancária, mas uma educação que enxergue a partir das nossas culturas, etnias, e priorize o fortalecimento das políticas que nós realmente precisamos, que são, de fato, as necessidades do povo – Pronera, Proindi, entre outras. É preciso que a universidade se abra para o povo, e essa é uma decisão política”.  


Marciano da Silva, também do MST, explicou que ser “sem terra” é uma identidade; é muito mais do que lutar pela distribuição de terras, é lutar pela democratização da terra junto à garantia de todos os direitos aos trabalhadores do campo e da cidade. “Todos os direitos que cada um de nós, aqui hoje, tem, foi conquistado com luta, não foi dado por alguém que era bonzinho”, destacou.

 

Além disso, o debatedor apresentou a agroecologia como, além de um modelo de produção, uma ciência que visa produzir pensando nas pessoas, nos animais e no meio ambiente. Um modelo que ajuda no fortalecimento de uma sociedade mais justa e igualitária.  

 

“A Reforma Agrária é uma questão de justiça, e o Brasil é um dos poucos que ainda não fez. Até os Estados Unidos fizeram. Os assentamentos não são a Reforma Agrária ainda, são frutos dessa luta, mas quando houver a Reforma Agrária vai ser bem diferente”, finalizou.

 

A professora Rafaella Felipe falou sobre a experiência no Projeto Gaia, que promove agroecologia em Sinop. Segundo Felipe, houve e ainda há muita resistência dentro e fora da universidade, e ainda não há órgãos institucionais para promover este modelo.

 

A docente falou, ainda, sobre alimentos com agrotóxico (veneno): uva, batata, tomate, pimentão, e destacou uma aparente contradição: um dos menos contaminados, de acordo com as pesquisas oficiais, é a soja. Isso ocorre porque, apesar de a soja ser um dos produtos que mais utiliza agrotóxicos na sua produção, os grandes produtores têm equipamento de milhões, enquanto a agricultura familiar tem apenas a indiferença. “A agricultura familiar está abandonada”, afirmou.

 

A manhã foi encerrada por uma dinâmica de grupos, onde os participantes deveriam destacar ameaças e fortalezas que identificam em suas lutas.

 

Algumas ameaças destacadas foram: o agronegócio, Hidronegócio, alimentos produzidos com alto teor de insumos agrícolas, emissão de carbono, mudanças climáticas, desmatamento, garimpeiros, madeireiros, a lógica do lucro, a naturalização do químico, a pressão dos fazendeiros, individualidade, Congresso inimigo do povo, desinformação, ignorância, mídia, universidade nas mãos dos capitalistas, abuso de poder, feminicídio, racismo, desigualdade no financiamento para produção (agronegócio tem financiamento público, a agricultura familiar não tem), especulação imobiliária, cooptação dos jovens.
  

Entre as fortalezas, foram citadas a solidariedade, a coletividade, unidade na luta, unidade popular, conscientização, movimentos e projetos que visam introduzir a agroecologia no cotidiano, estimular debates sobre meio ambiente, hortas escolares, educação, respeito, educação e sustentabilidade, agroecologia como ferramenta de segurança alimentar, alimentos saudáveis, soberania alimentar, ervas medicinais, emancipação humana, comunicação entre pessoas e comunidades, convívio interculturais.

 

 

Não é preciso degradar para prosperar


No período da tarde, a mesa “Degradação ambiental: ocupação do território, desafios e prioridades” foi conduzida pelos representantes do Movimento de Atingidos por Barragens.

 

A coordenação nacional, Emilly Schwingel, falou sobre a atuação do movimento em mais de 22 estados, onde pessoas foram atingidas por barragens e pelas mudanças climáticas.

 

Ela destacou que os grandes causadores dos crimes ambientais, desastres e mudanças são grandes empresas como a Vale, a Cargill, a Amaggi, entre outras, e não o nosso banho de mais de 5 minutos, como tentam fazer a população pensar. De acordo com Schwingel, os crimes ambientais ocorrem porque as empresas colocam o lucro acima da vida.

 

Após a leitura de um cordel sobre o tema, a professora Keyla Garcia, atingida pela construção da Usina Hidrelétrica de Sinop, também criticou a produção predatória de monocultura – de soja, de milho -, e falou sobre a Gleba Mercedes V, assentamento Wesley Manoel dos Santos, localizado ao norte de Mato Grosso (zona rural de Sinop), que foi colonizado de maneira institucionalizada a partir da década de 1970, orientada por políticas da ditadura militar. Na época, a região ficou conhecida como a última fronteira agrícola (saiba mais aqui).

 

Mais uma vez a grande questão foi: qual o papel da universidade, como ela pode ajudar? As respostas foram desde estimulando a conscientização e escutando os povos que ocupam esses territórios até desenvolvendo conhecimento e tecnologias.

 

A dinâmica da tarde pretendeu, justamente, identificar as degradações ambientais, seus causadores e o que é possível fazer neste cenário. Os participantes falaram sobre irregularidades nas chuvas, riscos às espécies, empobrecimento dos solos, entre outras realidades já vivenciadas nas regiões.   

 

O diretor da Adufmat-Ssind, Einstein Aguiar, representou um dos grupos e apresentou as ideias sobre como as instituições de ensino superior podem atuar. “A universidade tem vários papéis: monitorar (ela poderia ter um laboratório com satélite desenvolvido e mantido pelo governo, por exemplo. Tem isso a serviço do agro); ela pode criar subsistência voltada a desenvolver tecnologias para os pequenos produtores; ela pode agir como viabilizador de conhecimento, promovendo cursos rápidos para identificação das necessidades da comunidade, fazer formação em geoprocessamento, por exemplo; ela pode ter ambiente de prova, de teste, isso é muito comum na academia. Claro que a instituição não vai resolver tudo, ela não é o Estado, mas ela é um veículo que a gente pode usar para pensar, construir e elaborar”, afirmou.

 

 

A professora e também diretora da Adufmat-Ssind, Maria Salete Ribeiro, utilizou o microfone para agradecer. “Nós temos muito a aprender com os povos dos territórios. Saber a situação e, principalmente, as alternativas apontadas pelos povos originários, é fundamental para a produção de conhecimento de ensino superior”.   

 

 

Representantes indígenas de diversas etnias reafirmaram a importância da educação para fortalecer as relações entre as aldeias, garantindo direitos, e também aumentando o poder de reivindicação das populações.  

 

Esses destaques serão sistematizados em um documento, consolidando as potencialidades e desafios apontados pelos grupos.


O dia foi encerrado, novamente, com a exibição de filmes. Desta vez “Vidas Alagadas”, do MAB, e “Bicho Livre Terra Viva”, do Proteção Animal Mundial.

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Terça, 19 Maio 2026 09:06

 


Teve início, na noite desta segunda-feira, 18/05, no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Sinop, a segunda edição do evento “Territórios Amazônicos – Educação, Direitos e Resistência”. Organizado pela subseção da Adufmat-Ssind, o encontro já é considerado um espaço fundamental para a reflexão crítica e a articulação política sobre a realidade da região que é porta de entrada da Amazônia no estado.


A mesa de abertura teve a presença da professora Luciane de Almeida Gomes, pró-reitora de Ensino de Graduação da UFMT, e do professor Elton Brito Ribeiro, Pró-reitor do Campus de Sinop, do diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, do coordenador-geral da subseção local, Juliano Santos, do representante Estudantil, Kleber Souza, e também dos servidores técnicos-administrativos, Éverton Dente.

 

“Como diria Che Guevara, a universidade precisa ser pintada de povo, das comunidades, para além dos interesses das diversas burguesias que operam na política aqui nessa cidade. Pintar de povo é estar aqui, junto com os companheiros e companheiras indígenas, com os estudantes, com os companheiros técnicos-administrativos que estão em greve hoje e têm toda a nossa solidariedade para que essa luta seja vitoriosa. É uma satisfação para nós estar realizando o II Territórios Amazônicos, e eu queria agradecer profundamente o trabalho dos companheiros de Sinop, da subseção, aqui na região, para mostrar, sem nenhuma sombra de dúvidas, que a universidade é da comunidade, é dos povos indígenas, porque Mato Grosso é terra indígena, Sinop é terra indígena e a UFMT é terra indígena. Fazer esse evento aqui mostra a potência que a UFMT Sinop tem para dizer, em alto e bom som, que os interesses que devem vigorar nessa universidade são os interesses da classe trabalhadora, dos povos e dos territórios que eles representam. Uma universidade precisa ser para o povo e do povo; se não for assim, é melhor que não tenha universidade, é melhor que a gente se enraíze em outros lugares”, disse o diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.

 

 

O professor Juliano Santos falou sobre o objetivo do evento, que vai até quinta-feira, 21/05. “Esse evento foi construído com muito carinho para nos proporcionar um espaço de reflexão sobre a universidade que queremos. Eu sou filho de pais trabalhadores, mãe solo, e consegui chegar na universidade, estou aqui hoje como professor. A universidade que a gente sonha tem essa capacidade de transformar a vida das pessoas para além de atender aos interesses do capital. Nessa perspectiva eu convido a todos para a gente fazer essa reflexão sobre onde nós queremos chegar e de que lado nós queremos estar nesse processo construtivo, desse futuro que a gente espera deste território”. 

 

 

Dando continuidade às atividades, foi formada uma mesa para refletir a voz dos protagonistas da floresta e do campo, com a participação de representantes indígenas de diversas etnias, como Ikpeng, Panará, Kayabi, Kuikuru, Rikbaktsa, Enawene Nawe, Apiaká, Munduruku e Kamaiurá, além de lideranças de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat-Ssind), Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX), FUNAI em Juína e Liderança do povo Munduruku, Proteção Animal Mundial e Instituto Ecótono. As discussões centraram-se na defesa dos direitos territoriais, nas trocas possíveis entre as comunidades e a educação, especialmente por meio da universidade pública, além da unidade na resistência ao avanço das desigualdades promovidas por interesses particulares de grupos econômicos que visam apenas explorar.

 

Em seguida, o professor Waldir Bertúlio, primeiro presidente da Adufmat-Ssind, compartilhou sua trajetória de luta na construção do sindicato e da própria UFMT. A presença de lideranças históricas e movimentos de base reforça o objetivo do evento, de ser um espaço popular de diálogo entre a universidade e a sociedade. Na quarta-feira (20) haverá a exibição do filme “Waldir Bertúlio: Um griô Entre Nós”, que também conta um pouco dessa história.

 

 

Por fim, os participantes foram para a parte externa do sindicato e assistiram alguns curtas relacionados aos temas do evento, como alguns curtas da organização Proteção Animal Mundial e o documentário BR 163: Progresso para quem?, que mostra a agressiva expansão agropecuária ao longo da rodovia.  

 

A programação do "Territórios Amazônicos II" segue até quinta-feira, 21/05, com mesas de debate, rodas de conversa e atividades culturais voltadas para a promoção do bem viver e a garantia de direitos nos territórios. O evento reafirma o papel estratégico da universidade pública, gratuita e socialmente referenciada como instrumento de resistência e transformação social.

 

Acompanhe também pelas redes sociais e veja mais fotos (clique aqui).

 

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

Segunda, 18 Maio 2026 17:53

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Juacy da Silva*

 

“A humanidade depende da terra. No entanto, em todo o mundo, um coquetel tóxico de poluição, caos climático e dizimação da biodiversidade está transformando terras saudáveis em desertos e ecossistemas prósperos em zonas mortas. Eles estão aniquilando florestas e pastagens, e minando a força da terra para apoiar ecossistemas, agricultura e comunidades.” António Guterres, Secretário-Geral da ONU, mensagem por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente, 05/06/2024.

“Não existe desenvolvimento sem cuidado com o meio ambiente”, frase atribuída a Chico Mendes, seringueiro, sindicalista e ativista ambiental brasileiro, assassinado por defender o meio ambiente e as florestas na Amazônia.

Li, há poucos dias, um artigo escrito pela médica Natasha Lhessarenko, pré-candidata a Governadora de MT, pelo PSD, com apoio da Frente Brasil Esperança (PT, PcdoB e PV), mais PSB e PDT, ou seja, partidos de Centro/Esquerda, sobre a viagem/caravana, juntamente com o ex-ministro e senador Fávaro, candidato à reeleição, feita à Região do Araguaia, considerada, há décadas, como “Vale dos Esquecidos”, tendo visitado 18 municípios, onde aborda vários assuntos, e o mesmo tem acontecido nas andanças dela por outras regiões do Estado de Mato Grosso.

Tem sido sempre corriqueiro que candidatos concentrem seus diagnósticos da realidade e suas propostas de ações governamentais em algumas áreas que, secularmente, têm se transformado nos grandes desafios para todas as gestões públicas, em todos os níveis: federal, estaduais e municipais.

São os problemas relacionados com a saúde pública sucateada, a ausência de uma educação pública de qualidade e socialmente referenciada; a insegurança pública e as várias formas de violência, principalmente a presença do crime organizado dominando territórios, pela ausência dos poderes públicos e infiltrando-se nas estruturas públicas; o drama da falta de moradia digna para a população pobre e classe média baixa; os problemas relacionados com a falta de oportunidade/trabalho digno e salário justo; e os desafios de uma administração pública distante dos cidadãos e contribuintes.

Mas, além desses desafios, não podemos esquecer o maior de todos os problemas, que é a crise climática, suas causas e consequências, ou seja, os desafios socioambientais, como fundamento para as demais políticas públicas, seguindo as exortações de cientistas e líderes do escopo de Chico Mendes, António Guterres, dos Papas Francisco e Leão XIV e outros mais.

Voltando ao artigo da médica Natasha, pré-candidata a Governadora de Mato Grosso, não podemos nos esquecer, também, que além da Região do Araguaia, o modelo de desenvolvimento seguido por governantes nas últimas décadas em Mato Grosso tem contribuído para que outras regiões também tenham se transformado em territórios esquecidos pelo Governo do Estado, como a Região Oeste/Grande Cáceres e, principalmente, a Baixada Cuiabana e o Pantanal.

Em relação à pré-candidata Natasha, apesar de seu empenho em favor de mudança de rumo na gestão pública do Estado, não tenho encontrado em seus pronunciamentos referências ou propostas de ação governamental, caso seja eleita, para realmente enfrentar os graves desafios socioambientais e ecológicos que Mato Grosso tem diante de si.

O mesmo pode-se dizer de todos os demais candidatos e candidatas, que pecam por ignorarem os desafios ambientais/ecológicos e outros de natureza estrutural que acabam criando dois Estados: um para os ricos e poderosos e outro para os pobres, excluídos e uma tímida classe média empobrecida.

Entre esses desafios/problemas podemos mencionar ou destacar a degradação e destruição dos Biomas Cerrado, Pantanal e Pré-Amazônia e sua rica biodiversidade; as questões e conflitos fundiários urbanos e rurais, principalmente em relação às terras e territórios indígenas; a grave questão da mineração e garimpos ilegais; a degradação de extensas áreas de solos; a destruição de nascentes; o uso abusivo de agrotóxicos que afetam os trabalhadores rurais, as populações no entorno das grandes áreas de cultivo que usam agrotóxicos até com drones e aviação agrícola, que também afetam a saúde dos consumidores; o desmatamento e as queimadas; outros desafios ambientais, como as PCHs que estão privatizando nossos rios, afetando a população ribeirinha e agricultores familiares e degradando o meio ambiente, principalmente o Pantanal, que corre sério risco de desaparecer, tornando-se uma região sem vida e sem atividades econômicas.

De forma semelhante, também precisamos pontuar os problemas ambientais urbanos, como degradação dos rios e córregos urbanos, transformados em verdadeiros esgotos a céu aberto, como ocorre com o Rio Cuiabá, seus afluentes e demais cursos d’água em todos os centros urbanos do Estado; a precariedade do saneamento básico; a falta de arborização urbana, principalmente na Grande Cuiabá, o maior aglomerado urbano do Estado, com mais de um milhão de habitantes, que a cada dia tem mais pavimentação e menos áreas arborizadas; as ondas de calor extremo; a questão da poluição urbana e a qualidade do ar. Enfim, parece que os desafios ambientais e ecológicos não estão presentes no diagnóstico da realidade de MT elaborado pelos candidatos tanto ao cargo de Governador quanto de parlamentares federais (Senadores e Deputados Federais) e deputados estaduais e, daí, não existem propostas concretas de ação governamental e/ou de legislação pertinente a esses desafios, a nível do Estado, seja do Poder Executivo, seja do Poder Legislativo.

Em relação aos demais candidatos, que fazem parte da vertente ou espectro ideológico da Direita, do Centrão ou Extrema Direita, tudo isso é mais do que verdadeiro, tendo em vista que representam, sem exceção, o mesmo modelo de desenvolvimento elitista, concentrador de renda, riqueza e propriedade, razão pela qual Mato Grosso tem índices de crescimento econômico que fazem “inveja” à China, à Índia e outros países mundo afora, mas tem deixado um rastro de destruição e um passivo socioambiental/ecológico imenso, impagável, além de um grande contingente de pobreza, exclusão, injustiça social e violência.

A degradação ambiental, a destruição dos Biomas e Ecossistemas afetam, de uma forma mais intensa, diretamente as camadas marginalizadas, os pobres e excluídos, daí ser necessário, imperativo, que os candidatos, principalmente a Governador/Governadora de Mato Grosso, digam aos eleitores quais são suas propostas concretas ou seus “famosos” Planos de Governo, mesmo que saibamos que tais planos, na maioria dos casos, são apenas letra morta, como se diz, “para inglês ver”.

Mas nem por isso as candidatas/os candidatos podem se omitir de, pelo menos, se pronunciarem sobre tais desafios e falarem sobre suas propostas para o enfrentamento desses problemas e desafios. Isto é o mínimo que os eleitores, as eleitoras e também os contribuintes têm o direito de ficar sabendo e, aí, poderem decidir, livremente, em quem votar de forma consciente, ao se dirigirem às urnas eletrônicas.

Esses são alguns dos pontos que ambientalistas e defensores da ecologia, dos direitos humanos e de um desenvolvimento integral e integrado, voltados ao bem comum e não apenas para as elites e os “donos do poder”, como tem sido até hoje em Mato Grosso e nos demais estados.

Por isso, gostaríamos e esperamos que todos os candidatos e candidatas levem em consideração esses aspectos em suas campanhas eleitorais, ao “dialogarem” com o povo, principalmente aqueles que pretendem romper com este modelo elitista de desenvolvimento para poucos, que vigora em Mato Grosso há muitas décadas, seja superado.

Muitos candidatos, principalmente os que fizeram parte do Governo do Estado desde 2019 e que defendem este modelo elitista e excludente, início da gestão Mauro Mendes, terão dificuldade em explicar para o povo como um Estado com tantos problemas socioambientais e de desigualdades sociais e econômicas, e também desigualdades setoriais e regionais, abriu mão de arrecadar, entre 2019 e 2026, a importância de 69,6 bilhões de reais, a título de “renúncia fiscal”, incluindo as estimativas até final de 2026, beneficiando apenas alguns setores e grupos econômicos poderosos em detrimento da população que mais precisa.

Conforme notícia veiculada no site Midia News em 30/09/2025, “Auditoria do TCE-MT aponta concentração dos incentivos fiscais em poucas empresas e regiões mais ricas e revela que esses incentivos fiscais não contribuem para reduzir desigualdades”.

Com certeza, esses incentivos também não contribuíram e nem contribuem para o enfrentamento aos desafios socioambientais, nem com a falta de recursos orçamentários para a educação, para a saúde, moradia popular digna e outras áreas importantes para a melhoria da qualidade de vida da população.

A conclusão do conselheiro do TCE/MT, Antônio Joaquim, é bem “cristalina”, muito bem sentida e percebida pela população, quando disse: “O primeiro e principal achado desta auditoria, em minha avaliação, trata-se da constatação de que as políticas de incentivos fiscais e a aplicação dos recursos dos Fundos Especiais não têm contribuído para a redução das desigualdades regionais em Mato Grosso”.

Diante de tudo isso, é fundamental não apenas uma renovação ampla e geral das “elites” governantes, tanto no plano federal, principalmente no Congresso Nacional, cuja avaliação divulgada recentemente ocupa o último lugar entre diversas instituições públicas avaliadas.

Esta renovação é necessária também nos estados, incluindo, também, uma nova forma que transforme, realmente, como a gestão pública vem sendo realizada, muito distante dos anseios, necessidades e aspirações do povo. Tudo isso precisa mudar, daí a importância do voto consciente, livre e responsável.

Lembrando sempre que voto não é mercadoria para ser comprado e vendido.

Está bem claro que precisamos romper, com urgência, este círculo vicioso em Mato Grosso e outros estados, onde governantes e candidatos, no período eleitoral, aproximam-se do povão, principalmente dos pobres e excluídos, e depois de eleitos governam para os ricos e poderosos. É fundamental uma mudança radical para inaugurarmos um novo tempo em nosso Estado e no Brasil.

 

Este é o significado, o sentido e o alcance dessas próximas eleições gerais de outubro de 2026.

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
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