Quinta, 19 Março 2026 14:13

 

 

Publicação reforça o compromisso entre a atuação sindical e a produção científica

 

Lançada em 1991, no décimo aniversário de fundação do ANDES Sindicato Nacional, a Revista Universidade e Sociedade nasceu como um instrumento fundamental de ação política e acadêmica. Um de seus maiores marcos históricos ocorreu logo na edição número 1, que trouxe uma entrevista exclusiva com o educador Paulo Freire, discutindo a universidade democrática e a alfabetização como prática de liberdade. A entrevista é reproduzida ao final desta matéria.

 

 

O surgimento da revista ocorreu em uma conjuntura extremamente complexa, alguns anos após o fim da ditadura empresarial-militar, com o objetivo de enfrentar o projeto ditatorial de Universidade e colaborar com o processo de redemocratização do país. Originalmente com periodicidade quadrimestral, a publicação passou a ser semestral a partir da edição 35, em fevereiro de 2005.

Entre as propostas para a criação da revista estavam constituir um fórum de debates de questões que diziam respeito à educação superior brasileira, divulgar trabalhos, pesquisas e comunicações de caráter acadêmico que abordassem e/ou refletissem as questões do ensino, cultura, artes, ciência e tecnologia, permitir troca de experiências, espaço de reflexão e discussão crítica favorecendo a integração dos e das docentes, e, ainda, oferecer espaço à apresentação de experiências de organizações sindicais de outros países, especialmente da América Latina, visando a integração e a conjugação de esforços em prol de uma educação libertadora.

“À medida que o mundo se converte numa tribo, a perspectiva internacionalista se impõe como uma exigência inadiável. Por insignificantes que possam parecer, há tarefas intransferíveis que cabem a nós, trabalhadores do setor da educação e ciência, que batalhamos no Brasil, em relação ao sindicalismo mundial. Omitirmo-nos a assumir nosso papel, será um desserviço à causa universal dos trabalhadores”, afirmou o editorial do primeiro número, assinado por Sadi Dal Rosso, editor do primeiro número e presidente do ANDES-SN entre 1988 e 1990.

Dal Rosso ressaltou ainda que a revista Universidade e Sociedade seria a única, no Brasil, a analisar a educação e a sociedade a partir da ótica da universidade, e a universidade e a educação, mediante as necessidades e as exigências do conjunto da sociedade. “Nesse sentido não poderá se fechar às questões internas da universidade. Estará, antes, constantemente aberta para acompanhar a caminhada do povo brasileiro, para cuja revolução social supõe que anteceda ou acompanha uma verdadeira revolução educacional”, destacou.

Trajetória e destaques editoriais

Ao longo de décadas, a revista registrou as principais lutas do movimento docente. O debate sobre a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), as contrarreformas do Estado, em diferentes governos pós redemocratização, que afetaram a educação, a previdência e os direitos trabalhistas, a expansão desordenada do ensino superior, a privatização e mercantilização da educação e da ciência e tecnologia, a saúde docente e o ensino a distância foram alguns dos tantos assuntos elaborados nos mais de 70 números da revista.

A Universidade e Sociedade também é um espaço de reflexão sobre temas cruciais para a sociedade e ajuda, inclusive, no registro histórico dos diferentes enfrentamentos da classe trabalhadora, no Brasil e no mundo, ao longo das últimas três décadas.

As publicações trouxeram, por exemplo, denúncias sobre o suicídio de jovens indígenas Guarani, a violência policial contra as populações periféricas e os crimes da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti. Trataram da luta do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra por reforma agrária, das mulheres por mais espaço na política e no movimento sindical, as jornadas de Junho de 2013 e seus impactos, a crise climática e a necessidade de pensar uma outra forma de sociabilidade, entre outros temas de relevância.

Confira alguns destaques abaixo (acesse todas as publicações aqui): 

REVISTA 01 (Fevereiro 1991): Além da entrevista com Paulo Freire, abordou os desafios do movimento docente após dez anos de ANDES, a autonomia coletiva, o papel da universidade pública e trouxe reflexões de Florestan Fernandes e Ignez Navarro de Moraes sobre a "conciliação aberta" na LDB. A revista publicou ainda a Carta do Rio de Janeiro, documento síntese do I Encontro Latinoamericano de Organizações de Docentes de Instituições de Ensino Superior, realizado de 24 a 26 de outubro de 1990.

Revista 05 (Julho 1993): Focou na Revisão Constitucional, na relação entre Educação e Trabalho e apresentou uma entrevista com Dom Pedro Casaldáliga.

Revista 09 (Outubro 1995): Abordou a questão agrária e introduziu, pela primeira vez, o tema da Comunicação, debatendo o monopólio da terra versus o monopólio da comunicação e a necessidade de uma política de comunicação para o Sindicato Nacional.

Revista 12 (Fevereiro 1997): Trouxe um encarte especial sobre a LDB. O material analisou o processo de construção democrática da Lei nº 9.394/96 até sua aprovação, considerada antidemocrática, incluindo uma análise técnica de seus principais pontos.

Revista 13 (Julho 1997): Destacou o ensaio fotográfico "Terondera" ("Sem amanhã"), denunciando o genocídio moderno e o suicídio de jovens indígenas Guaranis no Mato Grosso do Sul devido ao avanço do agronegócio sobre as terras daquele povo.

Revista 15 (Fevereiro 1998): Apresentou uma entrevista histórica com o centenário jornalista Barbosa Lima Sobrinho, que aos 100 anos defendia o nacionalismo contra o fracasso do governo FHC. A publicação trouxe também um Caderno Especial com a proposta do Plano Nacional de Educação (PNE), elaborada pela sociedade brasileira.

Revista 20 (Set/Dez 1999): Homenageou a resistência de Chiapas e o povo mexicano com a publicação de uma carta do Subcomandante Marcos a José Saramago, prêmio Nobel de literatura. A revista trouxe também a seção "Mulher & Sociedade", que discutiu ações afirmativas de gênero, saúde reprodutiva e estereótipos sexistas no ensino superior.

Revista 23 (Fev 2001): Realizou um resgate dos 20 anos do ANDES-SN, com síntese histórica, conjunto fotográfico e homenagem ao jornal do sindicato, InformANDES, como preservador da memória docente.

Revista 27 (Junho 2002): Debateu o binômio "Mídia e Poder", analisando o capital estrangeiro na mídia brasileira e a disputa de hegemonia pela comunicação sindical.

Revista 28 (Novembro 2002): Inaugurou a editoria "Debates Contemporâneos", tratando das mentiras da guerra no Afeganistão, a luta pela água e os fundamentos do teatro de Brecht.

Revista 29 (Março 2003): Sob o tema "Minorias Sociais e Luta de Classe no Brasil", fez história ao publicar o primeiro artigo de autores e autoras indígenas (Aurivan Truká, Pina Tembé, Dina XoKleng e Bruno Xavante), relatando suas experiências de luta e legitimidade das ocupações.

Revista 30 (Junho 2003): Focou na Seguridade Social e na contrarreforma da Previdência do primeiro governo Lula, analisando o valor estratégico da previdência pública e o impacto na categoria docente.

Revista 33 (Junho 2004): Analisou criticamente a contrarreforma universitária em curso no governo Lula.

Revista 37 (Março 2006): Edição especial dos 25 anos do ANDES-SN, com entrevistas sobre a militância política e sindical, além de debater a concepção de "universidade shopping center".

Revista 43 (Janeiro 2009): A publicação teve como tema a nova divisão internacional do trabalho e a América Latina: perspectivas e desafios. Trouxe também o dossiê “A OIT, ações do ANDES-SN e a Liberdade Sindical”, caracterizando as lutas pela organização nas instituições de ensino superior particulares e confessionais e as convenções da Organização Internacional do Trabalho.

Revista 44 (Julho 2009): Além de tratar da crise da economia capitalista e os desafios da universidade pública, incluiu o dossiê “Repressão Institucionalizada”, relatando, no calor dos fatos, os violentos acontecimentos na Universidade de São Paulo (USP), em junho de 2009, quando a administração superior da instituição fez uso da força policial dentro do campus contra docentes e estudantes.

Revista 45 (Janeiro 2010): Abordou a alienação e o estresse no trabalho docente e a reforma na Educação. Incluiu ainda o dossiê “Por um Haiti livre”, denunciando a deterioração da vida sob a ocupação da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah) e exigindo a retirada das tropas brasileiras.

Revista 46 (Junho 2010): Com tema "Política de Cotas na Universidade: Acesso, Permanência e Democratização", deliberado por decisão congressual,  a publicação reuniu 12 textos defendendo as cotas raciais para ingresso nas universidades públicas como fundamentais para a coesão social e o combate ao racismo estrutural. A publicação trouxe um ensaio do professor Kabengele Munanga, sobre o papel do multiculturalismo, com relação à diversidade étnica.

Revista 47 (Fevereiro 2011): Número especial do 30º Congresso do ANDES-SN, revisitando as três décadas da entidade e das lutas, derrotas e vitórias da categoria docente.

Revista 51 (Março 2013): Refletiu sobre a crise capitalista e a histórica greve docente de 2012 em diversas universidades estaduais e também nas universidades federais. A paralisação das IFE durou quatro meses e unificou diversas categorias do serviço público federal.

Revista 53 (Fevereiro 2014): Trouxe artigos sobre educação, as Jornadas de Junho e a ordem pública numa era de violência, além de abordar a precarização do trabalho docente e da educação pública. A editoria “Atualidade em Foco”, trouxe um ensaio fotográfico das manifestações de junho de 2013.

Revista 57 (Janeiro 2016): Focou nas lutas sociais contra a agenda do capital e registrou a greve dos docentes federais de 2015 em sua seção de atualidades.

Revista 59 (Janeiro 2017): Discutiu os limites do capital em questões agrárias, urbanas e ambientais, com foco na flexibilização da legislação ambiental e biocombustíveis.

Revista 60 (Julho 2017): Abordou a dívida pública e as contrarreformas. Incluiu o ensaio fotográfico "Ousar lutar, ousar vencer" sobre o movimento #OcupeBrasília, que levou mais de 150 mil pessoas à capital federal contra a reforma da Previdência de Michel Temer e foi duramente reprimido pelas forças armadas.

Revista 62 especial (Junho 2018): Primeira edição especial da revista, abordou os 130 anos da abolição da escravidão, focando na resistência do povo negro, na luta por reparações e denúncias contra o trabalho escravo contemporâneo.

Revista Outubro 2019 (Especial América Latina): Edição bilíngue comemorativa do Dia do Professor e da Professora, analisando o projeto do capital para a educação superior em diversos países latinos e rememorando Paulo Freire.

Revista 66 (Julho 2020): Dedicada ao legado de Paulo Freire frente aos ataques intensificados à educação e ao desastre econômico precipitado pela pandemia de Covid-19, sob o governo do presidente de extrema direita, Jair Bolsonaro.

Revista 67 (Janeiro 2021): Analisou o binômio "Pandemia e Educação", criticando o Ensino Remoto e seus impactos na saúde mental e na destruição da universidade pública.

Revista 68 (Julho 2021): Comemorou os 30 anos da Universidade e Sociedade e os 40 anos do ANDES-SN. Incluiu uma "Página de Silêncio" em homenagem às vítimas da Covid-19, como o funcionário do ANDES-SN Marcos Goulart de Souza.

Revista 70 (Julho 2022): Debateu os desafios do retorno ao ensino e demais atividades presenciais e a resistência necessária para não deixar o governo "passar a boiada" no orçamento destinado ao ensino superior público.

Revista 71 (Fevereiro 2023): Analisou o fenômeno anti-ciência e o negacionismo, o Novo Ensino Médio, os reflexos do trabalho remoto na saúde de docentes universitários. Trouxe a reportagem fotográfica "Derrotar Bolsonaro nas ruas e nas urnas", que registrou a luta da categoria docente contra o governo de extrema direita.

Revista 73 (Fevereiro 2024): Resgatou a história do movimento docente no marco dos 60 anos de resistência à ditadura empresarial-militar.

Revista 74 (Julho 2024): Reafirmou a urgência da luta antirracista nas Universidades, Institutos Federais e Cefets.

Revista 75 (Janeiro 2025): Marcou o lançamento da seção Internacional, com textos bilíngues, além de uma análise ética e política da greve das universidades, institutos federais e cefets em 2024.

Revista 77 (Janeiro 2026): Edição lançada no 44º Congresso ,realizado em março deste ano, em Salvador (BA), no marco dos 45 anos do ANDES-SN, celebrados em 19 de fevereiro. A publicação aborda as resistências e desafios da categoria docente em universidades multicampi e em regiões de fronteira.

 


 

ENTREVISTA PAULO FREIRE: A PAIXÃO DE MUDAR, DE REFAZER, DE CRIAR…

*Reproduzida integralmente da Revista Universidade e Sociedade Nº 01, Fevereiro de 1991.

O ANDES - SINDICATO NACIONAL foi a São Paulo conversar com Paulo Freire, o educador brasileiro mais conhecido e premiado mundialmente. Paulo Freire falou de suas idéias sobre a Universidade, a educação em geral e de seu trabalho atual na Secretaria de Educação do Município de São Paulo.

 

 

 

ANDES-SN: A Universidade não tem sido um tema tratado por você com frequência, pelo menos de modo explícito. Entretanto, a educação como prática da liberdade tem relação com a Universidade democrática. Como você vê esta relação?

PAULO FREIRE: 
De fato, explicitamente, não tenho falado muito da Universidade mas implicitamente sim. Isto não quer dizer que não me preocupe ou não goste da Universidade, aliás eu sou um professor universitário. O problema da Universidade Brasileira é que ela tem sido, em todos estes anos, elitista, autoritária e distanciada da realidade. Veja o problema do analfabetismo. Ela simplesmente o ignora, passa ao largo. É verdade que existem exceções. A Universidade Federal da Paraíba vem se preocupando com o problema, mas é preciso que outras, também, se voltem para estudar, pesquisar o problema da alfabetização de adultos e crianças. Embora o analfabetismo não seja um problema apenas pedagógico, a formação de nossos professores, por exemplo, precisa ser mais cuidada. É preciso que leiam autores como Emília Ferreiro, Vigotsky, Snyders e outros. Mas é importante que os textos sejam contextualizados. É preciso ler o mundo, ler a realidade de modo crítico. É preciso que a leitura da palavra seja precedida da leitura do mundo e, este não é um problema apenas da alfabetização, como possa parecer a alguns. Na Universidade, às vezes, os professores esquecem totalmente esta questão. Veja, quando o aluno trabalha com um texto ele, às vezes sequer contextualiza este texto. É necessário que ele situe o autor no tempo, que compreenda o momento em que o autor escreveu e relacione com o momento atual do leitor. Educador e educando precisam superar a postura ingênua e vivenciar uma prática concreta de construção da história. Em relação à questão da democracia é preciso muito mais, é preciso democratizar a Universidade por dentro e por fora. É preciso que um maior número de trabalhadores tenha acesso à Universidade mas também as relações internas da Universidade precisam ser democratizadas. Não basta eleger os dirigentes. Às vezes, nos apegamos a um certo ritualismo mecânico e não avançamos na democratização das relações entre os diferentes segmentos da Universidade. As relações entre professores e alunos precisam ser, de fato, relações educativas, dialógicas.

ANDES-SN: A alfabetização é um tema sobre o qual você inovou e, assim, se projetou mundialmente. Como você vê o problema no Brasil hoje?

PAULO FREIRE: 
É claro que não podemos achar que o que servia para o Brasil da década de 60, serve hoje. O país mudou, mas o problema do analfabetismo permanece e tem-se feito muito pouco neste sentido. Aqui em São Paulo estamos trabalhando com algumas Universidades, através de convênios com a Secretaria e estamos fazendo um trabalho que acredito seja uma importante contribuição à educação do trabalhador. Estamos desenvolvendo um amplo programa de alfabetização e pós-alfabetização coordenado pelo Moacir Gadotti. É o “MOVA” como é conhecido. Aqui, a educação do trabalhador, (criança, jovem e adulto) vem sendo tratada de modo integrado. Não adianta continuarmos nos preocupando apenas com a alfabetização do adulto quando a escola continua expulsando os alunos que vão engrossar o contingente de adultos analfabetos. É preciso alfabetizar os adultos, mas também criar condições para que a escola não continue produzindo analfabetos. É preciso uma transformação radical que mude a cara da escola. Certamente que a mudança da própria situação sócio-econômica do povo brasileiro é fundamental.

ANDES-SN: Enquanto Secretário de Educação de um Município tão complexo como é São Paulo, você deve estar vivendo uma experiência muito rica. Quer falar sobre ela?

PAULO FREIRE:
 Eu teria muita coisa para contar. Prefiro, porém, dizer uma coisa rápida e sinceramente: não me arrependo de ter aceito o convite de Erundina para fazer com ela e um bando de gente boa, esta caminhada. Não me arrependo. Mas, não é fácil mudar.

ANDES-SN: Você é um dos educadores brasileiros mais premiados no exterior. Recentemente esteve na Europa onde recebeu um prêmio. Em que consistiu esse prêmio?

PAULO FREIRE:
 Na verdade, nestes 16 meses em que sou Secretário de Educação da Cidade de São Paulo, estive algumas vezes no exterior. Gostaria de dizer que, em nenhuma destas viagens, a administração pública teve de gastar sequer um cruzeiro. Têm sido todas estas viagens financiadas pelos organismos que me convidam e que são ora Universidades, ora administrações municipais, ora órgãos internacionais. No próximo mês de maio, por exemplo, estarei me ausentando de São Paulo para receber o doutoramento honoris causa da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos. Depois que assumi como secretário este é o terceiro doutoramento que recebo e, nestas ocasiões, de modo geral, falo do que fazemos e do que não podemos fazer à frente da Secretaria Municipal de Educação de São Paulo. Tenho uma compreensão diferente, não provinciana das relações que o administrador de um setor de trabalho da municipalidade, sobretudo de uma cidade como São Paulo, deve ter com outras partes do mundo. Não me considero turista. Sou um educador engajado, mesmo que nada tenha contra turistas.

ANDES-SN: O que está mudando na Secretaria de Educação Municipal de São Paulo e em que consiste esta mudança?

PAULO FREIRE:
 A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo compreende uma rede de 653 escolas onde funcionam 18.305 classes regidas por 26.966 professores atendendo a 676.239 alunos. Ao assumir a Secretaria, nos comprometemos a construir uma educação pública, popular e que tenha como marca principal a educação como prática da liberdade. Entende-se a escola como um espaço de educação popular voltado para a formação social crítica e para a sociedade democrática. A escola é aberta para que o povo participe coletivamente da construção de um novo saber que leve em conta suas necessidades e se torne instrumento de luta, possibilitando-lhe transformar-se em sujeito de sua própria escola. Nesta perspectiva, a escola é também centro irradiador de cultura popular em permanente recriação e também espaço de organização política das classes populares. O trabalhador deve encontrar nesta escola um lugar de debates de ideias, soluções, reflexões onde sistematizando sua própria experiência encontrará meios de auto-emancipação intelectual independentemente dos valores da classe dominante. Temos quatro grandes prioridades que não são hierárquicas mas concomitantes. As mudanças estão se dando, ao mesmo tempo, nos currículos, entendidos de modo amplo, nas próprias condições físicas da escola, no professor que está realizando um amplo programa de formação permanente e na questão da alfabetização de jovens e adultos que já estavam fora da escola. Está mudando além disso a forma de se processar a mudança que está sendo compartilhada, participativa. Estamos construindo progressivamente uma escola pública, popular, autônoma, criativa, competente, séria e alegre ao mesmo tempo, animada por um novo espírito.

ANDES-SN: No seu livro Medo e Ousadia você diz que os professores deveriam ter nas mãos, através de suas organizações, não só a defesa dos salários, mas o processo de sua formação permanente. Pode falar sobre esta questão?

PAULO FREIRE:
 Estou convencido, em primeiro lugar e nisto não estou só, de que a luta dos professores e professoras, jamais deixando de lado a reivindicação salarial, deve ir mais além dela. Ir mais além da reivindicação salarial significa lutar por melhores condições de trabalho, que, proporcionando maior conforto às educadoras e educadores, lhes ofereçam caminhos à criatividade. O descaso a que vem sendo relegada a educação entre nós é tal que se torna fácil reconhecer quão difícil é deixarmo-nos tocar pela paixão de mudar, de refazer, de criar, o que nos empurraria a ir mais além da reivindicação salarial. É neste sentido que a clareza política em torno do que fazemos como educadores ou educadoras, em torno de nosso sonho que é político, se impõe a nós como necessidade de nosso fazer. Quanto mais criticamente claros nos tornamos em face de, a favor de que e de quem, contra que e contra, quem somos educadoras e educadores, tanto melhor percebemos que a eficácia de nossa prática exige de nós competência científica, técnica, e política. Jamais uma sem a outra. Jamais clareza política sem saber científico. Jamais este com ares de descomprometido. Na linha destas reflexões é que me parece fundamental o papel político-pedagógico das entidades da categoria. Tudo o que puder ser feito como contribuição à formação permanente de seus quadros, numa prática e numa visão que não dicotomize o político do científico, deve ser feito.

ANDES-SN: Há cerca de dois anos atrás, falando das perspectivas da educação, você apontava como tarefa fundamental deste final de século a tarefa da libertação e apontava a prática educativa como processo de resgate da liberdade. Como se dá esse resgate?

PAULO FREIRE:
 Penso que a liberdade, como gesto necessário, como impulso fundamental, como expressão de vida, como anseio quando castrada, como ódio quando explosão de busca, nos vem acompanhando ao longo da história. Sem ela, ou melhor, sem luta por ela, não é possível criação, invenção, risco, existência humana. O que ameaça a liberdade não é, porém, o limite de que precisa para ser e sem o qual, deixando de ser, vira licença. O que ameaça a liberdade é o arbítrio que, despótico, se faz autoritarismo. Há sempre ameaças rondando a liberdade que, por isso mesmo, precisa estar desperta. A libertação é o processo permanente de busca da liberdade, que não é ponto de chegada, mas sempre de partida. Se hoje faminto e cansado, preciso de pão e repouso, amanhã, alimentado e dormido, descubro que preciso de som, de imagem, de palavra escrita. Ontem, precisado do fundamental para viver, não percebia o significado do ato arbitrário que fez mudar uma estação de rádio ou silenciou um jornal ou proibiu a venda de um livro. A luta pela liberdade implica um mínimo de sentimento e de percepção da falta da liberdade. Esta luta vem dando sentido à minha prática de educador. Lutar pela libertação, como busca permanente, é a forma que encontro neste final de século, para ser autenticamente gente.

 

 

Fonte: Andes-SN 

Terça, 17 Março 2026 09:48

 

 

As e os docentes da Universidade do Distrito Federal (UnDF) entrarão em greve a partir da próxima sexta-feira (20). A decisão foi tomada em assembleia convocada pelo Sindicato de Docentes da UnDF (SindUnDF – Seção Sindical do ANDES-SN), realizada no dia 12 de março.

 

 

A deliberação pelo movimento paredista ocorre após sucessivas tentativas de diálogo com a administração da universidade. De acordo com Louis Blanchet, presidente do SindUnDF SSind., as professoras e os professores estão há mais de um ano em negociação sobre as condições de trabalho na instituição sem obter respostas efetivas. “Todos os grupos de trabalho e mesas de negociação são interrompidos quando os e as docentes não aceitam o que é imposto pela Reitoria”, denunciou o dirigente.

Entre os principais pontos da pauta de reivindicações estão o reajuste de 10% no salário-base, o aumento da gratificação por magistério superior para 60% do salário-base, a instituição do regime de Dedicação Exclusiva, com gratificação correspondente de 50%, e a redução do tempo necessário para alcançar o topo da carreira, passando de 25 para 15 anos. Em outras universidades estaduais esse tempo varia, em média, entre 15 e 20 anos.

Blanchet explica que a carreira do magistério superior no Distrito Federal está entre as mais defasadas do país. Além disso, as gratificações por titulação estão entre as menores do governo do Distrito Federal (GDF), mesmo com um corpo docente composto majoritariamente por docentes com titulação de mestrado e doutorado.

“O Magistério Superior do DF é a carreira com um dos menores salários do ensino superior e ocupa o penúltimo lugar entre as carreiras do GDF. Isso provoca a evasão de servidores qualificados. As atividades administrativas, como coordenações, não possuem gratificações, o que gera acúmulo de funções sem remuneração”, afirmou Blanchet.

Além da lentidão na progressão e da desvalorização da titulação, a categoria aponta a sobrecarga de trabalho como um dos fatores que contribuem para o processo de precarização. As e os docentes da UnDF também denunciam a ausência de limites para a carga de trabalho e uma exigência mínima de regência de aulas superior à prevista na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), o que compromete o equilíbrio entre ensino, pesquisa, extensão e gestão acadêmica.

Conselhos da UnDF

Kíssila Mendes, vice-presidenta da SindUnDF. SSind., ressalta que, desde sua criação, a UnDF foi pensada de uma forma muito fisiológica, como órgão do GDF e não como uma universidade pública.  “Foi passado para todos nós como se isso fosse algo transitório. A nossa primeira pauta, que levou à criação do sindicato, foi a gestão democrática. Não existiam, e como não existem ainda, conselhos. Então, todas as deliberações ainda vêm de cima para baixo, todas as decisões, porque não têm deliberações. E isso ainda é uma luta. A gente, inclusive, precisou judicializar a compreensão do que é ser professor. Então esse é o tamanho do nosso problema”, relatou.

A professora ressaltou que, embora a pauta salarial seja importante, a falta de diálogo, que também é resultado da ausência dos Conselhos e de eleição para reitoria, foi o que levou à deliberação da greve. “A gente não tem o reconhecimento de que a nossa carreira é que deve ocupar os espaços de gestão, os cargos que são administrativos e acadêmicos, como reitoria e pró-reitorias. Nenhum desses espaços é ocupado por professores da carreira. Tudo isso cria uma situação trabalhista bastante ruim, bastante complicada. Não é só o salário. É claro que isso é muito ruim, é a nossa principal reivindicação, mas também [reivindicamos] o acesso à administração da universidade”, acrescentou a vice-presidenta da seção sindical do ANDES-SN na UnDF.

Mesmo com decisão favorável da Justiça, a Reitoria pro tempore mantém o edital considerado irregular para composição dos órgãos colegiados da UnDF, sem contemplar os 70% das vagas destinadas a docentes, conforme determina o artigo 56 da LDB. A medida descumpre o acórdão, que determinou a correção da composição, de modo a garantir o percentual mínimo de 70% das vagas para a carreira docente do quadro permanente.

“Esperamos que o GDF avance na direção de instalar os Conselhos com a nomeação de docentes efetivos e pela instalação de uma eleição para reitor que seja democrática. Até o momento, só nos ofereceu intervenções no sentido contrário, estabelecendo a lista tríplice por meio de decreto, já que não estava prevista em Lei, e prorrogando o mandato da atual reitora”, criticou Louis Blanchet, presidente do SindUnDF SSind.

ANDES-SN apoia a greve

Diante do movimento grevista, a diretoria do ANDES-SN divulgou, na última sexta-feira (13), uma nota de apoio e solidariedade às e aos docentes da UnDF, destacando a legitimidade da mobilização e a importância da luta por melhores condições de trabalho e pela consolidação de uma universidade pública forte e socialmente referenciada. Leia aqui.

Segundo Sérgio Barroso, 1º tesoureiro do Sindicato Nacional e da coordenação do Setor das Instituições Estaduais, Municipais e Distrital de Ensino Superior (Iees, Imes e Ides), a categoria docente da UnDF enfrenta dificuldades desde a criação da universidade em 2021. “A UnDF é uma universidade relativamente nova e a comunidade acadêmica enfrenta uma série de dificuldades relacionadas ao autoritarismo do governo do Distrito Federal e à falta de respeito aos processos democráticos. Há pessoas indicadas para cargos de gestão pelo governo que sequer pertencem à carreira da universidade. Além disso, os conselhos superiores têm dificuldade para funcionar e muitas vezes nem chegam a se reunir. Também há problemas de assédio institucional. Docentes em estágio probatório, por exemplo, são pressionados a assumir cargas horárias superiores às permitidas por lei ou a desempenhar funções que não deveriam exercer”, reforçou o diretor do Sindicato Nacional.

Kíssila reforçou que a greve foi a última alternativa da categoria, na expectativa de conseguir algum avanço nas negociações. “A gente aposta na greve como a nossa maior alternativa, talvez a última alternativa enquanto mobilização. E foi muito legal, porque foi a maior assembleia que a gente já teve, foram 60 pessoas. Hoje, a nossa categoria tem em torno de 100 docentes. Então, muita gente esteve presente e foi quase unânime a decisão pela greve. E é mesmo a nossa aposta, pela abertura de diálogo para melhoria das nossas condições de trabalho e para implementação da gestão democrática na universidade. Embora o GDF tenha um histórico de muita violência em resposta às greves, a gente acha que é um momento muito fundamental, com a chegada dos novos professores, de mobilização na nossa categoria”, concluiu a vice-presidenta do SindUnDF SSind.

 

Fonte: Andes-SN 

Segunda, 16 Março 2026 16:04

 

Circular nº 091/2026

 

Brasília, 16 de março de 2026.

 

 

Às Seções Sindicais, Secretarias Regionais e às(aos) Diretoras(es) do ANDES-SN

 

 

Assunto: Envia Convocação da Reunião do GTMultiFront para os dias 29 e 30 de maio de 2026. 

 

Companheiras(os),                                     

 

 

A Coordenação do Grupo de Trabalho de Multicampia e Fronteira do ANDES-SN convoca a categoria para reunião do GTMultiFront, que ocorrerá na sede do ANDES-SN, em Brasília (DF), nos dias 29 e 30 de maio de 2026, com início às 14h do dia 29/05 (sexta-feira) e previsão de término às 17h do dia 30/05 (sábado).

 

A confirmação da participação, de até duas representações por seção sindical, deverá ser feita por meio do preenchimento do formulário disponível no link enviado às seções sindicais, até o dia 22 de maio de 2026 (sexta-feira).

 

As seções sindicais que quiserem socializar seus informes deverão enviá-los até às 18h do dia 27 de maio de 2026 (quarta-feira), exclusivamente por meio do formulário disponível no link também enviado às seções, para serem publicados junto ao relatório da reunião.

 

A pauta da reunião será enviada posteriormente, por meio de circular complementar.

 

Sem mais para o momento, aproveitamos a oportunidade para renovar nossas mais cordiais saudações sindicais.

 

 

Prof. Herrmann Vinicius de Oliveira Muller

2º Secretário

Sexta, 13 Março 2026 14:06

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Juacy da Silva*

 

 

A cada dia presenciamos o aumento de “desastres naturais”, como mais furacões, tornados, chuvas torrenciais, maremotos, secas prolongadas, ondas de calor extremo e também de frio extremo, impactando milhões e bilhões de pessoas ao redor do mundo, com enormes prejuízos materiais, sofrimento e mortes que poderiam ser evitadas, se cuidássemos melhor do planeta.

Instituições nacionais e internacionais têm produzido estudos e pesquisas com dados e informações científicas sobre o aquecimento global, sobre as mudanças climáticas que dentro de poucos anos poderão superar a meta aprovada no Acordo de Paris, de 1,5º graus acima da média histórica, quando do início do período da industrialização, e até mesmo os temíveis 2,0º acima daquele limite, considerado o chamado “ponto do não retorno”, que poderá inviabilizar todas as formas de vida no planeta, principalmente a vida humana, afetando vários bilhões de pessoas.

O despertar da conscientização mundial sobre as mudanças climáticas é o único caminho a seguir, é uma urgência crítica, focada não apenas em mitigar os impactos de gases de efeito estufa (GEE): petróleo, gás natural e carvão, componentes principais da matriz energética e elétrica da maior parte dos países, gerados por atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento, o aumento da produção de lixo, a elevação da temperatura média das águas dos oceanos e, finalmente, a tão temível crise climática que já está entre nós.

Por isso foi criado o DIA NACIONAL DE CONSCIENTIZAÇÃO SOBRE AS MUDANÇAS CLIMÁTICAS, a ser celebrado no dia 16 de março no Brasil, inspirado no Acordo de Paris e nos ODS, aprovados em 2015 pela ONU.

O Dia Nacional de Conscientização sobre as mudanças climáticas foi instituído pela Lei Federal 12.533/2011, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff, em uma referência direta ao Protocolo de Kyoto, aprovado durante a COP 3, em 1997, no Japão, ou seja, há quase 30 anos, sendo um dos primeiros tratados internacionais que demonstrou a urgente necessidade da redução das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis diretos pelo aumento do aquecimento global e pela crise climática e seus impactos.

A ONU também “celebra” o Dia Mundial da Conscientização sobre as mudanças climáticas por ocasião do Dia Mundial do Meio Ambiente em 05 de junho e também em 23 de março, Dia Mundial da Meteorologia, e através do estímulo à implementação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, principalmente o ODS 13 – Ação Contra a Mudança Global do Clima, aprovados também em 2015 e que fazem parte da Agenda 2030, tendo como objetivo combater as alterações climáticas e seus impactos e como foco a resiliência, a adaptação e a redução das emissões desses gases de efeito estufa e, também, uma mudança radical, uma transformação profunda em nossos hábitos e estilos de vida, enfim, mudanças essas que contribuem para o surgimento de um novo modelo de economia, como a Economia de Francisco e Clara.

Diante disso, os cristãos em geral e a Igreja Católica em particular, dando seguimento às exortações apostólicas e à Encíclica Laudato Si, publicada também em 2015 pelo Papa Francisco, que oferecem subsídios e novas bases de conhecimento e inspiração, através da Espiritualidade Ecológica, e, assim, contribuirmos para este despertar da consciência ecológica, individual e, também ou principalmente, coletiva, comunitária.

Por isso, cuidar da Casa Comum, do planeta e lutar pela Ecologia Integral não é algo opcional aos cristãos, principalmente aos católicos; para tanto, precisamos mudar radicalmente nossos hábitos que impactam negativamente o meio ambiente e substituirmos a omissão (que é um pecado pela doutrina católica) pela conscientização e por ações sociotransformadoras.

Como bem disse e escreveu o Papa Francisco: “O meio ambiente é um bem coletivo, patrimônio de toda a humanidade e responsabilidade de todos (governantes, empresários, consumidores, trabalhadores, enfim, a população em geral)”.

Além disso, ele (Papa Francisco, que também tem sido seguido pelo Papa Leão XIV) insistia que “A Igreja, com sua ação, como por exemplo através da Pastoral da Ecologia Integral, procura não só lembrar o dever de cuidar da natureza, mas também proteger o ser humano de sua própria destruição, pois, afinal, ‘o clamor/grito da terra é também o clamor, gemido e grito dos pobres, excluídos e injustiçados’, pois são esses as maiores vítimas das mudanças climáticas e das tragédias ambientais”.

A partir do Magistério do Papa Francisco, a Ecologia Integral passou a fazer parte da Doutrina Social da Igreja e, neste contexto, está umbilicalmente ligada à opção preferencial pelos pobres que a Igreja tem feito ao longo de milênios, mas de uma forma mais enfática e clara nas conclusões do Concílio Vaticano II, que precisa ser resgatado por fiéis e também pela hierarquia eclesiástica.

Diante disso, podemos afirmar com certeza que você, como cristão, católico, cidadão, contribuinte e também pertencente a outras religiões, pode fazer a diferença, mudando seus hábitos de consumismo, de desperdício e de destruição da natureza, que contribuem para a degradação do meio ambiente e fazem parte da CRISE CLIMÁTICA, que a cada ano está se tornando mais grave e mais recorrente, com impactos cada vez mais terríveis.

Este despertar da consciência ecológica também abrange o que denominamos de mobilização profética e a luta por políticas públicas que cuidem melhor do meio ambiente e de nosso sofrido planeta.

Por isso, diga NÃO ao consumismo, ao desperdício, à geração de mais lixo, aos agrotóxicos, ao desmatamento, às queimadas, às invasões dos territórios indígenas, quilombolas e ribeirinhos, à destruição da biodiversidade, à poluição das águas e do ar, à degradação promovida pela mineração e garimpos ilegais e à maior causa do aquecimento global, que são os combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão). Isto tem um nome: A LUTA PELA SUSTENTABILIDADE.

Tudo isso está ao seu alcance, basta despertar a sua consciência ambiental, ecológica e juntar-se a outras pessoas de sua comunidade, sua cidade, sua paróquia, sua Igreja e aí, juntos, podemos fazer uma grande diferença.

Além disso, precisamos nos unir para uma grande MOBILIZAÇÃO PROFÉTICA PLANETÁRIA e lutar contra os modelos econômicos que não respeitam a natureza, nem os trabalhadores e muito menos os consumidores e as futuras gerações.

Esses modelos foram condenados pelo Papa Francisco, que os denominava de Economia da Morte, que precisam ser substituídos pela ECONOMIA DA VIDA, fundada na Economia Solidária, na agroecologia e na produção orgânica, garantindo uma qualidade de vida digna para as atuais gerações e também para as gerações futuras.

A conscientização sobre os riscos e impactos das mudanças climáticas é o primeiro passo para as ações sociotransformadoras e, neste contexto, cabe um destaque ao papel da Educação Ambiental, Educação Ecológica Libertadora, tanto na escola, em todos os níveis, da educação infantil até a universidade, bem como componente dos movimentos sociais, populares, ONGs e, também, nas igrejas.

Vale a pena destacar qual deveria ou deve ser o papel da educação ambiental libertadora para o Papa Francisco na Encíclica Laudato Si: “A educação ambiental (libertadora) deveria predispor-nos a darmos um salto para o mistério, do qual uma ética ecológica recebe o seu sentido mais profundo”.

Assim, uma educação ambiental libertadora, juntamente com ações sociotransformadoras, abre caminho para a plenitude da sustentabilidade e novas formas de organização da sociedade e dos sistemas econômicos.

Isto é o que podemos denominar de uma verdadeira cidadania ecológica, onde existe um profundo respeito pelo meio ambiente, pelas obras da criação e também o respeito à dignidade dos trabalhadores, dos empresários e consumidores, com os olhos postos nas futuras gerações, ao respondermos à indagação: “que planeta queremos ou vamos deixar para as próximas e futuras gerações?”

Pense nisso. Esta deve ser a essência da mensagem neste Dia Nacional e Mundial de Conscientização sobre as Mudanças Climáticas, neste 16 de março de 2026.

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

Sexta, 13 Março 2026 08:58

 

O dossiê “Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho” publicou mais três textos que aprofundam o debate sobre os efeitos da organização do tempo de trabalho na vida da classe trabalhadora. Os 27º, 28º e 29º artigos da série abordam temas como saúde mental, desigualdades de gênero no trabalho de cuidados e os impactos da jornada exaustiva sobre determinados grupos sociais.


O 27º artigo, intitulado “Trabalho que fratura, jornada que adoece: saúde mental e os impactos da escala 6×1”, de autoria de Vanessa Silveira de Brito, discute a relação entre tempo de trabalho e saúde mental, destacando a escala 6×1 como um dispositivo de precarização. Segundo a autora, as jornadas prolongadas e escalas restritivas comprometem a saúde mental das trabalhadoras e dos trabalhadores e defende a redução da jornada e o direito ao tempo de viver como medidas fundamentais de cuidado e resistência. Acesse aqui.


Já o 28º artigo, “Fim da escala 6×1: e o trabalho de cuidados, como é que fica?”, de autoria de Élida Azevedo Hennington, apresenta uma reflexão teórica sobre a relação entre jornada de trabalho e desigualdades de gênero, com foco no trabalho de cuidados e na área de Saúde da Trabalhadora. O texto problematiza o papel historicamente atribuído às mulheres como cuidadoras e a divisão sexual do trabalho, destacando seus impactos na saúde física e mental. Leia aqui.


O 29º artigo, “O peso do trabalho e os corpos que aguentam: quem são os corpos que sustentam as estruturas da escala 6×1”, de autoria de Wanise Cabral Silva, Ludmila Rodrigues Antunes e Mariane Pereira Rodrigues, analisa o modelo de regulamentação da jornada de trabalho no Brasil e suas consequências no cotidiano laboral. 


Para as autoras, a jornada de 44 horas semanais recai de forma desigual sobre determinados grupos sociais, que acabam sustentando o peso de um modelo de trabalho exaustivo. O texto busca identificar o perfil das trabalhadoras e dos trabalhadores submetidos à escala 6×1 e discutir como iniciativas como a proposta de emenda constitucional que trata do tema e o movimento Vida Além do Trabalho (VAT) podem contribuir para enfrentar a hiperexploração do tempo de trabalho. Confira aqui


Dossiê

Com o objetivo de ampliar o debate sobre o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho, o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) do Instituto de Economia da Unicamp, a Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho do Departamento de Sociologia da UnB e o site “Democracia e Mundo do Trabalho em Debate” organizaram um dossiê com artigos que abordam o tema sob diferentes perspectivas.


Segundo a chamada para artigos, “o objetivo é estimular o debate e abrir espaço para novas visões e diferentes abordagens sobre essas questões. O propósito principal é construir argumentos que contribuam para reforçar a agenda do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho sem redução de salários".

ANDES-SN na luta contra a jornada 6x1

A luta pelo fim da jornada 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salários é uma das pautas centrais do Plebiscito Popular por Justiça Tributária, organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, em articulação com entidades dos movimentos sindical e social, entre elas o ANDES-SN. O plebiscito obteve mais de 2,1 milhões de votos.


Para fortalecer a divulgação de conteúdos relacionados ao plebiscito e ampliar o debate público sobre o tema, o Sindicato Nacional se soma às demais entidades e canais de comunicação que estão publicando os artigos do dossiê.


Confira aqui todos os artigos já publicados.

 

Fonte: Andes-SN 

Quinta, 12 Março 2026 16:22

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Roberto Boaventura da Silva Sá
Dr. em Ciências da Comunicação/USP
Docente aposentado da UFMT
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            Por dois anos consecutivos, recortes da cultura brasileira têm sido vistos por plateias mundo afora. Em 2025, vibramos com a estatueta do Globo de Ouro, conquistada por Fernanda Torres, que interpretou as dores, o luto e a luta de Eunice Paiva em Ainda Estou Aqui, vencedor do Oscar de melhor filme internacional. Na edição deste ano, já vimos Wagner Moura receber a estatueta de melhor ator/drama e O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, vencer como o melhor filme de língua não-inglesa.
            Agora, já no aguardo pelo Oscar, para o qual há quatro indicações, registro que, além de leituras de campos diversos do conhecimento, muito já se falou acerca de tópicos específicos de O Agente Secreto, como, p. ex., de sua direção, elenco, figurino, fotografia, trilha sonora, caracterização de época etc.; todavia, penso que ainda haja elementos para reflexões sobre o seu cerne, afinal, em grandes obras, a obviedade não tem espaço.
            Como reflexo estético de época marcada pelo silêncio, irmão do medo, imposto em 1964 por golpistas cívico-militares, o filme diz muito, sem explicitar tanto. A síntese desse clima pode estar na cena em que dona Sebastiana (Tânia Maria), com os dedos deslizando sobre seus lábios, faz o gesto da “boca de siri”, após entregar um pacote a Marcelo (Wagner Moura), que faz gesto semelhante, quando indagado se, de fato, era Marcelo; e, assim, muito de sua narrativa surge por meio de signos e códigos, que pedem pela labor interpretativo do espectador, convidado a imergir na trama para tentar desvelar o que possa estar encoberto por véus (metáforas), ou fria e criminosamente fechado em gavetas de um IML... Enfim, todos precisamos organizar os dados – aparentemente, lançados de forma aleatória – de um intrincado enredo.
            Nesse sentido, contribuindo com o diálogo sobre o filme de Mendonça Filho, vou ao que considero central, reflexionando sobre qual seria o seu ponto de partida como narrativa que demandasse, de fato, por algum “agente secreto” em sua trama. Mas, antes, reafirmo a genialidade dessa construção fílmica, disposta em três grandes partes (“O Pesadelo do Menino”; “Institutos de Identificação” e “Transfusão de Sangue”), subdividas pelo que identifico como “signos focalizados”, além de se ancorar em:
            1º) códigos cifrados para cidadãos refugiados, em geral, politicamente;
            2º) metáforas/signos pictóricos, tais como:
            a) fotografias em paredes de repartições públicas, com ênfase à de Ernesto Geisel;
            b) placas de automóveis, que marcam espaços geográficos da narrativa, auxiliando nos “signos focalizados” de que falei acima;
            c) presença do tubarão, tanto o do filme “Tubarão” (1975), quanto dos que atacam banhistas no litoral pernambucano;
            d) brevíssima projeção de um fragmento de “Le Magnifique” (1973), no qual Philippe de Broca satiriza películas de espionagem, ou seja, de agentes secretos;
            e) gata com dupla face e dois nomes, assim como o grupo das personagens em refúgio no Edifício Ofir, em Recife; aliás, o nome “Ofir” cai como luva para a interpretação do filme, posto estar referenciado na Bíblia como região ou porto lendário, famoso por sua imensa riqueza, especialmente o seu ouro, de inconteste pureza 
            3º) presença de um elemento fantástico (a metonímia da “perna cabeluda”), que – substituindo a integralidade dos corpos de criminosos comuns e de inescrupulosos policiais em “passeios” noturnos pela Praça 13 de Maio, também em Recife – ganha vida própria na trama, servindo como denúncia de violências e assassinatos contra prostituta(o)s e LGBTQIA+, à época (1977), identificados como homossexuais e outros adjetivos nada respeitosos. Detalhe: o nome dessa praça – que também nos ajuda a sentir a densidade do filme – nos remete às pretensões da Lei Áurea, de 1888, possivelmente ainda não alcançada por tantos trabalhadores, inclusive, pelos trabalhadores do sexo.
            Isso tudo, somado ao fato de sua narrativa/enredo não se apresentar cronologicamente linear, faz O Agente Secreto ser mesmo um filme de recepção complexa, que não perde a chance de estabelecer críticas a acontecimentos atuais, como a indignação pela morte de Miguel Otávio, filho de Mirtes Souza, que segue na luta por justiça contra sua ex-patroa, Sari Corte Real, todos igualmente de Recife. Essa paráfrase é tão inesperada quanto reveladora, social e cinematograficamente falando.  
            Diante da complexidade do filme, sinto-me como um dos seus espectadores privilegiados, pois, assim como a personagem Armando (Wagner Moura), fui professor de uma das nossas federais. Concomitantemente à docência, militei no Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior, o ANDES-SN – à época, espaço de relevantes debates políticos –, que deu sequência organizacional das antigas associações dos professores universitários. Tais agrupamentos já discutiam, como um dos desafios da categoria docente, a cooptação, em nada secreta, de pesquisadores, em especial das áreas tecnológicas, por parte de representantes do capital (nacional e estrangeiro), quase sempre em conluio com os golpistas/ditadores de 64, que também não eram anônimos ou secretos, ainda que suas práticas fossem realizadas à margem das leis e/ou dos direitos humanos.  
            Portanto, mais do que identificar que Armando fosse chefe de um Departamento da UFPE, é necessário perceber, no cerne da narrativa em pauta, esse processo de cooptação abrangente e bem-sucedido do capital junto a um departamento inteiro; tarefa corporificada por Ghirotti (Luciano Chirolli), empresário inescrupuloso, mas influente no Conselho da Eletrobras, vinculada ao Ministério das Minas e Energia daquele período.
            Na linha do tempo e dos acontecimentos, aqui, é interessante localizar que a cooptação em questão ocorrera em 1974, ou seja, três anos antes daquela cena do posto de gasolina, na abertura do filme, em cujo pátio se encontra um cadáver já em putrefação. Aliás, aquele prólogo, como numa antecipação metafórica do “mau cheiro” reinante no país, é retomado no unhappy end de O Agente Secreto, quando se fica sabendo, via notícia de jornal, do assassinato de Armando, ocorrido em 1977; estendido no chão, sua foto remete à lembrança da cena do cadáver no pátio do posto de gasolina, bem como de todos os demais cidadãos assassinados que “aparecem” no desenvolvimento do texto fílmico.
            Do processo de cooptação, vale ressaltar a resistência, inclusive física, de Armando e Fátima (Alice Carvalho), que – além de pesquisadora nordestina e mulher negra, e, por isso, vítima do racismo praticado por Ghirotti e por seu filho, Salvatore Ghirotti (Luciano Graziosi) – era companheira de Armando, com quem tivera o filho Fernando (Wagner Moura). O casal de pesquisadores, adversários frontais daquela intervenção dos dois representantes do capital, põe-se em situação de extrema vulnerabilidade ao defender seus princípios e origens, bem como a força da ciência/conhecimento vivenciado em universidades fora do eixo Rio-São Paulo.
            Portanto, aqui está, de forma cíclica, a origem do ponto de partida e do epílogo da narrativa. Sem esse conjunto de acontecimentos não haveria ação/motivação para que surgisse O Agente Secreto como filme de memória, fruto de pesquisa acadêmica de uma instituição particular de ensino superior, que investigava – mas, logo, desistira da empreitada – um pouco dos porões de um tempo deveras sombrio de nosso país.
            Todavia, se a instituição interrompera e engavetara seus estudos, a estagiária Flávia (Laura Lufési) não. Ao contrário, é ela quem, ao copiar, clandestina e secretamente, os depoimentos que ajudava a transcrever para a pesquisa institucional, torna-se o sujeito agente que entrega o material num pen drive a Fernando, filho de Armando e Fátima, garantindo, assim, o desvelamento público dos atos ocorridos com seus pais. O restante é despiste, típicos de narrativas tais.
            Nesse sentido, como num lance de fina ironia, Marcelo – que, antes, é Armando –, da cabine de projeção do Cine São Luiz, parece se sentir “espelhado” ao assistir a uma breve cena, na qual a personagem Bob Saint-Clar, uma criação de François Merlin, ambos interpretado por Jean-Paul Belmondo, em Le Magnifique, é que sugere ser o tal “agente secreto”; e até pode ser, mas naquele filme francês. No que nos interessa aqui, outra despista: o “nosso” Bob/Bobbi (Gabriel Leone), como jovem que responde a antigas violências vividas na infância, é um agente silencioso e perigoso, mas não secreto, pois não intelectualiza nada; no limite, apenas age friamente para auxiliar na terceirização – uma das dinâmicas do capital – de um matador de aluguel. Os que recebem propinas para “pequenas tarefas” equivalem, p. ex., às mulas do tráfico. São sempre seres sorrateiros, sem nada intelectualizar ou mesmo intuir algo.
            E, assim, várias ações desonestas vão surgindo, afinal, nos subterrâneos de uma ditadura, ninguém age solo. Há sempre um conjunto de colaboradores do regime, conscientes ou não, trabalhando para algum projeto, via de regras, obscuro. Nos porões, os ratos transitam e se comunicam entre si.
            Nessa perspectiva, em “despretensiosa” informação, à lá notas de rodapé, como nos trabalhos acadêmicos, sabe-se que, após a já mencionada dissolução do departamento da UFPE, houve dispersão daquele antigo corpo docente, que aceitou “tomar um banho de indústria”, conforme sugerido por Ghirotti. Por meio de um “sutil destaque”, registra-se que alguém do antigo grupo de docentes teria ido trabalhar justamente onde Ghirotti também tinha seus tentáculos, ou seja, no Metrô de São Paulo; não por coincidência, era a cidade da placa do fusca que, agora, Marcelo – após o assassinato de Fátima, que, ao invés de pneumonia, teve seu corpo atirado na represa Sérgio Motta – dirigia até o Recife, almejando sair do país em companhia de seu filho.
            Infelizmente, Armando não conseguiu se proteger do Brasil”, como havia sido sugerido pela personagem Elza (Maria Fernanda Cândido). Seu assassinado ocorreu pouco antes de seu autoexílio de um país que ainda busca sua consolidação como pátria, sem ameaça da presença asquerosa de nenhum agente do tipo sorrateiro, sem nenhuma “pirraça”, termo inusitado e maravilhosamente bem escolhido para abranger um amplo leque semântico de todo o retrocesso político, social, cultural e econômico que períodos antidemocráticos implacavelmente podem nos trazer: memória é, de fato, também prevenção ao futuro.



Quinta, 12 Março 2026 16:17

 

Circular nº 083/2026

 

Brasília, 12 de março de 2026.

 

 

Às Seções Sindicais, Secretarias Regionais e às(aos) Diretoras(es) do ANDES-SN

 

 

Assunto: Convocação para Reunião do Grupo de Trabalho de Política e Formação Sindical (GTPFS). 

 

 

 

Companheiras(os),                                     

 

 

Convocamos e enviamos a pauta da reunião do Grupo de Trabalho de Política e Formação Sindical (GTPFS), que ocorrerá na sede do ANDES-SN, em Brasília (DF), nos dias 25 e 26 de abril de 2026, com início às 9h do dia 25.04 (sábado) e término às 17h do dia 26.04 (domingo).

A confirmação da participação, de até duas representações por seção sindical, deverá ser feita por meio do preenchimento do formulário disponível no link enviado para as secretarias, até o dia 6 de abril de 2026 (segunda-feira).

As seções sindicais que quiserem socializar seus informes deverão enviá-los, exclusivamente por meio do formulário disponível no link também enviado para as secretarias até o dia 13 de abril de 2026 (segunda-feira), para serem publicados junto ao relatório da reunião.

Seguem a pauta e a programação dos dias 25 e 26 de abril de 2026:

 

25/04/2026 (sábado)

9h às 9h40

1. Informes da Diretoria;

2. Informes das SSind.

 

9h40 às 13h

3. Plano de Lutas: Resoluções do 44º Congresso do ANDES-SN.

 

13h às 14h30 – Almoço.

 

14h30 às 16h30

4. Questões Organizativas e Financeiras: Resoluções do 44º Congresso do ANDES-SN.

16h30 às 17h – Lanche.

 

17h às 19h

Painel preparatório: IV Congresso Mundial contra o Neoliberalismo na Educação.

 

26/04/2026 (domingo)

9h às 12h

Política Internacional para o ANDES-SN: por uma frente internacionalista em defesa da educação pública.

 

12h às 13h30 – Almoço.

 

13h30 às 15h

A Educação Pública sob ataque: setor da educação em luta contra a Extrema Direita.

 

15h às 15h30 – Lanche.

 

15h30 às 17h

Política Sindical para Novas Seções Sindicais e o fortalecimento das seções com até 350 sindicalizados: fortalecendo a base do ANDES-SN.

 

Sem mais para o momento, aproveitamos a oportunidade para renovar nossas mais cordiais saudações sindicais.

 

 

Prof.ª Fernanda Maria da Costa Vieira

Secretária-Geral

 

Quinta, 12 Março 2026 13:54

 

Pressão de entidades da Educação impulsiona fim da lista tríplice nas universidades e institutos federais

 

Após anos de mobilização das entidades ligadas à Educação e do movimento estudantil, o Senado Federal aprovou, nessa terça-feira (10), mudanças no processo de escolha de reitoras e reitores das universidades e institutos federais. A medida põe fim ao modelo da lista tríplice e estabelece que o presidente da República deverá nomear a candidata e o candidato mais votado na consulta realizada pela comunidade acadêmica. O texto segue agora para sanção presidencial.

 

 

A alteração foi incluída no Projeto de Lei (PL) 5.874/2025, de autoria do Poder Executivo, que originalmente trata da reestruturação de carreiras do serviço público federal e da criação de mais de 24 mil novos cargos efetivos. Entre estes, estão cerca de 3,8 mil vagas para docentes do ensino superior e mais de 9,5 mil para os institutos federais de educação, ciência e tecnologia. A matéria teve como relator o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP).

“O nosso Sindicato Nacional tem sido uma das vozes mais contundentes pelo fim da lista tríplice. Em nosso Caderno 2 já defendemos, fruto de nossas deliberações congressuais, que o reitor e o vice-reitor sejam escolhidos por meio de eleições diretas e voto secreto, com a participação, universal ou paritária, de docentes, estudantes e técnico-administrativos, encerrando-se o processo eletivo no âmbito da instituição”, afirmou Cláudio Mendonça, presidente do ANDES-SN.

A conquista, segundo Mendonça, é resultado de uma mobilização histórica das entidades da Educação e do movimento estudantil em defesa da autonomia universitária. Entre as organizações que participaram dessa luta estão o ANDES-SN, o Sinasefe e a Fasubra, além de entidades estudantis.

Nos últimos anos, o Sindicato Nacional, em unidade com demais movimentos, também realizou iniciativas para pressionar pela mudança legislativa, como o Dia Nacional pelo Fim da Lista Tríplice, pressão junto a parlamentares e reuniões com entidades representativas das instituições federais, entre elas a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). “Durante o governo Bolsonaro, as instituições estiveram imersas em ataques à escolha dos mais votados, com a imposição de interventores, o que exigiu de nosso sindicato ainda mais pressão”, contou.

Entre 2019 e 2021, das 50 nomeações feitas pelo ex-presidente, 18 foram de reitoras e reitores que não haviam vencido as consultas realizadas internamente nas instituições, situação que gerou tensões e protestos das comunidades acadêmicas.

Regras atuais

Pelas regras atuais, após consulta à comunidade universitária (que envolve docentes, estudantes e servidoras e servidores técnico-administrativos), as instituições encaminham ao governo federal uma lista tríplice com três candidatas e candidatos a reitora ou reitor. A partir dessa lista, o presidente da República pode escolher qualquer um dos nomes indicados, mesmo que não tenha sido o mais votado.

Com o texto aprovado pelo Senado, esse procedimento muda. A exigência da lista tríplice deixa de existir, e a indicação passa a refletir diretamente o resultado da consulta interna realizada pela comunidade acadêmica.

A proposta também revoga dispositivos da Lei 5.540 de 1968, que historicamente serviram de base para o sistema de lista tríplice nas universidades.

Outra alteração importante é o fim da regra legal que estabelecia peso de 70% para o voto docente na escolha das reitorias nas universidades federais. Com a nova legislação, o peso dos votos de cada segmento da comunidade acadêmica deverá ser definido por um colegiado específico da instituição, respeitando a autonomia universitária e a legislação vigente. 

O texto também permite que, conforme as normas de cada universidade, representantes de entidades da sociedade civil participem do processo de votação. Essa alteração é criticada pelo ANDES-SN, pois pode permitir que entidades privadas, e que não têm relação direta com a universidade, participem da escolha dirigentes, violando a autonomia didático-científica, administrativa, de gestão financeira e patrimonial das instituições. 

Pontos críticos

Apesar de avaliar positivamente o fim da lista tríplice, o Sindicato também aponta para questões a serem enfrentadas para ampliar a democratização nas universidades, institutos federais e cefets.

Entre os pontos que permanecem em debate está a necessidade de garantir maior isonomia entre as carreiras do magistério superior e da educação básica, técnica e tecnológica (EBTT) no acesso aos cargos de gestão. Além disso, a nova legislação não determina que os processos eleitorais sejam necessariamente universais ou paritários, o que dependerá de regulamentações posteriores.

A nova legislação também se aplica apenas às instituições federais de ensino e não altera automaticamente as regras existentes nas universidades estaduais, onde o modelo de lista tríplice pode continuar vigente, dependendo da legislação de cada estado.

“O ANDES-SN considera positivo o fim da lista tríplice nas IFEs, mas entende que devemos continuar mobilizados para democratizar os espaços de nossas universidades, garantindo isonomia entre as carreiras do magistério superior e da EBTT, e o fim da lista tríplice também nas demais universidades públicas ”, avaliou o presidente do Sindicato Nacional.

RSC e novo IF

O projeto também prevê a instituição do programa de Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) para o Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE). Um dos problemas apontados no texto é a restrição de concessão do RSC para, no máximo, 75% do total de servidores do PCCTAE, “observada a disponibilidade orçamentária, conforme o disposto no art. 169, §1º, da Constituição, a ser acompanhada pelo Ministério da Educação”.

A proposta inclui ainda a criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano (IFSertãoPB).

ANDES-SN na luta

A luta pelo fim da lista tríplice é uma pauta histórica da categoria docente organizada no Sindicato Nacional. Durante o governo de extrema direita de Jair Bolsonaro, o ANDES-SN organizou a campanha “Reitor/a eleito/a é reitor/a empossado/a!” para denunciar as intervenções, do então presidente, na escolha de dirigentes das universidades federais e cobrar respeito à autonomia universitária.

Em dezembro do ano passado, o Sindicato realizou um debate no Auditório Marielle Franco, na sede da entidade em Brasília, transmitido ao vivo em suas redes sociais, para tratar do tema. A atividade integrou o Dia Nacional de Luta pelo Fim da Lista Tríplice, em defesa da gestão democrática das instituições públicas de ensino e da autonomia universitária. Saiba mais aqui.

Em março deste ano, durante o 44º Congresso do ANDES-SN, a defesa da autonomia universitária ganhou destaque com a aprovação de um dia nacional de luta pelo fim da lista tríplice nas Iees, Imes e Ides, a ser realizado ainda no primeiro semestre de 2026.

 

Fonte: Andes-SN 

Quarta, 11 Março 2026 13:58

 

O ANDES-SN participou, na manhã desta terça-feira (10), de reunião extraordinária da Mesa Setorial de Negociação Permanente no âmbito do Ministério da Educação (MSNP-MEC). O encontro, realizado pela internet, tratou da Instrução Normativa 15/2022, e contou com a presença de representantes da Fasubra e Sinasefe. O ANDES-SN foi representado pelo seu presidente, Cláudio Mendonça, e pela sua secretária-geral, Fernanda Maria Vieira.

Editada pelo governo de Jair Bolsonaro, a Instrução Normativa (IN) 15/2022 cria inúmeros obstáculos à concessão do adicional de insalubridade, retirando direitos e condições já garantidos em normativas anteriores. A revogação da medida estava na pauta das entidades da Educação durante a greve de 2024 e consta como item a ser negociado no acordo firmado com o governo federal.

Segundo a secretária-geral do Sindicato Nacional, antes de tratarem do tema, as três entidades cobraram o cumprimento integral dos termos de acordo 10 e 11 – firmados em 2024 com docentes federais e técnicas e técnicos administrativos, respectivamente. Foi reforçado pelo ANDES-SN a necessidade urgente de revogação do controle de ponto dos e das docentes EBTTs, cuja portaria, elaborada em grupo de trabalho do MEC, já consta na Casa Civil há um ano, aguardando assinatura.

“Nós, do ANDES-SN, fizemos uma fala inclusive colocando que o ensino básico é composto, na sua maioria, por mulheres. Diferente do magistério superior, em que essa correlação se inverte, onde nós temos maior quantitativo de homens docentes. Ressaltamos que era muito grave manter um controle de ponto, que estabelece uma subalternidade dos corpos das mulheres. Estamos em março, o 8 de março foi domingo, com enormes mobilizações que colocam como a violência ao corpo da mulher está dada, e apontamos que era muito importante que o governo federal sinalizasse não pelo rebaixamento das mulheres, mas pelo reconhecimento do princípio da isonomia”, contou Fernanda Maria. 

Conforme a dirigente, os representantes do MEC sinalizaram que pressionariam a Casa Civil. Ela afirmou ser fundamental continuar com a campanha para pressionar o ministro Rui Costa e o governo federal acerca desta demanda.

Em relação à IN 15/2022, foi resgatado pelas e pelos dirigentes sindicais, que a medida fazia parte da agenda de ‘revogaços’ que remonta à transição entre os governos Bolsonaro e Lula. Pontuaram que gerava muito espanto o fato de o governo ainda não ter revogado uma medida que vinha desse período tenebroso da história, marcado pelo bolsonarismo e seus impactos negativos ao conjunto do Serviço Público Federal e à categoria docente, em particular. 

“Nós questionamos alguns dos artigos desta instrução normativa, entendendo que ela tem conflito, inclusive, com a lei maior, que é a Lei 8.112/90. Uma instrução normativa tem poder de regulamentação, mas não pode estabelecer um rebaixamento da lei maior, que é a 8.112. E essa instrução normativa produz isso, porque, em um dado momento, ela vai dizer que não é possível acumular o adicional de insalubridade e periculosidade com a gratificação, por exemplo, daqueles trabalhadores e trabalhadoras que usam raio-x. Não está na lei 8.112 a vedação do acúmulo. Já temos decisões judiciais, inclusive no STJ, que reconhecem a possibilidade do acúmulo”, detalhou a diretora do ANDES-SN.

As entidades apresentaram uma série de questionamentos e reforçaram que, além de restritiva, a medida isentava o Estado de responsabilidade por condições de trabalho insalubres. “Essa mentalidade que isenta a responsabilidade do Estado com relação à saúde, à dignidade do trabalho, é uma mentalidade bolsonarista. E nós colocamos que é muito ruim que se mantenha uma normatividade que produz tanto rebaixamento e ataque aos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras”, contou. 

De acordo com a secretária-geral do Sindicato Nacional, o gerente de Projetos do MEC, Fábio Paiva, solicitou que o ANDES-SN encaminhasse o parecer técnico elaborado por sua assessoria jurídica. O representante do MEC informou ainda que encaminharia o pedido apresentado de criação do Grupo de Trabalho, para que se possa debater o tema de maneira mais aprofundada.

“Nós colocamos também a importância da regulamentação do trabalho penoso, que é uma determinação constitucional e que até o presente momento não foi regulamentado. Na verdade, saímos dessa reunião muito mais com mais promessas do que propriamente políticas concretas, que é o que estamos aguardando desse governo federal”, concluiu Fernanda Maria.

 

Fonte: Andes-SN
Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN

Terça, 10 Março 2026 17:32

Foto de capa: Luana Soutos/ Assessoria da Adufmat-Ssind 

 

Terminou nesta sexta-feira, 07/03, às 23h59, o 44º Congresso do Andes – Sindicato Nacional. Durante os cinco dias do evento, 640 participantes, representando 93 seções sindicais de todas as regiões do país debateram e encaminharam os temas propostos no Caderno de Textos, conforme metodologia de trabalho estabelecida pelo próprio Movimento Docente, no qual os debates são realizados nos grupos mistos e, posteriormente, nas plenárias.

 

Uma das principais deliberações do evento foi a aprovação de um Conad Extraordinário para 2026, focado em aprofundar debates sobre questões organizativas, administrativas, financeiras, políticas e de democracia interna do Sindicato Nacional. Boa parte dos textos encaminhados neste sentido não foram debatidos no 44º Congresso do Andes-SN por falta de tempo. Entre os TRs não debatidos, está o 92, aguardado pela delegação da Adufmat-Ssind, por ter sido objeto de discussão e deliberação da assembleia geral (saiba mais aqui).

 

Diante do avanço imperialista estadunidense sobre a América Latina e outras regiões, mais uma importante deliberação teve relação com o campo internacional, a partir da decisão de intensificar as ações de solidariedade a Cuba e à Palestina. Foram aprovadas medidas como o envio de insumos médicos e placas de energia solar para Cuba, além da garantia do envio de delegações da categoria para o 1º de Maio cubano. Em relação à Palestina, a categoria deliberou pelo fortalecimento da campanha de "Boicote, desinvestimento e sanções" (BDS) contra o Estado de Israel e a realização de um dia de mobilização nacional com paralisação no primeiro semestre de 2026.

 

Para o diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno dos Santos, a categoria deu passos importantes neste Congresso, especialmente com relação às ações em âmbito internacional e os encaminhamentos voltados para o campo da Educação. “Nós tivemos um frutífero debate em torno das questões da Política Educacional, que é um dos temas mais importantes para o nosso sindicato. Aprovamos um plano de lutas, com deliberações importantes para a reorganização da luta dos trabalhadores e trabalhadoras deste setor. Algumas delas foram o fortalecimento da Coordenação Nacional das Entidades em Defesa da Educação Pública e Gratuita (Conedep) e que a Plenária da Educação – que já havia sido deliberada no ano passado e foi reforçada a indicação para que seja realizada este ano – seja um instrumento de construção do IV Encontro Nacional da Educação (ENE), com realização prevista para o primeiro semestre de 2027. Esses encontros foram ferramentas importantes, do campo combativo, para construir o que a gente entende hoje como um Projeto de Educação voltado para a classe trabalhadora. A realização do IV ENE, a partir da deliberação deste Congresso, será um passo importante para que a gente possa aprofundar, neste momento de corte orçamentário, de ataque às políticas públicas de Educação e ao serviço público, e também de ataque aos professores e professoras, por parte dos governos autoritários, que a gente possa ter um direcionamento na luta, construindo um plano em conjunto com os demais setores da educação, da juventude, dos técnicos-administrativos e da educação básica, para pensar uma educação que atenda aos interesses da classe trabalhadora”, afirmou.  

 

A Adufmat-Ssind foi representada no 44º Congresso do Andes-SN por nove delegados, os professores Maria Luzinete Vanzeler, Einstein Aguiar, Lélica Lacerda, Waldir Bertúlio, José Domingues de Godoi Filho, Valéria Queiroz, Geruza Vieira, Ana Paula Sacco e Breno Santos. 
Foto: Eline Luz/ Assessoria do Andes-SN

 

Grupos de Trabalho

 

Essas decisões foram tomadas na Plenária do Tema III, Plano Geral de Lutas, que orienta especialmente os Grupos de Trabalho (GT’s). Assim, o GTPE (Grupo de Trabalho Política Educacional) do sindicato deverá realizar painéis de debate sobre o Fórum Nacional da educação (FNE), convidando outras entidades e movimentos sociais que fazem parte do fórum, para avaliar a possibilidade de também compor o espaço. Essa questão será debatida durante o 69º Conad, que será realizado em julho deste ano.

 

O enfrentamento e resistência ao uso do Ensino à Distância (EaD) como forma de precarização do trabalho docente e do ensino; a continuidade da produção de materiais críticos à Reforma do Ensino Médio, às Diretrizes Curriculares Nacionais e à Base Nacional Comum Curricular; a defesa da aplicação imediata de 10% do PIB na educação pública; a defesa de financiamento público adequado e exclusivo para a educação pública de gestão pública; o combate às políticas de austeridade fiscal que afetam o orçamento da educação; a articulação de um Dia Nacional de Luta contra a violência e a militarização nas instituições de educação pública; a revogação da Resolução CNE/CP 04/2024 e retomada da Resolução 02/2015; a defesa da inclusão obrigatória de Ensino de Jovens e Adultos (EJA), relações étnico-raciais, educação indígena e educação especial inclusiva na formação docente; e a realização de campanha de valorização das licenciaturas públicas continuam sendo posições do Andes-SN que devem ser encaminhas pelo GTPE.

 

Um momento emocionante marcou um avanço na inclusão de docentes surdos e a garantia dos direitos linguísticos e de acessibilidade em todas as esferas da atuação sindical e acadêmica. A defesa pública da proposta, elaborada por um grupo de docentes surdos, foi feita em Libras durante a plenária do 44º Congresso do Andes-SN, por uma das professoras que assinou a TR. Ela participou pela primeira vez do evento. Com a aprovação do texto, referente O Grupo de Trabalho Política de Classe para Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual, a categoria exigirá das instituições de ensino superior a presença de intérpretes de Libras e a contratação desses profissionais via concurso público. O GTPCEGDS também tem se debruçado sobre o debate anticapacitista.

 

Com relação à inclusão, a categoria aprovou, ainda, a intensificação da campanha "Sou Docente Antirracista", com o combate às burlas no sistema de cotas; a defesa de cotas em todos os níveis e inclusão da Marsha Nacional Trans na agenda oficial; apoio jurídico para a redução da jornada de trabalho para cuidadores sem prejuízo na carreira; e a implementação de protocolos contra o assédio moral, sexual e o feminicídio.

 

Houve, ainda, encaminhamentos relacionados a outros GT’s, como o GT de Formação Política e Sindical, que incluíram a luta pelo fim da Escala 6X1, contra a Reforma Administrativa e o aprofundamento sobre a formulação de políticas públicas para acolhimentos de estudantes migrantes ou refugiados; o GT Ciência e Tecnologia, que reafirmou a defesa pela regulação soberana das tecnologias debatendo o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA 2024-2028) e o PL 2.338/2023, além da luta pela revogação do Parecer CNE/CES 331/2024 que subordina os cursos de pós-graduação aos interesses mercadológicos; o GT Multicampia e Fronteiras que debateu a melhoria das condições de trabalho em regiões isoladas, por meio da defesa da implementação do adicional de atividade penosa de no mínimo 20% do vencimento básico para docentes em zonas de fronteira, Amazônia Legal e Semiárido Nordestino, e pela criação de uma Indenização Educacional de Fronteira.

      

Ao final do evento, foram aprovadas, ainda, 34 moções, sobre os mais diversos temas. O 45° Congresso do Andes-SN será em Curitiba.

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind