Docentes, técnicos e estudantes da UFMT em Sinop informam o início da condução do processo para escolha da pró-reitoria do campus
Representantes das três categorias da comunidade acadêmica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop, docentes (Adufmat-Ssind), técnicos-administrativos (Sintuf) e estudantes (União Nacional dos Estudantes - UNE), entregaram, nesta sexta-feira, 01/11, um ofício ao atual pró-reitor local, Fábio José Lourenço, e ao Conselho Administrativo e Acadêmico do Campus de Sinop (Consin), informando o início da realização da consulta informal para escolha da pró-reitoria local.
Tadicionalmente, desde os últimos anos da ditadura militar, as entidades que representam as categorias das comunidades universitárias têm realizado, em todo o país, os processos de consulta para indicação das Reitorias e, nos últimos anos, esta forma democrática se estendeu a outros processos decisórios.
"A realização da consulta em âmbito local foi consensuada entre as entidades, considerando que elas realizam este processo desde a década de 1980. Não podemos prejudicar a democracia pela falta de circulação da fala, que é quando não há espaço para manifestação; isso gera adoecimento", afirmou a diretora da Adufmat-Ssind, Clarianna Silva.
O documento também informa que as entidades realização assembleia geral unificada na próxima quinta-feira, 07/11, às 14h, no auditório da subseção da Adufmat-Ssind em Sinop, para apreciar e aprovar o Regimento Eleitoral, o calendário e a comissão.
Confira, abaixo, a íntegra do ofício:
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
CONVITE: XVII JORNADA DESIGUALDADES RACIAIS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA (Evento paralelo ao SemiEdu 2024)
A Jornada Desigualdades Raciais na Educação Brasileira realizará em 2024 sua 18ª edição. Trata-se de um evento acadêmico-científico, realizado, anualmente, pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (NEPRE), paralelo ao Seminário Educação-Semiedu, atividade de realização anual do Programa de Pós-Graduação em Educação, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). A primeira edição foi realizada em 2007, conforme notícia publicada no dia 10 de novembro de 2007 e que ainda pode ser acessada por intermédio do link http://www.reporternews.com.br/noticia/198978/UFMT_sedia_I_Jornada_Desigualdades_Raciais_na_Educacao_Brasileira. Trata-se de evento realizado pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (NEPRE), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Educação (Mestrado e Doutorado), da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Saiba mais na notícia do site da UFMT sobre a XVIII Jornada (clique aqui).
LOCAL E PLATAFORMA: Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Auditório do Instituto de Educação (IE); YouTube: NEPREUFMT. Evento híbrido.
DATA: 11 a 14 de novembro de 2024.
INSCRIÇÕES PARA PARTICIPAÇÃO
As inscrições para participação da XVI JORNADA DESIGUALDADES RACIAIS NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA são gratuitas e poderão ser feitas clicando no link: Link de Inscrição: https://forms.gle/CTL9KKeFntEpEvMi7
PROGRAMAÇÃO
CERTIFICAÇÃO
Receberão certificados os inscritos que, comprovadamente, via registro de presença, participarem de, no mínimo, 75% (setenta e cinco por cento) das atividades deste evento.
REALIZAÇÃO
Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (Nepre/UFMT).
PÚBLICO ALVO
Evento aberto para a comunidade geral e intelectuais, profissionais da Educação Básica, estudantes de cursos de graduação e Pós-Graduação, militantes de movimentos sociais e do movimento social negro.
SOBRE O NEPRE
O Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Relações Raciais e Educação (Nepre), realizador da Jornada Desigualdades Raciais na Educação Brasileira, foi fundado no ano 2001. Tem como objetivos principais: realizar ações pedagógicas de extensão, estudos e pesquisas sobre a dimensão racial do fenômeno educativo, paralelamente à disseminação dos conhecimentos sobre o tema; nuclear pesquisadores, estudantes e interessados no tema das Relações Raciais e Educação, no que se refere a negros e afrodescendentes; divulgar os conhecimentos sobre relações raciais e educação junto à população em geral e, em especial, aos profissionais da educação; promover eventos, tais como palestras, mesas-redondas, jornadas, encontros, seminários, etc. e produzir publicações sobre o tema.
COMENTÁRIO
“A XVIII Jornada Desigualdades Raciais na Educação Brasileira é uma realização do Nepre/UFMT, que em 2024 procura propiciar um espaço importante de formação continuada sobre a educação escolar quilombola e a educação quilombola tendo como enfoque o currículo e as práticas pedagógicas, especialmente para docentes que atuam em escolas quilombolas (localizadas em comunidades quilombolas), bem como de escolas que atendem estudantes oriundos e oriundas de territórios quilombolas em Mato Grosso, além de profissionais da educação em geral, básica e superior. Um espaço importante de interlocução entre universidade, comunidades e educação básica”. (Profa. Dra. Ana Luisa Alves Cordeiro, Coordenadora do Nepre/UFMT)
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Fonte: Divulgação
ADUFMAT-SSIND CUMPRE AGENDA COM NOVA REITORA DA UFMT UM DIA DEPOIS DA SUA POSSE
Além das demandas já apresentadas em carta assinada durante a campanha, os docentes também trataram de novos assuntos
A primeira agenda oficial da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) com a nova reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marluce Souza e Silva, foi no dia seguinte à cerimônia de posse. Nesta sexta-feira, 18/10, diretores da entidade reforçaram as demandas da categoria docente e apresentaram uma nova demanda à nova administração.
Muitas das demandas apresentadas neste primeiro encontro são de conhecimento da nova reitora, não só pela sua trajetória junto ao sindicato, mas pela assinatura da carta de reivindicações do sindicato, ainda durante a campanha. Assuntos como Resolução 158 (encargos docentes), Progressão, retomada das reuniões presenciais dos conselhos estavam entre os pontos de pauta (saiba mais sobre o conteúdo da carta de reivindicações aqui).
No entanto, algumas novas demandas surgiram, como a necessidade de que a UFMT reconheça um entendimento jurídico, já em vigor, de que vítimas de violência doméstica com medida protetiva possam solicitar afastamento imediato.
“Muitas mulheres não conseguem ir até a delegacia fazer a denúncia. Quando consegue, em 99% dos casos não há orientação de que essa mulher tem direito de pedir afastamento sem prejuízo de vínculo. Na hora da medida protetiva, a pessoa está tão atordoada, que não vai lembrar de pedir. Aí depois tem que entrar com um processo judicial, para um juiz avaliar, não dá tempo, essa mulher já teve que sair correndo de casa, escoltada. Não é nada problemático, é uma compreensão jurídica, e nós estamos preparando uma minuta com auxílio da assessoria jurídica do sindicato para entregar à Reitoria”, disse a diretora Clarianna Silva.
A professora Adriana Pinhoratti, diretora tesoureira, lembrou dos ataques relacionados aos direitos docentes, redução das férias em janeiro, progressão, “Esses são compromissos que a gente precisa que sejam assumidos, porque não tem como partir da administração uma proposta de suspensão de direitos. Essas lutas não começaram na nossa diretoria, elas são anteriores, e a gente não pode deixar que passem por cima dos nossos direitos”, pontuou.
Lotada na UFMT Araguaia, a professora Ana Paula Sacco, diretora de Comunicação da Adufmat-Ssind, destacou a questão das consultas para escolha dos pró-reitores locais. “Nem todos entendem essa construção histórica, política da UFMT, de que as entidades conduzem esse processo, então nós ficamos apreensivos, sabemos que essa é a situação em todos os campi”, destacou.
Para a diretora geral adjunta, Lélica Lacerda, o objetivo é garantir que o processo seja realizado de forma democrática. “Pela sua trajetória, seu compromisso, nós entendemos que é importante reconhecer, formalmente, que quem tem a legitimidade para garantir a realização do processo democrático na UFMT são as entidades representativas. Somos nós que lutamos por direitos dentro desta universidade. Somos nós que tentamos dar voz àqueles que não podem falar. Somos nós que abrimos espaços para que todas as falas possam estar presentes. Nesse sentido, é que a gente espera um Consepe [Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão] presencial, que o debate da 158, da progressão, do assédio, tudo isso se tornem debates públicos. Ninguém tem resposta para como a gente vai enfrentar o assédio, isso tem que ser construído com debate coletivo, a gente precisa se apropriar do que existe, o que tem de legislação, para a gente construir democraticamente esses processos”, disse a professora.
O diretor geral do sindicato, Maelison Neves, destacou a simbologia da reunião realizada logo após a posse e a expectativa de construção de diálogo com a nova administração. “Como sindicalista você conhece como funciona a Adufmat-Ssind e o Andes-SN, pela autonomia, mas autonomia não significa oposição, pelo contrário, é uma disposição ao diálogo. Então, nós apresentamos essas demandas com espírito de que elas sejam pensadas horizontalmente”, afirmou.
Por fim, a reitora se disse aberta ao diálogo, que nunca apresentará minutas que firam direitos, que reconhece as demandas da categoria e a legitimidade das entidades para realizar o processo. “Nós precisamos encaminhar ao Consepe e Consuni [Conselho Universitário] a regulamentação deste processo. Isso é ponto definido para nós. Foi assim que nós fomos indicados pela comunidade acadêmica para estar onde estamos, e é este processo que nós reconhecemos”.
Também foram abordados assuntos como evasão, insalubridade, política interna para servidores aposentados, com espaço de socialização e afastamento de diretores do sindicato para exercício de atividade política – como já ocorreu antes.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Encaminhamos texto de autoria do GTPFS a pedido do coordenador do mesmo, professor Aldi Nestor de Souza.
GTPFS/ADUFMAT/ANDES-SN
No dia 16 de outubro de 2024, a profa. Dra. Marluce A. Souza e Silva (SES/ICHS/UFMT) e o prof. Dr. Silvano Macedo Galvão (DIR/FD/UFMT) assumirão, respectivamente, a Reitoria e vice-Reitoria da UFMT.
Após uma consulta eleitoral disputadíssima, respeitando a tradição democrática da Universidade, a Chapa 1 (oposição) - nomeada “A UFMT que queremos” - venceu as eleições em segundo turno, com 50,7% dos votos contra 47,5% da Chapa 2, capitaneada pelo atual Reitor, prof. Dr. Evandro Soares e a candidata a vice-reitora, profa Dra. Márcia Hueb.
Deste pleito, além da Chapa 1, saíram vitoriosos todos aqueles que acreditaram ser possível avançar como Universidade Pública, Inclusiva, Laica, Democrática, de Qualidade e Socialmente Referenciada.
Eleita a Chapa que desafiou probabilidades e construiu um programa a muitas mãos, cabe-nos enquanto Grupo de Trabalho de Política e Formação Sindical (GTPFS) da ADUFMAT/ANDES-SN parabenizar a nova Reitoria por este feito e nos posicionarmos a partir das nossas bandeiras históricas, enquanto sindicato democrático, combativo e autônomo. Para isto, esquadrinhamos as 23 Diretrizes que compõem o Programa da chapa eleita para o quadriênio 2024-2028.
Antes, porém, é preciso observar que são muitos os pontos com os quais temos convergência e, portanto, sentimo-nos plenamente contemplados. Em virtude disto, optamos por destacar aquelas propostas que consideramos inovadoras e fundamentais, assim como apontar aquelas diretrizes com as quais temos divergências, apresentando nossas ponderações.
Dentre os pontos positivos, cabe-nos ressaltar o compromisso manifesto no Programa com o aprofundamento da democracia na Universidade. Esta sempre foi uma demanda da ADUFMAT em vários documentos e ocasiões, junto às Reitorias anteriores. Neste particular, merecem destaque tanto a proposta de estatuinte quanto o esforço para alterações na conformação dos Conselhos Superiores, através do estabelecimento da representação paritária, o restabelecimento das reuniões presenciais e o estímulo para que estes Conselhos atuem conforme suas atribuições genuínas, isto é, assumindo a responsabilidade de pensar politicamente os rumos da Universidade. Além disto, também merece registro a convocação, anual, de Assembleia da Comunidade Acadêmica, de forma a ouvi-la e prestar contas.
Da mesma forma, há um claro compromisso com a ampliação dos espaços de convivência e acolhimento estudantil, inclusive quanto às casas estudantis (graduação e pós-graduação) e a possibilidade de criação de cooperativas como meio para garantir a gratuidade dos restaurantes universitários.
O Programa também avança com relação às propostas para a saúde de servidores e estudantes, com especial atenção à saúde mental. Com relação a humanização das relações conviviais na Universidade, o Programa reafirma seu propósito de valorização dos trabalhadores da UFMT (docentes e técnico-administrativos) e estudantes das diversas modalidades de ensino, assim como dos terceirizados que nela labutam.
Com a ratificação do compromisso com a indissociabilidade do tripé ensino/pesquisa/extensão, o Programa acorda em enfrentar um dos problemas que envolve a produção de conhecimento: de um lado, a eleição de áreas seletas para pesquisa enquanto outras são negligenciadas; de outro, a divisão entre universidades de excelência, que fazem pesquisa, e aquelas que sobrevivem como ‘escolões’ que somente reproduzem o conhecimento. A superação destes entraves começa por romper com a política institucional que reduziu a carga horária dedicada à pesquisa para aumentar o número de horas dedicadas às atividades administrativas/burocráticas e/ou didáticas.
Desta forma, dentre algumas iniciativas fundamentais estão duas proposições antigas da ADUFMAT: 1) garantir 20h semanais para dedicação à pesquisa; 2) possibilitar o afastamento das demais atividades, pelo prazo limite de um semestre, para dedicação exclusiva à pesquisa, quando esta o exigir. Para além delas, cabe registro: a) o estreitamento das relações com as escolas de ensino médio; b) a criação do Observatório de Pesquisa da UFMT e, c) o fortalecimento das relações de identidade Sul-Sul.
Concluindo nossos destaques positivos, relacionamos o avanço contido nas diretrizes comprometidas com: 1) o apoio e assessoramento às coordenações; 2) o desenvolvimento de políticas de sustentabilidade; 3) devolver o Teatro Universitário à UFMT, assegurando este importante espaço, prioritariamente, para as demandas da própria Universidade; 4) concluir o Centro de Convivência Social; 5) resgatar a Biblioteca Central sob todos os aspectos; 6) política de combate ao assédio e 7) promover uma Secretaria de Segurança e Direitos Humanos (todos os campi) sob a lógica dos direitos humanos e sociais.
Em que pese nossas muitas convergências com o Programa, assim como nossa satisfação com a eleição de uma docente engajada nas lutas sindicais (inclusive quando ocupou cargos de direção) e efetivamente comprometida com a defesa de uma Universidade Pública, Gratuita, Democrática, Inclusiva, Laica e Socialmente Referenciada, é salutar também realçarmos nossas divergências enquanto Sindicato, para que possamos manter nossas relações autônomas e democráticas.
Nesta perspectiva, importa destacar alguns pontos com os quais nosso Sindicato tem posição distinta e sobre os quais, fraterna e criticamente, queremos dialogar.
Primeiramente, o Programa não aponta como enfrentar a contradição profunda entre a defesa da Universidade Pública, Gratuita, Inclusiva, de Qualidade e Socialmente Referenciada e a naturalização, a conta-gotas, da lógica mercantil sob: (a) a expansão da cobrança de mensalidades para cursos lato senso e especializações; (b) a promoção de parcerias para captação de recursos privados (como se de interesse público fosse constituída a agenda privada); (c) a adesão passiva (ou proativa) ao ensino à distância (que não se confunde com educação) e ensino remoto; (d) o enraizamento da UNISELVA (entidade de direito privado, sem fins lucrativos”) que, em nome da autonomia administrativa e financeira e da crença quanto a uma pseudo “eficiência privada”, controla recursos provenientes de pesquisas, extensões, inscrições em concursos e programas de pós graduação, etc.; (e) a aposta na parceria com outra fundação, a EBSERH, para desenvolver políticas de saúde pública. A mesma EBSERH que judicializou a greve dos servidores públicos (UFSC) e, nacionalmente, tem longo histórico de denúncias sobre mau-atendimento e desvio de recursos públicos; (f) a elitização do Hospital Veterinário, cuja cobrança de serviços e atendimentos tornou-se inacessível à maioria da sociedade cuiabana, inclusive quando comparado a clínicas veterinárias particulares.
Nesta sequência de banalização da lógica mercantil por dentro da Universidade, o Programa também se submeteu à cultura da “Bolsa Produtividade do CNPq”, comprometendo-se a “estimular e apoiar pesquisadores da UFMT para submissão de Bolsa Produtividade à Pesquisa”, endossando a lógica produtivista que sempre denunciamos, não somente porque embasada sobre a métrica quantitativa, mas, também, porque a pesquisa – assim como a docência – não se desenvolve sob a quantificação pura das horas e do número de “entregas”, como repetem, incansáveis, seus defensores. Nesta perspectiva, é necessário refletir como humanizar e valorizar as relações de trabalho e os direitos dos trabalhadores submetendo-se às imposições da métrica das metas toyotistas.
Para além destas questões, há três pontos entre as Diretrizes para a Gestão de Pessoas que demandam reflexão: 1) Teletrabalho; 2) “Banco de Talentos”; e, 3) Redimensionamento da Força de Trabalho. O teletrabalho, assim como a garantia de “jornada remota e híbrida” (no caso da STI) exige refletirmos sobre qual é a finalidade da Universidade. Afinal, se o propósito é a educação e esta exige presencialidade para realizar-se como tal, a presença não é questão de escolha. Obviamente que a proposta está relacionada aos técnicos-administrativos, porém, a Universidade não funciona como uma soma de “ilhas” departamentalizadas: docência, atividades burocráticas-administrativas, suporte técnico, infraestrutura, etc.
Consequentemente, como sempre defendemos (ANDES-SN) em todas as oportunidades, documentos e espaços, a educação demanda interação social, troca e processos que, no espaço público e coletivo da sala de aula, permite apreender não somente com aquele que está na condição de professor/a, mas, também com os demais. Como dizia Paulo Freire, a educação não é mera transposição de conteúdo. Ela é interação social. Por isto ela é, também, um importante instrumento sociabilizatório.
Assegurar que a Universidade cumpra o que ela tem por finalidade, demanda oferecer as condições que, por óbvio, não dependem somente da presença de estudantes e docentes. Mas, também, de técnicos-administrativos.
O segundo ponto está relacionado ao “Banco de Talentos” para “qualificação por área/tema, visando a otimização desses talentos”. Esta proposta nos remete à combinação de duas frentes articuladas: a reforma do Estado e ao modelo produtivo japonês. Assim, envoltas nas referências de Estado gerencial proposto por Bresser-Pereira, não apenas as Fundações e as Organizações Sociais foram se impondo por dentro das universidades, mas, inclusive, encontrando espaços para difusão da cultura e das práticas gerenciais, típicas da organização privada. Consoante a isto, o ‘Banco de Talentos’ tanto reflete a meritocracia quanto se assemelha à política do modelo japonês que, ao mesmo tempo em que criou as metas, também criou o destaque ao “Colaborador do Mês” que, produtivo, serve de referência para os demais. Na mesma toada, a administração de Evandro Soares criou a “Portaria de Elogio”.
Na mesma perspectiva, a proposta de “Redimensionamento da Força de Trabalho” se constitui sobre um modelo matemático (a exemplo da UFSC), que busca através do cálculo frio, otimizar o número de servidores pela demanda de trabalho. Este cálculo restrito às equações matemáticas não pode ser eleito como o método de humanização das relações laborais, tampouco o combate ao sobretrabalho e ao adoecimento. Afinal, sob a sentença dos números, cálculos precisam de linhas de corte e, assim, é absolutamente comum que determinados números determinem o “corte” de trabalhadores, não a sua valorização e preservação da sua saúde.
Por fim, um último questionamento: por que o Programa inclui como parte do seu compromisso, “fortalecer as Atléticas, garantindo apoio logístico e financeiro”? O histórico das Atléticas, inclusive na UFMT, demonstra que estas são associações que podem atuar em parceria com os cursos de Graduação e Pós-Graduação. Porém, estas parcerias não representam uma relação institucional, cuja responsabilidade de financiamento seja público.
Diante deste diálogo que inauguramos através deste documento que se faz público, saudamos à Reitora e ao Vice-Reitor, assim como a todos/as aqueles/as que irão compor a Administração Superior a partir de 16 de outubro/2024, desejando a todos/as, muita serenidade, lucidez e comprometimento, assim como força e disposição para os muitos desafios que estão no horizonte.
E, fraternalmente, gostaríamos de lembrá-los/as que vocês estarão à frente de um cargo, mas, permanecerão – durante e depois – servidores públicos. Assim como lembrá-los/as que estarão neste cargo como representantes da comunidade acadêmica que os elegeu, para defender uma UFMT plenamente Pública, Inclusiva, Laica, Democrática, de Qualidade e Socialmente Referenciada.
Saudações Sindicais!
É hoje, 07/10, às 19h: conferência híbrida “A Coluna Prestes Hoje” com Anita Prestes e lançamento de livro
Nesta segunda-feira, dia 07 de outubro, às 19h, convidamos os/as docentes para a conferência híbrida “A Coluna Prestes Hoje” com a professora Anita Leocádia Prestes, filha de Luiz Carlos Prestes e Olga Benário. O evento faz parte das comemorações do centenário da Coluna Prestes, um marco importante na história política do Brasil.
JURA UFMT celebra Centenário da Coluna Prestes em atividades online nos dias 23/09 e 07/10
Jornada Universitária em defesa da Reforma Agrária (JURA) também participa do circuito nacional de celebrações do Centenário da Coluna Prestes, a marcha político-militar liderada por Luiz Carlos Prestes que, de 1924 a 1927, percorreu 25 mil quilômetros ao redor do Brasil em defesa da educação, da democracia e da reforma agrária.
As atividades são organizadas em parceria com instituições de ensino e movimentos sociais do estado de Mato Grosso e poderão ser acompanhadas on-line pelo canal da JURA UFMT do Youtube.

Nesta segunda-feira, 23/09, pelo canal do YouTube da JURA UFMT, foi realizada uma mesa-redonda com os professores Maria do Socorro Araújo (UNEMAT) e Jefferson Prestes (SEDUC-MT/EJA), com o tema "Tenentismo e revoltosos em Mato Grosso".
Já no dia 07/10, às 19h o evento conta a com a conferência on-line “A Coluna Prestes Hoje” com a professora Anita Leocádia Prestes e o lançamento de reedição do seu livro sobre a Coluna Prestes, também pelo canal do YouTube da JURA UFMT Essa atividade também será acompanhada presencialmente, na UFMT (sala 7 do IGHD) e na UNEMAT- Campus Jane Vanini (Cáceres).
O professor Eduardo Daflon, um dos organizadores da atividade, destaca que “ter a participação de pesquisadores locais apresentando seus dados de pesquisa sobre a passagem da Coluna Prestes pelo estado e sobre o movimento tenentista em Mato Grosso será algo inovador em relação às demais atividades desse circuito de apresentações que têm acontecido pelo Brasil em celebração ao centenário da Coluna. Além disso, é uma honra para a UFMT receber novamente a professora Anita Leocádia Prestes (UFRJ), filha de Luiz Carlos Prestes e de Olga Benário, e que lançará aqui a reedição do seu livro sobre a Coluna Prestes”.
SOBRE A COLUNA PRESTES EM MATO GROSSO
A Coluna Prestes passou por diversas cidades do Mato Grosso uno (atuais municípios de Alto Taquari, Campo Verde, Chapada dos Guimarães, Cáceres, Barra do Bugres e cidades do atual Mato Grosso do Sul, como Corumbá e Campo Grande). O intento dos revoltosos nos faz refletir sobre os diversos projetos de país que estiveram em disputa na primeira metade do século XX. Trazer à tona um episódio como a Coluna Prestes, possibilita lançar olhares não apenas ao personagem de Luiz Carlos Prestes, mas parte da História de insurgência contra a chamada República Velha, representada na figura do então presidente Arthur Bernardes. Essa insurgência acaba, de certa forma, moldando a atuação do Estado brasileiro se considerarmos as pautas de cunho liberal da Coluna que visavam a ampliação de direitos sociais e políticos, como direito ao voto para mulheres e analfabetos, o voto secreto e o combate às elites oligárquicas da política “Café com Leite”.
Iza Godoi Sepúlveda, doutoranda do PPGH-UFMT, docente da UNEMAT e também uma das organizadoras do evento, afirma que “em nosso tempo histórico, muito se escuta falar do liberalismo, mas retornar a este conceito na primeira metade do século XX no Brasil tem outro sentido. Podemos usar como exemplo a questão educacional, que sob a égide do liberalismo defendia a educação pública e responsabilizava o Estado pela sua criação e manutenção. Revisitar essa parte da nossa História tem o papel de reavivar entre os brasileiros o horizonte de resgatar um projeto de país e o papel do Estado. Se torna ainda mais interessante quando, no pós Coluna, Prestes se constrói como intelectual comunista, expondo também as limitações do projeto liberal, tornando-se o "Cavaleiro da Esperança".
Mais informações na página do JURA no Instagram.
Comunicado: não haverá expediente na sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, nos dias 24, 25 e 26/09
Conforme comunicado oficial da Universidade Federal de Mato Grosso, em razão da poda de árvores aos redor da sede da Adufmat-Ssind e necessária interrupção no fornecimento de energia, não haverá expediente na sede da Adufmat-Ssind nos dias 24, 25 e 26/09 (terça, quarta e quinta-feira).
Eventuais demandas, neste período, devem ser encaminhadas por meio dos canais eletrônicos oficiais, como e-mail (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) e telefones/ mensagens (99686-8732 ou 99696-9293, DDD 65).
Retomaremos as atividades presenciais na sexta-feira, 27/09.
Nota Oficial do Curso de Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso sobre a morte do jornalista e um dos de seus professores fundadores, Ailton José Segura
Morre Ailton Segura, ficam os ensinamentos e afetos vivenciados.
A morte do jornalista Ailton Segura, na noite desta sexta-feira (20), em decorrência de problemas de saúde, é uma grande perda para o curso de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso.
Nos solidarizamos com a família enlutada, a esposa Edenice Segura e os filhos Manoela e Ramon, além de uma legião de profissionais e colegas de profissão que o admiram.
Segura, como era carinhosamente conhecido, atuou no jornalismo em São Paulo até que veio para para Mato Grosso como correspondente. Em Cuiabá, foi um dos professores pioneiros do curso de Comunicação Social da Universidade Federal de Mato Grosso, onde formou centenas de profissionais que atuam hoje no mercado mato-grossense.
Natural de Sorocaba (SP), atuou como repórter no jornal Cruzeiro do Sul. Em Cuiabá, veio implantar a mini-sucursal da Folha de S. Paulo, jornal do qual foi correspondente por muitos anos. Também atuou no jornalismo diário local, em veículos como os jornais Diário de Cuiabá e Folha do Estado, do qual foi editor-chefe. Foi secretário de Estado de Comunicação e assessor de imprensa da Secretaria de Segurança Pública.
No curso de Comunicação da UFMT, foi um professor instigante e editor do Jornal Laboratório “Sô Foca”.
A nós, colegas e ex-alunos, ficam os ensinamentos e experiências vivenciadas com Ailton Segura.
Curso de Comunicação da Universidade Federal de Mato Grosso
23 de setembro de 2024
Imagem ilustrativa Fundação Astef
Produzir ciência e tecnologia é um dos principais objetivos de uma universidade. Por isso, esse debate não poderia faltar na estrutura do sindicato que representa a categoria que dedica sua vida à produção de conhecimento, ciência, tecnologia e inovação.
Criado em 1986, no 12º Conselho do Andes - Sindicato Nacional (Conad), o Grupo de Trabalho Ciência e Tecnologia (GT&C) foi chamado, inicialmente, de Grupo de Trabalho de "Política Científica e Tecnológica”. Desde 2016, a partir da aprovação do Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação (MLCTI - Lei 13243/16), tem discutido a redução dos investimentos na área, o viés privatizador da inovação, além dos impactos para a carreira docente nas Instituições de Ensino Superior.
Segundo o Andes-SN, o GTC&T tem por referência a defesa da ciência e tecnologia públicas para o desenvolvimento do país e para a melhoria das condições de vida do conjunto da classe trabalhadora. Seus debates e estudos pautam a constituição das agências de fomento à pesquisa e o desafio da integração com as instituições, considerando o tripé ensino-pesquisa-extensão.
Em outras palavras, o debate do GTC&T está intrinsecamente ligado à essência do trabalho docente.
O GT Ciência e Tecnologia na Adufmat-Ssind
“Para garantir a sua sobrevivência e em função dos seus limites intrínsecos, a espécie humana precisa se apropriar dos elementos da natureza que possam ser convertidos em alimentos, vestuários e habitações. Para tanto, vem desenvolvendo e acumulando, ao longo de sua existência, saberes que permitiram construir ferramentas, utensílios ou meios que possibilitaram retirar e transformar os elementos da natureza a seu favor - água, solo, formações minerais, dentre outros. Os diferentes saberes, dentre os quais o científico-tecnológico, representam este meio ou instrumento de mediação entre a espécie humana e a natureza, diferentemente do que nos tentam impor àqueles que detém o poder econômico”.
Assim o coordenador do GT Ciência e Tecnologia da Adufmat-Ssind, professor José Domingos de Godoi Filho, introduz a apresentação do grupo. Em conformidade com o caráter classista do Andes-Sindicato Nacional, é possível perceber a relação entre os debates sindicais, as necessidades e a realidade humana, que obviamente sofrem as influências do atual modo de produção, capitalista.
Ciência e Tecnologia é um tema presente não só na vida dos cientistas e pesquisadores, mas de milhares de pessoas quem vive um cotidiano cada vez mais aprisionado ao uso das tecnologias, numa perspectiva mercadológica que, contraditoriamente, muitas vezes coloca em risco os próprios interesses humanos.
“Esse é um problema que diz respeito diretamente aos produtores trabalhadores das universidades. Do final do século XVI, com Isaac Newton, passando por Einstein e muitos outros, ao início deste século, pela primeira vez, no decurso da história, o homem está sozinho em frente de si mesmo e com o ‘privilégio’ de se constituir na única espécie capaz de se autodestruir em poucos instantes. Diante desta possibilidade, somos obrigados a refletir sobre a responsabilidade que acompanha, em particular, o professor universitário brasileiro, enquanto produtor do conhecimento. Neste modelo, tudo o que nos une ou nos desune é a natureza e a sua sustentabilidade, ou como reflete o professor Edgar Morin, quem se apossa da ciência, do poder científico se apropria da possibilidade de definir e de impor as fontes de acordo", comenta Godoi.
Assim, está dada a disputa acirrada entre os setores produtivos - visando mercados cada vez mais ampliados e, consequentemente, aumento do lucro – e o Estado - que, teoricamente, atua com interesse maior no desenvolvimento socioeconômicos do país. Vale destacar, no entanto, que não há neutralidade neste campo. “A opção por um caminho representa uma escolha sócio-política de longo prazo, com implicações relacionadas ao padrão de consumo, força de trabalho, níveis de investimentos, exploração dos recursos naturais, uso de energia, estruturação do sistema educacional e da pesquisa, além de interferir na identidade cultural”, destaca o coordenador.
Nesse sentido, o Brasil tem uma posição clara: além dos cortes sistemáticos de recursos destinados à educação, de modo geral, os governos retiraram da Ciência, Tecnologia e Inovação, entre 2015 e 2021, cerca de R$ 83 bi, segundo a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados. O país investe cerca de 1% do Produto Interno Bruto no setor, bem abaixo de outras economias emergentes, como a China, que dedica atualmente cerca de 2,5% do seu PIB a este fim, enquanto outros países como Alemanha e Estados Unidos superam a marca de 3%. Em 2023, o Brasil executou 0,29% de toda a sua arrecadação no setor, conforme gráfico elaborado pela Auditoria Cidadã da Dívida.
Dentro das universidades, por exemplo, algumas disputas se dão por meio dos registros de direito de uso e propriedade intelectual. Godoi explica que o conhecimento produzido representa um patrimônio da humanidade, porém, no capitalismo, a geração de tecnologias e de inovações passa a ser regulada por patentes. No Brasil, em especial, esse processo foi marcado por um dos primeiros escândalos envolvendo o Governo Fernando Henrique Cardoso, parlamentares e multinacionais, cujo desfecho foi a aprovação da Lei da Propriedade Industrial - Lei nº 9279/96, ainda em vigência.
“Considerando o controle que as empresas transnacionais e as empresas brasileiras de capital estrangeiro possuem sobre os nossos recursos naturais, as telecomunicações e o mercado financeiro, com a aprovação do Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, bem como a manutenção, em sua essência, de uma política industrial adotada desde o golpe civil-militar de 1964 e sem previsão de alteração pelo atual governo brasileiro, estamos diante de uma nova e sofisticada forma de pilhagem de nossos recursos naturais, longe de enfrentar e impedir o neocolonialismo tecnológico, facilitando inclusive a exploração de mão de obra de nível universitário. E, o mais grave, poderá ser aprofundada com a realização da COP 30, em Belém do Pará, em 2025, pelas articulações em andamento e pelas dezenas de guerras que o mundo está vivendo no momento, tendo como ponto central a disputa por recursos naturais e alternativas para atender a chamada transição energética. A guerra da Ucrânia é a única que tem obtido mais atenção dos meios de comunicação. Assim, cabe aos sindicatos, movimentos sociais, universidades e outras entidades da sociedade civil, comprometidas com o interesse do país, se organizarem e mobilizarem desde já, para um forte enfrentamento, em novembro de 2025, em Belém-PA, durante a COP 30”, conclui o coordenador do GT.
Pesquisador x militante
A reclamação generalizada dos sindicalistas que compõem os grupos de trabalho apresentados nesta série de reportagens é a pouca participação de docentes. Além do tempo cada vez mais escasso, até mesmo pela inserção da lógica produtivista dentro da universidade, os docentes organizados identificam outros fatores. “Na comunidade acadêmica mesmo, é comum separar, como se isto fosse possível, os docentes em pesquisadores e sindicalistas, o que necessitamos urgentemente superar para não só discutirmos a ciência a serviço da sociedade humana, como também para mudarmos os métodos de construção do conhecimento”, destaca Godoi.
Mesmo com as limitações, o grupo tem conseguido contribuir local e nacionalmente com reuniões, debates, encaminhado textos resoluções para os congressos do Sindicato Nacional, seminários, além da elaboração e lançamento da Cartilha do ANDES-SN sobre o Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação (disponível para download aqui) e do Caderno ANDES 28 – Neoliberalismo e Política de C&T no Brasil – Um Balanço Crítico 1995-2016 (disponível aqui).
Também teve contribuição do GTC&T da Adufmat-Ssind o texto resolução com a proposta de realização de um seminário nacional sobre o Plano Nacional de Energia (PNE 2050) e o Plano Nacional de Mineração (PNM 2050), aprovado no Congresso deste ano e com provável realização em 2025.
Em âmbito local, assim como nas demais seções sindicais onde o GT está organizado, as maiores disputas, segundo o coordenador, se referem às fundações de apoio - como a Uniselva, na Universidade Federal de Mato Grosso -, que fomentam, dentro das instituições, as ideias neoliberais como o empreendedorismo, a aplicação do Marco Legal de Ciência e Tecnologia, além do registro e posse de patentes pelas universidades.
Para Godoi, a construção de uma universidade pública, gratuita, democrática e de qualidade, como almeja o sindicato, precisa encontrar novas respostas para velhas questões como: que motivações tem a introdução de invenções e inovações nas relações humanas e na economia? Continuará sendo a taxa de lucro? Qual é o custo social das inovações e invenções? Não existe a necessidade premente de se levar em consideração os possíveis efeitos sociais da ausência de trabalho com a adoção das inovações?
O professor lamenta que um número significativo de professores universitários, cientistas e tecnólogos não pense nessas questões e nas relações entre as suas atividades e as condições para a melhoria da qualidade de vida da sociedade, contribuindo, ao contrário, com a maior naturalidade para pesquisas armamentistas, para a produção de bens mais adequados a outros países e para implementação de “projetos de interesse e alcance duvidosos”.
“A tecnologia tem sido apresentada como mercadoria, como um pacote técnico ou como um meio de intervenção social e política. Decorre daí que o parque industrial do Brasil continua se caracterizando pelo uso indiscriminado de pacotes tecnológicos, montados no exterior e controlado pelas empresas transnacionais. Assim, a tecnologia externa se transformou num dos principais instrumentos para moldar e controlar a produção nacional e conformar um sofisticado meio de dominação neocolonialista. Com o passar dos anos ficou evidente que não foi compreendido e/ou não foi aceito pelos diferentes governos que se sucederam, o papel estratégico do processo científico-tecnológico na estruturação de um poder nacional, com suas ramificações e implicações sociais, econômicas, políticas, culturais e até mesmo militares”, acrescenta.
Assim está configurada a correlação de forças envolvendo a questão da ciência, tecnologia e inovação, com sua gravidade e complexidade, exigindo mais uma vez dos trabalhadores a organização e o aprofundamento do debate, para que a própria classe não contribua com a ampliação das desigualdades sociais e a dependência tecnológica da qual já está submetida. “Necessitamos de uma melhor compreensão sobre as diferenças existentes entre ciência, tecnologia e inovação e discutir propostas que indiquem que estrutura institucional devemos adotar para melhor responder as demandas colocadas por estas atividades. Evidentemente, não poderemos desvincular as questões da ciência, tecnologia e inovação da política nacional de educação e da política industrial e, consequentemente, do poder que estas atividades representam em todas as escalas. Por isso, o movimento docente precisa urgentemente retomar as discussões e promover atividades que permitam uma maior inserção da comunidade em torno destas questões, para melhor reforçarmos a função de servir a sociedade e, mais concretamente, contribuir para a erradicação da pobreza, da intolerância, da violência, do analfabetismo, da fome e da degradação do meio ambiente”, finaliza Godoi.
Para participar do GTC&T ou qualquer outro GT da Adufmat-Ssind basta demonstrar disposição por meio dos contatos da Secretaria da Adufmat-Ssind: e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; telefones com aplicativo de mensagens (65) 99686-8732 ou (65) 99696-9293.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
GT Multicampia e Fronteiras da Adufmat-Ssind reforça importância de documento sobre emancipação entregue à próxima reitora da UFMT
Imagem ilustrativa, remonta ao dia da assinatura da então candidata à Carta de Reivindicações dos Docentes da Adufmat-Ssind durante a campanha
Na última sexta-feira, 06/09, a próxima reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marluce Souza e Silva, se reuniu remotamente com docentes dos campi do Araguaia e Sinop. Na ocasião, membros do GT Multicampia e Fronteiras da Adufmat-Ssind reforçaram a importância do documento já entregue, solicitando que nenhuma decisão referente a emancipação dos campi seja tomada sem amplo debate com a comunidade acadêmica.
O documento (disponível aqui) foi elaborado internamente e fundamenta a necessidade de aprofundamento do debate sobre as iniciativas, já em curso, que propõem a criação de universidades autônomas a partir dos campi de Sinop e Araguaia.
“O conteúdo deste documento já foi apresentado verbalmente a uma comitiva de políticos do estado que esteve em Barra do Garças no final de junho passado e já havia sido encaminhado à futura reitora da Universidade, professora Marluce. Foi com base neste documento que a ela fez a defesa por mais tempo de discussão sobre o tema na agenda política que teve em Brasília, nos dias 19 e 20 de agosto deste ano. Na última reunião, ela não só reafirmou o apoio à reivindicação dos docentes, como disse considerar o pleito justo, e muito sensato que qualquer projeto de desmembramento só avance depois de esgotado o debate interno, com ampla participação de toda a comunidade acadêmica”, afirmou o coordenador do GT, professor Edson Spenthof.
De acordo com o docente, a próxima reitora trouxe também a informação de que, no encontro realizado em 20/08 na Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação (MEC/Sesu), a diretora Tânia Arruda afirmou que, por determinação do próprio presidente da República, nenhuma nova universidade será criada em seu atual mandato, apenas novos campi.
O documento do GT Multicampia e Fronteiras, já apresentado também em assembleia da categoria docente e disponibilizado nos canais oficiais da Adufmat-Ssind, está sendo encaminhado, agora, aos autores de projetos de lei que propõem o desmembramento dos campi da UFMT em Sinop e no Araguaia, além de outras autoridades e instituições locais, estaduais e federais.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind












