Atualizada | Nota de pesar
*Atualizada às 8h30 do dia 24/11 para inserir informações sobre a cerimônia de despedida
Com imenso pesar, a Adufmat-Ssind comunica o falecimento do professor Angelo Aparecido Zanoni Ramos, lotado no curso de Filosofia da UFMT. A notícia foi compartilhada na manhã desta terça-feira (18/11), e o motivo de sua partida tão precoce ainda não foi divulgado.
Além de se dedicar ao ensino público superior na UFMT desde 2002, o professor contribuiu com a luta coletiva. Era sindicalizado e chegou a ser diretor de Imprensa e Divulgação da Adufmat-Ssind entre 2006 e 2008, durante a gestão encabeçada pelo professor Alcides Teixeira da Silva.
As cerimônias de despedida e sepultamento serão realizadas em São Paulo, sua terra natal, a pedido da família.
Aos colegas, amigos e familiares, a Diretoria do sindicato expressa os mais sinceros sentimentos.
Professor Ângelo Aparecido Zanoni Ramos, presente!
Mais uma vitória da luta organizada coletiva: após a intervenção direta do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado de Mato Grosso (Sintuf-MT) e da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind), a UFMT determinou que nenhum adicional de insalubridade poderá ser encerrado antes da decisão final dos recursos administrativos, preservando direitos e evitando prejuízos imediatos decorrentes de laudos de risco químico contestados por inconsistências técnicas.
Desde a divulgação dos laudos de insalubridade por risco químico, produzidos por empresa externa contratada, o Sintuf-MT e a Adufmat-Ssind vêm apontando problemas que comprometem a segurança jurídica e a confiabilidade do processo. As entidades identificaram divergências nos resultados dos laudos, uso de equipamentos com calibração vencida, omissão de agentes químicos altamente tóxicos e falhas no cumprimento de etapas previstas no contrato, reforçando a necessidade de revisão completa antes de qualquer medida que impacte a remuneração e a saúde ocupacional.
A demora injustificada na análise do recurso protocolado pelas entidades sindicais em setembro de 2025 agravou ainda mais o cenário, trazendo insegurança aos trabalhadores e afrontando princípios administrativos como eficiência, celeridade e duração razoável do processo. Diante do risco de cortes imediatos sem garantia de validade técnica, o Sintuf-MT cobrou providências urgentes, o que resultou na decisão da Reitoria, em 07/11, de suspender qualquer redução ou corte até a conclusão da análise.
As categorias avaliam que a conquista reafirma o papel dos sindicatos na defesa dos direitos e da dignidade dos servidores da UFMT e continuarão acompanhando o processo e reivindicando rigor técnico, transparência e diálogo democrático para que nenhum direito seja retirado.
Fonte: Assessoria de Comunicação do Sintuf-MT (com edição de Adufmat-Ssind)
Sem projeto, comunidade acadêmica da UFMT Sinop tem mais dúvidas do que certezas e, neste momento, tende a rejeitar desmembramento
Os políticos e empresários da região norte do estado de Mato Grosso desejam, há anos, que o campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Sinop seja uma instituição autônoma. As vantagens políticas e econômicas são evidentes – especialmente o controle maior sobre os cursos, pesquisas, servidores e administração. Mas o que a comunidade acadêmica pensa sobre isso?
Em reunião ampliada realizada com a Reitoria na última quinta-feira, 16/10, ficou claro que, bem diferente do que algumas pessoas afirmam, a comunidade acadêmica tem muito mais dúvidas do que certezas e, neste momento, tende a não defender o desmembramento do campus.
Algumas das dúvidas são: existe um projeto de universidade? O recurso irá aumentar e sanar os problemas? Um diploma assinado por universidade nova tem o mesmo valor de uma instituição com mais de 50 anos e está entre as 40 melhores do país? Abriremos mais concursos? Os 28,86% estarão assegurados aos docentes? A resposta para todas essas questões é só uma: não.
Durante a reunião em Sinop, a reitora Marluce Souza e Silva destacou que, pela primeira vez, a comunidade universitária do campus de Sinop da UFMT discutiu, oficialmente, com a Reitoria, a ideia de desmembramento. A reitora afirmou que a administração central nunca havia sido formalmente comunicada sobre a intenção de tornar o campus independente. “Essa proposta está sendo debatida pela primeira vez dentro da universidade, e é importante que qualquer decisão seja tomada coletivamente, com a participação da comunidade, e não de forma isolada, por diretores ou pró-reitores”, afirmou.
Assim, a forte presença da imprensa foi destacada como um ponto relevante, já que o assunto vinha sendo tratado mais por veículos externos do que por canais institucionais da UFMT.
Sobre recursos
A reitora destacou que o campus de Sinop sempre teve acesso a recursos importantes. “Entre todos os campi, Sinop é o único com recursos sempre disponíveis. Não é verdade que o campus é ‘coitado’ ou ‘fraco’. Pelo contrário, é o segundo mais forte, atrás apenas da sede, em Cuiabá”, pontuou, revelando que, naquele mesmo momento - já quase no final do ano - o campus tinha mais de R$ 1 milhão em caixa, à disposição.
“Universidade não é empresa. Os recursos devem ser aplicados conforme as demandas locais. Não faz sentido acumular dinheiro enquanto há carências nas unidades. Pelo contrário, terminar o ano com recursos em caixa sinaliza que a universidade não está precisando, e todos nós sabemos que ela está precisando”, criticou.
Silva explicou que a distribuição de recursos da UFMT segue o que determina a matriz da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), que leva em consideração a demanda e indicadores como número de alunos, grupos de pesquisa e produção acadêmica de cada universidade. Isso demonstra que, em caso de desmembramento, não haveria mudança significativa nos recursos destinados à Sinop. Segundo os dados apresentados, a divisão atual é de 66,5% para o campus de Cuiabá, 17,2% para Sinop, 13,25% para o Araguaia e pouco mais de 5% para Várzea Grande – vale lembrar que esta última ainda utiliza a estrutura do campus de Cuiabá.
Ela alertou, no entanto, que a separação de Sinop pode enfraquecer não apenas o campus local, mas a UFMT como um todo. “Se Sinop emancipar, a universidade perde força institucional. Juntos temos mais chances de crescer e conquistar melhorias”, defendeu.
Foram abordadas, ainda, questões administrativas envolvendo o campus de Sinop, como a perda de recursos do PAC por falta de licitação e a ausência de informação sobre 34 técnicos lotados no curso de Medicina, que estão fora de suas funções de origem, situação que gerou investigação interna. “É preciso saber quem autorizou, para onde foram esses técnicos e trazer esses profissionais de volta às funções para as quais foram concursados. Não se pode responsabilizar a Reitoria por isso”, pontuou.
O professor Elton Ribeiro, pró-reitor do campus de Sinop, afirmou que o processo de debate respeitará todas as instâncias democráticas e que a vontade da comunidade será respeitada. Da mesma forma, garantiu que todas as questões levantadas sobre o campus de Sinop, como a lotação atual dos 34 servidores técnico-administrativos, serão devidamente investigadas e esclarecidas.
Muitas dúvidas, nenhuma certeza
Além dos representantes da administração, professores, servidores técnico-administrativos e estudantes também participaram e compartilharam seus receios e dúvidas.
Para o docente Juliano dos Santos, representante sindical da subseção da Adufmat-Ssind em Sinop, preocupa o fato de instituições privadas do município, como a União das Entidades de Sinop (Unesin) estarem discutindo a questão sem consulta à comunidade. “Eles estão discutindo isso e a gente não foi consultado. Tem até uma comissão pró-emancipação dentro da Unesin desde 2021. Eu queria destacar que, quando eu fiz concurso, fiz para a UFMT. Eu nem conhecia Sinop. Cheguei aqui, me vejo UFMT, mas parece que a gente foi construindo uma divisão, um muro. Parece que a gente está se debatendo. Nós podíamos aproveitar esse momento de discussão para juntar forças e pensar a universidade, porque a dificuldade orçamentária não é só da UFMT. Se a gente unir forças, tenho certeza que a gente pode encontrar soluções. Eu vejo que a gente foi destruindo nossas interações, e a gente tem é que reconstruir as relações profissionais e sociais dentro da universidade, para que a gente melhore enquanto UFMT. Se emancipar, com as relações que a gente tem aqui, hoje, me desculpem, vai ser como se a gente estivesse saindo do zero”, concluiu.

Professor Juliano dos Santos, coordenador da subseção da Adufmat-Ssind em Sinop
O professor Breno Santos, diretor-geral da Adufmat-Ssind, destacou a necessidade de respeitar os espaços democráticos de discussão e deliberação da universidade, e compartilhou um pouco dos relatos que o GT Multicampia e Fronteira do Andes – Sindicato Nacional tem registrado.
“O temos cobrado, desde o início, que o debate democrático em torno dessa questão aconteça sem negligenciar o fato de que os espaços da universidade são de vários tipos, tem os espaços de discussão ampla e também os colegiados, institucionalmente reconhecidos e historicamente validados. Eles também precisam fazer esse debate. São lentos? São lentos, mas a democracia é processo. Dentro do espaço sindical, nós defendemos uma democracia radical. Temos acompanhado o debate sobre multicampia no Brasil inteiro, porque o Andes - Sindicato Nacional tem um GT que estuda o tema. Nós ouvimos relatos dos mais diversos. No caso das universidades da Amazônia, alguns campi, em determinados períodos do ano, sequer têm acesso por terra; regiões em que o custo de vida é tão brutal, que o gás de cozinha chega a ser mais do que o dobro do que nas regiões mais centrais do Brasil. Todos os relatos, graves e preocupantes, impactam na permanência, acesso, e nas condições de trabalho dos professores que trabalham nessas unidades, mas não levam à conclusão de que o caminho único é a emancipação. Ao contrário, o caminho é: luta por orçamento; o caminho é mais democracia dentro da universidade, é mais participação; é mais universidade do que menos universidade; é mais estabilidade administrativa e jurídica do que instabilidade e criatividade estatutária, que foi o que aconteceu em Rondonópolis, que passou vários anos sem estatuto e, no fim das contas, uma bagunça geral que faz com que a universidade hoje enfrente cada vez novos problemas por conta dessa insegurança”, argumentou.

Professor Breno Santos, diretor-geral da Adufmat-Ssind
Estudante do curso de Farmácia e representante estudantil e Sinop, Diego Taquini questionou o que considera perda de recursos do campus de Sinop para Cuiabá e a atual falta de integração entre os campi, mas também ressaltou a ausência de informações sobre o que seria o processo de desmembramento. “A gente tem vários problemas para debater aqui hoje, e o principal é: como a gente vai cobrar um posicionamento, seja contrário ou a favor, se não existe um projeto técnico sobre a emancipação? A gente vai votar como? A gente não sabe o que vai acontecer. É sério mesmo a gente vai acreditar em proposta de político? ‘Ah, mas eles vão dar dinheiro!’ E aí ele perde o cargo, você perde o dinheiro e fecha as portas. A principal mensagem que eu quero passar para os meus colegas estudantes aqui hoje é: independentemente do que for decidido, o nosso papel é cobrar, a gente tem que continuar cobrando Restaurante Universitário a R$ 1, alojamento, mais bolsas e melhores condições como um todo”, pontuou.
A professora Paula Moreira, também diretora da subseção da Adufmat-Ssind em Sinop, lembrou que a implementação do curso de Medicina no campus foi feita de surpresa, sem debate com a comunidade, e que neste momento, o curso passa por alguns questionamentos do MEC, não pela qualidade, mas, por exemplo, pela ausência dos 34 técnicos-administrativos que deveriam estar lotados na unidade e não estão. “Será que se a gente desmembrasse não ia acontecer isso também com a gente? Porque prometer é uma coisa, mas falta técnico nessa universidade desde que eu entrei aqui. Se é precário, será que desmembrar não vai ser um tiro no pé? Será que Rondonópolis, que quis tanto, tem bastante vaga? Conseguiu mais técnicos e professores? Será que tem infraestrutura? Será que eu, que tenho que dar aula, fazer pesquisa, extensão, ainda vou ter que acumular cargo de Pró-reitoria, e mesmo assim continuar dividindo sala com outros quatro, cinco professores? Eu quero isso? Do mesmo jeito que criaram esse curso de Medicina, sem estrutura - porque foi uma ação política -, está se dando a questão do desmembramento. Se essa canetada acontecer e pegar a gente de surpresa, o que é que a gente vai fazer? As coisas estão acontecendo fora dos nossos olhos, ninguém fica sabendo de nada. Parece truque de ilusionismo, e eu me sinto enganada, porque tinha que ser uma construção nossa. Para saber se o orçamento ia melhorar, se a gestão seria viável, como nós poderíamos construir essas relações... nós não temos nada na mão”, afirmou.

Professora Paula Moreira, coordenadora da subsede da Adufmat-Ssind em Sinop
Ao final da reunião, foram feitos encaminhamentos para que o debate continue com mais participação da comunidade acadêmica em todos os campi da UFMT, não apenas Sinop. A Reitoria reforçou que não há decisão tomada sobre o desmembramento e garantiu que nenhuma medida será adotada sem amplo debate e deliberação da comunidade e dos conselhos superiores da universidade.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Assembleia histórica em Sinop fortalece posição dos docentes da UFMT pela construção da multicampia e aprova paralisação
A Adufmat-Ssind realizou, nesta quinta-feira, 16/10, uma assembleia histórica, especialmente sediada no auditório do sindicato em Sinop. O objetivo foi fortalecer o debate sobre multicampia, motivado pela existência de projetos de lei apresentados por políticos mato-grossenses indicando o desmembramento dos campi, mas elaborados à revelia de qualquer debate ou decisão da comunidade acadêmica. Nesta quinta-feira, a categoria debateu e fortaleceu o argumento em defesa da construção efetiva da multicampia na UFMT, e não o desmembramento - ao menos por enquanto. Também foi aprovada paralisação nos dias 28 e 29/10 contra a proposta de Reforma Administrativa.
De início, durante os informes, o diretor-geral do sindicato, Breno Santos, falou da Semana do Servidor, que está sendo organizada junto ao Sindicato dos Servidores Técnico-administrativos (Sintuf-MT), com atividades programadas a partir do dia 25/10 – todas presenciais (em Cuiabá), mas com transmissão de algumas mesas (saiba mais aqui).
O docente falou, ainda, sobre o Baile dos Professores 2025, que será no dia 24/10, em Cuiabá. Os convites já estão sendo distribuídos (leia mais aqui). O diretor finalizou informando que o sindicato foi oficialmente convocado para o 44º Congresso do Andes-SN – maior espaço deliberativo do sindicato nacional -, que será em Salvador entre 02 e 06/03/26. A delegação da Adufmat-Ssind será formada nos próximos meses.
A professora Gerdine Sanson, membro da representação local, informou que a festa dos docentes de Sinop será no dia 25/10. Os interessados deverão informar o sindicato, por meio de link já compartilhado, para a definição mais exata possível do número de participantes.
Também participou da assembleia, presencialmente, o professor Raimundo Sousa, representante da Adufmat-Ssind Araguaia. Ele informou que a festa dos professores do Araguaia será mais próxima do final do ano - dia 06/12. O local já está reservado, mas ele solicitou que aqueles que tenham restrição alimentar informem ao sindicato para a elaboração do cardápio.
De Cuiabá, a docente Irenilda Santos informou sobre atividade nacional do Grupo de Trabalho Política e Formação Sindical (GTPFS), que também debateu um dos temas da assembleia: conjuntura e Reforma Administrativa.
A professora Marluce Souza e Silva fez informe sobre a reunião ampliada realizada no período da manhã, em Sinop, com a presença da Reitoria e da Pró-reitoria do campus, para iniciar o debate sobre multicampia ou desmembramento do campus. Na ocasião, ficou evidente que há mais dúvidas do que certezas sobre a questão, e foi encaminhado que o debate só será retomado após o levantamento de todos os documentos que existem - ou ainda são necessários - para balizar o debate.

Informes sobre os 28,86%
O advogado responsável pelo processo, Alexandre Pereira, iniciou este ponto de pauta alertando sobre os golpes frequentes que tentam aplicar utilizando os 28,86%. “Não existe pagamento de DARF, ida ao cartório, nada é de um dia para o outro, do nada. Notícias sobre este processo são dadas pelo sindicato, em assembleia geral”, afirmou.
Diante de algumas dúvidas, Pereira afirmou que haverá, sim dificuldade de recebimento dos 28,86% em caso de emancipação do campus de Sinop. Entre outras afirmações, garantiu que há boas expectativas quanto ao processo, que deve avançar no STJ nos próximos meses.
Como a Assessoria Jurídica não gosta de publicizar detalhes sobre o processo, as dúvidas de quem não pode comparecer a assembleia devem ser encaminhadas para o escritório, por meio dos telefones (65) 3642-3847/99233-4844, ou diretamente ao advogado (sindicalizados podem solicitar o número à Adufmat-Ssind).
Análise de Conjuntura e Mobilização sobre a Reforma Administrativa
O diretor-geral da Adufmat-Ssind iniciou este ponto de pauta falando sobre as investidas contra a Palestina, o avanço do imperialismo estadunidense, que também está voltado para a América Latina. A precarização do trabalho em todos os âmbitos e a Reforma Administrativa, isto é, a destruição de direitos, são demonstrações disso.
Diante do conhecimento do teor da nova proposta de Reforma Administrativa (leia aqui), o Andes – Sindicato Nacional, juntos às entidades de trabalhadores do serviço público federal estão propondo a jornada de lutas, com marcha em Brasília dia 29/10 e paralisação nos dias 28 e 29/10.
Santos lembrou que, em 2021, os servidores conseguiram derrotar a Reforma Administrativa de Paulo Guedes com forte mobilização em Brasília por mais de 15 semanas consecutivas.
Os presentes destacaram que os proponentes da atual Reforma são, ainda, setores da chamada direita, mas com aval da chamada esquerda, visto que a própria ministra Esther Dweck, que é docente do ensino superior público (UFRJ), afirmou, publicamente, que a Reforma Administrativa já está em andamento neste governo.
Ao final, foi decidido que o sindicato construirá o deslocamento para a marcha em Brasília no dia 29 (docentes que queiram ir devem entrar em contato com o sindicato) e também orientará a paralisação da categoria nos dias 28 e 20/10 com atividades de mobilização nos três campi (considerando que o campus de Várzea Grande funciona em Cuiabá). A Adufmat-Ssind produzirá material para distribuição e o professor Waldir Bertúlio sugeriu que o sindicato faça circular textos jornalísticos e também de opinião sobre o tema. Há também indicação para inserção da questão na mídia local, especialmente sobre os motivos da paralisação.
Vale destacar que Adufmat-Ssind e Sintuf-MT já têm uma atividade prevista para debater a Reforma Administrativa dentro da semana dos servidores – dia 28/10, às 9h, no campus da UFMT, com transmissão ao vivo por meio dos canais oficiais das entidades.
Também foi aprovada a composição de uma Comissão de Mobilização Multicampi sobre a Reforma Administrativa.
Política de Multicampia na UFMT
O dia foi inteiro de debate sobre o tema da multicampia em Sinop. Pela manhã, em reunião ampliada junto à Reitoria e Pró-reitoria local. No período da tarde, como ponto de pauta da assembleia geral da categoria docente.
A diretoria da Adufmat-Ssind abriu o debate falando da importância da multicampia, que tem, por exemplo, a maioria dos institutos federais funcionando neste sistema.
A questão é complexa, porque as realidades no país são muito distintas e, além disso, o ensino superior federal, como um todo, tem sofrido deliberadamente com os cortes de recursos. Isso motivou a criação do GT Multicampia e Fronteira no sindicato nacional e nas seções sindicais, como a Adufmat-Ssind.
O professor Juliano dos Santos, coordenador-geral da representação sindical em Sinop, lembrou do processo de constituição do GT na Adufmat-Ssind e destacou que hoje, a maior parte dos docentes das universidades federais do país estão em campus “não sede”, ou seja, trabalham em situação de multicampia. “Nosso desafio é construir uma universidade multicampi mais forte”, afirmou.
Marilin Castro, servidora técnica-administrativa, contribuiu com a análise afirmando que ele precisa ser aprofundado pela sua categoria, que rememora, agora, o processo de desmembramento da UFMT Rondonópolis. Ela destacou que a situação da nova universidade - criada em 2018, mas com autonomia financeira alcançada apenas em dezembro de 2019 - está mais difícil. “Mais de cinco anos depois do desmembramento da UFR, nem 50% das vagas previstas para técnicos foram disponibilizadas, e a situação de trabalho piorou”, disse.
O docente Edson Spenthof lembrou do documento elaborado pelo GT (leia aqui), demonstrando que há muitos “gargalos” que precisam ser resolvidos antes de se pensar em desmembramento. “Hoje, diante de todos esses gargalos, nossa posição é pelo fortalecimento da multicampia”, concluiu.
Para o professor Breno Santos, os desafios da multicampia são, na verdade, os desafios do projeto do capital para as universidades. Isso significa que as dificuldades vão continuar e, se não houver resistência e mobilização em defesa dos serviços públicos e da educação, podem, inclusive, piorar.
Os docentes concluíram o debate reforçando a mobilização contra a Reforma Administrativa e pela continuidade do diálogo com relação à multicampia.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind.
A Adufmat - Seção Sindical do ANDES Sindicato Nacional, representante legítima da categoria docente da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que, em 2025, completa 47 anos de luta em defesa da UFMT e da educação pública, gratuita e de qualidade, vem a público manifestar posição da categoria sobre as propostas de desmembramento do campus universitário de Sinop.
No último período, tomamos conhecimento de algumas propostas que visam a separação do campus de Sinop e do campus do Araguaia da estrutura institucional da UFMT. Todas as propostas tomaram a comunidade universitária com espanto, dado que nenhuma delas foi elaborada ou discutida junto à comunidade antes de ser submetida ao Legislativo Federal. A mais recente das propostas a ganhar notoriedade foi a apresentada pelo PL 4812/2020, do senador Carlos Fávaro (PSD/MT), hoje ministro da Agricultura, que “autoriza a criação da Universidade Federal do Nortão de Mato Grosso”. Recentemente, o PL foi objeto de discussão e deliberação na Comissão de Educação do Senado Federal e o parecer, que indica que o Executivo Federal delibere sobre a matéria, foi aprovado nessa ocasião.
Na mesma semana em que o tema foi discutido no Senado, a Adufmat-Ssind realizou uma reunião com a Reitoria da UFMT e uma Assembleia Geral, espaço deliberativo máximo da categoria, ambas com o tema do desmembramento. Nas duas ocasiões, tanto a Diretoria da Adufmat-Ssind quanto a categoria docente da base manifestaram preocupação pelo caráter das propostas apresentadas, e da proposta específica que havia sido votada pela Comissão de Educação do Senado. Todas elas foram elaboradas sem quaisquer movimentos de consulta ou debate democrático junto à comunidade acadêmica. Vale lembrar que a criação ou extinção de campus universitário é de prerrogativa dos conselhos superiores da UFMT, por meio das suas representações legitimamente eleitas nas bases. Isso significa que quaisquer mudanças que venham a ser feitas na estrutura da UFMT são de interesse de toda a comunidade docente, discente e de técnicos(as)-administrativos(as).
Os e as docentes da UFMT, reunidos em assembleia no dia 19/09, indicaram frontal contrariedade ao processo de desmembramento que se planeja pôr em curso, sob uma ideia enganadora de “emancipação”, por entender que não apenas ela não cumpre os requisitos do debate democrático com toda a comunidade, como exposto acima, mas também por se tratar de proposta construída de fora para dentro, expressando fundamentalmente os interesses do setor empresarial, em especial do Agronegócio, via entidades privadas que, ao legislar de fora para dentro sobre os destinos da UFMT, violam a autonomia universitária, desrespeitam toda a comunidade acadêmica e a sociedade que dizem querer representar - quando, na verdade, representam apenas seus próprios interesses econômicos.
O desmembramento de um campus universitário para conversão em universidade é um processo longo e que demanda um debate aprofundado sobre as vantagens e riscos dessa ação, no que diz respeito à garantia da sua estrutura administrativa, de ensino, pesquisa e extensão, da sua segurança orçamentária e patrimonial, do estatuto legal dos seus trabalhadores, etc. Uma canetada não converte um campus em uma universidade - no máximo, fragiliza toda uma comunidade que se vê invadida e desrespeitada pelo interesse daqueles que querem apenas “uma universidade para chamar de sua”, para atender aos seus interesses econômicos de lucrar sobre o que é público, para desvirtuar a função social daquilo que eles veem apenas como “lugar para fazer negócios”.
Além disso, a diretoria da Adufmat-Ssind registra seu repúdio às movimentações espúrias de representantes do Poder Público e do setor empresarial que, pela via da ameaça velada ou explícita, ou de declarações que mostram uma suposta “preocupação” com a sociedade sinopense, defendem ferrenhamente a consecução dessa proposta antidemocrática de desmembrar a qualquer custo. A Adufmat-Ssind defende a necessidade de um amplo debate sobre que projeto de universidade nós queremos e defendemos, e qual projeto de multicampia deve fazer parte dessa concepção; defende que o tema da multicampia, ou seja, da coexistência administrativa, pedagógica e científica entre os campi, seja ponto central de pauta dos debates da UFMT no próximo período, inclusive na realização da Assembleia Universitária de 2025 e suas etapas preparatórias.
Não aceitaremos que os interesses econômicos de uma pequena elite que tem aversão ao que é público invadam a autonomia universitária e tentem exercer controle autoritário sobre os destinos da UFMT. A UFMT é um valorosa instituição pública, com 55 anos de produção de ciência, educação, cultura, política, e não está à venda aos interesses privados. Os rumos da UFMT, quem decide é sua comunidade, em diálogo franco, amplo e democrático com a sociedade mato-grossense. Seguiremos firmes em defesa da UFMT, em diversidade, em sua complexa e necessária multicampia, em sua totalidade!
Mato Grosso, 24 de setembro de 2025
Diretoria da Adufmat-Ssind
Gestão “Adufmat é pra lutar!”
Assembleia da Adufmat-Ssind encaminha ações sobre propostas de desmembramento de campus da UFMT
Em assembleia geral realizada na última sexta-feira, 19/09, docentes sindicalizados a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso - Adufmat-Seção Sindical do Andes Sindicato Nacional debateram e encaminharam ações sobre as tentativas de imposição de desmembramento dos campi de Sinop e Araguaia. A assembleia, que contou com a participação da reitora Marluce Souza e Silva, explicitou que a comunidade acadêmica não partilha da proposta e, muito pelo contrário, teme o que pode ocorrer se esses desmembramentos forem efetivados da forma como estão sendo incentivados.
A plenária começou, como de costume, com os informes. Pela Diretoria, o professor Breno Santos falou sobre a semana de mobilização em Brasília, entre 22 e 26/09 contra a ameaça de votação de uma proposta de Reforma Administrativa (confira aqui a agenda completa). Os professores Einstein Aguiar, Maria Luzinete Vanzeler e José Domingues de Godoi Filho representarão o sindicato. Santos falou também sobre a abertura do processo de contratação de profissional de Comunicação (veja aqui), a denúncia de inefetividade das nomeações por cotas na UFMT (leia aqui) e convidou a categoria para o ato contra a PEC da blindagem (número 03/2021, assinada pelo deputado Celso Sabino - PSDB/PA), o Projeto de Lei que concede anistia àqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito (PL 5064/23, assinado pelo senador Hamilton Mourão - Republicanos/RS), e a ameaça de votação de uma nova proposta neoliberal de Reforma Administrativa, que em Cuiabá ocorreu pela manhã, na Praça Cultural do CPA II – bairro popular localizado na região norte da capital mato-grossense.
Pelo Grupo de Trabalho Política e Formação Sindical (GTPFS), a professora Irenilda Santos fez um informe qualificado sobre a reunião nacional realizada no início do mês, cujos principais debates foram sobre a questão da Palestina e a nova ameaça de aprovação de Reforma Administrativa.
O professor Aldi Nestor de Souza lembrou que, no dia 19/09, o Brasil comemora o nascimento de Paulo Freire, patrono da educação brasileira e um pernambucano cujas ideias continuam incomodando o capital mesmo quase 30 anos após sua morte. O docente também compartilhou a experiência que viveu ministrando aulas para um curso no Centro de Formação e Pesquisa Olga Benário Prestes (Cecap-MT). “Na maior parte do tempo, nós costumamos trabalhar somente teoria na sala de aula. Foi a primeira vez que eu ministrei um curso para detentores dos meios de produção, pessoas que têm um pedaço de terra, produzem ali e vivem dessa produção. Quando a gente pega uma turma que aplica a teoria, é sensacional. Só me fez perceber mesmo que o que nós temos que fazer, enquanto trabalhadores, é tomar os meios de produção”, afirmou.
O estudante da UFMT, Alexandre Peixoto, informou aos presentes que está empenhando esforço pessoal em campanha para salvar o bosque que fica ao lado do Museu de Arte e Cultura Popular (Macp) e do Cine Coxiponés.
Por fim, a professora Marluce Souza e Silva falou sobre a reforma em andamento do prédio que abriga os institutos de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) e Geografia, História e Documentação (IGHD), entre outras obras que ficaram cerca de 12 anos paradas na UFMT e foram retomadas.
Seguindo a máxima de que quem erra na análise de conjuntura, erra na tática e na ação, teve início o segundo ponto de pauta da assembleia. A análise de conjuntura foi bastante ampla, mas boa parte das intervenções girou em torno das movimentações mais recentes do Congresso Nacional que, tomado pela extrema-direita, tenta aprofundar ainda mais a pauta neoliberal, removendo direitos e abrindo mais espaço para os interesses econômicos particulares; a grande questão do debate, no entanto, foi como organizar a classe para responder a esses ataques.
“Está comprovado que qualquer esperança no governo de conciliação no Brasil já está fracassada. Estamos vivendo uma ofensiva brutal ao fundo público e aos direitos sociais, tudo rapidamente, em regime de urgência, enquanto nós enfrentamos a desmobilização por conta da rotina cada vez mais massacrante. Precisamos retomar o processo de reorganização da classe e os atos convocados para o domingo serão essenciais para isso”, afirmou o diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.
A professora Lélica Lacerda concordou, acrescentando que a conjuntura, após a condenação dos golpistas, apresenta um cenário ainda mais polarizado. “O povo não se identifica mais com o Congresso e nós estamos diante de duas narrativas: uma que o considera um espaço desnecessário, que pode fechar - o que facilita uma postura ditatorial -, e uma segunda leitura, que seria a tomada desse espaço pelos trabalhadores. Para onde nós vamos? Precisamos superar o processo de cooptação da classe, porque as alternativas são ou neocolonialismo ou socialismo”, afirmou.
O professor Juliano Santos, de Sinop, também falou do esvaziamento dos espaços de luta, e da abertura da própria universidade para a lógica do mercado, além da influência concreta de organizações privadas.
Dialogar com a população sobre os efeitos concretos das investidas neoliberais no cotidiano, e também com a própria comunidade acadêmica da UFMT - que tem se deixado mover pela lógica mercadológica - foram as principais ações apontadas durante as intervenções.
Sobre a proposta de desmembramento dos campi da UFMT, especialmente o de Sinop, cujo projeto caminhou na última semana (saiba mais aqui), o diretor-geral do sindicato começou falando que o encaminhamento do projeto do senador Carlos Fávaro causou preocupação, mas não exatamente surpresa, e prosseguiu afirmando que o texto não representa a vontade da comunidade.
Os professores da UFMT em Sinop repetiram que não houve diálogo, que a administração local se utiliza da relação contaminada com a Reitoria para fazer campanha pelo desmembramento como se fosse a única solução possível, e que está evidente que os interesses de grupos privados têm impulsionado a ideia de separação.
Causou surpresa a intervenção da atual reitora, que afirmou participar da assembleia na qualidade de docente sindicalizada. Ela fez ponderações acerca do pavor gerado no campus após andamento do projeto de lei, afirmando que, mesmo com a propaganda, um eventual desmembramento não deve ser tão simples, nem do ponto de vista econômico, nem do político e nem do jurídico. Segundo a docente, apesar das tratativas internas de 2008, que transformaram o Centro Pedagógico do Norte Mato-grossense em campus e a diretoria local em Pró-reitoria, não é esse o entendimento do próprio Ministério da Educação (MEC). “Nós estamos preparando um relatório para desconstruir toda a narrativa criada em Sinop: vamos comprovar que o campus foi o mais beneficiado nos últimos anos e que suas fragilidades não são causadas pela administração de Cuiabá. Além disso, nós temos resposta do MEC de que não está autorizada a criação de nenhuma universidade esse ano. Pode mudar em 2026? Sim, mas, até do ponto de vista jurídico, não me parece que seja um processo tão simples”, afirmou a reitora, se comprometendo a compartilhar amplamente o documento assim que finalizado.
Após longo debate, concluindo que refletir sobre multicampia é refletir sobre o próprio futuro da universidade, os presentes encaminharam: pautar a multicampia a partir de outubro, nos debates preparatórios para a assembleia universitária que marcará os 55 anos da UFMT; atualizar os dados e fazer circular o documento elaborado pelo Grupo de Trabalho Multicampia e Fronteiras da Adufmat-Ssind (leia aqui); levar esse debate, juntamente com os dados levantados pela administração e pelo próprio GT para eventos presenciais também nos campi de Sinop e Araguaia; realizar uma assembleia da Adufmat-Ssind em Sinop na segunda quinzena de outubro, com a presença de docentes de Cuiabá, Várzea Grande e do Araguaia; estabelecer parceria entre o GT Multicampia e Fronteiras e Reitoria para elaboração da Resolução de Multicampia (que ainda não existe na UFMT); solicitar à administração da universidade que reforce o pedido de publicização das agendas das representações dos campi junto a políticos, para identificar eventuais solicitações de desmembramento à revelia da comunidade.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Nomeações por cotas na UFMT superam os 90% de inefetividade; Observatório sugere lista única de candidatos cotistas
Imagem: docentes se manifestam a favor das cotas durante o 42º Congresso do Andes-Sindicato Nacional / Arquivo Andes-SN
Desde 2014, a Lei 12.990 determina reserva de 20% das vagas de concursos públicos federais para pessoas negras. Em 2025, a Lei 15.142 elevou esse patamar para 30%, incluindo indígenas e quilombolas. No entanto, na prática, essa reserva legal tem sido mal cumprida. Na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), por exemplo, a análise dos dados de 2016 a 2024 revelam que, das 532 vagas disponibilizadas para professor do magistério superior – 107 delas reservadas por sorteio -, apenas seis cotistas foram nomeados, o que representa inefetividade de 94,39% com relação às vagas reservadas pelo sorteio.
Os dados são do Relatório de pesquisa baseado em evidências: A implementação da Lei nº 12.990/2014: um cenário devastador de fraudes, elaborado por pesquisadores do Observatório das Políticas Afirmativas Raciais (Opará), da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) em parceria institucional com o Movimento Negro Unificado (MNU) – disponível aqui.
E os pesquisadores alertam que a situação pode piorar com a aprovação da Instrução Normativa Conjunta MGI/MIR/MPI nº 261/2025, de 27/06 deste ano, que regulamenta os procedimentos já realizados para sorteio das vagas reservadas para candidatos pretos, pardos, indígenas e quilombolas em concursos públicos.
Os dados históricos mostram que, mesmo com reservas previstas em editais, muitas vagas reservadas não são preenchidas por falta de candidatos aprovados, ou são revertidas para ampla concorrência, porque o sorteio é realizado numa lista única de todas as vagas – reservadas e também da ampla concorrência.
Atualmente, a conversão de vagas destinadas a cotas em vagas de ampla concorrência é realizada por motivos como: falta de candidatos inscritos; falta de candidatos aprovados; quando o candidato cotista é aprovado com nota suficiente para classificação pela ampla concorrência; nos casos em que o candidato negro fica em segundo lugar na classificação geral e a instituição encontra uma “segunda vaga”, não prevista em edital, para nomear o candidato da ampla concorrência, convertendo a nomeação do candidato negro também para a ampla concorrência.
A crítica é que, embora a lei determine que as cotas precisam ser aplicadas em 30% das vagas totais, não exige que sejam distribuídas igualmente entre todas as áreas. Assim, a IN 261/25 cria um procedimento de sorteio para escolher onde aplicar as cotas dentro do total de vagas disponíveis. Este é o procedimento utilizado pela UFMT e outras universidades, mas para os pesquisadores do Opará, este modelo reforça o racismo estrutural, enquanto as universidades que adotaram como modelo uma lista única de candidatos cotistas têm obtido mais efetividade da política.
“A UFPEL [Federal de Pelotas] tem 100% de efetividade de nomeações em vagas reservadas. A Univasf tem 90% de efetividade em vagas reservadas. Ambas fazem lista única dos candidatos negros, considerando o conceito jurídico de cargo efetivo, expresso na lei. A UFMT tem 5,61% de nomeações de cotistas em vagas reservadas por sorteio de especialidades - seis nomeações em 107 vagas reservadas. Se considerarmos o universo de todas as vagas abertas, a efetividade de nomeações pela Lei de Cotas na UFMT é de 1,13% - seis nomeações em 532 vagas abertas para provimento do cargo efetivo de professor do Magistério Superior. Ou seja, inefetividade de 98,87% nas vagas abertas, no período de 2016 a 2024 e inefetividade de 94,39% nas vagas reservadas pelo sorteio”, afirma a professora Ana Luisa Oliveira, professora da Univasf e uma das coordenadoras da pesquisa realizada pelo Opará.
A Associação dos Docentes da UFMT - Seção Sindical do Andes (Adufmat-Ssind) realizou dois debates com a professora Ana Luisa Oliveira este ano, e pautou o assunto em reunião com a Gerência de Exames e Concursos da UFMT, apresentando detalhadamente todos esses dados. A Gerência compreendeu e se comprometeu verbalmente a corrigir a questão do sorteio nos editais futuros, e ficou de enviar formalmente o reconhecimento do compromisso. O documento ainda não chegou, e o sindicato pretende retomar a cobrança do cumprimento da integralidade da Lei de Cotas à Reitoria.
"É grave quando há tentativas de burlar a Lei de Cotas, o processo de heteroidentificação, mas é ainda mais grave quando essa violação parte da própria estrutura institucional, comprometendo a efetividade da lei em âmbito local. É urgente que a UFMT suspenda imediatamente esse sistema de sorteio, e também que assegure, de forma retroativa, o preenchimento das vagas que deixaram de ser ocupadas. A reparação precisa ser real e efetiva, o que exige o cumprimento integral da legislação e a garantia de que todas as vagas, negligenciadas ao longo dos anos por esse mecanismo, que entendemos como uma burla institucional, sejam devidamente preenchidas", afirmou o diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Reitoria da UFMT reafirma necessidade de debate aprofundado sobre desmembramento de campus antes de qualquer decisão
Diretoria da Adufmat-Ssind reforça convocação para assembleia nessa sexta-feira, 19/09, com este ponto de pauta
Eu reunião realizada na Reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) nesta quarta-feira, 17/09, a reitora Marluce Souza e Silva concordou com a Associação dos Docentes (Adufmat-Ssind), de que é preciso aprofundar o debate sobre as propostas de desmembramento dos campi antes de tomar qualquer decisão. De forma alheia à comunidade, a Comissão de Educação do Senado aprovou, esta semana, a indicação ao Executivo para a criação de nova universidade federal a partir do campus da UFMT em Sinop.
A apreciação causou estranhamento porque, em julho de 2024, a Adufmat-Ssind solicitou oficialmente, por meio de documento elaborado pelo Grupo de Trabalho Multicampia e Fronteiras, entregue a todos os parlamentares que têm projeto nesse sentido (leia aqui), que não haja encaminhamento dos projetos sem que o debate seja realizado e a comunidade - não apenas de Sinop, mas de toda a UFMT, em todo o estado - se sinta em condições de decidir.
“A Adufmat-Ssind tem posicionamento, vai encampar esse debate, mas ele não é apenas de interesse da categoria docente, é um tema de interesse de toda a comunidade acadêmica – docentes, técnicos-administrativos e estudantes – e, portanto, uma responsabilidade da instituição”, afirmou o diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.
Apesar desse posicionamento, a representação local da Adufmat-Ssind e outros professores de Sinop, presentes na reunião, reclamaram que há uma imposição de determinado grupo político no campus, cujos interesses particulares têm apontado para o desmembramento como única alternativa aos problemas, à revelia da comunidade acadêmica. De acordo com os relatos, há uma campanha aberta em Sinop, refutando até o uso da palavra multicampia e, por vezes, utilizando informações falsas para justificar uma “emancipação”.
Os presentes lembraram, ainda, que não há perspectiva de aumento de orçamento mesmo com eventual desmembramento. No entanto, há quem deposite esperanças de melhoria por meio de emendas parlamentares. Segundo relatório divulgado pelo Observatório do Conhecimento, de 2014 a 2025 as emendas parlamentares passaram de 0,8% para aproximadamente 7,2% do orçamento das universidades federais, no entanto, isso faz com que a universidade fique mais dependente de políticos – e em “dívida” com eles.
A reitora afirmou que já se manifestou publicamente contrária ao desmembramento, neste momento, e se comprometeu a fazer o debate junto a comunidade acadêmica, inclusive como preparação para a assembleia universitária que marcará os 55 anos da instituição ainda este ano. Ela também afirmou que disponibilizará um relatório sobre as reais condições do campus de Sinop.
A Adufmat-Ssind reforça a convocação da categoria para Assembleia Geral Extraordinária que será realizada nesta sexta-feira, 19/09, às 13h30, na sede e subsedes de Cuiabá.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
A pressa é inimiga da ciência: Comissão de Educação do Senado aprova recomendação para desmembramento do campus da UFMT Sinop; Adufmat-Ssind se reúne com Reitoria nesta quarta-feira, 17/09
A excelência da ciência desenvolvida pelas universidades públicas – as melhores do país - se deve a um fator primordial: tempo para análise e maturação dos dados. A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) tem se destacado, nos últimos anos, como uma das 40 mais bem colocadas em alguns dos principais rankings, mas o esforço desses mais de 50 anos de existência pode estar ameaçado por iniciativa política, alheia à comunidade, apressada e prematura.
Isso porque a Comissão de Educação do Senado aprovou, nesta terça-feira, 16/09, a indicação ao Executivo para criação da Universidade do Nortão, por meio do desmembramento do campus da UFMT em Sinop. A ação é resultado da análise do Projeto de Lei 4.812/2020, de autoria do senador licenciado e atual ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD/MT).
A iniciativa tem se dado sem debate dentro da comunidade acadêmica. Como ficou evidente em matéria divulgada pela Adufmat-Ssind em junho deste ano, diferentemente de outros campi que foram emancipados (as federais de Rondonópolis e Catalão, por exemplo), os campi da UFMT não construíram um projeto de universidade, e isso vai fazer total diferença, já que a disputa política fora dos muros da universidade tem se pautado em interesses econômicos (leia aqui a íntegra da matéria divulgada pelo sindicato em junho).
A comunidade tem pedido tempo à Reitoria e aos parlamentares, mas a notícia da apreciação do projeto pela Comissão de Educação nesta terça-feira voltou a causar apreensão. “Nós entendemos que há uma indisposição entre a gestão do campus de Sinop e a Reitoria. Essa relação conflituosa é usada, aqui, para justificar um divórcio nada amigável. Sinop já tem uma universidade federal: ela se chama UFMT. A ideia de multicampia, com gestão compartilhada e propositiva está, de fato, longe dos objetivos institucionais. Contudo, esse desmembramento vem para alimentar interesses de alguns poucos que encaminham essa pauta sem discussão e à revelia da comunidade acadêmica. Desmembrar para dar independência a uma instituição sucateada e com problemas crônicos de pessoal e infraestrutura não é um ato simples. Nós corremos sério risco de, por conta do alinhamento político, ver a instituição criada virar um colégio do agronegócio, dando apoio irrestrito a pautas e projetos desse setor”, afirmou o professor Juliano dos Santos, coordenador-geral da subseção da Adufmat-Ssind em Sinop.
Para a professora Gerdine Sanson, também lotada na UFMT Sinop e diretora do sindicato, é preciso amadurecer a ideia, especialmente sobre como a nova universidade seria mantida. “A gente não sai de um lugar neutro. Estamos num momento muito desfavorável da relação entre Cuiabá e Sinop, pois, durante muito tempo, tivemos problemas administrativos, a questão do PAC [o campus perdeu recursos do Programa de Aceleração do Crescimento], até mesmo de desarticulação dos movimentos estudantis. Assim, foi construída uma animosidade, de forma deliberada, para cavar essa situação. Toda a movimentação é da parte política de Sinop, usando a separação do campus como algo positivo. Mas a gente sabe que não basta criar uma universidade; ela precisa ser mantida, e esse debate já deveria estar sendo feito há muitos anos no campus. Depois que se cria uma universidade, ela pode ser deixada, porque, politicamente, manter a qualidade de uma universidade não dá tanta visibilidade quanto criar uma nova. Esse é o nosso cotidiano, basta observar o caso de Cuiabá, todo o esforço que está sendo feito para reconstruir o campus de Cuiabá. É o que vai acontecer em Sinop numa escala muito pior, porque o campus já está sucateado antes mesmo de se tornar uma universidade autônoma. Vai nascer uma universidade sucateada. Ela vai viver ao sabor das emendas? Porque o orçamento nunca vai ser suficiente para tapar os buracos que já existem”, afirma a docente.
Para parte importante da comunidade acadêmica de Sinop, está evidente que a movimentação é apenas uma disputa por visibilidade política, já que o debate interno nunca foi realizado. O desmembramento do campus da UFMT de Rondonópolis, por exemplo, foi uma solicitação elaborada pela própria comunidade acadêmica e demorou 10 anos para ser uma realidade. Bem diferente disso, os servidores e estudantes dos campi de Sinop e Araguaia foram surpreendidos pela existência de mais de um projeto nesse sentido em 2024. “Nós tivemos uma única reunião há cerca de duas semanas aqui em Sinop, e mais nada. Não há amadurecimento interior nenhum, nós estamos longe disso. Essa universidade não vai nascer de uma construção interna, não reflete a vontade da comunidade acadêmica de Sinop, não tem movimento estudantil, a categoria docente não tem acúmulo. Eu mesma pedi ao pró-reitor que a convocação para a reunião para avaliar os projetos de lei fosse intitulada ‘emancipação ou multicampia’, e ele me respondeu que não poderia usar a palavra multicampia. Isso é neutralidade? Não é. Eles queriam fazer uma única reunião para dizer que a comunidade estava se posicionando a favor da emancipação. Algumas pessoas chegaram a sugerir que fizéssemos uma votação nesse sentido, o que conseguimos evitar, mas mesmo durante a reunião não se podia usar a palavra multicampia, porque para eles não é uma alternativa. Para quem quer a emancipação, já não existe mais a opção da multicampia”, contesta Sanson.
Devido a essas iniciativas, o próprio Andes – Sindicato Nacional sentiu a necessidade de formar um Grupo de Trabalho “Multicampia e Fronteira”, que teve início, em Mato Grosso, em 2024, reunindo docentes de todos os campi. O professor Edson Spenthof é um dos representantes do Araguaia no GT, e manifesta preocupações no mesmo sentido.
“Sobre Sinop, temos uma novidade: a ideia da relatora em transformar o PL do Fávaro em Indicação ao Executivo, o que coloca a iniciativa nos termos corretos, pois nos parece que isso é mesmo matéria do Executivo. Contudo, membros do GT já levantaram o medo de que, nas mãos do Executivo, isso possa virar moeda de troca diante de um Congresso sequestrado pelo que o jornalista Octávio Guedes chamou de Parlamentarismo de Emendas, ao que se pode acrescentar a expressão Congresso conservador e chantagista. E vamos lembrar da tese central até aqui defendida pelo nosso GT, de que sem garantias de recursos, sem que estejam resolvidos diversos gargalos e sem um projeto claro de universidade, ou para cada campus, é temerário aprovar o desmembramento. Ao campus do Araguaia valem os mesmos medos. Em Barra do Garças e região, o poder econômico, representado pelas lideranças políticas, também está ansioso por instrumentalizar a UFMT para os seus interesses. E isso gera o mesmo medo que muitos colegas de Sinop estão enfrentando. Contudo, até agora, o Conselho de campus (Consua) mantém certa cautela, cedendo menos a essas pressões pelo que chamam de ‘emancipação’, e que, de emancipação pode não ter nada”, conclui Spenthof.
A Adufmat-Ssind também foi surpreendida pela notícia da apreciação do projeto pela Comissão de Educação do Senado. No entanto, já havia solicitado reunião com a Reitoria para tratar sobre o tema, agendada para a tarde desta quarta-feira, 17/09.
“É importante que a Reitoria tenha uma posição política em relação à questão da multicampia, que não delegue apenas para decisão de cada uma das unidades ou cada um dos campi da UFMT, como se a decisão não fosse uma questão de interesse de toda a comunidade acadêmica, em todo o estado de Mato Grosso. Então, dado que é uma questão de interesse de toda a UFMT em todo o estado de Mato Grosso, isso tem que ser pauta do conjunto da comunidade e não apenas dos campi que se pretende desmembrar. Nós esperamos que nesta reunião com a reitora, na quarta-feira, nós tenhamos uma indicação de qual é a posição política que a Reitoria vai assumir diante de um possível desmembramento, que não passa pelo debate democrático junto à comunidade e pelo interesse expresso, genuíno, da comunidade”, disse o diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Assembleia geral encaminha ações para Ato Nacional contra a Reforma Administrativa, posição sobre calendário acadêmico e outras demandas
Nesta quinta-feira, 04/09, docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), organizados pela Associação dos Docentes (Adufmat-Ssind), se reuniram em assembleia geral para debater, conforme convocação, os seguintes pontos de pauta: informes; análise de conjuntura; jornada contra a Reforma Administrativa; regras para representação no CONSEPE (23108.014306/2024-26); e proposta de revisão do calendário acadêmico 2025/2 (SEI 23108.073905/2025-62).
A Diretoria do sindicato abriu os informes falando sobre a instituição do GT Insalubridade e sobre a extensão do prazo para recursos àqueles servidores que se sentiram prejudicados pela avaliação anterior. A gestão também falou da abertura da urna da Adufmat-Ssind no Plebiscito Popular (o QRcode será disponibilizado pelos canais oficiais em breve). O diretor-geral, Breno Santos, fez, ainda, o convite para o Grito dos Excluídos, que será realizado no domingo, 07 de setembro, na Praça Cultural do Jd. Vitória a partir das 7h30, com o tema “Cuidar da Casa Comum e da Democracia é luta de todo dia”.
O professor Juliano dos Santos, representante da subseção da Adufmat-Ssind em Sinop, fez o repasse de uma reunião ampliada sobre os projetos legislativos que pretendem emancipar o campus da UFMT. Ele destacou algumas das posições assumidas por queles que apoiam e pelos que ponderam a separação como uma forma de resolver os problemas dos campi.
Análise de conjuntura
O professor Breno Santos iniciou o debate sobre conjuntura, citando, entre outros elementos, o julgamento que está em curso, daqueles que tentaram realizar um golpe de Estado para manter Jair Bolsonaro na Presidência. “A verdadeira contraofensiva da classe ainda será construída, mas o julgamento pode causar o enfraquecimento do bolsonarismo, o que pode contribuir para a construção da luta”, afirmou.
Para o docente, a maior centralidade da luta da categoria, neste momento, deve ser para barrar - mais uma vez - a proposta de Reforma Administrativa que será apresentada pelo mesmo Congresso Nacional que tenta fazer pressão pela anistia dos golpistas. Em âmbito internacional, Santos avaliou que também é muito necessária a intensificação da luta em defesa da Palestina Livre, já que as reivindicações em defesa de direitos se relacionam.
O professor Melison Neves destacou que é preciso atentar para o fato de o julgamento da tentativa de golpe estar movimentando uma reorganização dos partidos políticos, inclusive na tentativa de viabilizar a candidatura de Bolsonaro em 2026. Para o docente, a categoria deve se manter em luta contra a anistia e pela prisão dos golpistas.
Para o professor José Domingues de Godoi Filho, o golpe ainda não acabou, ele está em curso. “Foi assim em 1964; vários fatores foram tensionando até o dia do golpe”, afirmou. Em sua leitura, os movimentos sociais já deveriam estar ocupando as ruas com esta pauta.
As professoras Maria Luzinete Vanzeler e Maria Salete Ribeiro comentaram, respectivamente, sobre as relações espúrias entre o Estado brasileiro - que deveria trabalhar em prol do benefício público - com militares e empresas privadas.
Jornada de lutas contra a Reforma Administrativa
Conforme calendário aprovado nacionalmente pelas entidades que representam servidores públicos federais, ficou estabelecido que o mês de setembro será de mobilização contra a Reforma Administrativa. Estão definidos os dias 10 e 11/09 para mobilizações em Brasília e nos estados, e ainda será confirmada a realização de uma marcha na capital federal na última semana do mês.
A assembleia geral da Adufmat-Ssind realizada nesta quinta-feira entendeu que a categoria não terá pernas para paralisar o trabalho, mas que é importante participar da mobilização, junto ao Sintuf-MT, além de visitar as unidades acadêmicas com materiais de campanha, como panfletos, adesivos, além de fixar faixas e cartazes para informar a comunidade acadêmica e a população sobre os prejuízos da Reforma Administrativa nos moldes defendidos por esta configuração do Congresso Nacional, neoliberal e conservadora.
Também foi aprovado que o sindicato enviará representantes para a mobilização em Brasília. Os professores José Domingues de Godoi Filho e Maria Luzinete Vanzeler foram os indicados.

Proposta de revisão do calendário acadêmico 2025/2 (SEI 23108.073905/2025-62)
Este ponto de pauta diz respeito à proposta elaborada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) de Cuiabá para revisão do calendário acadêmico da UFMT, estabelecido em 85 dias para este e para o próximo semestre letivo – tendo, como sempre, a justificativa de regularizar o calendário da universidade com o escolar. De acordo com os estudantes, o apertamento do calendário (que já chegou a ser de 120 dias) está prejudicando a formação e atingindo outros aspectos da vida dos discentes, pois o número de trabalhos, provas e outras atividades foi concentrado em muito pouco tempo.
A proposta do Movimento Estudantil é de que, no próximo semestre, o calendário tenha 100 dias. Após debate, feito com a participação dos estudantes, os presentes aprovaram que o sindicato deve apoiar a proposta de revisão no Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe), com o aumento de dias letivos no próximo semestre, respeitando as férias no mês de julho para que não haja prejuízo aos cursos de licenciatura.
Regras para representação no CONSEPE (23108.014306/2024-26)
Este ponto de pauta também foi motivado por uma proposta protocolada no Consepe, no sentido de que os critérios para escolha de representação de institutos e faculdades precisam ser diferentes dos estabelecidos para indicação de representação de categorias (conforme nível e classe).
Isso porque, neste momento, apenas docentes podem representar e indicar, por meio de voto, os representantes de institutos e faculdades nos conselhos. A proposta questiona o voto exclusivo da categoria docente, já que o representante dos institutos e faculdades fala pela congregação, e as congregações são formadas também por estudantes e servidores técnicos-administrativos.
De imediato, os presentes na assembleia concordaram com a procedência da proposta, mas ponderaram sobre a forma de contabilização dos votos, já que a paridade, que por vezes garante a representatividade das três categorias de forma mais ampla – como nas consultas informais - pode não ser capaz de garantir o mesmo dentro dos institutos e faculdades. Também foi dito que é legítimo que discentes e técnicos não apenas votem para indicar seus representantes, mas possam se candidatar e representar, igualmente, os institutos e faculdades nos conselhos.
A professora Lorenna Rezende chamou a atenção para as determinações da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que determinam o percentual da composição nos conselhos – 70% docentes, 15% discentes e 15% técnicos. O debate seguiu no sentido de que a categoria tem uma luta histórica pela democratização interna das universidades, sendo contrária a esse tipo de divisão, que reflete a lógica da escolha para Reitoria: lista tríplice formada por conselho e sem paridade.
Após o debate, ficou decidido que a Adufmat-Ssind vai se posicionar favorável às mudanças nos critérios para escolha de representantes de faculdades e institutos nos conselhos, apoiando, de imediato, o voto de discentes e técnicos-administrativos, e fortalecendo a luta pela derrubada da lista tríplice e outras determinações que não incentivem a igualdade entre as categorias dentro da universidade.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind












