Quinta, 13 Agosto 2026 10:52

 

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Quinta, 13 Agosto 2026 10:38

 

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Quinta, 13 Agosto 2026 10:27

 

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Quinta, 13 Agosto 2026 10:15

 

 

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Quinta, 13 Agosto 2026 10:13

 

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Quarta, 12 Agosto 2026 18:09

 

 

Nesta quarta-feira, 12/08, a Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind) realizou assembleia geral para debater, conforme convocação, informes gerais e o informe qualificado sobre o processo dos 28,86%, análise de conjuntura, a participação do sindicato na comissão do Orçamento 2027 e no XVIII Encontro da Regional Pantanal.


Informes


A diretoria do sindicato, representada pelo professor Breno Santos, iniciou os trabalhos destacando a agenda de atividades, que inclui um evento político-cultural sobre Cuba no dia 13/08, a partir das 19h (saiba mais aqui) e a participação em reuniões do Setor das Federais e do Conselho do Andes-SN Extraordinário (Conad). Entre os avisos de interesse direto da categoria, o docente informou que o abono permanência será tratado como ação coletiva pela Assessoria Jurídica – interessados devem procurar o sindicato - e que o auxílio-nutrição para aposentados, assim como as tratativas com a comissão da Unimed, seguem em andamento.


Informes qualificados sobre o processo dos 28,86%


O advogado Alexandre Pereira detalhou o histórico jurídico da ação, relembrando a determinação do ministro Francisco Falcão, no final de 2025 2025, para que o Tribunal se retratasse sobre o argumento de "compensação" utilizado pela UFMT.

 

O andamento do processo demonstrou que não será possível depositar expectativas na decisão da 2ª Turma do TRF1, que tende a manter a posição inicial contrária à categoria, como demonstrado em diálogos com os membros da turma, individualmente. Isso deslocará a estratégia da assessoria jurídica, conforme relatado na assembleia nesta quarta-feira, mas que por questões óbvias não serão divulgadas. O que o advogado relatou é que ainda haverá algum tempo de prazos e tramitações até que uma nova decisão possa voltar a animar os docentes.

   
Pereira explicou, ainda, que o que trava a execução do pagamento dos 28,86% durante todos esses anos é a atuação da Procuradoria Geral da União e a própria União, não a Reitoria, e destacou que o sindicato iniciará a coleta de assinaturas e outros documentos para as procurações individuais, uma nova exigência do Poder Judiciário.


Ao final deste ponto de pauta, a assembleia aprovou a realização de uma reunião específica com a Assessoria Jurídica da Adufmat-Ssind para tratar de casos com indícios de perseguição política, como o do professor Carlos Sanches, que teve o percentual retirado do salário imediatamente após o fim de seu mandato sindical, sem qualquer tipo de explicação.

 

Análise de Conjuntura


O debate de conjuntura teve início com a contextualização da luta de 30 anos pelos 28,86%, "uma batalha inglória contra o Judiciário", destacou o professor Breno Santos, desvelando as facetas dos ataques do Estado burguês contra os direitos sociais – e consequentemente as instituições públicas.

 
As análises criticaram a lógica de mercado que tem permeado a universidade, onde especialmente os novos docentes são orientados a focar a dependência de sua trajetória nos financiamentos individuais de projetos, muitas vezes deixando de ver o sindicato como um instrumento essencial de existência coletiva.

 

Sintoma disso é o esvaziamento dos espaços de debate político, como ocorre todas as vezes que o tema é os 28,86%: as pessoas ficam para o ponto de pauta econômico, mas se retiram quando o debate é político.  

 

A análise também abordou a proximidade de setores do agronegócio com campanhas eleitorais e a necessidade de o sindicato politizar o debate em espaços como rádios comunitárias, eventos nas periferias e mais eventos dentro da universidade.

 

Comissão do Orçamento UFMT de 2027


Sobre o convite da Reitoria para participar da comissão de avaliação do orçamento da universidade, a categoria decidiu pela não participação formal. Os docentes avaliaram que a presença nesse espaço, cuja atuação é bastante limitada, poderia dar uma aparência de normalidade a um orçamento que é insuficiente.


A conclusão foi de que, apesar de reconhecer que o sindicato pode ocupar mais espaços institucionais na universidade, é preciso gastar energia fazendo luta pela recomposição do orçamento.

 
“Esse sindicato dedicou sua ferramenta mais poderosa, seu bem mais preciso, a essa pauta: a greve. Nosso movimento em 2024 teve a recomposição orçamentária como uma das principais reivindicações. Essa foi uma demonstração real de que o sindicato não se omite diante da questão orçamentária”, destacou o professor Aldi Nestor de Souza.

 

O diretor geral do sindicato, Breno Santos, destacou que O Andes-SN tem um Grupo de Trabalho permante que realiza a discussão orçamentária (GT Verbas e Fndações), e tem produzido materiais para debater a questão, como o Painel do Financiamento das Instituições de Ensino Superior (acesse aqui) e a Revista Universidade e Sociedade com tema “Panorama do Financiamento das IFE no Brasil” (leia aqui).

 

 

XVIII Encontro da Regional Pantanal

 

Por fim, foram aprovados os nomes para representar a Adufmat-Ssind no XVIII Encontro da Regional Pantanal do Andes-SN, que ocorrerá em Dourados (MS) nos dias 28 e 29/08. Além dos diretores Einstein Aguiar e Waldir Bertúlio, participarão, pela base do sindicato, os professores Gleyva Simões, José Domingues de Godoi Filho, Alexandra Valentim e Eliel Silva.

 

 

 

Luana Soutos Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

Quarta, 12 Agosto 2026 14:41

 

 

A diretoria do ANDES-SN convocou, através da circular 340/2026, o 16º Conad Extraordinário. Com o tema central “Fortalecer o ANDES-SN: questões organizativas, administrativas, políticas e financeiras em debate”, o evento acontecerá de 13 a 15 de novembro, na Universidade de Brasília (UnB). 

 


A realização do evento é uma deliberação do 44º Congresso do Sindicato Nacional, realizado em março deste ano em Salvador (BA). A resolução aprovada prevê que temas e propostas de resolução sobre questões financeiras, administrativas e organizativas, que apontem possíveis mudanças estruturantes, sejam debatidos em seminário preparatório e reapresentados no Conad Extraordinário sobre questões organizativas, políticas, administrativas e financeiras do ANDES-SN. 


Caderno de textos


As contribuições que irão compor o caderno de textos do 16º Conad Extraordinário deverão ser encaminhadas até às 23h59 do dia 20 de setembro de 2026, para o e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.">'+addy_text96849+'<\/a>'; //--> . Os textos de apoio e de resolução devem ser oriundos de assembleia de base, da diretoria do ANDES-SN, diretorias das seções sindicais ou assinados por pelo menos cinco sindicalizadaos e sindicalizadas, sendo que não serão aceitos textos de apoio sem texto-resolução, exceto sobre conjuntura. Conforme resolução do 42º Congresso, não haverá Anexo ao Caderno de Textos. 


Credenciamento


Cada seção sindical pode eleger um delegado, delegada ou delegade para representar a seção com direito a voto. As delegadas, os delegados e delegades do Conad só podem ser eleitos por meio de decisão de assembleia da seção sindical. Conforme o Estatuto do ANDES-SN, é vedado o voto por procuração, o voto não presencial ou o voto plebiscitário nas instâncias de deliberação do ANDES-SN e de suas Seções sindicais. As assembleias das seções sindicais também podem indicar observadores e observadoras, que terão direito à voz.


O credenciamento é prévio e digital e poderá ser realizado de 11 de agosto a 9 de outubro, exclusivamente por meio de formulário online (clique aqui). 


Mais informações sobre orientações para a apresentação de contribuições ao Caderno de Textos, documentação necessária para credenciamento, entre outras, podem ser encontradas na Circular 340/2026. Acesse aqui.

Fonte: Andes-SN 

Quarta, 12 Agosto 2026 13:30

 

 

Fórum de Mulheres Negras de Mato Grosso emitiu uma nota de repúdio exigindo a revisão da decisão

 

Mais uma vez, os interesses de famílias que se apropriam do espaço púbico para impor seus interesses pessoais em detrimento do que realmente importa para a população mostra seus prejuízos: o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini, junto com a esposa Samantha Iris (PL), vereadora e presidente da Câmara Municipal, aprovaram nesta terça-feira, 11/08, uma lei que proíbe a distribuição da Caderneta Brasileira da Gestante (disponível aqui) na capital mato-grossense.

 

A ferramenta, de caráter informativo, existe no Brasil desde a década de 1980, mas passou a ser denominada Caderneta há cerca de 10 anos. É um importante instrumento de orientação que vai sendo atualizado periodicamente com questões sobre o acompanhamento da gestação, desde o parto até o pós-parto, pois reúne informações essenciais sobre pré-natal, vacinação, saúde mental, direitos das gestantes e cuidados com o bebê.

 

Mas o motivo da proibição articulada pela família Brunini, como tem sido de costume, é a sobreposição das opiniões e das crenças pessoais aos interesses reais da população. Os Brunini discordam que a população seja instruída sobre dois temas que, independentemente de sua vontade pessoal, estão mais do que presentes no cotidiano dos cuiabanos: aborto e gestação de homens trans (que, naturalmente, possuem órgãos que viabilizam a gravidez).

 

Por isso, entidades de trabalhadoras organizadas, como o Fórum de Mulheres Negras de Mato Grosso, já começaram a questionar a decisão, a partir de uma nota de repúdio exigindo sua revisão imediata, a garantia do acesso à informação para a pessoa gestante e respeito às políticas nacionais de atenção à Saúde (leia a íntegra da nota abaixo).


Mais dados, menos opinião

 

A prática de aborto existe e é uma questão de saúde pública. Ela está entre as principais causas de mortalidade de mulheres, justamente porque pessoas como os Brunini atrapalham o processo de desenvolvimento de políticas que possam, de fato, mudar este cenário. O Ministério da Saúde estima que mais de um milhão de abortos são induzidos anualmente no país e que uma em cada sete mulheres de até 40 anos já tenha interrompido ao menos uma gestação na vida. Mas a resistência para lidar com o tema da forma adequada prejudica, até mesmo e primeiramente, a coleta de informações mais precisas, já que a ilegalidade do aborto não impede as pessoas de realizarem, mas assusta na hora de pedir ajuda. Por isso, essas informações, que mesmo estimadas já são preocupantes, certamente estão subestimadas, e a questão deve envolver um número ainda maior de pessoas.     

 

Com relação a gestação de homens trans, não há o que discutir. Pessoas trans existem, sempre existiram e continuarão a existir em Cuiabá e em todos os lugares do mundo. Dentre as diversas formas de ter filhos que conhecemos hoje, gestar é uma delas, e assim, qualquer pessoa que tenha condições físicas de gestar, poderá fazê-lo.

 

Vale lembrar que discriminar pessoas por raça, cor, preferências religiosas ou culturais, orientação sexual, gênero ou classe social é inconstitucional – ou seja, ilegal -, assim como o Estado brasileiro é laico – isto é, não pode ser orientado por preferência religiosa nenhuma - e o SUS é universal – tem o dever atender, sem discriminar, toda e qualquer pessoa em território nacional. Assim, se homens trans quiserem gestar, devem receber o acolhimento e atendimento como qualquer pessoa que gesta, não há o que questionar.       

 

A prática recorrente de gestores públicos de ignorar o contexto real da população, incentivar a discriminação, bem como a tentativa impor a vontade pessoal, ainda mais baseada em preferência religiosa, deve ser observada de forma crítica pela população. Até mesmo porque não é por acaso que qualquer conduta ilegal de gestor é passível de responsabilização civil e até criminal. Da mesma forma que a sociedade é prejudicada por desfalques nos cofres públicos, o que sempre gera muita revolta, as imposições de políticas públicas conservadoras, moralistas, também têm impacto prejudicial. Neste caso também há vidas correndo riscos reais.

 

Numa sociedade de direitos, existem as esferas pública e privada. Na esfera pública, o que interessa é o fato e não a opinião. E o fato é que o Poder Público precisa encarar a questão do aborto de frente, com a seriedade e responsabilidade que ela merece, assim como deve respeitar a existência das pessoas como elas são.

 

 

 

 

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

 

 

 

 

    

Quarta, 12 Agosto 2026 11:32

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 

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Por Danilo de Souza*
 

A história energética do século XX foi marcada por sucessivas transformações. O carvão sustentou a industrialização e a expansão das ferrovias; o petróleo ganhou protagonismo com a difusão do automóvel, da aviação e dos motores de combustão interna; e a eletrificação ampliou o aproveitamento da energia hidrelétrica e dos combustíveis fósseis. Após a Segunda Guerra Mundial, a energia nuclear acrescentou uma nova dimensão a essa trajetória. O programa Atoms for Peace, anunciado pelos Estados Unidos em 1953, impulsionou as aplicações civis da tecnologia atômica. A usina de Obninsk, na então União Soviética, entrou em operação em 1954 e, posteriormente, Reino Unido, Estados Unidos, França, Canadá e Japão desenvolveram programas nacionais. A energia nuclear passou a simbolizar modernização industrial, soberania tecnológica e segurança de suprimento, sobretudo após os choques do petróleo (IAEA, 2009).

Essa trajetória, contudo, não foi linear. Os acidentes de Three Mile Island, em 1979, Chernobyl, em 1986, e Fukushima Daiichi, em 2011, ampliaram as preocupações com a segurança, os resíduos radioativos e a capacidade institucional. O IPCC reconhece que esses eventos reduziram o apoio público à energia nuclear, embora seus efeitos tenham variado conforme a experiência nacional, a confiança nos reguladores e a percepção dos riscos. Não houve, portanto, abandono mundial uniforme: parte da Europa e da América do Norte desacelerou os investimentos ou adotou políticas de saída, enquanto países asiáticos continuaram a expandir seus programas (IPCC, 2022; IAEA, 2009).

Fukushima representou a ruptura mais profunda desse período recente. O Japão suspendeu todos os seus reatores e passou a depender mais de combustíveis fósseis importados. Em outras economias do Atlântico Norte principalmente, grandes projetos nucleares enfrentaram atrasos, custos crescentes e dificuldades de financiamento. Paralelamente, a liderança construtiva deslocou-se para a China e a Rússia: entre os 52 reatores cuja construção começou em 2017, 48 utilizavam projetos de ambos os países. A retração ocidental não significou, neste caso, um declínio energético; significou a redistribuição geográfica das capacidades industriais (IEA, 2025).

A crise energética iniciada em 2022 tornou essa transformação mais visível. O conflito da Ucrânia e as interrupções no comércio de energia expuseram a vulnerabilidade europeia ao gás importado e recolocaram a segurança de suprimento no centro das decisões. No Japão, a dependência de combustíveis importados reforçou o interesse no retorno gradual dos reatores, aprovados conforme os novos requisitos de segurança. Em diferentes países, a discussão passou a considerar, além do custo da eletricidade, a diversidade da matriz, a disponibilidade contínua, a estabilidade de preços e a resiliência a choques externos (IEA, 2022).

Essa mudança tem sido construída sobretudo no cenário europeu, no sentido de que não há contradição entre a ampliação do parque de energia nuclear e as “renováveis” de baixo carbono”. O IPCC projeta participação crescente da energia solar e eólica, mas ressalta que sistemas com elevada presença de fontes variáveis precisam combinar redes ampliadas, armazenamento, gerenciamento da demanda, integração regional e geração firme ou despachável. A eletrificação dos transportes, edifícios, centros de dados e de partes da indústria aumenta simultaneamente o consumo e a importância da confiabilidade. Nesse contexto, a energia nuclear pode complementar as renováveis ao fornecer eletricidade e calor de baixo carbono de forma contínua, além de contribuir para a adequação de capacidade e a estabilidade do sistema (IPCC, 2022; IEA, 2022).

É nesse sentido que a IEA identifica sinais de uma nova era nuclear. Seu relatório de 2025 registrou quase 420 reatores em operação, responsáveis por pouco menos de 10% da eletricidade mundial e pela segunda maior parcela de geração de baixa emissão, depois da hidrelétrica. Havia ainda 63 reatores em construção, totalizando mais de 70 GW, enquanto mais de 40 países planejavam novos projetos ou avaliavam essa possibilidade. Como mostra a Figura, entre 2020 e 2023, os investimentos anuais em novos reatores e em extensões da vida útil das instalações existentes cresceram em quase 50%, atingindo aproximadamente USD 65 bilhões. Os valores são expressos em dólares constantes de 2023 e foram convertidos para a moeda norte-americana com base nas taxas de câmbio de mercado. Segundo a IEA, eventuais sobrecustos responderam por apenas uma parcela marginal desse aumento, impulsionado principalmente pela implantação de nova capacidade nuclear. Apesar dessa retomada, o movimento permanece geograficamente desigual e concentra-se cada vez mais na Ásia (IEA, 2025).


 
Figura 1 - Investimento global em energia nuclear por tipo, 2000–2023. Fonte: IEA (2025).

 

Na Europa, a inflexão tornou-se visível nos âmbitos regulatório e industrial. Em 2022, o Ato Delegado Complementar da Taxonomia da União Europeia classificou determinadas atividades nucleares como de transição, sujeitas a critérios rigorosos de segurança, de gestão de resíduos, de financiamento do descomissionamento e de prazos de autorização. A decisão não tornou toda a atividade nuclear automaticamente “sustentável”, mas abriu espaço para seu financiamento no contexto da transição climática. Em 2023, a audaciosa proposta do Net-Zero Industry Act incluiu reatores nucleares modulares pequenos e tecnologias nucleares avançadas entre as tecnologias de impacto zero; o regulamento entrou em vigor em 2024. Nesse mesmo ano, foi criada a European Industrial Alliance on Small Modular Reactors, voltada à preparação de projetos para a década de 2030 (European Commission, 2022, 2023; IEA, 2025).

O movimento também ocorre fora da Europa. Até 2024, o Japão havia religado 14 dos 54 reatores comerciais desligados em 2011, sob requisitos adicionais de segurança contra terremotos, tsunamis, perda de resfriamento e outros riscos. Os Estados Unidos ampliaram o apoio às extensões de vida útil e aos reatores avançados; a Coreia do Sul preservou um papel relevante para a energia nuclear. A China colocou em operação comercial, em 2023, o reator de alta temperatura HTR-PM e mantém a maior carteira mundial de novas construções. Índia, Turquia e Emirados Árabes Unidos também incorporaram projetos nucleares às suas estratégias energéticas (IEA, 2025).

Os Small Modular Reactors ocupam posição central nessa expectativa de renovação. Com menor potência, fabricação modular e maior padronização, eles podem reduzir o investimento de cada projeto, permitir a implantação gradual e atender a redes menores e a instalações industriais. Alguns projetos também incorporam sistemas passivos de segurança e maior capacidade de monitoramento de carga. Alianças europeias, programas de demonstração nos Estados Unidos e iniciativas na China, no Reino Unido, na França, no Canadá e na Índia mostram que esse interesse já se materializou em políticas industriais e projetos concretos (IEA, 2022, 2025).


Entretanto, modularidade não garante eletricidade mais barata. O IPCC observa que o investimento total de um SMR pode ser menor, mas o custo por unidade de potência pode superar o de grandes reatores, sobretudo nos primeiros projetos. Os ganhos esperados dependem de fabricação em série, da padronização, da estabilidade regulatória, de fornecedores maduros e da aprendizagem entre unidades sucessivas. A própria IEA condiciona uma expansão acelerada à redução dos custos de construção, ao controle dos atrasos e à mobilização de financiamento. Os SMRs devem, portanto, ser apresentados como uma possibilidade promissora ainda sujeita à demonstração comercial, e não como solução de custo e prazo já comprovada (IPCC, 2022; IEA, 2025).


A dimensão geopolítica também exige equilíbrio. Tecnologias renováveis, redes, baterias, eletrônica de potência e motores de alto desempenho dependem de cadeias de minerais críticos frequentemente concentradas. A energia nuclear utiliza volumes relativamente menores de material por unidade de energia, mas sua cadeia também apresenta vulnerabilidades. Segundo a IEA, quatro países respondem por mais de três quartos da mineração de urânio, enquanto mais de 99% da capacidade de enriquecimento está concentrada em quatro fornecedores, com a Rússia representando cerca de 40%. A segurança nuclear requer, assim, diversificação da mineração, conversão, enriquecimento, fabricação de combustível e tecnologia de reatores, além de estoques e de cooperação internacional (IPCC, 2022; IEA, 2025).


Até 2040, não haverá uma combinação tecnológica única para todos os países. Recursos naturais, infraestrutura, capacidade financeira, aceitação pública e prioridades nacionais continuarão a definir trajetórias distintas. Entretanto, observa-se um entendimento crescente de que a energia nuclear poderá ampliar sua participação nas estratégias de descarbonização, especialmente nos países que focam em geração firme, contínua e de baixa emissão. Nesse contexto, ela não substitui as fontes de baixo carbono, mas pode atuar de forma complementar à eficiência energética, à eletrificação, às redes, ao armazenamento e à expansão da geração solar, eólica e hidráulica. Essa perspectiva não elimina os desafios relacionados à segurança, aos custos, aos resíduos radioativos e à governança, mas indica que a fonte nuclear voltou a ocupar um espaço relevante no planejamento dos sistemas elétricos de baixo carbono.


REFERÊNCIAS

[1] INTERNATIONAL ATOMIC ENERGY AGENCY. Status and Trends of Nuclear Technologies: Report of the International Project on Innovative Nuclear Reactors and Fuel Cycles (INPRO). IAEA-TECDOC-1622. Vienna: IAEA, 2009.

[2] CLARKE, L. et al. Energy Systems. In: IPCC. Climate Change 2022: Mitigation of Climate Change. Contribution of Working Group III to the Sixth Assessment Report of the Intergovernmental Panel on Climate Change. Cambridge: Cambridge University Press, 2022. Chapter 6, p. 613–746. DOI: 10.1017/9781009157926.008.
[3] INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. The Path to a New Era for Nuclear Energy. Paris: IEA, 2025.
[4] INTERNATIONAL ENERGY AGENCY. Nuclear Power and Secure Energy Transitions: From Today’s Challenges to Tomorrow’s Clean Energy Systems. Paris: IEA, 2022.
[5] EUROPEAN COMMISSION. EU Taxonomy: Complementary Climate Delegated Act on Certain Nuclear and Gas Activities: Accelerating Sustainable Investments. Brussels: European Commission, 2022.
[6] COMISSÃO EUROPEIA. Proposta de Regulamento do Parlamento Europeu e do Conselho que estabelece um quadro de medidas para reforçar o ecossistema europeu de fabrico de produtos com tecnologia de impacto zero (Regulamento Indústria de Impacto Zero). COM(2023) 161 final. Bruxelas, 16 mar. 2023.


 OBS: Coluna publicada mensalmente na revista - "O Setor Elétrico".


*Danilo de Souza é professor na FAET/UFMT, pesquisador no NIEPE/FE/UFMT e no Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP).

Sexta, 07 Agosto 2026 14:48



A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes de Sinop e Araguaia:

 

Data: 12 de agosto de 2026 (quarta-feira)

Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.

 

Pauta:


1. Informes;
2. Informes qualificados sobre o processo dos 28,86%;
3. Análise de Conjuntura; 
4. Comissão do Orçamento UFMT de 2027;
5. XVIII Encontro da Regional Pantanal.



A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes dos campi de Sinop e Araguaia.

 

 

Cuiabá, 07 de agosto de 2026

Gestão Adufmat é pra lutar!