Na manhã da última quarta-feira (8), o ANDES-SN se reuniu com o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), José Geraldo Ticianeli, também reitor da Universidade Federal de Roraima (UFRR), para tratar de temas urgentes relacionados à defesa da educação pública.
Fotos: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN
O encontro contou com a presença de Cláudio Mendonça, presidente do Sindicato Nacional, e de Sérgio Barroso, 1º tesoureiro, e teve como objetivo fortalecer o diálogo e articular ações conjuntas entre entidades.
Na pauta, temas como a perseguição política de setores da extrema direita contra docentes e comunidade acadêmica, o orçamento de 2026 para as Instituições Federais de Ensino Superior, as comissões de heteroidentificação e a Lei das Cotas Raciais em concursos públicos (Lei nº 12.990/2014).
Segundo Cláudio Mendonça, o encontro foi fundamental para reafirmar o compromisso com a defesa das universidades públicas diante do crescimento das ameaças e da violência contra docentes. “Abordamos o aumento dos casos de violência contra a comunidade acadêmica, o que exige uma posição mais firme em defesa da educação pública. Informamos que nosso sindicato tem acompanhado de perto inúmeros casos, mas destacamos que é necessário que as administrações superiores adotem ações mais enérgicas para resguardar toda a comunidade acadêmica, que vem sendo atacada — de dentro e de fora — por setores neofascistas. Manifestamos ainda nossa preocupação com o fato de que, em 2026, tais ações violentas tendem a se intensificar”, afirmou.
O presidente da Andifes, por sua vez, reconheceu o esforço do ANDES-SN e informou que tem dialogado com a Advocacia-Geral da União (AGU) sobre o tema, sinalizando uma abertura para uma ação conjunta entre as entidades.
Comissões de heteroidentificação e Cotas
Durante a reunião, os diretores do Sindicato Nacional também apresentaram suas preocupações sobre a composição das comissões de heteroidentificação. Mendonça reiterou que as administrações superiores devem garantir a efetividade da Lei nº 12.711/2012, alterada pela Lei nº 14.734/2023, assegurando a diversidade das bancas.
Em relação à Lei das Cotas Raciais em concursos públicos, o presidente do ANDES-SN destacou que o sindicato atua como amicus curiae na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1245/2025, que questiona a adoção de sorteio para aplicação de cotas raciais em concursos públicos e processos seletivos da União, de universidades e de outros órgãos e entidades da administração pública federal.
Para o ANDES-SN, o sorteio trata-se de um mecanismo de fraude que busca "limitar artificialmente" o alcance das ações afirmativas. “É evidente o crescente descumprimento da Lei de Cotas, o que representa um retrocesso frente ao papel do Estado brasileiro em enfrentar, de forma objetiva, a realidade de um país majoritariamente negro, onde apenas 20% dos docentes se autodeclaram negros/as”, afirmou.

Orçamento
Outro ponto abordado no encontro foi o orçamento das universidades para 2026, que, segundo o presidente do Sindicato Nacional, evidencia uma década de desfinanciamento da educação pública. “O orçamento previsto é 53% menor que o de 2014. Isso, somado ao avanço de políticas de ajuste fiscal, tende a agravar ainda mais o quadro de precarização e adoecimento docente. É preciso que o ANDES-SN e a Andifes, em articulação com outros aliados, pressionem juntos por mais recursos para as IFE”, destacou Mendonça.
A Andifes informou que negocia um aumento no orçamento — de R$ 6 bilhões para R$ 8 bilhões — e reforçou a importância de mobilização junto ao Congresso Nacional para evitar cortes adicionais.
De acordo com Cláudio Mendonça, a reunião foi essencial para debater, articular e enfrentar os desafios que atingem as instituições federais de ensino superior. “Houve uma demonstração clara da disposição da Andifes em construir, por meio de um diálogo fraterno e franco com o ANDES-SN, agendas que contribuam para o enfrentamento dos desafios que assolam nossas instituições. Fomos informados de que há um esforço contínuo da entidade pela extinção da lista tríplice, o que consideramos um avanço na democratização das universidades”, avaliou.
Fonte: Andes-SN
*Atualizada às 16h59 para atualização do valor do ingresso de acompanhante.
**Atualizada às 09h19 do dia 13/10 para inclusão de regras de compra.
***Atualizada às 15h56 do dia para incluir política de distribuição de convites para crianças de até 12 anos.
Chegou o mês de outubro e, com ele, o esperado Baile dos Professores da Adufmat-Ssind.
A festa deste ano será no dia 24/10 (sexta-feira), a partir das 21h, no Hotel Fazenda Mato Grosso.
Os convites começarão a ser entregues a partir da próxima terça-feira, 14/10, na sede provisória do sindicato (Rua 32, número 08, sala 02, Boa Esperança - ao lado da Alaska Sorveteria. Horário: das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30).
Vale lembrar que, conforme os anos anteriores, os convites são limitados, nominais e instransferíveis, e cada docente sindicalizado terá direito a um convite gratuito, sendo permitida a compra de outros convites pelo valor de R$ 100,00.
Convites para crianças de até 12 anos também serão gratuitos.
Para garantir que o maior número possível de sindicalizados participe, até o dia 21/10, cada associado, no ato da retirada, poderá comprar apenas um convite de acompanhante. Após o dia 21/10, a quantidade de compra de convites será ilimitada.
A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na subsede de Sinop, mas também na sede, em Cuiabá, e na subsede do Araguaia:
Data: 16 de outubro de 2025 (quinta-feira)
Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.
Pauta:
1. Informes;
2. Informes qualificados sobre os 28,86%;
3. Análise de conjuntura e mobilização contra a Reforma Administrativa;
4. Política de multicampia na UFMT.
A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da subsede da Adufmat-Ssind em Sinop e nos campi de Cuiabá e Araguaia.
Cuiabá, 10 de outubro de 2025
Gestão Adufmat é pra lutar!
Conforme edital de seleção publicado em 18/09 e retificado em 08/10, a Adufmat-Ssind divulga os currículos aprovados e os horários de cada candidato(a) para a etapa de entrevista presencial (dia 15/10 a partir das 14h).
Por decisão da comissão avaliadora, a disposição dos nomes e horários das entrevistas foi feita por ordem alfabética:
Catarina Lana Marques Pereira - entrevista às 14h
Graziela Maria Godwin Egbuna - entrevista às 14h40
Louane dos Santos Oliveira - entrevista às 15h20
Rafael Lisboa Costa - entrevista às 16h
As entrevistas serão realizadas no dia 15/10, no endereço provisório da Adufmat-Ssind: Valentina's Office Center, Rua 32 n° 08, sala 02, Bairo Boa Esperança - ao lado da Alaska Sorveteria (clique aqui para ver a localização).
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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JUACY DA SILVA*
A “eleição”, enfim, a escolha do Cardeal Robert Prevost, norte-americano de nascimento e peruano por naturalização, para suceder o Papa Francisco, que não era bem aceito, “engolido” pelos conservadores católicos, foi, sem dúvida, uma surpresa diante das apostas que todos os “vaticanistas” e a mídia católica ou secular do mundo inteiro faziam.
Tão logo eleito, a primeira surpresa foi a escolha do nome do novo Papa, Leão XIV, demonstrando de forma clara o seu desejo de dar continuidade ao magistério de Leão XIII, o Papa que “revolucionou” a Igreja ao colocar no centro do magistério a questão das injustiças que eram cometidas contra os trabalhadores no final do século XIX, com a publicação da Encíclica Rerum Novarum, em 15 de maio de 1891, colocando a Igreja entre as duas grandes correntes de pensamento, de ideologias e de organização dos sistemas produtivos e de relações de trabalho: de um lado o capitalismo e, de outro, o marxismo.
Ao publicar a Rerum Novarum, Leão XIII estabelecia as bases para o magistério social da Igreja, o que, desde então, passou a ser a DSI – Doutrina Social da Igreja, que vem sendo aperfeiçoada até os dias de hoje, como, por exemplo, quando o Papa Francisco inseriu a Laudato Si’ no contexto da DSI.
Assim, há mais de 130 anos a Igreja vem “navegando” entre o capitalismo desumano que se iniciava e, em boa parte, ainda permanece até hoje, e o marxismo/comunismo, ideologia que se fortalecia na Europa até sua chegada ao poder pela Revolução Bolchevique, na Rússia, em 25 de outubro de 1917.
Desde então até a atualidade, a Igreja Católica, sob a liderança de diferentes Papas, alguns mais conservadores e outros mais “liberais” ou quase revolucionários, tem “transitado” neste caminho do meio, o que, em termos políticos, tem sido considerado a “terceira via”, bem complicada de equilibrar-se sem sofrer ataques de ambos os lados.
Cada Papa, por diferentes razões, procura deixar sua marca, seu legado ou suas “pegadas” na história milenar da Igreja Católica, sempre atentos aos desafios tanto teológicos, filosóficos, éticos e morais quanto premidos pela dureza da realidade econômica, social, política e ideológica do mundo, onde a Igreja está inserida e precisa sempre ser “o sal da terra e a luz do mundo”, conforme os Evangelhos e a mensagem do Cristo Ressuscitado.
O Papa Francisco marcou seu magistério por ter abraçado a causa da ecologia integral, a misericórdia, a amizade social, a defesa intransigente dos pobres e a necessidade de a Igreja ter uma nova cara, através da sinodalidade, do profetismo e da caridade, voltada para praticar de fato a opção que a mesma fez, principalmente pelas reformas aprovadas pelo Concílio Vaticano II, que, diga-se de passagem, jamais foram engolidas pelos setores conservadores da Igreja, incluindo um dos subprodutos do mesmo, que foi a Teologia da Libertação e a ênfase na “opção preferencial pelos pobres”.
Assim, a escolha/eleição de Leão XIV, em um certo momento, animou os setores conservadores, que expressaram a esperança de que o mesmo iria “abolir” ou deixar de lado as linhas mestras do magistério de Francisco, considerado muito liberal, esquerdista ou até quase comunista, segundo alguns setores extremamente conservadores da Igreja que, volta e meia, flertam com o pensamento e as ações da extrema-direita política e ideológica.
Mas isso não aconteceu. Leão XIV tem demonstrado seu grande apreço pela figura, pelo legado e pelo magistério do Papa Francisco, tanto em relação às questões da ecologia integral, quanto no que concerne à figura dos pobres e excluídos, e também o compromisso de conduzir a Igreja pelos caminhos da sinodalidade, de uma Igreja pobre, sem opulência, ao lado dos pobres; e também uma Igreja profética, que não comunga com a violência, com as guerras, com formas de discriminação e racismo.
Logo ao ser escolhido Papa, Leão XIV começou a “dar” pistas de como será o seu magistério, como, por exemplo, em diversas homilias, em pronunciamentos públicos ao receber diferentes pessoas, inclusive chefes de Estado e pessoas simples, ou gente da própria Igreja, pertencentes à hierarquia eclesiástica e também leigos e leigas, engajados ativamente em pastorais, organismos e movimentos da Igreja.
Em matéria publicada pela Agência Ecclesia em 18 de maio de 2025, poucos dias após a eleição do novo Papa, a mesma assim afirmava: “O Papa Leão XIV disse hoje desejar uma Igreja ‘unida’ para responder aos desafios colocados pelas desigualdades e os conflitos que marcam a humanidade.”
E aí transcreve as palavras de Leão XIV: “No nosso tempo, ainda vemos demasiada discórdia, demasiadas feridas causadas pelo ódio, pela violência, pelos preconceitos, pelo medo do diferente, por um paradigma econômico que explora os recursos da terra e marginaliza os mais pobres”, disse, na homilia da Missa que marca o início oficial do seu ministério petrino. E continua: “Nós queremos ser, dentro desta massa, um pequeno fermento de unidade, comunhão e fraternidade.”
Em diferentes momentos, Leão XIV tem deixado bem claro seu pensamento e suas exortações tanto aos católicos quanto aos demais cristãos, a todos os fiéis de outras religiões e também aos donos do poder (governantes), bem como aos empresários, de que devemos lutar por “uma paz desarmada”, por uma cultura da paz, pelo fim das guerras, dos conflitos armados, pelo respeito à ecologia integral e pela dignidade dos pobres, marginalizados e excluídos.
Apenas para clarear esta “linha” de argumentação, podemos nos referir, por exemplo, à sua carta aos Reitores de Universidades Católicas da América Latina sobre a importância do compromisso da Igreja e das instituições de ensino católicas com a defesa da ecologia integral.
Outro exemplo: no recente encontro ocorrido há poucos dias em Castel Gandolfo, em 1º deste mês de outubro de 2025, na celebração dos dez anos da publicação da Encíclica Laudato Si’, diante de representantes da Igreja e de autoridades públicas, incluindo o ex-governador da Califórnia e a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente e das Mudanças Climáticas do Brasil, denominado Elevando/Espalhando Esperança (em inglês Rising Hope), Leão XIV foi claro ao afirmar que “É preciso passar dos discursos ambientalistas a uma conversão ecológica”, enfatizando que esta conversão ecológica precisa ser não apenas individual, mas, fundamentalmente, seguindo o pensamento e palavras do Papa Francisco, “ser uma conversão comunitária/coletiva”, a começar dentro da própria Igreja, o que, infelizmente, ainda não tem acontecido, apesar dos dez anos da publicação da Laudato Si’.
Em seu discurso perante os participantes do evento, Leão XIV foi claro ao recordar a herança espiritual e pastoral deixada por Francisco e convidou todos a redescobrir a ecologia integral como caminho de unidade, paz e esperança.
E, no último dia 04 deste outubro de 2025, ou seja, há poucos dias, Leão XIV publicou sua primeira Exortação Apostólica “Dilexi Te” – Sobre o Amor para com os Pobres, aprofundando seu pensamento sobre este tema importante e transcendental para a vida e o magistério da Igreja.
Esta é uma Exortação razoavelmente longa, enfatizando os fundamentos bíblicos, dos santos e doutores da Igreja e também enfatizando as causas estruturais da pobreza e como a Igreja precisa estar ao lado dos pobres.
Em outra ocasião, pretendo refletir melhor e com maior profundidade sobre o sentido e o significado desta Exortação Apostólica de Leão XIV, principalmente para o agir pastoral da Igreja, com ênfase na dimensão sociotransformadora que a mesma nos estimula a refletir e a agir.
Transcrevo aqui um trecho da referida Exortação Apostólica, para aquilatarmos o que Leão XIV nos exorta, nos orienta e nos estimula a agirmos, como cristãos em geral e como católicos em particular:
“A condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e econômicos e, sobretudo, a Igreja. No rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o próprio sofrimento de Cristo. Ao mesmo tempo, deveríamos falar, e talvez de modo mais acertado, dos inúmeros rostos dos pobres e da pobreza, uma vez que se trata de um fenômeno multifacetado; na verdade, existem muitas formas de pobreza: a daqueles que não têm meios de subsistência material; a pobreza de quem é marginalizado socialmente e não possui instrumentos para dar voz à sua dignidade e capacidades; a pobreza moral e espiritual; a pobreza cultural; aquela de quem se encontra em condições de fraqueza ou fragilidade, seja pessoal, seja social; a pobreza de quem não tem direitos, nem lugar, nem liberdade”.
Ao aprofundar a reflexão sobre os pobres e a pobreza, Leão XIV foge das propostas e sugestões assistencialistas, paternalistas e manipuladoras, porquanto deixa clara a natureza estrutural da pobreza, demonstrando que tanto a pobreza quanto os pobres e suas formas de vida, longe da dignidade humana, têm causas, raízes nas estruturas sociais, políticas e econômicas e, assim, para combatermos a pobreza e a exclusão, a Igreja precisa estar, realmente, de fato, e não apenas por palavras, ao lado e com os pobres, promovendo e advogando ações sociotransformadoras profundas, pois este é ou deve ser o caminho que a Igreja deve trilhar.
Vejamos, nas palavras de Leão XIV, esta exortação a todos nós, aqui e agora:
“Devemos empenhar-nos cada vez mais em resolver as causas estruturais da pobreza. É uma urgência que ‘não pode esperar’; e não apenas por uma exigência pragmática de obter resultados e ordenar a sociedade, mas também para curá-la de uma mazela que a torna frágil e indigna e que só poderá levá-la a novas crises. Os planos de assistência, que acorrem a determinadas emergências, deveriam considerar-se apenas como respostas provisórias. A falta de equidade é a raiz dos males sociais. Com efeito, muitas vezes constata-se que, realmente, os direitos humanos não são iguais para todos”.
Para finalizar esta reflexão, não poderia deixar de transcrever o rumo que Leão XIV nos indica em termos de nossa religiosidade engajada, pavimentando o caminho, principalmente para as ações das pastorais sociais, dos movimentos e organismos da Igreja que propugnam por um agir profético e não apenas uma religiosidade intimista ou subjetiva.
Assim, enfatiza Leão XIV:
“Portanto, mesmo correndo o risco de parecer ‘estúpidos’, é tarefa de todos os membros do Povo de Deus fazer ouvir, ainda que de maneiras diferentes, uma voz que desperte, denuncie e se exponha. As estruturas de injustiça devem ser reconhecidas e destruídas com a força do bem, através da mudança de mentalidades e também, com a ajuda da ciência e da técnica, através do desenvolvimento de políticas eficazes na transformação da sociedade. É preciso recordar sempre que a proposta do Evangelho não é apenas a de uma relação individual e íntima com o Senhor. Ela é mais ampla: ‘é o Reino de Deus’ (cf. Lc 4,43); trata-se de amar a Deus, que reina no mundo. Na medida em que Ele conseguir reinar entre nós, a vida social será um espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos. Por isso, tanto o anúncio como a experiência cristã tendem a provocar consequências sociais. Procuremos o seu Reino”.
Fica bem claro, pois, nas palavras deste “novo” Papa, que a Igreja, além de sinodal, deve ser também uma Igreja em saída, rumo às periferias materiais e existenciais, onde estão os pobres e excluídos, que dialoga com o mundo, com as demais instituições nacionais e internacionais, com a academia, com as universidades – locus do desenvolvimento da ciência e da tecnologia –, com as demais religiões e movimentos que lutam por um mundo melhor, com justiça, em “paz desarmada”, ao lado dos pobres, oprimidos e injustiçados.
Esta é a Igreja que Leão XIV deseja: sinodal, em saída, samaritana e, também, profética.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
Com a ampliação do debate sobre os temas do fim da escala 6x1 e da redução da jornada de trabalho, o Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Rede de Estudos e Monitoramento da Reforma Trabalhista, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Grupo de Estudos e Pesquisas sobre o Trabalho do Departamento de Sociologia da Universidade de Brasília (UnB), juntamente com o site “Democracia e Mundo do Trabalho em Debate”, organizaram um dossiê com artigos que abordam as temáticas sob diferentes aspectos.
De acordo com a chamada para artigos divulgada em março deste ano, “o objetivo é estimular o debate e abrir espaço para novas visões e diferentes abordagens sobre essas questões. O propósito principal é construir argumentos que contribuam para reforçar a agenda do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho sem redução de salários. Assim, são bem-vindos artigos e/ou ensaios fundamentados em argumentos e reflexões que auxiliem na formulação de estratégias sociais para fortalecer as iniciativas de mobilização em andamento em torno dessas pautas”.
Os artigos que compõem o dossiê serão divulgados semanalmente, no mesmo dia, por um conjunto de sites para ampliar o alcance do material. Nesta quinta-feira (9), é divulgado o primeiro artigo do dossiê, intitulado “Mercantilização financerizada da Educação, Ensino Superior a Distância e jornadas de trabalho jamais vistas”, de autoria de Roberto Leher e Amanda Moreira da Silva. Confira aqui o artigo.
ANDES-SN na luta contra a jornada 6x1
A luta pelo fim da jornada 6x1 e pela redução da jornada de trabalho sem redução de salário são pautas do Plebiscito Popular por justiça tributária. O Plebiscito Popular é organizado pelas frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, em articulação com entidades de movimentos sindical e social, como o ANDES-SN.
Para reforçar a divulgação de conteúdos relacionados às pautas do plebiscito e que contribuam com esses debates, o Sindicato Nacional se somou as demais entidades e canais de notícia que divulgarão os conteúdos do dossiê. Acompanhe!
Fonte: ANDES-SN
De 25 a 31 de outubro de 2025, a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) será palco da Semana do Servidor Público, uma programação especial promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado de Mato Grosso (SINTUF-MT) e pela Associação dos Docentes da UFMT (ADUFMAT).
Com o apoio da PROGEP, da Faculdade de Educação Física (FEF) e da SASS, a semana reunirá momentos de integração, saúde, esporte, formação e cultura, reafirmando a importância dos servidores públicos na defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade.
A Semana do Servidor é um ato de valorização e reconhecimento dos servidores públicos que, todos os dias, constroem a universidade com trabalho, dedicação e compromisso.
Veja a programação:
25/10 (sábado) — III Jogos dos(as) Servidores(as) da UFMT
A Semana do Servidor abre com o III Jogos dos(as) Servidores(as), um dos momentos mais aguardados do calendário da UFMT. A atividade é uma parceria entre a Supervisão de Desporto e Recreação da FEF, do SINTUF-MT e da ADUFMAT, e tem como objetivo estimular a prática esportiva, a saúde e a convivência entre todas as categorias da comunidade universitária — técnicos, docentes, terceirizados, estagiários e jovens aprendizes.
Local: Quadras externas e piscina da Faculdade de Educação Física (FEF)
Horário: Manhã e Tarde
Inscrições: de 8 a 20 de outubro
Link da Inscrição: https://forms.gle/KZYSbNYoZBz2akWj6
Modalidades: Futsal (masculino e feminino); Vôlei de quadra misto; Vôlei de areia (duplas); Biribol; Tênis de mesa; Truco (duplas); Bozó (duplas); Queimada.
Premiação: Individual: R$ 100,00 + medalha; Dupla: R$ 200,00 + medalhas; Equipe: R$ 300,00 + medalhas.
O evento contará com café da manhã (água, café, frutas, sanduíches e biscoitos) e atividades recreativas para as crianças.
O Regulamento Geral dos Jogos estabelece as regras de participação, critérios de inscrição e funcionamento das competições, assegurando a transparência e a integração entre os setores da universidade. (Regulamento Geral do Jogos dos (as) Servidores (as) da UFMT)
28/10 (terça-feira) — Plenária “Não à Contrarreforma Trabalhista”
O SINTUF-MT e a ADUFMAT realizam uma plenária unificada em defesa do serviço público, com o tema “A reforma administrativa: ataque aos serviços públicos e às universidades”. A atividade faz parte da mobilização nacional contra os retrocessos trabalhistas e reforça o papel dos sindicatos na luta pela valorização do servidor público.
Local: a definir
Café de recepção: 8h às 9h
Mesa de debate: 9h às 11h30
Transmissão ao vivo pelos canais do SINTUF e da ADUFMAT no YouTube
29/10 (quarta-feira) — Homenagem aos Servidores
Em parceria com o SINTUF e a ADUFMAT, a PROGEP organiza no Teatro Universitário uma manhã cultural com palestras, homenagens e apresentações artísticas. A reitora Marluce Souza e Silva fará uma fala especial sobre “O papel do servidor público na universidade”, seguida da entrega de portarias de elogio e sorteio de brindes.
30/10 (quinta-feira) — Dia da Saúde no SINTUF
Com o apoio da SASS, o SINTUF e a ADUFMAT promovem uma manhã voltada à promoção da saúde e do bem-estar.
Local: Sede do SINTUF-MT
Horário: 8h às 11h30
Atividades: Café da manhã coletivo; Aferição de pressão e glicemia; Orientações com nutricionistas; Exercícios com música e alongamento; Palestra “Trabalhar sem adoecer: enfrentando o burnout e o assédio”.
31/10 (sexta-feira) — Happy Hour de Encerramento
Para encerrar a semana, o SINTUF e a ADUFMAT promovem um Happy Hour com karaokê e show de talentos.
Local: Sede do SINTUF-MT
Horário: 18h às 22h
Comidas: pastel, caldos e espetinhos;
Bebidas: disponíveis a preço de custo;
Certificados e reconhecimento
Os participantes das atividades dos dias 28 e 29 de outubro receberão certificados de participação emitidos pela PROGEP, reconhecendo o evento como atividade de formação.
Fonte: Sintuf-MT
O dia 29 de outubro será marcado pela Marcha Nacional do Serviço Público contra a Reforma Administrativa, em Brasília (DF). O ANDES-SN, em articulação com demais entidades do Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), convoca as seções sindicais a fortalecerem a mobilização e garantirem presença da categoria docente na capital federal. A concentração será às 9h, no Museu Nacional da República.
A convocação é resultado da Reunião Conjunta dos Setores das Ifes e Iees/Imes/Ides, realizada nos dias 24 e 25 de setembro, e busca fortalecer a resistência nacional contra a proposta que ameaça os serviços públicos. A reforma Administrativa, apresentada sob o falso argumento de combater supersalários (que representam apenas 0,3% do funcionalismo), visa, na prática, acabar com a estabilidade e desprofissionalizar os serviços públicos, piorando sua qualidade.
Em circular publicada, nessa terça-feira (30), o Sindicato Nacional orientou a realização de assembleias entre 1º e 16 de outubro para deliberar sobre uma paralisação de 48 horas nos dias 29 e 30 de outubro, organizar caravanas rumo a Brasília e definir agendas locais de mobilização nos estados e municípios.
Para Sérgio Barroso, 1º tesoureiro do ANDES-SN e da coordenação do Setor das Iees, Imes e Ides, a contrarreforma Administrativa representa um grave ataque aos direitos do funcionalismo público e ao acesso da população a serviços de qualidade e gratuitos.
“Existe uma campanha patrocinada pela iniciativa privada, que busca assumir o controle dos serviços públicos para cobrar por eles, alegando que são ruins e, por isso, seria necessária uma reforma Administrativa para ‘enxugá-los”. Mas o Brasil é um país que, proporcionalmente, tem uma quantidade de servidoras e servidores públicos pequena. Além disso, dizem que as funcionárias e os funcionários públicos ganham muito, mas isso é mais uma mentira, pois apenas 0,3% do funcionalismo recebe os famosos supersalários”, disse o diretor, que citou ainda uma pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicadas (Ipea), em 2019, que apontou que menos da metade do funcionalismo recebia acima de R$ 5 mil.
“E, para piorar, a contrarreforma Administrativa quer colocar os serviços públicos na mão de empresas privadas, por meio da terceirização ou contratação de temporários, o que vai favorecer o apadrinhamento e a corrupção”, denunciou Barroso.
Mesa Nacional de Negociação Permanente
Além de barrar a contrarreforma Administrativa, a mobilização cobrará o cumprimento dos acordos de greve firmados no ano passado, ainda descumpridos pelo governo, e denunciará o Congresso Nacional, que tem priorizado blindagens e anistias em benefício próprio. No dia 29 de outubro ocorrerá a rodada da Mesa Nacional de Negociação Permanente, que havia sido marcada inicialmente para junho deste ano.
“É importante que a nossa base se mobilize, se organize em caravanas e esteja em Brasília no dia 29, quando ocorrerá a Mesa Nacional. Vamos exigir que os acordos sejam cumpridos e que a reforma Administrativa não seja votada no Congresso”, afirmou Annie Hsiou, 3ª vice-presidenta do ANDES-SN.
A diretora do Sindicato Nacional criticou as e os parlamentares. “Em vez de pautar o que interessa ao povo, votam projetos para garantir seus próprios privilégios. Graças à mobilização, barramos a PEC da Blindagem, mas o PL da Anistia ainda tramita. É hora de denunciar a reforma e os golpistas dentro do Congresso inimigo do povo. Não aceitaremos retrocessos. Contem com o ANDES-SN nessa luta”, completou.
Encaminhamentos
Na Circular 412/2025, o ANDES-SN orienta que as seções sindicais implementem os encaminhamentos da Reunião Conjunta, que incluem: mobilizações em aeroportos, pressão direta sobre parlamentares, intensificação da campanha de denúncia nas mídias e redes sociais, realização de audiências públicas, debates em espaços coletivos e atuação junto aos Conselhos Superiores das instituições de ensino para aprovação de moções contra a reforma.
“Por todos estes elementos, é fundamental que toda a categoria docente, dos Setores das Iees/Imes/Ides e das Ifes, por meio de suas seções, se organizem para fortalecer a Marcha do dia 29 de outubro em Brasília, para barrar a destruição dos serviços públicos”, concluiu Sérgio Barroso.
Mais informações na Circular 412/2025.
Fonte: Andes-SN
ONDE SE LÊ:
3.3. Análise de currículo (Eliminatória)
Resultado: 06/10/25 (no site da Adufmat)
LEIA-SE:
3.3. Análise de currículo (Eliminatória)
Resultado: 10/10/25 (no site da Adufmat)
ONDE SE LÊ:
3.4. Prova prática e entrevista, por ordem de inscrição (Eliminatória e classificatória)
Data: 08/10/25, das 08h às 18h (e, se necessário, 09/10/25, das 8h às 18h)
LEIA-SE:
3.4. Prova prática e entrevista, por ordem de inscrição (Eliminatória e classificatória)
Data: 15/10/25, a partir das 14h
ONDE SE LÊ:
3.5. Resultado Final
Divulgação: 10/10/25, pelo site da Adufmat (https://www.adufmat.org.br/)
LEIA-SE:
3.5. Resultado Final
Divulgação: 17/10/25, pelo site da Adufmat (https://www.adufmat.org.br/)
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
“Precisamos de uma paz desarmada” Papa Leão XIV
A mensagem "Precisamos de uma paz desarmada" foi um tema central do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz de 2026, enfatizando que a paz deve ser baseada na confiança e na dignidade humana, e não no medo ou na acumulação de poder militar. Essa paz, descrita como "desarmada e desarmante", requer que as pessoas e as nações rejeitem a violência, cultivem o diálogo, desarmem os espíritos, a comunicação de ódio e se comprometam com a justiça e a dignidade para todos.
Todas as guerras e conflitos armados representam a essência da estupidez humana, são a falência do diálogo e o uso da violência armada como forma ou tentativa de solução dos conflitos — enfim, são a essência da irracionalidade humana.
Neste 07 de outubro de 2025, o conflito, a guerra ou, enfim, o genocídio na Faixa de Gaza completa dois anos com mais de 67 mil mortos, mais de 22 mil crianças mortas, quase 80% de Gaza, com uma população de mais de 2,3 milhões de pessoas, destruída, mais de 160 mil feridos e 90% da população sem condições de vida, inclusive com o uso da fome como arma de guerra.
O custo humano é alto: além dos mais de 67 mil mortos, incluindo mais de 22 mil crianças, há cerca de 170 mil feridos — incluindo 4,8 mil amputações e 1,2 mil casos de paralisia total, vítimas inocentes de uma verdadeira bestialidade humana. Conforme dados de diversas fontes, estima-se que 2,7 mil famílias foram inteiramente dizimadas, e mais de 12 mil abortos espontâneos são atribuídos à desnutrição e à falta de assistência médica e hospitalar, além de dezenas de milhares de pessoas que estão morrendo por falta de alimentos e de água.
Em outra região, no Centro da Europa, em 22 de fevereiro de 2022, a Rússia, alegando o direito de garantir sua soberania e integridade territorial, apesar de não estar sendo ameaçada pela Ucrânia naquela ocasião, decidiu invadir militarmente aquele país, iniciando uma guerra que já dura mais de três anos e meio.
Ao longo desse tempo, a destruição da Ucrânia tem provocado não apenas danos materiais na infraestrutura — como estradas, pontes, viadutos, redes de energia elétrica, de gás, edifícios residenciais e também comerciais e administrativos —, desorganizando completamente a economia daquele país, com reflexos tanto na economia da União Europeia quanto no resto do mundo.
Todavia, o maior impacto desta e de todas as guerras sempre recai sobre a população civil, provocando dezenas ou centenas de milhares de mortes, e muito mais — talvez o dobro ou o triplo — de pessoas feridas e também, no caso da Ucrânia, mais de 10,3 milhões de pessoas em deslocamentos/imigrações forçadas pela violência generalizada da guerra.
Ao longo desses três anos e meio de guerra, o total de militares e civis russos mortos é estimado em 790 mil, além de mais de 50 mil desaparecidos, enquanto, do lado da Ucrânia, estima-se que o total de mortos entre militares e civis seja em torno de 400 mil, com mais de 35 mil pessoas também desaparecidas.
Ou seja, esta guerra insana já provocou a morte de pelo menos 1,190 milhão de pessoas, entre civis e militares, mais de 85 mil desaparecidos e, estima-se, mais de 2,5 milhões de feridos, cujos impactos humanos e econômicos são imensuráveis e afetarão tanto a Ucrânia quanto a Rússia por várias décadas no futuro.
Outro impacto terrível tem sido os deslocamentos/migrações forçadas, atingindo, até outubro de 2025, aproximadamente 10,6 milhões de ucranianos que foram deslocados pela guerra, incluindo 3,7 milhões que foram forçados a deixar suas casas dentro da própria Ucrânia e 6,8 milhões que buscaram refúgio em outros países, de acordo com dados do ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados).
Já que estamos falando, refletindo sobre guerras e seus impactos nos diversos países — e que afetam muito mais pessoas inocentes, principalmente crianças, adolescentes, mulheres e também pessoas idosas — não podemos esquecer das chamadas “guerras invisíveis”, que ocorrem em diversos países do Oriente Médio, da Ásia e da África, principalmente a guerra entre o Sudão e o Sudão do Sul, iniciada em 2023, que deixou pelo menos 40 mil mortos, enquanto a guerra civil no Sudão do Sul ceifou a vida de pelo menos 400 mil pessoas, contribuindo para uma violência generalizada e agravando a pobreza e a fome em um país já extremamente pobre.
No último relatório do PNUD, divulgado em maio de 2025 e com dados referentes a 2024, o Sudão do Sul foi o último país no ranking de IDH, ocupando a 192ª posição com um IDH de 0,381. Ele está entre os três piores, junto com a Somália (193ª com 0,380) e a República Centro-Africana (191ª com 0,387), que fecham os países com os piores índices de desenvolvimento humano.
Enquanto isso, a tragédia que se abate sobre a Palestina como um todo e a Faixa de Gaza em particular, tem grande impacto no IDH daquele território, como enfatiza a manchete da matéria estampada no site Monitor do Oriente Médio de 29 de dezembro de 2024:
“Guerra contra Gaza faz desenvolvimento humano da Palestina retroceder 69 anos.”
Há 416 dias que Gaza vive uma situação alarmante. A guerra de “Israel” contra Gaza provoca uma devastação de proporções históricas, revertendo décadas de progresso no desenvolvimento humano e acentuando a crise humanitária na região. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental (ESCWA) destacaram, em relatório recente, que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em Gaza retrocedeu 69 anos, atingindo níveis comparáveis aos de 1955. Essa situação alarmante reflete não apenas os impactos diretos da guerra, mas também as condições de longo prazo que já vinham enfraquecendo a infraestrutura e o tecido social da região.
No caso dos conflitos envolvendo Israel e os palestinos, mais de 150 países e decisão da ONU já reconheceram a Palestina como Estado soberano, com território e governos democraticamente instituídos. A própria Assembleia Geral da ONU já reconhece que a única alternativa para colocar um fim nesta guerra que já dura décadas é a chamada solução dos dois Estados. Sem isso, o que existe é a falência da diplomacia e das decisões de foros internacionais, e a conclusão de que a
guerra também não tem sido o caminho para uma “paz desarmada”, como enfatiza o Papa Leão XIV, e a convivência pacífica entre os povos.
O mesmo pode ser dito em relação à guerra na Ucrânia, em que a Rússia, uma superpotência, nega à Ucrânia seu direito à autodeterminação, soberania e integridade territorial, principalmente quando anexou a Crimeia e boa parte do que restou de território ucraniano, e teima em ditar regras em relação à autodeterminação de um outro país.
Finalmente, é importante refletir sobre os impactos e custos econômicos e financeiros das guerras, que consomem bilhões ou trilhões de dólares apenas para matar, destruir e impor sofrimento a centenas de milhões de pessoas, quando tais recursos poderiam estar sendo utilizados para combater a fome, as doenças, cuidar do meio ambiente e combater a crise climática.
No caso da guerra Rússia x Ucrânia, esses gastos são imensos, como podemos perceber. O custo econômico e financeiro tanto para a Ucrânia quanto para a Rússia e para a OCDE é de aproximadamente US$ 2,8 trilhões.
No caso da guerra entre Israel e o Hamas, conforme matéria no jornal O Globo de 29 de janeiro de 2024, só para Israel este custo era de US$ 240 milhões por dia. Ou seja, como esta guerra já dura dois anos, são 720 dias, e este custo representa US$ 172,8 bilhões (ou R$ 950,4 bilhões), sendo mais do que o dobro desse valor para os palestinos, ou seja, mais de US$ 2,5 trilhões no total.
Enfim, todas as guerras representam elevados custos econômicos e financeiros para os países envolvidos, além da destruição da infraestrutura e desorganização de seus sistemas produtivos, impactando diretamente as pessoas — principalmente as que já são pobres e excluídas nos respectivos países.
Diante da insanidade, da estupidez e da irracionalidade de todas as guerras, conflitos armados e de tantas outras formas de violência generalizada, todos os países precisam dedicar recursos e esforços na construção de uma cultura da paz, ou melhor, da “paz desarmada”, como tanto tem sido enfatizado pelo Papa Leão XIV e por tantos outros líderes religiosos, sociais e políticos ao redor do mundo.
Este é o nosso desafio, juntamente com a defesa e melhor cuidado com o meio ambiente, o Planeta Terra, nossa Casa Comum, que também sofre com inúmeros impactos decorrentes de tantas guerras.
Nas palavras do Papa Francisco: “Precisamos ouvir o grito da terra e também o grito dos pobres e excluídos”, enfim, das vítimas de tantas formas de violência!
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy












