Teve início, na noite desta segunda-feira, 18/05, no campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Sinop, a segunda edição do evento “Territórios Amazônicos – Educação, Direitos e Resistência”. Organizado pela subseção da Adufmat-Ssind, o encontro já é considerado um espaço fundamental para a reflexão crítica e a articulação política sobre a realidade da região que é porta de entrada da Amazônia no estado.
A mesa de abertura teve a presença da professora Luciane de Almeida Gomes, pró-reitora de Ensino de Graduação da UFMT, e do professor Elton Brito Ribeiro, Pró-reitor do Campus de Sinop, do diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, do coordenador-geral da subseção local, Juliano Santos, do representante Estudantil, Kleber Souza, e também dos servidores técnicos-administrativos, Éverton Dente.
“Como diria Che Guevara, a universidade precisa ser pintada de povo, das comunidades, para além dos interesses das diversas burguesias que operam na política aqui nessa cidade. Pintar de povo é estar aqui, junto com os companheiros e companheiras indígenas, com os estudantes, com os companheiros técnicos-administrativos que estão em greve hoje e têm toda a nossa solidariedade para que essa luta seja vitoriosa. É uma satisfação para nós estar realizando o II Territórios Amazônicos, e eu queria agradecer profundamente o trabalho dos companheiros de Sinop, da subseção, aqui na região, para mostrar, sem nenhuma sombra de dúvidas, que a universidade é da comunidade, é dos povos indígenas, porque Mato Grosso é terra indígena, Sinop é terra indígena e a UFMT é terra indígena. Fazer esse evento aqui mostra a potência que a UFMT Sinop tem para dizer, em alto e bom som, que os interesses que devem vigorar nessa universidade são os interesses da classe trabalhadora, dos povos e dos territórios que eles representam. Uma universidade precisa ser para o povo e do povo; se não for assim, é melhor que não tenha universidade, é melhor que a gente se enraíze em outros lugares”, disse o diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.

O professor Juliano Santos falou sobre o objetivo do evento, que vai até quinta-feira, 21/05. “Esse evento foi construído com muito carinho para nos proporcionar um espaço de reflexão sobre a universidade que queremos. Eu sou filho de pais trabalhadores, mãe solo, e consegui chegar na universidade, estou aqui hoje como professor. A universidade que a gente sonha tem essa capacidade de transformar a vida das pessoas para além de atender aos interesses do capital. Nessa perspectiva eu convido a todos para a gente fazer essa reflexão sobre onde nós queremos chegar e de que lado nós queremos estar nesse processo construtivo, desse futuro que a gente espera deste território”.

Dando continuidade às atividades, foi formada uma mesa para refletir a voz dos protagonistas da floresta e do campo, com a participação de representantes indígenas de diversas etnias, como Ikpeng, Panará, Kayabi, Kuikuru, Rikbaktsa, Enawene Nawe, Apiaká, Munduruku e Kamaiurá, além de lideranças de movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Conselho Indigenista Missionário (CIMI), Associação dos Docentes da Universidade do Estado de Mato Grosso (Adunemat-Ssind), Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), Associação Terra Indígena do Xingu (ATIX), FUNAI em Juína e Liderança do povo Munduruku, Proteção Animal Mundial e Instituto Ecótono. As discussões centraram-se na defesa dos direitos territoriais, nas trocas possíveis entre as comunidades e a educação, especialmente por meio da universidade pública, além da unidade na resistência ao avanço das desigualdades promovidas por interesses particulares de grupos econômicos que visam apenas explorar.
Em seguida, o professor Waldir Bertúlio, primeiro presidente da Adufmat-Ssind, compartilhou sua trajetória de luta na construção do sindicato e da própria UFMT. A presença de lideranças históricas e movimentos de base reforça o objetivo do evento, de ser um espaço popular de diálogo entre a universidade e a sociedade. Na quarta-feira (20) haverá a exibição do filme “Waldir Bertúlio: Um griô Entre Nós”, que também conta um pouco dessa história.

Por fim, os participantes foram para a parte externa do sindicato e assistiram alguns curtas relacionados aos temas do evento, como alguns curtas da organização Proteção Animal Mundial e o documentário BR 163: Progresso para quem?, que mostra a agressiva expansão agropecuária ao longo da rodovia.
A programação do "Territórios Amazônicos II" segue até quinta-feira, 21/05, com mesas de debate, rodas de conversa e atividades culturais voltadas para a promoção do bem viver e a garantia de direitos nos territórios. O evento reafirma o papel estratégico da universidade pública, gratuita e socialmente referenciada como instrumento de resistência e transformação social.
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Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind












