Assembleia geral realizada nesta sexta-feira, 09/10, pela Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) debateu e encaminhou ações, em âmbito local, voltadas à derrota da extrema-direita, nas ruas e nas urnas, conforme deliberação congressual do Andes-Sindicato Nacional.
Diante do resultado do primeiro turno das eleições 2026, para além dos informes, a plenária foi convocada com ponto de pauta único: análise de conjuntura e ações para derrotar a extrema direita. O posicionamento do sindicato se baseia no fato de, historicamente, o projeto de sociedade defendido pela extrema-direita em todo o mundo ser de destruição dos direitos públicos pela via autoritária e também pela experiência recente com o Governo Bolsonaro, cujos prejuízos à Educação ainda não foram superados
Durante os informes, Diretoria e docentes falaram as atividades realizadas recentemente em âmbito nacional e local, como a elaboração da Política de Atenção às e aos Servidores Públicos Aposentados da UFMT, avanço do debate sobre a Resolução 158/2010, debate sobre as Eleições 2026 (Programas de Governo e políticas voltadas às mulheres), atividades do GTMultiFront e algumas novidades do Arquivo da Adufmat-Ssind.
Conjuntura
O diretor geral da Adufmat-Ssind, professor Breno Santos, iniciou o debate de conjuntura afirmando que o resultado do primeiro turno assusta, mas não é uma surpresa, porque há anos o imperialismo se esforça, internacionalmente, para ganhar cada vez mais espaço em diferentes países. Segundo Santos, é o futuro e as condições de vida dos trabalhadores que estão em disputa, e há resistência e mobilizações contra o avanço do imperialismo por todo o mundo neste momento.
Para o docente, a disputa é mais do que civilizatória, mas existencial, e a campanha para derrotar a extrema direita está em movimento, mas a unidade é fundamental para vencer.
A professora Raquel de Brito falou sobre ações necessárias, e lembrou que uma das primeiras ações do Governo Bolsonaro para Educação foi o Projeto Future-se, barrado pela ampla maioria das universidades (relembre aqui).
Em sua análise, a docente Lélica Lacerda destacou que parte dos eleitores de Bolsonaro votam justamente como forma de protesto ao status quo, e que há uma espécie de desconexão com a realidade, que o próprio Partido dos Trabalhadores fomentou, que faz um trabalhador do transporte por aplicativo, por exemplo, pensar como o trilionário Elon Musk. “Mesmo assim, o PT é um partido neoliberal com traços democráticos. Precisa melhorar, sim, as pessoas têm razão de criticar o atual Governo, nós mesmos nos distanciamos das críticas, mas elas são muito necessárias. Precisamos melhorar, mas enquanto o Lula está repassando recursos insuficientes para as universidades, Bolsonaro propõe privatizar; enquanto o Lula está defendendo o fim da escala 6X1 para 5X2 apenas, Bolsonaro defende 7X0, é isso que nós precisamos avaliar”, disse.
Os professores José Domingues de Godoi Filho e Maelison Neves lembraram que o Congresso Nacional já está tomado pela extrema-direita, isso significa que têm muito poder para fazer o que estão ameaçando, mesmo que Flávio Bolsonaro não ganhe o segundo turno. Dessa forma, a classe trabalhadora deve estar organizada e ocupar amplamente as ruas nos próximos anos.
A professora Maria Salete Ribeiro, também diretora da Adufmat-Ssind, defendeu que a mobilização deve incluir atividades de arte e cultura nas ruas, voltada para a formação política, para mostrar, em suas palavras, que o projeto dos trabalhadores organizados é de vida, enquanto o projeto encabeçado pelos Bolsonaro é de morte.
Encaminhamentos
Após o debate de mais de três horas, foi encaminhado que o sindicato organize e realize uma lista extensa de ações, conforme segue:
1. Materiais e agitação
- Produzir materiais próprios da Adufmat-Ssind sobre a educação pública, com prazo até o meio da próxima semana.
- Produzir um conjunto de materiais para difusão, incluindo material informativo sobre saúde e educação para dialogar com os eleitores indecisos.
- Produzir material específico para as mães trabalhadoras.
- Incluir a questão do PIX na comunicação.
- Reproduzir a camiseta de 2022, com as mensagens “votar em Lula para derrotar Bolsonaro” e em defesa da educação.
- Convidar artistas críticos para contribuir com a agitação e com a elaboração dos materiais.
- Ocupar as redes e as ruas.
- Priorizar a atuação nas redes sociais, com foco no convencimento de quem se absteve no 1º turno e não se identifica com a extrema direita.
- Impulsionar as redes do sindicato na campanha digital.
- Agilizar as ações de comunicação, com foco na juventude e na comunidade em geral.
- Divulgar diariamente para a categoria o calendário de atividades.
- Realizar visitas domiciliares nos bairros com maior índice de abstenção.
- Organizar panfletagem de professores e estudantes nos ônibus, divulgando as propostas e lembrando os cortes na saúde e na educação.
- Mobilizar os colegas docentes e realizar trabalho de base, dialogando nos locais onde os trabalhadores estão.
- Organizar a atuação junto aos estudantes.
- Realizar atividades de formação política junto aos trabalhadores.
- Atuar também no HUJM, com ato na porta do hospital.
- Realizar mobilização na porta, das 18h às 18h30.
- Realizar o “Café com Paulo Freire” na feirinha.
- Intensificar o trabalho de sindicalização para fortalecer o sindicato.
- Convocar a categoria e somar-se a todas as atividades da campanha.
- Chamar um ato massivo em unidade com as demais entidades.
- Ir para as ruas de modo organizado, para levar muita gente e fazer o debate.
- Participar da Plenária Antifascista no domingo, em Cuiabá e em Sinop, e da construção do Comitê Antifascista.
- Alinhar as agendas com os movimentos e entidades do norte de MT.
- Diretoria organizar mais debates como este, com análises de médio e longo prazo.
- Legitimar o sindicato para incidir nas ações políticas, inclusive com uso de recursos financeiros.
- Garantir apoio financeiro e jurídico às ações em Barra do Garças e Sinop.
- Garantir apoio político, financeiro e material da ADUFMAT às ações em Sinop, que será solicitado formalmente.
- Disponibilizar assessoria jurídica para todos os atos.
- Organizar uma vaquinha para apoiar os estudantes que não conseguiram votar.
- Disponibilizar o caixa da Secretaria Regional do ANDES-SN para as ações políticas, inclusive dos estudantes.
- Que o ANDES-SN se posicione para garantir a derrota eleitoral da direita e da extrema direita, chamando a categoria à participação não apenas por meio do voto, mas também da mobilização contra os ataques fascistas aos direitos da classe trabalhadora e contra as políticas de austeridade e de restrição de direitos.
- Que o ANDES-SN promova ações permanentes e campanhas em defesa das universidades, CEFETs e IFEs, para enfrentar e desconstruir as narrativas falsas difundidas principalmente pela extrema direita contra a educação pública e a comunidade universitária, e combater a disseminação de desinformação, discursos de ódio e outras formas de violência política dirigida às instituições de ensino.
- Que as visitas domiciliares sejam assumidas como estratégia do ANDES-SN.
2. Comunicação e redes
3. Trabalho de base e virada de votos
4. Articulação e mobilização
5. Recursos, apoio jurídico e respaldo da AG
6. Propostas ao ANDES-SN
7. Comissão de organização das ações
Professores Breno Santos, Leonardo Santos, Raquel e Brito, Lélica Lacerda, Maelison Neves, Gustavo Canale, Gleyva Sales e Clarianna Silva.
8. Calendário
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Data |
Atividade |
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09/10 |
Ato |
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13/10 |
Ato |
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind