Companheiros e companheiras,
O resultado do primeiro turno das eleições do último domingo, 04 de outubro de 2026, demonstrou, mais uma vez, que não há situação ruim para a classe trabalhadora e seus direitos que não possa piorar. O saldo desse processo eleitoral é trágico para os trabalhadores e trabalhadoras, que há muito já se veem imprensados entre a violência conservadora e neofascista e as políticas de arrocho salarial, austeridade fiscal e cortes orçamentários que, na prática, são cortes de direitos. Um projeto de demolição das liberdades democráticas, do serviço público e dos direitos sociais sagrou-se vitorioso neste domingo - seja pela vitória em inúmeras disputas para os executivos e legislativos em quase todos os estados da federação, seja por ter conseguido levar - com vantagem - a disputa eleitoral nacional ao segundo turno.
Sabemos dos limites das políticas de cunho liberal e de conciliação de classes do atual governo federal que, a despeito das tímidas sinalizações ao conjunto dos trabalhadores e trabalhadoras, seguem servindo ao lucro do rentismo desenfreado que assola o país. Mas sabemos também que não podemos equiparar o Governo Lula 3 à recente experiência de morte de um governo neofascista, que tem na sua conta a perda de, no mínimo, 700 mil vidas de brasileiros e brasileiras durante a pandemia de Covid-19.
Tampouco podemos naturalizar esta como uma disputa eleitoral comum, em paridade de armas. Trata-se de uma eleição marcada, de forma ainda mais intensa, pelo assédio do capital nacional, da mídia de massa e do imperialismo estadunidense, que vê no Brasil sua última fronteira para uma tomada neocolonial da América do Sul, a fim de fazer valer sua ânsia extrativista e exploratória.
O resultado deste dia 04 nos diz, de forma eloquente, que há uma insatisfação sensível no conjunto da classe trabalhadora que, pagando reiteradamente a conta da crise com um dinheiro que não tem, volta-se para discursos fáceis de combate ao sistema, a um estado corrupto, a um judiciário parcial. Nos diz também que a disputa pela consciência da nossa classe precisará passar por lidarmos com essa insatisfação e reconhecermos os limites das políticas cosméticas que seguem mantendo as e os trabalhadores aprisionados no subemprego, na informalidade, nas dívidas e em suas casas, por medo da violência.
Entramos na campanha para o segundo turno com a tarefa de, mais uma vez, impedir a vitória de um projeto de entreguismo nacional, de ampliação da violência (em especial a política e a de gênero), de destruição do serviço público, da ultraprecarização da educação em benefício do interesse privado, de golpismo e de demolição das liberdades democráticas.
Disputar o futuro das nossas escolas, universidades e institutos federais, da nossa juventude, passa por disputar o futuro do Brasil e da sua soberania popular, passa por combater o avanço do neofascismo capacho do imperialismo, passa por eleger Lula e derrotar Flávio Bolsonaro e seu projeto de extrema-direita nas urnas e nas ruas.
Que cada militante sindical, popular e de juventude se organize coletivamente em seus locais de trabalho, de estudo e de moradia. Que o sindicato seja, mais uma vez, uma trincheira fundamental na defesa da democracia!
Para derrotar o neofascismo e construir as lutas que possibilitem à nossa classe e à categoria docente manter e ampliar direitos, todos e todas às ruas e às urnas!
05 de outubro de 2026
Diretoria Colegiada da Adufmat-Ssind, “Adufmat é pra lutar!”