Sexta, 19 Junho 2026 17:24

Transição ou Transação? Sindicato promove debate sobre o futuro da mineração e a defesa dos territórios Destaque

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O auditório da Adufmat-Ssind recebeu, nos dias 10 e 11/06, militantes e pesquisadores que realizaram profundas e necessárias reflexões acerca dos rumos do chamado “desenvolvimento” brasileiro. Sob o título "Minerais Estratégicos, Energia e Sustentabilidade", o seminário teve como centralidade uma pergunta essencial: vivemos uma verdadeira transição energética ou estamos diante de uma mera transação que prioriza o lucro em detrimento da vida e do meio ambiente?

Organizado pelo Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA), o evento reuniu vozes da academia e de movimentos sociais para confrontar a lógica da exploração mineral. Na abertura, o professor Charles Trocate, da coordenação nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), trouxe para o centro da roda a luta pelo controle do subsolo e a defesa dos territórios. Complementando a urgência do tema, o representante da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), Edmar Rodrigues Kajejeu, expôs as cicatrizes deixadas pela mineração nas terras indígenas de Mato Grosso.

A financeirização da natureza e o "Capitalismo Verde"

O professor José Gilberto de Souza (UNESP) trouxe uma análise sobre o que chamou de "financeirização da natureza". Segundo o docente, o neoliberalismo capturou o conceito de sustentabilidade, chamou de "capitalismo verde", mas concretamente, a natureza é tratada como um ativo financeiro. Ele destacou exemplos alarmantes, como a perfuração de mais de 250 metros de profundidade em busca de água em São Paulo e o avanço da retirada de minerais em Terras Indígenas.

Para o professor, esse debate exige, de início, um olhar atento para a dimensão ontológica do ser. "Se você não conhece o ser, você não sabe com quem está lidando. Se não olhar para o ser, você não enxerga o território", afirmou. O docente defendeu, ainda, que a universidade é a instituição que tem o papel crucial de realizar a crítica desses processos.

Agroecologia como Projeto Político

Representando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Valdeir Souza apresentou a agroecologia não apenas como técnica, mas como uma síntese entre as ciências agrárias e sociais voltada para a transformação social e o próprio socialismo. O coordenador ressaltou que, na avaliação do MST, a agroecologia é um projeto político fundamental tanto para dentro quanto para fora do campo.

Souza também falou sobre as contradições vividas nos assentamentos e apontou desafios de sobrevivência das famílias e a pressão pela titulação privada da terra, que segue uma lógica privatizante muitas vezes apoiada pela sociedade, mas que dificulta a resistência coletiva.

“A reforma agrária realizada hoje, no Brasil, é feita para dar errado. Quando a gente vai para um assentamento, nosso objetivo principal é saber se a pessoa está viva e se permanece na terra. Nós realizamos o processo de luta permanente e de formação permanente, sim, mas sabemos que, na prática, ninguém vai ser socialista passando fome”, afirmou.

Ele enfatizou que o acesso à educação em todos os níveis e a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA), realizada todos os anos pelas universidades do país, são caminhos essenciais para romper com essa estrutura.

Para aqueles que não puderam comparecer ou desejam rever as discussões, as gravações completas dos debates serão disponibilizadas na próxima semana no canal da Adufmat-Ssind do youtube.

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

 

Ler 39 vezes Última modificação em Sexta, 19 Junho 2026 17:29