Adufmat-Ssind entrega carta aos participantes do 44º Congresso do Andes-SN em defesa da democracia interna do sindicato nacional
A Adufmat-Seção Sindical do Andes – Sindicato Nacional entregou aos participantes do 44º Congresso, nesta sexta-feira, 06/03, uma carta em defesa da democracia interna do sindicato. O documento, elaborado conforme decisão de assembleia geral da entidade, cita casos de intolerância e violência política sofridos por docentes da base da Seção Sindical, praticados, inclusive, por diretores do Sindicato Nacional.
O texto reafirma solidariedade às docentes agredidas, solicita retratação por parte da Diretoria do Andes-SN e indica a aprovação do Texto Resolução 92 (acesse aqui), publicado no Caderno de Textos do 44º Congresso, que vai no mesmo sentido. O TR será debatido na plenária do tema IV (Questões Organizativas e Financeiras), que deve ocorrer na noite desta sexta-feira.

Leia, abaixo, a íntegra da Carta da Adufmat-Ssind aos congressistas do 44º Congresso do Andes-SN:
Carta da ADUFMAT-SSIND aos e às Congressistas do 44º Congresso do Andes
Vivemos tempos assombrosos do capitalismo que agoniza em suas contradições, tomando proporções de destrutividade nunca vistas antes, colocando a vida humana em xeque.
Esta destrutividade se expressa no colapso climático; pela escalada do feminicídio e violências contra mulheres, meninas e animais; pela contração dos direitos trabalhistas, pelo colapso do financiamento público de políticas sociais; pela criminalização da pobreza e de imigrantes; e exibe sua face nefasta pelas guerras neocoloniais em que máquinas de guerra maximizam lucros capitalistas com genocídio televisionado de povos inteiros, como o fazem hoje com palestinos, venezuelanos, cubanos, iranianos, populações periféricas brasileira, etc.
Diante da profundidade da destrutividade e da amplitude da crise da totalidade da sociedade burguesa, incluindo suas instituições, a história nos demonstra que não existe qualquer instituição burguesa capaz de conter a escalada de destruição: apenas a ação revolucionária da classe trabalhadora pode fazê-lo. A construção do poder popular torna-se, portanto, questão de vida e morte para a humanidade.
Este diagnóstico nos faz perceber que se torna tarefa histórica cada vez mais premente de partidos, sindicatos e toda sorte de instrumentos de luta da classe trabalhadora canalizar os descontentamentos difusos para, a partir da efervescência dos que lutam, construir saídas autodeterminadas por meio de consensos e lutas unitárias.
Neste cenário, quando se espera que a classe trabalhadora esteja solidarizando entre si, vemos o fascismo produzindo ódio entre nós; quando pensamos que nossa classe irá encontrar seus pontos de unidade de luta por meio do franco debate democrático na busca de saídas para problemas tão complexos, o que vemos é a esquerda dentro da ordem e burocratizada promover o sufocamento das instancias de debate que possam colocar em xeque suas estruturas de poder, denotando que adentramos o tempo da intolerância, em que “Se você quer um inimigo, é só falar o que pensa” (Elza Sores em “No tempo da Intolerância”).
Esta degeneração da democracia interna dos instrumentos de luta da classe trabalhadora, reflexo do giro a direita do espectro político mundial, se expressa e vem se intensificando no bojo do ANDES – Sindicato Nacional. Tivemos um Comando Nacional de Greve que se deu ao direito de encerrar a greve docente de 2024 sem deliberação de base; temos tido Congressos do Andes cada vez mais encurtados, com proposta de ser bianual; no CONAD de Manaus, foram adiantados os TRs que a diretoria julgava mais importantes e, ao final, foi votado que os TRs que não foram apreciados pelo CONAD não seriam remetidos a nenhuma outra instância, desprezando a construção coletiva entorno das propostas. Em suma, cada vez mais a burocracia que dirige o sindicato busca se afastar do debate coletivo para garantir medidas que perpetuem seu poder e toda pessoa que coloque tais medidas ao exame racional é combatida como inimiga. O rechaço ao dissenso vem se tornando regra.
Por exemplo, no Seminário Nacional do GTPCEGDS, a representante da ADUFMAT-SSIND foi com muitas demandas tiradas do GT e se inscreveu para fala em quase todas as mesas, todas as intervenções orientadas pelo coletivo; na ocasião houve brincadeiras de pessoas da diretoria dizendo que se limitaria um determinado tempo que cada pessoa poderia falar durante todo o seminário, devendo cada pessoa distribuir este tempo entre as mesas; uma piada para dizer que nossa representante estava falando demais; e que demonstra o desprezo pela construção coletiva desde a base.
Mas se no GTPCGDES o ataque foi sutil em meio a risadas cínicas, no Seminário Nacional do GTPFS essa violência escalou para o ataque aberto. Na ocasião, a representante da ADUFMAT-SSIND estava com a demanda do GT de questionar um vídeo em que o ANDES – Sindicato Nacional se utilizava de animais para transmitir determinado conteúdo. Em vez da mesa responder ao questionamento, a interlocutora foi hostilizada: primeiro, de forma descontextualizada, foram puxadas palavras de ordem contra machistas e fascistas, buscando caracterizar um questionamento legítimo como um ataque opressor.
Por fim, quem desferiu ataque opressor foi a diretora do Andes, ao fazer uso da palavra no último bloco de intervenções do dia de atividades, quando disse que tinha tido a ideia de fazer novos vídeos, agora com a “piranha da Amazônia”, numa comparação misógina e depreciativa da representante da Adufmat-Ssind com piranha.
Ao perceber que estava sendo atacada, nossa companheira decidiu gravar a cena e, então, vieram mais ataques. A diretora que participava da mesa afirmou que não tinha dado autorização para ser filmada por ela e, na sequência, o presidente do Sindicato interveio, comparando nossa companheira às práticas fascistas, de extrema direita, como Escola sem Partido. Importante dizer que em todos os eventos do ANDES as pessoas tiram fotos e fazem vídeos.
E a intimidação não parou aí. Alegando direito de imagem, a diretora acionou a Comissão de Ética para coagir a representante da ADUFMAT-SSIND a apagar o vídeo do celular. Então, nossa representante apagou o vídeo, mas indagou se seria instaurado um procedimento ético contra a dirigente que a atacou, comparando-a a piranha. Também é importante dizer que, até hoje, nenhum membro da Comissão de Ética deu qualquer satisfação à companheira ou, sequer, respondeu à solicitação formalmente protocolada poucos dias depois.
Também é fundamental registrar que a iniciativa de filmar - integral ou parcialmente - um evento público, durante evento sindical aberto, em contexto de debate político, afasta qualquer expectativa legítima de privacidade. Neste sentido, o próprio STF já tem entendimento consolidado sobre o assunto,não apenas porque o direto de imagem não constitui direito absoluto, na medida em que deve ser ponderado com a liberdade de expressão e o direito de informação, mas, inclusive, porque nos espaços e eventos públicos, quando envolvem agentes ou dirigentes no exercício de funções institucionais, prevalece o interesse coletivo à informação. Para além disso, o direito de imagem está assegurado tendo-se em consideração suas finalidades. Ora, no caso concreto, a gravação não tinha finalidade comercial, difamatória ou de exposição vexatória, mas um recurso legítimo de resguardo pessoal em um ambiente sindical bastante hostil e agressivo.
Não é possível aceitar que um sindicato que vem se empenhando e avançando em políticas de combate ao assédio, ao machismo e demais opressões se utilize de opressão machista e misógina para atacar e silenciar uma companheira que exercia seu direito democrático de contestação. O dissenso é próprio da vida democrática; lugares de pensamento único são aqueles autoritários, como religiões ou o exército. No bojo de um instrumento de luta da classe trabalhadora, a coação do livre pensamento é inaceitável; utilizando-se de comparações machistas então, torna-se inconcebível.
A Adufmat-Ssind foi fundada em plena ditadura militar; seus fundadores enfrentaram a tortura e os porões da ditadura para que a voz docente não fosse silenciada. Somos uma seção sindical ativa, crítica, radical e convicta de que nossa militância tem profundas contribuições com o ANDES-Sindicato Nacional em toda a sua história e seguiremos contribuindo e imprimindo nele a nossa marca, com ou sem consentimento de burocratas. Não toleraremos a tentativa de silenciamento de nossa militância, expressamos repúdio a postura autoritária e machista por parte da direção do ANDES-SN na ocasião citada e reiteramos nossa solidariedade a nossa companheira que não está sozinha: toda a ADUFMAT-SSIND a apoia e exige que a diretoria do ANDES-SN se retrate e que a democracia interna seja reestabelecida em nosso sindicato, sob preço dele se tornar inócuo aos desafios do complexo tempo presente.
Combateremos toda forma de intimidação, hostilidade e desrespeito de qualquer sindicalizado ou sindicalizada. Lutaremos para defender a democracia interna do ANDES-SN, defenderemos de forma intransigente o direito de livre expressão dentro do sindicato e o direito ao contraditório, ansiando que nosso sindicato possa continuar sendo ponta de lança na politização e organização da categoria docente e do conjunto da classe trabalhadora. Por fim, reforçamos a necessidade de aprovação do TR 92: “Sobre a Intolerância e perseguição político-sindicais”
Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso – Seção Sindical do Andes Sindicato Nacional.
Debate sobre a lista tríplice expõe risco à autonomia e ao papel social das instituições de ensino
O ANDES-SN realizou um debate nacional sobre o fim da lista tríplice na tarde de terça-feira (9), no Auditório Marielle Franco, na sede do Sindicato Nacional. O debate integrou o Dia Nacional de Luta pelo Fim da Lista Tríplice, em defesa da gestão democrática das instituições públicas de ensino e da autonomia universitária.

Márcia Abram Moura, docente da Universidade de Brasília (UnB) e ex-reitora da instituição por dois mandatos, destacou que o debate sobre autonomia universitária é fundamental. Ao abordar as universidades federais, lembrou que a UnB, fundada por Darcy Ribeiro, foi organizada para se libertar da opressão burocrática ministerial. Ela contou que a história da universidade é marcada por ataques, tendo sido invadida várias vezes pela polícia, e que a eleição paritária só foi conquistada em 2008.
A ex-reitora destacou que a autonomia, prevista na Constituição de 1988, abrange as esferas administrativa, didático-científica e de gestão, e precisa ser efetivada. A professora ressalta que a luta pelo fim da lista tríplice não é isolada, mas integra uma agenda maior em defesa da autonomia, que tem sido corroída por decisões infralegais.
Ela também mencionou a importância da decisão do STF em defesa da autonomia das universidades em 2018, ano em que, segundo a ex-reitora, as instituições “foram muito atacadas” e “impedidas algumas vezes de fazer manifestações”. Márcia lembrou ainda diversas medidas adotadas para intervir na escolha de reitores e reitoras, como a medida provisória editada em junho de 2020, sob a justificativa da pandemia de covid-19. Citou, inclusive, uma manchete publicada em um portal de notícias: “Após medida provisória de Bolsonaro, UnB pode ter reitor escolhido por Abraham Weintraub”.
A professora destacou que, entre 2019 e 2022, foram registradas 22 intervenções diretas na escolha de reitores e reitoras. Somadas às nomeações pró-tempore e a manobras administrativas, totalizaram 29 interferências na autonomia universitária. Explicou, ainda, que esses episódios formaram um padrão de desrespeito às decisões das comunidades acadêmicas.

José Carlos Santana, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) e ex-reitor por dois mandatos, apresentou um panorama da luta contra a lista tríplice em sua instituição. Ele recordou que o primeiro marco de vitória ocorreu em 1985, quando a lista tríplice para a escolha de diretoras e diretores de departamentos foi extinta. “Esse é um marco importante nessa história de luta contra a lista tríplice dentro da universidade, porque é o primeiro movimento de vitória da nossa luta”, afirmou.
Segundo Santana, outro momento decisivo ocorreu em 1987, quando as categorias realizaram uma “consulta à universidade” com inscrição de chapas, ampliando a participação democrática. “Pela primeira vez, nós conseguimos as três categorias organizadas realizar uma eleição na universidade, uma chamada consulta à universidade com inscrição de chapas e eleição na universidade”, explicou.
Após ser eleito em 2007, sua chapa implementou seu programa e, em sua reeleição, não enviou lista ao governo estadual, mas sim o resultado direto da votação da comunidade. O governador da época, Jaques Wagner, reconheceu a prática. No entanto, seu sucessor, Rui Costa, não manteve a conduta. “Fica evidente que, na Uefs, o processo de luta contra a lista tríplice é contínuo, ainda que marcado por avanços e retrocessos”, afirmou o ex-reitor.
Já André Ferreira, presidente da Seção Sindical dos(as) Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará (ADUFC-SSind.) contextualizou a intervenção sofrida pela Universidade Federal do Ceará (UFC) durante o governo Bolsonaro. Ele recordou que o reitor interventor foi um candidato que obteve menos de 6% dos votos na eleição e era o terceiro da lista. A intervenção produziu um período conturbado, marcado por ataques aos conselhos, além de perseguições políticas.

“A intervenção gerou um período conturbado na instituição, com ataques aos conselhos, grandes dificuldades de diálogo, desagregação institucional, perseguições políticas e um clima geral de apreensão. É um cenário de trabalho nada produtivo, mesmo sob critérios estritamente produtivistas ou de produção acadêmica”, relatou.
Como exemplo, citou a desfiliação unilateral da UFC da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), em 2021, sem deliberação do Conselho Universitário. Lembrou ainda o viés negacionista da intervenção e as tentativas de destruir a gestão democrática ao submeter a universidade a critérios de mercado.
Entre outras ações, a gestão interventora eliminou a representação estudantil nos conselhos superiores sob a falsa alegação de fraude eleitoral, distribuiu de forma arbitrária e sem transparência vagas de docentes e técnicos, rompendo com a política de reposição automática de aposentadorias nos departamentos. Também atacou a política de bolsas ao não estabelecer critérios transparentes para sua implementação.

De acordo com Cláudio Mendonça, presidente do ANDES-SN, a defesa da autonomia universitária está diretamente ligada ao projeto de uma universidade que seja pública, democrática, transparente, gratuita e autônoma.
Cláudio Mendonça contou que a Lei 5540, de 1968, Lei da Reforma Universitária, e parcialmente revogada ou alterada pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996 (Lei nº 9.394), que estabelece lista, foi instituída semanas antes do AI-5, classificando-a como um "entulho militar" e da ditadura empresarial-militar. Para ele, a luta pelo fim da lista tríplice é considerada fundamental para o fortalecimento da democracia e permitir que o ensino, pesquisa e extensão não sejam submetidos ao controle autoritário de gestores.
Ele reforçou ainda a urgência de dar continuidade a deliberação do ANDES-SN pelo fim da lista tríplice. O sindicato, conforme o presidente do Sindicato Nacional, defende que o reitor e o vice-reitor devem ser escolhidos por meio de eleições diretas e voto secreto, com participação universal ou paritária de todas as categorias, incluindo docentes, estudantes, técnicas e técnicos. A entidade defende que o processo eletivo deve começar e terminar no âmbito da instituição, sem interferência de nenhum governo.

Mendonça citou ainda a participação do ANDES-SN como amicus curiae na ADPF 548, que tratou da liberdade de expressão nas universidades brasileiras, e a criação da campanha “O que alguns chamam de balbúrdia, nós chamamos de produção de conhecimento público!”, que reuniu diversos relatos de docentes que, durante a pandemia e sob um governo genocida, atuavam nos laboratórios para salvar vidas e apoiar famílias.
Por fim, lembrou o dossiê “Militarização do Governo Bolsonaro e Intervenções nas Instituições Federais de Ensino”, publicado em 2021, que apresenta levantamento das intervenções e análise política. “É um material muito importante, que resgata o histórico de lutas que travamos, tanto no campo político quanto no jurídico”, afirmou.
“Nosso sindicato vai continuar firme na luta pela democratização das nossas universidades federais, estaduais, municipais e distritais, assim como também dos institutos federais”, concluiu o docente.

Fonte: Andes-SN | Fotos: Eline Luz
Dia Nacional de Luta pelo Fim da Lista Tríplice será realizado em 9 de dezembro
O ANDES-SN realizará, no dia 9 de dezembro, o Dia Nacional de Luta pelo Fim da Lista Tríplice, em defesa da gestão democrática das instituições públicas de ensino e da autonomia universitária. A convocação, via Circular 513/2025, orienta ações nos estados e a participação das seções sindicais no debate nacional em Brasília (DF).
A mobilização cumpre deliberações aprovadas no 43º Congresso do ANDES-SN e no 68º Conad, realizados neste ano, reafirmando o compromisso histórico da categoria com a democratização das instituições federais, estaduais, municipais e distrital de ensino superior (Ifes, Iees, Imes e Ides). Também marca o enfrentamento às intervenções autoritárias na escolha de reitores e reitoras ocorridas no último período.
Um debate nacional sobre o fim da lista tríplice está marcado para ocorrer às 17h, no Auditório Marielle Franco, na sede do Sindicato Nacional. As seções sindicais interessadas em enviar representantes devem se inscrever pelo formulário. O evento será transmitido ao vivo pelos canais oficiais do ANDES-SN.
A Circular 513 orienta ainda que as seções sindicais organizem atividades locais, como transmissões públicas do debate, aulas públicas, rodas de conversa e protocolo de documentos contrários à lista tríplice junto às Reitorias e conselhos universitários.
“Faz parte das lutas das e dos docentes, dos Setores organizados na base ANDES-SN, a luta pela democratização das instituições de ensino superior públicas para que os processos eleitorais para definição das gestoras e dos gestores ocorram organizados e com a participação das próprias comunidades universitárias. Defendemos que tais processos sejam balizados por regimentos que valorizem a participação, o debate das propostas e que garantam o respeito dos resultados da manifestação livre das e dos participantes”, explicou Maria do Céu, 3ª tesoureira do Sindicato Nacional.
A diretora ressaltou ainda que a luta da categoria também é orientada pelos princípios da gestão democrática, em defesa da autonomia universitária, de processos de escolha de reitoras e reitores com, no mínimo, a paridade. “Precisamos manter a mobilização e a pressão junto aos parlamentos, em prol do fim da lista tríplice, para que os processos de escolha dos gestores e das gestoras sejam encerrados nas próprias instituições", afirmou Maria do Céu.
Adicional de atividades penosas
Além das ações previstas para repercutir a luta pelo Fim da Lista Tríplice, no dia 9 de dezembro, às 9h30, a diretoria do ANDES-SN realizará um ato na Esplanada dos Ministérios, durante o protocolo de ofício no Ministério da Educação (MEC) e no Ministério da Gestão e Inovação (MGI), formalizando a cobrança pela implementação e regulamentação do adicional de atividades penosas em localidades de difícil fixação, conforme previsto no Art. 71 da Lei 8112/90.
As seções sindicais deverão replicar a ação em seus estados, protocolando o mesmo documento junto às Reitorias ou às assembleias legislativas, de forma simultânea ao ato nacional. O texto integral será enviado posteriormente em circular específica.
Fonte: Andes-SN
Centro-Oeste: sem acesso ao aborto legal, corpo da mulher vira território do abandono
O direito à interrupção da gestação é atravessado por quilômetros de estrada, julgamentos morais e uma rede pública despreparada
Com mais de 1,6 milhão quilômetros de extensão e população feminina superior a 8 milhões, o Centro-Oeste tem 30 serviços de aborto legal cadastrados, mas apenas 8 deles tiveram atendimento confirmado pelas respectivas secretarias estaduais ou pelo próprio serviço. As grandes distâncias somadas à escassez de oferta formam uma barreira adicional para quem precisa interromper uma gestação dentro dos critérios permitidos em lei.
Pessoas que engravidaram em decorrência de estupro, que gestam fetos anencéfalos ou correm risco de morte devido à gravidez, precisam enfrentar longas viagens para chegar a um hospital que realiza aborto legal. O caminho pode durar dias, custar caro e aprofundar o sofrimento de quem já está em situação de vulnerabilidade; jornadas exaustivas que podem influenciar na desistência do atendimento.
>> Esta reportagem faz parte do projeto Aborto e Democracia, da Artigo 19 e AzMina, que investiga as barreiras de acesso aos direitos reprodutivos em cada região do país. A série de cinco reportagens (uma por semana) se soma ao novo Mapa do Aborto Legal, atualizado pela Artigo 19, como ferramenta para garantir o aborto legal no Brasil. As matérias foram produzidas em parceria com os veículos feministas: Paraíba Feminina, Portal Catarinas e Nós, Mulheres da Periferia.
Patrícia Ferreira, assistente social do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap), em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, observa que mulheres adultas do interior geralmente chegam ao serviço de aborto legal da unidade usando ônibus e outros meios de transporte próprios. Já quando são crianças e adolescentes há geralmente uma comoção maior dos órgãos de proteção, o que facilita o acesso ao transporte por meio da secretaria de saúde municipal.
Para quem mora nas regiões ribeirinhas do Pantanal, no Mato Grosso do Sul, e precisa ir até o Humap, em Campo Grande, a viagem dura no mínimo 12 horas, sem contar o tempo de espera entre os meios de transporte. O primeiro passo é ir até Corumbá, um trajeto que pode levar mais de seis horas de barco. A isso, somam-se cerca de seis horas de viagem por estrada para percorrer os 430 quilômetros de Corumbá até Campo Grande.
No Mato Grosso, nove serviços estão listados no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), o que não dispensa a necessidade de grandes deslocamentos. A partir de Colniza (MT), um dos municípios mais isolados do Brasil — na fronteira com Rondônia e Amazonas —, são 1.050 quilômetros por rodovia até Cáceres, onde fica o serviço cadastrado mais próximo. Uma viagem de 15 horas de carro ou 28 horas de ônibus.
O estado mais populoso da região, com 7,2 milhões de habitantes (IBGE), Goiás só realiza aborto legal na capital, Goiânia, e em uma outra cidade próxima, Senador Canedo. Quem mora em São Miguel do Araguaia tem que percorrer uma distância de 540 quilômetros até o Hospital Estadual da Mulher Jurandir Freire - HEMU, em Goiânia.
Para quem sai de Campos Belos, o serviço de aborto legal mais próximo é o Hospital Materno Infantil de Brasília Dr. Antônio Lisboa (Hmib), no Distrito Federal, a cerca de 410 quilômetros. A distância do município até Goiânia é 200 quilômetros maior (610 km).
Via crucis vai além da distância
No Centro-Oeste e nas demais regiões do país, a distância a percorrer para chegar ao serviço de aborto legal é apenas uma das dificuldades enfrentadas. Desinformação de servidores de diferentes instâncias públicas, objeção de equipes de saúde, fundamentalismo religioso e o estigma que ainda cerca o aborto são alguns dos obstáculos cotidianos.
Mesmo gerando a comoção que facilita o deslocamento até os hospitais, crianças e adolescentes muitas vezes esbarram na desinformação nos serviços públicos. Uma conselheira tutelar do Mato Grosso do Sul, que não quis se identificar, conta que há alguns anos, uma menina deu entrada em uma UPA gritando com fortes dores na barriga. Durante a consulta foi verificado que a criança, de apenas 12 anos, estava grávida.
O caso chegou ao conselho tutelar por meio da denúncia de familiares, quando constataram que a menina sofria abusos sexuais há muito tempo. O estupro de vulnerável, como o Código Penal tipifica qualquer relação com menores de 14 anos, ocorria com o consentimento da mãe, que acreditava que a criança não podia engravidar.
A conselheira afirmou que a gravidez já estava em estágio avançado, cerca de cinco meses, e atribuiu a isso a negação do aborto legal, embora a legislação não estabeleça limite de tempo gestacional para a realização do procedimento. Logo, essa menina foi desencaminhada do serviço por um órgão que deveria facilitar o acesso a ele, e teve que levar a gestação até o final.
Tempo de gestação
A assistente social Patrícia Ferreira reconhece que o Humap já limitou o acesso por conta do tempo de gestação, devido a um entendimento inicialmente equivocado da nota técnica lançada pelo Ministério da Saúde em 2022, durante o governo de Jair Bolsonaro. Atualmente, após orientação da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o atendimento é feito independente do número de semanas de gestação.
O obstetra Ricardo Gomes, médico responsável pelo serviço de aborto legal na capital do Mato Grosso do Sul, explica que, acima de 22 semanas, a recomendação da Febrasgo é fazer a indução do óbito fetal dentro do útero e depois fazer o aborto. No entanto, ele afirma que esse procedimento de assistolia fetal não é oferecido em Campo Grande desde 2023, por falta de profissionais especializados. Nestes casos é necessário encaminhar a paciente para outro estado.
Mesmo quando o aborto legal não requer assistolia, e é feito via curetagem e aspiração uterina (procedimentos mais comuns no Brasil), o Humap tem restrições estruturais e de equipe para atender à demanda. Ricardo conta que o procedimento é realizado uma vez por semana, com duas vagas neste dia. Com isso, já chegaram a ter uma fila de espera de um mês e meio.
Quando Ricardo entra de férias a situação piora, pois o serviço é suspenso até o seu retorno, pois os outros médicos da unidade alegam objeção de consciência para não realizar o aborto legal.
Entre 2023 e 2024, o Ministério da Saúde registrou 88 abortos legais em Mato Grosso do Sul. Em Goiás, onde ocorreram 985 internações no período em decorrência de aborto — espontâneo ou provocado, com ou sem especificação legal —, os dados do MS apontam 145 procedimentos.
Em Mato Grosso, apenas 43 mulheres tiveram acesso ao aborto legal no período, segundo o Ministério. No Distrito Federal, que tem apenas um serviço cadastrado, a pasta aponta que 297 procedimentos foram realizados, revelando grande variação dentro da mesma região do país.
Falta de acolhimento e preconceito
Estela Márcia Scandola, professora, pesquisadora e doutora em Serviço Social, ressalta o desconhecimento do próprio corpo entre os fatores que impedem o acesso ao aborto legal. As meninas são vítimas de um sistema que não oferece informações confiáveis nem espaços de acolhimento adequados. Quando passam por uma situação de abuso sexual, muitas demoram a entender o que está acontecendo, que está gestando.
A professora diz que, ao buscar ajuda, essas meninas se deparam com duas instâncias decisivas: a família e a escola. “A possibilidade grande é a condenação dessa menina — não por estar grávida, mas por ter feito sexo, independentemente de ter sido um estupro.”
Ao longo de sua atuação como assistente social, Estela conta que acompanhou diversos casos marcados por negligência e violações dentro da rede pública. Em Mato Grosso do Sul, ela lembra de situações em que crianças e adolescentes do interior, mesmo com o direito ao aborto legal, foram desviadas do atendimento por profissionais despreparados ou mal-intencionados.
Em uma das situações, uma conselheira tutelar saiu da paralisia institucional e acompanhou de perto uma adolescente até a realização do procedimento. No entanto, o sigilo foi rompido por outra conselheira, que ligou para uma rádio comandada por um conhecido dela, da igreja, e relatou o caso. A exposição trouxe consequências graves. A adolescente precisou deixar a cidade, e a conselheira que a acompanhou sofreu represálias dentro da própria rede.
Uma rede de proteção bem estruturada é crucial para assegurar o acesso ao aborto legal com acolhimento, orientação, atendimento clínico e acompanhamento pós-abortamento de forma eficaz e respeitosa. Mas Adriano Ferreira Vargas, presidente da Associação de Conselheiros Tutelares do Mato Grosso do Sul, admite que a formação é muito precária e o poder público raramente oferece capacitações.
Revitimização afasta dos serviços
Para as pessoas adultas, estar nos municípios onde o aborto legal é oferecido não garante um acesso fácil e simples ao procedimento. Em Campo Grande, as vítimas de violência sexual ainda peregrinam por diversos serviços, como delegacias, UPAs e Instituto Médico Legal, tendo que contar sua história repetidamente.
“É uma revitimização dessa mulher que precisa contar essa história várias vezes, para diversas pessoas, para se descobrir o que fazer com ela. Mas é uma realidade, principalmente no interior do estado, em que esses marcadores são mais presentes”, comenta Taís Soares Ferretti, defensora pública do Mato Grosso do Sul. Ela atua no atendimento às mulheres vítimas de violência de gênero na Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande.
Esse fluxo, no entanto, não deveria ocorrer dessa forma, conforme orientação do Ministério da Saúde e a legislação vigente. A Norma Técnica de Atenção Humanizada às Pessoas em Situação de Violência Sexual e a Lei do Minuto Seguinte estabelecem que a vítima deve ser acolhida por equipes multidisciplinares em um serviço de referência, garantindo que relate sua história apenas uma vez, de forma humanizada e sem burocracia.
Segundo Taís, na Casa da Mulher Brasileira existem diversos órgãos de atendimento a mulheres vítimas de violência. Para evitar que a vítima tenha que passar pelo processo de revitimização dentro desse espaço, a defensoria procura, através do Nudem (Núcleo Institucional de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher), dar encaminhamentos qualificados.
Religiosos e profissionais reforçam estigma
As pessoas que realizam aborto legal também acabam expostas a constrangimentos por parte de grupos religiosos que atuam dentro de ambientes hospitalares. O Humap, que integra a Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), recebe ONGs e grupos religiosos que cantam nos corredores e pedem licença para orar nos leitos dos pacientes.
Em um caso recente, relatado por um profissional do Humap-UFMS, uma paciente que aguardava o procedimento de aborto legal ouviu os louvores e saiu do quarto. No corredor, ela foi abordada por uma mulher e acabou revelando o motivo de sua internação. Essa interação quase levou a paciente a desistir do procedimento.
A equipe do hospital orienta as pacientes a evitar sair, pois “todos sabem que o leito X é onde internamos os casos de violência sexual”, o que gera uma “rotulação do quarto”.
Em alguns casos, a estigmatização é alimentada pela própria equipe de saúde. Uma funcionária que atende no Mato Grosso do Sul conta que já presenciou desassistência proposital a paciente que já havia expulsado o feto. A mulher teve um sangramento e passou por uma internação mais longa do que o necessário porque alguns profissionais argumentaram objeção de consciência.
A objeção de consciência é um direito previsto na Resolução CFM Nº 2.232/2019, que permite que profissionais de saúde se recusem a realizar um procedimento com base em suas convicções pessoais, mas não é absoluto. O médico não pode negar atendimento quando a paciente estiver em situação de urgência ou emergência; quando não houver outro médico disponível para substituí-lo; ou quando a recusa colocar a saúde ou a vida da paciente em risco imediato.
Sendo assim, a objeção de consciência não pode ser usada como justificativa para negar etapas essenciais do atendimento, como exames, prescrições ou continuidade do cuidado iniciado. “Ele (o médico) pode se negar a iniciar o procedimento, mas a partir do momento em que foi iniciado, não pode interromper”, explica Ricardo Gomes, citando diretrizes da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).
Um cerco simbólico de leis e projetos
Como se não bastassem as diversas barreiras já existentes, deputados estaduais e vereadores do Centro-Oeste têm apresentado projetos que reforçam estigmas e criam constrangimentos institucionais para quem precisa do aborto legal.
Em Mato Grosso, o avanço de pautas conservadoras ocorre de maneira articulada, com atuação forte da Frente Parlamentar Estadual “Pró-Vida” na Assembleia Legislativa. Esse tipo de frente cria uma ambiência de vigilância que interfere no comportamento de gestores, profissionais de saúde e educação.
Em janeiro de 2024, a Assembleia Legislativa do Estado de Goiás instituiu a Lei Estadual nº 22.537/2024, que cria a “Campanha de Conscientização Contra o Aborto para as Mulheres”. A lei prevê que o Estado promova ações como a realização de ultrassonografias com batimentos cardíacos do feto, a criação de um “Dia Estadual contra o Aborto” e estimule a iniciativa privada e ONGs a prestar assistência a mulheres grávidas que manifestem o desejo de abortar.
A Lei, no entanto, não específica quais tipos de entidades podem prestar esse atendimento. Isso abre brechas para instituições religiosas e movimentos conservadores tentarem persuadir pessoas que já estão fragilizadas a desistirem de acessar o aborto legal.
Enquanto isso, as propostas nacionais que poderiam contribuir para mudança deste cenário, como a PL 2520/2024, que busca garantir a disponibilidade de profissionais qualificados para a realização de abortos legais, seguem sem apoio ou visibilidade no Centro-Oeste. O projeto de lei determina que, nas unidades públicas de saúde em que houver apenas um médico e este se recusar a realizar o procedimento, a unidade deverá solicitar imediatamente outro profissional.
Fonte: Revista AzMina
Texto: Maria Gabriela Dias e Jane Fernandes
Link da matéria original: https://azmina.com.br/reportagens/centro-oeste-sem-acesso-ao-aborto-legal-corpo-da-mulher-vira-territorio-do-abandono/
InformANDES: Governo Trump intensifica campanha contra universidades nos EUA
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou uma campanha sem precedentes contra diversas universidades do país – entre elas Harvard, Columbia e Princeton - usando cortes de verbas federais e ameaças de perda de isenção fiscal como formas de impor uma agenda política conservadora. Sob o pretexto de combater o antissemitismo, o governo exige o fim de programas de diversidade, a realização de auditorias externas em departamentos acadêmicos e maior controle sobre os processos de contratação e admissão— medidas criticadas como interferência direta na autonomia universitária.
Foto: Banco de Imagens / Uso exclusivo do ANDES-SN
Como forma de perseguir estudantes estrangeiros, a administração Trump editou um decreto proibindo a emissão de novos vistos estudantis, e retirou Harvard e outras instituições do programa de acesso a esses vistos. Estudantes de graduação e pós-graduação estrangeiros, incluindo brasileiras e brasileiros, relatam medo de deportação, incertezas quanto à renovação de bolsas e repressões veladas.
A repressão às universidades integra um conjunto mais amplo de ações autoritárias do governo Trump, que também se manifestaram no campo econômico e diplomático. Um exemplo disso foram os tarifaços impostos contra países aliados e setores estratégicos, usados como forma de chantagem e imposição unilateral dos interesses dos EUA. Entre eles, destaca-se a taxação de de 50% anunciada pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, que afetou diretamente exportadores e reforçou a postura hostil da administração frente a países que não se alinhavam completamente aos seus interesses. A estratégia de aplicar sanções econômicas ou ameaças financeiras a instituições e nações reforça o perfil de um governo que atacou sistematicamente a autonomia, a diversidade e o pensamento crítico, tanto no plano interno quanto internacional.
Gustavo Seferian, ex-presidente do Sindicato Nacional, comenta que as medidas autoritárias, adotadas por Trump, têm impacto sobre a autonomia das universidades, a comunidade acadêmica e representam riscos para o mundo todo. Para ele, as recentes sinalizações de cortes de verbas para as instituições vêm como uma chantagem declarada para que estas se alinhem com suas perspectivas de governo, subtraindo a autonomia para o empenho de atividade de pesquisa e interditando a atuação docente na promoção de campos teóricos – a exemplo do marxista - ou pautas políticas e sociais específicas – como a questão ambiental, questões de gênero, raça e sexualidade, dentre outras.
O docente lembra que, embora as universidades estadunidenses massivamente tenham parte de suas receitas advindas da iniciativa privada, guardam significativa parcela do orçamento vindos dos cofres públicos. A retórica de Donald Trump, que associa as universidades a uma "agenda progressista", contribui para a desconfiança da população na ciência, além de ameaçar a produção de conhecimento, desenvolvimento de tecnologias e pesquisas.
“Esta é, sem sombra de dúvidas, uma das questões mais significativas quanto à ofensiva do neofascismo sobre as universidades nos Estados Unidos e em todo o mundo. Digo isso em razão de tais medidas concretas promoverem uma deslegitimação social de tudo que advém das universidades – instituições que tem uma historicidade própria, que conforma inclusive sua natureza de classe e limites estruturais –, que não podemos deixar de considerar como o construto mais democrático e permeável às disputas políticas da modernidade capitalista. Reside aí seu ‘perigo’: fazer com que as universidades não gozem de reconhecimento social, de sua importância, possam ser desmerecidas em seu exercício institucional e de seus agentes, é tarefa primeira daqueles que desejam destruí-las, a exemplo do que é o programa em definitivo de Trump, do trumpismo e daquilo que Michael Löwy vem chamando de uma ‘internacional marrom’”, afirma.
Embora a perseguição às universidades e suas comunidades já tenha ocorrido no primeiro mandato de Trump, neste segundo termo houve uma escalada nos ataques ideológicos e institucionais, com a repressão a protestos e a perseguição a estudantes, em especial imigrantes. Em março, por exemplo, dois pesquisadores brasileiros tiveram vistos negados para participar de um evento no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
“Hoje estamos notando uma crescente perseguição a docentes, que correm risco de perder seus cargos, a interdição de financiamento de projetos de amplo perfil crítico – não apenas com perspectivas marxistas, revolucionárias ou algo que o valha -, tendo inclusive impacto a realidade acadêmica brasileira – a exemplo dos colegas Marco Antônio Alves e Lorena Martoni, da FD-UFMG -, a expulsão e extradição de estudantes, dentre outras consequências”, ressalta Seferian. Em fevereiro, o Fulbright Specialist Program impôs uma série de censuras ao projeto “The Critical Law Theory Dilemma: Contemporary Challenges”, coordenado pelo docente Marco Antônio Sousa Alves (UFMG) e pela docente Lorena Martoni de Freitas (Uemg).
A partir das novas diretrizes políticas do governo Trump, o programa solicitou a supressão de termos como “opressões de gênero, classe e raça”, “direitos humanos”, “justiça social”, “interculturalidade”, “direitos civis e políticos” do projeto. As políticas que minam a diversidade, a liberdade de expressão e a atuação crítica das universidades podem ter sérias implicações de longo prazo para o ensino superior nos EUA e no mundo.
Seferian pontua que as consequências tendenciais são as da corrosão do espaço crítico, da resistência não apenas no campo teórico, mas organizativo de docentes e estudantes, bem como a intensificação dos tentáculos do capital na vida universitária.
Leia aqui a matéria completa do InformANDES de Junho/2025
Fonte: Andes-SN
Nesta segunda-feira, 14/07, em assembleia geral convocada para este fim, foi empossada a representação local da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) no Araguaia. A assembleia foi realizada mesmo durante as férias docentes por conta dos prazos cartoriais para que as gestões possam assumir, de fato, o controle administrativo e financeiro da entidade.
A nova administração, “Democracia, Participação e Transparência”, é formada pelos professores Raimundo Expedito dos Santos Sousa (coordenador geral), Zenilda Lopes Ribeiro (coordenadora secretária) e Valéria Márcia Queiroz (coordenadora tesoureira), que estarão à frente da representação local do sindicato até meados de 2027.
O novo coordenador geral disse os colegas que um dos principais desafios é trabalhar pela unidade da categoria em âmbito local. “Me disponibilizo para esta cooperação na Adufmat-Ssind, partindo da preocupação com os problemas locais, mas também globais, da UFMT e do Ensino no Brasil, de modo geral. Nosso objetivo é estabelecer diálogo com a classe professoral, para que nós saibamos as dificuldades enfrentadas, que são pontuais, questões hierárquicas como a da emancipação, entre outras. E também procurar criar um corpo docente mais unificado em torno dos nossos ideais, falta um pouco disso, uma participação maior dos docentes. Me coloco também à disposição para o diálogo com a sede”, concluiu Sousa.
Os professores Edson Spenthof, Gerdine Sanson e Maelison Neves desejaram um bom mandato à nova gestão.
Após a declaração de posse, o professor Spenthof deu uma notícia bastante aguardada, especialmente para os docentes dos campi do interior: segundo ele, pela primeira vez, a reitora da UFMT assumiu uma posição com relação às propostas de desmembramento dos campi. Nas palavras de Spenthof, Marluce Souza e Silva disse, em reunião, que neste momento acredita ser ideal a promoção da multicampia de forma efetiva, mantendo a instituição unida. Para isso, a instituição elaborará uma Resolução de Multicampia. A docente garantiu, ainda, que promoverá amplos debates sobre o tema, em assembleias universitárias, e que respeitará as decisões que as comunidades acadêmicas encaminharem. Clique aqui saber mais sobre esse assunto.
Na semana passada, a Diretoria colegiada e a representação local em Sinop foram empossadas (leia aqui). Novamente não houve candidatura para a função de conselheiro fiscal neste biênio, devendo este ponto de pauta ser convocado, novamente, no edital da próxima assembleia geral.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Empossadas Diretoria e representação colegiada da Adufmat-Ssind 2025-2027
Em assembleia geral realizada nesta quarta-feira, 09/07, foram empossadas a Diretoria Colegiada e a representação local da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) de Sinop. A Diretoria “Adufmat é pra lutar!”, e a representação local “Adufmat somos todos nós”, dirigirão o sindicato pelos próximos dois anos.
O clima festivo demarcou a abertura, com uma breve intervenção artística da cantora Gê Lacerda, acompanhada do irmão, Pedro, e da também diretora da Adufmat-Ssind, Lélica Lacerda.
Em seguida, a Diretoria que se despede, “Lutar e Mudar as Coisas nos Interessa Mais” fez um balanço político das atividades dos últimos dois anos, que envolveram: o desafio de otimizar os recursos financeiros do sindicato; realizar, junto às outras entidades representativas da UFMT, a consulta informal para a Reitoria; dirigir uma greve; realizar mudanças estruturais na sede; organizar e/ou participar de atos públicos, como o 8M-Dia Internacional de Luta das Mulheres Trabalhadoras, contra o PL do estuprador (Projeto de Lei que equiparava o direito legal ao aborto a homicídio), Contra a Escala 6x1; 1 de Maio – Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores; realizar debates para debater a questão da Palestina, a visibilidade lésbica e os 60 anos do golpe que instaurou a ditadura militar no país; além de minutas sobre a Progressão Funcional, de combate aos assédios dentro da UFMT, pelo reconhecimento do direito ao afastamento sem perda de vínculo trabalhista de docentes vítimas de violência (que se tornou um Projeto de Lei apresentado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso), e pela implementação de uma política voltado aos servidores aposentados.
A gestão também fez denúncias públicas sobre o fechamento das salas de atendimento especializado às mulheres vítimas de violência doméstica pela Prefeitura de Cuiabá, sobre a proposta inviável e perigosa de retaludamento do Portão do Inferno, feita pelo Governo do estado, e sediou, em Cuiabá, a campanha “Glauber Fica”, com a presença do deputado federal Glauber Braga.

“Nós nos preocupamos em fazer uma gestão que contemplasse as lutas gerais, mais amplas, da classe trabalhadora, mas também os interesses mais específicos dos professores. Isso tudo, cumprindo uma jornada de trabalho de 40h semanais, normalmente, como qualquer docente. Isso faz da jornada militante um sobretrabalho, tem que ser pautado nas discussões sobre a Resolução 158/10 [encargos docentes na UFMT], que teremos à frente”, disse o professor Maelison Neves, que deixa a direção geral do sindicato.
Se despedindo da direção geral adjunta, a professora Lélica Lacerda destacou que a gestão se propôs, desde o princípio, a “lutar e mudar as coisas”. “A gente está num contexto que, por mais que a gente lute, sempre tem muito para lutar. Nós tentamos trazer uma perspectiva de análise de classe e de construção do sindicato, visando responder as demandas do século XXI. Não temos mais como cair na concepção marxista mecanicista e não reconhecer as condições concretas da nossa classe, que tem raça, que tem gênero, que tem cor, que tem sexualidade”, ressaltou, antes de relembras as atividades.
O professor Waldir Bertúlio, que continuará diretor na próxima gestão, lembrou do início da entidade. Ele foi o primeiro presidente da Adufmat-Ssind e sofreu perseguição política, chegando a ser exonerado na época. “Quero agradecer a todos aqueles que fizeram muita fora para erguer a nossa associação política e o próprio Andes-Sindicato Nacional, que começou com docentes de sete universidades, e nós fizemos parte desse processo, em plena ação da ditadura civil-militar”, disse o professor, citando nomes como Sérgio Galati, Iraci Salles, Arnaldo Ibrahim Drummond e Nicolau Priante Filho. O professor Vicente Ávila, um dos fundadores do sindicato, também compareceu à cerimônia.
A professora Clarianna Silva destacou que subsede do sindicato em Sinop sediará a sétima conferência estadual de direitos humanos. “Pela luta deste sindicato, o conselho de Direitos Humanos, que antes só atuava em Cuiabá, se interiorizou. Isso demonstra o compromisso político desta entidade com os direitos humanos”, pontuou, relatando, ainda, alguns enfrentamentos na região norte do estado, a elaboração minuta cuidadores e autistas, contra as visões capacitistas. “A Adufmat não só critica, ela conduz e ela ensina como fazer. Isso é histórico e acho que é o nosso legado também. Uma excelente gestão aos colegas que assumem esta tarefa”, concluiu a docente.
Por fim, a Diretoria agradeceu aos representantes do Sindicato dos Servidores Técnicos-administrativos (Sintuf-MT), Elisete Hurtado e Luzia Arruda, e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Matheus Araújo, pela parceria nas ações políticas, e a troca da composição da mesa foi efetuada, dando lugar aos novos membros da Diretoria.
Adufmat é pra lutar!
“Gostaria de saudar a presença de todos e todas, e agradecer, não só pelas palavras dos companheiros e companheiras que estão voltando para a base, cumprindo a tarefa, muito bem cumprida, na direção da Adufmat-Ssind, mas pelo trabalho desempenhado nesses últimos dois anos. Trabalho que eu sei que não é fácil, mas tem sido fundamental, especialmente nesta que é uma entidade histórica de luta da classe trabalhadora e, beirando seus 50 anos de existência, contribuiu para consolidar o conjunto de lutas e conquistas, que a classe trabalhadora, professores e professoras, estudantes e técnicos e técnicas-administrativas e o conjunto de movimentos sociais e populares de Mato Grosso tiveram nos últimos 50 anos. Para além daqueles que são memória martirizada do nosso movimento, nós temos companheiros e companheiras que são memória viva aqui conosco”, iniciou o professor Breno Santos em seu primeiro pronunciamento como diretor geral da Adufmat-Ssind, acrescentando que conheceu boa parte dos ali presentes no mesmo auditório da posse, espaço em que, em suas palavras, obteve formação política por excelência desde 2018, quando chegou na universidade.
“Nós temos muitas diferenças, táticas, estratégicas, e até estéticas, muitas vezes. Mas uma coisa é certa: o inimigo é muito cruel. Ele é muito forte, agressivo e incansável. Então, diante de um inimigo deste nível – estou falando de inimigo de modo genérico, porque a gente tem uma concepção de inimigo que é central, um modo de produção que explora, oprime e expropria cotidianamente a classe trabalhadora, com suas representações estatais, governamentais e empresariais. Ele é forte, é cruel, é incansável, e nós temos que ser iguais. Diante de um inimigo como este, a Adufmat-Ssind, que é uma entidade histórica de luta da classe trabalhadora, tem um desafio igualmente histórico. Diante da conjuntura brutal que nós vivemos de retirada de direitos e demolição da nossa concepção mais básica e fundamental de democracia, de universidade pública, de educação pública, nós precisamos nos manter uma luta unitária. A luta é uma expressão da composição da nossa sociedade, ela é inerente ao modo material, concreto, da sociedade que nós temos hoje. Diante disso, não tem um caminho que não seja lutar em unidade com todos esses setores. Nós precisamos das entidades e organizações do campo combativo e classista fortes e presentes na vida cotidiana, tanto da categoria quanto da classe trabalhadora. Uma Adufmat forte é fundamental para manter o Movimento Docente no rumo da luta, e fundamental para manter o diálogo saudável e combativo junto ao conjunto da classe trabalhadora. O compromisso central da nossa gestão será manter a Adufmat no sentido da luta”, concluiu o novo diretor.
A professora Maria Luzinete Vanzeler, que será diretora-secretária até 2027, também agradeceu aos presentes, aos votos obtidos, e concordou que as diferenças na unidade movem as lutas da categoria. “Devemos estar unidos dentro das semelhanças e diferenças, porque elas fazem o crescimento do sindicato”.
A diretora-geral adjunta empossada, professora Gerdine Sanson, disse estar feliz pela possibilidade de ter uma experiência na diretoria geral do sindicato - e também na representação local -, e destacou a questão da multicampia. “O olhar multicampi ainda está sendo construído dentro da UFMT, e a Adufmat-Ssind nos ajuda a criar espaços de diálogos que são bloqueados ou não trazidos espontaneamente pelo campus”, afirmou.
O também novo diretor, da pasta de Assuntos Culturais, Gustavo Canale, falou da importância da educação e da arte para a luta. “Trazer agitação cultural é fundamental no arco do desmatamento, no cinturão da soja, onde o enfrentamento ao Agronegócio se faz cada vez mais importante. A educação e a cultura têm um papel fundamental nesse processo”, concluiu.

Os professores Gerdine Sanson e Gustavo Canale falaram de Sinop, por videoconferência
Pela representação local em Sinop, o professor Mauro Dresch lembrou de sua graduação, na UFMT, no ano de “faz tempo”, e disse que, agora, enquanto docente, terá como desafio construir a unidade na defesa não apenas da categoria, mas do ensino superior. “Gosto de estar na UFMT, entendo a necessidade do sindicato na atuação de proteção, de acolhimento, busca de direitos e identidade dentro do corpo docente. O maior desafio na regional é buscar um pouco mais de articulação entre os professores, um discurso mais unificado, buscando maior consenso. Desafio que estamos nos propondo a atuar em prol, não só dos docentes, mas da UFMT inteira, levando em consideração todo esse movimento de desinteresse pela educação superior, de sucateamento - que nunca foi um problema, sempre foi um plano muito bem arquitetado, que está dando muito certo. Vamos trabalhar para que tenhamos uma universidade maior, mais unida e mais coesa, tratar sempre com diálogo e evitar ranhuras entre nós”, finalizou.
A docente Paula Moreira, também representante da subseção de Sinop, falou da necessidade de reorganização local. “A ideia é tentar colocar a Casa em dia, começar pelo princípio, relembrar à nossa categoria por que o sindicato existe. Fazer valer, de novo, a democracia; mostrar a força que tem a Adufmat em Sinop, e que isso é muito importante nos dias de hoje”.
Por fim, o professor Einstein Aguiar refletiu sobre a participação da categoria no processo eleitoral do sindicato e também concluiu que os professores precisam reconhecer a importância da luta sindical, tendo a Adufmat-Ssind como ferramenta. “A gente teve uma aula hoje, do Valdir e do Breno. Eles colocaram a Adufmat num contexto de temporariedade, mas nós somos atemporais. Eu fiquei chateado, porque, no processo eleitoral, nós tivemos 20 abstenções. Fiquei me perguntando: com uma única chapa candidata, a pessoa votou contra o sindicato? Nós precisamos criar uma cultura de engajamento... é assim que a sociedade está se pautando hoje. Mas nós não estamos conseguindo chegar no foco. Temos cerca de 1600 sindicalizados, a grande maioria doutores, e eu vejo tantos absurdos! Não podemos permitir que um colega fale mal do sindicato, isso é doentio. É preciso ter consciência. Alguém me perguntou qual era a minha profissão, e eu respondi: eu não sou um dador de aula, eu sou um educador!”, afirmou o, agora, diretor-tesoureiro do sindicato.
Em seguida, a eleição do Conselho Fiscal foi remetida para a primeira assembleia da gestão, devido à ausência de candidatos à função.
A assembleia foi encerrada após os cumprimentos feitos por docentes, estudantes e representantes de outros movimentos sociais, como Sintuf-MT e DCE – já mencionados -, e da coordenadora geral do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica e Profissional (Sinasefe-Mato Grosso), Andreia Iocca.
A representação local do Araguaia, “Democracia, participação e transparência”, não pode comparecer e será empossada em nova assembleia, convocada para 14/07.
CONFIRA AQUI A GALERIA DE IMAGENS
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
A Comissão Eleitoral informa que a Seção 8 - Local de votação para a Diretoria e representações locais da Adufmat-Ssind 2025 no Hospital Julio Müller mudou para Sala 2 do Bloco Didático HUJM.
A Comissão Eleitoral informa que a Seção 8 - Local de votação para a Diretoria e representações locais da Adufmat-Ssind 2025 no Hospital Julio Müller mudou para Sala 2 do Bloco Didático HUJM.












