Em decorrência do feriado de 04/06, informamos que não haverá expediente na Adufmat-Ssind na sexta-feira, dia 05/06. Retomaremos as atividades na segunda-feira, 08/06.
****
Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
****
Juacy da Silva*
“A educação ambiental ampliou seus objetivos. Enquanto no início estava centrada principalmente na informação científica, na conscientização e na prevenção de riscos ambientais, hoje ela tende a incluir uma crítica aos “mitos” de uma modernidade fundamentada em uma mentalidade utilitária (individualismo, progresso ilimitado, competição, consumismo, mercado desregulado). Busca também restaurar os diversos níveis de equilíbrio ecológico, estabelecendo a harmonia dentro de nós mesmos, com os outros, com a natureza e outros seres vivos, e com Deus. A educação ambiental deve facilitar o salto em direção ao transcendente, que confere à ética ecológica o seu significado mais profundo. Ela precisa de educadores capazes de desenvolver uma ética da ecologia integral e de ajudar as pessoas, por meio de uma pedagogia da liberdade eficaz, a crescer em solidariedade, responsabilidade e cuidado compassivo." Papa Francisco, Laudato Si, 2015.
Hoje, 03 de junho, Dia Nacional da Educação Ambiental, não celebramos apenas uma data do calendário ecológico, mas, sim, celebramos os chamados de nosso saudoso Papa Francisco, que nos alertou na Laudato Si' §217 quando disse, textualmente: "Não bastam as normas, sem uma conversão do coração".
Da mesma forma, o Papa Leão XIV, seguindo na mesma direção, insiste que “É preciso passar dos discursos ambientalistas a uma conversão ecológica que transforme o estilo de vida pessoal e comunitário.” Pronunciamento na abertura da Conferência “Espalhando a Esperança”, ressaltando a necessidade de uma conversão ecológica do coração e dos estilos de vida, para atender à urgência das ações diante da crise climática que tanto fustiga o planeta e a humanidade, por ocasião das celebrações dos dez anos da Laudato Si, em 01/10/2025, em Castel Gandolfo.
Neste sentido, a Educação Ambiental é um caminho a ser seguido, um instrumento fundamental na transformação de nossos hábitos de consumo e consumismo, de desperdício, de geração de lixo e tantas outras mazelas que contribuem para a degradação e a poluição do ar, dos solos e das águas e a destruição do planeta.
No Brasil, a Educação Ambiental foi tratada na Lei nº 9.795/99, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental. Conforme seu Art. 1º, entendem-se por educação ambiental (EA) os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e à sua sustentabilidade.
O Art. 2º define que “A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal”.
Todavia, a educação ambiental direciona-se também para outros públicos, como gestores e trabalhadores dos setores público e privado, para as empresas, para os movimentos sociais, sindicais, comunitários e, também, para os fiéis de todas as Igrejas e religiões.
Cabe enfatizar também que a Educação Ambiental precisa ter uma dimensão crítica, libertadora, indo também às estruturas políticas, sociais, culturais e econômicas, a partir das quais novos paradigmas devem definir as relações de trabalho e de produção, incluindo, é claro, como os sistemas econômicos se relacionam com a natureza, com o consumo e com o mundo do trabalho, principalmente em vista das profundas transformações científicas e tecnológicas, como, por exemplo, a Inteligência Artificial (IA) e seus impactos na ecologia integral e no mundo do trabalho.
Voltando à questão dos valores, é importante indagarmos que valores são esses que são o cerne da educação ambiental?
A Política Nacional de Educação Ambiental insiste, também, que “Art. 3º Como parte do processo educativo mais amplo, todos têm direito à educação ambiental” e, ao definir os princípios que devem moldar a educação ambiental, estabelece, na verdade, os valores que a fundamentam.
Vejamos então: Art. 4º São princípios básicos da educação ambiental: I - o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo; II - a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o socioeconômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade; III - o pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade; IV - a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais; V - a garantia de continuidade e permanência do processo educativo; VI - a permanente avaliação crítica do processo educativo; VII - a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais, nacionais e globais; VIII - o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural”.
Ao definir os objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental, a dimensão crítica está explicitamente estabelecida. Vejamos os três primeiros desses objetivos: “Art. 5º São objetivos fundamentais da educação ambiental: I - o desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos; II - a garantia de democratização das informações ambientais; III - o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social”.
De forma semelhante, a Igreja, através das Encíclicas e das Exortações de diferentes Papas, tem contribuído para uma melhor compreensão da educação ambiental, no contexto da Ecologia Integral, para a solidificação de valores referentes às relações da humanidade com a natureza (as obras da criação) e também das relações humanas, sociais, econômicas e políticas, insistindo, por exemplo, “que não existem duas crises separadas, de um lado uma crise ambiental e de outro uma crise socioeconômica e política; mas apenas uma única e complexa crise socioambiental”, conforme consta da Laudato Si. A solução passa, necessariamente, pelo cuidado com a natureza, mas também pelo cuidado com os pobres e excluídos, as maiores vítimas deste processo que culmina na crise climática e suas consequências. Neste sentido, não podemos nos referir à educação ambiental sem considerar as dimensões da justiça social, da justiça climática e da justiça intergeracional.
O Papa Francisco resumiu em Roma, em 2014, falando aos Movimentos Populares, que "Terra, teto e trabalho" (frequentemente chamados de "os três Ts") formam um tripé de direitos sagrados e fundamentais para garantir a dignidade humana. Esse conceito tem forte raiz na Doutrina Social da Igreja Católica, tendo sido difundido de forma marcante pelo Papa Francisco e reafirmado por seu sucessor, como em diversos pronunciamentos recentes do Papa Leão XIV em encontros com movimentos populares.
Esta trilogia dos três “Ts” não é slogan de partidos ou movimentos de esquerda ou de movimento sindical. É parte integrante da Ecologia Integral e da Doutrina Social da Igreja e deve ser tratada também como base para uma educação ambiental crítica e libertadora dentro e fora da Igreja.
Por isso, neste dia dedicado à Educação Ambiental no Brasil, a pergunta que nos move é uma só: sobre qual Educação Ambiental estamos falando? A que enfeita relatórios de ESG ou advoga apenas uma maquiagem, como na chamada “economia verde”, ou a que muda hábitos, estilo de vida, estruturas sociais, econômicas e políticas que geram degradação ecológica, exclui os pobres, alimenta a pobreza e estimula o consumismo e o desperdício?
A educação ambiental crítica estimula atitudes que reduzem o consumismo e o desperdício, que estimulam a partilha, a economia solidária, a agroecologia e o respeito aos limites da natureza e aos direitos das gerações futuras. E, neste sentido, seu foco passa do individualismo para a dimensão comunitária, coletiva.
Precisamos refletir que este é um convite para a Igreja, para a escola, para o poder público, para os empresários e para o chão da fábrica, para os camponeses, para os povos indígenas, para passarmos da mera reflexão para ações sociotransformadoras, como recentemente se manifestou o Papa Leão XIV ao dizer, em sua primeira encíclica, a Magnifica Humanitas, que o conhecimento deve servir ao bem comum. O saber precisa ser democratizado e usado para "desarmar" as estruturas de desigualdade e exclusão, em vez de se tornar um monopólio de poucos.
Esta exortação do Papa Leão XIV está em perfeita sintonia com a proposta de Francisco, na Laudato Si, ao vincular educação ambiental com espiritualidade ecológica e com o propósito da EA, no contexto de uma proposta mais ampla, que é o Pacto Global pela Educação, ao escrever no Capítulo 6 ("Educação e Espiritualidade Ecológica") sobre a educação ambiental, definindo-a não apenas como conscientização científica, voltada apenas para o intelecto, mas como uma verdadeira mudança de paradigma que deve moldar um estilo de vida sustentável.
Por esta razão, insistimos que a Educação Ambiental deve ser também e, principalmente, objeto das ações evangelizadoras da Igreja, dos cristãos, enfim, dos fiéis de todas as religiões, na dimensão sociotransformadora de nossas relações com a natureza e também de nossas relações econômicas, sociais e políticas em todos os países, inclusive no Brasil.
Como a Igreja no Brasil trabalha as questões socioambientais? A resposta pode ser encontrada nos diversos documentos, como as Encíclicas Laudato Si, Fratelli Tutti, Magnifica Humanitas e as Exortações Apostólicas Laudate Deum, Querida Amazônia, Dilexi Te, além de diversos documentos, como os de Aparecida e outros mais do CELAM.
Mas é importante também mencionar o Diretório da Pastoral Social da CNBB, Doc. 85, 2007; o "manual" que orienta toda a ação social da Igreja no Brasil, onde aparece a Educação Ambiental, no Cap. III, nº 89-92 - "Dimensão ecológica da caridade". A CNBB afirma: "A caridade cristã, hoje, inclui necessariamente o cuidado com a casa comum. A Educação Ambiental é instrumento privilegiado da evangelização social, pois forma sujeitos capazes de novos hábitos e de transformação das estruturas".
Se a educação ambiental é caridade, a mesma não pode ser considerada apenas uma dimensão assistencialista, como muitas pessoas imaginam. Por exemplo, como conjugar distribuição de cesta básica para famílias que não têm moradia digna e moram ao lado de esgoto e de lixões, sem a mínima dignidade? Será que, neste contexto, educação ambiental, no sentido de mudar hábitos, funciona?
A Igreja reconhece na EA uma dimensão pedagógica da fé e que deve integrar a formação do cristão e a evangelização. Formar novos hábitos e estilos de vida, como preceitua a Encíclica Laudato Si, faz parte das ações pastorais da Igreja e passa a ser um tema transversal que une ciência e religião, fé engajada e caridade libertadora, teologia, sociologia e antropologia.
Outro exemplo: o texto-base da Campanha da Fraternidade de 2025, cujo tema foi a Ecologia Integral, esclarece que a “conversão ecológica (o caminho para mudanças de hábitos e de estilos de vida) deve refletir-se no âmbito comunitário, por meio da promoção da educação ambiental”.
O artigo 13-A da Política Nacional de Educação Ambiental instituiu o Junho Verde, vinculando-o à educação ambiental não formal, ou seja, de difusão ampla e geral, com o objetivo de atingir o público em geral e despertar ou estimular a consciência ecológica/ambiental.
Vejamos: “Art. 13-A. Fica instituída a Campanha Junho Verde, a ser celebrada anualmente como parte das atividades da educação ambiental não formal” - § 1º O objetivo da Campanha Junho Verde é desenvolver o entendimento da população acerca da importância da conservação dos ecossistemas naturais e de todos os seres vivos e do controle da poluição e da degradação dos recursos naturais, para as presentes e futuras gerações. (incluído pela Lei 14.393/2022); § 2º A Campanha Junho Verde será promovida pelo poder público federal, estadual, distrital e municipal em parceria com escolas, universidades, empresas públicas e privadas, igrejas, comércio, entidades da sociedade civil, comunidades tradicionais e populações indígenas, e incluirá ações direcionadas para diversos setores, agentes e assuntos.
Diante dos desafios socioambientais que se agravam a cada dia, desprezar a Educação Ambiental Crítica é reduzir sua importância enquanto instrumento do despertar da consciência ecológica e, ao mesmo tempo, um mecanismo de transformação de hábitos e de estilos de vida, aspectos fundamentais para reduzirmos esta marcha irracional rumo a uma degradação ambiental e destruição dos biomas e ecossistemas.
Como sempre tem dito o Secretário-Geral da ONU, a janela para impedirmos as catástrofes ambientais está se fechando e o tempo para agirmos está ficando mais curto. A hora de agir é agora, e a educação ambiental é fundamental neste processo.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) anunciou a prorrogação, em caráter excepcional, do prazo para a realização da Validação Cadastral 2026. Com a mudança, os servidores públicos federais ativos, aposentados e pensionistas têm, agora, até o dia 12/06/2026 para concluir o procedimento - que é obrigatório.
Segundo a instituição, a decisão de estender o prazo ocorreu devido a uma indisponibilidade técnica nas funcionalidades do sistema registrada no dia 31/05/2026, assim, os servidores que eventualmente encontraram dificuldades podem regularizar sua situação dentro do novo cronograma estabelecido.
O MGI reforçou, no entanto, que não haverá uma nova prorrogação após essa data. Então, é preciso realizar a validação impreterivelmente até o dia 12/06. Os servidores que não o fizerem serão notificados e poderão sofrer medidas administrativas e até apuração disciplinar, no caso de servidores ativos.
A validação deve ser realizada por meio da plataforma SouGov. Caso o servidor já tenha efetuado o procedimento e seu status esteja regular, as novas orientações de urgência podem ser desconsideradas. Mais informações e suporte podem ser obtidos no portal oficial de serviços do Governo Federal.
Fonte: Divulgação institucional (com edição da Adufmat-Ssind)
Nos dias 10 e 11/06, quarta e quinta-feira da próxima semana, o auditório da Associação dos Docentes da UFMT (Adufmat-Ssind) será o centro de um debate urgente e necessário para o futuro do estado e do país. O seminário "Minerais Estratégicos, Energia e Sustentabilidade" propõe uma reflexão provocativa: o que estamos vivendo hoje é uma verdadeira transição energética ou apenas uma "transação", que prioriza lucros em detrimento do meio ambiente e das comunidades?
O evento, organizado pelo Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA) da Adufmat-Ssind, sob a mediação do professor José Domingues de Godoi Filho (Departamento de Geologia/UFMT), busca integrar a academia com as vozes que sentem na pele os impactos da exploração mineral.
A programação começa às 08h30 da quarta-feira, dia 10/06, com exposição da Adufmat-Ssind sobre a relação do sindicato com a questão socioambiental. Em seguida, o integrante da coordenação nacional do Movimento pela Soberania Popular na Mineração (MAM), professor Charles Trocate, discorre sobre a luta pelo território e o controle do subsolo e, por fim, o representante da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT) falará sobre como a mineração tem afetado os povos indígenas do estado.
Agroecologia e o papel da Universidade
Na quinta-feira, 11/06, o foco será a crítica aos modelos globais de desenvolvimento. Às 8h30, o professor José Gilberto de Souza (UNESP) discutirá a "falsa sustentabilidade" dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e como a agroecologia e os saberes territoriais podem oferecer caminhos reais para o futuro. A partir das 10h, o representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) iniciará sua intervenção, debatendo o papel das universidades públicas na construção de uma sustentabilidade autêntica.
Além de ser um espaço de construção de consciência crítica, essencial para estudantes e trabalhadores de modo geral, o seminário oferecerá certificação de 8h para os participantes. As inscrições poderão ser feitas a partir do preenchimento do formulário disponível aqui.
O evento será gratuito e aberto a qualquer pessoa interessada em entender as complexas relações entre energia e o destino dos nossos territórios.
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Em votação relâmpago e esvaziada, o Senado Federal aprovou em dois minutos, nesta terça-feira (2), o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 3/2025), que cancela a Resolução 258/2024 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) e dificulta a realização de abortos em crianças e adolescentes vítimas de estupro. Chamado de PDL da Pedofilia e do Estupro por movimentos sociais, o texto segue para promulgação do Congresso Federal.
Conforme dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero, divulgados no último mês de maio, de 2011 a 2024, em média, 64 meninas foram vítimas de violência sexual, por dia, no Brasil. Neste período, 308.077 mil meninas até os 17 anos de idade sofreram esse tipo de violência no país.Se considerado somente o ano de 2024, foram registrados 45.435 casos, uma média de 3,78 mil notificações por mês.
O ANDES-SN repudia a aprovação do PDL 3/2025 e destaca que, no Brasil, mais de 68% dos responsáveis por estupros de crianças são familiares. O Censo do IBGE de 2022 registrou que existem 34 mil crianças e adolescentes de até 14 anos vivendo em uniões conjugais no Brasil.
Embora o aborto seja reconhecido, no Brasil, para casos de risco à vida da gestante, estupro e anencefalia do feto, meninas e adolescentes têm sido vítimas de uma dupla violência com exposição e estabelecimento de dificuldades institucionais para terem acesso à interrupção da gestão. Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do ANDES-SN, ressaltou que a votação representa um ataque brutal ao direito de crianças e adolescentes.
“Hoje, o Brasil teve um retrocesso gigantesco, a partir da movimentação da extrema direita no Senado, na figura da ex-ministra Damares (PL-DF), que, quando foi ministra [da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos] desestruturou todas as políticas relacionadas à defesa da criança e de adolescentes, dos direitos sexuais e reprodutivos, que colocou meninas e menines em situações de vulnerabilidade. Esta mesma senhora foi responsável por pautar, no Senado, o PDL da Pedofilia, que foi aprovado de forma aligeirada na Comissão de Direitos Humanos do Senado e depois no Plenário, com o apoio do presidente da Casa, Alcolumbre”, afirmou a diretora do Sindicato Nacional
Caroline reforçou que, para o ANDES-SN, a votação do PDL 3/2025 é uma afronta e um ataque à democracia, ao direito das mulheres, das crianças e de adolescentes. “É um ataque direto ao Estatuto da Criança e do Adolescente e, principalmente, representa um ataque da extrema direita contra o movimento da classe trabalhadora pelo fim da escala 6x1, pois, agora, a extrema direita usa uma pauta sensível e delicada para tentar mostrar alguma força depois da derrota em relação à redução de jornada para 40 horas semanais e ao direito de dois dias de folga para a classe trabalhadora no Brasil”, acrescentou.
PDL da Pedofilia e do Estupro
O PDL 3/2025, de autoria da deputada Chris Tonietto (PL/RJ), já havia sido aprovado na Câmara de Deputados em novembro do ano passado. O projeto susta integralmente a Resolução 258, de 2024, do Conanda, que trata do atendimento de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual e da garantia de seus direitos. A resolução regula procedimentos já previstos no ordenamento jurídico brasileiro para casos específicos, como gravidez resultante de estupro, risco à vida da pessoa gestante e anencefalia fetal.
Entre as ações previstas na norma, destacam-se o treinamento de profissionais para identificar situações de violência sexual e a garantia de um atendimento rápido, sigiloso e livre de preconceitos. De acordo com o Conanda, a medida reforça a prioridade absoluta do interesse da vítima, garantindo-lhe sigilo, autonomia e o direito de ser ouvida sem sofrer novas violências pelas instituições.
Além disso, define protocolos para a escuta especializada e a notificação dos casos, buscando evitar a revitimização no sistema judicial e hospitalar. O texto proíbe a violência institucional e exige que os profissionais atuem de forma humanizada, respeitando os direitos reprodutivos e o desenvolvimento dos jovens. Também assegura que divergências familiares não devem anular a vontade da criança, garantindo assistência jurídica gratuita para a proteção de seus direitos fundamentais.
“Precisamos denunciar e lutar contra esse absurdo. Nós, do ANDES-SN, repudiamos o PDL 3 de 2025 e, principalmente, repudiamos as ações da extrema direita, que insiste em transformar estuprador em pai e crianças em mãe”, conclamou a 1ª vice-presidenta do Sindicato Nacional.
Fonte: Andes-SN
O ANDES-SN encaminhou, nessa segunda-feira (1º), a Circular nº 225/2026 solicitando às seções sindicais informações sobre arrecadação, quadro de sindicalização, despesas e custos eleitorais. O levantamento integra os estudos da Tesouraria Nacional e atende a uma das indicações apontadas durante o II Seminário Nacional de Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas do ANDES-SN, realizado entre os dias 22 e 24 de maio, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
II Seminário Nacional tratou do Fundo Único, entre outras pautas. Foto: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN
De acordo com a circular, os dados irão subsidiar a Tesouraria Nacional a aprofundar os estudos em curso, especialmente aqueles relacionados aos Textos de Resolução (TRs) que propõem ao ANDES-SN formas de apoio financeiro às seções sindicais, aos eventos deliberativos e ao processo eleitoral. A implementação dessas medidas depende da análise de sua viabilidade financeira.
Para isso, foi disponibilizado um formulário com perguntas sobre número de sindicalizadas e sindicalizados, formas de arrecadação, despesas com manutenção de sede, pessoal e eleições. As respostas deverão ser enviadas até o dia 15 de julho.
Acesse o formulário aqui.
Leia a Circular nº 225/2026
Fonte: Andes-SN
****
Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
****
Alair Silveira
Professora e Pesquisadora SOCIP e PPGPS/ICHS/UFMT
Membro GTPFS/ADUFMAT/ANDES-SN
O II Seminário Nacional de Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas ocorreu no período de 22 a 24 de maio/2026, no campus da Unicamp, em Campinas/SP. Este Seminário – sequência daquele realizado em novembro/2025 – teve como objetivo debater os TRs aprovados sobre o tema nos Grupos Mistos do 44º Congresso Nacional do ANDES-SN (março/2026, Salvador), de forma a subsidiar o 69º CONAD, que ocorrerá entre 02 e 05 de julho/2026, em São Luís/MA.
O II Seminário, entretanto, não cumpriu integralmente as deliberações congressuais, na medida em que – seletivamente – excluiu o TR 92 do direito de participar da exposição e discussão assegurado aos demais TRs na mesma condição. Organizado sobre cinco Mesas dedicadas às questões organizativas, administrativas, financeiras e políticas, em nenhuma delas os signatários do TR 92 foram convidados a expor o conteúdo do seu Texto-Resolução e, tampouco, a debatê-lo. Questionada sobre as razões pelas quais descumpriu deliberação congressual e subtraiu direito assegurado, a Diretoria Nacional do ANDES-SN silenciou, ignorando os dois pedidos de esclarecimentos feitos por uma das signatárias do TR 92. Ironicamente, o II Seminário foi generoso com a utilização da palavra democracia como ‘princípio’ sindical inarredável!
Também o estudo detalhado sobre as finanças do ANDES-SN, com projeções sobre o impacto de algumas das proposições aprovadas nos Grupos Mistos do 44º Congresso, não foi feito pela Diretoria, apesar da determinação congressual. Em seu favor, justificou-se pelo excesso de atividades e o curto espaço de tempo entre o Congresso e o II Seminário. Contudo, apesar das justificativas e diante da insatisfação manifesta dos presentes, no transcurso do dia 22 e o dia 24, foi apresentado um estudo preliminar, com algumas projeções de impacto.
Nestas circunstâncias – e apesar delas – o II Seminário não foi somente prejudicado pela ausência de uma radiografia quanto às seções sindicais (número de filiados, critérios e percentuais de contribuição, arrecadação etc.), mas, também, por projeções agrupadas, que impediram uma análise qualificada e profícua.
Conforme relatos foram sendo feitos, foi se descortinando um quadro de enormes disparidades entre as seções sindicais, comprometendo qualquer política uniforme que desconsidere as particularidades. Consequentemente, a aprovação do número de 350 filiados como critério para garantir uma política de apoio às pequenas seções sindicais (para participação em eventos nacionais) já se mostrou inadequada.
Além disto, muitas propostas sugeridas pela Diretoria e/ou apresentadas pelos participantes, evidenciaram um processo de naturalização da cultura empresarial por dentro do Sindicato. Assim, sob a lógica da “otimização” do tempo, ouviu-se intervenções que, há alguns anos, seria impensável: a) “excesso” de TRs que impedem a deliberação nos eventos nacionais (Congressos e CONADs); b) inconveniência política de dividir tempo de intervenção com observadores (que não votam) e o custo que representam (impacto sobre o rateio); c) necessidade de limitar o número de intervenções (talvez a um único bloco); d) avaliar a possibilidade de reduzir tempo para discussão reservado à Análise de Conjuntura; e) aprofundamento da fragmentação política, com existência de muitos Coletivos (em torno de 10), em oposição ao ANDES-SN que, anteriormente, se aglutinava em torno da ANDES-AD; f) aumentar a exigência de 40% de aprovação nos Grupos Mistos para diminuir o número de TRs para Plenária; g) aumentar o número de exigências para apresentação de TR etc.
Com relação à proporcionalidade eleitoral para composição da Diretoria, percebeu-se um aumento nas intervenções favoráveis ou mais sensíveis à proposição. A proposta com maior número de posições contrárias foi apresentada pelo Coletivo POR, defendendo que a eleição das Regionais tenha como colégio eleitoral os filiados das seções sindicais da Regional.
No mesmo tópico, a eleição virtual foi defendida a partir de uma concepção cindida de democracia, na qual as discussões, debates e campanha seriam presenciais, mas, a eleição seria virtual, como um ‘momento’ separado do processo. Nesta perspectiva, a eleição estimularia a participação de muitos docentes que não querem participar... afinal, segundo seus proponentes, não somente as seções sindicais conhecem melhor sua base sindical, senão que o ANDES-SN não pode manter uma atitude tecnofóbica, recusando-se a incorporar a conveniência das eleições virtuais. Ainda de acordo com seus defensores, as eleições presenciais representam “gastos mal-feitos”.
Ao final, sob a métrica da otimização do tempo, a política sindical e a democracia interna parecem cada vez mais incompatíveis pelo tempo que demandam para ouvir, debater e deliberar. Desta maneira, vamos progressivamente nos afastando do Sindicato que construímos para nos aproximar da política que condenávamos. Realmente, são tempos sombrios estes!
****
Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
****
Juacy da Silva*
Em sua obra O Capital, Marx trata do “tempo livre” como um direito da classe trabalhadora, argumentando que a verdadeira liberdade começa quando cessa o trabalho determinado pelas necessidades da sobrevivência, possibilitando ou permitindo que o trabalhador possa ter tempo para seu desenvolvimento pessoal, convivência com a família, atividades de lazer ou simplesmente o descanso pessoal.
O trecho central que sintetiza essa ideia é bem claro: "O reino da liberdade, na verdade, só começa onde cessa o trabalho determinado pela necessidade e pela adequação a finalidades externas; situa-se, portanto, por sua própria natureza, além da esfera da produção material propriamente dita."
Para Marx, no sistema capitalista, o trabalhador é alienado de seu tempo, ou seja, não é dono de seu tempo, que deve ser “vendido” ao dono do capital, apenas vende sua força de trabalho para garantir sua própria sobrevivência e de sua família. Assim, as jornadas excessivas, com 12 ou até 18 horas de trabalho por dia, às vezes sete dias por semana, acabam roubando-lhe o tempo necessário para estar com sua família, para o descanso físico, para seu desenvolvimento social e político. Daí surgem as condições que alimentam a alienação como condição subalterna em relação aos proprietários do sistema de produção.
Assim, o trabalhador transforma-se em um elo da engrenagem do sistema produtivo capitalista em troca de salários aviltados que, a cada dia, têm um poder de compra reduzido e de condições sub-humanas.
É neste contexto que surge o conceito de “mais-valia”, segundo o qual: “O tempo que o trabalhador passa na fábrica é dividido entre o trabalho necessário (para pagar seu próprio custo, a sua sobrevivência) e o trabalho excedente (que gera o lucro do patrão). Reduzir a jornada é limitar essa apropriação do tempo de vida”.
Quanto maior for a jornada de trabalho e quanto menor for o salário, maior será a “mais-valia” e o lucro dos donos do capital; este é o mecanismo da alienação e exploração dos trabalhadores.
Vejamos como este debate tem acontecido há séculos, enfatizando a exploração dos trabalhadores em geral, em todos os países, inclusive no Brasil, sob o sistema econômico desumano, denominado pelo Papa Francisco como a Economia da Morte, a “economia que mata”, estando diretamente relacionado também com o aviltamento do poder de compra do salário do trabalhador em geral e do salário mínimo, em particular.
O Papa Leão XIII, por exemplo, diante da exploração perpetrada pelo capitalismo “nascente”, também denunciado por Marx, ao publicar a Encíclica Rerum Novarum, em 15 de maio de 1891, considerou as exaustivas jornadas de trabalho, às vezes com mais de 18 horas de duração, incluindo até mesmo crianças e adolescentes, desde a época da Revolução Industrial até o final do século XIX, como desumanas.
Ele (o Papa Leão XIII) criticou duramente a exploração do trabalhador, comparando a situação dos operários a uma condição de quase escravidão, ou, como eufemisticamente a nossa legislação considera, como “condições análogas à escravidão”, ainda existentes no Brasil, exigindo que o tempo de trabalho fosse rigorosamente limitado e adequado ao descanso.
Os principais pontos abordados pelo Papa Leão XIII, na Encíclica Rerum Novarum, sobre as jornadas de trabalho incluem: a) limites de horas - o Papa defendeu que o tempo e a duração do trabalho diário não deveriam exceder a capacidade e as forças do trabalhador, garantindo pausas e períodos de repouso proporcionais ao desgaste físico; b) proibição do trabalho excessivo, enfatizando que a jornada de trabalho não poderia ser "tão longa e tão dura" a ponto de esgotar as energias do corpo e da mente, o que impedia os trabalhadores de terem vida familiar e social; c) proteção à família, Leão XIII argumentou que a jornada exaustiva e a falta de descanso roubavam o tempo de convívio familiar, sendo necessário resguardar o tempo para o exercício da moral e da religião; d) condições especiais, destacando que o descanso precisava ser redobrado para certas categorias, como a situação das mulheres, crianças e adolescentes nas fábricas e minas, principalmente de carvão, em condições inadequadas, desumanas, por não respeitarem a fragilidade física de cada pessoa.
A Rerum Novarum, além de fornecer as bases teológicas, antropológicas e sociológicas para o surgimento da Doutrina Social da Igreja, considerando a Justiça Social como parâmetro fundamental, tendo o bem comum e a dignidade dos trabalhadores como apanágios, também influenciou o surgimento de uma legislação trabalhista e humanista em diversos países, inclusive no Brasil, tanto no final do século XIX quanto ao longo do século passado.
Ainda hoje, a Doutrina Social da Igreja (DSI) continua inspirando os debates e sugestões em torno das condições e das relações de trabalho e produção, incluindo jornada de trabalho, salário e outros direitos dos trabalhadores, ao exigir que o Estado intervenha para proteger os direitos humanos básicos dos trabalhadores, considerados o “elo” mais fraco do sistema produtivo e das relações de trabalho, diante dos abusos do capitalismo, do neocapitalismo ou de outros sistemas que não respeitam a dignidade dos trabalhadores.
Além da questão da duração da jornada de trabalho semanal, também não podemos fugir de um debate complementar que é a questão do valor do salário mínimo, aspecto fundamental para entendermos os níveis de exploração do fator trabalho e o processo de acumulação nos países capitalistas ou assemelhados.
Conforme dados recentes do IBGE, de 2025, em torno de 35,3% dos trabalhadores do setor privado recebiam no máximo um salário mínimo mensal, sujeitos a vários descontos, o que reduz o valor real recebido a menos de R$ 1.500,00 mensais a preços de 2026. De forma semelhante, em 2025, aproximadamente 28,5 milhões de aposentados e pensionistas do INSS recebiam no máximo um salário mínimo mensal.
Conforme dados do DIEESE, o valor do salário mínimo em 2026, para ter o mesmo poder de compra de quando foi estabelecido em 1943, deveria ser de R$ 7.435,00 e não os R$ 1.621,00 que estão em vigor.
Resumindo, o poder de compra do valor do salário mínimo em 2026 é de apenas 21,8% do que era em 1940, ou seja, ao longo de mais de 85 anos, o trabalhador que recebe salário mínimo foi “roubado” e continua sendo “roubado” pelo capital em nada menos do que 78,2% e ainda continua trabalhando 44 horas semanais.
Durante os dois primeiros governos de Lula, o governo Dilma e, novamente, nesta terceira gestão de Lula, o salário mínimo tem sido reajustado minimamente acima da inflação, no máximo em torno de 4% em média anual. Assim, para corrigir esta defasagem atual do salário mínimo, continuando este “reajuste” de 4% acima da inflação anual, somente por volta de 2050 os trabalhadores brasileiros teriam o poder de compra do salário mínimo equivalente ao poder de compra de 1940, ou seja, mais de um século de espoliação da força de trabalho.
Diante desses números bem claros, constata-se que, para minorar a penúria, a miséria, a pobreza e a exclusão em que vive mais da metade da classe trabalhadora no Brasil, o “sistema” utiliza as estruturas do Estado/Governo para “complementar” a renda desta parcela “surrupiada”, em que vivem os trabalhadores excluídos e em estado de miserabilidade.
Este é o mecanismo como as elites dominantes, que detêm o capital e também dominam as estruturas do poder, criam políticas públicas de cunho eminentemente assistencialista, mantendo uma grande parcela dos trabalhadores, da ativa e também aposentados ou pensionistas, acorrentados, para manterem esta parcela da população manipulada política, social, ideológica, eleitoral e institucionalmente, gerando também a corrupção, que é outra marca registrada dos donos do poder.
Assim, esta luta pelo fim da escala 6 x 1 e a redução da jornada semanal de trabalho para no máximo 40 horas faz justiça, reduzindo a carga de trabalho, aumentando o tempo livre para que o trabalhador possa estar com sua família, ter mais tempo para lazer, para descansar, mas, na verdade, a grande maioria que ganha apenas salário mínimo vai fazer alguma outra atividade, algum “bico”, para complementar a renda familiar, já que o seu salário é insuficiente para atender suas necessidades pessoais e de sua família, como estabelece a Constituição.
Para as elites e os donos do poder, e determinados setores da classe trabalhadora, a jornada 6 x 1 já foi abolida há muito tempo; para os marajás da República, como a chamada “classe política”, a jornada real de trabalho semanal não passa de 3 x 4, ou seja, três dias de “trabalho” e quatro “visitando as bases”; convenhamos, deve ser um trabalho muito árduo quando comparado com a “vida mansa” dos trabalhadores de “chão de fábrica”, nos andaimes da construção civil ou no meio rural.
Ao receber em audiência os representantes da Ordem dos Consultores do Trabalho em 18 de dezembro de 2025, Leão XIV, que tem se comprometido a lutar contra as guerras, pela defesa da ecologia, da vida e da dignidade humana, destacou que o trabalho deve ter como centro a dignidade da pessoa humana e da família, e não o lucro ou as leis do mercado econômico, enfatizando que o trabalho não é apenas um meio de subsistência, mas um caminho de realização humana: “Trabalhando, nos tornamos mais pessoa, a nossa humanidade floresce”. Neste aspecto, Leão XIV dá continuidade aos três “Ts” do Papa Francisco: TERRA, TETO e TRABALHO.
Vejamos, agora, o que estabelece a nossa Constituição Federal de 1988, no artigo sobre os Direitos dos Trabalhadores: “Dos Direitos Sociais - Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social.... IV – salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim”.
A duração da jornada semanal de trabalho é estabelecida no artigo 7º, inciso XIII, e inclui, entre os direitos dos trabalhadores, que a “duração do trabalho normal não superior a oito horas diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a compensação de horários e a redução da jornada, mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho”.
Convenhamos, esta é uma luta que já dura 135 anos, desde quando Leão XIII publicou a Rerum Novarum em 1891 e que atualmente também o Papa Leão XIV retoma com muita coragem e determinação.
Oxalá o Senado Federal não seja um obstáculo para a aprovação da Emenda Constitucional amplamente aprovada neste final de maio de 2026 na Câmara Federal. Não podemos permitir, e nem é justo, que o crescimento do PIB, os lucros exorbitantes do setor empresarial e a acumulação de capital, renda, patrimônio e riquezas nas mãos de uma minoria, como tem acontecido no Brasil, sejam fruto da exploração do trabalhador brasileiro, muitas vezes em condições de extrema pobreza e ainda assemelhadas ao trabalho escravo.
Este é o sentido e significado da luta contra a escala 6 x 1 e que precisa ser continuada pelo resgate do poder de compra do salário mínimo; esta é uma luta permanente dos trabalhadores brasileiros.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
****
Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
****
Juacy da Silva*
“Os países que se agarram aos combustíveis fósseis não estão a proteger as suas economias – estão a sabotá-las. A transição para a energia limpa é o presente que continua a dar. Vai purificar o ar, satisfazer a procura crescente e ajudar a garantir o acesso à eletricidade para todos, ao mesmo tempo que salva o nosso planeta." António Guterres, Secretário-Geral da ONU, 26/01/2024, por ocasião do Dia Internacional da Energia Limpa, na Indonésia.
A ONU, em sua Assembleia Geral realizada em 23 de agosto de 2023, aprovou a criação do DIA MUNDIAL DA ENERGIA, a ser celebrado anualmente em 29 de maio, sendo que a primeira celebração ocorreu em 2024.
O tema oficial do Dia Mundial da Energia em 2026 é "Energia: Resistir à Pressão". O mote foi escolhido para o seminário principal organizado pela Associação Portuguesa de Energia (APE) em Lisboa, focando nos desafios atuais do setor.
Este tema enfatiza a necessidade de garantir a soberania energética diante da dependência externa, da instabilidade geopolítica frente a tantos conflitos e guerras que afetam o suprimento de energia a diversos países e, também, as pressões climáticas, econômicas e do comércio internacional e, ao mesmo tempo, também enfatizando a necessidade de uma transição energética limpa, justa e universal para garantir um futuro sustentável para todos os países e um melhor bem-estar para toda a população, sem discriminação ou exclusão, como atualmente ainda acontece.
Apesar do “progresso” tecnológico e do crescimento do PIB mundial ao longo de mais de 80 anos, o número de pessoas sem acesso à energia elétrica no mundo em 2025 foi de 685 milhões de habitantes, sendo que desses, em torno de 590 milhões estão na África. No Brasil, entre 700 mil e 1,5 milhão de pessoas não têm acesso à eletricidade, principalmente nas regiões Norte, Nordeste e nas periferias urbanas.
Isto demonstra a importância de refletirmos sobre os desafios e riscos associados não apenas à energia, suas fontes de produção e os impactos que, por exemplo, a energia oriunda dos combustíveis fósseis acarreta para o planeta, principalmente os impactos do aquecimento global, do aumento da temperatura e da crise climática.
Além dos impactos socioambientais, a questão da energia está umbilicalmente ligada a duas outras dimensões, que são a geopolítica, onde as intrincadas relações de poder mundial ocorrem em meio a inúmeros conflitos de interesses econômicos e, também, aos conflitos armados/guerras entre nações, tendo a energia como ponto central.
Assim, a energia também está presente quando refletimos sobre soberania nacional, entendida como a capacidade que um país tem em definir seu próprio destino, seus objetivos nacionais, evitando estar dependente de outros países em diversos aspectos ou áreas de interesse vital.
A partir desta lógica, a soberania nacional tem diversas dimensões, incluindo a energia, mas não apenas esta. Assim, quando se fala em soberania nacional ou na necessidade de um projeto nacional de desenvolvimento, no mesmo devem estar incluídas diversas dimensões como: soberania energética; soberania científica e tecnológica; soberania econômica; soberania alimentar; soberania territorial e soberania política.
Voltando à reflexão sobre o Dia Mundial da Energia, a ser celebrado, através de reflexões mais aprofundadas, em 29 de maio de cada ano, é importante aprofundar as análises em relação à transição energética, sem combustíveis fósseis, para que os países possam, de fato, cumprir com as diversas cláusulas do Acordo de Paris, firmado na COP 21, em 2015, evitando que a temperatura média do planeta exceda 1,5º C ou, no máximo, 2,0º C, acima dos quais as condições de vida no planeta podem se tornar impossíveis.
Da mesma maneira, não podemos olvidar que a questão energética, como aspecto central das relações geopolíticas, está cada vez mais presente e afeta, de maneiras diferentes, cada país, dependendo de seu peso específico nesta arena mundial do jogo de poder, em que alguns países, principalmente as potências e superpotências, tentam ditar as regras, sempre em favor de seus interesses e objetivos.
Diante disso, energia, geopolítica e soberania nacional podem ser consideradas três dimensões que definem o futuro da humanidade e de cada país ou o que poderíamos chamar de “nosso futuro comum”, título de um relatório produzido em 1987, quando, pela primeira vez, a ONU enfatizou a importância do desenvolvimento sustentável e não predatório, como atualmente ainda acontece.
O relatório “Nosso Futuro Comum”, conhecido como Relatório Brundtland, foi um documento histórico publicado em 1987 pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU. Coordenado pela ex-primeira-ministra norueguesa Gro Harlem Brundtland, ele popularizou globalmente o conceito de desenvolvimento sustentável.
Desde a realização da 1ª Conferência Mundial sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente, realizada em Estocolmo (Suécia), em 1972, coordenada pela ONU, e ao longo das 30 COPs (Conferência da ONU sobre o Clima), o tema da energia ou, mais recentemente, da energia limpa, da transição energética, enfim, a luta pelo fim da exploração e uso de combustíveis fósseis como principal fonte de energia dos diversos países, tem estado presente nos debates realizados.
Neste contexto, o tema energia comporta uma reflexão sobre a soberania energética, ou seja, a capacidade de um país controlar de forma autônoma suas matrizes energética e elétrica, incluindo produção e distribuição de energia. Isso garante o abastecimento nacional sem dependência excessiva de fontes ou fornecedores externos, protegendo a economia e a sociedade contra crises e conflitos globais que ocorrem na arena geopolítica internacional, como aconteceu na crise do petróleo de 1967, em uma, de tantas guerras que têm ocorrido no Oriente Médio, da mesma forma que atualmente acontece em mais uma guerra, cujas repercussões têm afetado diversos países, principalmente aqueles que dependem da importação de petróleo.
De forma semelhante, a invasão da Ucrânia pela Rússia, que desencadeou uma guerra que já dura mais de quatro anos, além da destruição da infraestrutura daquele país, também tem afetado o suprimento de gás para inúmeros países europeus, dependentes desta fonte de energia oriunda da Rússia, que a tem usado como uma arma geopolítica e geoestratégica.
Diante dessas vulnerabilidades, ou seja, dependência de energia importada, principalmente combustíveis fósseis, e, também, pela degradação socioambiental que tais fontes de energia acarretam ao clima e outras dimensões ecológicas, a alternativa mais plausível, mais eficiente e mais limpa têm sido as fontes renováveis e sustentáveis de energia, como energia solar, eólica, das marés e geotérmica, a bioenergia, o hidrogênio verde e, até mesmo, a energia nuclear, com as restrições e conflitos em torno desta última.
Outra não foi a razão pela qual a ONU, ao estabelecer os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), em 2015, mesmo ano da publicação da Encíclica Laudato Si pelo Papa Francisco (que trata da Ecologia Integral) e do Acordo de Paris, estabeleceu o ODS 7: “Energia limpa e acessível: Garantir o acesso a fontes de energia acessíveis, confiáveis, sustentáveis e modernas para todos”.
Cabe ressaltar que o horizonte temporal para que os ODS sejam implementados é o ano de 2030 (Agenda 2030 da ONU), cabendo a cada país transformar tais objetivos em políticas públicas nacionais, o que nem sempre tem acontecido.
Vejamos as cinco metas estabelecidas pela ONU, voltadas para este objetivo: Acesso universal: assegurar o acesso universal, confiável, moderno e a preços acessíveis a serviços de energia; Energia renovável: aumentar substancialmente a participação de energias renováveis na matriz energética global; Eficiência energética: dobrar a taxa global de melhoria da eficiência energética; Pesquisa e tecnologia limpa: reforçar a cooperação internacional para facilitar o acesso a pesquisas e tecnologias de energia limpa, incluindo energias renováveis e eficiência energética; Infraestrutura para países em desenvolvimento: expandir a infraestrutura e modernizar a tecnologia para o fornecimento de serviços de energia modernos e sustentáveis, especialmente nos países em desenvolvimento.
Apesar da expansão do uso de fontes sustentáveis de energia, a matriz energética mundial praticamente não tem sido alterada ao longo dos últimos 80 anos. Em 1950, os combustíveis fósseis representavam 85% da disponibilidade energética mundial; em 1990 passou para 85,6%; em 2010 para 83%, o mesmo que em 2015; aumentando para 83,6% em 2020; e, novamente, aumentando para 86% em 2025.
Diante desses números e da recusa dos países “desenvolvidos”, com exceção da União Europeia, em fazer uma transição energética justa, universal e mais acelerada, colocando uma referência temporal para o fim do uso dos combustíveis fósseis, responsáveis por mais de 85% das emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, podemos concluir que a crise climática e seus impactos estarão bem presentes ou até piores pelas próximas décadas, até que o planeta atinja o chamado “ponto do não retorno”, afetando drasticamente todas as formas de vida no planeta, principalmente a vida humana.
Finalmente, quando refletimos sobre energia, não podemos ignorar a questão dos subsídios que diferentes governos concedem, incluindo o Brasil, às fontes de combustíveis fósseis, um incentivo à degradação e destruição do planeta e ao agravamento da crise climática.
Os subsídios globais aos combustíveis fósseis em 2025 atingiram cifras astronômicas, superando a marca de US$ 7,6 trilhões de dólares. Esse montante massivo foi reportado pelo FMI e corresponde a quase 8% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, englobando tanto os subsídios explícitos diretos quanto os implícitos, custos ambientais e sociais.
Enquanto isso, os “incentivos” e/ou subsídios às fontes renováveis de energia limpa e não poluentes do planeta não têm merecido e nem recebido importância igual ou até mesmo superior, como é de se esperar se realmente os países desejam cumprir o Acordo de Paris e promover uma transição energética justa, limpa e universal.
Embora os investimentos globais na transição energética tenham atingido um recorde histórico na faixa de US$ 2,2 a 2,3 trilhões de dólares em 2025, os subsídios diretos, fiscais, taxas de juros e de consumo focados especificamente em energias limpas e renováveis ficam muito aquém dos subsídios destinados aos combustíveis fósseis ou combustíveis sujos.
Resumindo, parece que os governantes dos mais diversos países desejam incentivar a degradação ambiental e a crise climática ao invés de incentivarem a produção e uso de energia oriunda de fontes renováveis e sustentáveis, energias limpas.
Esta é também uma questão política crucial, no contexto dos desafios socioambientais, que deveria estar presente nos debates, propostas e planos de governo de candidatos, quando alguns países, como o Brasil proximamente, realizam eleições gerais tanto para cargos eletivos federais quanto estaduais.
Lamentavelmente, o debate político e eleitoral gira em torno de ideias medíocres ou pautas que pouco ou nada têm a ver com as necessidades, aspirações e interesses da população, principalmente das camadas pobres e excluídas e, também, com o futuro do país, do planeta e da sustentabilidade ambiental, da soberania nacional e da inserção do país no contexto geopolítico e geoestratégico internacional.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
A greve nas universidades estaduais paulistas ganhou um novo capítulo, nesta semana, com a adesão das e dos docentes da Universidade de São Paulo (USP) ao movimento paredista, na segunda-feira (25). A paralisação se soma às mobilizações já em curso de estudantes e servidoras e servidores técnico-administrativos e docentes de outras universidades estaduais paulistas, ampliando a pressão sobre o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp).
Votação da greve se deu em assembléia simultânea nos diversos campi. Foto: Adusp SSind.
A decisão da categoria docente ocorre em meio ao impasse nas negociações salariais entre o Cruesp e o Fórum das Seis, que reúne entidades representativas da USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além do Centro Paula Souza.
As e os docentes da USP reivindicam a reabertura das negociações entre a Reitoria da instituição e as e os estudantes, bem como entre o Cruesp e o Fórum das Seis; o reajuste salarial de 7,52% — composto pelo IPCA/IBGE de 12 meses, de 4,39%, mais 3% de recomposição salarial pelas perdas acumuladas desde maio de 2012; aumento do valor do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE); garantia de que estudantes grevistas não sejam punidos ou jubilados; além da apuração das responsabilidades pela desocupação violenta da Reitoria da USP pela Polícia Militar, ocorrida na madrugada de 10 de maio.
A assembleia também aprovou a realização de uma vigília durante a reunião do Conselho Universitário da USP, realizada nessa terça-feira (26), para pressionar pela retirada da pauta da proposta de reajuste de apenas 3,47% apresentada pela Reitoria.
As e os estudantes da USP estão em greve há mais de 40 dias e reivindicam, entre outros pontos, aumento de 100% no auxílio permanência.
Segundo Annie Hsiou, 3ª vice-presidenta do ANDES-SN e docente da USP, o movimento grevista ganhou força após a aprovação, pelo Conselho Universitário da instituição, da chamada Gace (Gratificação por Atividades Complementares Estratégicas), voltada inicialmente a parte da categoria docente e, posteriormente, estendida às servidoras e aos servidores técnico-administrativos. “Após a conquista da gratificação pelos servidores, os estudantes passaram a reivindicar o aumento do valor do PAPFE. A avaliação do movimento estudantil é de que, se duas categorias receberam benefícios, a permanência estudantil também deveria ser fortalecida”, afirma.
A docente explica que as e os estudantes reivindicam que o auxílio alcance o valor equivalente a um salário-mínimo paulista, atualmente em torno de R$ 1.800. Na última reunião da Comissão de Negociação, as e os estudantes apresentaram uma proposta intermediária, sugerindo que o auxílio integral passasse para R$ 1.096. A universidade não aceitou.
Foto: Daniel Garcia / Adusp SSind.
Annie ressalta ainda que, nas reuniões com a Administração da universidade, o reitor manteve uma postura considerada intransigente e recusou reajustar o benefício, o que levou à ocupação da Reitoria no dia 7 de maio e, posteriormente, à entrada da Polícia Militar no local durante a desocupação realizada no Dia das Mães. Ela destaca também que estudantes vêm sofrendo ameaças relacionadas à frequência e ao rendimento acadêmico, o que, segundo a docente, busca enfraquecer o movimento.
Para a diretora do ANDES-SN, a greve docente expressa solidariedade ao movimento estudantil e às servidoras e aos servidores técnico-administrativos. “A categoria docente entrou em greve muito por conta desse acúmulo e também em solidariedade aos estudantes e pela nossa luta pelo reajuste salarial”, conclui.
Unicamp
Na Unicamp, as e os docentes estão em greve desde o dia 18 de maio. O Comando de Greve da Adunicamp SSind. realiza, junto a estudantes, servidoras e servidores, uma agenda unificada de mobilizações, atos públicos, debates, atividades culturais e ações políticas em defesa da educação pública, da universidade e das condições de trabalho.
Unesp
Na Universidade Estadual Paulista, o movimento também avança entre os três segmentos da universidade. Até o momento, docentes de oito campi aprovaram a adesão à greve: Bauru, Marília, Araraquara, Franca, Rio Preto, Rio Claro, Assis e Guaratinguetá. Entre as servidoras e os servidores técnico-administrativos, já aderiram os campi de Bauru, Franca, Marília e Rio Preto. Novas assembleias seguem ocorrendo. As reivindicações da permanência estudantil – isonomia e melhorias nos valores de bolsas e auxílios, entre outras – ainda não foram negociadas.
Segundo a diretora do Sindicato Nacional, para as categorias em greve, a unificação das lutas entre docentes, estudantes, servidoras e servidores fortalece a pressão sobre o Cruesp e amplia o debate público sobre o financiamento das universidades estaduais paulistas.
Fonte: Andes-SN












