O ANDES-SN defendeu o direito de migrar e a garantia da dignidade das pessoas frente às deportações em série dos Estados Unidos (EUA), durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados, nessa quarta-feira (8). Com o tema "Pelo Direito de Migrar: Direitos Humanos, Trabalho Digno e Proteção das Pessoas Migrantes e Deportadas", o debate foi solicitado pelos deputados Reimont (PT-RJ) e Rui Falcão (PT-SP) e foi impulsionado pela Jornada Continental pelo Direito à Migração e Defesa da Soberania, ocorrida em março em 10 países simultaneamente, incluindo o Brasil.

“Todo ser humano tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado. Todo ser humano tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio e a esse regressar”, destacou a 2ª vice-presidenta da Regional Planalto do Sindicato Nacional, Muna Muhammad Odeh, citando o artigo 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.
Professora de Saúde Coletiva na Universidade de Brasília (UnB), Muna informou que reside no Brasil desde 1992 e, como palestina, desenvolve pesquisas, estudos e orienta estudantes nessa temática. “Estamos falando aqui de uma proteção à circulação humana criada em 1948 e desmobilizada pela lógica neoliberal, que quer garantir a livre circulação de mercadoria enquanto seres humanos são cerceados”, criticou.
Segundo a docente, muitos trabalhadores e trabalhadoras migram, em grande medida, pelo modelo econômico. Ela citou a mineração como um dos empreendimentos econômicos mais responsáveis por expulsar pessoas dos seus territórios. “Nesse caso, a gente pode citar o trabalho da socióloga Saskia Sassen, que estuda esse deslocamento humano no período contemporâneo e nos coloca que, mesmo sendo da sedimentação do capitalismo desde seu nascimento, a circulação de seres humanos em decorrência da concentração nada se compara ao período atual, diante do avanço em escala global da mineração”, afirmou.

Para Muna, o ANDES-SN precisa fortalecer a presença nas discussões sobre o tema e propor políticas públicas no Legislativo. “Como faço parte da Comissão da Verdade existem interfaces temáticas que podemos potencializar”, citou. A professora reforçou o apoio do Sindicato Nacional ao trabalho do Comitê da Jornada Continental.
Confira a audiência na íntegra.
Fonte: Andes-SN
O ANDES-SN intensificou a luta pela revogação da Instrução Normativa (IN) Conjunta MGI/MIR/MPI nº 261/2025, especialmente o artigo 46, que trata do sorteio das vagas para cotas étnico-raciais em concurso público, o que configura um retrocesso histórico do movimento negro e das ações afirmativas.

Na Circular nº 267/2026, dessa terça-feira (7), o Sindicato Nacional reforça o pedido para que as seções sindicais, via os grupos de trabalho de Carreira, de Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual e de Política Educacional locais, constituam comissão para elaboração de propostas junto às Pró-reitorias de Gestão de Pessoas, aos setores responsáveis pelos concursos públicos e aos conselhos universitários, com o objetivo de evitar o fracionamento de vagas e outros mecanismos de burla, tendo em vista a efetividade da Lei de Cotas 15.142/2025.
A entidade solicita ainda que as seções sindicais enviem informações sobre a criação dessas comissões envolvendo os GTs, comuniquem se houve diálogo com as Pró-Reitorias de Gestão de Pessoas e quais ações vêm sendo desenvolvidas para combater os mecanismos de fraude à Lei nº 15.142/2025. As informações devem ser encaminhadas por meio do formulário Circular nº 267/2026 - Levantamento de Ações das Seções Sindicais sobre a IN nº 261/2025 e a Lei nº 15.142/2025, até o dia 27 de agosto de 2026.
A medida foi aprovada em resolução do 44º Congresso, realizado entre os dias 2 e 6 de março, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), em Salvador (BA), e destaca que a IN impõe a lógica da aleatoriedade, baseada na sorte, para determinar quem merece ou não o acesso às cotas.
ADPF 1245/2025
Em 3 de setembro de 2025, o ANDES-SN foi admitido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como amicus curiae na Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1245/2025, que questiona o sorteio como critério de distribuição de cotas em concursos públicos e processos seletivos da União, de universidades e de outros órgãos e entidades da administração pública federal.
Veja aqui a Circular nº 267/2026.
Confira a IN nº 261/2025 na íntegra.
Fonte: Andes-SN
O ANDES-SN iniciou um levantamento sobre a implementação do “Protocolo de combate, prevenção, enfrentamento e apuração de assédio moral e sexual, racismo, Lgbtfobia e qualquer discriminação e violência”, nas universidades, institutos federais e cefets. A solicitação foi encaminhada às seções sindicais, através da Circular nº 268/2026, nessa terça-feira (7).
O documento foi elaborado pela entidade e aprovado no 43º Congresso do Sindicato Nacional, em 2025. O material tem como objetivo, entre outras as ações, fortalecer as ações de prevenção, enfrentamento e apuração do aumento da violência contra mulheres, meninas e menines.
A entidade pede que as seções sindicais informem se já apresentaram a proposta de protocolo às administrações instituições e/ou se já existe alguma política institucional em curso que dialogue com a proposta. Solicita, também, informações sobre presença de militares ou de políticas a partir da militarização, sob a justificativa de garantir a segurança nas universidades, nos IFs e nos cefets.
Os dados devem ser encaminhados, até o dia 26 de agosto, por meio do formulário online (acesse aqui). O protocolo também foi encaminhado via circular e pode ser lido aqui.
O levantamento é resultado de deliberação do 69º Conad, realizado entre os dias 3 e 5 de julho, em São Luís (MA). Na atualização do plano de lutas geral, a categoria aprovou resolução para que o Sindicato Nacional e as seções sindicais intensifiquem as cobranças às administrações das Universidades, IFs e cefets por medidas que evitem feminicídios, agressões e qualquer tipo de violência contra trabalhadoras. A decisão também trata de investimentos em espaços formativos e da garantia de acolhimento às vítimas, preservando a autonomia universitária e a não militarização dos espaços das instituições.
Leia a Circular nº 268/2026.
Acesse aqui o “Protocolo de combate, prevenção, enfrentamento e apuração de assédio moral e sexual, racismo, Lgbtfobia e qualquer discriminação e violência”.
Confira a cobertura do 69º Conad
Fonte: Andes-SN
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Por Danilo de Souza*
Durante grande parte da história moderna, os Sapiens passaram a enxergar-se como algo separado da natureza. Essa transformação não ocorreu de forma repentina. Foi resultado de séculos de construção filosófica, religiosa, econômica e “científica” que consolidaram uma ideia poderosa: a de que os Sapiens ocupam uma posição singular no planeta e, por isso, não estariam submetidos às mesmas limitações que condicionam as demais espécies.
Essa visão, que a sociologia ambiental contemporânea passou a denominar excepcionalismo humano, sustenta que a sociedade humana existe de forma independente dos ecossistemas que a sustentam. A natureza seria fornecedora de recursos, absorvedora de resíduos e prestadora de serviços ambientais, mas a trajetória humana seria determinada principalmente pela cultura, pela economia, pela política e pela tecnologia. A biosfera, nesta perspectiva, aparece como um cenário externo à história humana, e não como sua condição fundamental de existência. Assim, esta visão gerou uma consequência profunda: a tendência a enxergar os limites ecológicos como obstáculos temporários que poderão ser superados por novas tecnologias.
No setor energético, esta crença é recorrente. Quando discutimos escassez de recursos, mudanças climáticas ou impactos ambientais, a resposta quase sempre se relaciona a alguma inovação tecnológica futura. Se houver escassez de petróleo, haverá novas fontes de energia. Se as emissões crescerem, haverá captura de carbono. Se a eletrificação aumentar a demanda por minerais críticos, encontraremos substitutos ou novas formas de exploração. Essa confiança na capacidade humana de adaptação é compreensível e, em certa medida, justificada pela própria história do desenvolvimento tecnológico. O problema surge quando ela se transforma na crença de que as leis ecológicas e biofísicas deixaram de existir.
Para compreender melhor essa questão, é útil observar a figura abaixo. Nela, os sistemas naturais e os sistemas humanos aparecem como entidades distintas, cada qual com seus próprios processos internos, conectados por mecanismos de acoplamento e interação. A representação é extremamente útil para demonstrar as influências mútuas entre a sociedade e a natureza. Entretanto, ela também mostra uma das marcas mais profundas do pensamento moderno: a ideia de que há dois sistemas separados que interagem entre si.
A crítica formulada por autores como William Catton, Riley Dunlap, Herman Daly, Carl Folke, Johan Rockström e Vaclav Smil vai além dessa interpretação. Para esses pesquisadores, o problema é que, além da necessidade de compreender as interações entre sociedade e natureza, precisamos reconhecer que a própria separação entre ambas é artificial. O sistema humano não existe fora da natureza. A economia não existe fora da biosfera. A política não existe fora das restrições impostas pela disponibilidade de energia, de materiais e de água, e pela estabilidade climática. A sociedade é, em última instância, um subsistema inserido em um sistema ecológico muito maior.
Essa constatação parece óbvia quando observamos os organismos vivos. Nenhum animal existe fora dos fluxos de energia e de matéria que sustentam os ecossistemas. Nenhuma espécie está desconectada dos ciclos biogeoquímicos que regulam a disponibilidade de nutrientes, de água e de condições ambientais. Entretanto, quando passamos a analisar fenômenos sociais, frequentemente abandonamos essa lógica. A pobreza passa a ser discutida apenas como um problema econômico ao longo de toda a história humana. O crescimento é tratado como uma variável financeira. A urbanização é compreendida como um processo essencialmente social. A segurança energética é reduzida a uma questão tecnológica. Em muitos casos, as bases biofísicas que sustentam todos esses fenômenos desaparecem do debate.
Talvez esse seja um dos aspectos mais curiosos da modernidade. A sociedade desenvolveu uma extraordinária capacidade de compreender sistemas complexos, mas frequentemente analisa os fenômenos humanos como se estivessem parcialmente desvinculados de sua base ecológica. O resultado é a fragmentação do conhecimento. As ciências sociais estudam a sociedade. As ciências naturais estudam a natureza. As engenharias estudam as tecnologias. E, muitas vezes, perde-se a compreensão de que todos esses elementos fazem parte de um mesmo sistema.
Essa desconexão se manifesta em diversos campos. Na economia, a riqueza é medida predominantemente por indicadores monetários, enquanto a degradação dos sistemas naturais costuma ser tratada como uma externalidade. Na política, os debates priorizam legitimamente emprego, renda, inflação e crescimento econômico, mas raramente discutem com a mesma intensidade a estabilidade climática, a disponibilidade hídrica ou a resiliência ecológica que tornam possível a própria atividade econômica. Na educação, a história costuma ser apresentada como uma sucessão de eventos humanos, com pouca atenção ao papel da energia, dos recursos naturais e das transformações ambientais na formação das civilizações, como por exemplo, falar em revolução industrial sem abordar o carvão e o petróleo como elemento possibilitante desta transformação.
As cidades oferecem outro exemplo emblemático. Frequentemente são apresentadas como espaços artificiais, independentes da natureza. Entretanto, nenhuma cidade produz sua própria água, seu próprio alimento, seus próprios materiais ou sua própria estabilidade climática. As áreas urbanas apenas tornam invisíveis os sistemas ecológicos dos quais dependem. Quanto mais sofisticada a infraestrutura, maior tende a ser essa ilusão de autonomia.
No campo energético, essa reflexão ganha especial importância. A energia é, talvez, a manifestação mais evidente da dependência humana em relação aos sistemas naturais. Toda sociedade depende de fluxos energéticos para produzir alimentos, movimentar mercadorias, construir infraestrutura, transportar pessoas e sustentar atividades econômicas. Os recursos energéticos podem mudar ao longo do tempo, mas a dependência física permanece.
A própria transição energética ilustra essa realidade. A substituição dos combustíveis fósseis por fontes de baixo carbono representa uma transformação tecnológica extraordinária e necessária. Contudo, ela não elimina a materialidade dos sistemas energéticos. Painéis fotovoltaicos exigem silício, alumínio, cobre e vidro. Aerogeradores exigem aço, concreto e minerais críticos. Baterias exigem lítio, níquel, grafite e cobalto. Redes elétricas exigem enormes quantidades de materiais, energia e território. Em outras palavras, a transição energética altera os fluxos materiais e energéticos da sociedade, mas não elimina sua dependência da biosfera.
Talvez seja justamente esse o principal avanço teórico construído a partir do debate em torno da sustentabilidade. Durante décadas, o debate energético concentrou-se em garantir a oferta, a confiabilidade e os custos competitivos. Esses objetivos continuam fundamentais. Entretanto, os desafios contemporâneos exigem uma visão mais ampla. Sustentabilidade não significa apenas utilizar tecnologias mais eficientes ou reduzir as emissões. Deveria reconhecer que a economia está inserida na sociedade e que esta é apenas um dos subsistemas da biosfera.
Essa percepção não reduz a importância da tecnologia. Pelo contrário. Ela permite compreender seu verdadeiro papel. A inovação tecnológica pode ampliar os limites, aumentar a eficiência, reduzir os impactos e melhorar a qualidade de vida. O que ela não pode fazer é eliminar a dependência humana dos processos biofísicos que sustentam a vida.
Ao discutir energia, sustentabilidade e desenvolvimento, talvez a pergunta mais importante não seja qual tecnologia desenvolveremos nas próximas décadas. Talvez a questão fundamental seja outra: continuaremos a enxergar a sociedade como algo separado da natureza ou passaremos a reconhecê-la como parte inseparável dela?
Para os leitores interessados em aprofundar essa discussão, recomenda-se a leitura do artigo "Conceptualizing Human–Nature Relationships: Implications of Human Exceptionalist Thinking for Sustainability and Conservation", de Kim et al., publicado na revista Topics in Cognitive Science (2023). O trabalho apresenta uma análise abrangente do conceito de excepcionalismo humano, suas origens cognitivas e culturais, e suas implicações para a sustentabilidade, a conservação ambiental e a formulação de políticas públicas, complementando e aprofundando as reflexões deste texto.
OBS: Coluna publicada mensalmente na revista - "O Setor Elétrico".
*Danilo de Souza é professor na FAET/UFMT, pesquisador no NIEPE/FE/UFMT e no Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP).
Música ao vivo, comidas típicas, espaço kids e entrada gratuita vão animar a confraternização da categoria
A Adufmat-Ssind convida toda a categoria para encerrar as atividades do semestre letivo no próximo dia 17/07 (sexta-feira), a partir das 18h30, durante a 3º edição do Arraiá da Resistência. O evento será na Oca da Adufmat-Ssind, mais especificamente no Largo Pedro Casaldáliga, com entrada gratuita.
Além de celebrar as tradições populares, o Arraiá da Resistência será um espaço para fortalecer os laços de convivência entre os(as) docentes e proporcionar um momento de integração e descontração em um ambiente de confraternização, mas também de exaltação à organização e mobilização sindical.
A programação contará com música ao vivo, comidas típicas, espaço kids, entre outras atrações e brincadeiras.
Este ano, a organização do Arraiá da Resistência também convida os participantes a entrarem no clima da festa, preparando o chapéu de palha e o traje caipira para participar da celebração a caráter.
Serviço
3º Arraiá da Resistência
Data: 17 de julho (sexta-feira)
Horário: 18h30
Local: Oca da Adufmat-Ssind – Largo Pedro Casaldáliga
Entrada gratuita
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
Plenária também aprovou a criação de uma comissão para elaborar proposta de alteração da organização dos Congressos e Conads do ANDES-SN

No final da manhã de domingo (5), delegadas e delegados reunidos na Plenária do Tema III do 69º Conad votaram importantes deliberações sobre as questões organizativas e financeiras do sindicato, que reafirmam o compromisso do ANDES-SN com a democracia interna e a organização de base.
Entre as resoluções, foram aprovadas as prestações de contas do exercício de 2025. Durante a apreciação do tema, a plenária também acolheu recomendações para aperfeiçoar a apresentação das informações contábeis, entre elas a inclusão de uma nota explicativa nos gastos de consumo, informando que parte desses desembolsos foi financiada pelo Fundo Único.
As delegadas e os delegados do 68º Conad votaram favoráveis à previsão orçamentária do ANDES-SN para 2027. Também foi deliberado que a diretoria do Sindicato Nacional deverá apresentar, no próximo Conad, as premissas que orientam a elaboração do orçamento de 2027, procedimento que deverá ser adotado nas previsões orçamentárias dos anos seguintes. Além disso, as futuras prestações de contas deverão trazer notas explicativas sempre que houver discrepâncias entre os valores orçados e os efetivamente executados.
Durante a discussão, a plenária acolheu recomendações para aprimorar a transparência e a apresentação das informações orçamentárias. Entre elas, a inclusão de indicadores de variabilidade dos custos de receitas e despesas no quadro dos cadernos de textos dos Conads e Congressos; a criação de uma coluna com a previsão orçamentária do exercício anterior para facilitar comparações; a apresentação dos gastos e das despesas em percentuais em relação à receita total; entre outras.
Comissão
Foi votada, ainda, a criação de uma comissão para elaborar uma proposta de alteração no formato e na metodologia dos Congressos e Conads do ANDES-SN. A proposta será apresentada no 16º Conad Extraordinário, que acontecerá em novembro em Brasília (DF), e submetida à avaliação e deliberação do 45º Congresso do Sindicato Nacional. A comissão é composta por sete docentes sindicalizadas e sindicalizados, sendo dois integrantes da diretoria do ANDES-SN e cinco representantes da base, que foram eleitas e eleitos na mesma plenária do Tema III do 69º Conad.

Para representar a base: Antônio Gonçalves, diretor da Apruma SSind.; Fran Rebelatto, diretora da Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal da Integração Latino-Americana. Integração Latino-Americana (Sesunila SSind.); Jorgetânia Ferreira, presidenta da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Uberlândia (Adufu SSind.); Elaine Neves, da base da Associação Docentes Universidade Federal Pelotas (Adufpel SSind.); e Waldílio Siso, da base da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Piauí (Adufpi SSind.). As duas representações da diretoria do ANDES-SN serão definidas posteriormente.
O grupo terá prazo de até 15 dias antes da data-limite para envio dos textos ao Caderno do 16º Conad Extraordinário para apresentar sua proposta, com imediata divulgação à base.
Sede do 70ª Conad
Ainda na Plenária do Tema III, as e os docentes escolheram, por aclamação, a cidade de Campinas (SP) como sede do 70º Conad do ANDES-SN, que será organizado pela Associação dos Docentes da Universidade Estadual de Campinas (Adunicamp SSind.).
Foi exibido um vídeo institucional de divulgação da cidade que receberá o próximo Conad. O material destacou a cidade como um dos principais polos de ciência, tecnologia e inovação do país, espaço de produção científica, diversidade cultural e hospitalidade. Ressaltou ainda que a seção sindical completará 50 anos, em 2027, e que foi na Unicamp que nasceu o ANDES-SN, em 1981.
Complementando a apresentação, Emília Rutkowski, vice-presidenta da Adunicamp SSind., destacou o compromisso da seção com a sustentabilidade e a economia solidária, informando que o 70º Conad contará com lanches produzidos por cozinhas solidárias e hortas parceiras, além da adoção de práticas voltadas à redução do uso de plástico.

Foram aprovadas alterações regimentais das seções sindicais dos docentes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (Sindifpi SSind.) e da universidade estadual de Maringá (Sesduem SSind.); e das associações dos docentes das universidades federais de Itajubá (Adunifei SSind.) e de São Carlos (Adufscar SSind.).
Avaliação
Segundo Virgínia Viana, 2ª vice-presidenta da Regional Nordeste I e que coordenou a mesa, a plenária do Tema III teve como referência os Textos de Resolução (TRs) 33 a 40. “Esses TRs trouxeram a perspectiva de aprovação das nossas contas e da projeção daquilo que vamos construir para o próximo ano. Tivemos um debate muito profícuo, com TRs que apresentaram recomendações. Todas as nossas contas foram aprovadas e, também, foram construídos novos itens para aprimorar o processo de prestação e aprovação das contas, considerando que o Conad é a nossa instância de conselho fiscal. É essa avaliação importante e positiva que levamos para o encerramento do 69º Conad”, disse.
A diretora do Sindicato Nacional também destacou a criação da Comissão que irá elaborar uma proposta de reformulação do formato e da metodologia dos Congressos e Conads do ANDES-SN. “Essa deliberação foi resultado dos debates que acumulamos nos dois últimos seminários sobre as questões organizativas, financeiras e administrativas do sindicato. A criação dessa comissão, composta por sete membros – com cinco deles eleitos aqui no Conad –, será importante para dar continuidade a esse processo de discussão e sistematizar as propostas construídas coletivamente”, ressaltou.
Também compuseram a mesa Lívia Santos, 1ª vice-presidenta da Regional Planalto; Edmilson, 2º vice-presidente da Regional Sul; e Marcelo Barreira, 2º vice-presidente da Regional Leste.
Ode à luta
Antes do início da plenária, o professor Domício Magalhães Maciel resgatou a trajetória das lutas estudantis e docentes no Maranhão, destacando a greve de 1979, que garantiu o desconto de 50% no transporte coletivo após intensa mobilização em São Luís. Também relembrou sua participação nas greves docentes de 2015 e 2024, enfatizando a greve como instrumento legítimo de organização, resistência e conquista de direitos. Durante a exposição, intercalou o relato histórico com poemas de sua autoria, inspirados nos movimentos grevistas, defendendo a mobilização coletiva, a valorização da docência e o papel do ANDES-SN na organização da categoria.

GTSSA
Antes do início da Plenária do Tema III, as delegadas e os delegados do 69º Conad retomaram a atualização do Plano Geral de Lutas, para votar os TRs que haviam sido remetidos à plenária. No que tange à Política de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria, foi reafirmada a defesa dos direitos das servidoras e dos servidores aposentados e da seguridade social.
Entre as deliberações está o fortalecimento das lutas conjuntas das categorias do serviço público pelo fim da contribuição previdenciária das aposentadas e dos aposentados. Também foi aprovada a continuidade da mobilização em defesa da paridade e da integralidade para as aposentadas e os aposentados, incluindo a implementação de auxílios como medida de isonomia entre docentes da ativa e aposentados, e temporárias, temporários, substitutas e substitutos, quando esses benefícios não tiverem sido incorporados ao vencimento básico.
As delegadas e os delegados referendaram a retomada do debate no ANDES-SN, bem como no Fonasefe, para fortalecer a luta contra o Projeto de Lei Complementar 189/2021, que propõe transferir ao INSS a competência para conceder e manter aposentadorias e pensões das servidoras e dos servidores das autarquias e fundações públicas federais.
Outro encaminhamento aprovado prevê a ampla divulgação dos resultados da enquete sobre as condições de trabalho e saúde da categoria, com o objetivo de aprofundar as análises e evidenciar o avanço da precarização. As seções sindicais também deverão trabalhar os dados em âmbito local, avaliando a necessidade de ampliar a pesquisa.
Foi deliberada, ainda, a resolução que orienta o ANDES-SN, em conjunto com o Fonasefe, a intensificar a luta pela equiparação do auxílio-saúde das servidoras e dos servidores públicos federais do Poder Executivo aos valores praticados pelos demais poderes da República, independentemente da contratação de planos de saúde, conforme as normas da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), com contrapartida do governo de, no mínimo, 50%.
Fonte: Andes-SN
Fotos: Eline Luz
Delegação da Adufmat-Ssind, indicada em assembleia geral, foi formada pelos docentes Einstein Aguiar, Raimundo Sousa, Alair Silveira, Breno Santos, Maria Salete Ribeiro e Juliano Santos (da esquerda para a direita)
Terminou, neste domingo, 05/07, o 69° Conselho do Andes – Sindicato Nacional (Conad), em São Luís do Maranhão, com a tarefa cumprida: foram atualizados o plano de lutas da categoria e avaliadas as questões financeiras e organizativas. Em três dias intensos de muito trabalho, representantes das seções sindicais, vindos de todas as regiões do país, decidiram sobre temas que orientarão os grupos de trabalho (GT’s), ações políticas e financeiras, metodologia de trabalho, além de compartilhar suas leituras sobre a conjuntura.
Os números oficiais de participação divulgados pelo sindicato são: 81 seções sindicais presentes, 78 delegados, 167 observadores, três convidados, três acompanhantes, 12 crianças, 34 diretores, 13 assessores de imprensa, uma Assessoria Jurídica, dez trabalhadores das entidades organizadoras (Andes-SN e Seção Sindical da Universidade Federal do Maranhão - Apruma) e 45 monitores, somando 366 presentes.
Entre as ações aprovadas no Plano de Lutas do Setor das Federais (Tema 2) estão intensificar a pressão sobre o governo para que se efetive o reenquadramento e reposicionamento dos aposentados, o auxílio-nutrição e a cessação do pagamento de previdência por aposentados, por meio de marchas e jornadas nacionais de mobilização; lutar, em conjunto com outras entidades de servidores, pela correção das perdas salariais e destinação de recursos orçamentários para a campanha salarial de 2027; lutar pela democratização das universidades, incluindo a possibilidade de os docentes EBTT se candidatarem a reitor(a) sem restrições de titulação ou nível de carreira para este cargo; além da intensificação das lutas contra as propostas de Reforma Administrativa (PEC 38) e pela recomposição orçamentária das universidades.
Uma das decisões mais disputadas foi pela autonomia do sindicato durante o período eleitoral, foi a de não manifestar apoio direto a nenhuma candidatura no primeiro turno das eleições, mas de fortalecer a posição pela derrota das candidaturas de direita e extrema direita.

Plano Geral de Lutas - Grupos de Trabalho
Para os GT’s, alguns dos principais encaminhamentos foram acompanhar, de forma crítica, o desenvolvimento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) 2024-2028, sua regulamentação e impactos no setor público, considerando o aprofundamento da privatização digital, da vigilância e da transferência de poder decisório às big techs, assim como o acompanhamento da atuação do Comitê Interministerial para a Transformação Digital, do Governo Federal, legislações e políticas públicas nesse sentido, no que compete ao GT Ciência e Tecnologia (GTC&T).
O GT Políticas Agrárias, Urbanas e Ambientais (GTPAUA) deverá, entre outras coisas, promover o reconhecimento e incorporação da luta ecossocialista, denunciar a falsa sustentabilidade incorporada de forma acrítica nos currículos de graduação e pós-graduação das universidades que reforçam a lógica do capitalismo verde.
Dentre as ações debatidas para o GT Política Educacional (GTPE) ficou decidido que o Andes-SN deve solicitar a entrada no Fórum Nacional de Educação (FNE) para atuar de forma crítica, que as seções sindicais avaliem a possibilidade de participar das conferências e comissões de elaboração dos planos estaduais e municipais de educação, levando propostas e projetos de defesa de investimento em Ciência e Tecnologia, formação de professores e valorização docente; que realize ainda no primeiro semestre de 2027 o IV Encontro Nacional da Educação (ENE) e que apresente, na primeira reunião após o 69º Conad, uma proposta para orientar a revisão do Caderno 2 – maior referência de atuação do Sindicato Nacional (disponível na versão atual aqui).
O GT Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) deverá intensificar a promoção de espaços formativos e cobranças institucionais por medidas que eduquem e previnam com relação às opressões e violências diversas, como xenofobia, feminicídio e todos os tipos de assédio, além de elaborar um protocolo de atendimento a vítimas dessas violências que garanta orientação técnica e jurídica para as seções sindicais formalizarem as denúncias e encaminhamento à rede de enfrentamento.

Algumas das tarefas do GT Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria (GTSSA) serão continuar a luta pela paridade e integralidade de direitos, como medida de isonomia entre aposentados e trabalhadores da ativa, bem como efetivos e temporários; divulgar amplamente os dados da enquete realizada sobre a saúde docente e incentivar análises desses resultados em âmbito local.
O GT Política e Formação Sindical (GTPFS) atuará na defesa do fim da Escala 6X1, em defesa de melhores condições de trabalho, sem perdas de direitos e sem redução salarial; intensificará a luta contra a Federação Proifes; e combaterá todas as formas de ameaça à laicidade dentro das instituições de ensino superior.
O GT Multicampia e Fronteiras deverá promover debates sobre a carreira docente no contexto da multicampia, além de um Dia Nacional de Luta da Multicampia e Fronteira, em defesa da garantia orçamentária e de melhores condições de trabalho nessas instituições, ainda este ano.
Também foram definidas ações para os grupos de trabalho Comunicação e Arte (GTCA) e Carreira. Todos esses encaminhamentos serão disponibilizados integralmente no relatório final do Conad, que será divulgado nos próximos dias.
Com relação à política internacional, o 69° Conad aprovou a realização de um Dia de Luta em Defesa de Cuba e da Soberania dos Povos para o dia 13/08, a construção de uma agenda de trabalho com representações da Central de Trabalhadores(as) de Cuba e do Sindicato Nacional de Trabajadores de la Educación, la Ciencia y el Deporte (SNTECD) e o convite para o 45º Congresso do ANDES-SN, que será em Curitiba em 2027 e, em conjunto com a Embaixada da Venezuela e entidades de luta, o Andes-SN articule iniciativas que garantam o envio de apoio material aos hospitais das regiões atingidas pelo desastre.
Por fim, os presentes aprovaram a sede do 70° Conad, que será Campinas – SP.

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
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Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
Um dos grandes desafios socioambientais, principalmente nas últimas décadas, tem sido a produção e o uso de embalagens plásticas, incluindo sacolas, sacos, garrafas PET e outros produtos e embalagens que aumentam a geração de lixo e provocam um grande impacto tanto nos solos quanto em todos os cursos d'água, como córregos, rios, lagos, lagoas, mares e oceanos, enfim, em todos os biomas e ecossistemas.
Para despertar a consciência em relação a este problema, foi criado o DIA INTERNACIONAL SEM SACOLAS PLÁSTICAS, por iniciativa da “Global Bag Free World”, com o objetivo de conscientizar a população sobre os impactos socioambientais negativos do uso de embalagens plásticas em geral e das sacolas plásticas em particular, e promover alternativas sustentáveis, como o uso de sacolas produzidas com material reciclado ou de outros materiais, como pano e papel etc. A data é celebrada anualmente em 3 de julho, em diversos países, inclusive no Brasil.
Para orientar e massificar a campanha pelo fim das embalagens plásticas em geral e das sacolas e sacos plásticos em particular, a cada ano é escolhido um tema, em torno do qual essas reflexões e ações são realizadas. Em 2026, o tema é “Libertação dos plásticos de uso único: rumo a um futuro sustentável”.
No entanto, apenas incentivar as pessoas a deixarem de usar sacolas/sacos plásticos por um dia, com certeza, não vai resolver este problema sério e grave se, ao longo dos demais 364 dias, continuarmos a usar todos os tipos de plásticos que estão degradando e destruindo todos os biomas e ecossistemas ao redor do mundo.
Em 2026, por exemplo, em todos os países, enfim, no mundo inteiro, está mais do que caracterizado e comprovado, por dados e estatísticas confiáveis e atualizadas, que estamos vivendo uma grave crise dos plásticos e que este assunto precisa ser tratado como uma emergência global.
O desafio principal é a falta de consciência e a resistência do mundo empresarial, que lucra bilhões de dólares por ano, tendo em vista que a produção anual de plásticos, em 2026, deverá ultrapassar 516 milhões de toneladas, ou seja, 500 bilhões de kg de plásticos, em torno de 60 kg per capita (por pessoa), em média; em alguns países “desenvolvidos”, muito mais do que este volume.
Em apenas um quarto de século, entre 2000 e 2026, a produção de plásticos no mundo passou de 200 milhões de toneladas para 516 milhões de toneladas, um crescimento exponencial em um período considerado curtíssimo da história humana.
Outro aspecto que demonstra a gravidade é o aumento espantoso dos plásticos em todos os tipos de atividade humana, além do fato de que, no máximo, 10% do lixo plástico gerado no mundo são reciclados corretamente, e 90% deste imenso volume vai parar nos bueiros, terrenos desocupados, córregos, rios, lagos, lagoas, mares e oceanos, poluindo, degradando e destruindo irreparavelmente o meio ambiente.
Até bem pouco tempo, mas em alguns países pobres continuam “importando” lixo, principalmente lixo plástico produzido pelos países ricos/desenvolvidos, mas isto apenas transfere o problema de um país para outro, tendo em vista que não existe alternativa de enviar o lixo produzido no planeta Terra para outro planeta.
O volume do lixo plástico existente, digamos, “estocado”, no planeta, pelo acúmulo de 90% deste lixo que não é reciclado, ano após ano, representava, em 2025, mais de 8 mil megatoneladas, e a tendência tem sido piorar no futuro próximo, tendo como destino os oceanos, razão pela qual o Secretário-Geral da ONU, António Guterres, há poucos anos, em um pronunciamento oficial, alertava que, se nada de concreto for feito para acabar com o uso dos plásticos (subproduto do petróleo, combustível fóssil responsável por grande parte das emissões de gases de efeito estufa): “Se nada for feito, em 2050, em diversas partes do mundo, os oceanos terão mais lixo plástico do que peixes”.
Inúmeros estudos e pesquisas, em diversos países, inclusive no Brasil, têm demonstrado o impacto negativo do lixo plástico na vida animal lacustre, ribeirinha e marítima e na vida terrestre também.
Em Mato Grosso, por exemplo, com frequência, inúmeras reportagens têm demonstrado a presença de muito lixo, inclusive lixo plástico, em todos os rios, principalmente os que alimentam o Pantanal, transformando esta maravilha, reconhecida como “patrimônio natural da humanidade”, em um grande depósito de lixo, afetando todas as formas de vida ali existentes.
Uma outra consequência do lixo plástico, também demonstrada por diversos estudos em inúmeros países, novamente incluindo o Brasil, é em relação à saúde humana. Por exemplo, a presença de microplástico no corpo das pessoas, na corrente sanguínea e até no cérebro é um fato concreto e real.
Microplásticos são partículas minúsculas de plástico, com menos de 5 mm, invisíveis a olho nu, e são derivados das embalagens, inclusive presentes em inúmeros supermercados para embalar legumes, carnes e outros alimentos, garrafas PET e também do lixo plástico ou de roupas sintéticas. Eles podem entrar no corpo pela respiração ou alimentação. A ciência indica que eles se espalham pelo sangue e se acumulam nos órgãos, podendo afetar o corpo de várias formas.
Os microplásticos afetam a saúde humana em geral, inclusive aumentando os riscos de agravamento de doenças crônicas e até mesmo afetando diretamente a fertilidade humana.
Os microplásticos agravam problemas cardiovasculares, aumentam o risco de infarto, derrame e outras doenças cardíacas; provocam danos e inflamações nas células, envelhecimento celular, desregulação hormonal, doenças neurológicas, problemas no desenvolvimento fetal, contribuindo para diversas doenças degenerativas e, também, doenças ósseas e renais.
Conforme dados de um relatório de 8 de agosto de 2025 do “Environment Texas Research & Policy Center”, mencionando matéria publicada em “The Lancet”, o custo financeiro anual das doenças geradas pelo lixo plástico no mundo ultrapassa US$ 1,5 trilhão de dólares ou aproximadamente R$ 8 trilhões, importância maior do que o PIB de 95% dos países do globo terrestre. Esse valor colossal representa o impacto na saúde global, cobrindo desde despesas com hospitais até mortes precoces e perda de qualidade de vida.
Tendo em vista a gravidade da situação do lixo plástico no mundo e as perspectivas sombrias a longo prazo, na Assembleia Geral da ONU sobre questões ambientais, em março de 2022, representantes de 175 países conseguiram aprovar uma resolução com o objetivo de criar um Comitê Intergovernamental de Negociação, visando à aprovação de um acordo global/internacional contra a poluição plástica, ou seja, pondo fim à produção e ao uso de plástico, uma luta hercúlea, da mesma forma que a luta que vem sendo travada nas últimas COPs, para pôr um fim à produção e ao uso de combustíveis fósseis, incluindo petróleo e seus derivados.
Apesar da gravidade dos problemas oriundos do uso e do lixo plástico em escala internacional e do esforço de diversos países, atualmente, em 2026, as negociações visando à aprovação, em Assembleia Geral da ONU, de um Tratado Global sobre os Plásticos estão praticamente paralisadas, por pressão dos países produtores e exportadores de petróleo e também dos países onde estão instaladas as grandes indústrias de produção de todos os tipos de plásticos, basicamente os integrantes do G7 e do G20, dos quais o Brasil também participa.
Em 2026, as negociações do Tratado Global sobre Plásticos enfrentam um grande impasse. A divisão ocorre entre os países que defendem o corte na produção de plástico virgem e aqueles focados apenas no controle do lixo e na reciclagem.
Esses países tentam desvirtuar as discussões colocando como alternativa concreta, em lugar do fim da produção e do uso dos plásticos (que geram bilhões de toneladas de lixo plástico e seus impactos no planeta), repito, colocando a reciclagem como a “grande saída”, o que não irá resolver o problema, tendo em vista que há países, como o Brasil, em que a reciclagem de plásticos não atinge sequer 4% do lixo plástico gerado. O Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do planeta, gerando anualmente mais de 11 milhões de toneladas.
Em relação às discussões sobre o Tratado Global sobre os Plásticos, a posição do Brasil tem sido dúbia, mas, conforme matéria publicada no site A Pública, em 13 de agosto de 2025: “A diplomacia brasileira fez uma guinada conservadora nas negociações que buscam criar um tratado de combate à poluição por plásticos. O país deixou de se posicionar sobre as questões críticas do acordo, ao mesmo tempo em que adotou argumentos similares aos grandes produtores de petróleo”. Essa dubiedade do Brasil também tem ocorrido nas COPs quando a discussão gira em torno do fim do uso dos combustíveis fósseis.
Isto significa que, anualmente, 10,6 milhões de toneladas de lixo plástico (96% não reciclado) não têm a destinação correta. A cada ano, em apenas uma década, serão 106 milhões de toneladas, só no Brasil. Diante disso, estaremos convivendo com montanhas e montanhas de lixo plástico ao redor de nosso país.
O pior em tudo isto, em meio a esta verdadeira tragédia ecológica e socioambiental, é constatarmos que não existe consciência ambiental nem por parte da população em geral e muito menos por parte de nossos governantes, em todos os níveis, e também no mundo empresarial, que sempre coloca a busca do lucro e a acumulação de capital acima dos danos causados pelo lixo plástico e outros crimes contra o meio ambiente.
Também a passividade e a falta de consciência ecológica estão presentes em todas as demais entidades da chamada sociedade civil organizada/desorganizada, como os estabelecimentos educacionais, as Igrejas, os movimentos sindical e comunitário e os clubes de serviço.
Assim, diante do imenso volume de lixo plástico gerado no mundo e em todos os países, e que tem aumentado muito todos os dias e anos, diante da passividade, alienação e falta de um despertar da consciência ecológica sobre este desafio e diante da resistência dos sistemas produtivos/empresários em colocar o bem comum e a saúde das pessoas e do planeta acima do lucro e da acumulação de capital, e também diante da omissão generalizada de governantes em todos os países sobre esta realidade, com certeza, o mundo tem pouco a celebrar neste DIA INTERNACIONAL SEM SACOLAS PLÁSTICAS.
Continuamos como o beija-flor que imaginava conseguir apagar um enorme incêndio florestal com apenas algumas gotinhas que carregava em seu biquinho.
Para terminar, gostaria de relembrar a exortação feita pelo Papa Francisco, em 2015, quando da publicação da Encíclica Laudato Si’: "A Terra, nossa casa comum, parece transformar-se cada vez mais num imenso depósito de lixo". Do volume global de lixo produzido no mundo, o lixo plástico já representa, em média, 10% deste total, com previsões de, como já acontece em alguns países, chegar a 20% dentro de poucas décadas, sabendo que o lixo plástico pode continuar poluindo o planeta por mais de 500 anos, média de "vida" do lixo plástico.
O combate ao lixo plástico, portanto, é também uma maneira de defendermos todas as formas de vida, inclusive a vida humana, e isto passa pela necessidade de mudança de hábitos, de estilo de vida e de estruturas sociais, políticas, econômicas, culturais e religiosas no mundo inteiro, inclusive no Brasil. Convenhamos, uma grande luta, uma verdadeira revolução ecológica.
A nossa luta é pelo fim do uso das sacolas e de todas as embalagens de plástico em todo o Brasil, como já acontece em diversos países e cidades mundo afora.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
Na manhã de terça-feira (30), o ANDES-SN participou de uma reunião da Mesa Setorial de Negociação Permanente no Ministério da Educação (MEC) para avançar no debate sobre a democratização das Instituições Federais de Ensino (IFE). Esta foi a segunda reunião sobre o tema neste ano.
Foto: Thamires Barreto
A secretária-geral do Sindicato, Fernanda Maria Vieira, informou que o encontro focou na formalização de dois Grupos de Trabalho (GTs): um para tratar do processo de democratização das IFE e outro para aprofundar o debate e pensar ações sobre saúde do trabalhador e da trabalhadora.
A portaria do GT Democratização já foi publicada, sob o número 549/2026. A diretora do ANDES-SN destaca a inclusão do movimento estudantil no debate, uma reivindicação apresentada pelas entidades sindicais na primeira reunião, realizada em abril. “Nós apontamos e o MEC reconheceu que seria impossível fazer o debate sobre democratização das instituições sem a presença dos três segmentos que compõem a comunidade acadêmica: docentes, técnicos e estudantes”, observou.
De acordo com a portaria, este grupo terá 90 dias, prorrogável por igual período, para “definir sua metodologia e cronograma de trabalho; realizar diagnóstico sobre práticas e mecanismos de gestão, participação institucional e transparência nas Ifes, com vistas à identificação de desafios, limitações e oportunidades de melhoria; elaborar propostas voltadas ao aprimoramento das práticas institucionais de gestão, participação e transparência nas Ifes; e elaborar relatório final contendo diagnóstico, conclusões e propostas relacionadas ao objeto do GT”.
Apesar do avanço com o fim da lista tríplice e a criação do GT, a secretária-geral do ANDES-SN ressaltou pontos que ainda preocupam a categoria docente, como a manutenção da ideia de um colegiado para “tirar as regras no respeito à autonomia das instituições". Fernanda Maria criticou duramente a desigualdade imposta pela legislação atual na composição desses colegiados.
Conforme a dirigente, a Lei 9192/95, do governo Fernando Henrique Cardoso, mantém a composição profundamente desigual desses colegiados, com o mínimo de 70% de membros do corpo docente no total de sua composição. "Para efetividade democrática não é possível que você mantenha tamanha desigualdade na participação dos rumos das nossas universidades", alertou. Ela lembrou que o ANDES-SN defende a participação universal ou paritária de todos os segmentos acadêmicos nos processos decisórios.
Outras pautas
Além da democratização, o Sindicato Nacional cobrou ainda o cumprimento de pautas do acordo de greve, especialmente o fim do controle de ponto para docentes da carreira do Ensino Básico, Técnico e Tecnológico (EBTT), uma pauta histórica que gera uma profunda desigualdade na categoria docente.
Foto: Thamires Barreto
Sobre este ponto, a secretária-geral do ANDES-SN disse que o MEC sinalizou a publicação de um decreto, pelo governo federal, transferindo ao ministério a competência para decidir sobre a questão. Segundo ela, a Pasta compartilha do entendimento de que "a manutenção desse controle é uma assimetria não aceitável dentro das instituições de ensino federal".
A reunião também serviu para que o ANDES-SN cobrasse a recomposição orçamentária das instituições, em especial para a recuperação do prédio histórico do Colégio de Aplicação João 23, da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), visando garantir a segurança e o retorno adequado das atividades escolares após os danos causados pelas chuvas no início do ano.
Também foi pontuada a necessidade de uma reunião urgente entre a Secretaria de Educação Profissional do MEC (Setec) e a direção do Cefet Rio de Janeiro, para discutir a situação de insegurança e a presença de policiais armados no ambiente educacional, após o feminicídio de duas trabalhadoras do colégio, no final de 2025.
”Nós não conseguimos avançar nos outros pontos pendentes do nosso acordo, mas, pelo menos, conseguimos garantir que o registro de ponto para docentes EBTT seja extinto o mais rápido possível”, concluiu Fernanda Maria.
Fonte: Andes-SN
Após uma rodada de assembleias realizada nas seções sindicais do Setor das Instituições Federais de Ensino (Ifes) do ANDES-SN, as e os docentes aprovaram a proposta de realização de uma paralisação de um dia a cada dois meses, como forma de pressionar o governo federal pelo cumprimento integral do Acordo de Greve nº 10/2024. A proposta será debatida com a Fasubra e o Sinasefe, para a construção de um calendário unificado de mobilizações.
Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN
A consulta às seções sindicais foi definida durante a reunião conjunta dos Setores das Ifes e das Instituições Estaduais, Municipais e Distrital de Ensino Superior (Iees/Imes/Ides) e do Grupo de Trabalho Verbas e Fundações (GT Verbas), realizada nos dias 10 e 11 de abril. Na ocasião, foi indicada a realização de assembleias, até 20 de maio, para que a categoria avaliasse a proposta de paralisações periódicas até o cumprimento integral do acordo firmado com o governo.
Ao todo, 21 seções sindicais se manifestaram sobre a proposta. Destas, 11 aprovaram a paralisação de um dia a cada dois meses, sete votaram contra, duas não obtiveram quórum e uma aprovou paralisações, mas sem periodicidade bimestral.
A iniciativa integra a estratégia de intensificação das mobilizações aprovada durante o 44º Congresso do ANDES-SN, realizado de 2 a 6 de março deste ano, em Salvador (BA). Durante o evento, as e os docentes deliberaram pela construção de um calendário unificado de lutas com a Fasubra e o Sinasefe para pressionar o governo federal a implementar integralmente os acordos de greve, firmados em 2024. O 44º Congresso também aprovou o fortalecimento das ações de mobilização e comunicação sobre os itens ainda pendentes, articulando essa luta com o conjunto das servidoras e dos servidores do Poder Executivo Federal, diante do descumprimento de acordos firmados com diversas categorias em 2024 e 2025.
De acordo com a Circular 254/2026, a diretoria do ANDES-SN orienta as seções sindicais a dialogarem com as representações locais do Sinasefe e das entidades da base da Fasubra, em greve há mais de 120 dias, para fortalecer a construção de uma agenda conjunta de mobilização em defesa do cumprimento dos acordos de greve.
Acesse aqui a Circular 254/2026
Fonte: Andes-SN











