*Danilo de Souza é professor na FAET/UFMT, pesquisador no NIEPE/FE/UFMT e no Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP).
A Adufmat-Ssind informa que, em razão de complicações no abastecimento de água, não haverá expediente na tarde desta sexta-feira, 24/07.
As atividades administrativas serão retomadas normalmente na próxima segunda-feira, 27/07, em seu horário habitual de funcionamento - das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.
Agradecemos a compreensão de todas e todos.
O ANDES-SN, por meio de suas Secretarias Regionais e Seções Sindicais, foi convidado a participar do 11º Seminário Nacional e 2º Seminário Internacional da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde. Os eventos ocorrerão entre os dias 12 e 15 de agosto, em Maceió (AL), com o tema central "A privatização da saúde e as ameaças ao sistema público e estatal: resistência à mercantilização da vida na América Latina e Caribe".
Os seminários pretendem reunir docentes, pesquisadores, pesquisadoras, estudantes, movimentos sociais e organizações da sociedade civil para debater os desafios da saúde pública na região. Segundo a organização, o evento constitui um espaço de deliberação, formação política e fortalecimento, reafirmando a necessidade de resgatar o projeto original da Reforma Sanitária Brasileira. O objetivo é articular estratégias de resistência para o fortalecimento das lutas em defesa da saúde pública e de um Sistema Único de Saúde público, 100% estatal, universal e de qualidade.
Fernanda Mendonça, 1ª vice-presidenta da Regional Sul e da coordenação do Grupo de Trabalho de Seguridade Social e Assuntos de Aposentadoria do ANDES-SN (GTSSA), destaca que a saúde pública enfrenta ameaças permanentes, que se expressam no financiamento público insuficiente e instável, na privatização e mercantilização da saúde, na precarização da força de trabalho e em desigualdades territoriais. Para a docente, a própria existência de um sistema público e universal, como o SUS, é um projeto contra-hegemônico em tempos de avanço neoliberal.
A diretora do Sindicato Nacional também alerta para um fenômeno recente de enfraquecimento do planejamento sanitário: a captura do orçamento da saúde pelo Poder Legislativo. "Soma-se a esse conjunto de problemas a crescente captura de parcelas significativas do orçamento da saúde pelo Poder Legislativo, por meio das emendas parlamentares, muitas vezes orientadas por interesses locais e imediatos", afirma. Para ela, isso evidencia um processo contínuo de boicote ao SUS, que, apesar de tudo, segue como uma das maiores conquistas sociais do país.
De acordo com a coordenadora do GTSSA, a participação do ANDES-SN nos seminários reforça uma pauta histórica do Sindicato Nacional na defesa da saúde como um direito e não como mercadoria. Fernanda Mendonça ressalta que a defesa do SUS e da Educação Pública são faces da mesma moeda. "A defesa do SUS e da Educação Pública constituem dimensões de uma mesma luta, ou seja, em favor dos direitos sociais e do fortalecimento do Estado como garantidor de políticas públicas universais", pontua.
A diretora enfatiza que o movimento docente traz uma trajetória de produção crítica essencial para qualificar o debate sobre financiamento público e os impactos da austeridade. “Sua participação [do movimento docente] qualifica o debate político, fortalece a articulação entre diferentes categorias de trabalhadores e amplia a capacidade de incidência da Frente Nacional Contra a Privatização da Saúde. O Seminário também representa um espaço privilegiado para construir agendas comuns entre sindicatos, movimentos sociais, entidades científicas, conselhos profissionais e organizações populares”, afirma.
O ANDES-SN reforça a importância da ampla divulgação do evento junto à base e incentiva a participação ativa das seções sindicais na construção coletiva de propostas em defesa de um SUS público, estatal e de qualidade. “Diante do avanço da privatização da saúde, da captura crescente do orçamento público por interesses privados e da precarização das condições de trabalho, torna-se fundamental fortalecer alianças capazes de defender o SUS como política pública universal, pública, estatal, integral e socialmente referenciada”, conclui Fernanda Mendonça.
Inscrições podem ser feitas aqui.
Mais informações no perfil da Frente no Instagram. Clique aqui.
Fonte: Andes-SN
Entre os dias 10 e 13 de agosto, diversas entidades representativas das servidoras e dos servidores públicos federais realizarão uma jornada de luta, em Brasília (DF). A mobilização, organizada pelo Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe), tem o objetivo de pressionar o Congresso Nacional a aprovar, entre outras propostas, o projeto de lei que regulamenta a negociação coletiva no setor público (PL 1893/26).
O ANDES-SN convocou a categoria docente a participar das atividades, através da circular 297/2026, divulgada na segunda-feira (20). Conforme o documento, além da regulamentação do amplo e irrestrito direito de greve e da Convenção 151 da OIT, a mobilização cobrará a recomposição orçamentária das Instituições Federais de Ensino; a correção das perdas salariais, com destinação de recursos orçamentários para a campanha salarial 2027; o reenquadramento e reposicionamento de aposentadas(os), a criação do auxílio nutrição e a cessação do pagamento de previdência por aposentadas e aposentados; e o fim da escala 6x1.
O Sindicato Nacional solicita às seções sindicais que empenhem esforços para enviar representantes para participar das atividades na capital federal, por meio de recursos próprios, considerando a chegada na sede do ANDES-SN na segunda-feira (10), às 8 horas, e a partida, depois das 16 horas da quinta-feira (13). As seções sindicais devem informar os dados dos e das representantes até o dia 06 de agosto, por meio do preenchimento do formulário online enviado às secretarias.
Entre as atividades previstas pela Jornada está uma Audiência Pública, no dia 11 de agosto, às 16h, intitulada “Por que não temos negociação coletiva para os servidores públicos no Brasil?”. De acordo com o Fonasefe, são mais de 20 anos, desde a Convenção da OIT, que o setor público vive um vácuo jurídico, dependendo da boa vontade política dos governos para ser ouvido em mesas de discussão sobre salários e condições de trabalho.
Confira a programação da Jornada de Luta:
10 de agosto
9h – Concentração no Anexo II, Câmara dos Deputados
11 de agosto
9h – Concentração no Anexo II, Câmara dos Deputados
16h – Audiência Pública “Por que não temos negociação coletiva para os servidores públicos no Brasil?”
(Local a definir)
12 de agosto
9h – Concentração no Anexo II, Câmara dos Deputados
8h às 13h – 20° Encontro de Aposentados/as e Pensionistas do MOSAP - Auditório Nereu Ramos, Câmara dos Deputados
13 de agosto
9h – Concentração no Anexo II, Câmara dos Deputados
Fonte: Andes-SN
PDL 171/2026, de autoria da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) tramita em regime de urgência na Câmara
Em meio à tramitação do Projeto de Decreto Legislativo 171/2026 que pretende suspender os efeitos da ampliação da Estação Ecológica Taiamã, em Cáceres (MT), decretada pela Presidência da República em março deste ano, uma nota técnica reforça evidências científicas, dados oficiais e análises técnicas sobre a viabilidade da proposta. O documento é assinado por um grupo de professores e pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT).
A publicação "Ampliação da Estação Ecológica de Taiamã e Hidrovia Paraguai-Paraná: subsídios técnicos, econômicos e socioambientais para o debate público em Cáceres-MT", está organizada em 14 pontos. Entre os temas analisados estão a base legal da ampliação da unidade de conservação; as justificativas científicas para a inclusão de novas áreas; a importância da diversidade de macrohabitats para a conservação dos peixes; dados do MapBiomas que evidenciam o processo de redução das áreas alagadas do Pantanal; a estimativa do estoque de carbono protegido; o impacto positivo na arrecadação municipal por meio do ICMS Ecológico; além de um comparativo entre os benefícios da conservação ambiental e da pecuária extensiva.
“A ampliação da Estação Ecológica de Taiamã é uma decisão construída sobre evidências técnicas, processo participativo e demanda histórica de pesquisadores e comunidades. Seus benefícios são verificáveis e de ampla distribuição: proteção dos berçários de peixes essenciais para a pesca de Cáceres, manutenção do pulso de inundação pantaneiro, conservação de um estoque de carbono de 11 milhões de toneladas de CO₂eq, cujo valor climático é global e cuja destruição seria irreversível, além de incremento direto de R$ 1,5 a 4 milhões anuais no ICMS Ecológico da Prefeitura, e base para o ecoturismo regional”, conclui a nota técnica.
Dos biomas brasileiros, o Pantanal é o que possui a menor área protegida, com cerca de 5%. Nos últimos anos, o território vem sofrendo com secas cada vez mais graves, incêndios, além do avanço do agronegócio e outras atividades econômicas exploratórias. Por esta razão, o anúncio da ampliação de 104 mil hectares este ano foi motivo de esperança para quem vive, estuda, respira e defende o Pantanal. A ampliação é fruto de anos de estudo e foi apresentada pelo ICMBio, entidade referência em Unidades de Conservação do país.
Ao reunir informações científicas, jurídicas, econômicas e socioambientais em um único documento, a nota técnica da equipe da UNEMAT é um reforço nas mobilizações locais e nacionais contrárias ao PDL 171/2026. De autoria da deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT), o projeto teve o regime de urgência aprovado no plenário da Câmara e corre o risco de ser votado antes do recesso parlamentar. A pressão da sociedade civil é para que o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos), interrompa a tramitação da pauta. Além de tentar derrubar a ampliação da Estação Taiamã, a deputada mato-grossense, que não possui histórico de propostas em defesa do meio ambiente, também quer vetar o aumento de áreas protegidas no Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense, com o PDL 170/26.
A mobilização conta com a participação pública e pode ser feita das seguintes formas:
- Reenvio de cartas institucionais para a presidência da Câmara (O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.) e também O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. (com assinatura digital)
- Marcação do perfil @hugomottapb nas redes sociais: "não paute o PDL 171/2026. Não toque na ESEC Taiamã".
- Entre no site da Câmara e vote contra o projeto: https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2612908
O reencontro e o espírito de coletividade que marcaram o 3º Arraiá da Resistência, realizado na última sexta-feira, 17/07, no Largo Pedro Casaldáliga da Adufmat-Ssind já podem ser revividos por meio da galeria de imagens do evento, já disponível no portal do sindicato.
A confraternização reuniu docentes, familiares e amigos na famosa Oca, em uma noite de música ao vivo, comidas típicas, muita dança e integração. Além de celebrar as tradições populares, o Arraiá da Resistência reafirmou a importância dos espaços de convivência para fortalecer os laços entre a categoria e valorizar a organização coletiva.
Os registros, feitos pela trabalhadora do sindicato, Catarina Lana, mostram diversos momentos da festa, desde a recepção dos participantes até as apresentações musicais, a quadrilha junina. karaokê e tudo que ocorreu neste momento de celebração, que marcou também o final do semestre letivo na UFMT.
A Adufmat-Ssind agradece a presença de todas e todos que prestigiaram mais esta edição do Arraiá da Resistência e já adianta: em agosto também tem motivo para celebrar.
Confira aqui a GALERIA DE IMAGENS e relembre os melhores momentos da festa!
Como parte das celebrações dos 45 anos do ANDES-SN, uma série mensal de reportagens resgata a trajetória da categoria e do movimento sindical docente. Neste mês, que marca o Julho das Pretas no Brasil, destacamos a atuação do Sindicato Nacional na pauta antirracista e a participação de docentes negras e negros dentro da entidade.
Ancestralidade e a resistência como ferramentas de luta. Fotos: Eline Luz / Imprensa ANDES-SN
A história do ANDES-SN, fundado em 19 de fevereiro de 1981, é indissociável da luta pela democratização da universidade e da sociedade brasileira. Ao longo dessas quatro décadas e meia, o sindicato transitou da invisibilidade para a consolidação de uma pauta antirracista estruturante, que incorpora o combate às opressões como parte da defesa da educação pública de qualidade e socialmente referenciada.
Para a professora Jacyara Paiva, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a militância sindical e a antirracista são indissociáveis. “Minha trajetória no movimento docente não começou quando ingressei na universidade. Ela começou muito antes, nos movimentos populares, na defesa dos direitos de crianças e adolescentes em situação de rua, no movimento negro e na compreensão de que educação, justiça social e racial caminham juntas”, afirma.
Trajetória da luta antirracista no Sindicato Nacional
A organização interna da pauta racial no ANDES-SN avançou, especialmente, a partir dos anos 2000, com a institucionalização do combate às opressões no plano de lutas do Sindicato. Um marco foi a criação do Grupo de Trabalho Etnia, Gênero e Classe (GTEGC), em 2007, que depois foi expandido para o atual GT de Política de Classe para as Questões Étnico-Raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS). Com o GT, o debate sobre como o racismo estrutura as relações de trabalho e o acesso ao ensino superior passou a ser pautado nos espaços deliberativos da entidade.
Em 2010, no 29º Congresso do ANDES-SN, a categoria docente manifestou posicionamento favorável às cotas como “política transitória para universalização do acesso à educação superior”. Já em 2016, em Cuiabá (MT), durante o 35º Congresso, o sindicato aprovou importantes resoluções relacionadas à questão étnico-racial, que buscavam intensificar a luta contra o racismo, a defesa e a ampliação das ações afirmativas, assim como continuar no engajamento da denúncia do genocídio da juventude negra.
Ainda no mesmo Congresso, importante resolução encaminhou que a Comissão da Verdade do ANDES-SN deveria engajar-se na luta, no registro e na denúncia dos genocídios enfrentados pela população negra, indígena, quilombola, cigana, camponesa, dos sem-teto e dos moradores das periferias. Desde então, o ANDES-SN tem avançado na inclusão, em seu plano de lutas, de ações que combatam o racismo e promovam uma educação e atuação antirracista.
Jacyara Paiva destaca que essa evolução resultou em mudanças na própria composição da diretoria. “Hoje, o ANDES SN tem pela primeira vez um presidente negro à frente da diretoria nacional. Isto não é um dado simbólico, mas é resultado de uma longa caminhada construída por muitas mãos e mentes”, afirma.

Coletivo de Docentes Negras e Negros
A organização de docentes negros e negras no ANDES-SN não foi um processo imediato, mas fruto de uma "reintegração de posse" política e subjetiva, como descrito no artigo “Quilombagem: a organização de docentes negras e negros no ANDES-SN”, publicado na revista Universidade e Sociedade número 78. Conforme o texto, durante décadas, o chamado "Pacto Narcísico da Branquitude" operou sob o manto de uma "unidade de classe" que, na prática, tornava invisíveis as especificidades da população negra na docência.
Em 2018, durante o 37º Congresso do ANDES-SN em Salvador (BA), ocorreu a primeira reunião do Coletivo de Docentes Negras e Negros. O grupo, conforme Jacyara, surgiu por iniciativa das professoras Dalva dos Santos, Rosineide Freitas e Cláudia Durans, motivadas pela baixa representatividade negra nas instâncias deliberativas da entidade. Naquele congresso, dos 500 participantes, menos de 30 eram docentes negros ou negras.
“[o coletivo] Nasceu das ausências, dos silenciamentos e da percepção de que muitas vezes as questões raciais apareciam como temas periféricos, quando, na verdade, estruturam profundamente a sociedade brasileira”, recorda a professora da Ufes.
Desde então, o coletivo — carinhosamente chamado de Quilombo — cresceu significativamente e hoje conta com cerca de 300 integrantes. “O que nos une é a luta antirracista. Somos um coletivo auto-organizado, horizontalizado, sem presidentes, coordenadores ou hierarquias internas. (...) Talvez seja justamente essa horizontalidade que faça tantas pessoas dizerem que, quando chegam ao Quilombo sentem que encontraram um lugar de pertencimento”, explica a docente.
Combatendo o Epistemicídio
Um dos grandes embates travados pelo movimento negro é contra o epistemicídio — a deslegitimação e o apagamento de formas de conhecimento produzidas por pessoas negras. Historicamente, a intelectual negra e o intelectual negro foram tratados como "objetos de estudo" e não como sujeitos produtores de teoria.
“O epistemicídio não elimina apenas pessoas; ele elimina formas de produzir conhecimento. Durante séculos, intelectuais negros foram invisibilizados, suas contribuições deslegitimadas e suas experiências tratadas como objeto de estudo, nunca como produção de teoria. Não podemos negar que o pacto da branquitude ainda está em nossas seções sindicais, em nosso sindicato, mas hoje estamos aqui com nossos corpos, nossas existências questionando e denunciando este pacto”, conta Jacyara.
Para ela, o coletivo Quilombo não serve apenas para denunciar o racismo, mas também para "produzir conhecimento, formular políticas, escrever documentos (...) e demonstrar que o pensamento negro sempre fez parte da construção da universidade brasileira".
A docente ressalta que esse combate é urgente diante do cenário de branqueamento da docência. Dados indicam que, em muitos espaços universitários, a representação de mulheres negras é quase inexistente.
Jacyara alerta para o impacto simbólico dessa ausência. “Quando uma jovem negra (...) atravessa toda sua formação sem encontrar uma professora negra, a mensagem transmitida é silenciosa, mas poderosa: aquele lugar talvez não tenha sido pensado para ela”, reflete. Segundo a professora, o sindicato, portanto, assume o papel estratégico de defender ações afirmativas, acompanhar concursos e combater o racismo institucional que adoece e exclui.

Perseguição institucional
A luta antirracista tem gerado retaliações, especialmente contra docentes negras e negros em posições de liderança. Casos de perseguição política e processos administrativos infundados atingiram docentes como Ilzver Matos, impedido de tomar posse na Universidade Federal de Sergipe (UFS); Iguatemi Rangel, que sofreu mudanças casuísticas em editais na Ufes; além de Lorena Pinheiro, Dayse Moura e Leonardo Peixoto, entre outras e outros, como denuncia o artigo da revista Universidade e Sociedade.
O caso da própria Jacyara Paiva, que enfrentou uma tentativa de exoneração na Ufes após sua atuação na defesa de cotas, tornou-se símbolo de resistência. A mobilização “Jacy fica!” demonstrou a importância da resposta sindical. “O racismo institucional produz uma violência muito particular: ele tenta transformar quem denuncia um problema, em algoz, em culpado”, revela.
Para a professora da Ufes, a resposta do sindicato deve ser sempre coletiva, pois "o racismo se alimenta do silêncio". Jacyara aponta a criação de protocolos específicos de enfrentamento ao racismo e a oferta de assistência jurídica especializada como avanços que o ANDES-SN tem buscado consolidar.
“Sou Docente Antirracista”
O combate ao racismo nos marcos do Sindicato Nacional foi reforçado também com a campanha permanente “Sou docente Antirracista”, lançada em julho de 2024. Para Jacyara, a campanha representa uma mudança de paradigma e afirma algo que o movimento negro diz há décadas: “combater o racismo não é responsabilidade exclusiva das pessoas negras.”
A professora lembra que esta campanha nasceu a partir da luta do Coletivo de Negras e Negros e se tornou um marco na construção de uma cultura sindical verdadeiramente antirracista. “Hoje, o ANDES-SN é referência nacional de sindicato que se abre a esta luta”, afirma
Jacyara destaca que a campanha marca uma mudança de postura ao convocar docentes brancos para a responsabilidade ética do combate ao racismo. Para Jacyara, quando um docente se reconhece antirracista, “passa a questionar currículos, práticas institucionais, presença negra nos espaços de poder, concursos, relações de trabalho e formas de produção do conhecimento”.

Os próximos 45 anos
Entre as lutas para o próximo período no ANDES-SN está a mobilização contra a Instrução Normativa (IN) que prevê o sorteio de vagas para cotas em concursos públicos, medida considerada um retrocesso pelo Sindicato Nacional. Jacyara reforça que o movimento docente deve seguir em luta para garantir condições de permanência e desenvolvimento para docentes e estudantes negras e negros. “Defender ações afirmativas, defender a luta antirracista é defender uma universidade verdadeiramente pública, democrática e socialmente referenciada”, aponta.
Ao olhar para o futuro, Jacyara lembra que o movimento negro no ANDES-SN reafirma que a luta também se faz pela memória, pela cultura e pela celebração da vida. Conforme a docente, os atos nos congressos, repletos de tambores, danças e poesias, são formas de levar para o sindicato tradições de resistência que humanizam a política.
“O Coletivo Quilombo segue sempre em construção, com a chegada de mais docentes negras e negros às universidades públicas, fruto das políticas afirmativas e da luta histórica do movimento negro, nosso quilombo também cresce e ele cresce dentro de uma perspectiva contra colonial de práxis sindical, isto é absurdamente revolucionário”, afirma.
Para as novas gerações de docentes negras e negros que ingressam na carreira, o recado de Jacyara Paiva é de acolhimento e firmeza. “Cada docente negra e cada docente negro que hoje ocupa uma sala de aula (...) carrega consigo a luta de muitas gerações que sonharam com esse momento”, lembra.
Ela convoca todos e todas ao aquilombamento. “Não tentem lutar sozinhos, é preciso se organizar (...) O racismo tenta nos isolar porque sabe que a coletividade é a nossa maior força”, afirma.
A professora da Ufes ressalta que os próximos 45 anos do ANDES-SN dependerão da capacidade de compreender que democracia, universidade pública e justiça racial são projetos inseparáveis, que não competem um com o outro, que não dividem o sindicato, ao contrário, fortalece cada vez mais.
“Quando uma pessoa negra ocupa um espaço e transforma esse espaço para que outras também possam chegar, ela não está apenas construindo uma carreira. Está ampliando os horizontes da democracia brasileira. “Aquilombar é o caminho, o amanhã será nossa insubmissão”, conclui.
Fonte: Andes-SN
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Por Danilo de Souza*
Li com atenção o texto "Pesquisa Científica versus Esteira de Produção: vassalagem acadêmica ao gerencialismo empresarial?", publicado no Espaço Aberto da ADUFMAT. Antes de qualquer consideração, considero importante registrar que o Espaço Aberto desempenha um papel relevante na universidade ao possibilitar a manifestação de diferentes posições sobre os mais variados temas da vida acadêmica. Embora a intensa rotina universitária muitas vezes não permita acompanhar todos os textos ali publicados, este chamou minha atenção tanto pelo tema quanto, por sua autoria.
A autora do texto supracitado é uma pesquisadora cuja trajetória acompanho há muitos anos. Frequentemente leio seus textos e relatos de participação em eventos e tenho por ela profundo respeito e admiração profissional. Justamente por isso, escrevo estas reflexões com o máximo respeito, entendendo que a universidade se fortalece no debate das ideias, com rigor técnico e fundamentação crítica, como caminho para a superação das contradições e para a construção de um conhecimento emancipador.
De um lado, compartilho algumas das preocupações apresentadas no texto. O adoecimento docente constitui uma expressão concreta da alienação e da exploração do trabalho intelectual, evidenciando as contradições inerentes à realidade da educação. A crescente burocratização da atividade acadêmica expressa a submissão do trabalho intelectual às exigências da racionalidade instrumental e da lógica de produtividade impostas neste momento. Os sistemas nacionais de avaliação da pesquisa influenciam o comportamento institucional das universidades. Por isso, faz-se necessária uma discussão contínua e fundamentada sobre seus efeitos, desvelando as contradições da forma avaliativa vigente e de sua função social.
De outro lado, discordo das ideias apresentadas nas conclusões quando essas críticas são direcionadas ao Edital nº 03/2026 da PROPESQ e, principalmente, quando determinadas comparações quantitativas são utilizadas para demonstrar uma suposta ausência de razoabilidade nos critérios de avaliação.
Tal divergência se deve ao fato de ter acompanhado os editais da PROPESQ nos últimos anos e, inclusive, ter participado do processo como orientador candidato. Conheço a forma como são conduzidas as avaliações, os critérios adotados, a participação de pareceristas convidados e a transparência do processo. Como qualquer edital público, certamente pode e deve ser aperfeiçoado. Nenhum sistema de avaliação é perfeito. Contudo, daí concluir que se trata de um processo desprovido de razoabilidade ou comprometido com uma lógica puramente produtivista parece-me uma inferência que não encontra sustentação na realidade material.
Um dos exemplos apresentados no texto merece atenção especial. A autora questiona, por que, em determinadas áreas do conhecimento, uma patente licenciada recebe pontuação significativamente superior à da organização de eventos científicos, à da produção de material didático ou à de outras atividades acadêmicas. A comparação, à primeira vista, pode parecer intuitivamente convincente. Entretanto, é desconsiderado um aspecto fundamental: o trabalho de obtenção de cada um desses resultados, que não pode ser compreendido de forma abstrata, mas deve ser analisado à luz das condições materiais e históricas que estruturam a produção do conhecimento em cada campo.
Quem atua nas áreas das ciências exatas e das engenharias sabe que uma patente licenciada é um dos resultados mais raros e complexos da formalização do conhecimento produzido. Entre o desenvolvimento da pesquisa, o depósito do pedido de patente, a análise e concessão da proteção intelectual e, finalmente, sua efetiva licença para exploração econômica, transcorrem muitos anos de trabalho. Apenas entre o início da pesquisa e a concessão da patente, são comuns prazos médios de sete a doze anos, podendo esse período ser significativamente maior em função da complexidade tecnológica, das etapas de exame e do processo de transferência da tecnologia para a aplicação.
Sou professor da área das engenharias. Toda a minha formação foi construída nesse campo do conhecimento: curso técnico, graduação, especializações, mestrado e doutorado. Apesar disso, não possuo nenhuma patente licenciada e, sendo absolutamente realista, muito provavelmente eu, assim como a maioria absoluta dos meus colegas, dificilmente terei uma patente licenciada ao longo de toda a minha carreira como pesquisador.
A própria Universidade Federal de Mato Grosso possui um Escritório de Inovação Tecnológica que realiza um trabalho altamente qualificado no apoio à propriedade intelectual e à transferência de tecnologia. Ainda assim, ao longo de sua história, o número de patentes efetivamente licenciadas permanece reduzido. Não por deficiência institucional, mas porque conduzir uma pesquisa que avance rumo a uma patente não é um processo rápido nem trivial.
Comparar diretamente essas duas atividades apenas pelo valor numérico atribuído no edital equivale a desconsiderar completamente a probabilidade real de ocorrência de cada uma e o tempo dedicado pelo trabalhador a essa tarefa.
Eu próprio ilustro bem essa situação. Sendo pesquisador na área e tendo toda a minha produção científica nas engenharias, não obtenho pontuação no Bloco 1 do referido Edital - específico de Engenharias. Isso não decorre da ausência de produção científica, pois estamos obtendo bolsas de IC para os orientandos, mas sim do fato de que os itens previstos nesse bloco correspondem a resultados extremamente específicos e de difícil obtenção.
Por outro lado, se eu fosse avaliado pelos critérios do Bloco 1 das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, alcançaria aproximadamente 48 pontos somente no primeiro dos quatro itens do bloco – “Organização de eventos técnico-científicos”, no período considerado pelo edital. Desta forma, seria muito vantajoso para um pesquisador das engenharias ser avaliado pelo Bloco 1 das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas.
Nesse contexto, também merece reflexão a observação feita no texto acerca dos pesquisadores bolsistas de produtividade do CNPq, que podem orientar um número maior de estudantes bolsistas de IC. Esse aspecto, entretanto, decorre de um processo prévio de avaliação realizado pela própria comunidade científica de cada área. Tome-se, por exemplo, uma pesquisadora cuja atuação se desenvolva na Grande Área de Ciências Humanas, na Área de Ciência Política, com pesquisas voltadas a temas como Estado, governo, democracia e partidos políticos. Caso essa pesquisadora solicite uma Bolsa de Produtividade do CNPq, sua produção científica não será submetida à avaliação por pesquisadores de engenharia, medicina ou física, mas sim por especialistas da própria comunidade científica em Ciência Política, atuantes exatamente na subárea de sua pesquisa. São, portanto, seus pares, investigadores que dominam os métodos, os tempos de maturação das investigações, as formas específicas de produção do conhecimento, a regionalidade da preponente e os critérios de excelência próprios desse campo, que, ademais, levam em conta as adversidades materiais e institucionais que marcam a produção científica no território brasileiro. O mesmo ocorre com os programas de pós-graduação, cuja avaliação também é conduzida por comissões compostas por especialistas das respectivas áreas. Evidentemente, nenhum sistema de avaliação é isento de limitações ou críticas, e seu aperfeiçoamento deve ser contínuo.
Façamos um exercício de raciocínio levado ao extremo: poderíamos criar uma rubrica denominada "Prêmio Nobel" e atribuir-lhe 10.000 pontos, nos blocos das áreas em que exista a referida premiação. A existência desse item tornaria o edital injusto em relação às eventuais áreas nas quais o prêmio não está previsto pela Academia Sueca? Evidentemente não. O fato de um resultado excepcional apresentar pontuação elevada não significa que, na prática, esse resultado determine a classificação dos candidatos como um todo. A pontuação precisa ser interpretada à luz da probabilidade material de se obter aquele resultado e do tempo de trabalho socialmente necessário para sua produção.
Aliás, esse exemplo leva a uma conclusão distinta daquela apresentada no texto. Se há algum aspecto do edital que mereça aperfeiçoamento, ele me parece caminhar justamente no sentido oposto. Atividades relevantes para a vida universitária, como a organização de eventos técnico-científicos, poderiam ser reconhecidas em todas as áreas do conhecimento, e não apenas em algumas. Essa me parece uma discussão consistente, que pode contribuir para o aperfeiçoamento futuro dos editais, mas certamente posso apresentá-la como sugestão ou mesmo durante o prazo de impugnação do edital.
Também é importante destacar que a política institucional de iniciação científica da UFMT está longe de se limitar a um processo de classificação baseado exclusivamente na pontuação do currículo dos orientadores. Além do edital geral (PIBIC), a Universidade mantém editais e modalidades específicas voltados à promoção da inclusão. Os editais de IC preveem reserva de vagas para jovens pesquisadores e para estudantes mães de crianças na primeira infância. Paralelamente, existe a modalidade PIBIC-Af, destinada exclusivamente a estudantes ingressantes por ações afirmativas, contemplando, entre outros grupos, estudantes indígenas (PROIND), quilombolas (PROINQ), pretos, pardos e indígenas, estudantes quilombolas em situação de vulnerabilidade socioeconômica, estudantes com deficiência pertencentes a esses grupos, bem como candidatos contemplados tanto por critérios de renda quanto por modalidades de ingresso independentes da renda. Soma-se a isso o recente Edital Temático "Mulheres na Iniciação Científica", criado para ampliar a participação feminina na orientação de bolsistas, com medidas específicas para a redução das assimetrias de gênero, a reserva de vagas para orientadoras negras (pretas e pardas), procedimentos de heteroidentificação e mecanismos próprios de implementação das políticas de equidade.
Também considero importante dirigir algumas palavras aos colegas pesquisadores da UFMT que, diariamente, conciliam ensino, pesquisa, extensão, orientação de estudantes, atividades administrativas e responsabilidades familiares.
Não se deixem desmotivar por generalizações que, ainda que formuladas com legítima preocupação, podem transmitir à comunidade universitária a impressão de que produzir ciência de elevada qualidade equivale a submeter-se a uma lógica de "vassalagem acadêmica". Pontuações elevadas, de maneira nenhuma, constituem evidência de produtivismo vazio. Tal percepção, embora compreensível diante das pressões objetivas do sistema de avaliação, tende a abstrair as contradições reais que atravessam a produção do conhecimento. Em muitos casos, refletem trajetórias acadêmicas consolidadas, construídas ao longo de décadas de dedicação exclusiva à UFMT. Do mesmo modo, não considero justo que pesquisadores com trajetórias reconhecidas tenham seu trabalho reduzido à ideia de que seriam meros produtos de uma lógica produtivista. Essa interpretação pode homogeneizar as experiências concretas do trabalho intelectual.
Conheço inúmeros pesquisadores da UFMT que trabalham à noite, aos finais de semana, nos feriados e durante as férias para orientar estudantes, escrever projetos, revisar artigos, captar recursos e desenvolver pesquisas que projetam o nome da universidade nacional e internacionalmente.
Da mesma forma, considero importante registrar meu reconhecimento aos servidores da PROPESQ, que têm realizado um excelente trabalho. Nenhum edital agradará integralmente a todas as áreas do conhecimento, a todas as pessoas que produzem pesquisas, e a todas as concepções de universidade; eu mesmo observo que a área da engenharia está prejudicada pelo argumento já apresentado. Mas críticas somente produzem avanços quando dialogam com a realidade concreta e histórica dos diferentes campos científicos e com as peculiaridades, de cada modalidade de produção acadêmica.
O debate sobre o produtivismo acadêmico é necessário, assim como a discussão sobre os critérios utilizados para avaliar a pesquisa. Nas bases de dados científicas é possível encontrar pesquisadores que publicam mais de duas centenas de artigos em um único ano. Entretanto, essa realidade está muito distante do cenário retratado nos resultados do referido edital em discussão.
Essa discussão torna-se ainda mais importante em uma universidade pública, onde os recursos destinados à pesquisa são inevitavelmente limitados pela própria estrutura de financiamento do Estado em um contexto de restrição orçamentária e de prioridades definidas por uma “lógica de mercado”. Não dispomos de orçamento infinito e, por essa razão, toda política de fomento exige escolhas sobre onde investir recursos humanos, bolsas e financiamento.
Companheiras(os),
A Coordenação do Grupo de Trabalho de Política Educacional (GTPE) convoca reunião para os dias 15 (com início às 9h) e 16 de agosto de 2026 (com previsão de término às 18h), sábado e domingo, em Brasília (DF). A pauta e a programação completas serão informadas posteriormente via circular.
Dessa forma, solicitamos a confirmação de presença de até 2 duas representações da seção sindical para a reunião do GTPE, pelo formulário disponível através do link enviado às secretarias até às 18h do dia 11 de agosto de 2026, terça-feira.
As seções sindicais que quiserem socializar os seus informes devem enviá-los até às 12h do dia 14 de agosto de 2026 (sexta-feira), exclusivamente por meio do formulário disponível no link também enviado às secretarias, para serem publicados junto ao relatório da reunião.
Sem mais para o momento, enviamos nossas cordiais saudações sindicais e universitárias.
Prof.ª Fernanda Maria da Costa Vieira
Secretária-Geral
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Alair Silveira
Professora e Pesquisadora do SOCIP e do PPGPS
Membro do Grupo de Pesquisa MERQO/CNPq e
do GTPFS/ADUFMAT-ANDES/SN
Nomeado "Guarnicê a luta pela educação pública na terra da balaiada: contra o imperialismo e a extrema direita", o 69º CONAD foi realizado em São Luís/MA, entre os dias 03 e 05 de julho/2026. De acordo com dados oficiais, o Evento contou com a participação de 81 seções sindicais, 78 delegados, 167 observadores e três convidados.
Além da (1) Análise de Conjuntura, o CONAD dedicou-se à discussão e deliberação de dois temas: (2) Atualização dos Planos de Lutas dos Setores e Plano Geral de Lutas; e (3) Questões Organizativas e Financeiras. Conduzido conforme a distribuição das discussões em Grupos Mistos e/ou Plenária, as principais polêmicas foram concentradas sobre (a) eventual apoio à candidatura de Luís Inácio Lula da Silva (PT) já no primeiro turno; e (b) a Prestação de Contas de 2025.
Antes de adentrar tais polêmicas, cabe registrar algumas iniciativas que merecem atenção, não somente pelas implicações que têm, mas pelo que revelam quanto à cristalização de determinados movimentos dentro do Sindicato. Primeiramente cabe destaque à proposta de Regimento apresentada pela Diretoria, que no § 7º do artigo 8º estabelece: “Fica assegurado a qualquer delegado(a) credenciado(a) ter vista e cópias da totalidade dos documentos que credenciam os(as) demais delegados(as) e observadores(as) de qualquer SSind, AD-SSind ou secretaria regional, mediante requerimento à Comissão Diretora”. Este inciso - aprovado no rol dos demais relacionados ao artigo – nos permite questionar sob quais justificativas esta prerrogativa foi, regimentalmente, assegurada.
No artigo 39, a alínea ‘d’ (parágrafo III, inciso 2º) foi rejeitada. Amplamente discutida, esta proposta estabelecia que os “textos aprovados ou suprimidos integralmente, não entram na regra de votos minoritários. Esta regra será aplicada nas hipóteses de alteração do texto submetido ao grupo misto”. Sempre sob a métrica das metas e da ‘otimização’ do tempo, a Diretoria tem se esforçado para enquadrar as proposições oriundas da base em eventos compactados que restringem os espaços de discussão política. Desta maneira, ao invés de ampliar o período dos eventos para garantir que as polêmicas sejam amplamente discutidas, o movimento tem sido a compressão do tempo através da interposição de diversificados recursos que comprometem o debate e o contraditório. Especialmente quando se tem em conta que a composição dos Grupos Mistos é competência da Diretoria, da mesma sorte que a ordem dos TRs a serem discutidos em cada um deles.
Consoante com esta perspectiva, o tempo dedicado à Análise de Conjuntura foi significativamente restrito a alguns minutos, sob a justificativa que o Regimento aprovado não admitia prorrogação para o Tema 1. E, com atento rigor regimental, a responsabilidade pela contração das discussões foi atribuída à própria plenária, na medida em que inviabilizou o quórum exigido para dar início à Plenária. Consequentemente, mais uma vez, o direito à intervenção foi determinado pela sorte, já que depende do ‘sorteio’, cujo processo permite a visualização da retirada do crachá, mas não a ordem das inscrições sorteadas. Tampouco se todas as credenciais têm a mesma cor...
Assim, para além da incompreensão quanto à política deliberada de restringir o tempo dedicado à análise de conjuntura (imprescindível à avaliação da correlação de forças que deve fundamentar as deliberações do Sindicato), no 69º CONAD, das 18 intervenções inicialmente acordadas, a discussão resumiu-se a 10 intervenções (sorteadas). Questionada quanto ao inicialmente acordado, a Mesa respondeu que devido ao avanço do horário, foi necessário reduzir o número de intervenções. E assim, a Análise de Conjuntura do 69º CONAD resumiu-se à apresentação dos quatro textos de Análise de Conjuntura constantes no Caderno, e 10 inscrições sorteadas, de três minutos cada.
De forma geral, a Análise de Conjuntura foi concentrada nas eleições presidenciais que se avizinham. Conforme proponentes dos TRs dedicados à defesa do apoio à candidatura de Lula já no primeiro turno, as eleições de 2026 devem ser encaradas como uma escolha entre a“extrema direita neofascista” e a “esquerda”, segundo os quais, somente Lula poderá nos defender de todo o ‘mal’. Por isto, ainda de acordo com seus defensores, embora não seja possível ignorar os “erros” do atual Governo, não é oportuno – nestas circunstâncias – fazer críticas e denúncias públicas. Estas devem ser deixadas para outra oportunidade, já que os docentes não devem fortalecer os argumentos de neofascistas e da ‘extrema direita’.
Neste self-service político, cada qual acrescenta adjetivos que considera mais expressivos para demarcar suas opiniões. Ausentes desta salada, os elementos de classe sobre os quais os trabalhadores deveriam discernir as relações estruturalmente antagônicas, os movimentos do capital e as funcionalidades desorganizadoras de identidades políticas que oscilam conforme aproximações e/ou afastamentos de linhas imaginárias que associam ao campo da ‘esquerda’, do ‘centro’ ou da ‘direita’, a defesa de determinadas políticas específicas. Consequentemente, estes grandes (e fluídos) campos magnéticos da política permitem não somente a convergência pluriclassista e o esvaziamento da crítica e do compromisso de classe: eles permitem a divisão (funcional ao capital) entre os próprios trabalhadores em múltiplas associações identitárias supraclassistas.
Repetindo sempre o mesmo enredo, o ‘mal’ assume muitas faces: Collor, FHC; PSDB, Temer e/ou Bolsonaro. Em que pesem suas diferenças de grau quanto ao Neoliberalismo e de compromisso com o regime democrático, em todas as eleições, o projeto societário é escamoteado da discussão e a diferença eleitoral resume-se à face do candidato e/ou governante. Desta maneira, não somente isolamos PT e Lula da crítica quanto à implementação ininterrupta do Neoliberalismo no Brasil (iniciado nos anos 1990), senão que se constrangem os críticos, acusando-os de aliados das forças ‘do mal’.
Agregadas aos riscos internos das eleições brasileiras, as intervenções imperialistas de Donald Trump na América Latina serviram para justificar a urgência e a evidência de que a única alternativa de servir à classe é o apoio imediato do ANDES-SN à candidatura de Lula. Nestas perspectivas, não somente o ecossocialismo foi atrelado à vitória de Lula, mas todas as justificativas quanto aos impedimentos ‘do Congresso inimigo do povo’, que impedem ao Governo (‘bem-intencionado’) de cumprir promessas e avançar nas pautas populares.
Paradoxalmente, a memória seletiva que sustenta estes argumentos, ao mesmo tempo em que reclama que todos esqueçam as experiências governativas do PT, reivindica que o Partido das origens embale as esperanças de melhores dias. Nesta balada, é preciso justificar ou omitir o descumprimento de acordos de greve, a privatização (por dentro) da educação pública, os ataques à organização sindical, a contrarreforma da Previdência, a contrarreforma Administrativa, o reajuste ‘zero’ de 2024 etc. etc. etc. É também preciso esconder no baú da história as declarações de Lula, que não somente asseverou que nunca foi de ‘esquerda’, mas que desqualificou a própria trajetória afirmando que discursos inflamados e ações políticas diretas não passam de ‘bravatas’ de oposição.
Apesar do esforço de grande maioria daqueles que desfrutaram da ‘sorte’ de serem beneficiados com o direito de intervenção, estes argumentos não convenceram a maioria dos delegados. Em votação apertada, 35 delegados rejeitaram o apoio no primeiro turno, defendendo a autonomia sindical, a necessidade de enquadrar a discussão eleitoral nos marcos das ameaças ao regime democrático, assim como condicionar compromissos com pautas de interesse dos trabalhadores. Os defensores do apoio já no primeiro turno, sem quaisquer condicionantes, conquistaram 33 votos.
Mais uma vez, manifestações identitárias coletivas reivindicaram respeito, mas, também, evidenciaram as próprias contradições quanto à defesa da “autoidentificação” e o efetivo respeito por parte dos próprios movimentos quando discordam dos autoidentificados. Estas contradições assumiram forma de veto – e rechaço - àqueles que, socialmente, não são identificados como não binários. Questionados sobre a contradição, foi asseverado que não basta a autoidentificação, mas a atuação coletiva em movimentos LGBTQIA+. Esta nova exigência desvelou alterações na política até então defendida pelo ANDES-SN. E, parece-me, não alterada formalmente dentro do Sindicato.
Neste sentido, a cultura da flexibilização parece ter assumido predominância no espaço sindical. Já não se trata de uma prerrogativa patronal para defender a flexibilização das leis e dos direitos trabalhistas, mas de uma cultura sindical que flexibiliza suas próprias regras, de maneira a garantir os resultados esperados.
Assim se deu com a autoidentificação de um companheiro, como em relação ao direito regimental do 44º Congresso Nacional do ANDES-SN, no qual o Texto Resolução (TR) n. 92 cumpriu com as exigências para ser apreciada em Plenária, tal qual outros submetidos para discussão no II Seminário de Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas, realizado em maio/2026, na Unicamp.
À revelia do direito adquirido, os signatários do TR 92 (Coletivo GRAÚNA e Coletivo Militância Classista) foram ignorados para composição da Mesa dedicada à discussão no II Seminário supra indicado. Inconformados com tamanha arbitrariedade, os signatários do TR 92 denunciaram o fato não apenas no próprio Seminário, mas, também através de um Texto Resolução para o 69º CONAD, numerado como TR 39.
Mais uma vez, a flexibilização dos direitos e do princípio democrático que impõe respeito às regras do jogo, os argumentos apresentados pela Diretoria e por muitos dos delegados orgânicos ou simpatizantes com a ALB (Coletivo majoritário dentro do ANDES-SN) oscilaram entre: a) assumir que houve erro na confecção do Relatório, no 44º Congresso; b) negar que houve erro, reafirmando que o TR 92 não alcançou a condição de TR minoritário; c) responsabilizar os signatários por não ter se manifestado no próprio Congresso (como se a decisão de compor as delegações fosse um ato exclusivo de vontade individual!); d) minimizar o ocorrido, sugerindo a representação do TR no 45º Congresso; e) declarar o TR como irregular e improcedente, porque as ‘regras do ANDES-SN’ são claras quanto às atribuições do CONAD e do Congresso etc. etc. etc.
Porém, das múltiplas e criativas justificativas para rejeitar o TR 39, o argumento mais ‘empolgante’ para a plateia e mais desleal para com seus signatários, foi a deliberada atitude de desqualificar a denúncia e o pleito contido no TR, definindo-o como um “TR ressentido” de pessoas (“amigas dos nossos inimigos”) que atuam “contra os direitos das minorias”. Deslocando a centralidade do que estava em discussão no TR 92 e no 39 (ou seja, a denúncia contra a expansão da violência política e a interdição do contraditório, assim como o descumprimento das regras por parte da Diretoria), para o colega ovacionado, os signatários foram retratados como militantes sindicais ‘inimigos’ dos direitos das minorias e ‘amigos’ daqueles que oprimem, exploram e reprimem!
Realmente, participar das atividades do ANDES-SN tem se tornado um exercício de resistência sindical e equilíbrio emocional. À interdição da fala, podemos acrescentar a flexibilização das regras, a deslealdade retórica e a espetacularização das discussões.
Se a ‘democracia’ sindical pode ser realizada sem contraditório e sem cumprimento das regras estabelecidas - como uma espécie de democracia descarnada instituída sobre a ‘razão do pensamento único’ - resta ao ANDES-SN concentrar seus esforços na democracia das urnas. Seja no apoio [acrítico] de Lula já no primeiro turno, seja nas reflexões sobre o processo eleitoral das reitorias, considerando-se o fim da lista tríplice. Neste sentido, o 69º CONAD desencadeou a discussão sobre voto universal e/ou voto paritário, tendo em conta as implicações quanto ao equilíbrio e proporcionalidade entre as três categorias que conformam a comunidade acadêmica.
Por fim, outro ponto polêmico foi a Prestação de Contas do Exercício 2025. E em que pese as explicações oferecidas pela Diretoria (tanto nos Grupos Mistos quanto na Plenária), elas foram insuficientes para esclarecer as dúvidas relativas, por exemplo, ao valor registrado na rubrica “Material de Consumo”. Embora a Tesouraria do Sindicato Nacional tenha apresentado Notas Explicativas, elas foram consideradas insuficientes para responder a muitos dos questionamentos. E, por isto, foi aprovada a recomendação para que eventuais discrepâncias entre os valores orçados e os executados devam ser efetivamente procedidos de notas explicativas.
De maneira resumida, a análise do TR 35 (dedicado à Prestação de Contas) trouxe explicações insuficientes para convencer quanto às escolhas feitas com relação às rubricas e aos respectivos valores informados. Seguindo a ordem de apresentação do TR, a primeira dúvida diz respeito a inclusão de “contribuição S.Sind.” na rubrica “Outras Receitas”, considerando-se que há uma rubrica titulada “Receita de Contribuições” (2026, p. 168).
Na pág. 169, há duas rubricas com o mesmo nome: “Manutenção e Reparos Bens Móveis”. Em uma delas, o orçado era de R$ 50.000,00 e o executado foi de R$ 11.232,75. Na linha imediatamente abaixo, a mesma rubrica apresenta o valor orçado de R$ 290.000,00 e mais do que dobro executado: R$ 783.313,80.
Mas, não por acaso, foi a rubrica “Material de Consumo” aquela que causou maior estranhamento, pois o valor orçado foi multiplicado por quase 6 para sua execução: isto é, dos R$ 200.000,00 orçados, o executado alcançou os estratosféricos R$ 1.183.698,33. A explicação (Notas 20 e 21) remeteram a despesas com reformas da Sede Regional Planalto. Ora, não somente há rubrica adequada para este registro (como exposto acima), senão que o gasto informado com a reforma do Regional Planalto (Nota 20, p. 198) foi de R$ 542.090,23. Além da incompatibilidade entre a espécie de despesa e a rubrica correspondente, restam, no mínimo, três perguntas: a) por que as despesas com a reforma da Regional Planalto não foram registradas na rubrica “Obras em Andamento”, da mesma forma que as reformas da Regional NE I e Regional NE II, conforme informa a Nota 12 (p. 194-195)?; b) mesmo que se considere que as despesas com a reforma da Regional Planalto foram – indevidamente – registradas na rubrica “Material de Consumo”, ainda restariam a explicar R$ 641.608,10. Como gastos com material de consumo poderiam alcançar este valor em apenas um ano (2025)? De acordo com o diretor Diogo Marques - que foi prestar esclarecimentos pela Diretoria no Grupo Misto do qual fiz parte -, boa parte deste montante foi gasto com material das campanhas que o ANDES-SN desenvolveu em 2025 (como camisetas, materiais gráficos etc.). Estes esclarecimentos, entretanto, não foram suficientes. De um lado, porque existem outras rubricas que parecem absorver estas despesas, como “Serviços Gráficos (Banners/Folders/Cartazes)”, conforme consta na pág. 169, na qual o valor executado totaliza R$ 422.775,09. Por fim, comparando os valores apresentados na tabela da pág. 195, na qual consta o valor de aquisição da Regional Planalto (R$ 320.000,00), o valor da obra (R$ 1.637.468,36) e o valor atualizado do imóvel (R$ 1.957.468,36), deparamo-nos com uma obra que – supõe-se – deve equiparar-se às melhores obras de federações empresariais. Mas... é disso que nosso Sindicato necessita? Ou perguntando de outro modo: Qual a razão de estruturas sindicais deste porte e, especialmente, com estes custos? Registre-se, ainda, que nenhuma das outras Regionais apresentou tamanha desproporção entre o valor de aquisição, o valor da obra e o valor atualizado.
Não bastassem todas estas incompreensões, há que se acrescentar a este rol, o fato de que o “Patrimônio Líquido” (2026, Nota 19, p. 198), em 31/12/2024, totalizava R$ 28.096.076,94 e, em 31/12/2025, R$ 27.775.717,18. Como leiga, às vezes, é difícil entender a lógica da matemática e das ciências contábeis...
Concluindo, cabem dois registros neste longo Relatório: 1) o 70º CONAD será realizado na Unicamp; 2) aprovada a formação de uma Comissão, composta por dois membros da Diretoria e cinco sindicalizados, para a construção de uma proposta de formato e metodologia dos Congressos do ANDES-SN. Eleita no 69º CONAD, a Comissão é composta por: Antonio Gonçalves (APRUMA – [59 votos]); Jorgetânia Silva Ferreira (ADUFU – [43 votos]); Elaine da Silva Neves (ADUFPel – [41 votos]); Valdirio Cizo (UFABC [39 votos]); Fran Rebelatto (UNILA [51 votos]).
A Secretaria do ANDES-SN divulgou, nessa quarta-feira (15), por meio da Circular nº 287/2026, a Carta de São Luís, que reúne os principais debates e deliberações do 69º Conad, realizado entre os dias 3 e 5 de julho, no Centro Pedagógico Paulo Freire da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Com o tema "Guarnicê a luta pela educação pública na terra da Balaiada: contra o imperialismo e a extrema direita", o evento contou com mais de 300 docentes de diversas regiões do país e resgatou as memórias de luta do Maranhão, como a Balaiada.
O documento define como prioridade política a derrota das candidaturas de direita e extrema direita já no primeiro turno das eleições. “No Brasil, essa conjuntura de crise do capital e avanço global da direita e da extrema direita, nos desafia a atuarmos com firmeza para impedir esse avanço nas ruas e nas urnas. Torna-se necessário avançar nas mobilizações sociais contra os ataques fascistas, contra a política de austeridade que leva a cortes orçamentários na saúde, na educação e em tantas outras políticas públicas fundamentais, como moradia e reforma agrária, que paulatinamente estão sendo reduzidas. Ainda é imprescindível continuar na luta pela garantia dos direitos da classe trabalhadora e ampliar a pressão para a aprovação do fim da escala 6x1, com redução da jornada para 30 horas, sem redução salarial”, ressalta o texto.
A carta também reforça a campanha "Lutar não é crime", em resposta à criminalização da atuação docente e aos recorrentes ataques às universidades públicas. Como exemplo, cita a ação da Polícia Militar de São Paulo durante a greve de estudantes e docentes em defesa da educação pública, que culminou na invasão da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP), no Dia das Mães. A entrada do ANDES-SN no Fórum Nacional de Educação (FNE) e a adoção do ecossocialismo como uma bandeira central do Sindicato Nacional frente à crise ambiental e do capital também são destacadas no documento.
Em relação à conjuntura internacional, a carta reforça que o avanço do imperialismo estadunidense em países da América Latina exige uma atuação firme contra os projetos da extrema direita em países como Colômbia, Chile, Peru e Argentina. O documento também menciona as ações de solidariedade do ANDES-SN , como a participação no 1º de Maio em Cuba e a ajuda à Venezuela através do Fundo Único, em razão dos terremotos que atingiram o país.
O documento ainda informa que o 69º Conad atualizou o plano de lutas dos setores das Estaduais, Municipais, Distrital e Federais (Iees, Imes, Ides e Ifes), aprovou uma série de políticas voltadas para docentes aposentadas e aposentados, além de ações de combate ao feminicídio, entre outras.
Confira a Carta de São Luís na íntegra.
Moções
Nesta quinta-feira (16), a Secretaria do ANDES-SN divulgou também as moções aprovadas no 69º Conad. Acesse aqui.
Fonte: Andes-SN












