Seminário Nacional do ANDES-SN garantiu importante espaço de reflexão e debate sobre organização da entidade
O Seminário Nacional de Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas do ANDES-SN foi concluído neste domingo (30), em São Paulo (SP). O evento, que começou na sexta-feira (28) e reuniu 120 participantes de 47 seções sindicais, foi reconhecido, nas intervenções de diversos e diversas participantes, como um espaço fundamental para a reflexão interna sobre a entidade e uma conquista coletiva para a categoria docente.

Durante os três dias de intensos debates, foram abordados temas cruciais para a organização interna, financiamento e funcionamento do Sindicato Nacional. Entre as discussões centrais, destacaram-se a crise do movimento sindical e a organização da classe trabalhadora, a concepção de Sindicato Nacional versus Federação, os princípios que orientam as resoluções financeiras - como rateio e fundo único -, o debate sobre proporcionalidade versus majoritariedade na composição da diretoria, e a metodologia para funcionamento dos espaços deliberativos - como Congressos e Conads - e a necessidade de atualizá-los.
A ampla participação e a franqueza dos debates permitiram que as diferentes forças políticas que compõem a base da entidade apontassem suas percepções sobre as diferentes temáticas e propusessem caminhos para que o ANDES-SN continue cumprindo seu papel histórico como importante instrumento de luta da categoria docente e de toda a classe trabalhadora.
Avaliações
Representantes das seções sindicais e da diretoria do Sindicato Nacional, presentes no seminário, destacaram a importância dos debates realizados para o aprimoramento da atuação da entidade.

Helga Martins, docente da Universidade Federal de Jataí (UFJ), pontuou a necessidade de massificação do sindicato e da ampliação da democracia interna, vinculando a organização interna à luta de classes externa e ao internacionalismo. A docente destacou a relevância do espaço de debate proporcionado pelo Seminário.
“Importante espaço para refletirmos sobre a necessidade - na conjuntura internacional e nacional na qual nos encontramos -, de massificarmos o ANDES-SN enquanto instrumento da nossa classe, ampliando nossa democracia operária no interior do sindicato e rompendo com tendências ao hegemonismo. Pensarmos e agirmos o ANDES-SN para dentro e também para fora, fortalecendo os espaços de articulação do campo classista, fincando, mais firmemente, nossos pés no chão da luta de classes, com horizonte da unidade para enfrentar os desafios da conjuntura, incluindo uma firme e sólida solidariedade internacional na luta anti-imperialista na América Latina e no fortalecimento de uma Universidade e educação efetivamente populares”, analisou Helga.

Nicole Pontes, docente da Universidade Federal Rural de Pernambuco (Uferpe), enfatizou a importância do seminário e destacou que o evento atendeu a um pedido antigo da categoria e das seções sindicais e destacou a necessidade de aprofundamento nas questões financeiras e democráticas. Ela parabenizou a diretoria do ANDES-SN pela construção desse processo, mas ressaltou a necessidade de seguir aprofundando as discussões para reorganizar algumas questões fundamentais no sindicato.
“Acho que a gente atinge um momento importante de reorganização das nossas lutas, da forma de construir as lutas e de organizar o sindicato. Como eu disse em uma das minhas falas, é importante também a gente fazer a gestão dos nossos recursos para maximizar a luta e a nossa atuação. Eu acho que foi importantíssimo a gente fazer esse início de discussão das questões financeiras. Acho que a gente vai precisar ainda de mais aprofundamento nesse processo, mas também de pensar essas formas sobre proporcionalidade, de aprofundar a discussão da forma e participação de grupos minoritários, em termos políticos, dentro do Sindicato Nacional e amadurecer uma ideia de participação maior, de forças distintas, dentro do nosso espaço, refletiu Nicole.

O presidente do ANDES-SN, Cláudio Mendonça, afirmou que o seminário cumpriu o objetivo de ouvir as demandas da base. Ele ressaltou que, durante o evento, diversas mesas de debate abordaram temas fundamentais para a organização da luta da categoria.
“O Seminário Nacional sobre Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas do ANDES-SN proporcionou um espaço para ouvir as demandas da categoria, com o objetivo de fortalecer nosso Sindicato Nacional, além de refletir sobre os desafios financeiros que enfrentamos. Durante o evento, diversas mesas de debate abordaram temas como a situação da classe trabalhadora no mundo, a campanha de sindicalização, as razões pelas quais somos um sindicato nacional e não uma federação, o debate sobre proporcionalidade x majoritariedade, e os espaços deliberativos e o funcionamento do sindicato. Saímos desse seminário mais fortalecidos enquanto Sindicato Nacional, renovados no compromisso de aprimorar nossas instâncias e intensificar nossas lutas”, avaliou Cláudio.

Encaminhamentos
O debate sobre as questões organizativas e financeiras não é novidade no ANDES-SN, e as contribuições no Seminário reforçaram a importância de princípios como a solidariedade, a arrecadação única e a autonomia financeira. No entanto, foram apontadas necessidades de avaliação e possíveis ajustes em aspectos financeiros, como a composição do fundo único e o rateio do custeio dos espaços deliberativos, além de ampliação ou revisão da política de apoio para a participação de seções sindicais menores, bem como atualização da estrutura e funcionamento de espaços deliberativos da categoria.
Os encaminhamentos resultantes do seminário serão sistematizados em um relatório, que será avaliado pelas seções sindicais presentes. O conteúdo completo dos debates e propostas irá compor o texto de apoio e propostas de resolução que o Grupo de Trabalho de Política de Formação Sindical (GTPFS) apresentará no 44º Congresso do ANDES-SN, que acontecerá em Salvador (BA), em março de 2026.
Fonte: Andes-SN | Fotos: Eline Luz
Semana dos Servidores Públicos é marcada por debates, mobilização e ato em Cuiabá
Foto destaque: Francisco Alves/ Sintep-MT
A semana dos servidores públicos foi marcada, em todo o Brasil, por debates, atos e reflexões. Isso porque está tramitando no Congresso Nacional uma nova proposta de desmonte: a PEC 38/2024 – Reforma Administrativa. Em Cuiabá não foi diferente. A data oficial é 28/10, mas a semana foi cheia de atividades que promoveram a reafirmação da importância dos servidores para o acesso efetivo aos direitos sociais garantidos pelo Estado.
Na segunda-feira, 27/10, um ato público unificado reuniu os trabalhadores na Praça Ipiranga, centro de Cuiabá. Várias categorias estaduais, federais e municipais denunciaram os ataques dos governos nos três âmbitos, e dialogaram com a população sobre a importância dos serviços públicos.
“Há tempos não temos um ato representativo como este. Isso significa que o servidor público não admite ataque aos direitos sociais. Serviço público no Brasil é sinônimo de dignidade, de atendimento à população, é sinônimo de garantia de direitos. Como aconteceu em 2021, as diversas categorias do serviço público organizadas vão derrotar mais uma proposta de Reforma Administrativa. Nós derrotamos a anterior num cenário muito crítico, durante o governo neofascista de Bolsonaro e durante uma pandemia. Não é agora que nós vamos abaixar a cabeça e aceitar que uma proposta reformulada, apresentada com palavras bonitas, uma linguagem que engana vai passar e a gente vai ficar calado”, disse o diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.

O docente destacou que muitas vezes discursos bem elaborados, com palavras selecionadas como “reforma”, “execução indireta”, visam, na verdade, emplacar a privatização para que a iniciativa privada lucre em cima dos direitos. “Essa Reforma, que visa destruir os direitos públicos, que visa acabar com os direitos sociais que os trabalhadores e trabalhadoras do serviço público garantem no seu cotidiano de trabalho é mais uma ofensiva brutal daqueles que vêm aqui a cada quatro anos pedir voto dos trabalhadores, tanto do serviço público quanto da iniciativa privada, os lojistas, os ambulantes. Eles pedem voto, mas quando chegam no Congresso, partem para o ataque. É uma ofensiva não de um ou outro deputado, é um projeto de destruição dos direitos, que visa acabar com o serviço público e colocar a iniciativa privada, aquela que visa lucro e não atendimento de direito, controlando aquilo que é público. Eles chamam de execução indireta. Execução indireta é privatização da saúde, da educação, do sistema penitenciário, da segurança pública, da previdência social, que é aquilo que eles visam, historicamente, no Brasil, para colocar na mão daqueles que lucram sobre o nosso sofrimento”, concluiu.
Plenária
No dia oficial dos servidores, 28/10, o evento foi dentro da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Adufmat-Ssind e Sintuf-MT organizaram uma plenária com o tema “Reforma Administrativa: ataque aos serviços públicos e às universidades”, realizada no auditório Hemult Forte Daltro (Batatão), no bloco das Agrárias.
Na ocasião, o coordenador jurídico e de relações de trabalho da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA), Marcelo Rosa Pereira, traçou o histórico de precarização do serviço público, iniciado nos anos 1990, e destacou que a nova proposta protocolada no Congresso aprofunda o desmonte do Estado, fragiliza carreiras, reduz capacidade de atendimento do serviço público e transfere políticas sociais ao setor privado.
Também convidado para compor a mesa, o diretor-geral da Adufmat-Ssind frisou que a nova proposta de Reforma apresentada é uma reedição da PEC 32/2020, já derrotada no governo anterior, composta por mais dois projetos complementares que ameaçam não apenas aos direitos dos servidores, mas a estrutura dos serviços públicos, prejudicando a qualidade dos serviços prestados à sociedade.
Os destaques da proposta elencados pelo docente foram: os tipos de contratação propostos - temporária ou por tempo determinado de, por exemplo, 10 anos; redução do orçamento de acordo com as regras do Arcabouço Fiscal; gestão de desempenho destinada a concessão de benefícios ou na demissão; padronização das carreiras com 20 níveis de progressão e salários de entrada de, no máximo, 50% do teto. Em outras palavras: arrocho salarial, fim da estabilidade, dos concursos públicos e enxugamento de toda a estrutura.

“Estamos ainda no início do entendimento do que são os elementos mais danosos dessa PEC, inclusive das propostas de lei complementar e ordinária, que vai regulamentar, por meio desse marco legal do serviço público, mas uma coisa a gente já sabe: ela vem de um setor do Congresso Nacional que tem um projeto histórico de destruição do serviço público, um projeto histórico de falsificação do que é o serviço público, nos acusando de ser marajás, de receber supersalários. Falar em supersalários no Brasil, um país de desigualdade e concentração de renda brutais, é uma piada. Quem tem supersalário no Brasil é quem não vive de salário, quem vive do salário dos outros, que vive de renda, de lucro de investimentos e da extração brutal do trabalho do trabalhador e da trabalhadora que vivem em situação precária. A ideia do supersalário é uma falsidade por si só, e a de modernização apresenta para a sociedade uma necessidade que só existe porque há um projeto de destruição. Os setores que hoje propõem a Reforma Administrativa trabalharam, historicamente, para precarizar os serviços públicos. Então, você precariza e propõe a solução; você envenena e apresenta o antídoto”, afirmou.
Assista aqui a íntegra do debate.
Celebrar, lutar e resistir
No dia 29/10 uma inciativa da Reitoria da UFMT representou mais um espaço de reflexão. A administração prestou homenagens aos trabalhadores da universidade, reconhecendo seu papel essencial para garantir o direito à educação no Brasil, mas destacando que o Dia do Servidor Público não é apenas para homenagens, é sobretudo um chamado à ação coletiva.
“Reforma deveria ser algo para melhorar, mas a proposta de Reforma apresentada quer subtrair, destruir, deformar, colocar os servidores nas mãos dos mandatários novamente. Essa proposta de Reforma empurra os servidores para o passado”, afirmou a reitora, Marluce Souza e Silva, após apresentar um artigo histórico sobre o surgimento da carreira pública no Brasil.
O diretor-geral da Adufmat-Ssind também aproveitou a oportunidade para alertar sobre os riscos da Reforma Administrativa. “É importante que reconheçamos este espaço como de celebração do servidor, mas também como um espaço de luta. Que a gente possa somar nas atividades das nossas entidades representativas. Hoje, nós temos milhares de trabalhadores e trabalhadoras no serviço público federal, municipais e estaduais, em Brasília, em uma marcha na esplanada dos ministérios, para se contrapor a essa Reforma Administrativa. Que a gente possa, neste momento, dar uma salva de palmas para os trabalhadores que estão em Brasília construindo essa luta em nosso nome, para que a gente possa estar aqui, na semana do servidor, celebrando mais do que falando das nossas angústias. Parabéns servidores e servidoras, parabéns aos lutadores e lutadoras, e que em tempos como estes, de lutas difíceis para nós, de genocídio cotidiano, seja em gaza ou no Rio de Janeiro, a gente possa, enquanto servidor e servidora pública, apresentar um horizonte para a classe trabalhadora, um horizonte de dignidade, de justiça, de melhores condições de vida. A universidade tem um papel fundamental nessa tarefa. Viva a universidade, viva o funcionalismo público e viva os servidores e as servidoras”.
A marcha na capital federal contou com caravanas saindo de diversos locais; segundo a organização, quatro ônibus saíram de Mato Grosso rumo a Brasília, contribuindo para ultrapassar a marca de 20 mil pessoas (saiba mais aqui).
Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind
OFÍCIO 030/ADUFMAT/2025
Cuiabá, 21 de outubro de 2025.
Prezados/as docentes, TAEs e discentes,
Com a recente divulgação de relatório final, por parte do GT, da Reforma Administrativa constituído na Câmara Federal, sob coordenação do Dep. Pedro Paulo (PSD-RJ) e relatoria do Dep. Zé Trovão (PL-SC), e a consequente apresentação de três medidas legislativas (quais sejam: uma Proposta de Emenda Constitucional – PEC, uma Proposta de Lei Complementar – PLP e um Projeto de Lei Ordinária – PL), fica demonstrado cabalmente o teor destrutivo da proposta para os serviços públicos, para os direitos sociais e, em especial, para a universidade pública[1]
Diante desse cenário de retirada de direitos, o FONASEFE (Fórum que reúne mais de 90% do funcionalismo federal) e os Fóruns representativos estaduais e municipais propuseram a realização de uma semana de lutas contra a proposta de Reforma Administrativa, que tem como atividade central a Marcha Nacional dos Servidores e Servidoras em Defesa dos Serviços Públicos e contra a Reforma Administrativa, que será realizada no dia 29 de outubro, em Brasília - DF. A construção trouxe também a proposta de uma paralisação nacional do serviço público federal nos dias 28 e 29 de outubro, observando o dia do e da servidora, dia 28, como um dia de luta.
Na última Assembleia Geral Ordinária da Adufmat, realizada no dia 16 de outubro de 2025, a categoria docente aprovou paralisação das atividades docentes nos dias 28 e 29 de outubro, em referência a essa importante e urgente luta contra a Reforma Administrativa, que ameaça os serviços públicos e os direitos sociais, nos termos e garantias constitucionais estabelecidas nos arts. 9º e 37 parágrafo 7º da CF/88. Tal decisão já foi comunicada à Administração Superior, em cumprimento ao que dispõe o art. 13 da Lei Federal nº 7.783/89.
As atividades de mobilização também acontecerão nos demais estados, como é o caso de Mato Grosso. Enviamos o calendário de atividades locais abaixo e chamamos toda a categoria docente, discentes e TAEs a se somarem nessa luta em defesa dos direitos sociais e contra o desmonte dos serviços públicos!
Ademais, solicitamos, por gentileza, que tal informe seja repassado a todos/as os/as docentes das unidades acadêmicas.
MOBILIZAÇÃO LOCAL CONTRA A REFORMA ADMINISTRATIVA:
- Dia 27 de outubro, às 13h - Ato político na Praça Ipiranga
- Dia 28 de outubro, às 9h - Mesa de Debate sobre os riscos da Reforma para a Universidade - Auditório do Batatão (UFMT)
Diretoria Colegiada da Adufmat - 2025-2027
Adufmat é pra lutar!
[1] Como pode ser atestado pela análise preliminar realizada pelo ANDES-SN, que pode ser lida no link: https://drive.google.com/file/d/1vPQXIfa7Qw_A6Xw0WyS5kRuGTiO_VeZO/view?usp=sharing
Ata da Assembleia Geral Extraordinária (Posse Araguaia) - 14/07/2025
Seminário debaterá questões organizativas, administrativas, financeiras e políticas do ANDES-SN
De 28 a 30 de novembro, São Paulo irá sediar o Seminário Nacional de Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas do ANDES-SN. A atividade acontecerá no Campus São Paulo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) na Vila Mariana, na sede da Associação de Docentes da Unifesp (Adunifesp SSind.). As inscrições podem ser feitas até 21 de novembro (clique aqui).

Na programação, debates sobre a diferença entre Federação e Sindicato Nacional; Proporcionalidade e Majoritariedade; Espaços deliberativos do ANDES-SN: um balanço das últimas alterações, aperfeiçoamento e o papel do Conad. Também serão discutidos os princípios políticos que direcionam as resoluções sobre rateio, questões financeiras e administrativas do Sindicato Nacional, além de outras questões que envolvem a organização sindical do ANDES-SN. Confira abaixo a programação completa.
“Avaliar, refletir e alterar o funcionamento dos nossos espaços deliberativos é parte da democracia sindical, além de atender as mudanças que ocorreram no mundo do trabalho e na carreira docente. Precisamos, é claro, debater e construir o melhor funcionamento do ANDES-SN, e isso só ocorrerá de forma qualificada, com amplo debate na categoria e o seminário será esse espaço”, explicou Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do ANDES-SN.
Segundo a diretora do Sindicato Nacional, o Seminário é muito importante para que a categoria possa acumular também sobre as questões financeiras da entidade, como o rateio dos custos dos eventos nacionais, como Congressos e Conads. “O Brasil é um país continental. No ANDES-SN, hoje, temos 120 seções sindicais do setor das Ifes, Iees, Imes e Ides, o que resultou em proposições de rediscutir o rateio, a partir de questões regionais. Isso significa que não é apenas um debate sobre questões financeiras e sim de concepção sindical, do que é um Sindicato Nacional e o princípio da solidariedade de classe. Diante disso, o seminário será um espaço importante para construirmos e fortalecermos um Sindicato Nacional, que considere as especificidades se abrir mão dos seus princípios. O seminário será esse espaço de debate e de reflexões e certamente resultará em propostas para o próximo congresso”, detalhou.
Outros temas relacionados à forma de organização e atuação do ANDES-SN serão pautados durante o evento, como as diferenças entre diretorias proporcionais e majoritárias. Marcos Soares, 1º vice-presidente da Regional SP do Sindicato Nacional, explica que vincular, necessariamente, uma diretoria proporcional a uma diretoria mais democrática pode ser equivocado.
“Há sindicatos proporcionais que não são necessariamente democráticos. E seguramente há sindicatos de diretoria majoritária que são essencialmente democráticos, e eu vou dizer que o ANDES-SN é esse exemplo. O ANDES-SN é um sindicato nacional de direção majoritária que é muito democrático, aliás. Por exemplo: quando se aprova a greve, cria-se o Comando Nacional de Greve, que vai dirigir a greve. Não é a diretoria que faz isso. Poucos sindicatos têm esse mecanismo para dirigir uma greve, que é o ápice do movimento de qualquer entidade sindical”, exemplifica Soares, que é também encarregado de Relações Sindicais.
De acordo com o diretor, é fundamental envolver a categoria na discussão desses temas e na participação do Seminário, pois tem sempre pessoas integrando a base do ANDES-SN, que muitas vezes não tem experiência sindical e acabam por ter dificuldade em acompanhar esses debates. “É importante que a categoria acompanhe todos esses debates, primeiro, porque é legítimo defender a proporcionalidade, majoritariedade, defender critérios outros para rateio de recursos financeiros, do meu ponto de vista, é legítimo. Mas é importante a categoria localizar, do ponto de vista do debate, onde está o ‘X da questão’, onde está a divergência política”, acrescentou.

Confira a circular 405/2025, que convocou o Seminário
Fonte: Andes-SN
ANDES-SN participa do IX Encontro Continental de Solidariedade com Cuba
Uma delegação do ANDES-SN participou, entre 9 e 12 de outubro, do IX Encontro Continental de Solidariedade com Cuba. A atividade aconteceu na Cidade do México (MX) e reuniu 556 delegados e delegadas de 35 países da América Latina e do Caribe. Participaram também representações dos Estados Unidos, Canadá, Espanha, França, Escócia, Irã e Polônia.

De acordo com a organização do evento, os quatro dias de debates proporcionaram novos caminhos e iniciativas para promover o fortalecimento, a expansão e a coordenação de ações em apoio à ilha, que é alvo de uma política criminosa de cerco econômico e de guerra midiática por parte dos Estados Unidos e seus aliados.
"Foram dias intensos de reflexão, compromisso e fraternidade; dias de trabalho frutífero que reafirmaram que Cuba não está sozinha”, declarou Marcos Rodríguez Costa, embaixador cubano no México, no encerramento do Encontro.
Caroline Lima, 1ª vice-presidenta do ANDES-SN e encarregada de Relações Internacionais da entidade, contou que a atividade no México foi um momento de articulação internacional de diversas entidades sindicais, coletivos e movimentos sociais. Segundo ela, além do Sindicato Nacional, houve a presença de outras entidades e movimentos brasileiros, como o MST.
“Houve também uma presença muito grande de entidades sindicais e dos movimentos sociais mexicanos no encontro, o que demonstrou, inclusive para nós do ANDES-SN, um espaço importante de articulação política, pensando a luta da educação. E foi também um espaço para nós, do ANDES-SN, convidar os educadores e as educadoras para a construção e participação do IV Congresso Mundial contra o Neoliberalismo na Educação”, comentou.
Alguns encaminhamentos aprovados foram: aprofundar a denúncia ao bloqueio econômico a Cuba; incentivar o turismo à ilha; criar mais comitês de solidariedade à Cuba; usar a criatividade nas formas de defesa de Cuba e das conquistas da revolução; conquistar mais pessoas que possam defender Cuba e o povo cubano; ampliar a presença nas universidades, sugerindo cátedras como a José Martí; e participar, em 2026 em Cuba, das atividades que marcarão o centenário de nascimento de Fidel Castro.
De acordo com a 1ª vice-presidenta do Sindicato Nacional, o Encontro teve um papel importante para denunciar como o bloqueio contra Cuba vem inviabilizando a sobrevivência da população cubana, impedindo a chegada de medicamentos e o desenvolvimento de qualquer tecnologia.

“Para nós, do ANDES-SN, foi um espaço importante para divulgarmos as últimas políticas internacionais que aprovamos em nossas instituições deliberativas, como, por exemplo, a nossa parceria com o MST para o envio de medicamentos para Cuba”, avaliou. “Foi um evento muito positivo e a presença do ANDES-SN aqui contribuiu para que pudéssemos acessar e ter contatos com outras entidades sindicais, para que a gente avance ainda mais para uma política internacionalista de defesa da educação pública gratuita, laica e de qualidade”, acrescentou Lima.
Marcos Soares, 1º vice-presidente da Regional São Paulo e encarregado de Relações Sindicais do ANDES-SN, que também esteve no IX Encontro Continental de Solidariedade com Cuba, classificou o evento como muito significativo. Conforme o diretor, a atividade referendou posições que o ANDES-SN já tem em relação à defesa da Revolução Cubana, um processo histórico muito importante, fundamental para a luta dos trabalhadores e trabalhadoras na América Latina, e que impactou também outros movimentos sociais pelo mundo.
“A defesa inconteste do povo cubano, que sofre com um bloqueio imposto pelo imperialismo estadunidense, que tem produzido muitas dificuldades da reprodução social da população cubana. A denúncia também muito enfática do bloqueio e a discussão de mecanismos possíveis para furar esse bloqueio econômico”, elencou.
Segundo Soares, no segundo dia do evento, os participantes foram divididos em quatro grupos de trabalho temáticos. “Nos três grupos que nós [delegação do ANDES-SN] conseguimos participar, nós apresentamos as exposições do ANDES-SN, e falamos também do IV Congresso Mundial contra o Neoliberalismo na Educação, inclusive convidando companheiros e companheiras que queiram se somar a nós do ANDES-SN na construção.
Além de Caroline Lima e Marcos Soares, também esteve presente no IX Encontro Continental de Solidariedade com Cuba a 1ª vice-presidenta da Regional Pantanal do Sindicato Nacional, Luciana Henrique da Silva, representando a coordenação do Grupo de Trabalho de Política Educacional (GTPE) do ANDES-SN.
IV Congresso Mundial contra o Neoliberalismo na Educação
A delegação do ANDES-SN seguiu com agenda na Cidade do México para tratar da organização do IV Congresso Mundial contra o Neoliberalismo na Educação, que ocorrerá na capital mexicana em 2026. No dia 13, as diretoras e o diretor do Sindicato Nacional se reuniram com representantes da Coordenação de Trabalhadores da Educação Básica (CNTE) do México.
“Os companheiros também demonstraram bastante interesse e animação na construção coletiva desse evento para o ano que vem. Hoje, dia 14, nós fizemos uma reunião, pela manhã, com professores e professoras palestinos de uma universidade palestina. Nessa reunião, nós também, cumprindo uma tarefa aprovada nas instâncias deliberativas do ANDES-SN, falamos do apoio à Palestina, da denúncia do genocídio impetrado pelo Estado de Israel, também falamos de uma política aprovada pela nossa categoria que é a possibilidade de um número específico da revista Universidade Sociedade reproduzir artigos de companheiros e companheiras palestinos e palestinas, ou seja, a produção teórica, acadêmica de colegas da Palestina. Eles ficaram bastante animados com isso”, relatou Marcos Soares.

Além da delegação que se encontra no México, também participaram da reunião online com docentes da Palestina, a 2ª vice-presidenta da regional Planalto do ANDES-SN, Muna Muhammad Odeh, e o 1º tesoureiro do Sindicato Nacional, Sérgio Barroso.
“[Nessa reunião] Nós também falamos do IV Congresso Mundial contra o Neoliberalismo na Educação, dentro de uma concepção de que o combate ao neoliberalismo é o combate ao imperialismo, uma vez que o imperialismo tem utilizado desse mecanismo, dessa forma de organização do capitalismo, para impor suas políticas de precarização da vida como um todo e de morte, como foi o caso de Israel na Palestina. Nós fizemos um chamado a esses companheiros para se somarem a nós na construção e participação deste IV Congresso”, explicou o 1 vice-presidente da Regional SP do ANDES-SN.
“Foi uma conversa muito boa e eu penso que a gente cumpriu a tarefa para a qual fomos designados aqui no México: a participação no encontro de solidariedade à Cuba e as reuniões bilaterais para a construção do IV Congresso Mundial contra o Neoliberalismo na Educação”, concluiu Soares.
Confira a declaração final do IX Encontro Continental de Solidariedade com Cuba
Fonte: Andes-SN| Fotos: arquivo pessoal












