Terça, 03 Março 2026 10:18

MARÇO CHEGOU: É TEMPO DE REFLEXÃO E LUTA

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MARÇO CHEGOU: É TEMPO DE REFLEXÃO E LUTA

Juacy da Silva e Priscilla Alyne Sumaio
 

O mês de março se aproxima e, com ele, uma data que ultrapassa simbolismos superficiais e exige reflexão profunda: 08 de março, o Dia Internacional da Mulher.
Não se trata de um dia para homenagens vazias, flores ou discursos protocolares. Trata-se de um marco histórico de luta, resistência e reivindicação por direitos, dignidade e vida.
O Dia Internacional da Mulher nasce das mobilizações de trabalhadoras que, no início do século XX, enfrentaram jornadas exaustivas, salários injustos e condições degradantes de trabalho. Desde então, tornou-se símbolo mundial da busca por igualdade de gênero e dignidade humana.
Apesar de avanços jurídicos e institucionais ao longo das últimas décadas, a realidade demonstra que a igualdade formal ainda não se converteu em igualdade concreta. As mulheres continuam enfrentando violência física, psicológica, sexual, patrimonial e simbólica. O feminicídio, os estupros, o assédio moral e sexual e a desigualdade salarial revelam que a cultura patriarcal permanece estruturando relações sociais, políticas, econômicas e culturais.
A filósofa Simone de Beauvoir já alertava que a condição feminina não é determinada biologicamente, mas construída socialmente. Ao afirmar que “não se nasce mulher, torna-se”, evidencia-se que os papéis impostos às mulheres são frutos de estruturas históricas que limitam sua autonomia e sua plena participação social.
De modo semelhante, a pensadora Bell Hooks ampliou o debate ao afirmar que o feminismo não é uma guerra entre homens e mulheres, mas um movimento para eliminar o sexismo, o machismo e todas as formas de opressão. Isso significa reconhecer que as desigualdades atingem mulheres de maneira diversa, mais profundas, atravessadas por fatores como raça, classe social, território e acesso à educação.
Os números são alarmantes. Em 2024, mais de 840 milhões de mulheres no mundo relataram já ter sofrido algum tipo de violência ao longo da vida, segundo dados divulgados pela ONU. Mais de 50 mil mulheres foram vítimas de feminicídio no mesmo ano. No Brasil, aproximadamente 3 mil mulheres foram assassinadas por parceiros ou ex-parceiros.
Os dados sobre estupro também revelam um cenário preocupante. Em 2024, o Brasil registrou cerca de 80 mil casos de estupro. Nos últimos dez anos, quase um milhão de mulheres e meninas foram vítimas desse crime no país. Em escala global, os registros apontam aproximadamente 739 mil casos de estupro apenas em 2024, totalizando quase 7,5 milhões nos últimos dez anos.
Esses números não representam estatísticas frias. Representam vidas interrompidas, histórias silenciadas e direitos negados, enfim, um conjunto imenso de muita violência.
O tema definido pela ONU Mulheres para 2026 — “Direitos, Justiça e Ação para todas as mulheres e meninas” — reforça que não basta reconhecer a desigualdade; é preciso enfrentá-la com políticas públicas eficazes, investimentos em educação, proteção real às vítimas e responsabilização dos agressores.
É igualmente urgente combater a impunidade, que enfraquece a confiança nas instituições e perpetua ciclos de violência. A existência de leis como a Lei Maria da Penha representa um avanço importante, mas sua efetividade depende de aplicação rigorosa, estrutura adequada e compromisso político.
O 08 de março, portanto, não é apenas uma data comemorativa. É um chamado à ação coletiva. A luta por igualdade de gênero não deve ser responsabilidade exclusiva das mulheres. Trata-se de um compromisso ético e civilizatório que envolve toda a sociedade, especialmente aqueles que defendem um país mais justo, sustentável e democrático.
Refletir é necessário. Lutar é preciso e indispensável. Só assim, teremos um mundo melhor com igualdade plena de gênero!

SOBRE OS AUTORES

Juacy da Silva – Professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista e articulador da Pastoral da Ecologia Integral da Região Centro-Oeste.

Priscilla Alyne Sumaio – Professora doutora em Linguística, docente da Universidade Federal de Goiás (UFG), com atuação nas áreas de Libras, Línguas Indígenas de Sinais e Ensino. Pesquisadora no campo das línguas indígenas de sinais, com trabalhos voltados à documentação, descrição e valorização das línguas e culturas de povos indígenas surdos. Atua na formação de professores, na defesa dos direitos linguísticos e na promoção de uma educação intercultural.

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