*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Instagram @profjuacy
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
“Conhecereis a verdade e ela (a verdade) vos libertará”. Evangelho de São João 8:32.
“Recordemos sempre: a espiritualidade precisa desse olhar para o qual o estudo da teologia, da filosofia e de outras disciplinas contribui de modo especial. Tornamo-nos hoje especialistas em detalhes infinitesimais da realidade, mas incapazes de alcançar uma visão de conjunto, uma visão que una as coisas por meio de um significado maior e mais profundo. A experiência cristã, ao contrário, quer nos ensinar a olhar a vida e a realidade com um olhar integrador, capaz de abarcar tudo e rejeitar qualquer lógica parcial”. Papa Leão XIV, Encontro com Alunos e Dirigentes de Universidades Católicas, Vaticano, 28/10/2025.
O Papa Leão XIV enfatiza também o papel central dos leigos e leigas, fundamentado no "sacerdócio batismal", destacando a importância da sua formação e conhecimento para a missão da Igreja. Ele incentiva a qualificação dos fiéis, especialmente na liturgia, e o engajamento na doutrina social da Igreja e na transformação do mundo.
Pontos-chave sobre o conhecimento para leigos segundo Leão XIV:
Sacerdócio Batismal: Todos os batizados têm um papel ativo na Igreja, não sendo apenas espectadores, mas continuadores da missão e da doutrina social da Igreja.
Formação Litúrgica: Leão XIV encorajou institutos, como o Pontifício Instituto Litúrgico, a qualificar ministros e fiéis, pois a liturgia forma o coração da Igreja.
Conscientização Social: O conhecimento deve ser voltado para a ação, incluindo o cuidado com a criação, desenvolvimento sustentável (ecologia integral) e a justiça social.
Diálogo e Missão: O Papa incentiva os leigos a serem construtores de pontes por meio do diálogo e da vivência da fé no cotidiano.
A ênfase de Leão XIV está em uma Igreja sinodal, profética, onde a formação dos leigos é essencial para a evangelização e a presença ativa na sociedade.
O conhecimento é muito importante em todas as atividades humanas e não é diferente quando se trata da formação de agentes de todas as pastorais, movimentos e organismos da Igreja, leigos e leigas engajados em uma caminhada sociotransformadora.
O papel do laicato na Igreja, principalmente a partir do Concílio Vaticano II, tem sido cada vez mais importante, principalmente na dimensão sociotransformadora, capacitando os e as agentes de pastoral nas três dimensões fundamentais de todas as ações pastorais: a espiritualidade libertadora; as ações sociotransformadoras, propriamente ditas; e a mobilização profética, tendo em vista que, além de sermos cristãos, católicos ou de outras religiões, também somos cidadãos e cidadãs e contribuintes e, como tais, temos o direito e o dever de propugnarmos por políticas públicas voltadas para um melhor cuidado da Casa Comum, a ecologia integral e também os princípios da dignidade humana e da justiça social.
Diante disso, elaboramos, pela segunda vez, uma relação de sugestões de leitura, enfim, uma bibliografia, para que sirva como fundamento de nossas ações e também no aprofundamento individual e coletivo, facilitando, assim, a caminhada da Pastoral da Ecologia Integral, tanto em nossa Arquidiocese de Cuiabá quanto em outras dioceses, tanto onde a PEI – Pastoral da Ecologia Integral esteja organizada quanto em outras arquidioceses, dioceses, prelazias e paróquias onde a nossa pastoral ainda não esteja presente, mas que, imaginamos, deva também inserir-se na dinâmica da vida da Igreja.
Finalizando, gostaria de relembrar as palavras do nosso saudoso Papa Francisco quando disse: “A Igreja precisa dos leigos e leigas, por isso é importante formar leigos para que eles desempenhem seu papel com seriedade e competência na Igreja, além de também promoverem ações pastorais”. Assembleia Plenária do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Vaticano, 08/02/2024.
Atenciosamente, um grande e afetuoso abraço,
Cuiabá, 24 de março de 2026
Prof. Juacy da Silva, Articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro-Oeste. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. e WhatsApp: 65 9 9272-0052.
Bibliografia sugerida para uma melhor formação dos agentes da Pastoral da Ecologia Integral – PEI e de outras pastorais sociais, movimentos e organismos da Igreja.
Segue-se o elenco das referências bibliográficas sugeridas:
- Encíclica Laudato Si, Papa Francisco, Edições Paulinas, 2015.
- Exortação Apostólica Querida Amazônia, Papa Francisco, Edições Paulinas, 2020.
- Exortação Apostólica Laudate Deum, Papa Francisco, Edições Paulinas, 2023.
- Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e para a Ecologia Integral – Instrumentum Laboris, Edições Paulinas, 2019.
- Ecologia Integral: o sagrado e o bem viver dos povos, Caderno 5 – 6ª Semana Social Brasileira, CNBB.
- Mutirão por Terra, Teto e Trabalho: Território, direitos sociais e cidadania, Caderno 4 – 6ª Semana Social Brasileira – CNBB.
- Todos somos discípulos e missionários – Papa Francisco e o Laicato, Edições Paulinas, 2017.
- Ecologia: Vida ou morte?, J. B. Libanio, Paulus Editora, 2010.
- Cuidar da Casa Comum – Chaves de leitura teológicas e pastorais Laudato Si, Afonso Murad e Sinivaldo Silva Tavares (org.), Edições Paulinas, 2016.
- Ecologia e Decolonialidade: implicações mútuas – Senivaldo Tavares, Edições Paulinas, 2022.
- Evangelização nas Cidades: Raízes na Teologia do povo, Dom Edson Oriolo, Paulus Editora, 2019.
- O Solo Urbano e a urgência da Paz, Doc. 109, Estudos da CNBB, 2016.
- Doutrina Social da Igreja: Economia, trabalho e política – Teologia do Papa Francisco, Elio Estanislau Gasda, Edições Paulinas, 2018.
- O Evangelho Social – Manual Básico da Doutrina Social da Igreja, Elvis Rezende Messias e Dom Pedro Cunha Cruz, Paulus Editora, 2020.
- Doutrina Social da Igreja – Outro Mundo possível, Altierez dos Santos, Luiz Alexandre Solano Rossi, Paulus Editora, 2024.
- Por uma Igreja Sinodal – Comunhão, Participação e Missão. Papa Francisco, XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, Edições Paulinas e Paulus Editora, 2025.
- Direitos Humanos e Doutrina Social da Igreja – Da Globalização da indiferença à Globalização da Solidariedade, Rosana Manzini e Ronaldo Zacharias (orgs.), Paulus Editora, 2022.
- Doutrina Social da Igreja – Um Guia Prático para Estudo, Pe. Antonio Aparecido Alves, Editora Vozes, 2014.
- Magistério e Doutrina Social da Igreja – Continuidade e desafios, Ronaldo Zacharias e Rosana Manzini, Edições Paulinas, 2016.
- Catequese e Ecologia – Espiritualidade ecológica e catequese responsável, Luiz Alexandre Solano Rossi e Érica Daiane Mauri, Paulus Editora, 2019.
- Catequese Socioambiental – Itinerário de formação com catequistas para a consciência do cuidado com a Casa Comum, Ivanilde Sampaio et al., Paulus Editora, 2025.
- Laudato Si no pensamento social da Igreja: da ecologia ambiental à ecologia integral, Agenor Brighenti, Edições Paulinas, 2018.
- Casa Comum ou globalização da indiferença? Ensaios sobre ecologia integral, fraternidade, política e paz, Paulo César Nodari, Paulus Editora, 2022.
- Ecologia e Democracia – Múltiplos olhares, Afonso Murad et al. (orgs.), Edições Paulinas, 2022.
- Pensamento Ecológico – Reflexões críticas sobre meio ambiente, desenvolvimento sustentável e responsabilidade social, Vilmar S. Demamam Berna, Edições Paulinas, 2005.
- Ecos Ecológicos – Uma jornada em defesa do meio ambiente, Luizinho Bastos, Edições Paulinas, 2007.
- Sustentar a Vida, Renato Ribeiro, Edições Paulinas, 2011.
- Nosso Planeta, Nossa Vida – Ecologia e Teologia, Luiz Carlos Susin e Joe Marçal G. dos Santos (orgs.), Edições Paulinas, 2011.
- Realmar a Economia – A economia de Francisco e Clara, Eduardo Brasileiro (org.), Paulus Editora, 2023.
- O Método Ver–Julgar–Agir: Da ação católica à Teologia da Libertação, Agenor Brighenti, Editora Vozes, 2022.
- A Igreja em transformação: razões atuais e perspectivas futuras, Mario de França Miranda, Edições Paulinas, 2019.
- Religião, Laicidade e Democracia: cenários e perspectivas, Cesar Kuzma et al. (orgs.), Edições Paulinas, 2022.
- Igreja dos Pobres – Teologia do Papa Francisco, Francisco de Aquino Júnior, Edições Paulinas, 2018.
- Igreja Sinodal – Teologia do Papa Francisco, Mário de França Miranda, Edições Paulinas, 2018.
- Igreja em Diálogo – Teologia do Papa Francisco, Elias Wolff, Edições Paulinas, 2018.
- Pobres para os Pobres: A missão da Igreja, Gerhard Ludwig Muller, Edições Paulinas, 2014.
- Ao Lado dos Pobres – Teologia da Libertação, Gerhard Ludwig Muller e Gustavo Gutiérrez, Edições Paulinas, 2014.
- Leigos e Leigas: força e esperança da Igreja no mundo, César Kuzma, Paulus Editora, 2009.
- Organizações populares – Teologia do Papa Francisco, Francisco de Aquino Júnior, Edições Paulinas, 2009.
- Encíclica Dilexit Nos, Papa Francisco, Edições Paulinas, 2025.
- Exortação Apostólica Dilexi Te, Papa Leão XIV, Paulus Editora, 2025.
- Utopias do Vaticano II: Que sociedade queremos?, União Marista do Brasil, Edições Paulinas, 2013.
- Em que o Vaticano II mudou na Igreja, Agenor Brighenti, Edições Paulinas, 2016.
- Revisitar o Concílio Vaticano II, Dom Demétrio Valentin, Edições Paulinas, 2011.
- O Laicato na Igreja e no mundo: um gigante adormecido e domesticado, Agenor Brighenti, Edições Paulinas, 2019.
- Laicato: Vocação e Missão, Dom Orlando Brandes, Paulus Editora, 2018.
- Encíclica Fratelli Tutti, Papa Francisco, Edições Paulinas, 2020.
- IV Encontro da Igreja na Amazônia Legal – 50 anos do Encontro de Santarém (1972–2022), Edições CNBB, 2022.
- A desafiante proposta de Aparecida, Agenor Brighenti, Edições Paulinas, 2008.
- Pastoral da Ecologia Integral: Por uma Igreja sustentável, comprometida com a defesa da vida e da Casa Comum, Pe. José Carlos Pereira e Rodrigo Cerqueira do Nascimento Borba, Edições CNBB, 2016.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social, articulador da Pastoral da Ecologia Integral Região Centro Oeste.
E- mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
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Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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JUACY DA SILVA*
A “eleição”, enfim, a escolha do Cardeal Robert Prevost, norte-americano de nascimento e peruano por naturalização, para suceder o Papa Francisco, que não era bem aceito, “engolido” pelos conservadores católicos, foi, sem dúvida, uma surpresa diante das apostas que todos os “vaticanistas” e a mídia católica ou secular do mundo inteiro faziam.
Tão logo eleito, a primeira surpresa foi a escolha do nome do novo Papa, Leão XIV, demonstrando de forma clara o seu desejo de dar continuidade ao magistério de Leão XIII, o Papa que “revolucionou” a Igreja ao colocar no centro do magistério a questão das injustiças que eram cometidas contra os trabalhadores no final do século XIX, com a publicação da Encíclica Rerum Novarum, em 15 de maio de 1891, colocando a Igreja entre as duas grandes correntes de pensamento, de ideologias e de organização dos sistemas produtivos e de relações de trabalho: de um lado o capitalismo e, de outro, o marxismo.
Ao publicar a Rerum Novarum, Leão XIII estabelecia as bases para o magistério social da Igreja, o que, desde então, passou a ser a DSI – Doutrina Social da Igreja, que vem sendo aperfeiçoada até os dias de hoje, como, por exemplo, quando o Papa Francisco inseriu a Laudato Si’ no contexto da DSI.
Assim, há mais de 130 anos a Igreja vem “navegando” entre o capitalismo desumano que se iniciava e, em boa parte, ainda permanece até hoje, e o marxismo/comunismo, ideologia que se fortalecia na Europa até sua chegada ao poder pela Revolução Bolchevique, na Rússia, em 25 de outubro de 1917.
Desde então até a atualidade, a Igreja Católica, sob a liderança de diferentes Papas, alguns mais conservadores e outros mais “liberais” ou quase revolucionários, tem “transitado” neste caminho do meio, o que, em termos políticos, tem sido considerado a “terceira via”, bem complicada de equilibrar-se sem sofrer ataques de ambos os lados.
Cada Papa, por diferentes razões, procura deixar sua marca, seu legado ou suas “pegadas” na história milenar da Igreja Católica, sempre atentos aos desafios tanto teológicos, filosóficos, éticos e morais quanto premidos pela dureza da realidade econômica, social, política e ideológica do mundo, onde a Igreja está inserida e precisa sempre ser “o sal da terra e a luz do mundo”, conforme os Evangelhos e a mensagem do Cristo Ressuscitado.
O Papa Francisco marcou seu magistério por ter abraçado a causa da ecologia integral, a misericórdia, a amizade social, a defesa intransigente dos pobres e a necessidade de a Igreja ter uma nova cara, através da sinodalidade, do profetismo e da caridade, voltada para praticar de fato a opção que a mesma fez, principalmente pelas reformas aprovadas pelo Concílio Vaticano II, que, diga-se de passagem, jamais foram engolidas pelos setores conservadores da Igreja, incluindo um dos subprodutos do mesmo, que foi a Teologia da Libertação e a ênfase na “opção preferencial pelos pobres”.
Assim, a escolha/eleição de Leão XIV, em um certo momento, animou os setores conservadores, que expressaram a esperança de que o mesmo iria “abolir” ou deixar de lado as linhas mestras do magistério de Francisco, considerado muito liberal, esquerdista ou até quase comunista, segundo alguns setores extremamente conservadores da Igreja que, volta e meia, flertam com o pensamento e as ações da extrema-direita política e ideológica.
Mas isso não aconteceu. Leão XIV tem demonstrado seu grande apreço pela figura, pelo legado e pelo magistério do Papa Francisco, tanto em relação às questões da ecologia integral, quanto no que concerne à figura dos pobres e excluídos, e também o compromisso de conduzir a Igreja pelos caminhos da sinodalidade, de uma Igreja pobre, sem opulência, ao lado dos pobres; e também uma Igreja profética, que não comunga com a violência, com as guerras, com formas de discriminação e racismo.
Logo ao ser escolhido Papa, Leão XIV começou a “dar” pistas de como será o seu magistério, como, por exemplo, em diversas homilias, em pronunciamentos públicos ao receber diferentes pessoas, inclusive chefes de Estado e pessoas simples, ou gente da própria Igreja, pertencentes à hierarquia eclesiástica e também leigos e leigas, engajados ativamente em pastorais, organismos e movimentos da Igreja.
Em matéria publicada pela Agência Ecclesia em 18 de maio de 2025, poucos dias após a eleição do novo Papa, a mesma assim afirmava: “O Papa Leão XIV disse hoje desejar uma Igreja ‘unida’ para responder aos desafios colocados pelas desigualdades e os conflitos que marcam a humanidade.”
E aí transcreve as palavras de Leão XIV: “No nosso tempo, ainda vemos demasiada discórdia, demasiadas feridas causadas pelo ódio, pela violência, pelos preconceitos, pelo medo do diferente, por um paradigma econômico que explora os recursos da terra e marginaliza os mais pobres”, disse, na homilia da Missa que marca o início oficial do seu ministério petrino. E continua: “Nós queremos ser, dentro desta massa, um pequeno fermento de unidade, comunhão e fraternidade.”
Em diferentes momentos, Leão XIV tem deixado bem claro seu pensamento e suas exortações tanto aos católicos quanto aos demais cristãos, a todos os fiéis de outras religiões e também aos donos do poder (governantes), bem como aos empresários, de que devemos lutar por “uma paz desarmada”, por uma cultura da paz, pelo fim das guerras, dos conflitos armados, pelo respeito à ecologia integral e pela dignidade dos pobres, marginalizados e excluídos.
Apenas para clarear esta “linha” de argumentação, podemos nos referir, por exemplo, à sua carta aos Reitores de Universidades Católicas da América Latina sobre a importância do compromisso da Igreja e das instituições de ensino católicas com a defesa da ecologia integral.
Outro exemplo: no recente encontro ocorrido há poucos dias em Castel Gandolfo, em 1º deste mês de outubro de 2025, na celebração dos dez anos da publicação da Encíclica Laudato Si’, diante de representantes da Igreja e de autoridades públicas, incluindo o ex-governador da Califórnia e a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente e das Mudanças Climáticas do Brasil, denominado Elevando/Espalhando Esperança (em inglês Rising Hope), Leão XIV foi claro ao afirmar que “É preciso passar dos discursos ambientalistas a uma conversão ecológica”, enfatizando que esta conversão ecológica precisa ser não apenas individual, mas, fundamentalmente, seguindo o pensamento e palavras do Papa Francisco, “ser uma conversão comunitária/coletiva”, a começar dentro da própria Igreja, o que, infelizmente, ainda não tem acontecido, apesar dos dez anos da publicação da Laudato Si’.
Em seu discurso perante os participantes do evento, Leão XIV foi claro ao recordar a herança espiritual e pastoral deixada por Francisco e convidou todos a redescobrir a ecologia integral como caminho de unidade, paz e esperança.
E, no último dia 04 deste outubro de 2025, ou seja, há poucos dias, Leão XIV publicou sua primeira Exortação Apostólica “Dilexi Te” – Sobre o Amor para com os Pobres, aprofundando seu pensamento sobre este tema importante e transcendental para a vida e o magistério da Igreja.
Esta é uma Exortação razoavelmente longa, enfatizando os fundamentos bíblicos, dos santos e doutores da Igreja e também enfatizando as causas estruturais da pobreza e como a Igreja precisa estar ao lado dos pobres.
Em outra ocasião, pretendo refletir melhor e com maior profundidade sobre o sentido e o significado desta Exortação Apostólica de Leão XIV, principalmente para o agir pastoral da Igreja, com ênfase na dimensão sociotransformadora que a mesma nos estimula a refletir e a agir.
Transcrevo aqui um trecho da referida Exortação Apostólica, para aquilatarmos o que Leão XIV nos exorta, nos orienta e nos estimula a agirmos, como cristãos em geral e como católicos em particular:
“A condição dos pobres representa um grito que, na história da humanidade, interpela constantemente a nossa vida, as nossas sociedades, os sistemas políticos e econômicos e, sobretudo, a Igreja. No rosto ferido dos pobres encontramos impresso o sofrimento dos inocentes e, portanto, o próprio sofrimento de Cristo. Ao mesmo tempo, deveríamos falar, e talvez de modo mais acertado, dos inúmeros rostos dos pobres e da pobreza, uma vez que se trata de um fenômeno multifacetado; na verdade, existem muitas formas de pobreza: a daqueles que não têm meios de subsistência material; a pobreza de quem é marginalizado socialmente e não possui instrumentos para dar voz à sua dignidade e capacidades; a pobreza moral e espiritual; a pobreza cultural; aquela de quem se encontra em condições de fraqueza ou fragilidade, seja pessoal, seja social; a pobreza de quem não tem direitos, nem lugar, nem liberdade”.
Ao aprofundar a reflexão sobre os pobres e a pobreza, Leão XIV foge das propostas e sugestões assistencialistas, paternalistas e manipuladoras, porquanto deixa clara a natureza estrutural da pobreza, demonstrando que tanto a pobreza quanto os pobres e suas formas de vida, longe da dignidade humana, têm causas, raízes nas estruturas sociais, políticas e econômicas e, assim, para combatermos a pobreza e a exclusão, a Igreja precisa estar, realmente, de fato, e não apenas por palavras, ao lado e com os pobres, promovendo e advogando ações sociotransformadoras profundas, pois este é ou deve ser o caminho que a Igreja deve trilhar.
Vejamos, nas palavras de Leão XIV, esta exortação a todos nós, aqui e agora:
“Devemos empenhar-nos cada vez mais em resolver as causas estruturais da pobreza. É uma urgência que ‘não pode esperar’; e não apenas por uma exigência pragmática de obter resultados e ordenar a sociedade, mas também para curá-la de uma mazela que a torna frágil e indigna e que só poderá levá-la a novas crises. Os planos de assistência, que acorrem a determinadas emergências, deveriam considerar-se apenas como respostas provisórias. A falta de equidade é a raiz dos males sociais. Com efeito, muitas vezes constata-se que, realmente, os direitos humanos não são iguais para todos”.
Para finalizar esta reflexão, não poderia deixar de transcrever o rumo que Leão XIV nos indica em termos de nossa religiosidade engajada, pavimentando o caminho, principalmente para as ações das pastorais sociais, dos movimentos e organismos da Igreja que propugnam por um agir profético e não apenas uma religiosidade intimista ou subjetiva.
Assim, enfatiza Leão XIV:
“Portanto, mesmo correndo o risco de parecer ‘estúpidos’, é tarefa de todos os membros do Povo de Deus fazer ouvir, ainda que de maneiras diferentes, uma voz que desperte, denuncie e se exponha. As estruturas de injustiça devem ser reconhecidas e destruídas com a força do bem, através da mudança de mentalidades e também, com a ajuda da ciência e da técnica, através do desenvolvimento de políticas eficazes na transformação da sociedade. É preciso recordar sempre que a proposta do Evangelho não é apenas a de uma relação individual e íntima com o Senhor. Ela é mais ampla: ‘é o Reino de Deus’ (cf. Lc 4,43); trata-se de amar a Deus, que reina no mundo. Na medida em que Ele conseguir reinar entre nós, a vida social será um espaço de fraternidade, de justiça, de paz, de dignidade para todos. Por isso, tanto o anúncio como a experiência cristã tendem a provocar consequências sociais. Procuremos o seu Reino”.
Fica bem claro, pois, nas palavras deste “novo” Papa, que a Igreja, além de sinodal, deve ser também uma Igreja em saída, rumo às periferias materiais e existenciais, onde estão os pobres e excluídos, que dialoga com o mundo, com as demais instituições nacionais e internacionais, com a academia, com as universidades – locus do desenvolvimento da ciência e da tecnologia –, com as demais religiões e movimentos que lutam por um mundo melhor, com justiça, em “paz desarmada”, ao lado dos pobres, oprimidos e injustiçados.
Esta é a Igreja que Leão XIV deseja: sinodal, em saída, samaritana e, também, profética.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
A ESTUPIDEZ DAS GUERRAS - Juacy da Silva
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Juacy da Silva*
“Precisamos de uma paz desarmada” Papa Leão XIV
A mensagem "Precisamos de uma paz desarmada" foi um tema central do Papa Leão XIV para o Dia Mundial da Paz de 2026, enfatizando que a paz deve ser baseada na confiança e na dignidade humana, e não no medo ou na acumulação de poder militar. Essa paz, descrita como "desarmada e desarmante", requer que as pessoas e as nações rejeitem a violência, cultivem o diálogo, desarmem os espíritos, a comunicação de ódio e se comprometam com a justiça e a dignidade para todos.
Todas as guerras e conflitos armados representam a essência da estupidez humana, são a falência do diálogo e o uso da violência armada como forma ou tentativa de solução dos conflitos — enfim, são a essência da irracionalidade humana.
Neste 07 de outubro de 2025, o conflito, a guerra ou, enfim, o genocídio na Faixa de Gaza completa dois anos com mais de 67 mil mortos, mais de 22 mil crianças mortas, quase 80% de Gaza, com uma população de mais de 2,3 milhões de pessoas, destruída, mais de 160 mil feridos e 90% da população sem condições de vida, inclusive com o uso da fome como arma de guerra.
O custo humano é alto: além dos mais de 67 mil mortos, incluindo mais de 22 mil crianças, há cerca de 170 mil feridos — incluindo 4,8 mil amputações e 1,2 mil casos de paralisia total, vítimas inocentes de uma verdadeira bestialidade humana. Conforme dados de diversas fontes, estima-se que 2,7 mil famílias foram inteiramente dizimadas, e mais de 12 mil abortos espontâneos são atribuídos à desnutrição e à falta de assistência médica e hospitalar, além de dezenas de milhares de pessoas que estão morrendo por falta de alimentos e de água.
Em outra região, no Centro da Europa, em 22 de fevereiro de 2022, a Rússia, alegando o direito de garantir sua soberania e integridade territorial, apesar de não estar sendo ameaçada pela Ucrânia naquela ocasião, decidiu invadir militarmente aquele país, iniciando uma guerra que já dura mais de três anos e meio.
Ao longo desse tempo, a destruição da Ucrânia tem provocado não apenas danos materiais na infraestrutura — como estradas, pontes, viadutos, redes de energia elétrica, de gás, edifícios residenciais e também comerciais e administrativos —, desorganizando completamente a economia daquele país, com reflexos tanto na economia da União Europeia quanto no resto do mundo.
Todavia, o maior impacto desta e de todas as guerras sempre recai sobre a população civil, provocando dezenas ou centenas de milhares de mortes, e muito mais — talvez o dobro ou o triplo — de pessoas feridas e também, no caso da Ucrânia, mais de 10,3 milhões de pessoas em deslocamentos/imigrações forçadas pela violência generalizada da guerra.
Ao longo desses três anos e meio de guerra, o total de militares e civis russos mortos é estimado em 790 mil, além de mais de 50 mil desaparecidos, enquanto, do lado da Ucrânia, estima-se que o total de mortos entre militares e civis seja em torno de 400 mil, com mais de 35 mil pessoas também desaparecidas.
Ou seja, esta guerra insana já provocou a morte de pelo menos 1,190 milhão de pessoas, entre civis e militares, mais de 85 mil desaparecidos e, estima-se, mais de 2,5 milhões de feridos, cujos impactos humanos e econômicos são imensuráveis e afetarão tanto a Ucrânia quanto a Rússia por várias décadas no futuro.
Outro impacto terrível tem sido os deslocamentos/migrações forçadas, atingindo, até outubro de 2025, aproximadamente 10,6 milhões de ucranianos que foram deslocados pela guerra, incluindo 3,7 milhões que foram forçados a deixar suas casas dentro da própria Ucrânia e 6,8 milhões que buscaram refúgio em outros países, de acordo com dados do ACNUR (Alto Comissariado da ONU para Refugiados).
Já que estamos falando, refletindo sobre guerras e seus impactos nos diversos países — e que afetam muito mais pessoas inocentes, principalmente crianças, adolescentes, mulheres e também pessoas idosas — não podemos esquecer das chamadas “guerras invisíveis”, que ocorrem em diversos países do Oriente Médio, da Ásia e da África, principalmente a guerra entre o Sudão e o Sudão do Sul, iniciada em 2023, que deixou pelo menos 40 mil mortos, enquanto a guerra civil no Sudão do Sul ceifou a vida de pelo menos 400 mil pessoas, contribuindo para uma violência generalizada e agravando a pobreza e a fome em um país já extremamente pobre.
No último relatório do PNUD, divulgado em maio de 2025 e com dados referentes a 2024, o Sudão do Sul foi o último país no ranking de IDH, ocupando a 192ª posição com um IDH de 0,381. Ele está entre os três piores, junto com a Somália (193ª com 0,380) e a República Centro-Africana (191ª com 0,387), que fecham os países com os piores índices de desenvolvimento humano.
Enquanto isso, a tragédia que se abate sobre a Palestina como um todo e a Faixa de Gaza em particular, tem grande impacto no IDH daquele território, como enfatiza a manchete da matéria estampada no site Monitor do Oriente Médio de 29 de dezembro de 2024:
“Guerra contra Gaza faz desenvolvimento humano da Palestina retroceder 69 anos.”
Há 416 dias que Gaza vive uma situação alarmante. A guerra de “Israel” contra Gaza provoca uma devastação de proporções históricas, revertendo décadas de progresso no desenvolvimento humano e acentuando a crise humanitária na região. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Comissão Econômica e Social das Nações Unidas para a Ásia Ocidental (ESCWA) destacaram, em relatório recente, que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em Gaza retrocedeu 69 anos, atingindo níveis comparáveis aos de 1955. Essa situação alarmante reflete não apenas os impactos diretos da guerra, mas também as condições de longo prazo que já vinham enfraquecendo a infraestrutura e o tecido social da região.
No caso dos conflitos envolvendo Israel e os palestinos, mais de 150 países e decisão da ONU já reconheceram a Palestina como Estado soberano, com território e governos democraticamente instituídos. A própria Assembleia Geral da ONU já reconhece que a única alternativa para colocar um fim nesta guerra que já dura décadas é a chamada solução dos dois Estados. Sem isso, o que existe é a falência da diplomacia e das decisões de foros internacionais, e a conclusão de que a
guerra também não tem sido o caminho para uma “paz desarmada”, como enfatiza o Papa Leão XIV, e a convivência pacífica entre os povos.
O mesmo pode ser dito em relação à guerra na Ucrânia, em que a Rússia, uma superpotência, nega à Ucrânia seu direito à autodeterminação, soberania e integridade territorial, principalmente quando anexou a Crimeia e boa parte do que restou de território ucraniano, e teima em ditar regras em relação à autodeterminação de um outro país.
Finalmente, é importante refletir sobre os impactos e custos econômicos e financeiros das guerras, que consomem bilhões ou trilhões de dólares apenas para matar, destruir e impor sofrimento a centenas de milhões de pessoas, quando tais recursos poderiam estar sendo utilizados para combater a fome, as doenças, cuidar do meio ambiente e combater a crise climática.
No caso da guerra Rússia x Ucrânia, esses gastos são imensos, como podemos perceber. O custo econômico e financeiro tanto para a Ucrânia quanto para a Rússia e para a OCDE é de aproximadamente US$ 2,8 trilhões.
No caso da guerra entre Israel e o Hamas, conforme matéria no jornal O Globo de 29 de janeiro de 2024, só para Israel este custo era de US$ 240 milhões por dia. Ou seja, como esta guerra já dura dois anos, são 720 dias, e este custo representa US$ 172,8 bilhões (ou R$ 950,4 bilhões), sendo mais do que o dobro desse valor para os palestinos, ou seja, mais de US$ 2,5 trilhões no total.
Enfim, todas as guerras representam elevados custos econômicos e financeiros para os países envolvidos, além da destruição da infraestrutura e desorganização de seus sistemas produtivos, impactando diretamente as pessoas — principalmente as que já são pobres e excluídas nos respectivos países.
Diante da insanidade, da estupidez e da irracionalidade de todas as guerras, conflitos armados e de tantas outras formas de violência generalizada, todos os países precisam dedicar recursos e esforços na construção de uma cultura da paz, ou melhor, da “paz desarmada”, como tanto tem sido enfatizado pelo Papa Leão XIV e por tantos outros líderes religiosos, sociais e políticos ao redor do mundo.
Este é o nosso desafio, juntamente com a defesa e melhor cuidado com o meio ambiente, o Planeta Terra, nossa Casa Comum, que também sofre com inúmeros impactos decorrentes de tantas guerras.
Nas palavras do Papa Francisco: “Precisamos ouvir o grito da terra e também o grito dos pobres e excluídos”, enfim, das vítimas de tantas formas de violência!
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
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para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
“Chorai com os que choram e regozijai-vos com os que se alegram” Romanos 12:15.
Olá, amigas e amigos, como cristãos formamos uma grande comunidade de fiéis ao redor do mundo: mais de 2,64 bilhões de pessoas, das quais 1,4 bilhão de católicos e católicas, tendo como elemento que nos identifica e nos une como irmãos e irmãs, além de nossa fé, também nossa caminhada unida por uma Igreja Sinodal, Samaritana e profética.
Como cristãos, somos chamados, vocacionados e predestinados a curar as dores do mundo, e isto envolve diferentes formas de praticarmos nossa fé em Cristo Ressuscitado, tanto pelas nossas orações quanto por nossas ações sociotransformadoras e de mobilização profética, através das ações pastorais.
Da mesma forma que, na Igreja primitiva, São Paulo, na Carta aos Romanos, exorta os cristãos daquela época, e que viviam em um território determinado, a serem solidários entre si, apoiando uns aos outros tanto na alegria quanto no sofrimento; também hoje, no mundo todo e em nossas Igrejas locais, precisamos cultivar a fraternidade, a solidariedade, o amor verdadeiro ao nosso próximo, o profetismo e a esperança.
Por isso, a evangelização, inclusive através das ações das diversas pastorais, é importante como nossa característica identitária em todas as dimensões da vida, presentes em todas as obras da Criação, cujo Tempo da Criação estamos celebrando até o próximo dia 04 de outubro, Dia de São Francisco de Assis, o Padroeiro da Ecologia Integral.
Como irmãos e irmãs, unidos e unidas em uma Igreja que também coloca o Cuidado com a Ecologia Integral, chamando-nos à responsabilidade em relação à necessidade de uma conversão ecológica individual e também comunitária, em que a Pastoral da Ecologia Integral cumpre ou deve cumprir um papel fundamental que demonstre nossa responsabilidade como cristãos católicos.
Há aproximadamente dois meses e meio, nos dias 22 e 23 de junho último (2025), quatro pessoas, integrantes da PEI da Arquidiocese de Cuiabá (Olindina Bezerra, a nossa Coordenadora da Pastoral da Ecologia Integral; o Luiz Eduardo; a Mônica Oliveira, Agentes da PEI; e eu – Juacy, Articulador e Assessor), estivemos, a convite do Pe. Divino, Coordenador de Pastorais Sociais da Diocese de Primavera do Leste/Paranatinga, assessorando uma formação para capacitar agentes que pudessem organizar e coordenar a Pastoral da Ecologia Integral naquela diocese.
Há alguns dias, o Pe. Divino solicitou-me informações e modelos de logomarca para a PEI; percebi que algo maravilhoso estava para acontecer e, realmente, aconteceu.
Hoje (04 de setembro), em mensagem, o Pe. Divino informou-me o seguinte: “Já tivemos 2 reuniões para alinhar nossas atividades e marcar o dia oficial da criação da pastoral na paróquia para dia 3 de outubro, na abertura da novena de Nossa Senhora Aparecida, e dia 4 assumirmos, juntos com as pastorais sociais, a novena no dia de São Francisco”.
Seguindo o conselho de São Paulo em sua Carta aos Romanos, estamos realmente felizes com os irmãos e irmãs da Diocese de Primavera do Leste/Paranatinga por esta notícia tão auspiciosa.
Mais uma Pastoral da Ecologia Integral está surgindo no território do Regional Oeste 2 da CNBB (MT), graças às “Sementes de Paz e de Esperança” que temos semeado ao longo dos últimos cinco ou seis anos, como o Papa Francisco escolheu para ser o tema do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação e do Tempo da Criação deste ano de 2025, e que coube ao Papa Leão XIV elaborar sua mensagem para essas celebrações voltadas à ecologia integral, exortando-nos a continuar como semeadores de paz no mundo: paz com a natureza e paz com a humanidade e entre os povos, ou seja, substituirmos todas as formas de violência pela cultura da paz e, ao mesmo tempo, plantarmos também as sementes da esperança de um mundo mais humano, mais solidário, justo, inclusivo e sustentável.
Isto nos conforta e nos anima muito, principalmente por sabermos que, mesmo a “messe sendo grande e os trabalhadores poucos”, com certeza o “Senhor da messe, o Criador” nos fortalece sempre, até mesmo nos momentos de tristeza, sofrimento e desânimo, para continuarmos a nossa caminhada sempre confiantes, mesmo diante de tantos obstáculos, do negacionismo ecológico, às vezes presente até mesmo dentro da Igreja Católica ou das Igrejas Evangélicas e outras religiões. Sabemos que cada semente de paz, de esperança e de libertação que plantarmos, se caírem “em solo fértil”, se conseguirmos despertar a consciência ecológica individual e comunitária, com certeza dentro de algum tempo a PEI estará presente em muitas ou talvez na maioria esmagadora das Arquidioceses, Dioceses, Prelazias, Paróquias e Comunidades Eclesiais deste nosso imenso Brasil, que continua enfrentando tantas agressões à ecologia integral, incluindo a natureza e os seres humanos.
Com certeza a Igreja (composta pela hierarquia eclesiástica e pelos fiéis, leigos e leigas engajadas/engajados, ou seja, o Corpo de Cristo) estará na linha de frente, cumprindo o seu papel, sendo “Sal da terra e Luz do mundo” nesta cruzada em prol da Casa Comum, da Ecologia Integral, da saúde do planeta e da Justiça Social.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista e articulador da Pastoral da Ecologia integral. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram@profjuacy
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Juacy da Silva*
“Queridos irmãos e irmãs! O tema para o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação deste ano, escolhido pelo nosso amado Papa Francisco, é “Sementes de Paz e de Esperança”. No décimo aniversário da instituição deste Dia de Oração, que coincidiu com a publicação da Encíclica Laudato Si, encontramo-nos em pleno Jubileu, “peregrinos de Esperança”. E é precisamente neste contexto que o tema adquire todo o seu significado.” Papa Leão XIV – Mensagem, Vaticano News, 30 de junho de 2025.
Essas serão as primeiras celebrações alusivas ao Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação e do Tempo da Criação que o Papa Leão XIV deverá participar e poder transmitir aos mais de 1,4 bilhão de fiéis católicos romanos espalhados pelos quatro cantos da Terra, além de mais de 300 milhões de católicos ortodoxos, além de 800 milhões de evangélicos, bem como 1,9 bilhão de fiéis não cristãos, sua mensagem alusiva a essas duas celebrações voltadas para um melhor cuidado com a natureza e com as pessoas, principalmente os pobres, oprimidos, injustiçados e excluídos tanto pelos problemas climáticos/ecológicos quanto pela ganância de uns poucos que tentam se apropriar de tudo o que é produzido pelos sistemas econômicos extremamente concentradores de renda, riqueza e propriedade.
Conforme o Movimento Laudato Si, “O Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação acontece no dia 1º de setembro. Ele celebra o Deus Criador e o grande mistério da criação do cosmos, ao mesmo tempo que nos incentiva a curar nossa relação com a criação. É um dia que nos ajuda a refletir sobre o próprio ato da criação, mistério fundacional da nossa fé. Inspirado em ricas tradições, este dia também é conhecido como Dia da Criação ou Festa da Criação, e foi adotado pela Igreja Ortodoxa em 1989, o Conselho Mundial de Igrejas em 2008, a Comunhão Anglicana e a Igreja Católica em 2015. Este dia de oração alimenta o TEMPO DA CRIAÇÃO mais abrangente, que flui a partir dele e vai de 1º de setembro a 4 de outubro, festa de São Francisco.”
Coube ao Papa Francisco, na esteira de seu Magistério voltado para a Ecologia Integral, quando sempre enfatizou que “tudo está interligado, nesta Casa Comum”, incluir oficialmente no calendário da Igreja, em 2015, não apenas este dia especial, mas estendendo essas celebrações e reflexões sobre a saúde do planeta (a nossa Casa Comum), como oportunidade para as Igrejas locais, de uma forma ecumênica e inter-religiosa, não apenas refletirmos sobre o sentido e o significado dessas celebrações, mas também encontrarmos caminhos comuns que nos levem às ações sociotransformadoras e de mobilização profética para a restauração do que já foi destruído e, também, caminhos que representem mudanças profundas em nossos hábitos e práticas degradadoras do meio ambiente, respeitando, inclusive, o direito que as próximas gerações têm em relação a um mundo ambientalmente sustentável e com mais inclusão, equidade e dignidade humana.
Antes de ter sido internado e falecer, o Papa Francisco, no início deste ano, já havia definido o tema e os objetivos para orientar essas duas celebrações, principalmente o Tempo da Criação que vai de 1º de setembro até 4 de outubro, Dia de São Francisco de Assis, o Patrono da Ecologia Integral e dos animais, de quem Jorge Mario Bergoglio, ao ser eleito Papa, tomou o nome (Papa Francisco).
Assim, coube ao Papa Leão manter as decisões e grande parte das preocupações de Francisco, como os aspectos básicos de sua mensagem de 30 de junho último, dirigida inicialmente à Igreja Católica Romana, da qual Ele é o Pastor, e também às demais Igrejas e Religiões, para que, unidas, as diversas religiões possam ser uma força transformadora de resgate, restauração dos biomas e ecossistemas que já foram e ainda estão sendo destruídos, mas também inserir essas preocupações e exortações nos contextos da Justiça Social, da Doutrina Social da Igreja e da Justiça Climática, dimensões fundamentais para que mudanças profundas possam também acontecer em nossos sistemas econômicos, de relações de trabalho e de produção, e a garantia dos direitos humanos, único caminho para uma paz verdadeira, que o Papa Leão denomina de PAZ DESARMADA.
Assim, a mensagem do Papa Leão XIV para o Tempo da Criação de 2025, com o tema "Sementes de Paz e Esperança", é bem clara e não deixa dúvidas quanto à responsabilidade dos cristãos em geral e dos católicos romanos em particular, sendo, pois, um apelo claro e direto à ação contra a destruição ambiental e a injustiça social, convidando os fiéis a serem sementes de transformação e a defenderem a justiça ambiental e a solidariedade para construirmos um futuro sustentável, especialmente no contexto do Jubileu de 2025 (Peregrinos de Esperança).
Nesta mensagem, Leão XIV insere exortações, deixando ver tanto a importância da Justiça Climática em meio às consequências que a destruição dos biomas, dos ecossistemas, enfim, da biodiversidade, das águas, dos solos, das florestas, do ar impõe sofrimento e morte, principalmente aos pobres e excluídos, que são os mais afetados.
Para sarar, curar o nosso planeta, nossa Casa Comum, são necessárias ações concretas e não apenas orações — importantíssimas, claro —, mas fazendo ver que as transformações ocorrem a partir das ações concretas e da mobilização profética.
Vejamos um trecho desta mensagem de Leão XIV: “A justiça ambiental — implicitamente anunciada pelos profetas — já não pode ser considerada um conceito abstrato ou um objetivo distante. Ela representa uma necessidade urgente que ultrapassa a mera proteção do ambiente. Trata-se verdadeiramente de uma questão de justiça social, econômica e antropológica. Para os que creem em Deus, além disso, é uma exigência teológica, que para os cristãos tem o rosto de Jesus Cristo, em quem tudo foi criado e redimido. Num mundo onde os mais frágeis são os primeiros a sofrer os efeitos devastadores das alterações climáticas, do desflorestamento e da poluição, cuidar da criação torna-se uma questão de fé e de humanidade.”
Em outro trecho da mensagem, seu apelo e exortação são bem claros e não deixam dúvida de que cuidar da natureza, respeitar os limites da natureza e também mudar os sistemas econômicos e relações de trabalho é um imperativo para os cristãos em geral e para os católicos em particular. Diante disso, a OMISSÃO perante os pecados ecológicos, ou seja, os crimes ambientais e práticas que promovem a degradação ambiental e a exclusão social, a exploração dos trabalhadores, além de injustiça social, é também injustiça climática.
Esta exortação é bem clara ao enfatizar que: “Chegou verdadeiramente o tempo de dar seguimento às palavras com obras concretas. «Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã» (ibid., 217). Trabalhando com dedicação e ternura, muitas sementes de justiça podem germinar, contribuindo para a paz e a esperança. Por vezes, são precisos anos para que a árvore dê os primeiros frutos, anos que envolvem todo um ecossistema na continuidade, na fidelidade, na colaboração e no amor, sobretudo se este amor se tornar um espelho do Amor oblativo de Deus.”
Neste TEMPO DA CRIAÇÃO de 2025 que se avizinha, imagino que caberia à Igreja local no Brasil, presente em todo o território nacional, diante de tantos desafios socioambientais e diante de eventos importantes que ainda estão para acontecer, como a COP30, em que a Igreja estará presente “levando” sua mensagem e abrindo espaço de diálogo com organismos públicos e também inúmeras organizações da sociedade civil que também se preocupam e lutam por Justiça Ambiental e mudanças nos paradigmas desta ECONOMIA DE MORTE, como tanto nos dizia o Papa Francisco, com a visão posta em novos paradigmas que embasem uma ECONOMIA DA VIDA e da Esperança, é fundamental que também esta mesma Igreja “faça o seu dever de casa”, que fiéis e a hierarquia eclesiástica passem por um processo concreto e real de conversão ecológica, individual e, principalmente, comunitário, demonstrando adesão a práticas e ações concretas sociotransformadoras e muita MOBILIZAÇÃO PROFÉTICA, visando agir junto aos poderes constituídos para a definição e implementação de políticas públicas voltadas para um melhor cuidado com a Casa Comum, neste território chamado Brasil, a partir de cada território eclesiástico.
A parte final da Mensagem do Papa Leão XIV não deixa dúvida quanto a um dos fundamentos de nossas ações sociotransformadoras e de mobilização profética ao mencionar que: “A Encíclica Laudato Si acompanha a Igreja Católica e muitas pessoas de boa vontade desde há dez anos: que ela continue a inspirar-nos, e que a ecologia integral seja cada vez mais escolhida e partilhada como caminho a seguir. Assim se multiplicarão as sementes de esperança, a serem “guardadas e cultivadas” com a graça da nossa grande e indefectível Esperança, Cristo Ressuscitado. Em seu nome, envio a todos vós a minha bênção.”
Além da mensagem do Papa Leão XIV para orientar a Igreja em suas celebrações globais e também locais (relembrando o “mantra” da importância de “pensarmos globalmente, mas agirmos localmente”), temos também o Calendário Ecológico que nos indica diversos momentos/dias também importantes para a realidade socioambiental em nosso país.
Durante os 40 dias do TEMPO DA CRIAÇÃO teremos diversos momentos especiais em que as Igrejas locais podem e devem refletir sobre a realidade socioambiental/ecológica em seus territórios, conforme podemos observar:
SETEMBRO
1º de setembro a 4 de outubro: Tempo da Criação
01 - Festa da Criação e momento de abertura do Tempo da Criação
01 - Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação
03 - Dia do Biólogo
05 - Dia da Amazônia
07 - Dia da Independência do Brasil
07 - Dia Mundial do Ar Limpo (Combate à poluição do ar)
11 - Dia Nacional do Cerrado
16 - Dia Internacional de Luta para a Preservação da Camada de Ozônio
19 - Dia Mundial de Luta pela Limpeza das Águas (ver também 22 de março)
21 - Dia da Árvore (ver também 21 de março e 17 de julho)
22 - Dia Nacional em Defesa da Fauna
25 - Dia da Bandeira dos ODS – Objetivos do Desenvolvimento Sustentável
29 - Dia Internacional de Conscientização sobre Perda e Desperdício de Alimentos (Dia Internacional do Desperdício Zero). Ver também 30 de março
29 - Dia Mundial dos Rios
OUTUBRO
01 - Dia do Vegetarianismo
03 - Dia Nacional da Agroecologia
04 - Dia de São Francisco de Assis
04 - Encerramento do Tempo da Criação
04 - Dia da Natureza
Como podemos perceber, temos muitos momentos relacionados à necessidade de aprofundarmos tanto as nossas reflexões quanto as nossas práticas, através de ações das diferentes pastorais, movimentos e organismos da Igreja, com destaque para a importância de que, em todos os territórios eclesiásticos (Arquidioceses, Dioceses e Comunidades Eclesiais de Base), a Pastoral da Ecologia Integral, que é uma pastoral de conjunto, uma pastoral transversal, possa estar devidamente presente, estruturada e promovendo essas ações sociotransformadoras, mobilização profética e também fortalecida pela espiritualidade ecológica tão enfatizada pelos Papas Francisco e, agora, Leão XIV.
Antes de concluir esta reflexão, gostaria de destacar parte da mensagem bem recente e ao mesmo tempo uma exortação de Leão XIV dirigida ao cardeal Pedro Ricardo Barreto Jimeno, presidente da CEAM - Conferência Eclesial da Amazônia, uma organização que reúne, além do episcopado, também leigos, agentes pastorais, mulheres e indígenas, bem como a todos os que recentemente estiveram reunidos em Bogotá, Colômbia, em que fica clara a responsabilidade da Igreja, não apenas no território amazônico, mas em todos os territórios do Brasil em que a mesma esteja presente: “Leão XIV convida todos os participantes do encontro que estão em Bogotá a refletirem sobre três dimensões que estão interconectadas na ação pastoral dessa região: a missão da Igreja de anunciar o Evangelho a todos os homens, o tratamento justo aos povos que ali habitam e o cuidado da Casa Comum.”
Oxalá tais “sementes” de esperança e de transformações profundas em nossos hábitos consumistas, de desperdício e de egoísmo possam ser transformadas profundamente, e nós, como cristãos, católicos, evangélicos e não cristãos, possamos parar um pouco e constatarmos que os desafios socioambientais, principalmente a crise climática e suas consequências, precisam ser enfrentados de forma efetiva e não apenas com palavras, belos discursos ou documentos que acabam apenas enfeitando arquivos.
Este é o único caminho que nos resta. O chamado “ponto do não retorno” já está presente neste momento; só não percebe quem não quer ver ou quem faz do negacionismo ecológico/ambiental sua “filosofia de vida” — e de morte!
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
PRESENÇA DA PASTORAL DA ECOLOGIA INTEGRAL (PEI) NA IGREJA - Juacy da Silva
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JUACY DA SILVA*
“A justiça ambiental – implicitamente anunciada pelos profetas – já não pode ser considerada um conceito abstrato ou um objetivo distante. Ela representa uma necessidade urgente que ultrapassa a mera proteção do ambiente. Trata-se verdadeiramente de uma questão de justiça social, econômica e antropológica. Para os que creem em Deus, além disso, é uma exigência teológica, que para os cristãos tem o rosto de Jesus Cristo, em quem tudo foi criado e redimido. Num mundo onde os mais frágeis são os primeiros a sofrer os efeitos devastadores das alterações climáticas, do desflorestamento e da poluição, cuidar da criação torna-se uma questão de fé e de humanidade. Chegou verdadeiramente o tempo de dar seguimento às palavras com obras concretas, vivendo a vocação de guardiões da obra de Deus para que as sementes de justiça possam germinar, “contribuindo para a paz e a esperança”. Papa Leão XIV.
Para a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) “pastoral é uma ação ou conjunto de atividades que a Igreja Católica realiza para cumprir sua missão de continuar a obra de Jesus Cristo, abrangendo diferentes grupos e realidades. Ela envolve a evangelização e o anúncio do Evangelho por meio de serviço, diálogo e testemunho.
Neste sentido, as pastorais são formas concretas de evangelização (através de ações sociotransformadoras e de mobilização profética), adaptadas às diversas realidades e necessidades da sociedade e, assim, as pastorais sociais, inseridas na dimensão sociotransformadora, em particular, buscam promover a justiça social, a caridade e a paz, atuando em áreas como a defesa dos direitos humanos, a assistência aos mais vulneráveis, a promoção da dignidade humana, combatendo as desigualdades, os preconceitos, o racismo e, também, a defesa da ecologia integral.
A ação pastoral busca o diálogo com a sociedade procurando construir pontos e parcerias tanto internamente na Igreja quanto com movimentos e organizações populares e organismos públicos, para responder aos desafios contemporâneos, incluindo os desafios socioambientais, entre os quais não podemos esquecer de destacar a grave crise climática que estamos vivenciando nos últimos anos e décadas e construir um mundo mais justo, fraterno, inclusivo, de paz e sustentável, com mais equidade e menos desigualdade social e violência.
O mundo todo, inclusive o Brasil, enfrenta inúmeros desafios socioambientais, como a destruição da biodiversidade, a poluição dos solos, das águas, do ar, o desmatamento, a destruição de nascentes e outros mais que culminam com a crise climática e suas terríveis consequências tanto em relação à natureza quanto em relação às pessoas e sistemas produtivos; mudanças essas que, se não forem interrompidas ou mitigadas a tempo, podem colocar em risco a própria sobrevivência de todos os tipos de vida no planeta, inclusive a vida humana.
Diante disso, não foi por acaso que o Papa Francisco, em 24 de maio de 2015, publicou a Encíclica Laudato Si (sobre a Ecologia Integral e o cuidado com a Casa Comum), mesmo ano em que a ONU estabeleceu os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e, durante a realização da COP 21, foi firmado o Acordo de Paris, ano considerado emblemático diante da gravidade da crise socioambiental planetária.
Novamente, em 12 de outubro de 2023, o Papa Francisco escreveu a Exortação Apostólica Laudate Deum, endereçada não apenas aos participantes da COP 28, que foi realizada naquele ano, mas também a todos os cristãos (católicos e evangélicos) e não cristãos, enfatizando que, apesar de naquele ano já terem se completado oito anos da publicação da Laudato Si, pouco havia sido feito, em termos concretos, diante de vários indicadores estabelecidos na Agenda 2030, para enfrentar de forma efetiva a mudança/crise climática e seus efeitos deletérios.
Neste ano de 2025, novamente a Igreja particular, no caso a Igreja do Brasil, escolheu o tema da Ecologia Integral para ser o lema da Campanha da Fraternidade, dando sequência a outras oito campanhas anteriores que também dialogaram com temas ecológicos.
Todavia, quando nos debruçamos sobre a situação socioambiental do Brasil e do planeta, na etapa do método da Igreja – VER – constatamos que poucos avanços têm sido feitos e a degradação dos biomas, dos ecossistemas continua a todo vapor, tanto no Brasil quanto no resto do mundo, razão pela qual a Igreja, enquanto um todo no país, não pode se omitir diante desses desafios.
Sempre é bom lembrar que, para a Igreja Católica, omissão é pecado e, no caso da omissão diante da destruição das obras da criação e do agravamento da crise socioambiental, é um pecado ecológico, que para a sociedade civil são crimes ambientais.
Assim, cremos que uma das formas, ou a melhor forma, de a Igreja se posicionar de forma efetiva, permanente, com ações sociotransformadoras e mobilização profética, buscando tanto a conversão ecológica – individual e comunitária – bem como a mudança de paradigmas de uma economia da morte por outros e novos paradigmas que possibilitem o florescimento da economia da vida, como nos exortava o Papa Francisco ao falar e propor a “Economia de Francisco e Clara”, como um novo modelo de economia, poderia ser realizada através das ações e atividades da Pastoral da Ecologia Integral, devidamente apoiada e articulada nacionalmente pela CNBB; o que, atualmente ainda, inexplicavelmente, não existe.
Todavia, apesar desses dez anos de Laudato Si e dois anos de Laudate Deum, a presença da Pastoral da Ecologia Integral na Igreja no Brasil ainda é bastante insignificante, considerando que no Brasil existem 48 arquidioceses; 217 dioceses; 7 prelazias; mais de 12 mil paróquias; mais de 180 mil comunidades eclesiais (de base); mais de 320 bispos e arcebispos; aproximadamente 30 mil padres (sacerdotes, vigários e párocos); além de aproximadamente mais de 30 mil freiras de vida consagrada e em torno de 120 milhões de pessoas que se consideram católicas, ou seja, 56,7% da população total do Brasil, conforme o último Censo Demográfico do IBGE em 2022.
Convenhamos, a Igreja Católica tem ou poderia ter um peso considerável em todas as dimensões da vida nacional e, em relação ao que poderia estar fazendo no combate à degradação dos biomas, dos ecossistemas e por um melhor cuidado com as obras da criação, poderia ser algo extremamente grandioso.
Mas, para tal, é fundamental que, além de palavras e exortações, passemos às ações sociotransformadoras e muita mobilização profética, e tudo isso pode ser realizado pela Pastoral da Ecologia Integral, desde que a mesma esteja presente em todos os territórios eclesiásticos mencionados e também conte com o apoio e orientação (espiritualidade ecológica) da hierarquia eclesiástica e também a participação de dezenas de milhares de leigos e leigas engajados e engajadas na vida e caminhada pastoral, em defesa da Ecologia Integral.
No dia 19 de agosto de 2025, ocorreu, de forma virtual, uma reunião entre a Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB, três bispos diocesanos referenciais da PEI – Regionais da CNBB Leste 1, Sul 1 e Sul 2 – e quatro integrantes da Coordenação Geral da Pastoral da Ecologia Integral do Brasil (APEIBR).
O objetivo da reunião foi a promoção de um diálogo tendo em vista situar a PEI no contexto das ações pastorais sociotransformadoras e de mobilização profética da Igreja, no maior número de arquidioceses, dioceses, paróquias e comunidades eclesiais no Brasil como um todo.
Constata-se que a organização da PEI tem sido muito mais resultado do esforço de um grupo cada vez maior de leigos e leigas engajados, que têm abraçado a luta em defesa da Casa Comum, da Ecologia Integral, a partir da realidade socioambiental de cada território eclesiástico considerado.
Constata-se que, apesar desse esforço enorme, a Igreja, no caso a CNBB Nacional, ainda não abraçou totalmente a referida pastoral, não apenas a nível nacional, mas na grande maioria dos Regionais da CNBB não existe bispo ou sacerdote como referenciais, nem uma comissão regional para contribuir para um trabalho mais articulado, duradouro e profundo.
A estruturação, organização e implantação da PEI ainda encontram certa resistência ou desinteresse tanto por parte de leigos e leigas quanto de integrantes do clero e das organizações de religiosos e religiosas na maior parte dos territórios eclesiais.
Constata-se ainda a falta de uma consciência em relação à gravidade da crise socioambiental, principalmente da crise climática e de todas as formas de degradação dos biomas e ecossistemas, razão pela qual um, ou talvez o maior desafio, seja a conversão ecológica dentro da própria Igreja, tanto na dimensão individual quanto comunitária, como tanto nos exortava o Papa Francisco, além do negacionismo ecológico de amplos setores da sociedade brasileira, principalmente dos que ainda lucram com esta destruição da natureza.
Diante disso, conforme pode-se perceber da memória daquela reunião, existem inúmeros desafios que precisamos refletir em torno dos mesmos para que a Igreja, como um todo no Brasil inteiro, possa realizar um trabalho de forma mais orgânica e institucional e não apenas através de um esforço quase que marginal às ações planejadas de cada arquidiocese, diocese, paróquia ou comunidade, como vem acontecendo.
A leitura da memória desta reunião – a segunda propriamente dita, tendo em vista que há pouco mais de um ano foi realizada a primeira reunião presencial em 2024, em Brasília, entre nove representantes regionais da APEIB, Dom Vicente (bispo presidente da Comissão de Ecologia Integral e Mineração da CNBB) e o padre Dário, ocasião em que a maior parte das preocupações e assuntos abordados na reunião, objeto desta memória que integra esta reflexão, também foram objeto de reflexão.
Naquela reunião presencial, foi pontuada a importância do tema da Campanha da Fraternidade de 2025 (Fraternidade e Ecologia Integral), das celebrações dos dez anos da publicação da Encíclica Laudato Si, dos 800 anos das celebrações do Cântico das Criaturas e da realização da COP 30, em Belém, no final deste ano de 2025.
Todos esses eventos e celebrações foram considerados momentos significativos para a expansão dos trabalhos da PEI e a possibilidade de organização/estruturação da mesma em um maior número de territórios eclesiásticos, o que, lamentavelmente, não tem ocorrido como esperado, razão pela qual os integrantes do Conselho Nacional e da Comissão Executiva da Articulação Nacional da PEI do Brasil voltaram a buscar um diálogo mais formal, desta vez incluindo os três bispos referenciais já mencionados.
Oxalá a Igreja no Brasil possa “avançar para águas mais profundas” e abraçar de vez, e com determinação, o desafio de realmente defender, através de ações sociotransformadoras e de mobilização profética, a causa da Ecologia Integral e possamos promover mudanças de hábitos, costumes e de estruturas produtivas, seguindo os ensinamentos dos Papas Francisco e Leão XIV.
É neste contexto que esperamos que a Pastoral da Ecologia Integral possa inserir-se, de fato, no esforço da CNBB de sermos “o sal da terra e a luz do mundo” quando se fala em defesa da Ecologia Integral.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo..r" target="_blank">O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
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JUACY DA SILVA*
“Hoje vivemos em imensas cidades que se mostram modernas, orgulhosas e até vaidosas. Cidades – orgulhosas de sua revolução tecnológica e digital – que oferecem inumeráveis prazeres e bem-estar para uma minoria feliz..., porém negam o teto a milhares de vizinhos e irmãos nossos, inclusive crianças, e se lhes chama, elegantemente, 'pessoas em situação de rua'... Um sistema político-econômico, para seu desenvolvimento saudável, necessita garantir que a democracia não seja somente nominal, mas sim que possa se ver moldada em ações concretas que velam pela dignidade de todos os seus habitantes sob a lógica do bem comum, em um chamado à solidariedade e uma opção preferencial pelos pobres... Não há democracia com fome, nem desenvolvimento com pobreza, nem justiça na desigualdade.” — Papa Francisco, pronunciamento na Cúpula Pan-Americana de Juízes, em 04-06-2019, promovida pela Pontifícia Academia de Ciências Sociais, no Vaticano, em Roma.
Estamos, no Brasil inteiro, sob os holofotes da realização da 6ª Conferência Nacional das Cidades, que tem como tema central "Construindo a Política Nacional de Desenvolvimento Urbano: caminhos para cidades inclusivas, democráticas, sustentáveis e com justiça social". O escopo da conferência abrange a discussão e o desenvolvimento de políticas públicas para o desenvolvimento urbano, com foco em áreas como habitação, mobilidade, saneamento, gestão estratégica e financiamento, além de questões relacionadas à diversidade ambiental e climática.
Esta Conferência das Cidades está sendo realizada em três etapas: as conferências municipais que já foram, estão ou serão realizadas até o final de julho; as conferências estaduais (nas capitais) até o final de setembro e, finalmente, a Conferência Nacional, em Brasília, no final de outubro próximo.
Há mais de 70 anos, a questão do desenvolvimento urbano vem sendo discutida no Brasil, principalmente a partir da década de 1960, quando o Brasil deixa de ser um país demograficamente rural para se transformar em um país urbano e industrial.
Ao longo dessas sete décadas, o crescimento rápido das cidades brasileiras ocorreu de uma maneira totalmente caótica, sem planejamento, sem investimentos em infraestrutura urbana compatível com os índices de concentração e crescimento populacional.
O resultado são as cidades que temos, na verdade duas ou três cidades em territórios compartimentados: uma, a cidade das periferias, onde moram as famílias pobres, excluídas e injustiçadas, sem infraestrutura, com baixa qualidade de vida; outra, a cidade para a chamada classe média, com alguns tipos de infraestrutura; e, finalmente, a cidade dos ricos, das camadas mais abastadas, dos donos do poder e dos barões da economia — verdadeiros “apartheids”, quase à semelhança das cidades da Idade Média, condomínios fechados, com muros altos, cercas elétricas, com vigilância eletrônica ou com guardas particulares armados, demonstrando que essas camadas privilegiadas temem as ameaças das chamadas “classes perigosas” que vivem nas favelas, nos cortiços, nas palafitas, dominadas também pela violência do crime organizado ou das milícias.
Diante do processo caótico do crescimento das cidades, ainda na década de 1960, ou seja, há sete décadas, surgiu um grande movimento de lutas sociais, no contexto das chamadas reformas de base, denominado de Movimento de e pela Reforma Urbana.
Este foi um movimento que visava transformar as cidades, promovendo o acesso de todos os cidadãos aos seus benefícios, como habitação, infraestrutura e serviços. Este movimento, impulsionado por segmentos progressistas da sociedade, propôs mudanças estruturais na questão fundiária e no uso e ocupação do solo, com o objetivo de democratizar o acesso à cidade e garantir direitos urbanos fundamentais para quem vive ou meramente sobrevive nas cidades.
No dia 01 de janeiro de 2003, início da primeira gestão de Lula, foi criado o Ministério das Cidades, com os objetivos de combater as desigualdades sociais, transformar as cidades em espaços mais humanizados e ampliar o acesso da população à moradia, saneamento, mobilidade urbana, incluindo transporte de massa moderno e decente.
Antes da chegada de Lula à Presidência, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, o Congresso Nacional aprovou, quase que por unanimidade, e FHC sancionou o Estatuto da Cidade em 10 de julho de 2001, através da Lei Federal nº 10.257. Essa lei regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal, estabelecendo diretrizes gerais para a política urbana no Brasil.
Essa lei passou a ser um marco fundamental e importante na definição e implementação da política nacional e, por extensão, das políticas estaduais e municipais de desenvolvimento urbano, com dimensões de sustentabilidade, modernidade, justiça social, justiça climática, inclusão social e econômica e segurança.
Além dessas dimensões, o Estatuto das Cidades criou diversos instrumentos jurídicos e urbanísticos para que as cidades pudessem — ou possam — ser espaços democráticos e participativos, envolvendo todos os atores e não apenas as elites na definição das cidades que queremos e merecemos, ou seja, CIDADES PARA TODOS E TODAS e não apenas para uma minoria, enquanto as grandes massas permanecem excluídas dos “benefícios” que uma cidade deve promover à sua população. Exemplos são o IPTU progressivo no tempo e a possibilidade de desapropriação de imóvel urbano pelas prefeituras com pagamento de títulos da dívida pública municipal, aprovados pelo Senado, e outras normas e regras para o bem viver no espaço urbano.
O desenvolvimento tanto urbano quanto rural, econômico e social no Brasil não prima pelo planejamento de curto, médio e, muito menos, de longo prazo. Uma das características desse processo, principalmente do “crescimento” populacional e físico (perímetro urbano e periurbano) das cidades, como já mencionado, ocorre à revelia dos governantes, principalmente integrantes dos poderes Executivo e Legislativo, que se mostram avessos à ideia e prática do planejamento, eternos improvisadores quando se trata das ações governamentais.
Isso é demonstrado através da crise fundiária urbana, que gera muita violência e conflitos; da falta de saneamento básico; das deficiências do sistema de transporte coletivo, frotas e sistemas totalmente obsoletos e de baixa qualidade; do estrangulamento da mobilidade urbana; da inexistência ou precariedade de calçadas, que limitam o deslocamento de pedestres, colocando vidas em risco; da falta ou precariedade de arborização urbana e periurbana, afetando o microclima urbano, principalmente nas áreas centrais; e da deterioração dos centros históricos, com perda da memória das cidades, como ocorre em Cuiabá e tantas outras cidades históricas no Brasil.
Todas essas dimensões, desafios e problemas deveriam ser equacionados no contexto dos Planos Diretores de Desenvolvimento Estratégico, tanto das cidades (dimensão urbana propriamente dita) quanto das áreas periurbanas e rurais dos municípios, principalmente das cidades com mais de 20 mil habitantes, onde os planos diretores, democráticos e participativos, são obrigatórios e deveriam balizar as ações das administrações municipais.
Lamentavelmente, tais planos, quando existem, como em Cuiabá, acabam sendo apenas documentos para enfeitar prateleiras de gabinetes, longe das realidades urbanas, principalmente das periferias urbanas.
Em todos os setores, e não apenas nas questões urbanas, existem dois problemas, desafios quase insuperáveis diante das práticas políticas clientelistas e corruptas existentes. O primeiro é a falta de continuidade de políticas, programas e ações governamentais; cada administração que assume, seja nos municípios, nos estados ou no governo federal, abandona quase tudo o que vinha sendo realizado e a prática é inventar novas obras, novos programas e novas ações, contribuindo para o desperdício, mau uso ou corrupção, em prejuízo dos interesses e necessidades do povo, principalmente dos pobres e excluídos.
Os exemplos são milhares e milhares de obras federais, estaduais e municipais paralisadas, praticamente em todos os municípios e cidades brasileiras, como o famoso Hospital Central de Cuiabá, paralisado por quase ou mais de 40 anos, o que não deixa de ser uma vergonha e um desperdício de recursos públicos diante das necessidades da população.
Outro problema é a falta de articulação das políticas públicas, inclusive da política de desenvolvimento urbano, entre as três esferas do poder público (governos federal, estaduais e municipais), a começar pela falta de coincidência de mandatos.
Presidente da República, Congresso Nacional, governadores de estado e DF e Assembleias Legislativas são eleitos 2 anos antes que prefeitos e vereadores. Assim, os instrumentos de planejamento como PPA – Plano Plurianual de Investimentos – e LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias – não coincidem.
Um terceiro problema que contribui para esse processo caótico de gestão pública é o desrespeito à autonomia dos municípios, tanto por parte dos governos estaduais quanto federal.
Finalmente, temos mais um problema, que é a gestão das regiões metropolitanas e das conurbações urbanas, que, em princípio, devem ter também seu planejamento integrado e harmônico, em setores vitais como mobilidade/transporte intermunicipal; questões de saneamento, principalmente a questão dos resíduos sólidos, esgotamento sanitário, os desafios da moradia popular e da regularização fundiária.
Neste aspecto, o problema se agrava, porquanto, na gestão metropolitana, além da autonomia de cada município da mesma, ainda existe a figura da presença de entes dos governos estaduais e, com frequência, também do governo federal.
Um exemplo concreto dessa balbúrdia política, administrativa e de gestão pública pode ser mencionado nas famosas obras da Copa de 2014, cujas obras — algumas delas como o VLT de Cuiabá e Várzea Grande — iniciadas em 2012, nunca concluídas, consumiram quase um bilhão de reais, pela má gestão e corrupção, e que até hoje, depois de trocarem de modal do VLT para BRT, representam uma grande cicatriz na paisagem do maior aglomerado urbano de Mato Grosso e da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
Neste mesmo diapasão, em 01 de janeiro de 2019, início do governo Bolsonaro, os Ministérios das Cidades e da Integração Nacional foram extintos, dando lugar ao surgimento/criação do Ministério do Desenvolvimento Regional, e o Conselho Nacional das Cidades praticamente extinto e esvaziado.
Com a posse de Lula para mais um período governamental, o Ministério das Cidades foi recriado em 01 de janeiro de 2023 e o Conselho das Cidades recuperou suas atribuições, e as Conferências das Cidades e outras conferências setoriais, como mecanismo de participação popular e de outros segmentos, voltaram a acontecer.
É importante destacar que as Conferências das Cidades são um espaço de diálogo e participação de todos os segmentos que vivem e constroem as cidades — momento para que a população participe dos esforços de construção de cidades que ofereçam condições e qualidade de vida para todas as pessoas que nelas vivem, trabalham e sonham com um futuro melhor, digno e com justiça social.
Finalizando, é importante ressaltar que as Conferências das Cidades buscam incentivar a participação social e popular; um espaço de diálogo e debate dos principais problemas e desafios urbanos; debater e propor subsídios para a formulação e reformulação da política e do sistema nacional de desenvolvimento urbano, tanto na dimensão local quanto metropolitana, estadual e nacional.
Os principais problemas e desafios que não podem ficar de fora das Conferências das Cidades são: mobilidade urbana; habitação, principalmente moradias populares; regularização fundiária; sustentabilidade climática; arborização urbana (Planos Diretores de Arborização Urbana: municipais e metropolitanos, florestas urbanas e periurbanas); saneamento básico, principalmente as questões dos resíduos sólidos/lixo e esgotamento sanitário.
Além disso, é fundamental que, nas Conferências das Cidades, sejam também debatidas as questões da modernização da “máquina” administrativa, da gestão estratégica, da visão de médio e longo prazo e das fontes de financiamento, orçamentos; a questão da segurança pública, principalmente nos territórios periféricos, atualmente objeto do domínio do crime organizado, verdadeiro poder paralelo em inúmeras cidades e estados no Brasil.
Finalmente, é fundamental que as discussões levem em consideração a questão dos bolsões de pobreza, principalmente nas áreas/territórios periféricos, buscando construir mecanismos nas políticas públicas que promovam a inclusão social e econômica e a justiça social, ou seja, o bem comum.
Só assim estaremos construindo cidades como espaço em que todos tenham qualidade de vida e dignidade humana.
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, ex-secretário de Planejamento e Gestão, ex-ouvidor Geral/Ombudsman e ex-diretor Executivo do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Urbano da Prefeitura de Cuiaba. Atualmente, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste. E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy
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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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Juacy da Silva*
A Constituição Federal, de 1988, no artigo 225, estabelece, de forma clara e objetiva que “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”.
Ao longo do tempo, principalmente a partir da publicação da Encíclica “Rerum Novarum”, em 15 de Maio de 1891, pelo Papa Leão XIII, até a atualidade com o Papa Francisco, ao publicar a Encíclica Laudato Si, em 24 de Maio de 2015; a Igreja Católica e as Igrejas Evangélicas vem sendo presença ativa no enfrentamento dos problemas e desafios que afetam a humanidade, principalmente as camadas marginalizadas, excluídas vem enfrentando, daí a razão da chamada “opção preferencial pelos pobres”.
Para poder agir de uma forma efetiva e sociotransformadora é necessária uma metodologia que ofereça condições e conhecimento para compreender bem a realidade, permitir que sejam feitas opções e desdobrar as ações no tempo e no espaço, estabelecendo prioridades neste agir.
Neste processo em busca de um conhecimento mais profundo da realidade, que sirva de base para agir na dimensão sociotransformadora, é fundamental que sigamos a máxima de “pensar globalmente e agir localmente”, razões mais do que suficientes para delimitarmos nosso campo de ação tanto em termos de espaço (território) quanto de tempo (estabelecer cronologia e prioridades), tendo em vista a complexidade dos desafios em todas as áreas, inclusive nas questões relativas `a ECOLOGIA INTEGRAL, considerando os diversos aspectos que fazem parte das exortações, observações e sugestões quanto a esta caminhada, apontadas tanto nas Encíclicas Laudato Si e Fratelli Tutti quanto nas Exortações Apostólicas Querida Amazônia e Laudate Deum e outros documentos das Igrejas e também o conhecimento resultante de estudos e pesquisas por cientistas, pesquisadores e instituições universitárias e até mesmo vinculadas a outros setores da sociedade.
A origem desta metodologia já está prestes a completar um século, como podemos ver nesta referência bibliográfica “O método ver-julgar-agir da JOC, assumido pela Ação Católica especializada no mundo inteiro desde a década de 1930, demorou, mas foi assumido pelo magistério pontifício, primeiro por João XXIII, depois pela Gaudium et Spes, por encíclicas sociais e documentos de Dicastérios da Cúria Romana (BRIGHENTI, 2015, p. 612)”
O Curso para a formação de Agentes da Pastoral da Ecologia Integral que estamos realizando na Arquidiocese de Cuiabá, em três módulos de apenas 5 horas cada um, tanto quanto possível estamos seguindo o método da Igreja: VER, JULGAR E AGIR.
Na Bíblia Sagrada existe uma passagem que, direta ou indiretamente, nos remete `a questão da metodologia no agir da Igreja Católica e das Igrejas Evangélicas também, quando no Evangelho de São João 8:32 está escrito “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”. Ai está na verdade a origem desta metodologia: Conhecimento – Verdade – Libertação.
Assim, buscamos ampliar nosso conhecimento sobre diversos documentos da Igreja e dos vários “ramos”, aspectos das ciências, incluindo um “panorama’ dos principais desafios e problemas socioambientais do Brasil, de Mato Grosso e do território onde está inserida a Arquidiocese de Cuiabá (a chamada Baixada Cuiabana).
Caberá a seguir, aos participantes do Curso, futuros agentes da Pastoral da Ecologia Integral realizarem um exercício, em princípio didático, mas com vistas a ações concretas no futuro, de preferência em um futuro não muito longínquo, nos territórios das várias paróquias representadas no referido curso através dos referidos participantes do curso.
Para tanto devemos seguir alguns passos, que, na verdade são as etapas do Método mencionado e, neste exercício, devemos trabalhar em conjunto, ou seja, propiciar a troca de experiências e a “mirada” que cada pessoa possa ter da realidade e também as sugestões para a ação, sempre enfatizando que somente as ações, de preferência coletivas, em grupo é que tem o poder e a energia para promover ou provocar transformações sociais, econômicas, políticas, culturais ou até mesmo religiosas.
Aqui cabe uma observação, é importante que saibamos e aprendamos a “trabalhar em conjunto”, em grupo, em equipe, para valorizar esta dinâmica coletiva, sempre respeitando as pessoas, aceitando opiniões diferentes e até divergentes, sempre em através de um diálogo honesto, franco, aberto, reconhecendo nossas diferenças, nossas fragilidades e nossa dignidade como pessoas humanas, todos e todas, filhos e filhas de Deus. Esta é a essência da Amizade social, que sempre nos exorta o Papa Francisco e foi objeto da Campanha da Fraternidade deste ano de 2024.
Para atendermos ao desafio da etapa VER, não precisamos “inventar a roda”, contratar “experts”, consultorias especializadas e geralmente que custam muitos recursos, precisamos buscar e valorizar o conhecimento das pessoas que vivem, convivem, sobrevivem e sofrem com a realidade que as cerca e que, cremos nós, desejam mudanças e transformações que melhorem suas condições de vida.
Para vermos a realidade, além de nossas observações pessoais, podemos solicitar a várias pessoas, em diferentes partes do território, de diferentes estratos/camadas sociais e perguntarmos, por exemplo: Quais são os três, quatro ou cinco principais problemas ou desafios ambientais ou socioambientais que o senhor ou a senhora, ou os/as jovens identificam naquele território?
Com certeza se dialogarmos com diversas pessoas teremos diversas respostas, algumas que devem coincidir e outras diferentes e, assim, poderemos chegar a mais de cinco ou dez problemas/desafios.
A Etapa seguinte do Método, o JULGAR, cabe `a Equipe da Pastoral que será formada pelos participantes do Curso e mais algumas pessoas que sejam convidadas para “engrossar’, fortalecer a Equipe, que darão vida ao que temos denominado de Núcleo Ecológico Paroquial (Local) e que pode ser também no nível das comunidades, de uma escola, de uma empresa. A denominação pouco importa, o mais importante é a constituição das equipes que irão articular, coordenar, despertar a consciência ecológica/ambiental, inclusive fomentando o processo da EDUCAÇÃO ECOLÓGICA LIBERTADORA, para que as ações e as transformações socioambientais possam ocorrer e a realidade seja mudada, transformada.
Nesta fase do JULGAR, caberá então à Equipe local/paroquial analisar os problemas e desafios apresentados pelas pessoas, tendo como parâmetros deste JULGAR o seguinte: a gravidade, a urgência e a complexidade dos problemas e desafios que surgiram deste diálogo coletivo e, estabelecer uma lista de prioridades, tendo em vista também o que é possível realizar a curto, médio e longo prazos.
Finalmente, o AGIR, deve ser realizado, não de uma forma voluntarista e improvisada, mas sim, dentro de uma ótica de racionalidade, para que as ações sejam realmente realizadas e sejam também duradouras e possam provocar mudanças, seja de hábitos, de comportamentos, atitudes e novos estilos de vida, tanto no plano individual, familiar quanto, coletivamente, seja a partir da paróquia, da comunidade, da escola, da empresa ou enfim, qualquer que seja o lugar/território onde as pessoas vivem, convivem e sobrevivem.
Neste AGIR, precisamos também promover nossas ações guiadas por projetos, que tenham “começo, meio e fim”, definindo quem, como, quando, onde e a que custos, ou seja, por que, para que, com quem e para quem vamos realizar nossas ações, incluindo parcerias, custos dos projetos e fontes de financiamento.
Em ocasião oportuna, no futuro, como Pastoral devemos promover também um aprofundamento do nível de conhecimento das Equipes, tanto no que concerne `a elaboração de projetos sociais, identificação de fontes de financiamento públicas e privadas, nacionais e internacionais, bem como um maior nível de conhecimento dos vários setores que fazem parte do que denominamos de Ecologia Integral.
Exemplo, se uma comunidade, paróquia definem que irão trabalhar com reciclagem, é necessário entender melhor sobre esta temática; da mesma forma se o projeto é relacionado com arborização, plantas medicinais, hortas domésticas, escolares ou comunitárias, ou os chamados “quintais ecológicos”, é fundamental que os participantes conheçam bem as referidas áreas e assim por diante.
Se decidirmos, por exemplo, realizar uma Campanha ampla para combater o consumismo, o desperdício, que geram cada vez um maior volume de resíduos sólidos/lixo, combater o uso de plásticos que emitem gases de efeito estufa e provocam o aquecimento global e as temíveis mudanças climáticas etc, etc precisamos ter conhecimento das técnicas de propaganda, marketing e como se formam ou se alteram os hábitos de consumo, atingindo o objetivo e metas de “produção e consumo responsável e sustentável”, como estabelece a ONU no ODS de número 12.
O curso para a Formação de Agentes da Pastoral da Ecologia Integral é apenas um passo inicial de um processo mais longo para que as ações que vierem a ser implementadas, realizadas possam ser duradouras, efetivas e estejam articuladas com as ações das demais pastorais, movimentos e organismos da Igreja e também em parcerias com outras organizações públicas e privadas que atuem nesta área e contribuam para ajudarmos em um MELHOR CUIDADO COM A CASA COMUM, a partir de nossa realidade concreta, local em nossos territórios.
O processo de transformação da realidade, principalmente da realidade em que vivem e sobrevivem os pobres e excluídos é longo, cheio de obstáculos e interesses as vezes ocultos, demanda conhecimento e uma conscientização ecológica, social e política mais profunda por parte dos mesmos, para que as mudanças ocorram e essas mudanças devem ocorrer com a participação dessas camadas que devem ser sujeitas e sujeitos de seus próprios destinos e jamais objeto de manipulação por parte de quem gera e se beneficia de estruturas que representam dominação, manipulação e exclusão.
Não podemos alimentar o assistencialismo, o paternalismo que apenas são formas de manipulação por parte dos poderosos e dos donos do poder, mas sim, ajudarmos a despertar a consciência ecológica, sociotransformadora dessas camadas que sofrem com a degradação ambiental e destruição do planeta, tudo isso no contexto da Doutrina Social da Igreja e dos Direitos Humanos e Constitucionais.
*Juacy da Silva, professor fundador e titular da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Instagram @profjuacy
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Juacy da Silva*
Recebi um convite de uma Jornalista do Rio de Janeiro, que tem um canal de web TV - no youtube para uma entrevista/LIVE, compartilho com voces o convite: “Olá, prof. Juacy. Está se aproximando a semana Laudato Si, proposta pelo Movimento Laudato Si que reúne católicos do mundo inteiro. Por isso, o tema da gravação que gostaria de fazer com você é "Laudato Si e as tragédias socioambientais. Podemos gravar em algum dia por volta das 18h. Sugiro sexta, dia 17”.
Ja aceitei e estou coletando informações para me preparar adequadamente para a Entrevista, estou com a ideia de escrever um artigo com o mesmo título, para ser publicado também.
Dia 24 de Maio, sexta feira, será o DIA da publicação da Laudato Si, feita em 2015, ou seja, estaremos celebrando nove anos da existencia desta importante e revolucionária Encíclica, quem sabe poderiamos solicitar que a missa das 18:30h na Catedral Senhor Bom Jesus de Cuiabá tenha algo especial relativo a esta data? O que vocês acham?
Além deste dia, na verdade o Movimento Mundial Laudato Si, estará celebrando, entre 19 e 26 de Maio próximos, a SEMANA LAUDATO SI, com um tema/assunto cada dia, conforme consta: Dia 19/05 – Dia de Pentecostes, tema: Conversão ecológica; 20/05 – Transporte sustentável; 21/05 – Alimentação e sustentabilidade; 22/05 – Energia sustentável; 23/05 – Lixo, resíduos sólidos; 24/05 – Questão da água; 25/05 – Catequese e ecologia integral e, no último dia , 26/05 – Por um melhor cuidado com a Casa Comum.
Poderiamos também sugerir ao Pe. Deusdedit, nosso Oreintador Espiritual e Vigário Geral e Dom Mário, nosso Arcebispo, que tem apoiado de forma decisiva a caminhada da Pastoral da Ecologia integral da Arquidiocese de Cuiabá, para que seja feita uma recomendação aos párocos, padres, vigários, religosos, religiosas, escolas católicas que, cada qual em seu "quadrado" (como dizem os jovens) faça algo especial, pelo menos uma referência à Laudato Si.
Se a humanidade, as pessoas, a população em geral, os governantes em todos os níveis e dimensões, o empresariado não despertarem para a gravidade do que está acontecendo com o Planeta, com toda a certeza vamos ver, conviver e viver com uma freequência muito maior, com desastres como o que já ocorreram nesses últimos 12 ou 24 meses com queimadas, secas, ondas de calor e chuvas torrenciais e inundações terríveis.
A natureza está em fúria quanto à forma como a humanidade a está tratando, ignorando seus limites. Estamos “matando a galinha dos ovos de ouro”, e diante disso precisamos mudar os paradigmas que regem os sistemas econômicos que praticam uma verdadeira rapinagem contra os biomas e ecossistemas.
Creio que todas as Dioceses do Regional Oeste 2 (CNBB/RO2) também poderiam dar um destaque nesta data e Semana Laudato Si, antecipando o esforço que será feito pela CF/2025 cujo tema será “FRATERNIDADE E ECOLOGIA INTEGRAL”.
Diante de tantas calamidades, desastres e tragédias ecológicas/socioambientais que estão acontecendo com mais frequência, com maior intensidade, maior número de vítimas e maiores perdas econômicas e sociais, a Igreja tanto sua estrutura eclesiástica quanto seus fiéis, não podem ficar alheia e alheios em sua missão no que concerne à MOBILIZAÇÃO PROFÉTICA, em defesa da Casa Comum, da Mãe Terra.
Esta é a exortação que faz o Papa Francisco quando diz/escreve “O clima é um bem comum de todos para todos... Há um consenso científico, muito consistente, indicando que estamos perante um preocupante aquecimento do sistema climático... A humanidade é chamada a tomar consciência da necessidade de mudanças de estilos de vida, de produção e de consumo, para combater este aquecimento ou, pelo menos, as causas humanas que o produzem ou acentuam...e suas consequências”. Laudato Si, 23.
Há menos de um ano, por ocasião da 28ª COP, a mensagem do Papa Francisco àquela Conferência do Clima, revestiu-se, novamente, de um alerta e também uma exortação quanto à gravidade deste processo de degradação planetária.
“É possível verificar que certas mudanças climáticas, induzidas pelo homem, aumentam significativa a probabilidade de fenômenos extremos mais frequentes e mais intensos. Isso porque, sempre que a temperatura global aumenta em 0,5 grau centígrado, sabe-se que aumentam também a intensidade e a frequência de fortes temporais e inundações em algumas áreas, de graves secas em outras, de calor extremo em algumas regiões, e, ainda fortes nevascas em outras” Laudate Deum, 5 (04/10/2023).
Só assim podemos entender o “recado” da natureza, da mãe terra como resposta aos danos que a mesma tem sofrido. É neste contexto que precisamos refletir sobre esta calamidade, que não será nem a maior, nem a pior, que está acontecendo no Rio Grande do Sul e tanta comoção tem causado na opinião pública e sofrimento para nossos irmãos e irmãs daquele estado.
Muitos outros desastres e muitas outras calamidades ecológicas ou socioambientais deverão ocorrer nos próximos anos, este será o “novo normal” em que viveremos, a menos que novos paradígmas substituam os atuais paradigmas da ganância, do consumismo, do desperdício, da busca do lucro a qualquer preço, da economia da morte, continuarem a balizar nossas relações humanas/sociais e também nossas relações com a natureza!
Se não cuidarmos da natureza, se não zelarmos pela nossa Casa Comum, pagaremos um preço muito elevado para apenas mitigar os efeitos desta destruição do planeta e tanto sofrimento humano que estamos assistindo no momento!
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em sociologia, ambientalista, articulador (voluntário) da Pastoral da Ecologia Integral. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Instagram @profjuacy
EQUIPES DA PASTORAL DA ECOLOGIA INTEGRAL VISITAM AS PARÓQUIAS - Juacy da Silva
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Juacy da Silva*
Com o objetivo de estimular fiéis das diversas paróquias da Arquidiocese de Cuiabá, a participarem do Curso de Formação de Agentes de Pastoral, diversas Equipes, integrantes da Coordenação da Pastoral da Ecologia Integral estão visitando as paróquias, principalmente de Cuiabá e de Várzea Grande e, em futuros eventos as Paróquias das demais cidades que fazem parte do território desta Arquidiocese.
A Arquidiocese de Cuiabá tem 31 Paróquias e 310 comunidades em oito municípios da Baixada Cuiabá, onde estão concentrados quase 30% da população do Estado e também onde está a maior concentração urbana de Mato Grosso, constituida pelo Aglomerado Urbano Cuiabá/Várzea Grande, núcleo principal da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá.
Essas visitas decorrem de uma carta convite do Arcebispo de Cuiabá, Dom Mário Antônio, do Vigário Geral e Orientador Espiritual da citada pastoral, Padre Deusdédit e da Coordenadora da Pastoral, Olindina Bezerra, para que cada paróquia selecione de duas a três pessoas, que, após participarem do referido curso, constituirão as Equipes locais nas Paróquias e deverão atuar na forma de projetos visando o enfrentamento e a superação dos desafios socioambientais existentes nos territórios das diversas paróqias.
Tanto o curso quanto as ações futuras seguem a metodologia da Igreja: VER, JULGAR E AGIR e têm como fundamentos a Encíclica Laudato Si, do Papa Francisco, que no dia 24 deste mês de Maio estará completando nove anos, além das exortações apostólicas Laudate Deu, Querida Amazônia e a Doutrina Social da Igreja.
Vale destacar que a Campanha da Fraternidade de 2025, coordenada pela CNBB, terá como Tema: FRATERNIDADE E ECOLOGIA INTEGRAL, além de dois outros eventos importantes, para a Caminhada da Igreja, que serão as comemorações do décimo aniversário da Encíclica Laudato Si e a realização da COP 30, a ter lugar em Belém, no Estado do Pará, quando as atenções do mundo inteiro estarão voltadas para o nosso país.
Como bem sabemos o território da Arquidiocese de Cuiabá, comprende, praticamente a maior parte da “area da Baixada Cuiabana ou da Bacia do Rio Cuiabá e está em conexão direta com o Pantanal, bioma que passa por um processo intenso de degradação e destruição e que enfrenta inúmeros problemas e desafios socioambietais, com destaque para a degradação do Rio Cuiabá e todos os seus afluentes, a maior parte dos quais já desapareceram, sendo que o seu principal afluente, o Rio Coxipó também está se transformando em um grande esgoto a céu aberto; além de outros graves problemas ambientais urbanos e rurais, como falta de saneamento básico, lixo urbano, falta de arborização, desmatamento, queimadas, ondas de calor, ocupação das margens dos cursos d’água uso abusivo de agrotóxicos, mineração, poluição urbana, problemas quanto ao uso e ocupação do solo, principalmente nas áreas periféricas urbanas, incidência elevada de pobreza, fome, miséria e outros mais.
Diante das exortações do Papa Francisco, quanto ao papel dos cristãos, tanto católicos quanto evangélicos, é fundamental que as Igrejas, suas lideranças e seus fiéis estejam sempre comprometidos com a defesa da Ecologia Integral, ou seja, da chamada Casa Comum.












