Quinta, 26 Março 2026 16:57

 

 

A Assembleia Geral da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) realizou, nesta quarta-feira, 25/03, um amplo debate sobre a conjuntura nacional e internacional, além de tratar de temas internos da categoria docente e da universidade. Entre os pontos discutidos estiveram informes, avaliação do 44º Congresso do Andes-Sindicato Nacional, estatuinte da UFMT e ações de solidariedade internacional. Também foi incluída na pauta, por iniciativa da Diretoria, a análise sobre a adesão ao manifesto “Queremos as mulheres vivas, livres e no poder”.

 

Informes destacam atividades e organização de mobilizações

 

Nos informes da Diretoria, foram destacadas diversas atividades recentes e encaminhamentos do sindicato. A entidade participou da recepção aos calouros e de uma atividade sobre aposentadoria e saúde do aposentado, realizada no Sindicato dos Servidores Técnico-administrativos (Sintuf-MT) na terça-feira – 24/03. A professora Maria Salete, diretora de Comunicação da entidade, está acompanhando o debate sobre violência de gênero e feminicídio, que contará com audiência pública na Assembleia Legislativa sobre o tema.

 

Também foi informado que o setor administrativo do sindicato retornará à sede (oca), localizada dentro da UFMT. A Diretoria destacou ainda a divulgação de matéria sobre a vitória relacionada ao cumprimento da lei de cotas no serviço público (saiba mais aqui), além de mencionar as próximas reuniões dos Grupos de Trabalho (GTs).

 

O professor Aldi Nestor de Souza informou que já teve início a organização da Jornada Universitária pela Reforma Agrária (JURA) deste ano, que terá como tema os 30 anos do massacre de Carajás. Também estão sendo preparadas as atividades do 1º de Maio – Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores, com a proposta de realização de debates em espaços públicos, como praças, centro da cidade e bairros, com a divisão de responsabilidades entre as entidades participantes.

 

A professora Alexandra Valentim, do campus de Sinop, relatou a realização de uma reunião local para discutir a universidade pública para todos e chamou atenção para um abaixo-assinado que começou a circular no campus em apoio à proposta de desmembramento.

 

Já a professora Valéria Queiroz, do Araguaia, informou sobre reunião em que a reitora da UFMT pautou os 28,86%, entre outras demandas locais. Os presentes lembraram que há decisão de assembleia de que os assuntos relacionados aos 28,86% devem ser tratados oficialmente pelo sindicato, que é parte autora da ação, enquanto a Reitoria figura como ré.

 

A professora Lélica Lacerda apresentou informes do Grupo de Trabalho Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), destacando a exposição “Revolução é uma palavra feminina”, prevista para o samba do mês das mulheres no Trigória, no próximo domingo - 29/03, e o debate sobre a resistência das mulheres em Mato Grosso durante a ditadura militar, programado para 01/04, no auditório da Adufmat-Ssind (local ainda a confirmar).

 

Análise de conjuntura aborda cenário internacional e condições sociais

 

A análise de conjuntura aprofundou debates que vêm sendo realizados há meses, com destaque para o agravamento dos ataques imperialistas. O professor Breno Santos avaliou que há uma “janela de oportunidades” para a derrota dos Estados Unidos diante das dificuldades enfrentadas no ataque ao Irã.

 

O professor Aldi Nestor de Souza analisou dados divulgados pelo governo, que indicam redução do desemprego, aumento da renda e inflação controlada. No entanto, destacou que as condições gerais da população não acompanham diretamente esses indicadores. Segundo ele, persistem problemas como o aumento do trabalho escravo e infantil e a elevação de preços de itens básicos, como o café — que, de acordo com o DIEESE, teve alta entre 7,22% e 36,56% nos últimos 12 meses, dependendo da região.

 

Para o docente, a população percebe essas dificuldades ao avaliar a administração pública, mas isso não se traduz automaticamente em análises mais profundas. “A exploração está mais sofisticada, não é mais como nas décadas de 1970 e 1980. Chegamos a um ponto em que as pessoas se orgulham do nível de exploração ao qual estão submetidas”, afirmou.

 

O professor José Domingues de Godoi Filho ressaltou que os ataques dos Estados Unidos a outros países não se limitam à busca por petróleo, abrangendo também outras fontes energéticas, além de água e terras raras. Ele criticou ainda o uso da chamada “guerra às drogas” como justificativa para intervenções e questionou o papel da universidade nesse contexto. “De que adianta produzir 500 artigos, se na prática estamos entregando tudo? Toda a riqueza, todo o conhecimento? A universidade pública é uma mentira, porque não atende ao interesse público”, declarou.

 

A professora Lélica Lacerda avaliou que as dificuldades enfrentadas pelos Estados Unidos no Irã têm redirecionado sua atenção para a América Latina, incluindo países como Colômbia e Brasil. “Os trabalhadores organizados da Colômbia ainda politizam o debate, envolvem a população e convocam para as ruas. E o Brasil? Nós não temos uma proposta de futuro para apresentar aos trabalhadores”, afirmou. Para ela, a crise civilizatória do capitalismo já não comporta preocupações mínimas com a dignidade humana e o meio ambiente.

 

O diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, concordou com as análises. “A vida concreta não se mede pelo quanto a Nasdaq ou a Faria Lima estão satisfeitas com o governo, mas pela degradação a que os trabalhadores estão submetidos. Isso não é apenas número. Estamos diante de uma incapacidade real de promover luta no campo da esquerda classista”, avaliou.

 

Ainda no debate, a professora Lélica Lacerda destacou que a discussão sobre interseccionalidade da classe, frequentemente utilizada de forma inadequada, para separar, pode, ao contrário, fortalecer a luta, desde que não se desvincule da perspectiva classista.

 

Congresso do Andes-SN gera avaliações críticas

 

O debate de conjuntura abriu caminho para as avaliações sobre o 44º Congresso do Andes-SN, realizado em Salvador entre os dias 02 e 06/03. Delegados que participaram do evento consideraram que houve avanços em áreas como inclusão — com ações voltadas a docentes surdos —, fortalecimento da luta antirracista e ampliação do debate educacional, incluindo diálogo com outras entidades e a realização do IV ENE.

 

Apesar disso, a avaliação predominante foi de frustração, devido à falta de tempo e espaço para debates considerados fundamentais, especialmente sobre questões organizativas.

 

O tema deverá ser retomado no Conselho Extraordinário do Andes-SN (Conad), previsto para novembro, em Brasília. Na assembleia, foi consensuado que a Adufmat-Ssind deve preparar sua delegação para qualificar o debate e garantir deliberações alinhadas aos interesses da categoria, diante das críticas à condução do congresso.

 

Estatuinte da UFMT

 

Sobre a estatuinte da UFMT, o diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos, informou que uma reunião com a Reitoria, destinada à organização dos pontos gerais, foi desmarcada. Ainda assim, o sindicato manteve o tema na pauta para se preparar para o futuro encontro.

 

Ao final, foi deliberado que a entidade defenderá a realização de amplos debates, em espaços como o teatro universitário, com participação de convidados, como reitores de outras instituições. Também foi apontada a necessidade de discutir a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), garantir que decisões tenham efetividade junto ao Ministério da Educação (MEC) e promover a desburocratização dos espaços de gestão da universidade.

 

O sindicato também defenderá a atuação conjunta das entidades representativas — Adufmat-Ssind, Sintuf-MT e representações estudantis —, além da realização de debates nas unidades acadêmicas.

 

Solidariedade a Cuba e adesão a manifesto

 

No ponto de pauta sobre solidariedade ao povo cubano, a assembleia aprovou a contribuição a campanhas como “Cuba Resiste” e “Remédios para o Povo Cubano”, com a doação total de R$ 10 mil para aquisição de medicamentos e insumos médicos. Também foi aprovado apoio político, com o envio de dois docentes para o 1º de Maio em Cuba, integrando a delegação do Andes-SN. Foram indicados os professores Breno Santos e Lélica Lacerda.

 

Por fim, a assembleia apreciou e aprovou a adesão ao manifesto “Queremos as mulheres vivas, livres e no poder”, apresentado pela professora Lélica Lacerda, cujo conteúdo pode ser lido aqui.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

 

 

 

Sexta, 20 Março 2026 10:15

 

A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes de Sinop e Araguaia:

 

Data: 25 de março de 2026 (quarta-feira)

Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.

Pauta:

1. Informes;
2. Análise de conjuntura; 
3. Informes qualificados do 44º Congresso do Andes-SN; 
4. Estatuinte da UFMT;
5. Ações de solidariedade a Cuba.

 

A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes dos campi de Sinop e Araguaia.

 

 

Cuiabá, 20 de março de 2026

Gestão Adufmat é pra lutar!

Sexta, 27 Fevereiro 2026 18:32

 

 

A estrutura organizacional do Andes – Sindicato Nacional é uma das ferramentas da categoria docente para dar conta de debater seus temas de interesse e organizar as ações da luta de forma efetiva. O congresso do Andes-SN, que terá início na próxima semana, em Salvador, é onde a categoria define suas prioridades e ações dos próximos meses ou anos e, por isso, a assembleia geral realizada nesta quinta-feira, 26/02, pela Adufmat-Seção Sindical, discutiu as propostas do Caderno de Textos que será a referência no maior espaço deliberativo da categoria nos próximos dias.

 

Como de costume, a assembleia teve início com uma série de informes sobre as atividades que envolvem o sindicato, como o próprio congresso do Andes, que será em Salvador entre os dias 02 e 06/03, a Mesa para debater os novos embargos a Cuba nesta sexta-feira (saiba mais aqui), organização do 8 de Março – Dia Internacional de Luta das Mulheres, que será às 8h na Feira do CPA; lançamento do novo Caderno do GTPFS, previsto para o mês de maio junto à discussão sobre o Mundo do Trabalho, atividade sobre o direito à aposentadoria organizada para o dia 23/03, além do andamento das obras na oca, que devem ser concluídas até o final de março, com o retorno da equipe administrativa.

Durante a análise de conjuntura, as intervenções falaram sobre o avanço do Imperialismo diante das ameaças, sequestros, bombardeios entre outras ações, especialmente dos Estados Unidos da América, indicando certa fragilização das forças sociais e reorganização do capital.

Diante das evidências da luta de classes em curso, os presentes criticaram o fato de que as propostas de conciliação de classes apareçam como alternativa, e defenderam que a melhor forma de conseguir avançar nas lutas sociais é radicalizar. “Do mesmo jeito que a conciliação aparece como alternativa, são essas políticas que a gente denuncia e combate: reformas, avanços sobre os bens naturais”, disse o diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.

 

A professora Lélica Lacerda exemplificou com o caso mais recente na Amazônia. “O Governo homologou a demarcação de terras indígenas, mas ia privatizar o rio. Do que adianta?”, questionou, acrescentando que o avanço do capital levou a uma crise civilizatória. A docente também defendeu a radicalização da luta, criticando o sindicato nacional pela burocratização e recusa ao enfrentamento aberto ao neoliberalismo. “Nós precisamos elaborar ações para mexer concretamente nas relações sociais, intervindo no processo econômico”, concluiu.

 

Para a professora Alair Silveira a falha está no distanciamento da leitura social pautada na perspectiva histórica, de totalidade e dialética, além do aumento da intolerância ao debate dentro do próprio Andes-SN. “Nós devemos discutir o Mundo do Trabalho na sua totalidade, não por segmentos; a uberização do trabalho, Inteligência Artificial, Redes, Internet, o papel das universidades, considerando a totalidade das relações e suas contradições. O problema não é demarcar nossas diferenças, há acordo sobre isso, o que nós precisamos fazer é enxergar nossas semelhanças, a unidade”, pontuou.

Não houve deliberação relacionada à análise de conjuntura.
 

Em seguida, a assembleia se debruçou sobre os textos apresentados no Caderno de Textos, documento que baliza as discussões durante todo o Congresso do Andes-SN (leia aqui o Caderno de Textos). Os temas são divididos conforme os eixos: conjuntura e Movimento Docente; planos de lutas dos Setores (Federal/ Estadual/ Municipal); Plano Geral de Lutas (onde estão as propostas dos Grupos de Trabalho, entre outras); e questões organizativas e financeiras.                

 

O diretor geral do sindicato pontuou que a delegação indicada em assembleia geral para representar o sindicato se reuniu e destacou alguns textos com propostas mais sensíveis, entre eles as propostas relacionadas às eleições, como a proporcionalidade de grupos políticos dentro das chapas, votação online, separação das eleições das Vice-presidências regionais da direção nacional – cujas intervenções demonstraram, em sua maioria, contrariedade; e a criação de um fundo único de campanha que, ao contrário das outras, registrou concordância por parte dos presentes.

Também foram problematizadas propostas como realizar o congresso da categoria a cada dois anos, construir jornadas de lutas e greves ainda no primeiro semestre de 2026, propostas de reajuste salarial consideradas rebaixadas, a autorização para realização de reuniões nacionais no formato híbrido – que também foram encaradas com receio pelos docentes -, em contraposição a outras propostas que obtiveram pleno acordo, como a defesa do Fim da Escala 6X1, propostas de carreira mais combativas e ampliação do diálogo com outras entidades de trabalhadores da Educação.   
  

A questão principal deste ponto de pauta, no entanto, diz respeito ao Texto Resolução 92, que relatou a violência política sofrida pela professora Alair Silveira, docente da base da Adufmat-Ssind, durante o Seminário Nacional de Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas do ANDES-SN, realizado em São Paulo, em novembro de 2025 (saiba mais aqui). Na ocasião, a própria docente relatou em texto e presencialmente, em assembleia, que foi constrangida no evento por fazer questionamentos, em nome do GTPFS da Adufmat-Ssind, sobre uma campanha do Sindicato Nacional que utilizava gatos como personagens e sobre a posição da entidade com relação a um vídeo que denunciava a realização de Boletim de Ocorrência por parte da diretoria, contra pessoas que criticaram outra campanha.

 

Segundo os relatos, após os questionamentos, a professora Alair Silveira passou a ser pessoalmente constrangida e agredida, com menções diretas e indiretas bastante ofensivas em diversos momentos do evento, e chegou a ser pressionada a apagar um vídeo do seu celular pessoal. A docente destacou que, além da violência gratuita por parte dessas pessoas, que incluem alguns diretores do Andes-SN, chamou a atenção o silêncio da grande maioria dos colegas que estavam no Seminário, que chegaram a demonstrar solidariedade a ela em particular, mas não tiveram a coragem de o fazer publicamente.

 

Após sua exposição, os presentes na assembleia concordaram que essa postura por parte da categoria, especialmente de diretores do Andes – Sindicato Nacional, é inaceitável, e que, além do apoio ao TR, a Seção Sindical deve se posicionar formalmente pela defesa intransigente da democracia interna do sindicato, repudiando o que ocorreu no Seminário. Para isso, será feito um documento, que será amplamente divulgado nos canais oficiais de comunicação do sindicato, além de distribuído no Congresso do Andes-SN. Foi definido que a professora Lélica Lacerda fará o texto.

 

Sobre os demais textos, não houve orientação para votação, mas a conclusão de que o debate enriqueceu a análise da delegação, formada pelos professores Maria Luzinete Vanzeler, Einstein Aguiar, Lélica Lacerda, Waldir Bertúlio, José Domingues de Godoi Filho, Valéria Queiroz, Ana Paula Sacco e Breno Santos.

 

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind            

  

Sexta, 20 Fevereiro 2026 14:30

** Por conta das fortes chuvas, a assembleia convocada para a quarta-feira (25/02) foi adiada para a quinta-feira (26/02).  

 

A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na sede e subsedes da Adufmat-Ssind:

 

Data: 26 de fevereiro de 2026 (quinta-feira)

Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.

 

Pauta:

1. Informes;

2. Análise de conjuntura;

3. Caderno de textos do 44° Congresso do ANDES-SN. 

 

A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da sede de Cuiabá e nos campi do Araguaia e SINOP.

 

Cuiabá, 20 de fevereiro de 2026

Gestão Adufmat é pra lutar!

Quarta, 03 Dezembro 2025 18:15

 

Em Assembleia Geral, realizada nesta terça-feira, 02/12, docentes organizados na Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind), tiveram acesso a informes jurídicos e decidiram sobre a realização de eventos, gastos com a reforma da sede e a indicação de nomes a serem homenageados na assembleia universitária que marcará os 55 anos da UFMT.

Entre os comunicados iniciais, destacaram-se as reuniões e a organização de campanhas contra a Reforma Administrativa (PEC 38/25), o Seminário de Questões Organizativas do Andes-SN, além do anúncio do recesso do sindicato, que ocorrerá de 24/12 a 04/01/26. A professora Zenilda Ribeiro informou sobre a confraternização dos docentes do Araguaia, prevista para 16/12, enquanto a professora Alair Silveira solicitou a inclusão, na próxima assembleia, de um ponto de pauta para debater a democracia interna do sindicato. Já o professor Aldi Nestor questionou se houve a participação de algum membro da Adufmat-Ssind na comissão de orçamento da UFMT, ao que o diretor-geral do sindicato, Breno Santos, respondeu negativamente em relação à gestão atual.

Na sequência, durante os informes sobre a ação dos 28,86%, o advogado responsável, Alexandre Pereira, destacou a vitória do sindicato com o envio do processo pelo STJ para a 2ª Turma do TRF1, onde será julgado pela desembargadora Candice Jobim. O objetivo é corrigir a alegação de perda de objeto, argumento que a UFMT insiste em utilizar equivocadamente. Segundo Pereira, o sindicato venceu no último recurso.

O advogado informou ainda que o julgamento não deve ocorrer este ano. Após a decisão da Segunda Turma, o processo deve retornar ao juiz César Bearsi para determinação de cumprimento, sem margem para interpretações. A expectativa é de que a implementação seja restabelecida em 2026, e as tratativas do retroativo só serão realizadas posteriormente. Pereira alertou, também, para tentativas de golpe envolvendo supostos pagamentos. “O precatório vai sair num ano para ser pago no outro. Todo mundo vai saber. Não existe pagamento em cartório, imediato. Isso é golpe”, afirmou.

Após algumas perguntas, o advogado Francisco Faiad, responsável pelo processo da URV (3,17%), também fez um breve histórico do processo, até sua conclusão, no último mês, quando foi determinado o pagamento a 109 docentes (saiba mais aqui). Ele ressaltou que não cabe mais qualquer recurso por parte da UFMT e que a lista com os valores está disponível para consulta no sindicato.

Na esteira da discussão, o professor aposentado Gerson da Silva relatou dificuldades em localizar, no seu histórico financeiro, os pagamentos que a UFMT afirmou ter realizado. O escritório jurídico colocou-se à disposição para auxiliar os docentes nesta verificação e, se for constatado que não foram realizados, iniciar imediatamente as tratativas para garantir o pagamento devido.

 

Análise de Conjuntura


Passando ao ponto seguinte, o docente Breno Santos destacou que, diante das questões jurídicas e financeiras discutidas anteriormente, os desafios atuais afetam tanto docentes que recém ingressaram no serviço público quanto aqueles com longa trajetória. Ainda no aspecto macro sobre as movimentações internacionais do capital para destruir direitos, comentou que a COP 30 terminou sem avanços concretos, apenas com indicações vagas de continuidade de acordos já existentes.

Outros participantes aprofundaram a análise. Carlos Sanches destacou a prisão de Bolsonaro e militares pela primeira vez na história do país, mas ponderou: “é realmente uma vitória política? O que a chamada esquerda está fazendo? Está sendo esquerda mesmo?”. Já o professor Aldi Nestor de Souza enfatizou os ataques aos salários e aposentadorias, defendendo o retorno ao fortalecimento dos sindicatos. A professora Alair Silveira chamou a atenção para a dificuldade do movimento sindical em avaliar seus próprios processos, apesar da facilidade em analisar, com relativa facilidade, os movimentos do capital. A professora Gerdine Sanson relacionou o contexto nacional às reuniões realizadas em Sinop, nos dias 14 e 28/11, sobre o desmembramento do campus, além de abordar os feminicídios que ocorreram no CETEF Rio.

 

Política de Multicampia


A discussão seguinte tratou da política de multicampia, motivada pela situação de Sinop, onde a direção local, em articulação com grupos econômicos, tem defendido o desmembramento do campus como única alternativa para melhorias. Os docentes e representantes da Adufmat-Ssind no local, Gerdine Sanson e Juliano Santos, relataram as reuniões convocadas pela administração. Segundo os docentes, a de 14/11 foi marcada por tumulto e por um debate restrito ao orçamento — o discurso é que o campus de Cuiabá retém a maior parte dos recursos, prejudicando Sinop.

Já na reunião do dia 28/11, realizada apenas duas semanas depois e com sete dias de divulgação, houve a participação da reitora da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Analy Castilho Polizel de Souza, que relatou sua experiência na transição do antigo campus. Embora avalie positivamente a emancipação, ela ressaltou diferenças fundamentais com relação ao processo de Sinop: a comunidade acadêmica de Rondonópolis gestou seu projeto de universidade durante anos e, após a separação, a gestão trabalhou voluntariamente por um longo período, devido a entraves administrativos e jurídicos. Após quase oito anos, a UFR ainda enfrenta problemas comuns às universidades públicas, como o desmonte orçamentário que dificulta o funcionamento cotidiano.

A professora Gerdine criticou o fato de o debate em Sinop estar restrito a orçamento e distribuição de cargos. Além disso, apontou a pressão sobre docentes que defendem a multicampia, taxados de covardes, acomodados ou imaturos. Para os relatores, a discussão tem sido empobrecida e pouco produtiva.

O diretor-geral, Breno Santos, acrescentou que o empobrecimento do debate reflete a degradação das condições de trabalho e da carreira docente em todo o país. Ele também lembrou que há interesses privados explícitos no processo, evidenciados pela participação do pró-reitor local na diretoria da União das Entidades de Sinop (Unesin), ligada ao setor empresarial.

Ao fim da discussão, decidiu-se pela realização de uma campanha em defesa da multicampia, coordenada pelo GT Multicampia da Adufmat-Ssind, com contribuições do GTPFS - Grupo de Trabalho Política de Formação Sindical. A proposta é defender uma universidade autônoma, mas baseada na unidade, e não na fragmentação.

 

Realização do evento Territórios Indígenas


O ponto seguinte também se relacionou a Sinop: a realização de uma nova edição do evento “Territórios Amazônicos”. Diante do cenário político no campus, o evento — de caráter político e não institucional — deve aproximar as comunidades tradicionais da universidade e do sindicato.

Na edição de 2023, o tema central foi o impacto dos agrotóxicos e do agronegócio na saúde da população mato-grossense. Para 2026, a proposta é integrar os projetos de extensão desenvolvidos na região com a luta sindical.

Os docentes aprovaram um aporte financeiro de até R$ 35 mil, com a orientação de buscar parcerias para dividir custos, como a Associação dos Docentes da Unemat (Adunemat-Ssind), a Vice-presidência Regional Pantanal do Andes-SN, além dos projetos de extensão com recursos próprios. A Diretoria do sindicato acompanhará e participará de toda a organização, e o GTPGEGDS - Grupo de Trabalho Política de Classe para Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual - será convidado a colaborar.

 

Docentes homenageados


Em seguida, discutiu-se a indicação de docentes para serem homenageados na assembleia universitária que marcará os 55 anos da UFMT. Os presentes observaram que, apesar de a Reitoria ter solicitado a indicação de apenas três nomes, a lista de possíveis indicados seria extensa e defenderam a definição de critérios, dado que mais de quatro décadas de história envolveram inúmeros lutadores sociais ligados ao sindicato e que mereceriam ser homenageados.

Ficou definido que a participação contínua e o comprometimento ao longo dos anos seriam os critérios principais. O primeiro nome indicado foi o do professor Waldir Bertúlio, primeiro presidente da Adufmat-Ssind, que chegou a ser perseguido e demitido pela ditadura militar, mas sempre presente na entidade. O professor Roberto Boaventura, o Robertinho, também foi destacado. Para representar a atuação mais do que fundamental dos docentes dos campi do interior e das mulheres, indicou-se a professora Gerdine Sanson, de Sinop. “Cada um representa uma mensagem específica dessa história de luta”, afirmou Breno Santos.

A Adufmat-Ssind também indicará homenagem póstuma à professora Lylia Galetti (Departamento de História), primeira presidente mulher do sindicato, e ampliará a lista com a leitura de outros nomes no espaço destinado às entidades na assembleia. Foram mencionados os docentes José Domingues de Godoi Filho, Carlos Sanches, Alair Silveira, Vicente Ávila, Gerson da Silva, Iraci Galvão e Luiz Galetti, entre outros.

Emocionado, o professor Waldir Bertúlio fez um breve relato sobre o processo de formação da Adufmat-Ssind, concretizado em dezembro de 1978, ainda durante a ditadura militar.

 

Informes financeiros e reforma do sindicato


Por fim, a Diretoria informou que a obra na cobertura do sindicato, aprovada em assembleia, foi concluída. No entanto, será necessário aplicar impermeabilização e instalar cobertura de palha - cujo valor foi reajustado. A estimativa é de que essas etapas superem os R$ 40 mil. Também será preciso realizar revisão elétrica, readequar a mobília e ajustar a ventilação dos banheiros internos. Toda essa agenda pós-obra deve ser concluída até o fim de fevereiro, quando vencem os contratos de locação do espaço provisório onde está funcionando o atendimento do sindicato.

Como não haverá tempo para aprovar orçamentos em assembleia e os gastos são considerados urgentes, a plenária autorizou que a Diretoria encaminhe as demandas da melhor forma possível, comprometendo-se a realizar três orçamentos para cada etapa.

A Diretoria também informou o gasto extraordinário de R$ 18 mil com o transporte funerário terrestre do professor Ângelo Zanoni Ramos, solicitado pela família, residente no interior de São Paulo. A decisão foi entendida como um gesto de solidariedade, alinhado à natureza do sindicato. Diante de divergências apontadas por membros da base, ficou decidido que será realizado, em 2026, um seminário para orientar a condução de gastos extraordinários, a exemplo da iniciativa promovida recentemente pelo Andes-Sindicato Nacional.

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

 

Quinta, 27 Novembro 2025 00:00

 

A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes de Sinop e Araguaia:

 

Data: 02 de dezembro de 2025 (terça-feira)

Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.

 

Pauta:

  1. Informes;
  2. Análise de conjuntura;
  3. Informes sobre os 28,86%;
  4. Informes sobre os 3,17%;
  5. Política de Multicampia;
  6. Indicação de docentes homenageados nos 55 anos da UFMT;
  7. Evento "Territórios amazônicos".

 

A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes dos campi de Sinop e Araguaia.

 

 

Cuiabá, 27 de novembro de 2025

Gestão Adufmat é pra Lutar!

 

Terça, 04 Novembro 2025 17:03

 

 

A Assembleia Geral da Adufmat-Ssind, realizada nesta segunda-feira, 03/11, deliberou, entre outras coisas, pela rejeição da proposta de reajuste de benefícios apresentada pelo Governo Federal aos servidores públicos e construção de uma contraproposta, e elegeu a delegação que representará a Seção Sindical no 44º Congresso do Andes-SN, que ocorrerá entre os dias 2 e 6/03, em Salvador - BA. Conforme convocação, houve ainda pontos de pauta sobre informes e análise de conjuntura.

 

Informes

 

Durante os informes, a Diretoria destacou as atividades da Semana do Servidor, com ênfase no enfrentamento à Reforma Administrativa (clique aqui para saber mais). Foi informado também que as obras de cobertura da sede da Adufmat-Ssind foram concluídas, restando apenas a etapa de impermeabilização, e que o retorno às atividades na sede está previsto para meados de fevereiro.

 

A representação sindical em Sinop falou da confraternização local e intervenções políticas sobre a Reforma Administrativa.

 

Representando a Diretoria do Andes-SN, o professor Eralci Terézio informou que a Regional Pantanal promoverá, dentro dos próximos meses, um encontro dos sindicatos da base em Dourados. Ainda sobre a luta contra a Reforma Administrativa, o docente Einstein Aguiar relatou como foi a marcha dos servidores, realizada em 29 de outubro (saiba mais aqui).

 

Análise de conjuntura

 

Os debates de conjuntura apontaram a importância de análises corretas para definir táticas adequadas de luta. Foram mencionados temas como o avanço imperialista sobre a América Latina e os reflexos das crises internacionais sobre a soberania dos países da região.

 

Um dos fatos destacados foi a chacina ocorrida nas comunidades da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, em 28/10, e o discurso político subsequente, que utilizou o episódio para justificar a previsão de combate ao “narcoterrorismo”. Isso porque, imediatamente após o fato, o deputado Coronel Meira (PL-PE) apresentou o Projeto de Lei 724/25, que “amplia” o conceito de terrorismo na Lei Antiterrorismo, incluindo o tráfico de drogas ilícitas como forma de terrorismo.

 

Durante o debate, a professora Maria Luzinete Vanzeler destacou que o discurso de combate ao narcotráfico no Brasil já é semelhante ao utilizado para justificar ações imperialistas. “A gente fala muito facilmente sobre o avanço imperialista representado pelos ataques à Faixa de Gaza e a países cheios de riqueza, mas agora a situação está aqui no nosso quintal. A Venezuela está aí e é um exemplo de que nós precisamos estar unidos. Não importa quem é Maduro, importa quem é a Venezuela, quem é a América Latina”, afirmou.

Os presentes também ressaltaram um leve recuo no Congresso Nacional com a retirada de algumas assinaturas da proposta de Reforma Administrativa após a mobilização da semana dos servidores, mas concluíram que a mobilização popular com a ocupação das ruas é essencial.

 

O professor Breno Santos, diretor geral da Adufmat-Ssind, afirmou que as últimas mobilizações de trabalhadores proporcionaram dois bons resultados: o enfraquecimento da chamada PEC da Bandidagem e o recuo parcial da Reforma Administrativa, mantendo o saldo político vitorioso acumulado de 2021, quando a proposta de Bolsonaro foi derrotada em plena pandemia.

 

Rejeição à proposta de reajuste do Governo

 

Outro ponto central da assembleia foi a análise da proposta de reajuste dos benefícios apresentada pelo Governo Federal. O processo de negociação, que ocorre desde o ano passado, após a greve, ganhou uma novidade na última semana, quando o Governo propôs reajuste de 17,5% no auxílio-alimentação a partir de dezembro, e, em 2026, reajuste pelo IPCA (com previsão de cerca de 4%). Para os auxílios saúde e escolar, o reajuste também seguiria a inflação, desde que previsto no Projeto de Lei Orçamentária Anual - PLOA — o que, na prática, ainda não garante sua aplicação.

 

Durante suas intervenções, os docentes avaliaram que o sindicato tem uma posição histórica em defesa da linha única salarial, rejeitando a fragmentação por meio de benefícios, que não têm caráter permanente. Isso significa que, para a aposentadoria, por exemplo, esses valores não contam.

 

Além disso, destacaram que é preciso haver equiparação entre os benefícios concedidos às outras esferas do serviço público – Legislativo e Judiciário, que em alguns casos recebem praticamente o dobro dos valores pagos nestes benefícios aos trabalhadores do Executivo.   

 

Os presentes também criticaram a falta de diálogo efetivo e o curto prazo dado para responder à nova proposta, apresentada em 22/10.

 

Após amplo debate, a plenária aprovou a rejeição da proposta e deliberou pela construção, junto a outras entidades do serviço público, de uma contraproposta voltada à equiparação dos benefícios entre servidores do Executivo, Legislativo e Judiciário.

 

Eleição da delegação para o 44º Congresso do Andes-SN

 

Encerrando a pauta, a assembleia elegeu a delegação da Adufmat-Ssind para o 44º Congresso do Andes-SN, maior instância deliberativa da categoria em nível nacional. O evento, com o tema “Na capital da resistência, das revoltas dos Búzios e dos Malês: ANDES-SN nas lutas e nas ruas, pela democracia e educação pública, contra as opressões e a extrema direita!”, será realizado em Salvador (BA), entre 2 e 6/03/26.

 

Após a apresentação das candidaturas e debates, a plenária indicou os seguintes delegados: Maria Luzinete Vanzeler, Einstein Aguiar, Lélica Lacerda, Waldir Bertúlio, José Domingues de Godoi Filho, Irenilda Santos, Gerdine Sanson, Valéria Queiroz, Ana Paula Sacco e Breno Santos (indicado pela Diretoria). O professor Juliano Santos foi eleito como ouvinte suplente de delegado.

 

A assembleia também aprovou a participação da assessora de Imprensa do sindicato para a cobertura presencial do evento e deliberou que, em caso de desistência, a professora Gerusa Vieira — última colocada na votação — será incluída como ouvinte suplente.

 

Ao final, a professora Lélica Lacerda solicitou à Adufmat-Ssind que encaminhe ao Andes – Sindicato Nacional a inclusão do lançamento do Caderno do GTPCEGDS Violência Política de Gênero à programação oficial do evento. O documento foi elaborado em parceria com o Laboratório Nenhuma a Menos, e a versão digital já está disponível, clique aqui para ler.

 

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

 

Quinta, 30 Outubro 2025 16:07

 

A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes de Sinop e Araguaia:

 

Data: 03 de novembro de 2025 (segunda-feira)

Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.

 

Pauta:

1. Informes;
2. Análise de conjuntura; 
3. Proposta do Governo sobre reajuste dos benefícios; 
4. Eleição da delegação para o 44º Congresso do ANDES-SN.

 

A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da sede da Adufmat-Ssind, em Cuiabá, e nas subsedes dos campi de Sinop e Araguaia.

 

 

Cuiabá, 30 de outubro de 2025

Gestão Adufmat é pra lutar!

Sexta, 10 Outubro 2025 11:38

 

A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições regimentais, convoca todos os sindicalizados para Assembleia Geral Ordinária PRESENCIAL a ser realizada na subsede de Sinop, mas também na sede, em Cuiabá, e na subsede do Araguaia:

 

Data: 16 de outubro de 2025 (quinta-feira)

Horário: 13h30 (Cuiabá) com a presença mínima de 10% dos sindicalizados e às 14h, em segunda chamada, com os presentes.

 

Pauta:

1. Informes;
2. Informes qualificados sobre os 28,86%;
3. Análise de conjuntura e mobilização contra a Reforma Administrativa;
4. Política de multicampia na UFMT.

 

A Assembleia será presencial e ocorrerá simultaneamente no auditório da subsede da Adufmat-Ssind em Sinop e nos campi de Cuiabá e Araguaia.

 

 

Cuiabá, 10 de outubro de 2025

Gestão Adufmat é pra lutar!

Segunda, 22 Setembro 2025 16:14

 

Em assembleia geral realizada na última sexta-feira, 19/09, docentes sindicalizados a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso - Adufmat-Seção Sindical do Andes Sindicato Nacional debateram e encaminharam ações sobre as tentativas de imposição de desmembramento dos campi de Sinop e Araguaia. A assembleia, que contou com a participação da reitora Marluce Souza e Silva, explicitou que a comunidade acadêmica não partilha da proposta e, muito pelo contrário, teme o que pode ocorrer se esses desmembramentos forem efetivados da forma como estão sendo incentivados.

 

A plenária começou, como de costume, com os informes. Pela Diretoria, o professor Breno Santos falou sobre a semana de mobilização em Brasília, entre 22 e 26/09 contra a ameaça de votação de uma proposta de Reforma Administrativa (confira aqui a agenda completa). Os professores Einstein Aguiar, Maria Luzinete Vanzeler e José Domingues de Godoi Filho representarão o sindicato. Santos falou também sobre a abertura do processo de contratação de profissional de Comunicação (veja aqui), a denúncia de inefetividade das nomeações por cotas na UFMT (leia aqui) e convidou a categoria para o ato contra a PEC da blindagem (número 03/2021, assinada pelo deputado Celso Sabino - PSDB/PA), o Projeto de Lei que concede anistia àqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito (PL 5064/23, assinado pelo senador Hamilton Mourão - Republicanos/RS), e a ameaça de votação de uma nova proposta neoliberal de Reforma Administrativa, que em Cuiabá ocorreu pela manhã, na Praça Cultural do CPA II – bairro popular localizado na região norte da capital mato-grossense.

 

Pelo Grupo de Trabalho Política e Formação Sindical (GTPFS), a professora Irenilda Santos fez um informe qualificado sobre a reunião nacional realizada no início do mês, cujos principais debates foram sobre a questão da Palestina e a nova ameaça de aprovação de Reforma Administrativa.

 

O professor Aldi Nestor de Souza lembrou que, no dia 19/09, o Brasil comemora o nascimento de Paulo Freire, patrono da educação brasileira e um pernambucano cujas ideias continuam incomodando o capital mesmo quase 30 anos após sua morte. O docente também compartilhou a experiência que viveu ministrando aulas para um curso no Centro de Formação e Pesquisa Olga Benário Prestes (Cecap-MT). “Na maior parte do tempo, nós costumamos trabalhar somente teoria na sala de aula. Foi a primeira vez que eu ministrei um curso para detentores dos meios de produção, pessoas que têm um pedaço de terra, produzem ali e vivem dessa produção. Quando a gente pega uma turma que aplica a teoria, é sensacional. Só me fez perceber mesmo que o que nós temos que fazer, enquanto trabalhadores, é tomar os meios de produção”, afirmou.

 

O estudante da UFMT, Alexandre Peixoto, informou aos presentes que está empenhando esforço pessoal em campanha para salvar o bosque que fica ao lado do Museu de Arte e Cultura Popular (Macp) e do Cine Coxiponés.

 

Por fim, a professora Marluce Souza e Silva falou sobre a reforma em andamento do prédio que abriga os institutos de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) e Geografia, História e Documentação (IGHD), entre outras obras que ficaram cerca de 12 anos paradas na UFMT e foram retomadas.    

 

Seguindo a máxima de que quem erra na análise de conjuntura, erra na tática e na ação, teve início o segundo ponto de pauta da assembleia. A análise de conjuntura foi bastante ampla, mas boa parte das intervenções girou em torno das movimentações mais recentes do Congresso Nacional que, tomado pela extrema-direita, tenta aprofundar ainda mais a pauta neoliberal, removendo direitos e abrindo mais espaço para os interesses econômicos particulares; a grande questão do debate, no entanto, foi como organizar a classe para responder a esses ataques.

 

“Está comprovado que qualquer esperança no governo de conciliação no Brasil já está fracassada. Estamos vivendo uma ofensiva brutal ao fundo público e aos direitos sociais, tudo rapidamente, em regime de urgência, enquanto nós enfrentamos a desmobilização por conta da rotina cada vez mais massacrante. Precisamos retomar o processo de reorganização da classe e os atos convocados para o domingo serão essenciais para isso”, afirmou o diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.

 

A professora Lélica Lacerda concordou, acrescentando que a conjuntura, após a condenação dos golpistas, apresenta um cenário ainda mais polarizado. “O povo não se identifica mais com o Congresso e nós estamos diante de duas narrativas: uma que o considera um espaço desnecessário, que pode fechar - o que facilita uma postura ditatorial -, e uma segunda leitura, que seria a tomada desse espaço pelos trabalhadores. Para onde nós vamos? Precisamos superar o processo de cooptação da classe, porque as alternativas são ou neocolonialismo ou socialismo”, afirmou.

 

O professor Juliano Santos, de Sinop, também falou do esvaziamento dos espaços de luta, e da abertura da própria universidade para a lógica do mercado, além da influência concreta de organizações privadas.

 

Dialogar com a população sobre os efeitos concretos das investidas neoliberais no cotidiano, e também com a própria comunidade acadêmica da UFMT - que tem se deixado mover pela lógica mercadológica - foram as principais ações apontadas durante as intervenções.  

 

Sobre a proposta de desmembramento dos campi da UFMT, especialmente o de Sinop, cujo projeto caminhou na última semana (saiba mais aqui), o diretor-geral do sindicato começou falando que o encaminhamento do projeto do senador Carlos Fávaro causou preocupação, mas não exatamente surpresa, e prosseguiu afirmando que o texto não representa a vontade da comunidade.

 

Os professores da UFMT em Sinop repetiram que não houve diálogo, que a administração local se utiliza da relação contaminada com a Reitoria para fazer campanha pelo desmembramento como se fosse a única solução possível, e que está evidente que os interesses de grupos privados têm impulsionado a ideia de separação.

 

Causou surpresa a intervenção da atual reitora, que afirmou participar da assembleia na qualidade de docente sindicalizada. Ela fez ponderações acerca do pavor gerado no campus após andamento do projeto de lei, afirmando que, mesmo com a propaganda, um eventual desmembramento não deve ser tão simples, nem do ponto de vista econômico, nem do político e nem do jurídico. Segundo a docente, apesar das tratativas internas de 2008, que transformaram o Centro Pedagógico do Norte Mato-grossense em campus e a diretoria local em Pró-reitoria, não é esse o entendimento do próprio Ministério da Educação (MEC). “Nós estamos preparando um relatório para desconstruir toda a narrativa criada em Sinop: vamos comprovar que o campus foi o mais beneficiado nos últimos anos e que suas fragilidades não são causadas pela administração de Cuiabá. Além disso, nós temos resposta do MEC de que não está autorizada a criação de nenhuma universidade esse ano. Pode mudar em 2026? Sim, mas, até do ponto de vista jurídico, não me parece que seja um processo tão simples”, afirmou a reitora, se comprometendo a compartilhar amplamente o documento assim que finalizado.

 

Após longo debate, concluindo que refletir sobre multicampia é refletir sobre o próprio futuro da universidade, os presentes encaminharam: pautar a multicampia a partir de outubro, nos debates preparatórios para a assembleia universitária que marcará os 55 anos da UFMT; atualizar os dados e fazer circular o documento elaborado pelo Grupo de Trabalho Multicampia e Fronteiras da Adufmat-Ssind (leia aqui); levar esse debate, juntamente com os dados levantados pela administração e pelo próprio GT para eventos presenciais também nos campi de Sinop e Araguaia; realizar uma assembleia da Adufmat-Ssind em Sinop na segunda quinzena de outubro, com a presença de docentes de Cuiabá, Várzea Grande e do Araguaia; estabelecer parceria entre o GT Multicampia e Fronteiras e Reitoria para elaboração da Resolução de Multicampia (que ainda não existe na UFMT); solicitar à administração da universidade que reforce o pedido de publicização das agendas das representações dos campi junto a políticos, para identificar eventuais solicitações de desmembramento à revelia da comunidade.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind