Quinta, 20 Abril 2017 10:10

 

Roberto Boaventura da Silva Sá

Prof. de Literatura/UFMT; Dr. em Jornalismo/USP

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No Brasil de hoje, estarrecimento e indignação formam o par perfeito daquilo que todo cidadão informado sente.

 

Como se fossem partes de capítulos de uma novela sem-fim, a mídia tem exibido – a cada momento – cenas monótonas de agitadas e abrangentes delações: de sindicalistas a membros de tribunais de contas, nada/ninguém parece faltar. O descrédito em nossos políticos é imenso. Todavia, mesmo imersos nesse cenário de decadência e descrença gerais, não temos o direito de legar às próximas gerações algo ainda pior.

 

Dito isso, com todo o respeito a um conjunto de leitores de meu último artigo –  “Os Dias Eram Assim” –, mas não posso me calar diante de discursos assustadores que li em um dos sites onde meu artigo foi publicado. Portanto, continuo o diálogo.

 

Naquele artigo, disse que a supersérie da Globo, “Os Dias Eram Assim”, que estreou dia 17, tem como um dos objetivos mostrar a crueldade do regime militar. Logo, a emissora poderá estancar o crescimento nas pesquisas de candidatos à presidência da República adeptos do militarismo/autoritarismo, como é o caso, p. ex., de Jair Bolsonaro.

 

Antes de tudo, penso que o leitor que faz esse tipo de defesa, só o faz por desconhecer os porões dos golpistas de 64. Não quero crer que ser humano algum, em sã consciência, possa defender o indefensável. Só o desconhecimento poderia sustentar essa postura desumana.

 

Quero pensar que, se esses leitores tivessem o cuidado de assistir aos diversos filmes, de ouvir e entender as incontáveis letras das músicas, os poemas, as peças de teatros e outras manifestações produzidas sobre o tema “ditadura/golpe militar”, eles compreenderiam, como tão bem compreendeu o escritor J.J. Veiga, a real dimensão das “Sombras de Reis Barbudos”, obra atualíssima.

 

Dito isso, oponho-me às considerações desses leitores, mas, sobretudo, a duas delas. Uma veio do Leitor ao qual chamarei 1:

 

“...Geisel foi profético ao dizer: ‘se é vontade do povo brasileiro, promoverei a abertura política, mas chegará um tempo que o ‘povo’, e não anarquistas, sentirá saudade do regime militar, pois muitos desses que lideram o fim do regime não estão visando o bem do povo, mas sim seus próprios interesses".

 

Pois bem. “Muitos” não são todos. Essa “profecia” pode – com o passar do tempo e com lições do presente – nunca se materializar na totalidade. É nossa tarefa a luta contra os oportunistas, e não a acomodação com o atual estágio. A meu ver, são covardias a não-luta e a entrega de uma país a um regime de força. As marcas disso são de longo alcance e inimagináveis.

 

Já o Leitor 2, possuído pelo discurso de Bolsonaro, diz que “A História (com H) dirá a verdade. Isso é inevitável, pode haver mil petebas ou viúvas de Fidel para atrapalharem, mas a sua marcha é inexorável. Cabe às próximas gerações dizer qual o lugar de Ustra na História...”

 

Antecipo-me às próximas gerações e digo o óbvio: o lugar do Sr. Ustra, não fosse já o cemitério, deveria ser a prisão, e de preferência até sua morte. Sua desumanidade é pra poucos. Por isso, nenhum ser humano, pelo simples fato de ser humano, poderia lembrar desse senhor com o mínimo de apreço que fosse. Essa lembrança extrapola as dimensões do político. Toca na apologia de criminosos que vestiram fardas.

 

Para encerrar, conclamo a todos para que jamais abramos mão do Estado de Direito. Se o Estado de Direito não está tão direito, lutemos por usa efetivação. Se fizermos isso, as gerações futuras já poderão sentir orgulho das gerações passadas.

Terça, 18 Abril 2017 20:00

 

JUACY DA SILVA*

O que a opinião pública  já  aguardava há muito tempo, finalmente aconteceu. O  Ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato na mais alta Corte de Justiça de nosso país autorizou a abertura de inquérito e as devidas investigações por parte do Ministério Pública Federal  e da Polícia Federal para apurar mais de uma centena de autoridades que gozam da proteção,  um absurdo jurídico que facilita a impunidade para parlamentares , ministros do Governo protegidos pelo famigerado FORO PRIVILEGIADO.


Na  verdade esta decisão é  uma resposta do Poder Judiciário `a solicitação  do Procurador Geral da República para investigar altos figurões da República , suspeitos de vários crimes, incluindo corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, associação criminosa e crime organizado, condutas nada compatíveis com o exercício de autoridades como presidente da República, Senadores, Governadores, deputados federais e Ministros.

Esta é a segunda  LISTA DO JANOT  e está  baseada nas delações de mais de 77 dirigentes e ex-dirigentes de apenas uma empreiteira, a ODEBRECHT. Com certeza outras LISTAS  DO JANOT deverão surgir à medida que outras empreiteiras, através de seus dirigentes resolverem também abrir o bico para livrar  a própria pele,  revelando os grandes esquemas de roubalheira que nossos políticos, nossos governantes e gestores públicos  vem realizando nos cofres públicos há décadas.


Um  verdadeiro lamaçal escorre de palácios, congresso  nacional, assembleias legislativas, governos estaduais, prefeituras e câmaras municipais. Parece que nosso país  está sendo governado por criminosos de colarinho branco, tantos são os casos de corrupção que  tem vindo a público. Costuma-se dizer que esses esquemas se assemelham a esgoto a céu aberto.


Em Mato Grosso um ex-governador,  vários secretários e parlamentares influentes estão ou já estiveram presos e em seus  depoimentos tem revelado verdadeiros esquemas de corrupção.  No Rio de Janeiro um ex-governador está preso e há poucos dias nada menos do que cinco conselheiros do Tribunal de Contas foram presos por corrupção. Em MT  também um conselheiro foi afastado e um conselheiro e outro ex-conselheiro estão sendo investigados por corrupção. Nesta  semana um ex-secretário de Saúde do Rio e dois empresários também foram presos e denunciados por desvios de mais  de R$300 milhões de reais da saúde pública, que está em completo caos no Estado.


Voltando a esta nova LISTA DO JANOT  OU LISTA DO FACHIM  foram 320 pedidos para abertura de inquéritos para investigar os crimes já mencionados anteriormente, dos quais o Ministro Fachim autorizou 83, incluindo 8 ministros do Governo Temer, alguns do círculo íntimo do Presidente já de longa data, 12 governadores, 24 senadores, na verdade 26, pois dois dos ministros a serem investigados são senadores licenciados; 37 deputados federais e todos os cinco ex-presidentes, ainda vivos, todos que “ajudaram”  na redemocratização do país. Parece até piada falar em democracia  e estado de direito em um país em que a corrupção esta entranhada de alto a baixo nas estruturas partidárias e da administração pública. Democracia não se  coaduna com políticos, governantes e gestores   corruptos. Além  desses, 211 pedidos de inquéritos foram enviados para outras instâncias do poder judiciário.


Com  certeza, se imaginarmos que pelo menos pouco mais da metade dos senadores não fazem parte das duas listas do Jantot  e pelo menos mais  de 80%  dos deputados federais também  estão fora dessas listas negras, listas da vergonha política,  talvez este seja o momento para acabar com o foro privilegiado, evitando que os atuais investigados e futuros investigados possam ter o manto protetor da impunidade via foro privilegiado.


Em tempo, da mesma forma que Eduardo Cunha e todos os presos  por decisão do Juiz Sérgio Moro em Curitiba, sempre se dizem inocentes, que jamais se meteram  em corrupção, também essas  ministros do Governo Temer, Senadores e Deputados Federais continuarão negando qualquer crime , que jamais receberam  propina, dinheiro sujo de caixa dois e assim  por diante.


Resta  uma grande esperança de que a Procuradoria Geral da República/Ministério Público Federal e a Polícia Federal agilizem ao máximo as investigações para que corruptos não venham a ser eleitos ou reeleitos  nas eleições de 2018, livrando a política brasileira  desta vergonha em que estamos vivendo.
A imagem do Brasil tanto interna quanto no exterior está  cada vez mais suja, mais maculada.


*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular aposentado UFMT,  mestre  em sociologia, Articulista e colaborador de Jornais, Sites, Blogs e outros veículos de comunicação Twitter@profjuacy Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com

 

Segunda, 17 Abril 2017 08:58

 

Ao que tudo indica, as crises política e econômica do país estão longe de serem resolvidas. Nesses tempos sem representatividade, o modelo político se superou per se. O que se vê agora é um Estado dissolvido e uma nação dividida com seu mercado da desUnião se fortalecendo. A desconexão das instituições de seus indivíduos e, consequentemente, a quebra do ordenamento social projeta um futuro de desesperança, sentido especialmente pelos jovens.
 
A falta de governabilidade e perspectivas impacta diretamente a vida das pessoas de forma negativa, arrastando-nos para mais uma cilada futura. De um lado, tem-se uma agenda da falsa promessa da terra de Canaã e, de outro, o populismo reencarnado - a volta do salvador. Qual propositura será vitoriosa em 2018? Entre elas, há também uma agenda paralela que cruza o caminho das duas, a qual segue sem trégua sobre os donos dessas cartilhas capitalistas que se apoderaram do Estado. No entanto, o que se apresenta bem definido na arena política são as duas agendas que já degustamos e praticamente não se diferem, a não ser pelos seus interlocutores. 
 
A ideia do reformismo será reimplantada na mente das pessoas no sentido que o país precisa avançar e vencer um arcabouço de legislações ultrapassadas para se ter mais emprego e renda. Isto é, chegaríamos a terra prometida graças às reformas. No entanto, o verdadeiro avanço que se pretende é a precariedade do público e dos direitos trabalhistas, sem tratar o que realmente é necessário para estruturar a nação.
 
De outro lado, aquele velho discurso proselitista da seita vermelha, mas ainda bastante efetivo numa democracia em transição, pregando serem contra as reformas e seus males, ou seja, seriam os “contrarreformistas”. Todavia, sem fazer menção que o reformismo foi vigoroso durante a sua tirania. O medo e o saudosismo serão novamente emblemáticos, sendo inclusive encabeçados por instituições ditas classistas ou marcados pelo ativismo destas.
 
Portanto, a disputa de 2018 já está posta e o cardápio será o pauperismo! De um lado, o reformismo como meta, o qual vem colocando a sociedade a serviço de um mercado atrelado a especulação da incerteza. De outro, o devaneio populista que se proclamará outra vez como a imaculada salvação, embora totalmente prostituído desde a sua concepção. Uma agenda usará o reformismo da outra para se reerguer, enquanto a outra, se reafirmará contra algo da outra que já lhe foi próprio num passado não muito longínquo. Então, mesmo que se coloquem como lados opostos, o reformismo será o lema na campanha de 2018 e o projeto para a nação de ambas as agendas.  Não teremos opção, será uma disputa ambivalente pelo poder, ilegítima.
 
Isto é, ambos os lados estão postos, mas o caminho não mudará. O fruto continuará apodrecido em seu cerne, porém mais endurecido. Infelizmente, a sociedade não se preparou para essa sinuca-de-bico! Mais uma vez, estará acéfala e pronta para cair na mesma armadilha de outrora. Nas urnas, em 2018, seremos derrotados de novo pela mesma agenda de terror “anti o social” que vem pairando no ar, todavia mais intensa. Que fique a lição, cidadão pleno e consciente depende de professor que cumpre o seu dever!

 
 
Prof Alexandre Paulo Machado
DCBS - Faculdade de Medicina, Campus Cuiabá. 
 

Quarta, 12 Abril 2017 15:28

 

Roberto Boaventura da Silva Sá

Dr. Jornalismo/USP; Prof. Literatura/UFMT

 

Na história das telenovelas brasileiras, 1989 foi marco por conta de dois trabalhos da Globo: “O Salvador da Pátria” e “Que Rei Sou Eu?”. Só para lembrar: novembro daquele ano, o Brasil elegeu, de forma direta, o primeiro presidente após o golpe militar/64.

Na primeira das telenovelas, em horário nobre, de 9 de janeiro a 11 de agosto de 1989, Sassá Mutema – um camponês analfabeto, honesto e cheio de idealismo – chegou ao poder de sua cidade e, por ele, logo foi corrompido. A analogia com Lula, que ainda representava um projeto popular de governo, era explícita. Na extensão disso, a voz de Gilberto Gil, em delicada canção do tema de abertura – "Amarra o Teu Arado a Uma Estrela" –, fazia o papel de ligar tudo ao PT e ao MST. A “estrela” do poema-musicado de Gil foi o principal dos signos utilizados.

Quase que simultaneamente – de 13 de fevereiro a 16 de setembro de 1989 –, no horário das 19 horas, o país assistiu à rainha Valentine assumir o trono de Avilan, após a morte do rei Petrus II. Todavia, ele deixara um filho bastardo que havia tido com uma camponesa. Sem ter um herdeiro, os conselheiros colocam um mendigo no trono, posando como o verdadeiro sucessor. Novamente, a mesma analogia estava estabelecida; assim, abortava-se, naquele momento, um projeto político que se contrapunha ao neoliberalismo.

Hoje, estamos em ano precedente a novas eleições presidenciais. Outra vez, a Globo entra em ação. Todavia, pasmem, agora, de forma providencial. Quem diria!

No próximo dia 17, no horário das 23h, a citada emissora levará ao ar o primeiro capítulo de sua mais nova supersérie “Os Dias Eram Assim”, título extraído da engajada canção “Aos nossos filhos” de Ivan Lins e Vitor Martins, e imortalizada por Elis Regina: “Perdoem a cara amarrada/ Perdoem a falta de abraço/ Perdoem a falta de espaço/ Os dias eram assim...”.

Em meio a miséria cultural alimentada pela mídia, só esse resgate artístico/histórico já seria motivo de comemorar. Mas há mais a ser observado: a intenção que pode estar por trás da realização dessa produção; qual seja, uma interferência política.

Partindo da mesma referência do filme “Pra frente Brasil” (1982) de Roberto Farias, o enredo dessa supersérie é bem marcado: 21 de junho de 1970, data em que a Seleção Brasileira de Futebol, no México, tornou-se tricampeã mundial da Copa do Mundo.

Enquanto a massa vibrava com a façanha da “seleção canarinho” (assim era chamada nossa seleção), um conjunto de brasileiros, assim como o irmão do Henfil, simplesmente sumia em tantos “rabos de foguete”. O regime militar expunha sua força mais brutal possível. Atrocidades cometidas com quem fosse identificado como subversivo/comunista eram de arrepiar. A tortura abafava as consciências críticas. Aos descontentes, o convite era explícito: “Brasil: ame-o ou deixe-o”.  

É nesse clima de violência extrema dos militares que as personagens de “Os Dias Eram Assim” apresentar-se-ão. Logo, a emissora trará explícita mensagem política – repito, providencial – de repulsa a qualquer candidato à presidência da República que possa ser identificado com esse tipo de regime.

Ao fazer isso, a emissora pode estar tentando apagar sua imagem sempre negativa, carimbada durante o regime militar de 64 e anos subsequentes. Mais: pode contribuir para que o povo brasileiro pense bem antes de dar aval político a candidatos do tipo Bolsonaro. E convenhamos, o risco é grande, pois o cenário político-partidário está em estágio de putrefação como “nunca antes visto na história deste país”.

Sexta, 07 Abril 2017 12:53

 

Prezados Professores,

 

      Agradecemos a todos os docentes que se mobilizaram e participaram do pleito eleitoral da Adufmat-SSind - biênio 2017-2019. Nossas saudações, em especial, aos que se interessaram e acreditaram nas nossas propostas. Tudo o que apresentamos à categoria teve por base a verdade referenciada e nossas intenções foram autênticas. Este exercício da democracia novamente mostrou-se fundamental para oxigenar a estrutura e a ação sindical. Ao final, todos saímos vitoriosos e mais fortalecidos. A luta continua, vamos adiante, superando todas as formas de intolerância, medo e opressão...
 

      Nosso muito obrigado aos professores sindicalizados que nos confiaram o voto!
 
Com os nossos melhores cumprimentos ao corpo docente da UFMT,
 
                                         Membros da Chapa 2 

Sexta, 07 Abril 2017 12:50

 

JUACY DA SILVA*
 

Ao longo de mais meio século a OMS –Organização Mundial da Saúde em 07 de Abril comemora o DIA MUNDIAL DA SAÚDE,  escolhendo  cada ano um tema para alertar as autoridades sanitárias de todos os países e também as organizações que representam a sociedade civil organizada  e a população em geral sobre problemas que atingem e afligem milhões de pessoas.


Esses  temas representam grandes desafios da saúde, principalmente da  saúde pública, enfim, verdadeiros flagelos que aterrorizam todos os países e causam enormes prejuízos econômicos, financeiros e humanos.


Este ano o tema  escolhido foi a depressão, inserida no contexto mais amplo da saúde mental, conforme o Plano de ação para o período de 2013 a 2020. Em 16 de outubro de 2016, Dia mundial da saúde mental, a OMS lançou um verdadeiro desafio objetivando a que todos os países redobrem os esforços para que mais pessoas procurem ajuda e os cuidados para  combater  a depressão e a ansiedade, uma porta aberta para o suicídio.


Segundo a OMS  a depressão é uma doença mental caracterizada por tristeza persistente, a perda de interesse  em atividades que as pessoas realizam rotineiramente, acompanhada de falta de  habilidade para realizar tarefas e atividades diárias, por pelo menos duas semanas seguidas.


Ainda segundo a OMS, a depressão apresenta  algumas características como : perda de energia, mudança/perda de apetite, perturbações no sono, inclusive insônia, ansiedade, angústia, redução na concentração, indecisão, procrastinação, cansaço constante. Alguns especialistas costumam dizer que a depressão é a doença da tristeza.


Muita gente imagina que depressão não é  uma doença grave.  Ledo  engano, depressão é doença séria, precisa ser diagnosticada e tratada, através de cuidados proporcionados por especialistas como psicólogos, analistas, psiquiatras. A depressão, em sua fase aguda, pode conduzir ao suicídio, outro grande desafio da saúde pública em todos os países.


Entre 1990 e 2013 o número de pessoas com depressão  aumentou em 50% e ainda segundo a OMS em torno de 10% da população mundial sofre de depressão. Em 2017 existem no mundo nada menos do que 750 milhões de pessoas com depressão.  Em alguns países esses índices podem atingir até 20% da população total.


O Brasil é um dos países com maiores índices e número de pessoas com depressão e ansiedade.  Em 2015 nada menos do que 5,8% da população, ou seja, 11,55  milhões de pessoas sofriam coma depressão, além de 18,66 milhões de pessoas ou  9,3% da população brasileira que sofriam  com ansiedade.  Tanto em relação à depressão quanto à ansiedade os índices no Brasil são maiores do que a grande maioria dos países, tanto das Américas quanto do resto do mundo.


Em termos mundiais o custo econômico e financeiro da depressão é de um trilhão de dólares, além dos custos humanos e familiares, incluindo muito sofrimento tanto das pessoas que sofrem com a depressão quanto seu círculo familiar , de amizade e de trabalho.


Como pontuado antes, a depressão é uma das principais causas do suicídio. Em torno de um milhão de pessoas cometem suicídio a cada ano no mundo e esses índices aumentaram 60%  entre  1970 quando o índice de suicídio era de 10 por cem mil habitantes  e 2015 quando o índice foi de 16 suicídios por cem mil habitantes.


Portanto, faz muito sentido quando a OMS escolheu o  lema  para o alerta deste dia mundial da saúde “Vamos falar de depressão”, afinal esta doença atinge pessoas de diferentes faixas etárias, etnia, religião, níveis sócio econômico e educacional e continua sendo um dos grandes desafios deste início de século.


Vamos refletir um pouco mais sobre este desafio.


*JUACY DA SILVA,  professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre  em sociologia, articulista de jornais, sites, blogs e outros veículos de  comunicação social. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Twitter@profjuacy Blog www.professorjuacy.blogspot.com

 

Quarta, 05 Abril 2017 09:41

 

Maria Aparecida Morgado

Dra. em Psicologia Social

 

Declaro meu voto na Chapa 1 pela coerência que existe entre o slogan “ADUFMAT DE LUTA: AUTÔNOMA E DEMOCRÁTICA!” e a prática político-sindical de seus integrantes.

 

Acabo de me aposentar com quase 35 anos de trabalho e tenho acompanhado as diretorias do Sindicato desde o início da carreira. E, para dizer a verdade, ver os colegas da Chapa 1 em ação me deu esperanças para resistir ao inexorável, parafraseando Chico Buarque.

 

Tivemos momentos de grande combatividade de diretorias e momentos de pouca combatividade. Desde o governo Fernando Henrique Cardoso o sindicalismo, em geral, e o ANDES-SN, em particular, veio apresentando certa distensão entre a condução de decisões políticas do Sindicato Nacional e as bases docentes.

 

Evidentemente, naquele momento FHC o chamado Neoliberalismo que vinha sendo implantado no mundo chegou ao Brasil. As consequências desse modelo político-econômico para o sindicalismo brasileiro foi desastrosa, pois tirou dos trabalhadores o poder de barganha nas reivindicações salariais dentre outras.

 

Nossas condições de trabalho docente, assim como nossos salários vieram se depauperando desde então, com melhoras pontuais, tímidas e insuficientes. O nosso salário base foi assimilado a uma colcha de penduricalhos e gratificações disso e daquilo, que podem nos ser subtraídas a qualquer instante.

 

Estamos em um momento político vital para a sociedade brasileira. Foram congelados por muitos anos os investimentos em saúde e educação e os efeitos desse congelamento já se fazem sentir na UFMT e em outras universidades federais e instituições de ensino técnico.

 

Estive na Assembléia do ano passado em que votamos pela paralisação ou não de nossas atividades no primeiro e segundo dia de votação da PEC pelo Senado. A Assembléia estava muito tensa, as posições políticas estavam muito polarizadas. Pude testemunhar a clareza política e paciência com que o professor Reginaldo Araújo e demais integrantes da mesa conduziram a Assembléia. Nesses momentos luta e embate é que o caráter das pessoas se revela.

 

Outros da Chapa 1 presentes na Assembléia divergiram do não à paralisação com clareza, sem perder a paciência e o respeito com os colegas da posição contrária e majoritária. Perdi no voto, mas fiquei feliz em viver aquele momento de maturidade sindical. Eu, que já estava desistindo da luta, recuperei meu fôlego.

 

Militarei no Movimento Sindical como aposentada doravante. Poderemos concordar ou divergir em nossas posições, mas o rumo dado à condução dos debates e embates de nosso interesse está sedimentado. Por um sindicalismo vigoroso na luta, hábil na prática democrática e sempre autônomo! Pela realização da política como arte da negociação! Pela eleição da Chapa 1!

Terça, 04 Abril 2017 15:29

 


 JUACY DA SILVA*

 

Se você mora em Cuiabá, Várzea Grande ou municípios da Baixada Cuiabana ou do que atualmente é denominado de VALE DO RIO CUIABÁ, em Mato Grosso, fique atento e participe da AUDIÊNCIA PÚBLICA  que será realizada HOJE, dia 03 de abril de 2017, na ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DE MATTO GROSSO, às 14:00 horas.


O assunto desta audiência pública é o tema da CAMPANHA DA FRATERNIDADE deste ano intitulado “BIOMAS BRASILEIROS E A DEFESA DA VIDA”. Este é  um chamamento tanto para católicos quanto não católicos para a situação do meio ambiente em nosso país, em nosso Estado e nossa Capital, que em breve estará comemorando 300 anos e ainda não conta  com uma adequada rede de coleta e tratamento de esgotos. Em decorrência o Rio Cuiabá recebe milhões de metros cúbicos de esgoto sem tratamento e está se transformando no maior esgoto a céu aberto da Região Centro Oeste.


O Estado de Mato Grosso possui em seu território parte de três biomas que  tem sido objeto de uma destruição e degradação acelerada, graças  ao modelo atual da expansão das fronteiras agrícolas, mineração clandestina, desmatamento, uso abusivo de agrotóxicos, contaminação dos cursos d'água, que estão transformando nossos rios e córregos, principalmente o Rio Cuiabá e seus afluentes em verdadeiros esgotos a céu aberto. Esses três biomas são a Amazônia,  o Cerrado e o Pantanal, declarado Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO/ONU.


É imperioso que a população e as autoridades federais, estaduais e municipais tomem consciência desses crimes ambientais e definam políticas públicas, inclusive políticas de saneamento básico e de controle do uso do solo e das águas antes que esses biomas, principalmente o Pantanal, o Cerrado e a Amazônia sejam destruídos de forma irreparável, afetando negativamente a qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável da região.


Se você puder, COMPARTILHE ESTA MENSAGEM e PARTICIPE DESTA AUDIÊNCIA PÚBLICA. A omissão é uma forma de conivência, passiva, com a destruição da natureza e a degradação ambiental.

 

*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre em sociologia, colaborador e articulista de jornais, sites, blogs e outros veículos de comunicação. Email O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. Blog www.professorjuacy.blogspot.com Twitter@profjuacy

 

Segunda, 03 Abril 2017 14:09

 

“Vai, meu irmão

Pega esse avião

Você tem razão de correr assim

Desse frio, mas beija

O meu Rio de Janeiro

Antes que um aventureiro

Lance mão”

(Toquinho, Vinícius e Chico)

 

Da epígrafe acima, sugiro que ao lê-la seja feita a troca do Rio de Janeiro, lá referido, pelo nosso espaço sindical, ou seja, a ADUFMAT-Seção Sindical do ANDES-SN, que se encontra em campanha eleitoral para o biênio 2017-19.

Duas chapas estão na disputa. A Chapa 1 (“ADUFMAT DE LUTA: AUTÔNOMA E DEMOCRÁTICA!”) é (re)conhecida por ser, de fato, de constante luta em nossa entidade. A Chapa 2 (“Inovação e Inclusão em Foco”) parece mais ser uma junção de colegas que – de uma hora para outra – resolveram se aventurar no espaço sindical.

De antemão, alerto: em tempo de tantas dificuldades, não podemos errar nosso voto nessas eleições. Os sindicatos combativos são importantíssimos em momentos tais. No caso em pauta, fragilizar neste momento a ADUFMAT é jogar a categoria que representa em espaço ainda mais enfraquecido.

Mas como acertar o nosso voto?

Primeiro, procurando informações do histórico dos componentes das duas chapas no cotidiano de nossa entidade, bem como na atuação profissional de cada um em seus departamentos. Nessas horas, toda informação que se tiver é fundamental. Depois, comparando o material de campanha. A diferença é brutal. Ela se explícita em atos concretos dos candidatos; por consequência lógica, essa abissal diferença das práticas sindicais de cada um se reflete em toda linha do material de campanha de ambos os agrupamentos.  

De minha parte, como tive o privilégio de conhecer ao longo de três décadas praticamente todos os componentes de ambas as chapas, declaro publicamente, com muita tranquilidade, meu voto na CHAPA 1.

Feita a declaração de meu voto, passo a expor alguns dos motivos concretos dessa opção:

Começo trazendo à tona a coerência do título da Chapa 1: “ADUFMAT DE LUTA, AUTÔNOMA E DEMOCRÁTICA”.

Desse registro, tomo um capítulo bem recente de uma longa novela que começou em uma Assembleia Geral (AG) da Adufmat, lá pelos idos 1993 ou 94, quando eu tive a honra de ter presidido nossa entidade sindical: a ação dos 28,86%.

Na mais recente tentativa de atrapalharem judicialmente o recebimento desse direito já adquirido, o atual presidente da Adufmat, professor Reginaldo Araújo, candidato à reeleição pela CHAPA 1, junto com docentes combativos que sempre estão lhe dando apoio, foi para o enfrentamento concreto com a reitoria da UFMT, demonstrando força na LUTA e plena AUTONOMIA de seus atos junto à Administração Superior. LUTA E AUTONOMIA respaldadas pelas decisões DEMOCRÁTICAS de nossas AG, das quais raramente me ausento.

Nesse sentido, reforço que o Professor Reginaldo Araújo tem se demonstrado ser um docente que exercita a democracia na UFMT. Logo, continuou a lutar pela extensão dos 28,86% PARA TODOS, e não apenas para os mais antigos das listas, como queria um grupo, por medo de que todos perdessem a ação, caso os professores contratados mais recentemente fossem incorporados à ação. Nunca os candidatos da CHAPA 1 e seus apoiadores cederam a essas pressões, que não foram poucas. Assim agindo, todos estamos recebendo esse direito conquistado. É uma vitória da Adufmat, capitaneada, repito, pelo professor Reginaldo.  

Portanto, não têm faltado ações concretas por parte do candidato Reginaldo Araújo – conhecido por mim há mais de vinte anos, desde quando fora vibrante discente do curso de História – para a manutenção desse importantíssimo direito adquirido. No contracheque de março, estão garantidos, pois, os nossos 28,86%.

A sua característica de presidir a Adufmat em parceria harmônica com outros docentes com visível prática democrática fê-lo legar ao ANDES-SN, em janeiro deste ano, um dos congressos nacionais melhores organizados por nossa entidade nacional. Participei ativamente na organização desse evento. De docentes do Brasil inteiro, só ouvimos considerações positivas.

Mas além do professor Reginaldo Araújo, a CHAPA 1 nos brinda com nomes de tirar o chapéu, política e academicamente. Não me lembro de nenhuma composição de chapa tão coesa e tão forte para a luta diária da Adufmat. De nenhum dos componentes há da CHAPA 1 há algo que possa desabonar eventual atuação sindical. Cada qual a seu modo tem demonstrado presença no cotidiano da Adufmat, seja no campus de Cuiabá/Várzea Grande, seja nos campi de Sinop e Pontal do Araguaia.

Na composição da CHAPA 1, há importante mescla entre docentes mais antigos e mais recentes na Instituição. Mais: há a presença de docentes que atuam no interior do Estado: Sinop e Pontal do Araguaia. Sindicalmente, isso é muito relevante. Pela mescla, há a garantia do diálogo respeitoso entre diferentes gerações. Pela presença das professoras Onice Dall’Oglio (de Sinop) e Adriana Queiros (de Pontal do Araguaia), aprovadas nos últimos concursos da Instituição, mantém-se a ponte necessária entre o conjunto dos professores. Quando temos representantes do interior, o diálogo é sempre mais rápido e qualificado.

Dos demais componentes (professores Maelison Neves, Alair Silveira, José Ricardo e Maria Adenir) só respeito e muita admiração. Com a maioria desses, tenho tido a oportunidade de aprender sempre por meio dos qualificados debates que todos ajudam a estabelecer no cotidiano da Adufmat. A maioria, invariavelmente, está sempre à frente da organização das mais variadas atividades em nosso sindicato. Está sempre voltada para a verdadeira valorização de nossa categoria.

Nesse sentido, durante a última greve, esse valioso conjunto de colegas da Adufmat foi protagonista dos melhores debates que nossa entidade já realizou sobre as seguintes contrarreformas: da Previdência; Política; Trabalhista e Sindical; Tributária; Universitária e do Estado.

Enfim, resumidamente, votarei na CHAPA 1 por ter a certeza de que:

  1. poderei continuar tendo um sindicato AUTÔNOMO, DEMOCRÁTICO E COMBATIVO;
  2. continuarei a ter um sindicato preocupado com o fortalecimento das relações entre os campi da UFMT;
  3. terei a certeza de poder ajudar os componentes da CHAPA 1 a continuar lutando pela “Universidade pública, gratuita, de qualidade, laica e socialmente referenciada;
  4. terei diretores empenhados diuturnamente na LUTA pela DEMOCRACIA interna na UFMT; por consequência, terei a certeza de que não faltará empenho para a qualificação de nossas relações de trabalho, como a necessária e incisiva luta para defender a Resolução Alternativa à Resolução 158 no CONSEPE;
  5. no plano da gestão sindical, não terei nenhuma dúvida de que os componentes da CHAPA 1 garantirão a transparência política, administrativa e financeira da ADUFMAT, como já é feita na atual gestão de Reginaldo Araújo. Qualquer coisa que for dita em sentido contrário, durante esta campanha, faz parte das maledicências costumeiras de alguns colegas, cuja reputação é no mínimo duvidosa;
  6. os colegas já aposentados, dentre outras, terão a intransigente defesa de isonomia salarial com os docentes que ainda não se aposentaram;
  7. a importante solidariedade classista permanecerá em nosso meio, destacando para isso, ações conjuntas com outras entidades sindicais.

 

Mas se esses são alguns dos motivos pelos quais votarei na CHAPA 1, passarei agora a dizer alguns dos porquês não votaria na Chapa 2.

Começo também pelo estranho título dessa chapa: “Inovação e Inclusão em Foco”. Digo “estranho” para não dizer “perigoso”. Esse título aponta indícios de riscos à vista. Seja como for, indago: inovar em quê?

Seria essa inovação alguma intenção de transformar a Adufmat em um tipo de banco que pretendesse salvar as finanças de alguns sindicalizados com dificuldades econômicas, como parece sugerir o item 10, do “Programa” dessa chapa: “Buscar novas alternativas de apoio e crédito aos docentes”?

Se for isso, e caso uma chapa desse tipo à lá associação de cooperados vencesse as eleições, quem fecharia as portas por asfixia financeira, em pouco tempo, seria a própria ADUFMAT.

Mesmo compreendendo a situação de quem se encontra em dificuldades econômicas, digo: nossa entidade não é banco; nossos diretores não podem fazer papel de agentes do sistema. Sequer podem – ou mesmo têm condições concretas – servir de ponte para isso. No mais, o Regimento da ADUFMAT e o Estatuto do ANDES-SN, do qual somos filiados, impedem e continuarão a impedir quaisquer movimentos nesse sentido. Portanto, não se iludam. Isso é propaganda enganosa e sindicalmente irresponsável.

Seguindo, continuo a indagar: de que tipo de inclusão a Chapa 2 se refere?

Até onde sei, não participa das AG da Adufmat o professor que deliberadamente não quer, como p, ex., a ampla maioria dos componentes da Chapa 2. Raramente um ou outro é visto em AG de nosso Sindicato. A candidata à Vice-Presidente, p. ex., em mais de três décadas de UFMT, não participou mais do que três ou quatro AG; se tanto. Tenho cá pra mim que estou sendo até generoso nessa conta.

Logo, quando lá está, só não usa a voz a que tem direito o sindicalizado que não quer se envolver mais diretamente nos debates, que, aliás, são o que sustentam um sindicato. Aqui é bom lembrar: a Adufmat deixou de ser associação para ser um sindicato logo após a promulgação da atual Constituição.

Infelizmente, não há na UFMT nenhum outro espaço mais democrático do que as AG da Adufmat. Ali, discutimos tudo e com todos; e, claro, com muita vibração política. Agora, a vida democrática tem regras e exige preparo político. Quem não estuda e nem é democrático não se envolve e nem se reconhece nesse riquíssimo universo, que é de todos e para todos nós. Eu nunca abri mão desse espaço. Desde que me tornei professor da UFMT, sem nunca fragilizar ou comprometer meu rigor acadêmico, sempre me reconheci na militância, aprendendo com colegas mais experientes e livros pertinentes. Por isso, aprendi a saber quem é quem no cotidiano da Adufmat.

Portanto, pergunto: quem essa chapa pretende incluir?

Todos os que querem, repito, já estão incluídos. Nesse sentido, as AG de greves são exemplos cabais disso. As diferentes posições políticas e visões sindicais se confrontam sempre em tais momentos. Do forte confronto político, todos os sindicalizados presentes têm definido tudo no voto. Por questões óbvias e por conta de decisão judicial, os não-sindicalizados não votam. Mas isso é opção do docente. No mais, a qualquer momento, todo professor da UFMT, inclusive os substitutos, podem se sindicalizar e ajudar no fortalecimento da Adufmat. Na essência, o título da Chapa 2 mostra, com clareza, a limitação política e o abandono por parte de seus componentes do espaço mais democrático da UFMT: as AG da ADUFMAT.

Ao explicitar essa limitação e esse distanciamento da vida democrática de nossa Instituição e de nossa Entidade Sindical, a Chapa 2 se torna um risco para o cotidiano da ADUFMAT, e justamente quando mais precisamos de sindicato combativo e não de colegas sem o menor preparo – político e emocional – para essa luta.

Se até aqui falei do título e do distanciamento político-sindical que a maioria dos componentes da Chapa 2 apresenta, agora, passo a falar da carta “Como vai professor?”, que esse grupo distribuiu aos eleitores.

De modo geral, digo que alguns enunciados constantes nessa Carta da Chapa 2 são absolutamente vazios de conteúdo, quando não faltam com a verdade. Nesse sentido, destaco já na abertura do texto a afirmação de que “A Adufmat-SSind constitui-se como uma instituição (sic., pois se trata de uma entidade de classe e não de instituição) autônoma, democrática e de luta docente...”.

Pergunto: luta de quem?

Pelo histórico que acabo de apresentar, JAMAIS dos colegas da Chapa 2. Os docentes que de fato estabelecem a luta no cotidiano da ADUFMAT estão indiscutivelmente na CHAPA 1. Portanto, os colegas da Chapa 2, com exceção de dois dos componentes, não têm lastro algum para falar de luta. E olhem que a “luta” desses dois não é classista: é focalizada; por isso, no plano político, é invariavelmente equivocada. A maioria dos componentes da Chapa 2 mal deve saber onde fica a sede de nosso sindicato.

No segundo parágrafo desse mesmo texto empolado, lemos sobre a importância da defesa da educação, vista como o “...maior patrimônio da humanidade”.

Pergunto novamente: como pode essa chapa dizer isso, tendo como membros colegas que desrespeitaram suas atividades acadêmicas durante todo o tempo de vida ativa em seus departamentos?

Indago isso porque sou do departamento (Letras/IL) de um dos componentes dessa chapa. A referida candidata pela Chapa 2 sequer foi aceita para ser professora voluntária em nosso espaço de trabalho. Sua solicitação para trabalhar voluntariamente em Letras, assim que sua aposentadoria foi deferida, não obteve um voto sequer dos presentes em uma concorrida reunião de departamento; e olhem que estávamos precisando de docentes em sua área! Será por quê?

Mais: um outro componente da Chapa 2 também não tem pavimento para falar de qualidade no ensino. Motivo: na condição de um estudante do Curso de Ciências Sociais na UFMT, ao invés de aproveitar as leituras acadêmicas que lhes eram solicitadas, resolveu processar uma de suas docentes, reconhecida e respeitada exatamente por sua seriedade e pelo seu rigor acadêmico. Por contingências, essa professora que sofrera processo é a candidata à Diretoria Tesoureira pela CHAPA 1. Pela proximidade que tenho com essa professora processada, afirmo se tratar de uma das colegas mais dignas que a educação poderia ter em nosso Estado. Portanto, esse discurso da Chapa 2 é absolutamente estéril. Não tem lastro algum.  

Outro destaque da Carta da Chapa 2 que faço está no 5° par., 3ª linha, onde é dito que “(...) A revolução começará no nosso lar sindical!”

Aqui, confesso ter levado um susto. Embora eu tenha uma militância de mais de 30 anos, e tenha sido inclusive um dos presidentes da Adufmat, nunca vi o espaço sindical como meu lar. Sempre o vi e vivi como a arena política democrática dos melhores debates dos quais já pude participar. Assim, tenho aprendido muito com vários colegas. Alguns deles estão na CHAPA 1, obviamente.

Em minha opinião, quando tomamos uma entidade como se fosse o “nosso lar”, podemos dar espaço para pessoas usarem como quiser o nosso sindicato. Aliás, nesse sentido, repito, pelo menos uma candidata da Chapa 2 tem larga experiência: ela usou, por décadas, as dependências de Letras e do IL como se fossem espaços privados seus, dando ali aulas particulares para vestibulandos e/ou “concurseiros” vários. As provas e testemunhas humanas dessa afirmação são tão abundantes quanto explícitas. Aliás, essa prática foi só um dos motivos pelos quais os docentes de Letras não quiseram mais tê-la nem mesmo como professora voluntária. Esse tipo de colega serve para a Adufmat?

O último destaque desse texto está no meio do parágrafo seguinte: “...Medidas para a oxigenação e construção de uma democracia virtuosa no sindicato serão implementadas (...)”.

O conceito de “democracia virtuosa” está intimamente ligado à noção de moral, que se cola à lógica de certas religiões. Assim, necessária e paradoxalmente, não se aproxima da ética no campo político. Infelizmente, como a prática da democracia não é hábito de todos, a Chapa 2 resolveu inovar nisso. Espero que tal inovação não obtenha apoio, pois isso não nos qualifica para a árdua luta que temos pela frente.

Termino, pois, conclamando o voto de todos à CHAPA 1, que realmente é de LUTA, AUTÔNOMA E DEMOCRÁTICA. Não temos tempo para aventuras. Não podemos dar guarida a aventureiros sindicais.

Saudações!

Roberto Boaventura da Silva Sá

Dr. em Ciência da Comunicação/USP

Professor de Letras e Diretor do IL/UFMT

 

Sexta, 31 Março 2017 14:59

 

JUACY DA SILVA*

 

Mais um surto de doenças está alarmando a população brasileira. Depois de décadas de sufoco da DENGUE, vieram a chikungunya e a ZICA. Agora é a vez da FEBRE AMARELA que está apavorando a população de MINAS GERAIS, ESPÍRITO SANTO, RIO DE JANEIRO E nesses últimos dias a Bahia.


O alerta foi acionado quando dois macacos, que são considerados os “sentinelas naturais” para esta praga  foram encontrados em alguns bairros de Salvador, Bahia.  Segundo as autoridades sanitárias deverão ser vacinas mais de 1,2 milhões de pessoas, para evitar que um novo surto, igual ao que aconteceu em MINAS GERAIS, onde já morreram 137 pessoas em menos de três meses, venha a acontecer em uma área metropolitana, densamente povoada e com condições de saneamento básico extremamente precárias.


Todas essas doenças são transmitidas pelo mesmo mosquito, o AEDES AEGIPT. Está havendo um grande esforço por parte das autoridades sanitárias para conseguir  vacinar a população desses estados e dos municípios onde foram constatados casos confirmados  ou suspeitos de FEBRE AMARELA.


Aliás, em se tratando de saneamento básico, o Brasil é  uma vergonha, mais de 70% da população urbana brasileiro não possui esgotos coletados e tratados, córregos, rios, lagoas e até o mar e as nossas baias são verdadeiros depósitos de lixo e esgoto a céu aberto. Diante desta situação vergonhosa não é novidade que doenças de massa estejam proliferando e atormentando a população, principalmente, as camadas mais pobres que  vivem ou sobrevivem nessas áreas, enquanto nossos políticos, empresários e governantes continuam assaltando os cofres públicos e roubando dinheiro público que faz  falta para o saneamento básico e a saúde pública.


Se você reside  ou  pretende viajar para   os Estados de Minas Gerais, Bahia, Rio de janeiro ou Espírito Santo, é recomendável que se previna muito bem, veja se consegue se vacinar e procure outras orientações para se proteger e proteger sua família.


Antes os alertas, principalmente dos países da Europa, Estados Unidos e outros desenvolvidos,  aos turistas que pretendiam vir ao Brasil eram em relação à violência , agora, além das precauções contra a bandidagem também as pessoas devem  ter cuidado com essas doenças.

Lembre-se: Dengue, chikungunya, zika, febre amarela e corrupção matam, todo cuidado e pouco!


*JUACY DA SILVA, professor universitário, titular e aposentado UFMT, mestre  em sociologia, articulista e colaborador de jornais, sites, blogs e outros veículos de comunicação. 

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