Quarta, 13 Maio 2026 14:20

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Juacy da Silva*

 

“Muitas coisas devem reajustar o próprio rumo, mas, antes de tudo, é a humanidade que precisa mudar. Falta a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração”. Papa Francisco, Encíclica Laudato Si', Vaticano, 2015.

“Já se passaram oito anos desde a publicação da carta encíclica Laudato Si, quando quis partilhar com todos vós, irmãs e irmãos do nosso maltratado planeta, a minha profunda preocupação pelo cuidado da nossa casa comum. Mas, com o passar do tempo, dou-me conta de que não estamos a reagir de modo satisfatório, pois este mundo que nos acolhe está-se esboroando e talvez aproximando-se dum ponto de ruptura. Independentemente desta possibilidade, não há dúvida de que o impacto da mudança climática prejudicará cada vez mais a vida de muitas pessoas e famílias. Sentiremos os seus efeitos em termos de saúde, emprego, acesso aos recursos, habitação, migrações forçadas e noutros âmbitos”. Papa Francisco, 04/10/2023, na Exortação Laudate Deum, mensagem endereçada aos participantes da COP 28.

Promover uma educação ambiental radical envolve ir além de ações superficiais de reciclagem ou outras práticas de natureza mitigadora, mas sim ações com o objetivo de uma transformação mais profunda, focando nos comportamentos, nas atitudes, na mentalidade, nos valores, nos estilos de vida e, também ou principalmente, nas estruturas culturais, sociais, econômicas e políticas para enfrentar a crise ecológica, a cada dia mais grave, com consequências mais trágicas.

Por isso, também o Papa Leão XIV tem insistido que é preciso mudar as estruturas que geram a pobreza e a degradação ecológica e tem condenado o que seu antecessor (Papa Francisco) insistia dizendo tanto na “economia que mata”.

Neste sentido, a educação ambiental radical aproxima-se ou até mesmo passa a ser instrumento de “Conversão Ecológica”, mencionada e enfatizada pelo Papa Francisco na Encíclica Laudato Si'.

A conversão ecológica na Encíclica “Laudato Si”, prestes a completar onze anos de publicação no dia 24 deste mês de maio de 2026, é um chamado para uma transformação profunda nos corações, mentes, atitudes, comportamentos, enfim, no estilo de vida e nos sistemas econômicos que não respeitam a natureza, reconhecendo nossa contribuição para a crise socioambiental.

Não é apenas uma mudança técnica ou tecnológica, o chamado paradigma tecnocrático, mas um compromisso cristão mais profundo, de amor e da cidadania ecológica para um melhor cuidado com a “casa comum”, superando o consumismo, o desperdício, a degradação do planeta e a nossa indiferença diante da crise socioambiental e climática que estamos presenciando e sofrendo suas consequências.

Isso implica uma abordagem pedagógica, social, cultural, econômica, política e ética que questione os modelos, modos de produção e as relações de trabalho e de consumo/consumismo atuais.

Neste contexto, tanto os conceitos de conversão ecológica quanto os de educação ambiental/ecológica radical ou libertadora aproximam-se de dois outros conceitos tão enfatizados pelo Papa Francisco: economia da morte e economia da vida (Economia de Francisco e Clara).

Antes, porém, é fundamental identificarmos alguns aspectos importantes do conceito de conversão ecológica, entre os quais podemos mencionar: integração espiritual e ética, pois a conversão ecológica exige uma revisão profunda do estilo de vida, entendendo que o cuidado com o meio ambiente, com a natureza, é inseparável da dignidade humana, da justiça social, da justiça climática e dos direitos humanos e dos direitos das futuras gerações (justiça intergeracional).

Da mesma forma, é importante e fundamental termos em mente a dimensão da interconexão ou interligação entre todas as dimensões do viver humano e das relações entre natureza e humanidade, daí a ênfase de que “tudo está interligado”: fatores físicos, químicos, biológicos, sociais, políticos, econômicos e culturais. A degradação ambiental reflete também a degradação humana e as estruturas do pecado ecológico.

Outro aspecto a ser considerado é que precisamos, de fato, de uma grande mudança de paradigmas e, neste sentido, é imperioso rejeitar o paradigma tecnocrático e antropocêntrico, adotando uma “ecologia integral” que valoriza cada criatura e prioriza os mais frágeis, tendo sempre presente que “o gemido da terra” é também o gemido e grito dos pobres, excluídos e injustiçados.

Além disso, as ações concretas decorrentes de uma conversão ecológica precisam reconhecer a “dívida ecológica” de gerações e países e adotar comportamentos e ações solidárias, reparadoras, de responsabilidades coletivas nacionais e internacionais.

Feito isto, estaremos em condições de promover uma educação ambiental ou ecológica radical e libertadora, tanto nas residências e escolas, nas Igrejas, quanto em outros espaços, como nas comunidades, nos locais de trabalho, nas organizações públicas, privadas e não governamentais.

Os países ricos não podem continuar poluindo e destruindo o planeta impunemente e, em todos os países, é preciso definir responsabilidades em relação aos crimes ambientais/pecados ecológicos.

É neste contexto que emerge/surge a educação ambiental crítica e libertadora, ampliando e aprofundando o diálogo em relação...

Vejamos, por exemplo, algumas formas de promovermos uma educação ambiental/ecológica radical e libertadora em relação ao que está acontecendo com o planeta, a partir de cada território concretamente definido.

A primeira delas é a ênfase na importância e necessidade de uma transformação profunda, radical, de estilos de vida responsáveis pela degradação ambiental, pela destruição da natureza, da biodiversidade, combatendo os sistemas econômicos que não respeitam os “limites do planeta”, nem “nosso futuro comum”, e são orientados apenas por um imediatismo visando o lucro fácil, pouco se importando com a herança socioambiental a ser deixada para as futuras gerações, além das consequências já presentes na atualidade.

Esta é uma ação que visa despertar a consciência ambiental/ecológica em diferentes públicos e motivar as pessoas a promoverem mobilizações em busca da definição de políticas públicas tanto nas dimensões reparadoras quanto mitigadoras e também para a conservação e proteção dos biomas e ecossistemas.

Paralelamente a este despertar ecológico, através de um processo de mobilização coletiva, não podemos também ignorar a importância e o papel de ações de adaptação mitigadoras, tanto individuais quanto coletivas.

Essas são ações e mobilizações para combater o consumismo, os plásticos, o desperdício, todas as formas de degradação ambiental, a geração de lixo/resíduos sólidos, enfim, as diferentes formas de poluição do solo, das águas e do ar.

Despertar as pessoas, em todas as faixas etárias, para a necessidade de incentivarmos a economia circular, a reciclagem, a agroecologia, a arborização urbana, a importância das florestas, inclusive das florestas urbanas, a agricultura urbana, hortas domésticas, escolares e comunitárias para a produção orgânica; o incentivo às práticas de economia solidária; o uso de fontes renováveis de energia (incluindo sistemas cooperativos); a importância da moradia digna e o combate ao uso de combustíveis fósseis, responsáveis por 80% das emissões de gases de efeito estufa e que contribuem para a crise climática e suas consequências.

A educação ambiental radical, libertadora, neste sentido, é uma prática revolucionária, mas fundamentalmente de natureza pacífica, porque busca criar novas formas e estilos de vida baseados no respeito à natureza, em defesa da dignidade e dos direitos humanos, na valorização dos saberes tradicionais e ancestrais e na sustentabilidade plena, diferente dos atuais sistemas produtivos que ignoram a importância de uma mudança profunda dos paradigmas que os sustentam, distantes do bem comum e de uma espiritualidade ecológica que reconhece tudo como obras da criação.

Os conflitos que porventura surgem relacionados às questões socioambientais só existem devido à resistência de alguns setores políticos, econômicos e sociais que não reconhecem que só existe um planeta e que os chamados “recursos naturais” não são inesgotáveis e que todas as obras da criação, enfim, o planeta é um bem comum, ou seja, de todos, e não podem estar apenas sujeitos à lógica mercadológica e do lucro a ser acumulado “nas mãos” ou nas contas bancárias de uma minoria privilegiada, em detrimento do direito de todos/todas usufruírem desses bens e serviços produzidos.

A educação ambiental radical e libertadora é o único caminho que nos leva a uma cidadania ecológica plena e transformadora; por isso, vale a pena caminhar nesta direção.

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

Terça, 12 Maio 2026 17:41

 

 

Para quem perdeu a oportunidade de presenciar o incrível debate sobre trabalho realizado no auditório da Adufmat-Ssind entre os dias 05 e 08/05, organizado pelos Grupos de Trabalho Política e Formação Sindical (GTPFS) e Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), uma boa notícia: os vídeos do Seminário "SERÁ O FIM DO TRABALHO? Universidade, IA e Mundo do Trabalho: quais perspectivas?" já estão disponíveis.


Enquanto o capitalismo tenta nos convencer de que a Inteligência Artificial é uma espécie de divindade redentora — e não apenas mais uma ferramenta para espremer o que resta da nossa força de trabalho —, os Grupos de Trabalho e a Adufmat-Ssind reuniram mentes que avaliam vários aspectos deste processo. Abaixo, destacamos alguns pontos do necessário debate realizado em cada um dos dias, que indicam, primeiro, uma "barbárie previsível" e já visível, e segundo, que a saída para tudo isso só pode ser coletiva.


05/05 – Mesa: Análise de Conjuntura


A abertura do seminário refutou categoricamente a tese do "fim do trabalho". A professora Alair Silveira recebeu os convidados e demais participantes afirmando que não se pode pensar no futuro sem compreender o passado.


O professor Breno Santos (UFMT) pontuou que o que testemunhamos são novas formas de exploração sobre velhas relações capitalistas, agravadas pelo neofascismo e pela ofensiva imperialista. Santos provocou a audiência ao traçar paralelos entre o embargo econômico sofrido por Cuba há 65 anos e as "guerras não convencionais" do cotidiano brasileiro, como o arrocho fiscal que naturaliza a perda de direitos.


Em sua análise, a docente Lélica Lacerda (UFMT) trouxe a urgência da interseccionalidade, demonstrando como gênero, raça e classe são marcadores que hierarquizam a vida desde a Grécia Antiga. Citando Mészáros, ela discutiu a crise estrutural do capital iniciada na década de 1970 e como o discurso neoconservador substitui o debate racional pelo "pânico moral" para minar direitos.


Já Rodrigo Castelo (UNIRIO) resgatou autores clássicos para definir o fascismo como um projeto burguês que captura países dependentes, reforçando que a derrota da classe trabalhadora começa na própria organização da produção.


Clique aqui para assistir ao debate do dia 05/05/25

 

06/05 – Mesa: Mundo do Trabalho, Estado e Sociedade


No segundo dia, a centralidade da categoria Trabalho foi reafirmada.

A professora Patrícia Félix (UFMT) lembrou que a história brasileira não pode ignorar a escravidão e denunciou que mesmo a Inteligência Artificial depende de um "exército de microtarefas", precarizado e residente no sul global. “A Inteligência Artificial depende do trabalho humano precarizado, para testar as tecnologias de aplicativos e softwares, por meio de microtarefas que pagam milésimos de dólares aos trabalhadores do sul global”, afirmou.


O Estado, por sua vez, foi descrito pela convidada Patrícia Acs (Mulheres em Luta), numa perspectiva militantes, não como um mediador neutro, mas como um agente do capital que investe no aparato penal enquanto sucateia serviços públicos e avança na militarização das escolas, disseminando a ideia de que o trabalho deve ser alienado e disciplinado.


A professora Adriana Penna (UFF) aprofundou a análise a respeito da Educação, alertando para a "lógica da parceria público-privada" e a influência de organizações internacionais como o Banco Mundial na modelagem de um trabalhador "adaptável" à barbárie. Penna ironizou a valorização do perfil de "influencer" em detrimento da docência, enquanto o mercado monetiza a pobreza sob o verniz do "desenvolvimento sustentável" e do "empoderamento" individualista.


A docente da Federal Fluminense apresentou uma série de dados em um slide, que está disponível para consultas aqui.

 
Clique aqui para assistir ao debate do dia 06/05/25



07/05 – Mesa: Universidade, Trabalho e Inteligência Artificial


O debate sobre tecnologia foi introduzido pela docente Josiane Oliveira (UFMT), que definiu a atual posição do Brasil como um "treinador" de IAs para economias centrais — um verdadeiro colonialismo de dados.

 

O professor Aldi Nestor de Souza (UFMT) reforçou a perspectiva marxista de que tudo o que “não dá no pé” é fruto do trabalho humano, denunciando o uso ideológico da IA para exercer coação e medo sobre os trabalhadores.

 

Encerrando a mesa, o presidente do IBGE, professor Márcio Pochmann, trouxe dados sobre a reconfiguração do território brasileiro, comparando o cenário atual de falta de planejamento e favelização com a realidade de um século atrás.

Pochmann destacou que a era digital eliminou as fronteiras entre casa e trabalho, fazendo com que o usuário realize, de forma não paga, tarefas que antes eram funções remuneradas, como os serviços bancários. “Nós estamos reproduzindo, nesta nova sociedade, instrumentos e formas do passado, com o aumento da exploração”, disse.

 

Clique aqui para assistir ao debate do dia 07/05/25

 

08/05 – Mesa: Quais as perspectivas de futuro se constroem do passado e do presente?

 

O encerramento contou com a presença emblemática de Waldir Bertúlio, cuja trajetória se confunde com a própria história da UFMT. Como primeiro presidente da Adufmat-Ssind, Bertúlio foi peça central na resistência sindical e na organização docente durante os anos de chumbo da ditadura empresarial-militar.

 

Neste contexto, a professora Alair Silveira (UFMT) apresentou uma análise contundente sobre o refluxo organizativo da classe, enfatizando a urgência de uma campanha contra a naturalização do trabalho sem direitos, um fenômeno contemporâneo onde a precarização passa a ser aceita como um dado imutável da realidade.

 

Para a docente, o Movimento Sindical atravessa um momento de estreitamento político, no qual a luta tem se limitado perigosamente aos marcos da legislação, perdendo de vista o enfrentamento direto e a disputa de projeto de sociedade. A classe trabalhadora está, gradualmente, abrindo mão da radicalidade necessária para confrontar o capital, e é preciso recuperar essa radicalidade.


Por fim, Plínio de Arruda Sampaio Jr. (Unicamp) apresentou uma leitura implacável do "capitalismo da barbárie", alertando para o colapso ambiental iminente. Para o docente, o desafio da classe trabalhadora é romper com a lógica de escolher o "menos pior" e buscar uma direção estratégica que vá, efetivamente, além do capital. Sem ilusões, ele reafirmou o horizonte comunista como o único norte capaz de frear a devastação em curso

 

Clique aqui para assistir ao debate do dia 08/05/25

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Terça, 12 Maio 2026 11:18

 

A Adufmat-Ssind está com inscrições abertas para a segunda edição do evento “Territórios Amazônicos – Educação, Direitos e Resistência”, que será realizado entre os dias 18 e 21/05, em Sinop. A programação reunirá representantes da comunidade acadêmica, movimentos sociais, povos indígenas, agricultores familiares, comunidades tradicionais e demais interessados em debater os desafios enfrentados pelos territórios amazônicos e o papel da educação pública na transformação social.

O encontro propõe reflexões sobre temas centrais para a região amazônica, como reforma agrária, agroecologia, degradação ambiental, justiça social, sustentabilidade, resistência popular e garantia de direitos. Segundo a organização, o evento busca fortalecer espaços democráticos de troca de saberes e construção coletiva diante do avanço das desigualdades sociais, territoriais e socioambientais.

A programação será realizada presencialmente na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), campus de Sinop, e contará com mesas de debate, atividades culturais, rodas de conversa e participação de diversos segmentos sociais ligados às lutas em defesa dos territórios amazônicos.

O “Territórios Amazônicos II” pretende consolidar um espaço popular de diálogo entre universidade e sociedade, articulando educação pública, direitos humanos e resistência social em defesa da Amazônia e de seus povos.

As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pela plataforma oficial do evento. Haverá certificação para os participantes. 

Faça aqui sua inscrição – Territórios Amazônicos II

 

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Segunda, 11 Maio 2026 16:16

 

Entre os dias 11 e 14 de maio, o Fórum das Entidades Nacionais de Servidores Públicos Federais (Fonasefe) articula em Brasília (DF) uma força-tarefa para pressionar os parlamentares. O objetivo é propor a inclusão de emendas e aprovar o Projeto de Lei 1.893/2026, enviado pelo Poder Executivo ao Congresso, que regulamenta o direito à negociação coletiva no serviço público.

Há mais de uma década, o ANDES-SN e as demais entidades que compõem o Fonasefe reivindicam uma lei que garanta a aplicação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O Estado Brasileiro validou este Tratado internacional em 2010, e, apesar de ter entrado em vigor em 2011, ainda não existe uma lei específica no Brasil para assegurar sua aplicação.

A Convenção 151 garante a servidoras e servidores públicos — sejam municipais, estaduais ou federais — o direito à liberdade sindical, com garantias básicas de proteção contra atos de discriminação e perseguição que possam prejudicar sua atividade sindical.

Para o Fonasefe, o PL 1.893/2026 é uma resposta à demanda histórica do funcionalismo público. O Fórum busca agora ampliar a mobilização para garantir que pontos cruciais sejam incorporados ao projeto, como o direito de greve regulamentado, e também que avanços já presentes no texto não sejam retirados pelos deputados e pelas deputadas.

Apesar dos limites, o Fonasefe considera o PL 1.893/2026 um avanço e destaca que a luta é pelo projeto completo de implementação da Convenção 151 da OIT. “Agora é hora de pressão total no Congresso Nacional para que, finalmente, possamos ter os mesmos direitos de organização que os trabalhadores do setor privado já possuem”, afirma o Fórum, em nota.

Fonte: Fonasefe (com edição do ANDES-SN)

Segunda, 11 Maio 2026 14:50

 

 

Na madrugada de sábado (10) para domingo (11), a Polícia Militar de São Paulo invadiu o prédio da Reitoria da Universidade de São Paulo (USP) para retirar cerca de 150 estudantes que ocupavam o espaço desde quinta-feira (7). Em greve há quase um mês, o movimento estudantil exige a reabertura de negociações com o reitor Aluísio Segurado. 


Operação foi realizada sem mandado judicial na madrugada deste domingo (10) | Crédito: DCE USP/Reprodução/Redes Sociais


A ação truculenta contou com 50 policiais e deixou várias pessoas feridas. De acordo com a reitoria, a PM não comunicou previamente a administração da universidade sobre a operação. No entanto, gestão da USP havia informado à Secretaria de Segurança Pública sobre a ocupação do prédio e, desde sexta-feira (8), a PM e o Batalhão de Ações Especiais (BAEP) estavam na área do prédio.


O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP informou que houve seis feridos levados para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Rio Pequeno. Dois já foram liberados e quatro continuam internados, sendo que um deles teve o nariz fraturado. Segundo o DCE, os policiais usaram bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e cassetetes que feriram as e os estudantes.


Em nota, o ANDES-SN repudiou veementemente a ação violenta e truculenta da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Para a entidade, a operação evidencia uma escalada repressiva incompatível com os princípios democráticos que devem orientar a vida universitária. “É extremamente grave que reivindicações estudantis legítimas sejam respondidas com violência policial em uma das universidades de maior referência acadêmica e científica da América Latina”, afirmou o Sindicato Nacional.


Para o ANDES-SN, o episódio torna-se ainda mais preocupante diante do abandono, por parte da Reitoria da USP, dos canais de diálogo e de negociação. As e os estudantes buscavam retomar as negociações após o encerramento unilateral das tratativas, anunciado pela própria Reitoria à imprensa durante a reunião de negociação da data-base entre o Fórum das Seis e o Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Curesp), na última segunda-feira (4). 


“A ocupação da reitoria expressava a justa reivindicação de um espaço legítimo de interlocução e de diálogo político, condição básica de uma universidade comprometida com a democracia interna e com a educação pública e de qualidade”, ressaltou o Sindicato. 


A entidade se solidarizou com as e os estudantes, bem como com toda a universidade uspiana. “Reafirmamos que a universidade deve cumprir seu papel social e, sobretudo, pedagógico, na construção de formas democráticas de resolução de conflitos e não recorrer à violência de Estado para silenciar a legítima mobilização estudantil”, concluiu a nota do ANDES-SN. Leia aqui a íntegra da nota.


O Fórum das Seis – que congrega as entidades sindicais e estudantis da Unesp, Unicamp, USP e Centro Paula Souza – também repudiou a violenta ação policial na reitoria da USP.  O Fórum ressalta a ilegalidade da ação policial, sem determinação de reintegração de posse e feita na madrugada, e responsabiliza o reitor da USP e do governador Tarcísio de Freitas que, segundo notícias na imprensa, a planejaram detalhadamente nos últimos dias.


“As cenas de violência da ação policial mancham a história da USP, trazendo à lembrança os sombrios períodos da ditadura militar-empresarial. 
Universidade pública é local de diálogo democrático! O Fórum das Seis insta o reitor Aluísio Segurado a reabrir as negociações com as entidades representativas e dialogar efetivamente sobre as justas reivindicações dos estudantes, que lutam por condições dignas de estudo e permanência”, afirmou em nota.

Reivindicações estudantis

A principal reivindicação do movimento estudantil é o reajuste das bolsas do Programa de Apoio à Permanência e Formação Estudantil (PAPFE). De acordo com o DCE da USP, na primeira mesa de negociação, a reitoria informou que não seria possível aumentar ou reajustar nenhum valor, mas na segunda mesa voltou atrás e apresentou um reajuste de R$ 27 e, para os moradores do Cruesp, um aumento de só R$ 5 no valor do auxílio. “O que estamos exigindo agora, que é a principal demanda dos estudantes, é sobretudo o aumento do auxílio”, afirmou em coletiva de imprensa, na noite de quinta (7), Rosa Baptista Miranda, integrante da direção do DCE-Livre.

“Esse processo de mobilização é na verdade uma resposta à negligência da Reitoria. É uma resposta daqueles que estão cansados de ser ignorados por um órgão que deveria atender e ouvir os seus estudantes”, acrescentou. Na ocasião, a estudante reconheceu que houve avanço nas negociações, com a revogação de uma minuta sobre os espaços estudantis e o estudo da criação de cotas trans e indígenas para acesso à USP. No entanto, na sequência, o processo diálogo foi interrompido unilateralmente por parte do reitor Aluísio Segurado.

Fonte: Andes-SN (com informações da Agência Brasil e Adusp SSind.)

Segunda, 11 Maio 2026 10:37

 

Circular nº 183/2026

Brasília, 8 de maio de 2026.

 

Às Seções Sindicais, às Secretarias Regionais e às(aos) Diretoras(es) do ANDES-SN

 

Assunto: Convoca reunião e informa pauta e programação do Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia (GTC&T).

 

Companheiras(os),

 

A Coordenação do Grupo de Trabalho de Ciência e Tecnologia (GTC&T) convoca a categoria para reunião que ocorrerá em Brasília (DF), na sede do ANDES-SN, nos dias 12 e 13 de junho 2026, conforme pauta e programação abaixo:

 

SEXTA-FEIRA, 12 DE JUNHO DE 2026

  • 14h às 16h: Informes da Diretoria do ANDES-SN e das seções sindicais;
  • 16h às 16h30: Lanche;
  • 16h30 às 19h: Painel: Impactos socioambientais das big techs no Brasil, o avanço dos interesses minerários impulsionados pelo PL nº 2.780/2024 e os desafios colocados à soberania nacional e popular diante da crescente dependência tecnológica e extrativista.

SÁBADO, 13 DE JUNHO DE 2026

  • ·         9h às 12h: Resoluções do 44º Congresso e encaminhamentos.

 

Ressaltamos que, em cumprimento à deliberação do 44º CONGRESSO que prevê uma articulação entre o GTC&T e o GTPAUA para debater a influência das empresas de tecnologia e a expansão do setor minerário no contexto brasileiro, o painel de sexta-feira à tarde será realizado de forma conjunta com o Grupo de Trabalho de Política Agrária, Urbana e Ambiental (GTPAUA).

Nesse sentido, estendemos o convite às(aos) representantes das seções sindicais integrantes do GTPAUA para participarem do referido painel que acontecerá no dia 12 de junho, das 16h às 19h.

A confirmação da participação, de até duas representações por seção sindical, na reunião do GTC&T deve ser realizada por meio do preenchimento do formulário disponível no link enviado às secretarias até o dia 8 de junho 2026, (segunda-feira).

As seções sindicais que quiserem socializar seus informes para reunião do GTC&T devem enviá-los até às 12 horas do dia 8 de junho de 2026 (segunda-feira), exclusivamente por formulário disponível no link também enviado às secretarias para serem publicados junto ao relatório da reunião.

Sem mais para o momento, aproveitamos a oportunidade para renovar nossas cordiais saudações.

 

Prof.ª  Fernanda Maria da Costa Vieira

Secretária-Geral

Segunda, 11 Maio 2026 10:24

 

A Assembleia Geral da ADUFMAT, realizada no dia 06 de maio de 2026, aprovou Moção de Solidariedade ao dirigente nacional da CSP-Conlutas e PSTU, José Maria Almeida, tendo em vista a condenação imposta pela 4ª Vara Criminal Federal de São Paulo, por suposto crime de racismo.

Resultado de um processo movido por entidades sionistas (CONIB e FISESP), a criminalização do dirigente teve como fundamento sua defesa intransigente do povo palestino e o seu repúdio às ações sionistas do governo israelense.

Na prática, a condenação do líder político e sindical Zé Maria está amparada em uma deliberada decisão de confundir antissionismo com antissemitismo, impedir a livre manifestação e a defesa do povo palestino.

Em resumo, trata-se de uma evidente condenação de caráter político, pautada pela tentativa de silenciamento de vozes e manifestações antissionistas.

 

 


Assembleia Geral da Adufmat-Seção Sindical do Andes - Sindicato Nacional
Cuiabá-MT, 06 de maio de 2026.

Sexta, 08 Maio 2026 21:22

 

 

Começou, nesta sexta-feira, 08/05, o XVII Encontro da Regional Pantanal do Andes-Sindicato Nacional, na sede da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind), em Cuiabá. Serão dois dias de atividades com o objetivo de debater e encaminhar deliberações e planos de luta do sindicato nacional, além de promover a articulação entre as seções sindicais e intensificar a unidade de ação no âmbito da educação superior.


A programação teve início pela manhã, com visitação à sede da Regional Pantanal, com uma cerimônia de inauguração do espaço adquirido recentemente, no bairro Bandeirantes. No período da tarde, a mesa de abertura contou com a presença de representantes de entidades locais parceiras, como o Sindicato dos Trabalhadores Técnicos-administrativos da UFMT (Sintuf-MT), a Associação dos(as) Amigos(as) do Centro de Formação e Pesquisa Olga Benário Prestes (AAMOBEP) e a Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), Diretório Central dos Estudantes (DCE – UFMT Cuiabá). A administração superior, por meio da Pró-Reitoria de Ensino e Graduação (Proeg), também compôs a mesa, além das representações das seções sindicais de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – que formam a Regional Pantanal.


Os presentes destacaram a importância da realização do evento em Mato Grosso, estado que tem as relações marcadas pelo conservadorismo e pela forte presença do agronegócio. “É uma satisfação receber este evento, especialmente num momento em que, além de todas as questões nacionais, nós vivenciamos, em âmbito local, uma pressão política e empresarial para forçar o desmembramento do campus da UFMT em Sinop. Nós estamos lutando para garantir um debate democrático e debater multicampia”, afirmou o diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.


Ainda no primeiro dia, os participantes realizaram o Painel 1, que abordou a conjuntura política e abriu espaço para que as seções sindicais apresentassem suas demandas e pautas específicas. Alguns dos anseios apresentados foram, justamente, as pressões políticas e econômicas nas universidades, os ataques da extrema-direita.


A professora Ivanete Santos, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), diretora da Adufmat-Rondonópolis, relatou, entre outras coisas, que há docentes reavaliando o processo de emancipação, efetivado em 2018 – que em Rondonópolis se deu por iniciativa da comunidade acadêmica, diferentemente do que está ocorrendo na UFMT – no sentido de que esse não teria sido um bom passo.


A docente da Universidade do Estado de Mato Grosso e presidente da Adunemat, Luciene Neves, também falou sobre questões que desafiam a autonomia universitária, além dos ataques de fascistas e a luta dos servidores de Mato Grosso pelo direito ao Reajuste Geral Anual (RGA).


O professor Marcelo Batarce, diretor da Seção Sindical do Andes-SN na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Aduems), falou sobre a unidade na luta, que deve se dar diante das convergências e também das divergências dentro da categoria, e defendeu o fortalecimento da luta pelo reenquadramento dos docentes aposentados.


Citando Pedro Casaldáliga, que dá nome ao largo onde a sede da Adufmat-Ssind está localizada, o professor José Roberto Oliveira, diretor da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Adufms), declarou: “malditas sejam todas as cercas que nos impedem de viver e amar”, contextualizando não apenas a existência das cercas do latifúndio, mas as ideias que limitam o imaginário social no estado. Em seguida, relatou também a realidade da categoria na universidade onde trabalha, denunciando uma pseudo-democracia criada com a participação do sindicato nos espaços institucionais. “A gente está lá, falando, se posicionando, mas a gente perde sempre. Às vezes é até constrangedor assinar a ata das reuniões do conselho. Temos que avaliar essa participação”, avaliou.


No sábado, a programação continua com o Painel 2, voltado às questões organizativas, administrativas, financeiras e políticas do ANDES-SN, com participação dos docentes Sérgio Luiz Carmelo Barroso (primeiro tesoureiro do Andes-SN) e Eblin Farage (ex-presidente do Andes-SN). À tarde, o Painel 3 discutirá o plano de lutas e estratégias de ação, com contribuições de Josevaldo Cunha (primeiro vice-presidente da Regional Nordeste II) e Luciana Henrique da Silva (primeira vice-presidente da Regional Pantanal).

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Sexta, 08 Maio 2026 18:43

 

 

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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
 
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Juacy da Silva*

 

Quando Presidente da República, dentro de suas atribuições constitucionais, Bolsonaro indicou dois ministros para o Supremo Tribunal Federal, um deles por ser “terrivelmente evangélico”, e ambos foram aprovados pelo Senado, sem problemas, diferente do que aconteceu com uma indicação recente do Presidente Lula.

Um deles, o “terrivelmente evangélico”, atual ministro do STF André Mendonça, acabou de autorizar medidas policiais de busca, apreensão e prisão de gente graúda, até ex-ministro do próprio governo Bolsonaro, ex-colega da Esplanada dos Ministérios do ministro do STF.

As investigações apontam ou estão apontando que o início da corrupção bilionária teve início e fortaleceu seus tentáculos exatamente no Governo Bolsonaro, daí a razão de que o Presidente do Senado, com apoio dos partidos de direita e do Centrão, tem impedido a instalação da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito — Senado e Câmara Federal), para investigar este, que tudo leva a crer e tem apontado como o maior escândalo de corrupção da história do Brasil, quem viver verá, dezenas ou centenas de milhões de reais ou muito mais, talvez.

No entanto, essas tentativas de encobrir os meandros da corrupção não têm adiantado, pois Vorcaro, o “master mind” deste escândalo, preso em um hangar particular no Aeroporto Internacional de Guarulhos, prestes a voar com seu jatinho para a ilha de Malta, no Mediterrâneo, quando percebeu o destino que o aguardava na Papuda, onde estão algumas figuras ilustres da República, resolveu colaborar e “abrir o bico”, aceitando fazer a famosa “delação premiada” ou colaboração com as investigações, contando tudo o que sabe, oferecendo provas, como celulares, computadores, pen drives, anotações, gravações de conversas, enfim, está entregando e vai entregar tudo, para salvar a pele, como costumam fazer corruptos e bandidos quando o braço da Justiça aperta.

Aí é que a “porca torce o rabo”, como dizem os matutos, a partir de agora tem muita gente importante no Brasil inteiro, principalmente figuras de destaque na política nacional e em alguns estados, que já estão perdendo o sono e com crises de pânico, alguns que são candidatos já estão preocupados com tudo isso e temem serem impedidos de disputar as próximas eleições.

Sem cargos importantes para blindá-los, com certeza o “caldo” pode entornar.

Nada como um dia depois do outro, por muito tempo a narrativa era de que apenas políticos de esquerda, principalmente do PT, eram corruptos, mesmo que a nossa história, desde o descobrimento, passando pelo Brasil Colônia, Império, República Velha, República Nova e República atual, a corrupção exista, muito antes e depois da criação do PT.

Jânio Quadros fez uma carreira política meteórica usando como símbolo a vassoura e o alvo a corrupção, principalmente de Ademar de Barros, político paulista influente nas décadas de 1950 e 1960, muito antes do PT ser organizado.

O então Presidente Collor de Mello, o “caçador de marajás” das Alagoas, terra de Renan Calheiros e Arthur Lira, acabou cassado por corrupção.

No Rio de Janeiro, que é um caso emblemático, diversos governadores e parlamentares, gestores de alta envergadura, já estiveram e outros ainda estão na cadeia, e a maioria ou quase totalidade nunca foram de esquerda ou do PT.

Em Mato Grosso, da mesma forma, ao longo de décadas, antes mesmo dos governos militares, as estórias de corrupção são pródigas, basta fazer uma busca em jornais de épocas antigas ou em anais do sistema judiciário.

E, ainda em Mato Grosso, há poucos anos, diversas figuras do mundo político, como parlamentares e governadores, e até mesmo integrantes do sistema judiciário, foram alvos de investigações e diversos foram investigados, condenados, presos, usaram tornozeleiras eletrônicas e nenhum desses corruptos pertencia à esquerda ou ao PT.

Enfim, se alguém tiver interesse, basta dedicar um tempo analisando a vida política de todos os estados e milhares de municípios e irá encontrar centenas ou milhares de casos de corrupção, a grande maioria, diga-se de passagem, que “terminaram” na impunidade. Afinal, como diz o jargão popular, uma verdade absoluta até bem pouco tempo: “cadeia foi feita para pobre, preto e bandido pé de chinelo”, gente importante, gente grande, gente graúda, “amigos do Rei”, jamais irão para a prisão.

Só que esta estória parece estar mudando ultimamente e há quem diga ser esta a razão de tantos conflitos institucionais em nossa República, principalmente contra integrantes de Tribunais Superiores.

Compartilho o link de uma notícia de 07 de maio de 2026 (hoje), onde está estampada a matéria sobre o envolvimento de um ex-ministro e presidente nacional de um partido do Centrão que foi alvo dessas medidas judiciais e policiais. Fonte: site MSN/Área Vip.

Após delação de Vorcaro, ex-ministro de Bolsonaro é alvo da PF com mandado de prisão.

 

*Juacy da Silva, professor fundador, titular, aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, ativista social e articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste.
E-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.; Instagram @profjuacy

Sexta, 08 Maio 2026 18:27

 

 

 


A delegação do ANDES-SN, composta por duas representações da diretoria nacional e por representantes das seções sindicais Adufop SSind., Adufmat SSind., Adufes SSind. e Adufu SSind., participou ativamente das celebrações do 1º de Maio em Cuba, integrando uma agenda intensiva de formação política, intercâmbio sindical e ações de solidariedade humanitária. A missão, composta por 11 docentes brasileiros e brasileiras, cumpriu uma deliberação aprovada no 44º Congresso do ANDES-SN para fortalecer o apoio internacionalista ao povo cubano frente ao bloqueio econômico.

Mobilização histórica em Havana

Sob o lema “A Pátria se defende!”, a delegação marchou ao lado de mais de 500 mil pessoas em Havana, em um ato que se concentrou na Tribuna Anti-Imperialista José Martí, em frente à embaixada dos Estados Unidos. Em toda a ilha, estima-se que mais de 5,2 milhões de cubanos e cubanas tenham saído às ruas para denunciar as sanções estadunidenses e defender a soberania nacional.

 

 

Para o presidente do ANDES-SN, Claudio Mendonça, a experiência foi revigorante para a luta sindical. "Saímos ainda mais convencidos de que, onde houver um povo em luta contra as brutalidades do capitalismo — em especial, contra o imperialismo estadunidense — devemos estar enfileirados nessa luta. Foi impactante a marcha com mais de 500 mil cubanos, de crianças a idosos, resistindo ao bloqueio econômico e ao bloqueio energético", afirmou.

Formação Política e Unidade Latino-Americana

A agenda incluiu a participação na 9ª Pasantía Sindical, um curso de formação organizado pela Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) e pela Federação Sindical Mundial (FSM), que reuniu centenas de militantes de diversos países, incluindo Estados Unidos, Venezuela, México, Colômbia, Uruguai e Chile. O tema central da Pasantía foi "O Movimento sindical latino-americano e os processos políticos pela construção da Unidade no contexto atual".

 

 

Entre os dias 23 de abril e 2 de maio, foram realizadas atividades, mesas e debates que abordaram temas urgentes para a classe trabalhadora. Uma das mesas discutiu as transformações no mundo do trabalho, com foco no impacto das novas tecnologias e da Inteligência Artificial sobre a organização sindical.

As delegações debateram, ainda, o pensamento político de Fidel Castro e a resistência do povo cubano frente aos efeitos do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos, que perdura há mais de 60 anos. O evento, sediado na Escola Nacional de Quadros Sindicais "Lázaro Peña", foi organizado pela Central de Trabalhadores de Cuba (CTC) e pela Federação Sindical Mundial (FSM). 

 

 

Letícia Carolina Nascimento, 2ª vice-presidenta do ANDES-SN, destacou a profundidade do aprendizado durante a missão. A diretora lamentou que não foi possível, por motivos de agenda, que toda a delegação docente estivesse em Cuba já no início da 9ª Pasantía Sindical, mas reforçou o acerto na decisão da categoria de enviar representantes para vivenciar a experiência e acompanhar o cotidiano do povo cubano.

"Para mim, a formação política foi um dos pontos mais incríveis, porque é um povo alegre, orgulhoso da sua pátria, da sua comunidade. É uma solidariedade que não se resume a uma questão da doação, mas de viver Cuba, de aprender sobre a importância da Revolução Cubana. Foi uma formação política integral", destacou. 

 

 

A programação da Pasantía se encerrou em 2 de maio com o Encontro de Solidariedade Internacional e o Simpósio Internacional “O direito dos povos a decidir seu destino no cenário internacional contemporâneo”. No Palácio das Convenções de Havana, durante o Encontro de Solidariedade, delegações de todo o mundo se uniram em apoio a Cuba e à Palestina, pedindo a liberdade imediata para o ativista brasileiro Thiago Ávila e o palestino-espanhol Saif Abu Keshek, detidos arbitrariamente por forças navais israelenses durante uma missão humanitária da Flotilha Global Sumud em 29 de maio, nas proximidades da Grécia.

À tarde, o Simpósio apresentou mesas com diferentes temáticas que reafirmaram a necessidade e a perspectiva de unidade da América Latina, ponto crucial reivindicado nas atividades da Pasantía.

 

 

Solidariedade concreta

Além dos debates políticos, a delegação realizou entregas de medicamentos e insumos hospitalares em unidades de saúde de Havana e outras províncias, como o Hospital Manuel Fajardo, a Policlínica Docente Elpidio Berovides e o Hospital Dermatológico Dr. Guillermo Fernández Hernández-Baquero. Entre as doações, destacaram-se medicamentos e insumos básicos, além de itens de saúde menstrual, como absorventes comuns e reutilizáveis. 

Parte da delegação docente também participou de trabalho voluntário em hortas comunitárias no projeto agroecológico El Rincón.
Claudio Mendonça reforçou que essas ações simbolizam a união entre os trabalhadores e as trabalhadoras do Brasil e de Cuba. "A participação do ANDES-SN e de suas seções sindicais cumpriu inúmeros papéis importantes. Um deles foi demonstrar, de forma concreta, por meio das doações, que estamos irmanados na luta e que permaneceremos mobilizados para contribuir dentro das possibilidades objetivas", disse.

 

 

Letícia Carolina também ressaltou o impacto do bloqueio imperialista na saúde local, notado durante a visita ao Hospital Manuel Fajardo. "Você começa a ver o cuidado que as pessoas têm e a excelência da medicina cubana, mas também a dureza que é ter uma saúde pública limitada pela falta de insumos. São médicos formados, de qualidade, mas que muitas vezes não conseguem cuidar da população porque não têm material básico devido ao bloqueio", observou.

 

 

Além do presidente e da 2ª vice-presidenta do ANDES-SN, compuseram a delegação de docentes Maria Aparecida de Carvalho, diretora da Adufes SSind., Rafael Bellan, da base da Adufes SSind., Mariza Oliveira e Fernanda Nocam, diretoras da Adufu SSind., Kathiuça Bertollo, Gabriela Gomes e Pedro Henrique de Abreu, da diretoria da Adufop SSind., Breno Santos, diretor-geral da Adufmat SSind., e Lélica Lacerda, base da Adufmat SSind.

Fonte: Andes-SN (com informações das seções sindicais)
Fotos: Delegação ANDES-SN