Terça, 24 Fevereiro 2026 16:35

 

Conforme edital de seleção publicado em 09/02/2026, a Adufmat-Ssind divulga o RESULTADO FINAL do processo seletivo para assistente de subseção em Sinop. 


Nome

Resultado

LARISSA PEREIRA DOS SANTOS

Aprovada

SÂMELA LAUANE BENTES DA SILVA

Classificada 2º

JENNIFER ELAINE GROTH COUTO

Classificada 3º

LUIZE MIRANDA MUNIZ DE AGUIAR CUSTODIO

Classificada 4º

JULIENI BIANCHI MORAIS

Não compareceu

 

 

A candidata Aprovada deverá entrar em contato com o sindicato por meio do telefone (65) 9814-0745 para tratar dos documentos e trâmites para contratação.

 

Cuiabá (MT), 24 de fevereiro de 2026

 

Segunda, 23 Fevereiro 2026 15:51

 

 

Conforme edital de seleção publicado em 09/02/2026, a Adufmat-Ssind divulga as INSCRIÇÕES HOMOLOGADAS E SELECIONADAS PARA ENTREVISTA NESTA TERÇA-FEIRA, DIA 24/04/2026, COMO PARTE DO PROCESSO SELETIVO PARA ASSISTENTE DE SUBSEÇÃO EM SINOP:



SÂMELA LAUANE BENTES DA SILVA

Selecionada para entrevista

08 as 09hs*

LUIZE MIRANDA MUNIZ DE AGUIAR CUSTODIO

Selecionada para entrevista

09 as 10hs*

JENNIFER ELAINE GROTH COUTO

Selecionada para entrevista

10 as 11hs*

JULIENI BIANCHI MORAIS

Selecionada para entrevista

13 as 14hs*

LARISSA PEREIRA DOS SANTOS

Selecionada para entrevista

14 as 15hs*

LEIANE DA SILVA ASSIS

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

POLIANNY GONÇALVES DE LIMA

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

EMANUELE CRISTINA FARIA MENDES

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

LETICIA STEFANIE ARAÚJO TOBIAS DO NASCIMENTO

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

RAYLANDER ALMEIDA DOIA

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

LEANDRO JOSE DE OLIVEIRA

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

AMANDA LOPES MAGALHÃES

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

AARON LIMA CÂMARA DA SILVA

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

GILSON VILACA GAZZIERO

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

THIAGO KAISER THOMAS

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

EDSON LAERTE KOHNLEIN CASADO

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

GUSTAVO HENRIQUE SANTOS FREITAS

Desclassificado na análise curricular comparativa.

 

 

As entrevistas serão realizadas conforme cronograma na sub-sede da Adufmat, no campus da UFMT em Sinop.

 

Cuiabá (MT), 23 de fevereiro de 2026

Segunda, 09 Fevereiro 2026 08:34

 

 

A Diretoria da Adufmat-Ssind, no uso de suas atribuições, torna público o presente Edital para a seleção de 1 (um/uma) Assistente de Subseção para atuar na Subsede Sinop da Adufmat-Ssind.


A vaga se destina a um(a) profissional que desempenhará suas atividades na Subdsede da Adufmat-Ssind, situada na cidade de Sinop (MT), em regime presencial de 40 horas semanais, períodos matutino e vespertino. A vaga será de ampla concorrência, com primazia para perfis de mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+, quilombolas e/ou com deficiência. As provas e entrevistas serão realizadas na cidade de Sinop (MT).

 

1. DO CARGO E ATRIBUIÇÕES


Cargo: Assistente de Subseção
Modelo de Contrato: CLT
Carga Horária: 40 horas semanais
Horário do Expediente: 7h30 às 11h30; 13h30 às 17h30
Local de atuação: Subsede da Adufmat-Ssind em Sinop (MT)
Remuneração Inicial: R$ 2.651,90 + VT + VA

 

Atribuições:


● Organizar o seu local de trabalho, mantendo-o limpo e funcional;

● Recepcionar visitantes de toda e qualquer natureza e manter contatos de interesse do sindicato, realizando o seu acolhimento tanto nas atividades ordinárias como nos eventos;

● Redigir e distribuir correspondências;

● Digitar e reproduzir correspondências e outros documentos, dentre eles ofícios, informes, relatos de reuniões, de Assembleias Gerais ou de outros eventos de interesse do sindicato;

● Expedir correspondências;

● Receber, selecionar, ordenar, encaminhar e arquivar documentos;

● Preparar e secretariar reuniões e assembleias;

● Controlar entrada e saída de documentos, organizando o seu fluxo;

● Organizar e acompanhar o sistema de recebimento e divulgação das comunicações verbais e não verbais do Sindicato;

● Atender as demandas dos docentes durante reuniões, Assembleias Gerais e votações, atuando ainda na organização de encontros, congressos, colóquios, atos políticos, dentre outros;

● Organizar a agenda do Sindicato;

● Realizar tarefas de comunicação digital;

● Executar outras tarefas para atender necessidades do Sindicato e inerentes à sua função;

● Executar outras tarefas de mesma natureza e mesmo nível de dificuldade.

● Atendimento ao público em geral, seja ele presencial ou virtual.


2. REQUISITOS MÍNIMOS


● Ensino Médio completo;
● Conhecimento de informática;
● Conhecimento de aspectos técnicos de redação de correspondência oficial.

 

3. ETAPAS DO PROCESSO SELETIVO

3.1. Inscrições

Período: 10/02/2026 a 19/02/2026;
Por e-mail, com envio da ficha de inscrição e documentação exigida, para o email: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.;
Documentos necessários:

○ Ficha de Inscrição devidamente preenchida (baixe aqui);
○ Currículo atualizado;
○ Documento de identificação;

 

3.2. Homologação das Inscrições

Divulgação das candidaturas homologadas: 20/02/2026 (no site da Adufmat-Ssind)

3.3. Análise de currículo (Eliminatória)

Resultado: 23/02/2026 (no site da Adufmat-Ssind)

3.4. Prova prática e entrevista, por ordem de inscrição (Eliminatória e classificatória)

Data: 24/02/2026, manhã ou tarde.

● Prova Prática: Elaboração de comunicação formal para docentes com base em um tema fornecido.
● Entrevista
● Local: Subsede Sinop (Campus Sinop da UFMT)

3.5. Resultado Final

Divulgação: 25/02/2026, pelo site da Adufmat-Ssind (https://www.adufmat.org.br/)

4. DISPOSIÇÕES FINAIS

● A(o) candidata(o) aprovada(o) assumirá o cargo imediatamente após a conclusão do processo de admissão.
● A Adufmat-Ssind reserva-se o direito de, a seu critério, alterar o cronograma ou cancelar o processo seletivo, caso necessário.
● Dúvidas e informações adicionais podem ser esclarecidas através do e-mail O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.



Segunda, 19 Janeiro 2026 16:18

 

 

A Imprensa de Mato Grosso repercutiu matéria do sindicato indicando a posição do Instituto Raoni e outras entidades indígenas em defesa da universidade pública forte, multicampi, e contrária ao desmembramento da UFMT Sinop.

O conteúdo foi divulgado em meados de dezembro de 2025, e o debate sobre o tema deve voltar à pauta já nos primeiros meses deste ano. 

Clique em cada um dos títulos e confira:

ORIGINAL ADUFMAT-SSIND | Instituto Raoni evoca Convenção Internacional em documento enviado à Presidência da República contra desmembramento do campus da UFMT em Sinop

ÁGUA BOA NEWS | Instituto Raoni evoca Convenção Internacional em documento enviado à Presidência da República contra desmembramento do campus da UFMT em Sinop

GAZETA DIGITAL | Instituto reconhecido internacionalmente é contra a separação do campus de Sinop da UFMT

MATO GROSSO DO NORTE ONLINE | Instituto Raoni evoca Convenção Internacional em documento enviado à Presidência da República contra desmembramento do campus da UFMT em Sinop

SÓ NOTÍCIAS | Instituto Raoni se posiciona contra emancipação do campus de Sinop e defende UFMT multicampi

TOP SINOP | Instituto Raoni se opõe à emancipação do campus da UFMT em Sinop e defende modelo multicampi

NORTÃO NOTÍCIAS | Instituto Raoni evoca Convenção Internacional em documento enviado à Presidência da República contra desmembramento do campus da UFMT em Sinop

ALT NOTÍCIAS | Instituto Raoni evoca Convenção Internacional em documento enviado à Presidência da República contra desmembramento do campus da UFMT em Sinop 

 

 

Adufmat-Ssind

Quarta, 17 Dezembro 2025 11:29

 

Possível Nobel da Paz brasileiro lembra que o Estado deve consultar a população indígena, além de listar prejuízos que eventual desmembramento poderá trazer para seu povo

 

Depois de 16 etnias indígenas que vivem no Xingu se posicionarem publicamente em defesa de uma Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) multicampi e forte - ou seja, contrários à proposta de desmembramento do campus da UFMT Sinop -, o Instituto Raoni, entidade internacionalmente reconhecida, emitiu uma Nota de Posicionamento endereçada à Presidência da República, à Reitoria da UFMT, ao Ministério da Educação, ao senador Carlos Fávaro (um dos autores da proposta de separação) e aos parlamentares mato-grossenses, afirmando o mesmo posicionamento.

 

Um dos elementos principais do texto é o desrespeito à Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que determina que a comunidade indígena deve ser ouvida sobre este processo. O Artigo 6° diz que, “... os governos deverão: a) consultar os povos interessados, mediante procedimentos apropriados e, particularmente, através de suas instituições representativas, cada vez que sejam previstas medidas legislativas ou administrativas suscetíveis de afetá-Ios diretamente;  b) estabelecer os meios através dos quais os povos interessados possam participar livremente, pelo menos na mesma medida que outros setores da população e em todos os níveis, na adoção de decisões em instituições efetivas ou organismos administrativos e de outra natureza responsáveis pelas políticas e programas que lhes sejam concernentes [...]  2. As consultas realizadas na aplicação desta Convenção deverão ser efetuadas com boa fé e de maneira apropriada às circunstâncias, com o objetivo de se chegar a um acordo e conseguir o consentimento acerca das medidas propostas”. 

 

O alerta condiz com as denúncias realizadas pela própria comunidade interna da UFMT, de que o processo está sendo forçado por pressões externas de setores políticos e econômicos interessados não em melhorias, não no desenvolvimento da educação e da pesquisa, mas em benefícios próprios, eleitorais e financeiros, entre outros.  

 

 

Assim, o documento, cuja íntegra está disponível ao final desta matéria, ressalta que a população indígena deve ser consultada e seu posicionamento considerado, pois eventual desmembramento afetará diretamente sua educação, trazendo diversos prejuízos. “A UFMT, na forma de universidade multicampi, é política de Estado e patrimônio público construído com recursos de todo o povo brasileiro. Para nós, povos indígenas, não se trata apenas de estrutura administrativa, mas de um instrumento concreto de acesso à educação superior, à formação de professores indígenas, à pesquisa comprometida com nossos direitos e à extensão que chega até nossas aldeias. Fragmentar esse modelo, criando universidades isoladas e vulneráveis a interesses conjunturais, significa enfraquecer a presença do Estado na garantia do direito à educação pública e indígena em todo o território de Mato Grosso”, afirma o Instituto Raoni logo no início do texto.

 

As manifestações evidenciam, em uma leitura mais ampla, que toda a população brasileira interessada em instituições comprometidas com o bem público será prejudicada, caso a UFMT Sinop seja submetida aos ditames de interesses de grupos privados.

 

Criado em 2001, o Instituto Raoni representa milhares de indígenas das etnias Kayapó, Trumai, Tapayuna e Panará, e sua atuação segue o objetivo de garantir acesso dos povos originários a políticas públicas, como educação e saúde.

 

Mas não para por aí. Pelo seu trabalho, mundialmente conhecido, em defesa da Amazônia e dos direitos dos povos indígenas, o cacique Raoni tem seu nome recorrentemente ligado à candidatura ao Prêmio Nobel da Paz, sendo uma das figuras políticas mais relevantes no cenário internacional.  

 

Clique aqui para saber mais sobre o Instituto Raoni e leia, abaixo, a íntegra da Nota de Posicionamento do Instituto Raoni em Defesa do Modelo Multicampi da UFMT e contra a proposta de emancipação do campus de Sinop:  

 

 

 

 

 

Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

 

Terça, 25 Novembro 2025 11:57

 


Em uma profecia autorrealizável, vinda de Brasília, o desmembramento do campus de Sinop da UFMT é dado, por alguns, como favas contadas. Colocar esse possível desfecho como ponto de partida é um ato que desmobiliza, desorienta e enfraquece a participação da comunidade universitária na construção de seu futuro, privando-a de debates fundamentais como: devemos desmembrar o campus de Sinop dos campi de Araguaia, Cuiabá, Lucas do Rio Verde e Várzea Grande? Quais os impactos sobre a saúde física e mental dos servidores e discentes? Como isso afetará a carga de trabalho das servidoras e servidores administrativos? E, sobretudo, quais as consequências para o Ensino, a Pesquisa e a Extensão em Mato Grosso? Iniciar o processo pelo resultado final desejado deixa o campus sem direcionamento e naturaliza uma ameaça que paira sobre Sinop há anos.

Foi neste contexto que, no dia 14 de novembro, ocorreu, às pressas, uma terceira reunião no campus para discutir o propalado desmembramento. Divulgada com apenas uma semana de antecedência, em um semestre encurtado, de 85 dias letivos, contou com a pífia presença de apenas 47 membros da comunidade acadêmica - sendo, a maioria, apoiadores declarados da chamada “emancipação”, empenhados em demonstrar que o processo seria “democrático”. A falta de divulgação e o curto prazo inviabilizaram uma participação coletiva ampla e restringiram o debate ao mais do mesmo: a dificuldade orçamentária do campus, apresentada como única e eterna justificativa pelos defensores do desmembramento, que se autoproclamam representantes da vontade de todos, sem terem sido formalmente escolhidos para isso.

De fato, os problemas orçamentários existem. Desde 2018, Sinop - assim como toda a UFMT e as demais instituições federais de ensino (IFEs) - vem sendo estrangulado financeiramente. Além disso, no caso deste campus, as últimas administrações da UFMT acumularam antipatia mútua entre setores administrativos e as pró-reitorias, agravando a percepção de desconexão entre sede e campus fora de sede. Essa deterioração de relações gerou pouca comunicação e um déficit de confiança que, no presente, cria um ambiente fértil para que interesses políticos e empresariais externos vicejem internamente. 

Desde 2020, tramitam em Brasília quatro projetos de lei, elaborados por parlamentares articulados com o setor empresarial, que visam “emancipar” o campus de Sinop. Organizações privadas com interesses políticos e econômicos próprios, sem qualquer vínculo ou compromisso com a educação pública, têm pressionado pelo desmembramento por meio de notas na imprensa e reuniões com figuras políticas influentes, movidas por interesses que se alinham apenas à “emancipação”, e não ao futuro da UFMT. É importante registrar que o atual pró-reitor do campus de Sinop integra a nova gestão de uma dessas entidades locais, de forte interferência nas decisões políticas e supostamente dedicada ao desenvolvimento econômico da cidade, mas sem relações com a educação pública. 

Durante a reunião do dia 14, o mesmo pró-reitor informou ter votado contra o orçamento na comissão responsável pela proposta de 2026, alegando distorções na distribuição de recursos e requisitando apoio do campus para sustentar sua posição. Isso nos parece um reflexo claro da ausência de diálogo institucional e do acúmulo de tensões herdadas da gestão anterior. Enquanto isso, o campus de Sinop e sua comunidade permanece no fogo cruzado.

E diante disso, questionamos: emancipar-se de quê? Se o problema é orçamentário, o desmembramento é uma solução excessivamente traumática para algo que pode ser enfrentado por meio de uma discussão ampla, democrática e plural sobre a consolidação da multicampia. É imperativo que o debate sobre financiamento caminhe junto à discussão sobre o modelo multicampi, defendido pela Adufmat-Ssind e pelo ANDES-SN, e que tem respaldo na nova administração da UFMT. É, para nós, a alternativa mais democrática e menos onerosa ao erário público, especialmente quando comparada aos altos custos administrativos e operacionais inerentes à criação de uma nova universidade.

O campus de Sinop ocupa uma posição estratégica no Norte de Mato Grosso, região marcada por disputas em torno de modelos de desenvolvimento e onde a UFMT exerce papel crucial. Sinop não apenas atende sua comunidade interna, mas toda uma região que se estende de Cotriguaçu a Cuiabá, passando por Cláudia, Lucas do Rio Verde, Sorriso, Nova Mutum e vários outros municípios. Essa relação impacta diretamente pesquisas, colaborações nacionais e internacionais, ações de extensão, e o ensino inclusivo, pois se na UFMT Sinop estudam filhos do Agro, também estudam os sem-terrinha, assim como partem serviços essenciais destinados a movimentos sociais, comunidades atingidas por barragens, territórios indígenas, assentamentos e populações vulneráveis ameaçadas por grandes obras de infraestrutura, como a Ferrogrão.

Com relação à defesa do desmembramento, por sua vez, não há sequer um projeto claro que oriente o futuro do campus. Assim, a fragmentação, quando tomada como ponto de partida, rotula precipitadamente uma futura universidade como “do Nortão”, num gesto insensível frente a uma região em que as disputas territoriais continuam pungentes. Isso tornaria mais difícil manter uma postura independente e plural, necessária para harmonizar produção de alimentos e proteção da sociobiodiversidade. O modelo multicampi, por outro lado, fortalece redes de cooperação, evita isolamento institucional e protege a universidade dos pequenos poderes locais que frequentemente distorcem o papel da educação pública.

Defensores do desmembramento alegam que a multicampia “não funcionou”. No entanto, o que existiu até agora foi um campus sede tomando decisões sobre os campi avançados, sem uma política de rede, sem cooperação sistemática e sem diretrizes para desenvolvimento específico e complementar. Não surpreende, portanto, a ausência de integração entre cursos idênticos localizados em diferentes campi, com projetos pedagógicos e ações de extensão desarticulados e esforços individuais que poderiam ser minimizados com investimento institucional adequado. Além disso, o acúmulo de desenvolvimento do campus sede será perdido por Sinop, caso ocorra o desmembramento, dificultando ainda mais os anos iniciais de implantação de uma nova universidade, isolada, empobrecida culturalmente e vulnerável aos interesses econômicos dominantes da região.

Durante a reunião do dia 14, docentes que defenderam a multicampia foram chamados de imaturos, medrosos e acomodados por supostamente temerem a “aventura” da emancipação. Mas não se trata de acomodação: a construção coletiva exige muito trabalho, paciência e frustração, especialmente numa região onde interesses econômicos se impõem com força sobre populações indígenas, florestas e recursos naturais. É justamente por isso que a atuação em rede fortalece e protege a universidade pública.

A profecia do desmembramento se cumpre ao silenciar o debate e disseminar a ideia de que “já está tudo decidido em Brasília”. Assim, corremos o risco de aceitar, passivamente, um projeto apresentado como uma batalha perdida, sem compreender seus impactos profundos para a UFMT e para toda a sociedade que dela depende. Prova disso foi a proposta, feita durante a reunião, de criar uma comissão para elaborar um projeto de universidade; para “deixar pronto” o projeto, caso a emancipação se concretize, antes mesmo de qualquer diálogo amadurecido.

A próxima - e possivelmente última - reunião “coletiva” sobre o tema ocorrerá em 28 de novembro. Por que realizar uma suposta “construção coletiva” em tão pouco tempo, justamente quando a maioria dos servidores enfrenta agendas sobrecarregadas? Processos que alteram profundamente espaço, tempo e futuro institucional exigem responsabilidade, maturação e debate. Prazos curtos não permitem desenvolver propostas ajustadas à realidade do campus; ao contrário, incentivam o uso acrítico de modelos aplicados a outras universidades “super-novas”. Assim, a profecia vai se autorrealizando da pior forma possível.

A Adufmat-Ssind segue comprometida com o debate pela multicampia que queremos! E conclama toda a comunidade a participar dos espaços de debate e deliberativos legitimamente constituídos, onde os rumos da universidade, como um todo, devem ser discutidos por todos, desde as bases até as instâncias superiores. 

 


Mato Grosso, 25 de novembro de 2025
Diretoria da Adufmat-Ssind
Gestão Adufmat é pra lutar!

Quinta, 23 Outubro 2025 16:01

 

Os políticos e empresários da região norte do estado de Mato Grosso desejam, há anos, que o campus da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em Sinop seja uma instituição autônoma. As vantagens políticas e econômicas são evidentes – especialmente o controle maior sobre os cursos, pesquisas, servidores e administração. Mas o que a comunidade acadêmica pensa sobre isso?

  

Em reunião ampliada realizada com a Reitoria na última quinta-feira, 16/10, ficou claro que, bem diferente do que algumas pessoas afirmam, a comunidade acadêmica tem muito mais dúvidas do que certezas e, neste momento, tende a não defender o desmembramento do campus.

 

Algumas das dúvidas são: existe um projeto de universidade? O recurso irá aumentar e sanar os problemas? Um diploma assinado por universidade nova tem o mesmo valor de uma instituição com mais de 50 anos e está entre as 40 melhores do país? Abriremos mais concursos? Os 28,86% estarão assegurados aos docentes? A resposta para todas essas questões é só uma: não.

 

Durante a reunião em Sinop, a reitora Marluce Souza e Silva destacou que, pela primeira vez, a comunidade universitária do campus de Sinop da UFMT discutiu, oficialmente, com a Reitoria, a ideia de desmembramento. A reitora afirmou que a administração central nunca havia sido formalmente comunicada sobre a intenção de tornar o campus independente. “Essa proposta está sendo debatida pela primeira vez dentro da universidade, e é importante que qualquer decisão seja tomada coletivamente, com a participação da comunidade, e não de forma isolada, por diretores ou pró-reitores”, afirmou.

 

 

 

Assim, a forte presença da imprensa foi destacada como um ponto relevante, já que o assunto vinha sendo tratado mais por veículos externos do que por canais institucionais da UFMT.

 

Sobre recursos

 

A reitora destacou que o campus de Sinop sempre teve acesso a recursos importantes. “Entre todos os campi, Sinop é o único com recursos sempre disponíveis. Não é verdade que o campus é ‘coitado’ ou ‘fraco’. Pelo contrário, é o segundo mais forte, atrás apenas da sede, em Cuiabá”, pontuou, revelando que, naquele mesmo momento - já quase no final do ano - o campus tinha mais de R$ 1 milhão em caixa, à disposição.

 

“Universidade não é empresa. Os recursos devem ser aplicados conforme as demandas locais. Não faz sentido acumular dinheiro enquanto há carências nas unidades. Pelo contrário, terminar o ano com recursos em caixa sinaliza que a universidade não está precisando, e todos nós sabemos que ela está precisando”, criticou.

 

Silva explicou que a distribuição de recursos da UFMT segue o que determina a matriz da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), que leva em consideração a demanda e indicadores como número de alunos, grupos de pesquisa e produção acadêmica de cada universidade. Isso demonstra que, em caso de desmembramento, não haveria mudança significativa nos recursos destinados à Sinop. Segundo os dados apresentados, a divisão atual é de 66,5% para o campus de Cuiabá, 17,2% para Sinop, 13,25% para o Araguaia e pouco mais de 5% para Várzea Grande – vale lembrar que esta última ainda utiliza a estrutura do campus de Cuiabá.

 

Ela alertou, no entanto, que a separação de Sinop pode enfraquecer não apenas o campus local, mas a UFMT como um todo. “Se Sinop emancipar, a universidade perde força institucional. Juntos temos mais chances de crescer e conquistar melhorias”, defendeu.

 

Foram abordadas, ainda, questões administrativas envolvendo o campus de Sinop, como a perda de recursos do PAC por falta de licitação e a ausência de informação sobre 34 técnicos lotados no curso de Medicina, que estão fora de suas funções de origem, situação que gerou investigação interna. “É preciso saber quem autorizou, para onde foram esses técnicos e trazer esses profissionais de volta às funções para as quais foram concursados. Não se pode responsabilizar a Reitoria por isso”, pontuou.

 

O professor Elton Ribeiro, pró-reitor do campus de Sinop, afirmou que o processo de debate respeitará todas as instâncias democráticas e que a vontade da comunidade será respeitada. Da mesma forma, garantiu que todas as questões levantadas sobre o campus de Sinop, como a lotação atual dos 34 servidores técnico-administrativos, serão devidamente investigadas e esclarecidas.  

 

Muitas dúvidas, nenhuma certeza

 

Além dos representantes da administração, professores, servidores técnico-administrativos e estudantes também participaram e compartilharam seus receios e dúvidas.

 

Para o docente Juliano dos Santos, representante sindical da subseção da Adufmat-Ssind em Sinop, preocupa o fato de instituições privadas do município, como a União das Entidades de Sinop (Unesin) estarem discutindo a questão sem consulta à comunidade. “Eles estão discutindo isso e a gente não foi consultado. Tem até uma comissão pró-emancipação dentro da Unesin desde 2021. Eu queria destacar que, quando eu fiz concurso, fiz para a UFMT. Eu nem conhecia Sinop. Cheguei aqui, me vejo UFMT, mas parece que a gente foi construindo uma divisão, um muro. Parece que a gente está se debatendo. Nós podíamos aproveitar esse momento de discussão para juntar forças e pensar a universidade, porque a dificuldade orçamentária não é só da UFMT. Se a gente unir forças, tenho certeza que a gente pode encontrar soluções. Eu vejo que a gente foi destruindo nossas interações, e a gente tem é que reconstruir as relações profissionais e sociais dentro da universidade, para que a gente melhore enquanto UFMT. Se emancipar, com as relações que a gente tem aqui, hoje, me desculpem, vai ser como se a gente estivesse saindo do zero”, concluiu.

 

 Professor Juliano dos Santos, coordenador da subseção da Adufmat-Ssind em Sinop

 

O professor Breno Santos, diretor-geral da Adufmat-Ssind, destacou a necessidade de respeitar os espaços democráticos de discussão e deliberação da universidade, e compartilhou um pouco dos relatos que o GT Multicampia e Fronteira do Andes – Sindicato Nacional tem registrado.

 

“O temos cobrado, desde o início, que o debate democrático em torno dessa questão aconteça sem negligenciar o fato de que os espaços da universidade são de vários tipos, tem os espaços de discussão ampla e também os colegiados, institucionalmente reconhecidos e historicamente validados. Eles também precisam fazer esse debate. São lentos? São lentos, mas a democracia é processo. Dentro do espaço sindical, nós defendemos uma democracia radical. Temos acompanhado o debate sobre multicampia no Brasil inteiro, porque o Andes - Sindicato Nacional tem um GT que estuda o tema. Nós ouvimos relatos dos mais diversos. No caso das universidades da Amazônia, alguns campi, em determinados períodos do ano, sequer têm acesso por terra; regiões em que o custo de vida é tão brutal, que o gás de cozinha chega a ser mais do que o dobro do que nas regiões mais centrais do Brasil. Todos os relatos, graves e preocupantes, impactam na permanência, acesso, e nas condições de trabalho dos professores que trabalham nessas unidades, mas não levam à conclusão de que o caminho único é a emancipação. Ao contrário, o caminho é: luta por orçamento; o caminho é mais democracia dentro da universidade, é mais participação; é mais universidade do que menos universidade; é mais estabilidade administrativa e jurídica do que instabilidade e criatividade estatutária, que foi o que aconteceu em Rondonópolis, que passou vários anos sem estatuto e, no fim das contas, uma bagunça geral que faz com que a universidade hoje enfrente cada vez novos problemas por conta dessa insegurança”, argumentou.

 

 Professor Breno Santos, diretor-geral da Adufmat-Ssind

 

Estudante do curso de Farmácia e representante estudantil e Sinop, Diego Taquini questionou o que considera perda de recursos do campus de Sinop para Cuiabá e a atual falta de integração entre os campi, mas também ressaltou a ausência de informações sobre o que seria o processo de desmembramento. “A gente tem vários problemas para debater aqui hoje, e o principal é: como a gente vai cobrar um posicionamento, seja contrário ou a favor, se não existe um projeto técnico sobre a emancipação? A gente vai votar como? A gente não sabe o que vai acontecer. É sério mesmo a gente vai acreditar em proposta de político? ‘Ah, mas eles vão dar dinheiro!’ E aí ele perde o cargo, você perde o dinheiro e fecha as portas. A principal mensagem que eu quero passar para os meus colegas estudantes aqui hoje é: independentemente do que for decidido, o nosso papel é cobrar, a gente tem que continuar cobrando Restaurante Universitário a R$ 1, alojamento, mais bolsas e melhores condições como um todo”, pontuou.     

 

A professora Paula Moreira, também diretora da subseção da Adufmat-Ssind em Sinop, lembrou que a implementação do curso de Medicina no campus foi feita de surpresa, sem debate com a comunidade, e que neste momento, o curso passa por alguns questionamentos do MEC, não pela qualidade, mas, por exemplo, pela ausência dos 34 técnicos-administrativos que deveriam estar lotados na unidade e não estão. “Será que se a gente desmembrasse não ia acontecer isso também com a gente? Porque prometer é uma coisa, mas falta técnico nessa universidade desde que eu entrei aqui. Se é precário, será que desmembrar não vai ser um tiro no pé? Será que Rondonópolis, que quis tanto, tem bastante vaga? Conseguiu mais técnicos e professores? Será que tem infraestrutura? Será que eu, que tenho que dar aula, fazer pesquisa, extensão, ainda vou ter que acumular cargo de Pró-reitoria, e mesmo assim continuar dividindo sala com outros quatro, cinco professores? Eu quero isso? Do mesmo jeito que criaram esse curso de Medicina, sem estrutura - porque foi uma ação política -, está se dando a questão do desmembramento. Se essa canetada acontecer e pegar a gente de surpresa, o que é que a gente vai fazer? As coisas estão acontecendo fora dos nossos olhos, ninguém fica sabendo de nada. Parece truque de ilusionismo, e eu me sinto enganada, porque tinha que ser uma construção nossa. Para saber se o orçamento ia melhorar, se a gestão seria viável, como nós poderíamos construir essas relações... nós não temos nada na mão”, afirmou.  

 

Professora Paula Moreira, coordenadora da subsede da Adufmat-Ssind em Sinop     

 

Ao final da reunião, foram feitos encaminhamentos para que o debate continue com mais participação da comunidade acadêmica em todos os campi da UFMT, não apenas Sinop. A Reitoria reforçou que não há decisão tomada sobre o desmembramento e garantiu que nenhuma medida será adotada sem amplo debate e deliberação da comunidade e dos conselhos superiores da universidade.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quarta, 24 Setembro 2025 10:06

 

A Adufmat - Seção Sindical do ANDES Sindicato Nacional, representante legítima da categoria docente da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que, em 2025, completa 47 anos de luta em defesa da UFMT e da educação pública, gratuita e de qualidade, vem a público manifestar posição da categoria sobre as propostas de desmembramento do campus universitário de Sinop.
 

No último período, tomamos conhecimento de algumas propostas que visam a separação do campus de Sinop e do campus do Araguaia da estrutura institucional da UFMT. Todas as propostas tomaram a comunidade universitária com espanto, dado que nenhuma delas foi elaborada ou discutida junto à comunidade antes de ser submetida ao Legislativo Federal. A mais recente das propostas a ganhar notoriedade foi a apresentada pelo PL 4812/2020, do senador Carlos Fávaro (PSD/MT), hoje ministro da Agricultura, que “autoriza a criação da Universidade Federal do Nortão de Mato Grosso”. Recentemente, o PL foi objeto de discussão e deliberação na Comissão de Educação do Senado Federal e o parecer, que indica que o Executivo Federal delibere sobre a matéria, foi aprovado nessa ocasião.
 

Na mesma semana em que o tema foi discutido no Senado, a Adufmat-Ssind realizou uma reunião com a Reitoria da UFMT e uma Assembleia Geral, espaço deliberativo máximo da categoria, ambas com o tema do desmembramento. Nas duas ocasiões, tanto a Diretoria da Adufmat-Ssind quanto a categoria docente da base manifestaram preocupação pelo caráter das propostas apresentadas, e da proposta específica que havia sido votada pela Comissão de Educação do Senado. Todas elas foram elaboradas sem quaisquer movimentos de consulta ou debate democrático junto à comunidade acadêmica. Vale lembrar que a criação ou extinção de campus universitário é de prerrogativa dos conselhos superiores da UFMT, por meio das suas representações legitimamente eleitas nas bases. Isso significa que quaisquer mudanças que venham a ser feitas na estrutura da UFMT são de interesse de toda a comunidade docente, discente e de técnicos(as)-administrativos(as).
 

Os e as docentes da UFMT, reunidos em assembleia no dia 19/09, indicaram frontal contrariedade ao processo de desmembramento que se planeja pôr em curso, sob uma ideia enganadora de “emancipação”, por entender que não apenas ela não cumpre os requisitos do debate democrático com toda a comunidade, como exposto acima, mas também por se tratar de proposta construída de fora para dentro, expressando fundamentalmente os interesses do setor empresarial, em especial do Agronegócio, via entidades privadas que, ao legislar de fora para dentro sobre os destinos da UFMT, violam a autonomia universitária, desrespeitam toda a comunidade acadêmica e a sociedade que dizem querer representar - quando, na verdade, representam apenas seus próprios interesses econômicos.
 

O desmembramento de um campus universitário para conversão em universidade é um processo longo e que demanda um debate aprofundado sobre as vantagens e riscos dessa ação, no que diz respeito à garantia da sua estrutura administrativa, de ensino, pesquisa e extensão, da sua segurança orçamentária e patrimonial, do estatuto legal dos seus trabalhadores, etc. Uma canetada não converte um campus em uma universidade - no máximo, fragiliza toda uma comunidade que se vê invadida e desrespeitada pelo interesse daqueles que querem apenas “uma universidade para chamar de sua”, para atender aos seus interesses econômicos de lucrar sobre o que é público, para desvirtuar a função social daquilo que eles veem apenas como “lugar para fazer negócios”.

Além disso, a diretoria da Adufmat-Ssind registra seu repúdio às movimentações espúrias de representantes do Poder Público e do setor empresarial que, pela via da ameaça velada ou explícita, ou de declarações que mostram uma suposta “preocupação” com a sociedade sinopense, defendem ferrenhamente a consecução dessa proposta antidemocrática de desmembrar a qualquer custo. A Adufmat-Ssind defende a necessidade de um amplo debate sobre que projeto de universidade nós queremos e defendemos, e qual projeto de multicampia deve fazer parte dessa concepção; defende que o tema da multicampia, ou seja, da coexistência administrativa, pedagógica e científica entre os campi, seja ponto central de pauta dos debates da UFMT no próximo período, inclusive na realização da Assembleia Universitária de 2025 e suas etapas preparatórias.

 

Não aceitaremos que os interesses econômicos de uma pequena elite que tem aversão ao que é público invadam a autonomia universitária e tentem exercer controle autoritário sobre os destinos da UFMT. A UFMT é um valorosa instituição pública, com 55 anos de produção de ciência, educação, cultura, política, e não está à venda aos interesses privados. Os rumos da UFMT, quem decide é sua comunidade, em diálogo franco, amplo e democrático com a sociedade mato-grossense. Seguiremos firmes em defesa da UFMT, em diversidade, em sua complexa e necessária multicampia, em sua totalidade! 

 

 

Mato Grosso, 24 de setembro de 2025
Diretoria da Adufmat-Ssind
Gestão “Adufmat é pra lutar!” 

 

Segunda, 22 Setembro 2025 16:14

 

Em assembleia geral realizada na última sexta-feira, 19/09, docentes sindicalizados a Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso - Adufmat-Seção Sindical do Andes Sindicato Nacional debateram e encaminharam ações sobre as tentativas de imposição de desmembramento dos campi de Sinop e Araguaia. A assembleia, que contou com a participação da reitora Marluce Souza e Silva, explicitou que a comunidade acadêmica não partilha da proposta e, muito pelo contrário, teme o que pode ocorrer se esses desmembramentos forem efetivados da forma como estão sendo incentivados.

 

A plenária começou, como de costume, com os informes. Pela Diretoria, o professor Breno Santos falou sobre a semana de mobilização em Brasília, entre 22 e 26/09 contra a ameaça de votação de uma proposta de Reforma Administrativa (confira aqui a agenda completa). Os professores Einstein Aguiar, Maria Luzinete Vanzeler e José Domingues de Godoi Filho representarão o sindicato. Santos falou também sobre a abertura do processo de contratação de profissional de Comunicação (veja aqui), a denúncia de inefetividade das nomeações por cotas na UFMT (leia aqui) e convidou a categoria para o ato contra a PEC da blindagem (número 03/2021, assinada pelo deputado Celso Sabino - PSDB/PA), o Projeto de Lei que concede anistia àqueles que atentaram contra o Estado Democrático de Direito (PL 5064/23, assinado pelo senador Hamilton Mourão - Republicanos/RS), e a ameaça de votação de uma nova proposta neoliberal de Reforma Administrativa, que em Cuiabá ocorreu pela manhã, na Praça Cultural do CPA II – bairro popular localizado na região norte da capital mato-grossense.

 

Pelo Grupo de Trabalho Política e Formação Sindical (GTPFS), a professora Irenilda Santos fez um informe qualificado sobre a reunião nacional realizada no início do mês, cujos principais debates foram sobre a questão da Palestina e a nova ameaça de aprovação de Reforma Administrativa.

 

O professor Aldi Nestor de Souza lembrou que, no dia 19/09, o Brasil comemora o nascimento de Paulo Freire, patrono da educação brasileira e um pernambucano cujas ideias continuam incomodando o capital mesmo quase 30 anos após sua morte. O docente também compartilhou a experiência que viveu ministrando aulas para um curso no Centro de Formação e Pesquisa Olga Benário Prestes (Cecap-MT). “Na maior parte do tempo, nós costumamos trabalhar somente teoria na sala de aula. Foi a primeira vez que eu ministrei um curso para detentores dos meios de produção, pessoas que têm um pedaço de terra, produzem ali e vivem dessa produção. Quando a gente pega uma turma que aplica a teoria, é sensacional. Só me fez perceber mesmo que o que nós temos que fazer, enquanto trabalhadores, é tomar os meios de produção”, afirmou.

 

O estudante da UFMT, Alexandre Peixoto, informou aos presentes que está empenhando esforço pessoal em campanha para salvar o bosque que fica ao lado do Museu de Arte e Cultura Popular (Macp) e do Cine Coxiponés.

 

Por fim, a professora Marluce Souza e Silva falou sobre a reforma em andamento do prédio que abriga os institutos de Ciências Humanas e Sociais (ICHS) e Geografia, História e Documentação (IGHD), entre outras obras que ficaram cerca de 12 anos paradas na UFMT e foram retomadas.    

 

Seguindo a máxima de que quem erra na análise de conjuntura, erra na tática e na ação, teve início o segundo ponto de pauta da assembleia. A análise de conjuntura foi bastante ampla, mas boa parte das intervenções girou em torno das movimentações mais recentes do Congresso Nacional que, tomado pela extrema-direita, tenta aprofundar ainda mais a pauta neoliberal, removendo direitos e abrindo mais espaço para os interesses econômicos particulares; a grande questão do debate, no entanto, foi como organizar a classe para responder a esses ataques.

 

“Está comprovado que qualquer esperança no governo de conciliação no Brasil já está fracassada. Estamos vivendo uma ofensiva brutal ao fundo público e aos direitos sociais, tudo rapidamente, em regime de urgência, enquanto nós enfrentamos a desmobilização por conta da rotina cada vez mais massacrante. Precisamos retomar o processo de reorganização da classe e os atos convocados para o domingo serão essenciais para isso”, afirmou o diretor geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.

 

A professora Lélica Lacerda concordou, acrescentando que a conjuntura, após a condenação dos golpistas, apresenta um cenário ainda mais polarizado. “O povo não se identifica mais com o Congresso e nós estamos diante de duas narrativas: uma que o considera um espaço desnecessário, que pode fechar - o que facilita uma postura ditatorial -, e uma segunda leitura, que seria a tomada desse espaço pelos trabalhadores. Para onde nós vamos? Precisamos superar o processo de cooptação da classe, porque as alternativas são ou neocolonialismo ou socialismo”, afirmou.

 

O professor Juliano Santos, de Sinop, também falou do esvaziamento dos espaços de luta, e da abertura da própria universidade para a lógica do mercado, além da influência concreta de organizações privadas.

 

Dialogar com a população sobre os efeitos concretos das investidas neoliberais no cotidiano, e também com a própria comunidade acadêmica da UFMT - que tem se deixado mover pela lógica mercadológica - foram as principais ações apontadas durante as intervenções.  

 

Sobre a proposta de desmembramento dos campi da UFMT, especialmente o de Sinop, cujo projeto caminhou na última semana (saiba mais aqui), o diretor-geral do sindicato começou falando que o encaminhamento do projeto do senador Carlos Fávaro causou preocupação, mas não exatamente surpresa, e prosseguiu afirmando que o texto não representa a vontade da comunidade.

 

Os professores da UFMT em Sinop repetiram que não houve diálogo, que a administração local se utiliza da relação contaminada com a Reitoria para fazer campanha pelo desmembramento como se fosse a única solução possível, e que está evidente que os interesses de grupos privados têm impulsionado a ideia de separação.

 

Causou surpresa a intervenção da atual reitora, que afirmou participar da assembleia na qualidade de docente sindicalizada. Ela fez ponderações acerca do pavor gerado no campus após andamento do projeto de lei, afirmando que, mesmo com a propaganda, um eventual desmembramento não deve ser tão simples, nem do ponto de vista econômico, nem do político e nem do jurídico. Segundo a docente, apesar das tratativas internas de 2008, que transformaram o Centro Pedagógico do Norte Mato-grossense em campus e a diretoria local em Pró-reitoria, não é esse o entendimento do próprio Ministério da Educação (MEC). “Nós estamos preparando um relatório para desconstruir toda a narrativa criada em Sinop: vamos comprovar que o campus foi o mais beneficiado nos últimos anos e que suas fragilidades não são causadas pela administração de Cuiabá. Além disso, nós temos resposta do MEC de que não está autorizada a criação de nenhuma universidade esse ano. Pode mudar em 2026? Sim, mas, até do ponto de vista jurídico, não me parece que seja um processo tão simples”, afirmou a reitora, se comprometendo a compartilhar amplamente o documento assim que finalizado.

 

Após longo debate, concluindo que refletir sobre multicampia é refletir sobre o próprio futuro da universidade, os presentes encaminharam: pautar a multicampia a partir de outubro, nos debates preparatórios para a assembleia universitária que marcará os 55 anos da UFMT; atualizar os dados e fazer circular o documento elaborado pelo Grupo de Trabalho Multicampia e Fronteiras da Adufmat-Ssind (leia aqui); levar esse debate, juntamente com os dados levantados pela administração e pelo próprio GT para eventos presenciais também nos campi de Sinop e Araguaia; realizar uma assembleia da Adufmat-Ssind em Sinop na segunda quinzena de outubro, com a presença de docentes de Cuiabá, Várzea Grande e do Araguaia; estabelecer parceria entre o GT Multicampia e Fronteiras e Reitoria para elaboração da Resolução de Multicampia (que ainda não existe na UFMT); solicitar à administração da universidade que reforce o pedido de publicização das agendas das representações dos campi junto a políticos, para identificar eventuais solicitações de desmembramento à revelia da comunidade.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

Quinta, 18 Setembro 2025 14:27

 

Diretoria da Adufmat-Ssind reforça convocação para assembleia nessa sexta-feira, 19/09, com este ponto de pauta

 

Eu reunião realizada na Reitoria da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) nesta quarta-feira, 17/09, a reitora Marluce Souza e Silva concordou com a Associação dos Docentes (Adufmat-Ssind), de que é preciso aprofundar o debate sobre as propostas de desmembramento dos campi antes de tomar qualquer decisão. De forma alheia à comunidade, a Comissão de Educação do Senado aprovou, esta semana, a indicação ao Executivo para a criação de nova universidade federal a partir do campus da UFMT em Sinop.

 

A apreciação causou estranhamento porque, em julho de 2024, a Adufmat-Ssind solicitou oficialmente, por meio de documento elaborado pelo Grupo de Trabalho Multicampia e Fronteiras, entregue a todos os parlamentares que têm projeto nesse sentido (leia aqui), que não haja encaminhamento dos projetos sem que o debate seja realizado e a comunidade - não apenas de Sinop, mas de toda a UFMT, em todo o estado - se sinta em condições de decidir.

 

“A Adufmat-Ssind tem posicionamento, vai encampar esse debate, mas ele não é apenas de interesse da categoria docente, é um tema de interesse de toda a comunidade acadêmica – docentes, técnicos-administrativos e estudantes – e, portanto, uma responsabilidade da instituição”, afirmou o diretor-geral da Adufmat-Ssind, Breno Santos.

 

Apesar desse posicionamento, a representação local da Adufmat-Ssind e outros professores de Sinop, presentes na reunião, reclamaram que há uma imposição de determinado grupo político no campus, cujos interesses particulares têm apontado para o desmembramento como única alternativa aos problemas, à revelia da comunidade acadêmica. De acordo com os relatos, há uma campanha aberta em Sinop, refutando até o uso da palavra multicampia e, por vezes, utilizando informações falsas para justificar uma “emancipação”.

 

Os presentes lembraram, ainda, que não há perspectiva de aumento de orçamento mesmo com eventual desmembramento. No entanto, há quem deposite esperanças de melhoria por meio de emendas parlamentares. Segundo relatório divulgado pelo Observatório do Conhecimento, de 2014 a 2025 as emendas parlamentares passaram de 0,8% para aproximadamente 7,2% do orçamento das universidades federais, no entanto, isso faz com que a universidade fique mais dependente de políticos – e em “dívida” com eles.

 

A reitora afirmou que já se manifestou publicamente contrária ao desmembramento, neste momento, e se comprometeu a fazer o debate junto a comunidade acadêmica, inclusive como preparação para a assembleia universitária que marcará os 55 anos da instituição ainda este ano. Ela também afirmou que disponibilizará um relatório sobre as reais condições do campus de Sinop.

 

A Adufmat-Ssind reforça a convocação da categoria para Assembleia Geral Extraordinária que será realizada nesta sexta-feira, 19/09, às 13h30, na sede e subsedes de Cuiabá.

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind