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Terça, 12 Maio 2026 17:41

Perdeu o Seminário Será o fim do Trabalho? Universidade, IA e Mundo do Trabalho: quais perspectivas? Assista aqui

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Para quem perdeu a oportunidade de presenciar o incrível debate sobre trabalho realizado no auditório da Adufmat-Ssind entre os dias 05 e 08/05, organizado pelos Grupos de Trabalho Política e Formação Sindical (GTPFS) e Política de Classe para questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS), uma boa notícia: os vídeos do Seminário "SERÁ O FIM DO TRABALHO? Universidade, IA e Mundo do Trabalho: quais perspectivas?" já estão disponíveis.


Enquanto o capitalismo tenta nos convencer de que a Inteligência Artificial é uma espécie de divindade redentora — e não apenas mais uma ferramenta para espremer o que resta da nossa força de trabalho —, os Grupos de Trabalho e a Adufmat-Ssind reuniram mentes que avaliam vários aspectos deste processo. Abaixo, destacamos alguns pontos do necessário debate realizado em cada um dos dias, que indicam, primeiro, uma "barbárie previsível" e já visível, e segundo, que a saída para tudo isso só pode ser coletiva.


05/05 – Mesa: Análise de Conjuntura


A abertura do seminário refutou categoricamente a tese do "fim do trabalho". A professora Alair Silveira recebeu os convidados e demais participantes afirmando que não se pode pensar no futuro sem compreender o passado.


O professor Breno Santos (UFMT) pontuou que o que testemunhamos são novas formas de exploração sobre velhas relações capitalistas, agravadas pelo neofascismo e pela ofensiva imperialista. Santos provocou a audiência ao traçar paralelos entre o embargo econômico sofrido por Cuba há 65 anos e as "guerras não convencionais" do cotidiano brasileiro, como o arrocho fiscal que naturaliza a perda de direitos.


Em sua análise, a docente Lélica Lacerda (UFMT) trouxe a urgência da interseccionalidade, demonstrando como gênero, raça e classe são marcadores que hierarquizam a vida desde a Grécia Antiga. Citando Mészáros, ela discutiu a crise estrutural do capital iniciada na década de 1970 e como o discurso neoconservador substitui o debate racional pelo "pânico moral" para minar direitos.


Já Rodrigo Castelo (UNIRIO) resgatou autores clássicos para definir o fascismo como um projeto burguês que captura países dependentes, reforçando que a derrota da classe trabalhadora começa na própria organização da produção.


Clique aqui para assistir ao debate do dia 05/05/25

 

06/05 – Mesa: Mundo do Trabalho, Estado e Sociedade


No segundo dia, a centralidade da categoria Trabalho foi reafirmada.

A professora Patrícia Félix (UFMT) lembrou que a história brasileira não pode ignorar a escravidão e denunciou que mesmo a Inteligência Artificial depende de um "exército de microtarefas", precarizado e residente no sul global. “A Inteligência Artificial depende do trabalho humano precarizado, para testar as tecnologias de aplicativos e softwares, por meio de microtarefas que pagam milésimos de dólares aos trabalhadores do sul global”, afirmou.


O Estado, por sua vez, foi descrito pela convidada Patrícia Acs (Mulheres em Luta), numa perspectiva militantes, não como um mediador neutro, mas como um agente do capital que investe no aparato penal enquanto sucateia serviços públicos e avança na militarização das escolas, disseminando a ideia de que o trabalho deve ser alienado e disciplinado.


A professora Adriana Penna (UFF) aprofundou a análise a respeito da Educação, alertando para a "lógica da parceria público-privada" e a influência de organizações internacionais como o Banco Mundial na modelagem de um trabalhador "adaptável" à barbárie. Penna ironizou a valorização do perfil de "influencer" em detrimento da docência, enquanto o mercado monetiza a pobreza sob o verniz do "desenvolvimento sustentável" e do "empoderamento" individualista.


A docente da Federal Fluminense apresentou uma série de dados em um slide, que está disponível para consultas aqui.

 
Clique aqui para assistir ao debate do dia 06/05/25



07/05 – Mesa: Universidade, Trabalho e Inteligência Artificial


O debate sobre tecnologia foi introduzido pela docente Josiane Oliveira (UFMT), que definiu a atual posição do Brasil como um "treinador" de IAs para economias centrais — um verdadeiro colonialismo de dados.

 

O professor Aldi Nestor de Souza (UFMT) reforçou a perspectiva marxista de que tudo o que “não dá no pé” é fruto do trabalho humano, denunciando o uso ideológico da IA para exercer coação e medo sobre os trabalhadores.

 

Encerrando a mesa, o presidente do IBGE, professor Márcio Pochmann, trouxe dados sobre a reconfiguração do território brasileiro, comparando o cenário atual de falta de planejamento e favelização com a realidade de um século atrás.

Pochmann destacou que a era digital eliminou as fronteiras entre casa e trabalho, fazendo com que o usuário realize, de forma não paga, tarefas que antes eram funções remuneradas, como os serviços bancários. “Nós estamos reproduzindo, nesta nova sociedade, instrumentos e formas do passado, com o aumento da exploração”, disse.

 

Clique aqui para assistir ao debate do dia 07/05/25

 

08/05 – Mesa: Quais as perspectivas de futuro se constroem do passado e do presente?

 

O encerramento contou com a presença emblemática de Waldir Bertúlio, cuja trajetória se confunde com a própria história da UFMT. Como primeiro presidente da Adufmat-Ssind, Bertúlio foi peça central na resistência sindical e na organização docente durante os anos de chumbo da ditadura empresarial-militar.

 

Neste contexto, a professora Alair Silveira (UFMT) apresentou uma análise contundente sobre o refluxo organizativo da classe, enfatizando a urgência de uma campanha contra a naturalização do trabalho sem direitos, um fenômeno contemporâneo onde a precarização passa a ser aceita como um dado imutável da realidade.

 

Para a docente, o Movimento Sindical atravessa um momento de estreitamento político, no qual a luta tem se limitado perigosamente aos marcos da legislação, perdendo de vista o enfrentamento direto e a disputa de projeto de sociedade. A classe trabalhadora está, gradualmente, abrindo mão da radicalidade necessária para confrontar o capital, e é preciso recuperar essa radicalidade.


Por fim, Plínio de Arruda Sampaio Jr. (Unicamp) apresentou uma leitura implacável do "capitalismo da barbárie", alertando para o colapso ambiental iminente. Para o docente, o desafio da classe trabalhadora é romper com a lógica de escolher o "menos pior" e buscar uma direção estratégica que vá, efetivamente, além do capital. Sem ilusões, ele reafirmou o horizonte comunista como o único norte capaz de frear a devastação em curso

 

Clique aqui para assistir ao debate do dia 08/05/25

 

 

Luana Soutos

Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind

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