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Espaço Aberto é um canal disponibilizado pelo sindicato
para que os docentes manifestem suas posições pessoais, por meio de artigos de opinião.
Os textos publicados nessa seção, portanto, não são análises da Adufmat-Ssind.
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JUACY DA SILVA*
Se Lula, mesmo estando fora do poder há 12 anos, conseguiu derrotar Bolsonaro, que estava como presidente da República, com a máquina na mão, obtendo mais de 60 milhões de votos no segundo turno em 2022, com certeza pode ser considerado um candidato quase imbatível à reeleição em 2026. Este é o desespero da direita e da extrema-direita diante dos cenários eleitorais futuros.
Desde antes das eleições de 2022, quando o povo brasileiro elegeu democraticamente Lula para um terceiro mandato como presidente da República, alguns próceres da direita e, principalmente, da extrema-direita, dominada amplamente pelo bolsonarismo, não têm dado tréguas ao mesmo.
Durante os quatro anos de Bolsonaro, conforme diversas investigações da Polícia Federal têm comprovado, e a Justiça não tem se omitido, ficou e tem ficado amplamente documentado as maquinações que ocorriam inclusive nas antessalas dos Palácios do Planalto e da Alvorada, como o gabinete do ódio, as ações das milícias digitais e também tentativas de atos terroristas, como o que iria explodir um caminhão-tanque carregado com combustíveis próximo ao aeroporto de Brasília, ações contra a sede da Polícia Federal em Brasília, os bloqueios em diversas rodovias federais, os acampamentos golpistas em frente a diversas unidades militares, até culminar com a depredação do Palácio do Planalto, do Congresso Nacional e da sede do Supremo Tribunal Federal, como já demonstrado pelas ações que estão em curso ou já concluídas na referida Suprema Corte, quando a cúpula das maquinações — o que é chamado de “master minds”, em inglês, os cabeças pensantes —, incluindo o ex-presidente, acabou sendo condenada por diversos crimes a nada menos do que 27 anos de prisão, inicialmente em regime fechado.
Neste meio-tempo, uma verdadeira campanha tem sido feita sistematicamente, primeiro pelo ex-presidente, quando ainda estava no cargo, contra alguns ministros do Supremo Tribunal Federal, incluindo tentativas de “impeachment” dos mesmos junto ao Senado Federal e insinuações de atos de corrupção por parte dos mesmos, desmentidos pelo próprio ex-presidente quando inquirido frente a frente pelo ministro Alexandre de Moraes.
Outra forma de “melar” as eleições foi a tentativa de desacreditar as urnas eletrônicas e o processo eleitoral, envolvendo até mesmo as Forças Armadas, através de uma comissão do Ministério da Defesa para fiscalizar as urnas eletrônicas — algo que jamais se inclui entre as atribuições das Forças Armadas —, tendo em vista que, no Brasil, desde a Proclamação da República, não existe mais a figura do “poder moderador”, que era atribuída ao imperador e que alguns militares golpistas tentavam ressuscitar ao interpretar de forma equivocada o que realmente é atribuição das Forças Armadas, estimulando um caráter golpista aos militares, o que, graças à postura legalista dos comandantes da Força Aérea e do Exército, impediu que se concretizasse realmente um golpe de Estado.
Outra forma de estimular a instabilidade democrática e criar um clima de caos institucional tem sido as ações e maquinações do filho do ex-presidente, também deputado federal, que, mesmo sem trabalhar no Congresso como parlamentar, continua recebendo seus salários, apesar de estar nos EUA fomentando ações do governo americano contra o Brasil, incluindo o tarifaço de 50% sobre nossas exportações, gerando desemprego, instabilidade econômica e financeira para diversos segmentos produtivos, além de criar um clima de conflito entre os EUA e o Brasil, ensejando reprimendas contra autoridades do Poder Judiciário e outras figuras de relevo do governo federal.
Diante de uma pronta atitude de altivez e firmeza por parte do presidente da República, ao defender a soberania nacional, a independência e a autodeterminação de nosso país e em não ceder a tais pressões, essas “armações” acabaram caindo por terra, como sendo “um tiro pela culatra”, ou seja, o prestígio de Lula perante a opinião pública nacional e internacional se elevou, tendo em vista que o mesmo demonstrou que não existem razões econômicas e muito menos comerciais nas práticas adotadas pelo Brasil em sua política externa, principalmente na política de comércio exterior, tendo em vista que os EUA são superavitários em relação ao Brasil em mais de 400 bilhões de dólares nos últimos quinze anos, ou seja, os EUA vendem muito mais ao Brasil do que importam de nosso país.
Além disso, as ameaças americanas à soberania e independência do Brasil em decorrência do julgamento da trama golpista e outros crimes cometidos contra o Estado Democrático de Direito, contra as instituições e contra os interesses nacionais seguiram todos os trâmites legais, com direito à ampla defesa, à presunção da inocência e ao chamado “contraditório”, e que isto é atribuição do Poder Judiciário, não sujeito à interferência do Poder Executivo.
Bastou um mero aperto de mão e a troca de olhares e poucas palavras entre Lula e Trump, por ocasião da presença de ambos no início da Assembleia Geral da ONU, em setembro último, para que todas as maquinações contra o Brasil fossem desfeitas.
Ato contínuo, ocorreu um diálogo telefônico entre os dois chefes de Estado e, a partir daí, as negociações e a busca de um consenso estão sendo alcançadas, culminando com um encontro formal entre Lula e Trump neste último domingo, durante a reunião da ASEAN, na Malásia, por quase uma hora, quando os mesmos estavam acompanhados de seus ministros de Relações Exteriores, assessores e negociadores, para que este imbróglio criado pelos paladinos da extrema-direita seja desatado.
Durante este encontro coube a Lula apresentar, por escrito, toda a argumentação pertinente e, pela reação de Trump, pode-se dizer que essas pendengas criadas por quem desejava colocar o Brasil perante os olhos do mundo e, principalmente, perante os olhos de Trump e do governo americano, caíram por terra, aumentando o crédito internacional quanto à postura e altivez de Lula e do governo brasileiro.
Como se diz, todas as dúvidas e juízos imprecisos não resistem à verdade, e foi isto o que Lula demonstrou ao presidente Trump, destruindo todas as maquinações que estavam e, com certeza, por mais algum tempo, ainda serão tentadas por falsos patriotas que colocam os interesses familiares acima dos interesses nacionais.
Desde o início das pressões americanas, embasadas em informações distorcidas apresentadas pelo filho do ex-presidente Bolsonaro para fundamentar suas narrativas — que corre o risco de ter seu mandato cassado —, o mesmo alimenta uma guerra surda com vários outros expoentes da direita e extrema-direita, implodindo a possibilidade de haver um consenso entre aspirantes a candidatos à Presidência da República, incluindo diversos setores do chamado Centrão.
Neste contexto, todas as pesquisas de opinião pública, nos últimos três ou quatro meses, estão demonstrando que Lula tem recuperado seu prestígio eleitoral em todos os estados e regiões, entre todos os segmentos, inclusive em alguns outrora marcadamente favoráveis ao bolsonarismo e a outros candidatos de direita, como os evangélicos, as mulheres, a população que ganha até cinco salários mínimos, os jovens e as diversas categorias de trabalhadores.
Resumindo: se as eleições fossem hoje ou nas próximas semanas, tendo em vista os frutos desta reunião entre Trump e Lula deste último domingo, o atual presidente venceria todos os demais concorrentes e, talvez, conseguisse este feito no primeiro turno.
Além disso, e até mesmo diante do boicote que o governo Lula tem sofrido, principalmente na Câmara Federal e em parte do setor empresarial, especialmente do mercado financeiro, denominado de “Faria Lima”, graças ao desempenho do governo tanto em termos econômicos quanto sociais, este prestígio de Lula e de seu governo tem sido altamente favorável.
Foi por isso que, há poucos dias, ao celebrar seu aniversário de 80 anos, Lula disse, de forma bem clara, que se sente em condições físicas, mentais, emocionais e políticas para concorrer a um quarto mandato em 2026.
Todavia, existe um grande desafio que está em jogo: tanto a direita quanto a extrema-direita, aos poucos, estão aceitando a vitória de Lula em 2026 e, diante disso, pretendem seguir no jogo de obstrução parlamentar. Para tanto, a grande estratégia deste segmento político conservador seria aumentar a maioria que já detém na Câmara Federal e que tantas dores de cabeça e derrotas parlamentares têm imposto ao governo Lula, prejudicando não o governo federal em si, mas o povo brasileiro, principalmente os pobres e a classe média.
Além disso, esta estratégia da direita e extrema-direita tentará desesperadamente conseguir também a maioria absoluta no Senado Federal, a partir de onde poderá provocar o impeachment de alguns ministros do STF e até mesmo um golpe parlamentar, como o que ocorreu contra Dilma.
Todavia, da mesma forma que Bolsonaro foi o maior cabo eleitoral da direita e extrema-direita em 2022, quando ajudou a eleger diversos senadores e deputados antes totalmente desconhecidos pelo Brasil, nas eleições de 2026, com certeza, diante dos resultados altamente positivos do governo Lula, tanto em relação às políticas públicas internas quanto à política externa brasileira, o atual presidente poderá alavancar a eleição de uma ampla maioria tanto na Câmara Federal quanto no Senado e, com alta probabilidade, em relação aos futuros governadores.
Este está sendo, cada vez mais, o temor e o desespero da direita e extrema-direita brasileira. Estamos, praticamente, a menos de um ano das eleições no primeiro turno e, a cada dia, o clima político e pré-eleitoral fica mais dinâmico e mais imprevisível, apesar dos inúmeros desafios que os partidos têm diante de si nos estados. Em muitos, a direita e a extrema-direita estão cada vez mais rachadas, o que favorece o chamado centro democrático, o centro-esquerda e os partidos de esquerda.
Lula já demonstrou sua habilidade em juntar cacos e construir novos vasos e sair-se vencedor, e isto deverá ocorrer mais uma vez!
*Juacy da Silva, professor fundador, titular e aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso, sociólogo, mestre em Sociologia, ambientalista, articulador da Pastoral da Ecologia Integral – Região Centro Oeste. E-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.