Seminário Nacional do ANDES-SN garantiu importante espaço de reflexão e debate sobre organização da entidade
O Seminário Nacional de Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas do ANDES-SN foi concluído neste domingo (30), em São Paulo (SP). O evento, que começou na sexta-feira (28) e reuniu 120 participantes de 47 seções sindicais, foi reconhecido, nas intervenções de diversos e diversas participantes, como um espaço fundamental para a reflexão interna sobre a entidade e uma conquista coletiva para a categoria docente.

Durante os três dias de intensos debates, foram abordados temas cruciais para a organização interna, financiamento e funcionamento do Sindicato Nacional. Entre as discussões centrais, destacaram-se a crise do movimento sindical e a organização da classe trabalhadora, a concepção de Sindicato Nacional versus Federação, os princípios que orientam as resoluções financeiras - como rateio e fundo único -, o debate sobre proporcionalidade versus majoritariedade na composição da diretoria, e a metodologia para funcionamento dos espaços deliberativos - como Congressos e Conads - e a necessidade de atualizá-los.
A ampla participação e a franqueza dos debates permitiram que as diferentes forças políticas que compõem a base da entidade apontassem suas percepções sobre as diferentes temáticas e propusessem caminhos para que o ANDES-SN continue cumprindo seu papel histórico como importante instrumento de luta da categoria docente e de toda a classe trabalhadora.
Avaliações
Representantes das seções sindicais e da diretoria do Sindicato Nacional, presentes no seminário, destacaram a importância dos debates realizados para o aprimoramento da atuação da entidade.

Helga Martins, docente da Universidade Federal de Jataí (UFJ), pontuou a necessidade de massificação do sindicato e da ampliação da democracia interna, vinculando a organização interna à luta de classes externa e ao internacionalismo. A docente destacou a relevância do espaço de debate proporcionado pelo Seminário.
“Importante espaço para refletirmos sobre a necessidade - na conjuntura internacional e nacional na qual nos encontramos -, de massificarmos o ANDES-SN enquanto instrumento da nossa classe, ampliando nossa democracia operária no interior do sindicato e rompendo com tendências ao hegemonismo. Pensarmos e agirmos o ANDES-SN para dentro e também para fora, fortalecendo os espaços de articulação do campo classista, fincando, mais firmemente, nossos pés no chão da luta de classes, com horizonte da unidade para enfrentar os desafios da conjuntura, incluindo uma firme e sólida solidariedade internacional na luta anti-imperialista na América Latina e no fortalecimento de uma Universidade e educação efetivamente populares”, analisou Helga.

Nicole Pontes, docente da Universidade Federal Rural de Pernambuco (Uferpe), enfatizou a importância do seminário e destacou que o evento atendeu a um pedido antigo da categoria e das seções sindicais e destacou a necessidade de aprofundamento nas questões financeiras e democráticas. Ela parabenizou a diretoria do ANDES-SN pela construção desse processo, mas ressaltou a necessidade de seguir aprofundando as discussões para reorganizar algumas questões fundamentais no sindicato.
“Acho que a gente atinge um momento importante de reorganização das nossas lutas, da forma de construir as lutas e de organizar o sindicato. Como eu disse em uma das minhas falas, é importante também a gente fazer a gestão dos nossos recursos para maximizar a luta e a nossa atuação. Eu acho que foi importantíssimo a gente fazer esse início de discussão das questões financeiras. Acho que a gente vai precisar ainda de mais aprofundamento nesse processo, mas também de pensar essas formas sobre proporcionalidade, de aprofundar a discussão da forma e participação de grupos minoritários, em termos políticos, dentro do Sindicato Nacional e amadurecer uma ideia de participação maior, de forças distintas, dentro do nosso espaço, refletiu Nicole.

O presidente do ANDES-SN, Cláudio Mendonça, afirmou que o seminário cumpriu o objetivo de ouvir as demandas da base. Ele ressaltou que, durante o evento, diversas mesas de debate abordaram temas fundamentais para a organização da luta da categoria.
“O Seminário Nacional sobre Questões Organizativas, Administrativas, Financeiras e Políticas do ANDES-SN proporcionou um espaço para ouvir as demandas da categoria, com o objetivo de fortalecer nosso Sindicato Nacional, além de refletir sobre os desafios financeiros que enfrentamos. Durante o evento, diversas mesas de debate abordaram temas como a situação da classe trabalhadora no mundo, a campanha de sindicalização, as razões pelas quais somos um sindicato nacional e não uma federação, o debate sobre proporcionalidade x majoritariedade, e os espaços deliberativos e o funcionamento do sindicato. Saímos desse seminário mais fortalecidos enquanto Sindicato Nacional, renovados no compromisso de aprimorar nossas instâncias e intensificar nossas lutas”, avaliou Cláudio.

Encaminhamentos
O debate sobre as questões organizativas e financeiras não é novidade no ANDES-SN, e as contribuições no Seminário reforçaram a importância de princípios como a solidariedade, a arrecadação única e a autonomia financeira. No entanto, foram apontadas necessidades de avaliação e possíveis ajustes em aspectos financeiros, como a composição do fundo único e o rateio do custeio dos espaços deliberativos, além de ampliação ou revisão da política de apoio para a participação de seções sindicais menores, bem como atualização da estrutura e funcionamento de espaços deliberativos da categoria.
Os encaminhamentos resultantes do seminário serão sistematizados em um relatório, que será avaliado pelas seções sindicais presentes. O conteúdo completo dos debates e propostas irá compor o texto de apoio e propostas de resolução que o Grupo de Trabalho de Política de Formação Sindical (GTPFS) apresentará no 44º Congresso do ANDES-SN, que acontecerá em Salvador (BA), em março de 2026.
Fonte: Andes-SN | Fotos: Eline Luz
CONVITE | Debate "Que autonomia queremos? Conselhos democráticos ou burocráticos?"
A Adufmat-Ssind e o Andes-Sindicato Nacional convidam, ainda, toda a comunidade acadêmica da UFMT para o debate "Que autonomia queremos? Conselhos democráticos ou burocráticos?", que será realizado na terça-feira, 08/07, às 14h, presencialmente, no auditório do Instituto de Educação (IE).
Novamente, a convidada para provocar reflexões sobre o tema será a professora da Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Ana Luisa A. de Oliveira. Graduada em Agronomia e doutora em Desenvolviento Rural, em abril deste ano foi a primeira docente negra aprovada pelo sistema de cotas da instituição.
Na ocasião, a docente partilhará das experiências na Univasf e de outras universidades, para que os presentes possam localizar os desafios que a própria UFMT ainda deve enfrentar e superar em sua democracia interna para o cumprimento efetivo dos direitos da comunidade.
Data: 08/07 (terça-feira)
Horário: 14h
Local: Auditório do IE e também online no Facebook da Adufmat-Ssind (clique aqui).
Quilombo São Benedito em MT se prepara para receber grande debate sobre povos tradicionais e ciência
2º Seminário de Povos Tradicionais, Quilombolas e Indígenas de Mato Grosso será realizado de 24 a 26 de abril, em Poconé
O Quilombo São Benedito, em Poconé (MT), já está se preparando para receber estudantes, professores e pesquisadores para o "2º Seminário de Povos Tradicionais, Quilombolas e Indígenas de Mato Grosso: memórias afetivas dos quintas mato-grossenses", um evento que irá discutir, de 24 a 26 de abril, a valorização de saberes ancestrais, a produção de alimentos saudáveis, a popularização da ciência, com acesso a novas tecnologias, a cultura, a arte e a valorização do conhecimento local. Esta é uma iniciativa da UNEMAT e tem a coordenação da professora doutora Lisanil da Conceição Patrocínio Pereira, com financiamento do CNPq.
"O que propomos é o acesso de nosso povo ao ensino e à pesquisa, dando à juventude a oportunidade de tomar conhecimento da própria realidade, para que assim possa transformá-la", explica a professora que coordena diversos projetos de interface, entre o ensino, pesquisa e extensão na UNEMAT, tais como este e outros seminários, a Olimpíada e a Mostra Científica de saberes populares, e o Mais Ciência na Escola em Mato Grosso. Todos eles de iniciação científica e popularização da ciência.
Inclusive, estas experiências estão virando livros. O último deles ficou pronto este mês, com o título Iniciação Científica Decolonial: Educação, Transversalidade da Ciência e Inovações para o Planeta.

É neste contexto de fomentar a cultura de valorização da ciência que está sendo implementado mais um projeto de iniciação científica em Mato Grosso. Trata-se de um projeto do programa Mais Ciência na Escola, uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) e do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCTI), com bolsas do CNPq.
"Nosso projeto envolve uma rede com 15 escolas públicas do Estado de Mato Grosso. Temos, ao longo dos anos, incentivado jovens quilombolas, indígenas e de comunidades tradicionais a serem cientistas, pesquisadores, protagonistas de sua história. Temos feito visitas às unidades escolas para selecionar bolsistas de iniciação científica e também para verificar o espaço para a implantação do Laboratório Maker, em que os bolsistas poderão estudar temas como o plantio tradicional, a história de personalidades locais e até mesmo produzir itens para venda, já que um dos objetivos é abrir caminho de melhoria de vida a esses jovens estudantes, muitos deles em situação de vulnerabilidade social", explica a professora.
O evento é uma realização da UNEMAT, com uma série de apoios, entre eles do Governo Federal, o MEC e o MICT e o CNPq.

Fonte: Assessoria
Docentes visitam terra indígena e Guiana no último dia do II Seminário de Multicampia e Fronteira
O II Seminário de Multicampia e Fronteira do ANDES-SN encerrou suas atividades no sábado (15) com uma visita à Terra Indígena (TI) Raposa Serra do Sol, em Roraima, e ao país vizinho, Guiana. O evento foi organizado pelo Grupo de Trabalho de Multicampia e Fronteira (GT Multi-Front) do Sindicato Nacional, em parceria com a Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Roraima (Sesduf-RR SSind.).
As e os docentes de diversas instituições de ensino do país tiveram a oportunidade de vivenciar a realidade dos povos originários. Uma viagem de cerca de quatro horas separa a capital Boa Vista da Terra Indígena (TI) Raposa Serra do Sol, é uma das maiores terras indígenas demarcadas no Brasil, com 1,7 milhão de hectares, e abriga uma população de 27 mil indígenas dos povos Macuxi, Wapichana, Taurepang, Patamona e Ingarikó.
Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SN
O grupo de docentes foi recepcionado com a defumação, um ritual de cura e de proteção, seguido por um canto de boas-vindas. Durante a visita, as professoras e os professores puderam conhecer saberes ancestrais preservados pelo povo indígena Macuxi, como a pintura com jenipapo - técnica que utiliza o fruto para criar uma tinta preta na pintura corporal e em utensílios. Também acompanharam a produção de panelas de barro pelas mulheres da comunidade, além da confecção de cestos e de arco e flecha.
Foto: Eline Luz/Imprensa do ANDES-SN
A indígena Joana destacou a importância da transmissão dos conhecimentos tradicionais. “Estamos fazendo uma pequena exposição das panelas de barro e outros artefatos como forma de preservar a cultura ancestral dos povos indígenas. É um trabalho que aprendi desde cedo e hoje repasso para meus filhos, netos e para aqueles que vêm compartilhar esse momento”, disse.
As e os docentes também acompanharam o preparo de um prato típico da região, a damurida - um caldo quente e picante feito com peixe, tucupi, pimentas, verduras e beiju de mandioca. A programação incluiu um passeio pela comunidade, onde as e os participantes puderam conhecer mais da estrutura do local, que conta com a Escola Estadual Indígena José Viriato, fundada em 1970, e um almoço com comidas típicas.
Foto: Eline Luz/Imprensa ANDES-SNDe lá, o grupo seguiu para a fronteira entre as cidades de Bonfim (RR) e Lethem, na Guiana. Durante o trajeto, o professor Antônio Carlos Araújo, presidente da Sesduf-RR SSind., compartilhou experiências sobre a vivência em uma região fronteiriça e os desafios enfrentados nas atividades de extensão e pesquisa.
Segundo o presidente da seção sindical, a experiência proporcionou um importante intercâmbio de saberes e reforçou a necessidade de fortalecer as lutas em defesa da educação pública e dos direitos dos povos indígenas.
"Enfrentamos diversas dificuldades, mas conseguimos superá-las com o apoio da base e da direção do Sindicato Nacional que sempre estiveram dispostos a colaborar na organização do seminário. Nestes dias, discutimos a multicampia, os desafios das fronteiras e os impactos das políticas de ensino sobre quem depende da estrutura pública das universidades federais e estaduais. Além disso, reforçamos o debate sobre o modelo de universidade que queremos, considerando as particularidades das regiões de fronteira”, afirmou o docente, que destacou uma mesa específica do seminário em que todas as seções sindicais puderam relatar suas realidades e desafios.

Araújo também agradeceu o esforço das e dos docentes, que vieram de diferentes partes do país, enfrentando deslocamentos longos e complexos. “Essa participação expressiva foi fundamental para o sucesso do evento e deve servir de exemplo para futuras edições”, ressaltou.
Para José Sávio Maia, 2º vice-presidente da Regional Norte II do ANDES-SN e da coordenação do GT Multi-Front, o evento foi uma experiência riquíssima para as e os participantes.
“As atividades foram organizadas de forma que pudéssemos conhecer o funcionamento dos três campi da UFRR, mas, principalmente, por termos participado de uma atividade que permitiu uma imersão durante um dia inteiro em uma comunidade indígena na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, com direito a várias oficinas e almoço com traços de sua cultura oferecidas por membros da comunidade (Makuxi e Wapixana), seguida por uma visita à cidade de Lethem, na Guiana, onde pudemos experienciar algumas das modalidades de deslocamentos pela Amazônia: estradas de terra, balsas e ‘trancas’ de portões nas regiões de fronteiras, locais onde pode acontecer, tudo, menos a regularidades dos relógios”, avaliou.

Seminário
O II Seminário de Multicampia e Fronteira do ANDES-SN ocorreu de 13 a 15 de março em Boa Vista (RR) e contou com a participação de mais de 70 docentes vindos de diversas regiões do país. O evento é uma deliberação do 67º Conad, realizado no ano passado em Belo Horizonte (MG).
Fonte: Andes-SN
ATUALIZADA - Debate: COVID, Novas Pandemias e o Agronegócio - 18/03 às 19h, no ISC
Atualizada às 17h50 do dia 26/03/25 para inclusão do link da gravação do evento*
O modelo produtivo do agronegócio representa riscos para o surgimento de novas pandemias?
Na próxima terça-feira, 18/03, às 19h, o auditório do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFMT) recebe o professor Allan Campos Silva (USP) para um debate essencial sobre o tema. Ele é tradutor e prefaciador do livro "Pandemia e Agronegócio: Doenças Infecciosas, Capitalismo e Ciência", do biólogo e epidemiologista norte-americano, Rob Wallace.
A obra explora uma relação analisada por Wallace há cerca de 20 anos: o aumento desenfreado do confinamento de animais para produção de alimentos em locais onde compartilham raça, idade e sistema biológico, cenário de total desequilíbrio e, consequentemente, perfeito para o desenvolvimento de microrganismos, contágios e mutações.
Geógrafo, doutor em Geografia Humana com ênfase em Geografia da População, do Trabalho e da Saúde, o professor Allan Campos Silva, que também é membro da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (ABRASCO), se dedica á pesquisas relacionadas aos temas saúde pública, agronegócio, modernização brasileira, doenças ocupacionais infecciosas, migrações e refúgio.
Com apoio da Pós-Graduação em Geografia, Pós-Graduação em Saúde Coletiva, Instituto de Saúde Coletiva e Aufmat-Ssind, este evento presencial busca ampliar o debate sobre as conexões entre modelos produtivos e a emergência de pandemias, como a COVID-19.
O evento será gratuito e aberto a todos os interessados. Acompanhe online aqui
Vamos falar sobre assédio? Adufmat-Ssind realiza debate na próxima quarta-feira, 04/09, às 14h
A Adufmat-Ssind convida toda a comunidade acadêmica para o debate “Então tá, vamos conversar sobre assédio na UFMT?”, que será realizado na próxima quarta-feira, 04/09, a partir das 14h. O encontro será híbrido, presencialmente no auditório da Adufmat-Ssind e também pelo GoogleMeet (assista aqui).
As convidadas para debater o tema são a advogada, mestranda em Política Social da UFMT e presidenta da Associação de Pós-graduandos da instituição (APG-UFMT), Priscila Stella, a professora da UFMT e diretora da Adufmat-Ssind, Clarianna Martins da Silva, e também a professora Thiélide Pavanelli, diretoria da Associação dos Docentes da Unemat (Adunemat- Seção Sindical do Andes-Sindicato Nacional).
O debate abordará as propostas que estão sendo debatidas no âmbito da construção de uma política para combater todos os tipos de assédio dentro da universidade. Também serão ponto de pauta da próxima assembleia do sindicato, já convocada para a quinta-feira, 05/09.
Não perca, participe e contribua!
O Cena Livre é um projeto de extensão proposto por um coletivo formado por acadêmicos/as da UFMT, egressos e comunidade externa. Existente desde 2016, este grupo se organiza com foco no estudo, produção, difusão e realização teatral numa perspectiva crítica, articulando discentes, docentes e comunidade em torno do conhecimento sobre o teatro e sua relação com a questão social, formando realizadores e se articulando com grupos e instituições do campo da cultura em Mato Grosso, promovendo oficinas, mostras teatrais, grupos de estudo e outras iniciativas culturais.
Após o evento, o projeto coordenado pelo professor Paulo Wescley,do departamento de Serviço Social abrirá vagas para as novas oficinas que irão trabalhar na construção da Mostra Cenas Curtas, a ser realizada no fim do semestre.
12 de maio
a partir das 18h
Teatro Universitário da UFMT
classificação indicativa: 10 anosFonte: Divulgação
Seminários de Diversidade Sexual e de Mulheres do ANDES-SN aprofundam e atualizam debates
A mesa “Violência de Estado e a marginalização da população LGBTQIAPNB+ na educação superior” abriu o IV Seminário Nacional de Diversidade Sexual do ANDES-SN no sábado (25), no auditório da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe (Adufs - Seção Sindical do ANDES-SN), em São Cristovão (SE).
O evento, que reúne docentes de diversas seções sindicais do país, é realizado pelo Grupo de Trabalho de Políticas de Classe para as Questões Étnico-raciais, de Gênero e Diversidade Sexual (GTPCEGDS) do Sindicato Nacional.

Guilherme Câmara, presidente da seção sindical do ANDES-SN na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), iniciou o debate contextualizando que o Brasil é um país machista, racista, LGBTQIAPNB+fóbico, marcado profundamente pelo patriarcado e por religiões de cunho conservador. “O Estado capitalista por si só é violento e quando pensamos em um Estado capitalista, em formação histórica social e econômica, temos que reconhecer uma violência ainda mais intensa desse Estado”, disse.
Câmara citou um estudo realizado pelo pesquisador Rodrigo Moretti, com estudantes LGBTQIAP+, que mostrou que a violência simbólica estava presente na vida de todas e todos, se manifestando em diversos ambientes e instituições, inclusive na vida acadêmica universitária.
“Era generalizado no entendimento dos estudantes de que a universidade seria um ambiente diferente da escola e da família. E, quando se deram conta, disseram que os professores reproduziam também esse preconceito e que, muitas vezes, a universidade não tinha espaço de acolhimento para essas pessoas. Então, o recurso era, mais uma vez, o grupo, os colegas, os amigos, que também sofriam as violências simbólicas e físicas dessa heteronormatividade”, contou.
Para o docente, há um consenso de que a questão da evasão é um tema socioeconômico, mas que se combina com diferentes formas de violência. “Sim, as pessoas saem das universidades porque não têm condições financeiras. Mas essa falta de condição financeira, muitas vezes, está associada ou articulada com outras violências dentro das universidades. Mesmo a universidade, que em teoria seria um lugar mais acolhedor das diversidades, não tem espaço para que essas pessoas se realizem objetivamente, e também subjetivamente”, considerou.
Segundo Rivânia Moura, docente da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) e ex-presidenta do ANDES-SN, pensar na violência de estado nesse processo é compreender que o Brasil é um dos países que mais mata a população LGBTQIAP+. “Esse sistema nos mata um pouco, a cada dia”, afirmou.

Moura reforçou a importância de garantir a permanência das e dos estudantes LGBTQIAP+ nas instituições de ensino superior do país. “Além das questões já citadas, se faz necessário um local de acolhimento para quem passa por essas violências e um canal efetivo de denúncias nas universidades. Outra questão a se considerar é o respeito ao nome social. A Uern já aprovou a adoção do nome social há oito anos, se não me engano. Porém, muitos professores e professoras não respeitam o uso do nome social. Há processos de assédio, que já estão em todas as instâncias, de professor que se recusa a chamar a aluna pelo nome social e continua tratando com o nome masculino. É uma luta constante nas nossas instituições”, denunciou.
A ex-presidenta do ANDES-SN reforçou a necessidade dos sindicatos pautarem questões como racismo, diversidade sexual e patriarcado. “Há 10 anos, o nosso sindicato não reconhecia essas pautas, elas eram tratadas como se fossem secundárias e menores. Éramos inviabilizados e tratavam a classe trabalhadora como homogênea, e não dá mais para fechar as portas para essas questões. É impossível compreender a classe trabalhadora sem compreender a diversidade”, apontou a docente.
No período da tarde, o IV Seminário Nacional de Diversidade Sexual do ANDES-SN deu continuidade aos debates em unidade com o V Seminário Nacional de Mulheres do ANDES-SN. A mesa “Por um feminismo para toda a classe trabalhadora” contou com mulheres que trouxeram ao debate questões como o feminismo no Brasil e no Oriente Médio, transfeminismos, a luta das mulheres indígenas e das pessoas com deficiência.

Cila Lima, docente da Universidade de São Paulo (USP), apresentou reflexões importantes sobre o movimento social de mulheres em países de maioria muçulmana. De acordo com ela, de modo geral, seriam três os principais movimentos de mulheres: o secular, que é laico, rejeita a religião e as vestimentas impostas, é contra o trabalho infantil, contra o estupro coletivo de mulheres e a mutilação, tem um caráter político-social, defende uma narrativa feminista universalista e dirigida a todas as mulheres de sua localidade; o islamista, de raízes fundamentalistas, o qual rejeita o feminismo por este ser “Ocidental”; e o feminismo islâmico, o qual surge do encontro dos dois primeiros e teria um caráter político-religioso. Referindo-se ao último, a pesquisadora explicou que este "faz uso de uma narrativa relativizada, dirigida exclusivamente às mulheres islâmicas, e atua com base na releitura das fontes religiosas do Islã sob um ponto de vista feminista”.
Ahnã Pataxó, professora da Escola Indígena Pataxó Aldeia Velha (2013-2023) e vice-cacica de Aldeia Velha, localizada no sul da Bahia, contou sobre o crescimento do protagonismo das mulheres indígenas em seus territórios, nos estados e nacionalmente, como as lideranças Joenia Wapichana, atualmente presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), e Sônia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas.
“Duas figuras são marcantes para o nosso povo quando falamos de feminismo. A primeira é Zabelê, que contribuiu muito com a questão da língua materna na minha comunidade. Era falante da nossa língua, lutava a favor da demarcação do nosso território e, na época do Fogo 51, um dos maiores massacres que aconteceu com o nosso povo, saiu fugida, sofreu várias violações e foi para outro território no município do Prado, e após isso ela nunca mais voltou na Aldeia Mãe Barra Velha”, contou.

A outra, conforme Ahnã, é Dona Josefa, que também é um símbolo de resistência na luta pela permanência no território de Barra Velha. “Na época, Barra Velha, divisa com Caraíva, era um território com muita especulação imobiliária, um lugar turístico, e todo mundo queria. Naquela época, com o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, eles colocavam os gados dentro das roças do nosso povo para que desistisse. Em uma luta dessas, os nossos homens estavam quase cedendo à pressão, quando Dona Josefa adentrou numa reunião que mulheres não poderiam participar das reuniões do nosso povo e falou que se os homens quisessem ir embora, poderiam ir, mas ela não ia. Então, todo mundo teve que repensar e ficar naquele território porque se não ia ter que sair do território e deixar uma pessoa para trás”, contou Ahnã Pataxó, quem se inspira nas histórias das suas antepassadas e segue lutando pelos direitos das mulheres indígenas.
Gabrielle Weber, docente da USP e 1ª secretária da Regional São Paulo do ANDES-SN, apresentou uma linha do tempo dos direitos conquistados pela população trans nos últimos anos: a despatologização das pessoas transgênero e a conquista do pedido para a retificação de gênero ou nome em qualquer cartório de registro civil do país.

Weber também apontou o crescimento no número de universidades que estão aplicando a cota para estudantes trans, apesar de não haver ainda uma lei federal que garanta as cotas para essa parcela da população. Ela também apresentou o conceito de cissexismo, que é um conjunto de noções discriminatórias que estabelecem as pessoas trans abaixo das pessoas cis, de maneira institucional e/ou individual.
“No momento em que entramos na universidade e queremos produzir conhecimento, colocando o nosso viés de luta, nos chocamos com o viés do opressor. E, com isso, começam as desqualificações. Vão falar que a produção feita por pessoas trans é sem base epistemológica ou empírica. A ideia é silenciar, esvaziar e tutelar a nossa produção intelectual. Vão nos caracterizar como ativistas, pessoas antidemocráticas, anti-intelectuais, canceladoras e reprodutoras de discursos autoritários da extrema direita”, disse.
Fernanda Shcolnik, docente do Instituto de Aplicação Fernando Rodrigues da Silveira da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CAp-Uerj), falou da luta anticapacitista no decorrer das décadas – desde a deficiência ser considerada uma doença até sua concepção como um problema – e das barreiras encontradas nos espaços de ensino. Shcolnik relatou as dificuldades encontradas na docência com a falta de um ambiente acessível e inclusivo para o desempenho do trabalho.

“É preciso regulamentar os artigos 34, 35 e 37 da Lei Brasileira de Inclusão (LBI), que tratam sobre o nosso direito ao trabalho e às condições de permanência. Pela lei, as instituições precisam garantir a acessibilidade e incluir profissionais de apoio. Por isso, estamos iniciando uma luta para regulamentar esses artigos, porque as universidades ainda têm uma situação muito precária, estruturas que precisam ser aprimoradas e ser construídas em conjunto com as pessoas com deficiência”, defendeu.
Márcia Lemos, docente da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), defendeu a necessidade de sair do ideário da classe trabalhadora do século XIX, construída por homens brancos da Europa e a partir de suas referências. Ela afirma que há legitimidade e importância nesse conceito, mas precisara ser revisado.

“A mulher submetida ao mercado de trabalho passa por um conjunto de opressões e violências pelos quais o homem não passa. Atualmente, fazemos um debate que é sobre a cartografia da desapropriação dessas mulheres e desumanização e o que precisamos efetivamente para concluir é remapear a nossa classe. É entender a nossa classe no seu processo complexo e como um fenômeno que precisa ser analisado para além da sua aparência”, propôs a docente.
Segundo Letícia Nascimento, da coordenação GTPCEGDS do ANDES-SN, os debates de sábado (25) permitirão “um mapeamento da classe trabalhadora numa perspectiva interseccional a partir de uma compreensão crítica das opressões de gênero, raça e diversidade sexual". "Não se trata de um debate meramente identitário, pelo contrário, esta análise profunda e interseccional é uma chave fundamental para o processo de organização da classe trabalhadora para o enfrentamento das mazelas impostas pelo sistema capitalista”, avaliou a docente.
Durante o sábado, ocorreu a performance “Navalha”, de Maluh Andrade, e a atração musical, Gilson do Acordeon.
Fonte: Andes-SN
Evento reunindo UFMT, IFMT e Unemat mobiliza mulheres de Mato Grosso contra a violência política de gênero e o desrespeito a outros Direitos Humanos
Na próxima segunda-feira, 04/12, às 13h30, o auditório da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (Adufmat-Ssind) receberá uma atividade do I Encontro Mato-grossense sobre Violência Política de Gênero. Será uma roda de conversa aberta a todas as participantes que queiram compartilhar suas experiências e pensar propostas de políticas públicas capazes de mudar o histórico do estado, que está entre os mais agressivos do país.
O evento, que será presencial, mas também terá transmissão online, será coordenado por professoras e também pesquisadoras da área. A advogada Priscila Stella Munhoz é uma delas. Mestranda do Programa de Pós-graduação em Política Social da UFMT (PPGPS), seu trabalho pretende desvelar como têm sido registradas e tratadas as situações de violências políticas de gênero em Mato Grosso entre 2021 e 2023.
“A minha pesquisa é sobre a violência política de gênero em Mato Grosso. Em 2021 foram sancionadas duas leis, a Lei 14.192 que acrescentou no Código Eleitoral o crime de violência política de gênero, e a Lei 14.197, que acrescentou no Código Penal o crime de violência política que pode ter incidência em casos de violência política contra a mulher. Acontece que há uma banalização e normalização das violências de forma estrutural e institucional e quando falamos em violências contra as mulheres é ainda mais complicado”, explica a pesquisadora.
Dois casos recentes explicitam a atualidade dessas leis: o impeachment de Dilma Rousseff e o assassinato da vereadora Marielle Franco. De acordo com Munhoz, há um protocolo de julgamento com perspectiva de gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que trata também de casos de violência política contra a mulher. Por isso, o ideal seria que o Poder Judiciário e todos os órgãos que atuam com ele tivessem uma análise de julgamento e atuação com perspectiva de gênero.
As leis observadas versam sobre a participação política das mulheres em diversos âmbitos, não apenas o partidário. “A lei que alterou o Código Eleitoral se refere exclusivamente a candidatas em período ou mandato eleitoral. Já a lei do Código Penal encontra uma objetividade jurídica que está relacionada à ampla participação política das pessoas e, quando a gente fala das mulheres, à mulher que ocupa qualquer cargo de poder e decisão para além do mandato eletivo, da política institucional, do Legislativo, de ocupar um cargo político público. A gente está falando da mulher que é representante sindical, que está no movimento social, que é presidente de bairro; tanto a que já está quanto a que pretende se candidatar”, conclui.
Para a professora Dra. Dejenana Campos, do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), campus Cel. Octayde Jorge da Silva, a violência política de gênero está representada em qualquer ato que pretenda excluir as mulheres dos espaços de debate e decisão. “A violência política de gênero afasta as mulheres do espaço de poder e decisão. É qualquer ato com o objetivo de excluir a mulher do espaço político, impedir ou restringir seu acesso ou induzi-la a tomar decisões contrárias à sua vontade. Nós precisamos dialogar, classificar, mapear e diagnosticar os tipos de violência que as mulheres sofrem na política institucional e eleitoral, para melhor orientar o debate público, fortalecendo a democracia do nosso país. Nosso tempo urge! Nós precisamos de mais mulheres no poder e mais poder para as mulheres”, completa.
Desrespeito a outros Direitos Humanos
A Roda de Conversa do I Encontro Mato-Grossense sobre Violência Política de Gênero está inserida numa programação que envolve também debates sobre outros temas relacionados aos Direitos Humanos.
A professora Edir Almeida, que leciona desde 1996 no curso de Ciências Contábeis da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), explica que esta atividade já é realizada há muitos anos, mas que, pela primeira vez, reunirá as três instituições. “Esse evento é resultado de uma soma de esforços das instituições, que têm afinidades nas temáticas de Direitos Humanos. Assim, nós resolvemos fazer uma programação coletiva, criar um calendário de atividades e a fazer um bloco de eventos. A gente já fazia isso tradicionalmente, de forma separada ou com outros parceiros. Então, esse ano, a gente continuou essa tradição e conseguiu associar as três instituições em torno desse esforço coletivo”, relata.
Além do debate sobre violência política de gênero, também haverá mesas com temáticas relacionadas às políticas voltadas às questões das desigualdades raciais, violências contra povos e comunidades tradicionais - cujos direitos têm sido aviltados em função de atividades predatórias como garimpo, madeireiras, centrais hidrelétricas -, acolhimento da população imigrante ou refugiada e garantia de segurança alimentar e nutricional, especialmente para a população em situação de vulnerabilidade. Os encontros serão realizados nos municípios de Cuiabá e de Cáceres.
“Serão várias atividades, painéis, mesas, rodas de conversa, atos. Por exemplo, no dia oito, em Cáceres, nós faremos o plantio de árvores numa escola, onde há um curso de Agricultura Urbana e Agroecologia. Com isso a gente tem a proposta de reafirmar o papel social da universidade, através das suas várias atividades. Trazer essa discussão sobre políticas públicas, para entender o que o Estado, o que o Poder Público está fazendo para mitigar essas questões”, destaca.
Como participar?
O I Encontro Mato-Grossense sobre Violência Política de Gênero será presencial e também terá transmissão online.
Será uma roda de conversa para que todas possam dialogar, partilhar e construir ações de enfrentamento às violências políticas que atravessam a vida de todas as mulheres candidatas e ocupantes de espaços políticos de poder e decisão.
Para se inscrever, basta preencher as informações solicitadas no link abaixo: https://forms.gle/noQ8z8jeCK16FQif6
Haverá certificação para os participantes do evento. Confira a programação completa:





Luana Soutos
Assessoria de Imprensa da Adufmat-Ssind












